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História NÃO RECOMENDADA PARA MENORES ou PESSOAS SENSÍVEIS.

Esta história pode conter descrições (explícitas) de sexo, violência; palavras de baixo calão, linguagem imprópria. PODE CONTER GATILHOS

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Me Apaixonei Pela Babá

Escrita porNatashia Kitamura
Revisada por Natashia Kitamura

[Idade dos filhos]
Anna e Hugo
– 14 anos
Felipe e Arthur – 12 anos
Eric – 9 anos
Helena – 7 anos
Caique – 3 anos


Capítulo 12

Tempo estimado de leitura: 35 minutos

  O beijo de %Henrique% era muito mais do que um simples toque de lábios. Parecia como uma peça perfeitamente apresentada; as sensações que percorriam o corpo de %Julia% mudavam de acordo com que o beijo ficava mais profundo e intenso.
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  Ela não percebeu quando a mão dele passou do rosto dela, para a região da lombar, nas costas. Por outro lado, soube exatamente quando suas próprias mãos passearam pelos bíceps e então subiram pelos ombros e se dividiram, um subindo para a nuca do homem e outro descendo para o peitoral, como ela imaginava, firme.
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  Quando as línguas passaram a fazer parte de todo o conjunto, %Julia% pode ouvir fogos de artifício ao seu redor. Nunca tinha sentido algo como aquilo que %Henrique% estava lhe causando. Não que tenha tido muitas experiências; de namorado, apenas Victor, e um beijo aqui e ali, talvez outros 2 ou 3 garotos, mas nunca um homem. Muito menos um como %Henrique%.
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  Ao se separarem, %Julia% sentiu uma pressão maior de %Henrique% na mão que apoiava suas costas; ela apenas se afastaria dele com sua permissão. Gostou dessa exigência, pois não tinha vontade de se afastar do homem. Sonhava com isso já fazia um tempo e mal podia acreditar quando, de repente, sem motivo algum, %Henrique% se viu bêbado de vontade de beijá-la.
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  Será que ela deveria ter agido diferente e dito que não?
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  Será que foi o calor do momento?
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  – Você está preocupada.
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  A voz de %Henrique% não transmitia dúvida. Era uma afirmação. Estavam no meio da Augusta, com poucas pessoas passando ao redor dos dois e ignorando - ou às vezes olhando com diversas expressões - o casal que permanecia abraçado após dividirem seu primeiro beijo.
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  – Um pouco. - ela admitiu, sem graça, fazendo o homem rir.
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  – Você não pareceu desgostar…
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  – Eu gostei. - ela logo o cortou. Não queria dar margem para nenhuma má interpretação dele. Agora, sentia que o que estava em jogo era mais do que um emprego; era seu coração.
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  – Bem, então…
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  – Se formos analisar a realidade…
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  %Henrique% se afastou dela, apenas para enxergar seu rosto, pois não moveu, em nem um centímetro, a mão pousada na cintura da mulher.
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  – Está com medo?
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  – Medo de…
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  O homem sorriu para a mais jovem. Sabia quais eram as inseguranças que passavam pela mente de %Julia%. Havia muita coisa em jogo; muito mais do que a atração que os dois sentiam um pelo outro. Ainda assim, %Henrique% queria arriscar. Pensou muito durante o último mês, às vezes sozinho, às vezes observando seus filhos e %Julia%. Quando ela estava junto, ele tinha a sensação de que as coisas estavam completas.
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  – Se você não quiser, eu irei respeitar. - ele disse, calmo, mas ainda com as mãos na cintura da mulher, indicando que não queria, ao todo, respeitar a decisão dela, caso essa fosse se afastar dele. – Mas se você quiser, farei de tudo para que nada dê errado.
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  – Essa sociedade em que você está entrando…
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  – Sei bastante sobre ela, %Julia%. - %Henrique% disse, desviando a atenção da mulher para si. – Durante os dois últimos anos, observei e participei de tudo como expectador; sei que é diferente estar envolvido e estar assistindo; mas sou um homem que aprende mais estando fora da situação, do que vivenciando-a.
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  %Julia% olhou nos olhos do homem que estava balançando seu coração. Queria confiar na confiança dele, mas já passou pela perda e a vergonha uma vez. Estava preparada para encarar qualquer coisa relacionada à perda da família %Strada%; mas não queria perder nada que viesse depois disso. Suas próprias conquistas. Sua própria vida.
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  – Além disso, você já deveria me conhecer bem… - ele riu. – Eu não entro em jogo em que há a probabilidade de perda. Sou muito bom em calcular riscos.
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  – Você já fala como um rico da nata. - ele sorri pequeno, suspirando. – Vão querer derrubar mais do que só eu ou você. Seus filhos…
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  – Você deixaria? Deixaria meus filhos serem vítimas deles?
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  %Julia% pensou no rosto de cada uma das 7 crianças que conviveu no último ano e meio. Gostava delas, às vezes, mais do que gostava de sua própria família.
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  – Não. - ela respondeu. – Nunca.
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  %Henrique% abriu um sorriso e então deixou a própria testa encostar na de %Julia%, em seguida respirando fundo e colando mais uma vez seus lábios nos dela, para selar o acordo que haviam acabado de criar.
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  – Eles estão namorando, eu tenho certeza.
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  Hugo não respondeu Anna. Os dois estavam sentados juntos de Felipe e Arthur, enquanto Caique e Helena não paravam de falar, cada um sentado de cada lado de %Julia%, e %Henrique% apenas observava os três com um sorriso no rosto. Eric, por outro lado, tinha os olhos fixos no videogame portátil que sempre carregava consigo, e portanto, não dava atenção a nada mais do que seu próprio jogo.
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  – Namorando?! - Felipe e Arthur perguntaram, uníssonos. – Já?
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  – Demorou! - Hugo disse para os dois. – Sabe a quanto tempo estamos tentando unir eles?
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  – E o que vocês fizeram?
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  Anna e Hugo se entreolharam. A verdade é que não haviam feito muito.
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  – Não atrapalhamos. - Anna disse, cruzando os braços e erguendo o queixo enquanto usava o tom de quem sabia de tudo. – E não deixamos vocês atrapalhar.
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  – Essa foi a parte mais difícil. - Hugo concordou, vendo os dois irmãos mais novos resmungarem palavras inaudíveis, inconformados por não acharem que eles eram quem atrapalhava.
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  – Eu até gosto da ideia de ter a %Julia% como mãe. - Felipe disse. – Ela me ajuda a convencer o papai a ser jogador de futebol.
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  – Ela já é praticamente a nossa mãe faz tempo, Felipe. – Anna revira os olhos.
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  – É, você não viu que a Anna ficou mais legal agora que não precisa mais ficar de olho na gente? - Hugo provoca a irmã, que lhe manda uma careta em resposta.
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  – Se não fosse pela %Juju%, vocês teriam feito a nossa família ser expulsa do prédio. – Anna disse em resposta e os irmãos não puderam reclamar pois era verdade. Haviam ouvido, do síndico que bateu à porta dos %Miller% durante as curtas férias de alguns dias de %Julia%, que se eles continuassem assim, ele não teria escolha senão expulsar a família do condomínio, pois não “era possível viver em tal pandemônio”.
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  Nenhum dos filhos contou ao pai, muito menos à babá sobre a bronca, e pediram aos dois funcionários, Saulo e Jussara, que não contassem, com medo de aquele caso ser um problema para o futuro do romance que as crianças, em seu próprio mundo, estavam criando.
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  Mas não foi preciso muito mais do que a tentativa de mostrar ao pai sobre a importância de %Julia% para eles. Após a “estranha” conversa de Hugo com o pai, o filho mais velho saiu correndo e se trancou com Anna no quarto desta, contando o caso, que também surpreendeu a irmã gêmea. Os dois chegaram à conclusão de que aquilo só poderia ser resultado dos “encontros” que o pai e a babá andavam tendo.
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  Os encontros, na verdade, era a tentativa de %Julia% em ajudar %Henrique% com o trabalho. Nenhuma delas, e muito menos eles, imaginariam que, a partir desses momentos a sós entre os dois, pudesse crescer uma admiração que, mais tarde, viria a se tornar um carinho bem próximo do amor.
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  Era esse o carinho com que %Henrique% olhava para %Julia%, Anna percebeu. Não queria conversar com o pai sobre o assunto, porque nunca aconteceu antes e ela mal sabia como iniciar esse tipo de conversa; mas quando %Julia% bateu de leve na porta da jovem para perguntar se estava tudo bem – um hábito que a babá tinha com todos os Millers, exceto o chefe –, Anna olhou para a mulher e disse:
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  – Será que podemos conversar?
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  Mal a garota sabia que %Julia% também estava aguardando o momento certo para sentar e conversar com a mais nova; precisava explicar para ela sobre o que a jovem enfrentaria daqui para frente, com os hormônios à flor da pele e tudo mais. A convenceu, há alguns meses, a começar a frequentar uma médica ginecologista, porque ela mesma não tinha a intimidade e o conhecimento didático para explicar a Anna sobre os resultados de um sexo desprotegido. Além disso, é sempre bom saber que está tudo certo com a saúde de todos.
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  – Animada para as férias? - %Julia% sorriu, observando o lugar onde Anna se sentaria, para ela mesma se sentar no outro espaço disponível. Como sempre, a garota decidiu permanecer na cama, sobrando a %Julia% a cadeira da escrivaninha. – Riviera, huh?
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  – É, eu… bem. A Giselle é bem mais legal do que a Karina. Decidi dar uma chance a ela.
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  – Que bom! - %Julia% sorriu. – É sempre bom dar uma chance a novas amizades. Tenho certeza de que irá se divertir na praia, mais do que se fosse para o nordeste.
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  As duas permaneceram caladas, parcialmente desconfortáveis porque ambas não sabiam bem como iniciar a conversa de que queriam. Percebendo que Anna estava incomodada, %Julia% decidiu tomar a iniciativa:
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  – O que você sabe sobre sexo?
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  – O-o quê?
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  – Sexo. Suas amigas já fizeram?
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  Claro que já. Foi o que Anna pensou. A maioria, mas não suas amigas mais próximas. Karina já fez, ela ouviu dizer da própria. Com André Souza, do segundo ano do colegial. Ele também irá para Jericoacoara, então Karina está falando para todo mundo que mal pode esperar para a viagem. O fato de Anna ainda ser virgem obviamente foi motivo de chacota; até Giselle havia transado com um garoto durante as últimas férias. Ela disse que não foi nada demais, e que não doeu como Karina e as outras garotas falaram.
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  – Você está incomodada para falar sobre isso? - %Julia% perguntou, tirando Anna de seu transe.
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  – Eu nunca fiz.
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  – E tudo bem se você tiver feito. Sei que é normal para garotas da sua idade começarem a pensar nisso. Mas não ter feito também não é um terror.
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  Anna hesitou ao continuar a conversa. Ser virgem parecia exatamente um terror no momento. Enquanto as novas amigas de Anna diziam que haviam coisas mais importantes para se preocuparem, como garantir que ficariam em uma boa colocação na sala, para que não fossem separadas no próximo ano, a turma de Karina só sabia falar de garotos, compras, viagens e sexo.
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  – Elas caçoam de mim.
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  – Porque elas acham que possuem algo que você não tem. - %Julia% disse, séria, olhando para Anna. – Olhe, sei como é isso. Também passei pela mesma coisa, e é horrível. Você se sente como se estivesse fazendo algo de errado sem nem ter feito nada, mas a verdade é que você não precisa, e nem deve, apressar as coisas apenas porque elas acham que sim.
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  – Você esperou?
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  Com a pergunta da garota, %Julia% imediatamente visualizou 13 anos antes, quando havia acabado de completar 16 anos e o pai havia lhe dado de aniversário, uma festa na praia sem a supervisão de adultos. Levou todos os amigos - e outros entraram de penetra -, mas o que era para ser uma pequena festa de 16, acabou se tornando em uma festa para maiores de 18, com álcool, cigarros, e talvez drogas ilícitas espalhadas. Naquela noite, %Julia% perdeu sua virgindade sob a pressão de Alina. Não se lembrava do nome do homem com quem transou, nem se havia gostado - apesar de ter dito para todas que foi demais -, mas se lembrava perfeitamente de como se olhou no espelho após e se achou idiota por ter feito tudo aquilo.
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  – Não. - %Julia% disse, um tempo depois. – E foi a coisa mais idiota que já fiz na vida.
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  – Por quê?
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  A mulher respirou fundo. As crianças atuais eram, sim, mais espertas e avançadas do que as crianças da época de %Julia%. Não podia conversar com Anna, achando que estava conversando com Helena; a mais velha odiava o cuidado excessivo que os adultos tinham para falar com ela. Gostava da conversa de igual para igual; uma característica da mãe, pelo que Amélia havia lhe explicado no começo de sua experiência como babá dos %Miller%.
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  – Serei sincera. - %Julia% olhou para Anna. – Não me lembro sequer do rosto do cara com quem transei. Me mandaram para um quarto e eu simplesmente fui, porque era a única virgem do grupo. Estava morrendo de vergonha de ser virgem. Às vezes, chorava, achando que ninguém iria me querer justamente porque eu nunca havia transado antes. Era isso o que as minhas amigas faziam parecer.
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  “Por que iremos andar com uma mulher que não sabe nem o que é sexo?”
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  Anna havia ouvido também a frase de Karina. As garotas ao redor dela riram, mesmo Anna tendo ouvido uma delas, no banheiro, chorar falando que só transou com um nerd da sala porque não queria perder a amizade de Karina.
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  – Ninguém deve mandar no seu corpo, Anna. – %Julia% disse. – É difícil para nós, mulheres, lidarmos com isso, principalmente quando parece que as nossas amigas não nos entendem. Mas a verdade é que talvez nenhuma delas estejam felizes como parecem estar; talvez Karina esteja feliz, porque ela, sim, fez sexo com um cara com quem queria. Mas e as outras? E você?
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  Se ela fosse fazer sexo com alguém, teria que ser alguém que gostasse dela. Era isso o que Anna queria. Pensou, obviamente, em Calvin, o garoto nerd da sala de Hugo. Mas o irmão havia dito que ele raramente saía de casa, principalmente para viagens onde todos só sabiam brincar e fazer coisas que os adultos não permitem.
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  – O que eu quero te dizer, Anna, é que se você quiser esperar, está tudo bem.
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  – Dói? - Anna mordeu o lábio. – Algumas meninas dizem que dói, outras dizem que não.
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  – Varia de corpo para corpo. Talvez dê um ardido, talvez doa um pouco mais, ou talvez você apenas sinta cócegas.
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  – Cócegas?
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  – Eu só ouvi falar. - %Julia% ergueu os ombros com um pequeno sorriso para descontrair. – A doutora Fabiana falou com você sobre os métodos contraceptivos, não é?
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  – Falou.
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  – Que bom. Se você quiser conversar sobre isso, sei que é estranho, mas talvez eu possa te ajudar. Sabe… tenho mais experiência. - %Julia% deu uma piscadela para Anna, que riu. – O Calvin irá para a Riviera?
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  – Não sei… - Anna corou. – Acho que não. Mesmo que tenha sido convidado, ele não gosta de sair muito. Mas eu conversei com ele essa semana! Comecei a jogar um jogo que ele gosta, então tivemos um assunto em comum.
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  – Boa, garota! - %Julia% sorriu. – Você nem precisa de ajuda! - ela riu. – Para os garotos tímidos, o melhor é entrar primeiro em sua zona de conforto.
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  – Você acha que ele gostaria de mim?
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  – E por que não gostaria?
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  Anna ergueu os ombros, sem graça. %Julia% abriu um pequeno sorriso e cruzou as pernas.
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  – Deixe rolar, você é uma garota inteligente. Além disso, ano que vem vocês estarão no colegial, e pode ser que ele tenha uma nova visão e comece a olhar para os lados em busca de uma garota. Há muito tempo para essa paquera, então aproveite todas as fases!
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  – Você aproveitou?
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  – Como?
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  – Com meu pai.
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  A reação de %Julia% quase fez com que Anna caísse dura no chão. A babá não havia pensado em falar sobre a relação que estava tendo com o pai dela, com ela. Achava que ainda estava muito cedo.
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  – Eu sei que vocês estão namorando.
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  – Ah…
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  – Eu sou uma garota inteligente, lembra?
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  %Julia% sorriu, descrente de ter sido pega por uma garota praticamente 15 anos mais nova que ela.
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  – Nós não estamos namorando.
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  – Não?! - Anna se ajoelhou na cama em um pulo. – Por quê?!
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  – É complicado…
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  – Não é nada complicado! - Anna disse, um pouco mais alto. – Você é uma mulher solteira e meu pai também. Nós gostamos de você. O que tem de errado?
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  A mulher queria poder explicar para a garota que havia muito mais do que eles no mundo. Ela e %Henrique% não estavam separados, mas o status de relacionamento de ambos não era sério no momento. Por mais que o homem demonstrasse firmeza em sua decisão de ficarem juntos, %Julia% ainda tinha medo. Não queria machucá-lo, muito menos prejudicar a família. Tinha de pensar bastante. Havia um plano muito maior por trás do relacionamento dos dois.
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  – Eu fico feliz em saber que você e seus irmãos aprovam…
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  – %Juju% ! É sério, vocês não estão juntos?
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  – Anna…
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  – Mas o papai gosta de você!
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  – Eu gosto dele…
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  – Então por quê?!
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  – Anna! - %Julia% quase gritou para a jovem, que se calou, surpresa com o tom de voz da babá. – Desculpe, eu só preciso pensar. - a mulher fechou os olhos, aproveitando o silêncio que Anna permitiu pairar no quarto. – Não é que eu não goste de seu pai. Gosto muito dele. Mas sou a babá. E na sociedade em que seu pai trabalha, as pessoas não aceitam bem um homem se relacionado com uma funcionária.
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  – Isso é besteira. - Anna diz, nervosa. – Tudo bem! Podemos falar que você não é a nossa babá! Podemos falar que você sempre foi a namorada do papai. Eles não acham que vocês namoram? Foi por isso que você foi com o papai no jantar de negócios dele, não foi?
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  – Você é inteligente demais para o seu próprio bem, Anna. – %Julia% riu.
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  A garota queria poder se mostrar feliz com o elogio vindo de %Julia%, mas estava preocupada com a notícia de que ela e o pai não estavam namorando.
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  – Mas vocês estão juntos? - perguntou a garota, mais calma.
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  %Julia% ponderou por um tempo, pensando se deveria falar para Anna. Não queria que ela ou os irmãos saíssem falando que seu pai estava saindo com a babá. Poderia escapar, mesmo sem querer. E isso, sim, poderia estragar o plano que vinha pela frente.
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  No entanto, Anna se mostrou mais perspicaz do que outras garotas da própria idade, e também mais corajosa, então, na melhor das hipóteses, %Julia% só teria que explicar bem a situação, para que não houvesse problemas futuros.
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  – Estamos. Mas gostaria que isso ficasse entre nós duas.
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  – E meus irmãos?
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  – Você acha que eles guardariam esse segredo? - no tempo em que ficou junto das crianças, %Julia% aprendeu que, ao falar com Anna, a melhor coisa era deixá-la tomar as decisões, ou achar que tomou a decisão certa. Como nas vezes anteriores, a mais nova pensou no assunto, antes de balançar a cabeça. Eles não conseguiriam guardar o segredo; abririam a boca na primeira oportunidade que tivessem.
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  – Tudo bem. Não vou contar para ninguém. Mas você tem que me prometer que vai pensar sobre namorar o papai.
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  A mulher olhou com ternura para a garota. Anna havia passado por muito, e mal tinha 16 anos. Sabia que, nessa idade, todos acham saber tudo e possuem mais audácia e coragem do que os adultos; a ignorância fazia isso. %Julia% queria ser mais ignorante para, quem sabe, reunir a coragem de enfrentar pessoas como Alina. Por mais que essa situação estivesse fadada a acontecer, só de pensar %Julia% queria desistir e voltar a ter uma vida anônima.
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  – Você não se incomoda?
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  – De você namorar o papai? - ela olhou para %Julia% por um tempo e então disse: – Quando ele namorava a Flávia, eu ainda não aceitava a ideia dele estar com outra pessoa. Achava que estivesse traindo a mamãe; achava que casamento era para sempre. Mas nunca pensei que ele pudesse se sentir sozinho. A Flávia foi a pior pessoa que apareceu na vida do papai; ela fazia de tudo para separar ele da gente. Quando eles terminaram, fizemos uma festa. Achei que ele voltaria a ser o pai de antes, mas nada mudou. Ele continuou longe e sem conversar com nenhum de nós. - Anna olhou para o chão cabisbaixa. – Um dia, vi ele no escritório olhando para uma foto da mamãe. Soube na hora que era saudade. E então pensei: ah, um dia todos nós vamos nos casar, com quem ele vai ficar, se a mamãe não está mais aqui? E aí você apareceu e ele mudou completamente. Ele voltou a falar com a gente e a nos abraçar. De noite, ele vem nos dar um beijo de boa noite. Não sou mais criança, mas gosto quando ele faz isso.
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  %Julia% sorria enquanto ouvia a história de Anna. Era diferente ouvir direto da garota, com seu ponto de vista. Esperava ouvir um pequeno ‘sim’ ou ‘não’, e por isso sentiu-se tocada por Anna estar confortável o bastante para lhe contar tudo.
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  – Eu acho que você quem ajudou ele a voltar a ser o papai. É por isso que eu quero que você namore com ele. Você é uma mulher legal e gosta de mim e dos meus irmãos. Você não quer roubar o lugar da mamãe, não é?
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  – Não. Sua mãe nunca deixará de ser sua mãe, Anna. - %Julia% sorriu para a garota, que abriu um sorriso tímido. – Mas estou feliz de saber que o carinho que sinto por vocês é retribuído.
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  – Você vai ser a primeira madrasta legal da história!
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  – O quê? - %Julia% riu com a mudança de assunto e com o assunto em si. Anna desatou a contar como as amigas que tinham madrastas simplesmente as achavam insuportáveis e metidas. Ouvia elas contarem o quanto as mães falavam mal das mulheres e, algumas vezes, diziam que elas eram o motivo dos pais terem se divorciado.
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  %Julia% nunca imaginaria que Anna pudesse aprová-la dessa maneira. Achava que ela seria o maior obstáculo no relacionamento com %Henrique%, já que tinha um carinho enorme pelo pai. A menina não se cansava de surpreendê-la.
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  O que ela também não sabia, é que %Henrique% havia ouvido toda a conversa entre as duas. Ele não tinha a intenção de bisbilhotar, pegou a conversa no final do assunto de Anna e o tal de Calvin, a quem ele teria de confirmar se iria para a Riviera na próxima semana. Quando a filha falou sobre o relacionamento dele com %Julia%, os pés de %Henrique% plantaram no chão e se fixaram como se estivessem sido concretados. Encostou-se na parede e passou a ouvir a conversa entre as duas. Anna parecia muito à vontade com %Julia%. Ao ouvir sobre os dois primeiros anos após a morte de Cássia, %Henrique% fechou os olhos, arrependido. Primeiro, por ter se afastado e criado um muro entre ele e as crianças; e segundo, por ter se envolvido com Flávia e feito as crianças acharem que seriam descartadas como objetos. Se %Julia% não tivesse o abordado, ele jamais imaginaria a gravidade que estava a educação e o comportamento dos filhos.
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  Ouviu o barulho da porta se abrindo, e viu %Julia% sair em seguida, dando um pulo ao ver %Henrique% no corredor.
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  – Que susto!
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  – Desculpe, não deu tempo de falar nada. – ele sorriu, pegando em sua mão e a puxando em direção a seu quarto.
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  – Caique…
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  – Está dormindo. Helena me ajudou a fazê-lo cair no sono. - ele olhou para trás, a fim de conferir se não havia nenhum dos filhos adolescentes prestes a sair do quarto, e então puxou a mulher para dentro de seu próprio quarto, fechando e trancando a porta em seguida.
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  – E Helena?
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  – Ela foi mais fácil de colocar para dormir. - ele abraçou a mulher, que enlaçou os braços ao redor do pescoço dele, deixando-o distribuir pequenos beijos ao redor de seu pescoço e dorso.
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  – Você estava ouvindo a minha conversa com Anna?
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  – Acho que as portas são ocas. - ele disse, olhando para ela. – Não era a minha intenção…
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  %Julia% não o respondeu. Estava sem graça. Uma coisa era ele ouvir a conversa sobre sexo; outra coisa era ele ouvir a própria filha perguntando sobre o relacionamento dos dois.
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  – Eu preciso dar mais credibilidade à Anna. - ele riu, sentando-se na cama enquanto %Julia% ficava em pé entre suas pernas. – Ela conseguiu descobrir sobre nós antes de nós mesmos.
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  – Eu disse a você que ela é inteligente. - %Julia% sorriu. – Ela disse que gosta de mim.
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  – É claro que ela gosta de você. Se não gostasse, você com certeza não estaria aqui hoje. Anna consegue ser pior do que os outros 6 juntos quando quer.
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  – Eu sou bastante teimosa, e preciso bastante do dinheiro.
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  %Henrique% riu.
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  – A babá que mais ficou conosco durou três meses. Ela saiu após a polícia tocar aqui em casa devido a uma denúncia de violência infantil.
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  %Julia% abriu a boca, parte de si chocada, a outra parte querendo rir com a criatividade da filha mais velha.
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  – Hugo jamais pensaria em fazer uma coisa dessas. - %Henrique% disse. – Sei que é meu filho, mas às vezes ele me surpreende no quanto é dependente de Anna.
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  – Falando em dependente de Anna… - %Julia% disse. – Arthur veio me perguntar se poderia ir com Hugo para Jericoacoara. Ele vai para lá?
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  – Não que eu saiba.
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  A mulher pôs-se a pensar. Se Hugo queria ir para o nordeste, só poderia haver uma razão: todos os amigos iriam e a tal garota mais velha também.
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  – Você precisa comprar camisinha para ele.
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  – O quê? - %Henrique% riu. – Achei que já tinha resolvido esse assunto.
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  – Não precisa falar. Mas é importante que ele receba do pai esse voto de confiança, tipo “você já é um homem, proteja-se”. - %Julia% falou a frase em um tom mais grave, fazendo %Henrique% rir. – Antes da viagem você compra umas duas camisinhas e, em um momento discreto, entregue para ele e diga: “é sempre bom ter um na carteira”.
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  – Eu não estaria incitando ele a transar?
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  A mulher bufa e olha para cima.
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  – Hugo tem 15 anos. Anna acabou de me falar que a maioria das garotas da sala dela já perderam a virgindade; você não pode achar que com os garotos é diferente, não é? Hugo é do grupo dos populares.
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  %Henrique% revira os olhos e decide, ao invés de continuar a discussão, utilizar do tempo para fazer algo mais útil, como beijar a mulher que ficou com ele o dia inteiro, mas que não pode tocá-la porque havia outras 7 crianças lutando pela atenção dela.
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  – Espere - %Henrique% parou o beijo e olhou sério para %Julia% –, Anna não é mais virgem?
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  %Julia% riu e deu um tapa no ombro do homem, segurou em seu rosto em seguida e, bem próxima de seus lábios, disse:
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  – Bobo.
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  O homem se deixou beijar, mas não soube exatamente o que concluir com aquela resposta. Era sim? Ou não?
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  Durante a semana em que Anna foi para Riviera e Hugo para Jericoacoara, %Julia% teve tempo de voltar para sua casa e cuidar da residência.
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  – Você não fica muito tempo lá? - Paulo perguntou durante o jantar.
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  As gêmeas estavam, dessa vez, não estavam trancadas no quarto gravando vídeos para o Youtube. %Julia%, que conversou com Akira sobre as irmãs, conseguiu que ele cuidasse dos cabelos delas e da mãe. As duas trataram a ajuda como um patrocínio, e, por Akira ter um nome renomado entre grandes celebridades, na última semana as meninas receberam uma proposta de parceria com uma marca de bebida orgânica. Hoje, elas haviam saído para tirar algumas fotos para o Instagram, e disseram que voltariam só depois do horário do jantar.
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  – Eu faço mais coisas aqui em casa do que lá, pai. - %Julia% disse, colocando a lasanha que Jussara havia preparado para ela. Após a visita dos dois ao apartamento, Jussara, com frequência, mandava comida para a família através de um motoboy, ou por Saulo mesmo.
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  – E desde quando você se incomoda com isso, Paulo? - Daisy disse, vendo o marido cortar uma fatia da lasanha e servir em seu prato.
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  – Desde sempre, ué. Já faz um ano e meio que %Julia% está trabalhando lá, e ele ainda não conseguiu encontrar uma nova babá?
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  – Eles não precisam de uma nova babá, Paulo. - Daisy olhou para %Julia% e fez uma careta. A filha abriu um pequeno sorriso e sentou-se do outro lado do pai, de frente para a mãe. – %Julia% é competente o suficiente para… o que foi?
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  O homem, que olhava o celular tocar, manteve-se calado, sério, olhando para o visor do aparelho.
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  – É Burges.
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  A cabeça da mãe e da filha imediatamente se ergueram. Tudo o que as duas haviam feito até agora, era jogar notícias sobre %Julia% e %Henrique%, e como a mulher havia conhecido os filhos do homem e estava tendo um ótimo relacionamento com todos. A ideia de uma relação séria a ponto de todos os sete filhos de %Henrique% gostarem de %Julia% era algo a ser considerado pelas pessoas mais influentes do meio social.
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  – Atenda! - Daisy exclamou para o marido, que respirou fundo e atendeu a ligação.
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  – Rodrigo, quanto tempo! - Paulo olhou para Daisy antes de responder. – Estou indo, estou indo… está tudo uma correria.
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  Daisy trocou um olhar com %Julia%. Para o próprio Rodrigo Burges ter ligado diretamente para Paulo, só significava uma coisa: a raiz havia mexido alguns pauzinhos, provavelmente incomodados com o retorno dos %Strada%, e agora pessoas como Burges enxergavam a oportunidade dessa movimentação para começar a mexer com a estrutura hierárquica da alta sociedade.
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  – Um jantar?
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  “Aonde” Daisy formou a palavra com a boca, vendo o marido perguntar ao homem logo em seguida. Ao receber o nome do restaurante, %Julia% foi quem fez o sinal para não aceitar. Conhecia o local e ele não oferecia salas particulares, portanto, tudo claramente fazia parte de um plano do grupo dos novos ricos, e Paulo teria somente um papel a cumprir, como se fosse sua marionete.
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  Mas Daisy e %Julia% já haviam decidido. Não voltariam a ser bonecos de ninguém.
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  – Sinto muito, tenho uma reunião nesse dia, mas quem sabe… Ah, outro lugar?
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  Paulo fez um sinal para Daisy dizer o nome de um local, a esposa olhou para a filha, que rapidamente digitou no próprio celular um restaurante comum na zona norte, diferente do que todos estavam acostumados e que com certeza nenhum integrante da alta sociedade poderia conhecer.
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  – Então combinado. – Paulo disse, sério, mas com um toque de carisma, e então desligou. – O que diabos está acontecendo?
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  Daisy se levantava da mesa, animada, e %Julia% assistia a mãe sorrir como fazia tempo que não via.
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  – Está na hora. - a mãe disse a %Julia%, que assentiu com a cabeça.
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  – O que está na hora? - Paulo, entre as duas, olhando de uma para a outra perdido, pergunta.
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  – Está na hora da justiça ser feita, meu amor. - Daisy sorriu para o marido.
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Capítulo 12
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