O brilho eterno de um coração quebrado


Escrita porVictoria Fideles
Revisada por Lelen


Capítulo 6

  A pergunta de Mason sobre o porquê de %Sophie% se importar tanto com os heartless, e a insinuação de que havia algo mais em jogo, pairava no ar da sala de arquivos. O laranja-amarronzado da dúvida e um toque de vermelho da raiva teimavam em colorir o coração de %Sophie%. Ela sabia que precisava controlar a impulsividade e jogar de acordo com as regras de Mason, pelo menos por enquanto.
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  — Eu me importo porque a pureza é um dos pilares da nossa sociedade, Senhor Scott — %Sophie% respondeu, sua voz calibrada para soar estudiosa e um tanto ingênua. — Entender o que acontece com aqueles que não a alcançam é fundamental para minha pesquisa sobre a sustentabilidade social de Ópes Civitas. É sobre a harmonia da comunidade, não sobre casos específicos.
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  Um brilho quase imperceptível de aprovação cruzou o rosto de Mason. Ele parecia ter gostado da resposta dela, ou talvez estivesse apenas satisfeito por ela ter voltado à "narrativa" da pesquisa.
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  — Uma perspectiva interessante, senhorita Benson. A sustentabilidade social é, de fato, um tópico relevante. — Ele se levantou, a postura elegante, e a conduziu para fora da sala de arquivos. — Nesse caso, acredito que a ala de Desenvolvimento e Manutenção de Equipamentos seria mais esclarecedora para você hoje. É onde toda a tecnologia que sustenta nossa sociedade é cuidada.
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  %Sophie% sentiu uma pontada de desapontamento. Equipamentos? Isso parecia muito longe do que ela buscava. Mas ela não podia recusar. Seu coração, ela podia sentir, estava um laranja-amarronzado sólido, refletindo sua dúvida sobre a utilidade da visita.
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  Eles caminharam por corredores mais amplos, onde o zumbido de máquinas era audível ao longe. As paredes eram de um branco impecável, e a cada poucos metros, grandes painéis digitais exibiam gráficos complexos de desempenho de sistemas e estatísticas de eficiência. A atmosfera era fria e asséptica.
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  Mason abriu uma porta pesada que levava a um vasto galpão. O cheiro de metal, óleo e ozônio pairava no ar. Luzes fluorescentes brilhavam intensamente sobre inúmeras bancadas de trabalho e máquinas de dimensões variadas. Técnicos em macacões azuis se moviam com propósito, consertando placas de circuitos, calibrando instrumentos e manipulando ferramentas de precisão.
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  — Aqui, mantemos tudo funcionando. Desde os sistemas de purificação de ar da cidade até os sensores que monitoram a qualidade dos cristais nos colares de todos os cidadãos — Mason explicou, sua voz ecoando no espaço barulhento. — Sem a manutenção constante e a inovação tecnológica, a sociedade de Ópes Civitas simplesmente não seria sustentável.
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  %Sophie% tentou prestar atenção nas explicações dele, mas seus olhos vagavam. Ela observava os técnicos, os equipamentos, procurando por qualquer coisa fora do comum. Havia máquinas enormes com bobinas brilhantes, outras que pareciam bancadas de testes com pequenos objetos sendo inspecionados. Tudo muito técnico, muito distante do seu objetivo.
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  Ela notou, em uma das bancadas, um pequeno dispositivo de cristal que lembrava vagamente a forma de um coração, conectado a vários fios e sendo testado por um técnico. O cristal emitia uma luz vermelha intermitente.
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  — O que é aquilo? — %Sophie% perguntou, apontando discretamente.
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  Mason olhou na direção que ela apontava.
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  — Ah, isso? É um protótipo de recalibrador de cristal. Projetos de pesquisa e desenvolvimento. Estamos sempre buscando formas de otimizar a funcionalidade dos cristais e garantir sua leitura precisa das emoções. É um projeto complexo, com muitas falhas ainda. Por isso a cor vermelha que você vê, indica que o cristal está com erro, provavelmente a emoção não está sendo lida corretamente.
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  Ele não se deteve ali, apressando-se em levá-la para outra seção, onde grandes painéis de controle monitoravam o fluxo de energia da cidade. %Sophie% fez algumas anotações em seu celular, fingindo interesse nos gráficos, mas sua mente estava presa naquele dispositivo. Um recalibrador de cristal? Para que exatamente? A Concentração sempre afirmou que os cristais eram orgânicos e imutáveis em sua essência. A ideia de "recalibrar" sugeria que eles podiam ser alterados, ou manipulados.
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  Enquanto Mason explicava os complexos sistemas de energia, %Sophie% reparou em uma pequena porta lateral, disfarçada na parede. Estava ligeiramente entreaberta, revelando um vislumbre de um corredor escuro e silencioso, em forte contraste com a luz e o barulho do galpão. Nenhum técnico parecia notá-la.
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  — Senhor Scott, para onde aquela porta leva? — %Sophie% perguntou, dissimulando sua curiosidade, apontando para a porta.
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  Mason seguiu seu olhar, e por um instante, a expressão dele endureceu. Era rápido, quase imperceptível, mas %Sophie% o viu.
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  — Aquela? É apenas um acesso para a manutenção de rede de ventilação da área. Sem interesse para sua pesquisa. Um lugar sujo e empoeirado.
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  Ele sorriu, mas o sorriso não atingiu os olhos. Havia um quê de cautela ali, algo que ele estava escondendo.
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  — Bem, senhorita Benson — Mason disse, guiando-a sutilmente para longe da porta. — Creio que hoje você teve uma visão abrangente da sustentabilidade tecnológica da Concentração. Por hoje, encerramos nossa visita. A menos que você tenha mais alguma dúvida sobre a calibração de sensores ou o fluxo de dados em nossas centrais.
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  %Sophie% sabia que ele a estava testando novamente. Ele a estava cortando, impedindo-a de se aprofundar. Ela havia conseguido algumas migalhas – o recalibrador de cristal, a porta misteriosa para a "ventilação", e a expressão de Mason ao vê-la. Não era muito, mas era um começo.
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  — Não, Senhor Scott. Por hoje, estou satisfeita. Muito obrigada pela sua… dedicação. — Ela usou a palavra com um leve tom de ironia, testando-o novamente.
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  Mason apenas sorriu, o sorriso enigmático de volta.
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  — Sempre às ordens, senhorita Benson. Para o avanço da sustentabilidade.
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  Enquanto era escoltada para fora, %Sophie% sentiu o laranja-amarronzado de sua dúvida misturado com um lampejo de verde da esperança. A Concentração estava cheia de segredos, e Mason Scott era um guardião complexo deles. Ela ainda não tinha encontrado %Rick%, mas a cada visita, a imagem do que realmente acontecia no CEEH começava a se formar em sua mente, pedaço por pedaço. Aquele recalibrador... e aquela porta... algo estava errado, e ela estava determinada a descobrir o quê.
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Capítulo 6
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