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História NÃO RECOMENDADA PARA MENORES ou PESSOAS SENSÍVEIS.

Esta história pode conter descrições (explícitas) de sexo, violência; palavras de baixo calão, linguagem imprópria. PODE CONTER GATILHOS

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Me Apaixonei Pela Babá

Escrita porNatashia Kitamura
Revisada por Natashia Kitamura

[Idade dos filhos]
Anna e Hugo
– 14 anos
Felipe e Arthur – 12 anos
Eric – 9 anos
Helena – 7 anos
Caique – 3 anos


Capítulo 7

Tempo estimado de leitura: 46 minutos

  Eles se conheciam, %Henrique% tinha certeza. Observou a maneira como %Julia% se tornou mais calada do que quando teve o primeiro contato com Sandra. Quando o tal casal Alina e Vitor não estavam perto, ela conseguia conversar com mais leveza, sem se importar com a resposta que receberia, no entanto, Alina, principalmente, não estava disposta a dar uma folga para %Julia%. %Henrique% sabia que havia um motivo pelo qual aquilo estava acontecendo: %Julia% tem um segredo que pode abalar tanto o jantar, quanto ele, e Alina sabia muito bem dessa carta na manga.
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  – Pois eu acho que os Estados Unidos já não é mais o foco das compras, mas sim a Europa. As pessoas pensam tanto em quantidade, falando de outlets, que se esquecem da qualidade. – Alina diz, com propriedade, tendo a maioria das mulheres e homens concordando com ela. – Não acha, %Julia%?
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  Era isso. %Julia% sabia que Alina estava aguardando a oportunidade perfeita para brincar com ela. Era como um gato e sua presa, brinca até se cansar e então o devora.
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  Ela olhou ao redor e toda a mesa a encarava com interesse. Não havia falado muito nas conversas em que todos estavam envolvidos, mas agora Alina a havia exposto de vez, e não tinha como fugir.
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  – Eu concordo que as pessoas pensam muito em quantidade, ao invés de qualidade. Mas não acho que a Europa seja o foco principal. Acredito que estamos falando de pessoas que podem comprar sem se preocupar com a conversão, não é? - ela ri graciosamente, fazendo alguns rirem, dizendo que era óbvio. – Comprar no Brasil é muito mais do que na Europa. Eu, pelo menos, gosto de dizer que fui no JK e comprei uma Chanel porque eu quis.
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  Imediatamente, as pessoas mais importantes, como Sandra e Andressa, as esposas do presidente e vice-presidente, riram e concordaram, o que fez com que os demais também reagissem.
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  – Se você tem dinheiro para comprar uma Chanel no Brasil, com certeza tem dinheiro para comprar sua passagem de primeira classe e ir para Paris. - Tulio falou, entre risos. – Tem razão, %Julia%!
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  Alina sorriu por educação, é claro, mas %Julia% sabia que ela estava aborrecida por ter sua tentativa de expô-la, frustrada. As duas trocaram um olhar sério; uma, dizendo que a guerra ainda não havia acabado, a outra, que não facilitaria.
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  Sentado ao lado de %Julia%, %Henrique% permaneceu calado a maior parte do tempo, exceto quando o assunto era trabalho e coisas relacionadas aos patrões. Não sabia muito sobre a alta sociedade e acreditava que a melhor maneira de lidar, era observando. Contudo, viu, através de %Julia%, que essas pessoas só sabiam atacar; precisava ser cuidadoso; enquanto as mulheres eram venenosas, os homens, por outro lado, usavam-nas de escudo.
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  – O que você acha, %Julia%, da obsessão de %Henrique% pelo trabalho? - Ricardo, o vice-presidente, perguntou durante a sobremesa.
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  A mulher levou um tempo para responder. Antes, olhou para %Henrique%, que tentou, através do olhar, mostrar qual seria a resposta adequada; mas %Julia% sabia qual era a melhor resposta a se dar.
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  – Eu o conheci assim, por isso, não me incomoda. - ela abriu um pequeno sorriso, mas não o suficiente para as pessoas confundirem a mensagem. Ela estava sendo terrivelmente honesta e tímida por expressar essa opinião. As pessoas ricas gostam desse tipo de pessoa.
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  Tulio balançou a cabeça, aprovando.
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  – É importante ter alguém que entenda a importância do trabalho na vida de um homem. - ele diz. – Além disso, ter suas próprias preocupações faz com que não haja brigas dentro de casa.
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  Mesmo com todos concordando, todo mundo sabia o que Tulio realmente queria dizer. Se o casal não é fruto de um amor, então cada um pode arranjar o seu parceiro e parceira, e continuar os dois lados felizes.
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  Sandra, por outro lado, sorriu para %Julia%; um sorriso de quem havia entendido o recado da mais nova, algo que, pelo jeito, a maioria das pessoas não havia entendido. Para ela, o que a moça realmente quis dizer, era que não importa o que %Henrique% fizesse, contanto que continuasse fazendo o que faz de bom: ganhar dinheiro e proporcionar seu prazer.
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  %Julia% soube que havia conquistado os dois lados assim que todos se levantaram para tomar um drink após a curta sobremesa - que ninguém realmente comeu. Alguns dos homens acenderam seus charutos, enquanto as mulheres preferiam o cigarro eletrônico. %Julia% aproveitou o tempo para ir ao banheiro retocar a maquiagem. Ao sair, não foi uma surpresa encontrar com Alina parada com os braços cruzados.
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  – Então é assim que você vai acabar com a dívida do seu pai? Correndo atrás de novos ricos? - ela sorria, enquanto os olhos passeavam pelo corpo de %Julia%. – Essas roupas não são, sei lá, de anos atrás?
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  – São. Reciclar é o novo trend, você deveria estar bem orgulhosa, está fazendo muito bom uso do meu lixo. - %Julia% respondeu, vendo o sorriso presunçoso de Alina sair dos lábios.
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  – Você está muito ousada para uma puta, %Julia%.
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  – E você, muito confiante para um descarte, Alina.
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  Ambas sabiam que aqueles adjetivos não mexeram em nada na outra. Elas já haviam lidado com ofensas maiores e tentativas ainda mais humilhantes de fazerem-nas passar vergonha. Mas uma não sabia da vida da outra, então tinham de usar o que precisavam. Alina, entretanto, tinha vantagem.
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  – O que seu namorado e as pessoas daqui vão dizer, se souberem quem você realmente é? Sua família podre ainda não saiu de São Paulo?
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  – Bem, se há espaço para a sua, com certeza há para a minha. - %Julia% sorriu. – Meu pai realmente foi um tolo - ela olhou para as próprias unhas –, mas não é ele quem faz a minha vida. Como pode ver, sou muito mais inteligente que ele, ao contrário de você, pelo que vejo. Continua agarrada na aba do papai espertinho?
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  – Meu papai pode acabar com vocês de novo, se eu quiser.
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  – Bem, isso teremos de ver. Ele pode ter os contatos, mas você sabe… não será fácil. - %Julia% sorriu. – E você sempre pode acabar ainda mais com a vida das pessoas, assim como fez com a Renata. Seu namorado sabe que você é uma assassina, Alina?
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  O silêncio pairou por um segundo. Tempo o suficiente para as duas saberem que %Julia% havia ganho aquela batalha. Alina descruzou os braços e deu um passo para frente.
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  – Não fui eu quem fiz aquilo e você sabe. Posso colocar você como cúmplice.
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  – Tenho vários álibis, lembra? Vai pedir para o seu papai acabar comigo também? Ou será que ele irá abrir mão de você como fez com a sua mãe?
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  Ela estava passando dos limites. Precisava parar. Não podia simplesmente usar todas as fraquezas de Alina contra ela, logo no primeiro encontro. Sabia que ela viria mais forte na próxima vez, então precisava guardar cartas na manga, caso contrário, seria perda na certa. E ela podia aceitar a perda, mas não através das verdades que Alina lhe contaria.
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  – Tome cuidado, %Julia%. Você pode ter vivido uma vida entre nós, mas não faz mais parte do meio. No fim, será exatamente como aconteceu com seu pai, você será a culpada e eu serei a vítima.
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  – Nem todos os casos dão o mesmo resultado.
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  – Os casos em que eu estou envolvida, sim.
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  E o pior, é que %Julia% sabia que era verdade.
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  Alina abriu um pequeno sorriso.
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  – Não tente fazer nenhuma gracinha, querida. Ou eu posso sentir vontade de acabar com o novo trabalho do seu papai no banco.
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  Dessa vez, a mulher não soube conter a surpresa, o que deixou Alina ainda mais confiante.
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  – Nós sabemos de tudo, %Julia%. O seu pai conseguiu o emprego, porque a raiz assim permitiu. Se um deles decidir voltar atrás… - ela faz o sinal de morte, passando a ponta do polegar no pescoço.
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  Com um sorriso vitorioso no rosto, Alina se afastou de %Julia%, fazendo o ar voltar a rodar entre o corpo. %Julia% respirou fundo, contendo a vontade de gritar e chorar. Odiava Alina. Odiava o fato dela ser uma vaca e muito boa nisso. Odiava ter amado Vitor e agora ver ele com a pessoa que ela mais odeia. Odiava ter um pai fraco, mas que também tinha esse mesmo detalhe como qualidade.
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  Odiava sua vida.
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  O caminho de volta foi silencioso. %Julia% estava perdida em seus próprios pensamentos, e %Henrique% estava respeitando o momento dela. Eram pouco mais das dez quando todos começaram a se retirar. %Henrique% e %Julia% logo seguiram o rumo e Sandra fez questão de chamá-la para um almoço em breve, que, por educação, %Julia% disse ser ótimo. Alina e Vitor não se despediram de %Julia% e %Henrique%, o que não foi surpresa para ninguém, já que os dois casais mal se falaram durante o jantar.
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  Vitor era um dos prodígios na área de finança. Ele estava lá abaixo de Thales, o diretor da controladoria, que, por um tempo indeterminado, estava cuidando da equipe de finanças junto com %Henrique%. No entanto, não era papel de %Henrique% lidar com os funcionários; Thales era melhor na lábia. Ele, por outro lado, resolvia, de fato, todos os problemas. Vitor tentou evitar, o máximo, %Julia%. Primeiro, porque não tinha o que falar com ela; a maneira como haviam terminado não foi pacífica e ele não foi o melhor cara do mundo com ela. Segundo, porque ela era a companheira de %Henrique%, o favorito de todos os diretores, presidente e vice-presidente, ou seja, um homem blindado com quem ninguém podia se meter. Por último, Alina. Não podia fazer nada de errado com ela, pois era a pessoa que mais estava lhe ajudando, e apesar de não ter sido legal ser visto com ela por %Julia%, não havia nada que a ex pudesse fazer, para acabar com ele. Exceto ser uma vaca como muitas mulheres eram, e pedir para %Henrique% acabar com ele.
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  – Me desculpe por colocá-la nessa situação. - ele começou a falar, pouco tempo depois, quando já havia passado tempo o suficiente desde a saída da cobertura dos Costa.
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  – Está tudo bem. - ela sorriu. – Não sou a melhor pessoa enquanto na presença deles, mas acho que deu certo com o seu chefe, não foi?
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  %Henrique% abriu um sorriso. Gostava de como ela transformava as coisas complicadas em algo simples, ou simplesmente tirava o foco do problema. Ela havia salvo a vida dele de novo.
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  – Está com fome?
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  – Faminta. - ela olhou para ele, suplicando por uma refeição mais adequada. – Odeio jantares de negócio.
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  – Nunca comemos. - ele concorda, virando a próxima rua à direita, quando era a esquerda que levava para a residência dos %Miller%.
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  – Nunca.
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  %Julia% queria perguntar mais para %Henrique%. Ele havia recebido uma oferta? Era um jantar teste? Ela estragou algo?
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  Mas agora não era mais uma acompanhante do promissor da empresa, e sim a funcionária que cuida dos filhos do homem. Suspirou. O que tornou as coisas menos ruins com certeza foi o fato de ter sido a acompanhante justamente de %Henrique%. Se fosse qualquer - literalmente - pessoa daquele jantar, ela talvez já estivesse em casa, chorando e possivelmente demitida. Mas %Henrique% estava ali como uma aposta do presidente, e o homem raramente errava. O fato de outras empresas semanalmente entrarem em contato para saber da disponibilidade de %Miller% também ajudava na decisão. Não podiam perder a pessoa mais requisitada de toda a empresa.
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  Os dois acabaram em uma lanchonete 24h e acharam graça de estarem tão bem vestidos, comendo em um lugar daqueles. Mas não havia restaurante chique aberto quase às onze da noite, mesmo sendo São Paulo. Enquanto sentados, saborearam o lanche que encheu a barriga dos dois e pediram uma sobremesa bem calórica, porque mereciam.
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  – Se eu for receber a promoção, irão me mandar tirar férias de algumas semanas, ou quem sabe um mês. - %Henrique% voltou a começar a conversa.
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  – Por quê? Você tem férias a vencer?
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  – Isso, e o fato de ser um hábito da empresa premiar a pessoa com um descanso antes da turbulência.
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  – Achei que ser diretor diminuiria a quantidade de trabalho.
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  – A quantidade, sim. Mas a pressão, não. Além disso, o começo é sempre difícil. Pode ser que você tenha que lidar com pessoas na sua equipe que não quer, mas não pode demiti-las.
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  O mundo corporativo não era fácil, mas quando se trata de posições mais altas, torna-se ainda mais difícil e burocrático. %Julia% sabia que muitas pessoas preferiam receber um aumento, do que uma promoção, porque a cada escada que se sobe, o desafio se torna cada vez maior. Por sorte, ela sempre foi corajosa em realizar as tarefas que lhes eram passadas; algumas, entretanto, não era exatamente ela quem fazia. Coisas do passado.
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  Observou com bastante atenção o chefe. Em casa, ele era a máxima autoridade, enquanto que naquela noite, parecia um peão dentre vários no tabuleiro. Pode ver como ele usava do carisma e inteligência para lidar com as demais pessoas e, às vezes, seus comentários desnecessários.
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  Ainda assim era um homem jovem. Estava em dia com a sua saúde. %Julia% não sabia se ele tinha amigos, pois não dedicava quase parte nenhuma de seu tempo para sociabilidades. Ela, inclusive, não sabia como era a vida fora do trabalho e da família de %Henrique% - não que ela precisasse saber, afinal, um funcionário não sabe de tanto da vida do chefe -, mas ele jamais, desde que ela entrou no trabalho a pouco menos de um ano, mudou sua rotina trabalho-casa-trabalho. Apenas recentemente foi possível vê-lo mais em casa, diminuindo um pouco sua carga de trabalho para dar atenção aos filhos.
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  – O que a fez querer trabalhar? Imagino que, assim como Alina, você tivesse um futuro mais ligado à uma vida socialite. - %Henrique%, de repente, perguntou à %Julia%, que ergueu as sobrancelhas em surpresa, mas não se deixou abalar pela pergunta vinda do chefe.
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  Lembrou-se de quando se mudou para o apartamento onde a família atualmente vivia. As gêmeas desataram a falar xingamentos e reclamações sobre tudo e todos, a mãe caiu no choro e o pai parecia ter voltado de uma guerra. A barba começou a crescer, os olhos tinham olheiras enormes e os cabelos estavam mal arrumados. Haviam tido sorte de conseguirem aquele apartamento em um condomínio enorme. Devido à quantidade de residências no prédio, ele era isento de IPTU, e a família só precisava lidar com o aluguel e condomínio. Mesmo assim, não era fácil com a multa aplicada de que qualquer dinheiro que entrasse, 80% fosse desviado para a quitação das dívidas.
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  A primeira semana, com certeza, foi a pior. Tudo ainda era muito recente, ninguém queria acreditar que aquela seria a nova vida, e que não, a família não estava fazendo parte de um reality show. Demorou um tempo para o pai conseguir se achar com a profissão de motorista. %Julia% se lembra exatamente do que a fez se levantar e tentar algo: a sensação de inutilidade e o nublado que enxergava em seu futuro.
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  – A vontade de se sentir útil, eu acho. - ela disse, ainda pensativa e incerta sobre a resposta. Talvez fosse mais que isso. Ou talvez fosse menos. – E de sair de casa. Com exceção do meu pai, o resto da família entrou em um tipo de luto. Na primeira semana faz parte; perder tudo, do nada, não é fácil. Mas na segunda semana a ideia tornou-se um fardo e ver que ninguém fazia nada para mudar começou a me causar um comichão.
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  %Henrique% abriu um sorriso. Sabia o que ela queria dizer. Lembrou-se, ele mesmo, de quando Cássia morreu e ele permaneceu três dias inteiros olhando para as crianças chorando ou perguntando pela mãe, e ele sem saber exatamente o que fazer. Amélia o ajudou em tudo e, quando ele deu por si, viu que ela sabia perfeitamente como lidar com os 7, com a ajuda dos demais funcionários. Em um ato de desespero, fugiu para o escritório às 9 da noite e permaneceu lá dois dias seguidos, com a desculpa de que o trabalho acumulado havia lhe dado problemas.
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  Os dois trocaram olhares, um pensando no outro, em como lidaram com o problema quando o mundo deles acabou. Em como o outro é forte. E o que eles fariam se estivessem no lugar do outro.
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  – Cássia, a mãe das crianças, faleceu há 3 anos em um acidente de carro. - %Henrique% disse, olhando uma família entrar rapidamente e os pais se enrolarem com a animação das crianças, em um horário perto da meia-noite. – Ela era o porto seguro de todos nós.
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  – Sinto muito.
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  Ele balançou a mão, como quem dizia que era coisa do passado.
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  Só que, na verdade, não era tão passado assim, pensou em seguida. Essa era a primeira vez que mencionava o nome da ex-mulher desde sua morte. Não havia pensado nela, nem na situação desde o ocorrido; muito pelo contrário, evitava o máximo que podia.
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  – Ela sabia lidar com 7 crianças e um trabalho. Eu não sei como, mas ela conseguia. - ele abriu um pequeno sorriso. – Mesmo que o trabalho lhe ocupasse metade da semana, ela conseguia lidar com os 7, gritando e berrando em seu ouvido.
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  – Ela devia amar muito as crianças e o trabalho.
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  – É… - ele respondeu, ausente. Lembrou-se de como achava ela incrível quando, à noite, esquentava a comida preparada por Jussara e alimentava os filhos. O cansaço estava estampado nos olhos da mulher, mas ela ainda assim terminava de alimentá-los, dava-lhes banho e os colocava para dormir todos os dias. – Ela sabia conversar com eles.
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  O sorriso triste no rosto do homem incomodou %Julia%. Sabia que ele estava dando seu melhor para conciliar o trabalho e as crianças, e queria que ele tivesse sucesso. Mas ele não era um homem de muitas palavras, apesar de ser bom em agir.
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  – Quando elas são crianças, você não precisa conversar. - %Julia% diz, tomando sua atenção de volta para ela. – Você apenas deve mostrar interesse nas coisas que elas falam. Ontem, Caique começou a falar sobre tratores. Não sei nada sobre tratores, mas fui levando a conversa; se ele não sabia responder, mudava de assunto; se ele via que eu não estava entendendo, mudava de assunto; se perdia a paciência, mudava de assunto. - ela riu. – O segredo é ter paciência e dedicar um tempo exclusivo para cada um deles. 5 minutos é o suficiente. - ela faz o número com a mão, surpreendendo o homem. – É o tanto que eles conseguem focar sem perder o foco.
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  Os dois riram.
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  – Você faz parecer fácil.
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  – É fácil. Eu tenho muito mais facilidade de conversar com Caique, do que com Felipe. Não entendo nada de futebol e ele só sabe falar disso.
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  – Ele acha que será jogador de futebol. - %Henrique% balança a cabeça, mas para pra pensar. – Será que eu deveria colocá-lo em um clube de futebol?
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  %Julia% o encarou com um sorriso no rosto. A resposta, %Henrique% percebeu, era óbvia. Por que ele estava gastando o tempo do menino, que claramente amava o esporte, colocando-o em outras atividades extracurriculares?
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  – Existe um bom clube para isso?
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  – Existem vários. Tem um, eu acho que consigo ligar amanhã e ver se há vagas. Talvez eles deixem você levar o Felipe para fazer um teste. Eles costumam receber olheiros, então não aceitam qualquer criança.
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  – Você acha que Felipe pode virar um jogador profissional?
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  – O sonho e a força de vontade, ele tem. - ela ergue os ombros e diz como se dissesse “não custa nada tentar”.
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  O homem sorriu e balançou a cabeça, mal acreditando que estaria começando a investir no futuro de um de seus filhos logo mais.
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  – E Arthur?
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  – Ele não mostrou interesse em ser jogador de futebol?
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  – E o que ele gosta de fazer?
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  “Aprontar.” Ela pensou, mas preferiu não verbalizar. Pensou no filho número 3, que geralmente seguia os passos do irmão mais velho, Hugo, e, como este não estava em sua melhor fase, o mais novo também se obrigava a não estar.
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  – Talvez ele precise de um tempo sozinho para decidir o que quer por si só. Vai ser bom ele se separar de Felipe e Hugo. Será um momento para ele ter mais liberdade de escolha.
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  – Hugo, no entanto…
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  – É uma fase importante. - %Julia% corta o chefe, que a olha com interesse. – Ele é o centro do universo e acha que sabe de absolutamente tudo o que precisa. É importante saber se comunicar; ultimamente ele anda bastante revoltado.
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  – Violento?
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  – Não, só revoltado. É a fase. Dizem que dura até os 21 nos garotos.
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  – 21? - %Henrique% exclamou, a cabeça imediatamente fazendo as contas. Quase 7 anos.
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  – É importante não associar ele e Anna. Os dois já têm o peso de serem gêmeos, é melhor que não tenham mais o peso da comparação. Além disso, Hugo tem interesse em garotas mais velhas, o que o faz tentar amadurecer mais rápido. Falando nisso, o aniversário do casal está chegando.
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  – Ah.
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  “Ótimo. Ele esqueceu.” %Julia% quis fechar os olhos e fazer uma careta, mas limitou-se a observar o chefe retirar o celular do bolso e levá-lo à frente dos olhos. Abriu imediatamente o calendário.
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  O aniversário de 15 anos de Anna e Hugo estava chegando, assim como o 1 ano de trabalho de %Julia%. É claro que ela nem sonhava com as férias remuneradas, pois a família não acharia alguém para ficar em seu lugar tão cedo. Talvez tivesse que vender as férias. Tinha que conversar sobre isso com o chefe, mas agora não era o momento.
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  Nos meses anteriores, as crianças comemoraram durante a tarde, onde outras poucas crianças subiram para o apartamento e todos cantaram parabéns com bolo, doces e salgados preparados por Jussara. No aniversário dos gêmeos, eles só quiseram ir para um parque de diversões com os amigos, e %Henrique% pagou a uma agência para que eles fossem com monitores. No entanto, o aniversário de Hugo e Anna era importante pelo fato de ser a tão esperada festa de debutante da garota.
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  – Ela quer festa?
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  %Julia% fez-lhe uma careta e ele apertou os lábios.
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  – Tem como fazer uma festa?
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  – Entre ser uma festa mais ou menos e nada, acho que Anna preferirá nada.
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  – Nada? Podemos tentar reunir os amigos…
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  – %Henrique%… quer dizer, senhor %Miller%… com todo respeito. - %Julia% se sentiu na obrigação de defender a garota. O homem não conseguia entender a importância de uma festa de 15 anos para uma menina. Basicamente, é quando ela deixa de ser criança e passa a ser vista como uma mulher. %Julia% havia visto os convites das festas das amigas. Eram incríveis. – Você viu como foi hoje a noite. Agora, pense como é em uma versão de adolescentes.
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  – Ah. - o homem disse de novo, pensando no horror que seria ver a filha sendo humilhada pelas amigas, como Alina tentou fazer com %Julia%. Mas %Julia% havia crescido nesse ambiente; talvez até tenha sido como Alina. Não podia colocar Anna nessa situação. – E o que você sugere?
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  – Só há uma maneira de resolver isso a favor de Anna. - %Julia% ergueu o dedo indicador, vendo o olhar compenetrado do chefe. Em seguida, ergueu o dedo do meio, fazendo o número 2. – Um: Disney. Dois: La Rosey.
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  – La Rosey?
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  – É, talvez, a escola mais prestigiada do mundo. Na Suíça. Eles oferecem programas de verão que duram de 2 a 4 semanas, mas que agrega muito no currículo da criança. Eu fui aos 9, mas existe programação para crianças de até 15. Depois disso, é um outro grupo, que vai para as montanhas e o mar.
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  – Você estudou na Suíça? - %Henrique% perguntou, boquiaberto.
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  %Julia% se esqueceu com quem estava falando e limpou a garganta. Havia estudado em vários países, mas não podia colocar isso no currículo para babá, obviamente.
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  – Quase todo mundo vai. No entanto, recentemente, mais brasileiros têm ido. Como Anna não mencionou nada, acho que a turma dela não é tão… hum…
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  – Rica. - ele completou a frase dela, vendo as bochechas da babá corarem. – E mostrar que é rico vai ajudar Anna?
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  – Vai evitar um bullying desnecessário na escola. Além disso, pode ser bom para ela e Hugo viverem uma experiência e melhorarem o inglês.
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  %Henrique% permaneceu pensativo. Sabia que teria que mandar os filhos para estudar fora do Brasil, mas não esperava que fosse acontecer tão cedo. A alta sociedade era mesmo uma coisa de outro mundo.
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  – Tudo bem, como faço para conseguir tudo isso?
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  %Julia% abriu um sorriso.
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  – Pode deixar comigo.
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  A semana seguinte foi de emoção. Amélia deixou para se despedir de todos na segunda, dia em que iria direto para a nova residência, no Sul. A família inteira agradeceu e %Henrique% lhe deu um envelope com um dinheiro extra, para mostrar um pouco da gratidão que sentia pela mulher. No entanto, a despedida do chefe foi bem cedo, pois ele logo teve de sair para o trabalho. As crianças, por outro lado, se despediram de acordo com que foram voltando da escola; por fim, os colegas de trabalho se reuniram na cozinha para uma pequena festa.
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  – Não coma muito chocolate, Arthur. - Amélia chamou a atenção com os olhos vermelhos de emoção.
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  – Você irá nos visitar, não é, Mé? - Anna perguntou, abraçada à mulher que fora praticamente sua mãe nos últimos 3 anos.
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  – É claro que venho. E vocês também podem vir me visitar. Mas, acima de tudo, obedeçam a %Julia% e seu pai.
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  No quarto dos funcionários, Amélia deu um longo abraço em %Julia%.
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  – Sei que você fará um bom trabalho com as crianças. Não desista delas.
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  – Eu não vou. - %Julia% sorriu, o choro entalado na garganta. – Obrigada por ter me contratado.
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  A mulher balançou a mão.
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  – Eu achei que você fosse sair chorando no primeiro dia.
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  – Foi o que quase aconteceu, para ser sincera. - a mais nova respondeu e logo em seguida riu com a mais velha.
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  Quem levou Amélia embora foi Saulo. A segunda-feira era o dia mais tranquilo para as crianças, por isso, todas estavam cedo em casa. Jussara e Paloma cuidaram de arrumar a cozinha, enquanto %Julia% ia para a sala ficar com as crianças, já que Caique e Helena tiraram o dia para brigarem por ela.
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  – Vocês dois vão brincar, eu preciso conversar com a %Juju%! - Anna chegou e se sentou ao lado da babá, no chão, ouvindo, imediatamente, o berreiro dos mais novos. – Eu dou chocolate para vocês depois, vão, vão!
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  – Anna! – %Julia% exclamou para a mais velha dos 7.
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  – O meu assunto é urgente, %Juju%, presta atenção – a garota olhou séria para a babá, que se surpreendeu com a seriedade da garota e manteve-se calada, olhando, de vez em quando, para os demais irmãos. – Você acha que eu ficaria bem loira?
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  %Julia% ficou calada, olhando sem expressão nenhuma para Anna, que aguardava por uma resposta honesta. Limpou a garganta e respirou fundo.
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  – Por que você quer pintar o cabelo?
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  – Karina falou que eu ficaria linda.
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  – Karina é loira?
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  – Não.
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  “Exclusividade.” O pensamento veio de imediato na mente da mais velha. Ser a única morena do grupo faz a diferença nessa idade. Não pelo fato de a cor do cabelo significar algo, mas sim a ideia de ser ‘única’.
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  – Alguém já pintou o cabelo de loiro no seu grupo?
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  – Hum… não.
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  %Julia% tentou, o máximo que pode, não demonstrar pena. Ela sabia que Anna ainda não tinha noção com quem estava lidando. Parecia ser normal, ter uma líder e obedecer às ordens. A verdade era que pessoas como Karina e até a própria %Julia%, achavam normal, aos 15 anos, se aproveitar das garotas que não tinham os devidos contatos da alta sociedade.
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  Contudo, %Julia% não podia se intrometer na vida de Anna, a ponto de mandá-la fazer uma coisa ou outra. A garota precisava aprender a enxergar a malícia da colega, caso contrário, seria vítima diversas vezes durante toda sua vida.
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  – E como você acha que ficará, sendo loira?
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  – Eu… nunca pensei nisso. - Anna respondeu, insegura. Olhou para os fios e não se incomodou de vê-los escuros. Gostava deles assim. Apesar dos cabelos do pai serem em um tom castanho, Anna puxou os cabelos da mãe, portanto, eram praticamente pretos. – Acho que prefiro ser morena?
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  %Julia% sorriu carinhosamente para a garota.
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  – Eu também.
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  Foi o suficiente para a mais nova. Não precisava mudar só porque Karina queria. Havia visto outras meninas fazerem e depois se arrependerem; a amiga só iria rir, se ficasse ridículo. Ela preferia não prejudicar os próprios fios, só para as outras se divertirem.
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  – O que você acha que eu falo? Se eu disser que meu pai não deixa, elas vão rir da minha cara.
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  Anna não tinha muitas opções, a não ser contar a verdade e sofrer as consequências. %Julia% queria poder ajudá-la, por isso, pensou na melhor forma de fazê-la entender que o que ela precisava não era de uma desculpa, mas sim, autoridade.
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  – Você gosta da amizade de Karina? - perguntou à garota.
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  Como antes, Anna hesitou. Queria fazer parte do grupo, porque queria ser popular. E Karina era popular desde sempre; como ela entrou depois, não podia simplesmente roubar os holofotes da outra. Além disso, Karina tinha forte opinião e a expressava sem medo. Seus argumentos eram bons e seu olhar, forte. Ninguém ia contra ela, nem os meninos. Consequentemente, ninguém mexia com as amigas dela, e isso era um benefício. No entanto, havia sacrifícios a serem feitos, como sempre concordar com tudo o que ela falava ou queria fazer, e de jeito nenhum dividir a verdadeira opinião com ela, como gostar do Calvin, o nerd do colegial.
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  A babá soube identificar o desconforto na hora de pensar em uma resposta. Havia muita coisa em jogo para Anna: popularidade x anonimato; conforto x provocações; melhores festas x isolamento. Ser uma adolescente não é fácil.
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  – Há duas coisas que você precisa saber, Anna - %Julia% disse, observando os dois mais novos perceberem que ainda não haviam recebido o chocolate prometido da irmã mais velha. – A primeira: quem é sua amiga, será sempre, independente de você ser ou não popular e loira. E a segunda…
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  – ANNA! - o berro veio, interrompendo %Julia%, que sorriu para as crianças e olhou para a garota mais velha, atenta às palavras da babá.
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  – O mais importante não é ser alguém na vida dos outros, mas sim ter quem você quer na sua vida.
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  %Julia% aproveitou que Caique e Helena não dariam paz para Anna, até que estivessem comendo chocolate, portanto, voltou para a cozinha, para ajudar Paloma e Jussara a terminar de arrumar a bagunça que havia sido feita para a despedida de Amélia. Sabia que Anna não iria atrás dela, mas sim para o quarto pensar no que ela havia dito. E se a menina fosse esperta, entenderia perfeitamente a mensagem.
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  A babá não tinha dúvida que Anna tiraria tudo de letra.
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  Tanto %Julia%, quanto %Henrique% acharam que, após o jantar do presidente, a mulher não precisaria agir nunca mais como acompanhante. Entretanto, foi uma surpresa quando, duas semanas depois, Tulio Costa, o próprio presidente, entrou no escritório de %Henrique%, fechando a porta logo atrás de si, após ele mesmo falar para Lucas que %Henrique% não estaria disponível pela próxima hora.
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  – Seja honesto comigo, %Miller%. Você está mesmo saindo com aquela moça?
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  Enquanto esperava uma conversa sobre o trabalho, %Henrique% foi pego de surpresa por Tulio, que se sentava em uma das duas poltronas disponíveis em frente a sua pequena mesa, no cubículo lhe dado pelo banco.
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  – Não entendi a pergunta, senhor.
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  – Chegou a mim algumas informações… - Tulio disse, afrouxando um pouco o nó da gravata, mostrando um leve desconforto em falar sobre aquele assunto. – Que você contratou o pai dela, um ex-corrupto, para trabalhar aqui.
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  A imagem de Vitor e Alina tomou conta da visão interna de %Henrique%. Sabia que o garoto havia aberto a boca para seu superior, que também tinha interesse no cargo de diretor; contudo, diferente de %Henrique%, o diretor dele não estava prestes a se aposentar.
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  – O pai dela é um homem muito competente, que entrou em um cargo de acordo com seu nível de escolaridade e experiência, e tem se mostrado muito útil para a equipe e a empresa. - %Henrique% disse de forma tranquila, sem esboçar irritabilidade ou nervosismo, como Tulio achou que seria. O mais velho e presidente permaneceu encarando o funcionário, que não tremeu os olhos, nem mexeu as mãos em cima da mesa; muito pelo contrário, a expressão continuou calma e as mãos sequer deixaram os postos de antes do homem entrar na sala, em cima do mouse e do teclado.
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  – Ele é um ex-corrupto!
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  – Ele gerou uma melhora de 3% na carteira pública nas últimas duas semanas.
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  – Qualquer um pode fazer isso!
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  A falta de resposta de %Henrique% deixou o presidente em dúvida. Foi preciso somente um olhar para Tulio entender que não, qualquer um não podia fazer aquilo.
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  – Eu fui a última pessoa que fez isso. – %Henrique% disse, calando o presidente.
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  A verdade é que Tulio não se importava de estarem contratando um ex-corrupto. Já haviam contratado alguns ex-presidiários e também aposentados. É da política da empresa ser uma instituição de portas abertas para todos os tipos de seres humanos. No entanto, o que mais o perturbava, era que tal informação pudesse atrapalhar os seus planos com os acionistas, que podiam ser mais cabeça fechada que ele.
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  – Você vai ter que trazê-la para o clube. - ele disse, apontando para %Henrique%. – O Jóquei, este sábado, às 11 horas. Vamos almoçar juntos e passar uma tarde agradável. Haverá essa reunião com grande parte dos acionistas, e essa moça precisa estar lá.
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  – Ela tem uma agenda.
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  – Bem, nós dependemos dela para o seu futuro. - Tulio se levantou e voltou a arrumar a gravata, do nó que havia desfeito. Antes de sair do escritório, olhou uma última vez para %Henrique% e, sério, disse: – Não me faça perder tempo.
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  Ela não havia feito nada de errado, havia?
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  Em seus pensamentos, milhares de situações apareceram, todas podendo ser um motivo para ser demitida. A ideia de ser a única babá e a dificuldade de achar uma outra pessoa para dividir o turno com ela pode tê-la feito ficar segura demais em seu posto, cometendo algum erro grave.
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  Mas qual deles seria o pior?
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  “Ele pode querer apenas chamar a atenção antes. Sim, essa seria a maneira correta.” Ela pensou, sentada na mesa da cozinha, em frente a %Henrique%, que havia a chamado para uma conversa logo após ela colocar Helena e Caique para dormir.
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  Não pode ter sido a conversa que ela teve com Anna, poderia? Ou, quem sabe, ele não gostou da ideia do presente de aniversário. Mas ele já havia fechado tudo com a agência.
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  – Desculpe.
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  “Droga.” Ela pensou, as mãos apertando uma na outra embaixo da mesa. “Droga, droga, droga! Não posso perder esse salário. O que posso falar a meu favor? Aceito uma punição? Não vou cometer mais esse tipo de erro? Mas que erro?”
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  – Eu mal sei como começar essa conversa… - ele disse, sem graça.
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  “Será que ele me pegou cochilando no começo da semana? Ou comendo no quarto dos funcionários? Ninguém me disse que eu não podia comer lá, e senti tanta fome de madrugada…”
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  – Haverá um evento no sábado.
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  “Oh? Não é uma demissão?”
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  – E eu preciso… bem. Eu preciso que você seja minha acompanhante novamente.
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  O silêncio pairou na mesa. %Henrique% não queria ter de encarar aquilo, mas havia muito mais em jogo do que somente o seu futuro. E se aquilo o fizesse perder a credibilidade para as outras empresas que o queriam? Ele estava pronto para, caso não fosse promovido, pedir um aumento.
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  – Achei que…
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  – Eu sei. Eu também. Mas o presidente veio à minha sala hoje e… bem. Ele precisa que eu esteja neste evento de sábado. Acompanhado. Por você.
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  – Ah…
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  – Sei que não é adequado. - o homem respirou fundo e bagunçou os cabelos, algo que %Julia% se viu fazendo algumas vezes desde que entrou. – Mas ele foi muito claro na exigência.
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  “O que pode ter sido?” %Julia% perguntou a si mesma. Sabia que uma acompanhante era só uma acompanhante; não precisava comparecer a eventos importantes sempre, como as esposas ou noivas eram obrigadas a fazer. Além disso, ela e %Henrique% não eram um casal oficial, portanto, não era esperado que ela fosse voltar a se encontrar com aquele grupo.
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  – Aonde…
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  – No Jóquei.
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  “Merda.” A babá pensou. Sabia que era no jóquei onde as reuniões mais importantes aconteciam; onde negócios eram praticamente organizados para serem fechados em seus escritórios particulares. Era como a última fase antes do chefão. Há anos, o pai comparecia com frequência a este tipo de evento, e nunca voltava bem. A mãe, por outro lado, amava, pois era o momento das mulheres falarem sobre suas atividades sociais e vida glamurosa, coisa que durante um jantar não era possível, pela simples razão da noite ser dedicada à anfitriã, ou seja, %Julia% teria que falar sobre si.
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  – Eles perguntarão sobre mim. – %Julia% foi franca %Henrique%. Se o assunto era aquele, então o papel de chefe-subordinada não era mais predominante; além da mulher saber muito mais sobre o que estavam lidando, ela também estava fazendo um favor para o homem.
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  %Henrique%, do outro lado da mesa, não respondeu. Sabia que, apesar de não ser um problema para ele, %Julia% ser babá, não era bom para os acionistas, o presidente querer tornar diretor da equipe de tecnologia, um homem que tem um caso com a babá de seus filhos. Não em um banco digital, 100% dependente do serviço dessa área, tornando-a a mais importante da empresa.
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  – Teremos que omitir.
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  – Alina estará lá. Talvez suas amigas.
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  %Henrique% respirou fundo. Elas eram um problema. Não sabia, mas tinha uma noção de até onde as mulheres iam para derrubar uma pessoa. E %Julia% era um desafio para ela, %Henrique% viu, no jantar, as faíscas trocadas entre as duas.
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  – Você tem algum aliado no banco? Um amigo? - %Julia% perguntou de repente.
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  – Thales. Ele é diretor do setor da controladoria.
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  %Julia% mordeu o lábio e os olhos de %Henrique% imediatamente seguiram para a ação, observando atentamente os dentes brancos da mulher deixarem os lábios já carnudos, com um aspecto mais avermelhado e inchado. Limpou a garganta, sem graça.
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  – Ele estará lá então. - %Julia% murmurou e, após um tempo, olhou para o celular. Quarta-feira. – Teremos que sair com eles.
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  – Como?
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  – Eu preciso de uma mulher aliada. - ela explica. – Lembro-me de Amanda, sentamos próximas durante o chá e nos demos bem. Se eu a tiver como minha aliada, poderei permanecer mais próxima dela do que de Alina, e assim, quem sabe, conseguir evitar muitas perguntas. Você acha que o presidente sabe sobre mim?
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  %Henrique% assente, ainda admirado com o rápido raciocínio da mulher.
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  – Então a esposa também deve saber. Mas não tem como eu encontrá-la antes de sábado… Amanda terá de dar. - ela terminou de falar consigo mesma e olhou para %Henrique%. – O fato de Thales já ser um diretor, Amanda com certeza já passou pela situação e sabe a que pé estamos. Tentarei trazê-la para o meu lado, mas no fim, tudo irá depender de como Sandra e Andressa vão se portar.
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  As esposas do presidente e vice-presidente fariam um papel importante para %Julia%, pois se ambas fossem contra %Henrique% estar saindo com uma mulher cuja família foi alvo de um escândalo, então ter Amanda ao seu lado não faria nenhuma diferença; %Julia% não achava que a mulher fosse arriscar a relação do marido, em prol de alguém que conheceu apenas recentemente.
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  – O ideal é eles não saberem que sou uma babá.
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  – Sim. Alguma ideia de como contornar isso?
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  – Ninguém além de Lucas sabe quem eu sou hoje em dia. - ela diz. “Graças ao trabalho incessante com as crianças.” Pensa. – Então vou dizer que vivo dos investimentos que faço com o valor que me sobrou.
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  – E como nos conhecemos?
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  – Na fila da farmácia. Estava enorme e começamos a falar sobre amenidades, até eu dizer sobre investimentos e você dizer que trabalhava em um banco.
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  %Henrique% abriu um sorriso de quem estava começando a se divertir.
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  – E trocamos o número e passamos a nos comunicar?
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  %Julia% sorriu para o chefe.
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  – Nós só precisamos ser convincentes. - ela finalizou, pensando no quão inacreditável era aquela situação. Ela, criando uma fanfic com seu chefe e prestes a colocá-la em prática na frente de empresários de alto escalão.
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  No entanto, o que era verdadeiramente inacreditável e %Julia% não sabia, era que %Henrique% sabia perfeitamente que a mulher faria um ótimo trabalho enrolando o grupo; ele, por outro lado, não tinha a mesma ousadia e frieza da mulher, receando o que pudesse acontecer.
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  E o máximo que poderia, era %Henrique% se esquecer de que tudo era um plano, e começar a levar a sério demais, a ideia de ter %Julia% como uma acompanhante.
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Capítulo 7
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