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Me Apaixonei Pela Babá

Escrita porNatashia Kitamura
Revisada por Natashia Kitamura

[Idade dos filhos]
Anna e Hugo
– 14 anos
Felipe e Arthur – 12 anos
Eric – 9 anos
Helena – 7 anos
Caique – 3 anos


Capítulo 2

Tempo estimado de leitura: 28 minutos

  Ela estava certa: o homem estava desesperado para achar alguém para cuidar dos filhos E eles, com certeza, eram rascunhos do diabo.
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  Demorou cerca de uma hora e meia até ela reunir todos na sala para que pudesse se apresentar. Amélia havia explicado onde era o quarto de cada um, e passou uma pequena pasta onde continha as informações essenciais da agenda de todos; após passar os deveres de %Julia%, afastou-se com mais rapidez do que a garota esperava.
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  – Bem, meu nome é %Julia%, serei a nova babá de vocês! - ela tentou soar espontânea, mesmo animação sendo a última coisa que sentia ao ficar de pé na frente de 7 crianças. – Acho que hoje, como é um dia especial, que tal fazermos algo que possamos nos conhecer mais?
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  – Você troca fraldas?
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  %Julia% olhou para Anna, a garota mais velha. Mesmo com 14 anos, ela se vestia como uma jovem adulta. Seu irmão gêmeo, Hugo, não saía do celular para absolutamente nada, o que, por um lado, foi fácil trazê-lo para a sala e mantê-lo quieto.
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  – Sim, claro.
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  – Que ótimo, porque a outra babá não trocava, o que acho um absurdo, pois o salário que vocês recebem com certeza é mais alto do que um salário mínimo, ou seja, vocês podem, sim, limpar o cocô do Caique.
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  A babá manteve-se calada, tentando processar o modo rude e grosseiro de falar da filha mais velha. Esperava, claro, um pouco mais de solidariedade dela, já que devia saber quão difícil era o cargo. Até que se lembrou de como ela era quando mais nova: apesar de não ser insuportável como Anna estava sendo, tinha duas irmãs gêmeas que eram piores do que ela.
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  – Bem, sei limpar o cocô de quem quer que precise. Mas acho que Caique já está em uma idade em que consegue usar o penico, não é Caique?
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  O menino, que mantinha-se deitado no chão ao lado de Helena, a penúltima na linha de filhos, a ignorou.
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  – Quando eu estou em casa, não gosto de ser atrapalhada. Não preciso de uma babá. Você foi contratada para cuidar dos pequenos – Anna disse, o queixo erguido e o olhar sério.
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  – Eu também não preciso de babá! - Hugo, respondeu. A dupla de gêmeos que veio em seguida, Arthur e Felipe, também protestaram, dizendo que não precisavam de babás, que isso era coisa de criança pequena, algo que eles não eram.
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  – Bem, acredito então que vocês não façam muita bagunça, não é? - %Julia% sorriu. – Pois gosto de trabalhar com base na confiança. Vocês podem confiar em mim para ajudá-los quando precisar, e confiarei em vocês para que não façam nada que os machuquem.
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  – Nós não precisamos da sua confiança, estamos pagando você - Anna retrucou.
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  %Julia% abriu a boca para responder à altura, mas era somente o primeiro dia, e a garota em questão tinha 14 anos. 14 anos muito avançados, claro, mas ainda uma criança. Já havia lidado com jovens assim. Conseguiria dar conta.
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  Pelo menos ela esperava.
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  SEIS MESES DEPOIS.

  Apesar de não ser fácil cuidar de 7 crianças, %Julia% não tinha coragem de sequer pensar em desistir daquele trabalho. Recebia tanto quanto o pai - mês passado, até mais -, e agora era, junto com ele, responsável por manter a casa.
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  A mãe precisava de uma psicóloga, por isso, após o fim do primeiro mês de trabalho, %Julia% perguntou se era possível adicionar enteados no plano de saúde que %Henrique% oferecia para seus funcionários; o homem balançou a cabeça, sem dar a devida atenção ao caso, e foi Amélia quem acabou dando a permissão. A notícia foi recebida com alívio por Paulo; nunca havia deixado a família sem seguro saúde, e o inverno estava se aproximando.
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  Com a renda melhor do que a oferta proposta pelo chefe no primeiro dia, %Julia% tinha mais autoridade nas finanças da casa, começando a palpitar em questões que o pai ainda não conseguiu controlar, como as filhas mais novas.
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  – Ela não pode ficar com todo o dinheiro! - Laura, a mais velha das gêmeas, disse. Havia acabado de pedir dinheiro para o pai, para que ela e Yasmin pegassem um Uber até o shopping para encontrar com os amigos. O pai lhe negou, dizendo que já havia dado a mesada para as duas.
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  – O dinheiro é dela, Laura - Paulo respondeu, exausto. Havia sido uma noite cansativa e tinha apenas poucas horas para dormir, antes de voltar para a rua e tentar pegar o rush do almoço. – Se vocês querem mais do que recebem, devem trabalhar. Vocês duas são formadas, por que não estão procurando emprego?
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  – Emprego são para os pobres – Yasmin disse, lixando as unhas. – Pessoas como nós abrem um negócio, pai. Ou criam vídeos para o YouTube.
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  – Bem, vocês têm celulares e um computador.
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  E finalizou a conversa ali. %Julia%, que ouvia tudo enquanto lavava a louça na cozinha, mantinha um pequeno sorriso nos lábios. Não era de se intrometer na educação das irmãs, mas, aos 23 anos, era de se esperar que elas conseguissem fazer algo que não fosse fofocar.
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  Na residência dos %Miller%, %Julia% mantinha a rotina do chefe. Chegava às 9h – um mimo de Amélia, pois no último mês, duas babás da noite desistiram e %Julia% teve de substituí-las –, ajudava Jussara a preparar o café da manhã e, de vez em quando, aprendia a passar roupa com a governanta. Apesar de não ser o trabalho que se imaginaria fazendo, associava como um trabalho em uma empresa. Havia o chefe, os colegas funcionários e também os clientes. Aprendia coisas importantes que levaria para a vida, e recebia um salário maior do que os profissionais da área.
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  Para uma ex-filhinha-de-papai-mimada, ela não estava tão mal assim.
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  Mas estava.
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  Quando Amélia perguntou a %Julia%, doce e tranquila, se ela poderia trabalhar aos domingos e folgar aos sábados, a mais nova suspirou aliviada. Não gostava de ficar em casa, vendo o pai perder os cabelos ao ver as contas chegarem e seu dinheiro evaporar. Acreditava na inocência do homem; ele foi, sim, culpado pela fraude, mas não foi o único. Odiou o fato de entender que todos aqueles outros homens e mulheres envolvidos usaram ele para sacrificá-lo. O pai, crescido em berço de ouro, sempre teve um único defeito: querer se provar.
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  Casou-se com a mãe de %Julia% a pedido dos pais. Contentou-se em ser um diretor, enquanto o pai passava a presidência da empresa para o melhor amigo. Antes de tudo acontecer, %Julia% voltou de uma festa às três da manhã e acabou ouvindo uma conversa do pai ao telefone, dizendo que sabia que o pai dele fizera aquilo para que ele mesmo desse mais valor à presidência, e que pudesse dizer, ao chegar lá, que conseguiu sem a ajuda do homem.
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  Na época, %Julia% ignorou. Suspirou aliviada por não ter sido pega pelo pai por voltar depois do horário combinado, e foi para o quarto dormir até tarde. Contudo, no tempo presente, vê como o pai foi ingênuo, e como continua sendo. Vê-lo ser assim é o que mais dói na filha. Ver que ele ainda acha que o pai o queria na presidência. Por um lado, perder tudo foi uma chance de recomeçar, mas Paulo %Strada% precisava de um norte. Mesmo formado em economia, depende de outras pessoas para guiá-lo. Ele não seria, de fato, um bom presidente, mas se bem orientado, teria chegado lá. E agora, sendo motorista de aplicativo, %Julia% viu o quanto o pai não era como os demais homens ricos da alta sociedade. Ele ria de piadas de mau gosto e fazia comentários bobos porque queria aprovação. Agora, ele busca a aprovação de sua família, a única coisa que lhe resta.
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  E %Julia% faria de tudo para ajudar o pai. Seria muito hipócrita se, após enxergar tudo, ignorasse a dor do homem que lhe deu tudo o que podia.
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  – Você está desconcentrada - a voz de Amélia soou, fria, tirando %Julia% do transe. – Uma camisa dessa custa uma fortuna.
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  A mulher, com frequência, comentava sobre os valores das coisas da casa. Se quebrasse, o valor seria descontado do salário. O que ela não sabia, é que %Julia% sabia perfeitamente o valor de cada objeto daquela casa, pois possuiu, há um ano, tudo aquilo. No entanto, tudo o que ela dizia era:
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  – Desculpe.
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  – Jussara e Paloma irão te ajudar com isso durante a minha ausência.
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  Amélia tiraria férias a partir de segunda-feira. %Julia% estava um pouco nervosa com a saída da mulher, que ficaria dois meses inteiros fora, visitaria a família no interior do Paraná no primeiro, e a do marido no Rio de Janeiro no segundo. No entanto, para %Julia%, a folga da mulher significava ter de lidar mais com os quatro mais velhos da casa.
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  – Pulso firme - a mulher disse, quando %Julia% pediu uma dica de como lidar com a dupla de gêmeos. – Eles podem achar que estão no comando, mas você deve ser mais inteligente que eles. Não mencione a mãe.
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  A mãe. A incógnita para %Julia%.
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  A mãe era ausente da família, isso ela sabia. Havia duas regras muito claras na família %Miller%:
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  1) Nunca se atrase; e
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  2) Nunca mencione a mãe.
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  O que uma mulher deve ter feito para ser excluída desta maneira da família? Traição? Golpe? Seja o que for, %Julia% não gostava dela. Que mãe abandonaria os seus 7 filhos? Além disso, para uma pessoa que teve tantas crianças com um único homem - é impossível dizer que qualquer um dos 7 não é filho de %Henrique% -, não pode ter ficado somente por interesse.
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  Mas a quem ela queria enganar? É claro que poderia. Viu acontecer em várias famílias. Casamentos por conveniência, por interesse, por negócios. Uniões que alguns anos, ou até meses depois, eram finalizadas com um divórcio e um acordo amigável de bens.
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  %Henrique% passava o tempo inteiro trabalhando. Quando %Julia% começou a comparecer aos domingos na residência, imaginava ver um pai vestido com roupas leves, aproveitando a companhia dos filhos. O que realmente viu foi %Henrique% em calça social e camisa, sentado no escritório, digitando sem parar no computador. Os filhos, por outro lado, passavam o dia no clube, na casa de outros amigos ou no shopping.
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  Ela só tinha que fazer o que mandavam. Era muito bem paga para isso e, graças a Deus, nunca havia recebido nenhuma bronca. Esforçou-se bastante para que nada de errado acontecesse, mesmo com os quatro - demônios - filhos mais velhos.
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  Mas isso era porque Amélia estava presente. Agora, a mulher estava prestes a tirar as férias que havia acumulado durante dois anos, e %Henrique% odiava ter de lidar com férias, por isso, a governanta foi obrigada a aceitar que precisava, sim, ficar dois meses afastada.
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  A agenda de sexta-feira da família %Miller% era bem agitada. Saulo, o motorista e segurança da casa, responsável pelo transporte das crianças, chegava com elas em horários diferentes: primeiro Eric, de 9 anos, e Helena, de 7, às 13h. Caique, de 3 anos, chegava da creche às 14h30, e por fim, os quatro mais velhos, os gêmeos Anna e Hugo, e Arthur e Felipe, chegavam entre 17h45 e 18h20 após os cursos extracurriculares. Entre a chegada de Caique e o “quarteto” - como os funcionários da casa os intitularam -, %Julia% ajudava Eric e Helena com a lição de casa, e distraía Caique com atividades à mão. Após a chegada do quarteto, cada um se trancava em seu próprio quarto ou saía para a casa de algum amigo. Amélia era a responsável por permitir a saída dos quatro, mas, em sua ausência, Lucas, o assistente pessoal de %Henrique%, ficaria em seu lugar.
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  – A dona Amélia vai pirar quando voltar - Jussara disse, enquanto terminava de deixar o jantar preparado. – O Lucas vai transformar tudo em um hospício.
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  – Por quê? - %Julia% perguntou, sentindo um calafrio. Não estava gostando daquela sensação. Já não era fácil lidar com o quarteto com a presença de Amélia. O que esse tal Lucas poderia fazer de pior?
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  – Ah… você nunca viu o Lucas - Jussara olhou para Paloma, a faxineira, que ergueu as duas sobrancelhas como quem não quer nem pensar. – Ele é uma versão moleque do seu %Henrique%. Só sabe trabalhar e olhar ‘praquele’ tablet, lá. Se você perguntar se ele pode te dar o cartão pra comprar um carro, ele só vai dizer “aham”. E pronto.
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  %Julia% fecha os olhos, pesarosa. Tudo o que não precisava, era de um cara que não desse a mínima para os assuntos da casa, mesmo estando responsável pelas questões dela.
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  – Oi %Julia%, meu nome é Lucas, sou o assistente pessoal do %Henrique%. Se você precisar de algo, pode me chamar, tá? Ou me mandar uma mensagem. Mensagem seria melhor, às vezes estou fazendo algo para o %Henrique%… - e deixa o assunto no ar, olhando para o tablet, assim como Jussara disse.
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  %Julia% olhou desesperada para Amélia, que tentava não expressar o descontentamento com aquele comportamento. Lucas era baixo, magro, tinha os cabelos arrumados em gel, vestia uma camisa pólo branca e calça social. No pulso, carregava um relógio duas vezes seu tamanho. Seus dedos eram absurdamente ágeis entre o tablet e o celular, mas, o resto, ele era um desastre.
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  Sem perceber que não havia terminado de se apresentar, deu as costas para os funcionários reunidos na cozinha, e saiu, atendendo a um telefonema.
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  – Não leve a mal, %Julia%, ele é assim mesmo. Avoado - Saulo disse, carismático. %Julia% gostava dele também. O homem, sempre que podia, ajudava com as crianças no parquinho.
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  Às 18h30, os quatro filhos mais velhos trancaram-se em seus quartos, após chegarem das atividades da tarde. Pediram lanche no quarto assim que confirmaram a ausência de Amélia, que cumpria o horário útil e, portanto, havia ido embora fazia meia hora.
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  Sobrou para %Julia% preparar um lanche de acordo com o gosto de cada um, e levar em seus devidos quartos, uma bandeja com a comida.
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  – Só isso? - Hugo perguntou quando abriu a porta.
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  – Daqui a pouco é o horário do jantar – ela justificou. Ele bufou e bateu a porta na cara de %Julia%, que apertou os lábios, para evitar que de lá saísse algum palavrão.
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  Desceu para a sala, onde olhou para o relógio, que marcavam 19h. Onde estava a babá da noite?
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  – O seu cabelo é muito bonito - Helena disse, mexendo nele sem cuidado algum. – Parece o da minha Barbie.
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  – Bem, muito obrigada, Helena. O cabelo da sua Barbie é lindo.
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  – Você quer brincar comigo? - sem esperar por uma resposta, ela lhe traz outras cinco bonecas muito parecidas fisionomicamente, mas vestidas em trajes completamente diferentes. – Como você é convidada, pode escolher primeiro.
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  A mulher sorriu e brincou conforme a orientação da menina. Quando Caique disse que queria ir ao banheiro, levou ele até o local designado no banheiro e aguardou pacientemente, com a companhia de Helena, o menino fazer as necessidades.
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  – Você tem namorado, tia?
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  %Julia% olhou para a garotinha. Ela não era uma criança grande, imaginava ter puxado mais a mãe, já que o pai era absurdamente alto, assim como Eric, que mesmo aos 9 anos, era muito mais alto que Helena, apenas dois anos mais nova. Inclusive, %Julia% soube, imediatamente, que Eric era filho de %Henrique%, pois o menino era uma cópia idêntica do homem. Moreno, os cabelos grossos em um tom de castanho-escuro, mas que se exposto à luz solar, podiam chutar um castanho-médio. Helena, por outro lado, tinha os cabelos puxados para o ruivo, às vezes parecendo bronze, com algumas madeixas mais para o louro. Ela e os gêmeos Felipe e Arthur eram os que tinham olhos verdes; os demais, castanhos, como os do pai.
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  – Não tenho.
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  – Que pena. Eu tenho um!
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  – Cabô - Caique disse, apressando-se para se limpar, mas sem a ajuda da babá, que entendeu a necessidade do mais novo e deixou que ele fizesse o serviço sozinho.
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  – É mesmo? - %Julia% abriu um pequeno sorriso e desviou, rapidamente, o olhar de Caique, para Helena. – E como ele se chama?
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  – Rafael Marques. Ele tem 7 anos como eu!
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  O sorriso de %Julia% se desfez. Conhecia Rafael Marques. Ele é o irmão mais novo de seu ex-namorado, Vitor Marques. Odiava aquela família, apesar de não poder julgar o menor deles, por ser criança demais. No entanto, a família Marques foi uma das envolvidas no ato corrupto que acabou com a vida dos %Strada%. Vitor já havia começado 2 anos antes, traindo ela com uma intercambista alemã.
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  – Ele gosta de desenho, como eu! E também gosta de andar de bicicleta. E faz natação na mesma turma que a minha…
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  Helena falou o caminho inteiro do banheiro, para a sala. %Julia% deixou Caique brincar com um tablet e observou o conteúdo do filme que Eric assistia. Se estava no canal da Disney, não seria um problema, certo?
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  Olhou mais uma vez para o relógio. 19h45. Era para a babá ter chegado a quase uma hora. O horário dela começava às 19h e os %Miller% odiavam atrasos.
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  – Eu vou esquentar o jantar, vocês conseguem ficar quietinhos aqui? Ou querem me fazer companhia lá?
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  Eric mal respondeu. Claro que ele não trocaria uma televisão enorme por nada. Helena disse que “adoraria ajudar %Julia%”, enquanto Caique não possuía exatamente uma escolha, mas %Julia% deu um jeito de fazê-lo achar que ele havia decidido ir. Deixou os dois colorindo na mesa dos funcionários e pôs-se a esquentar o jantar. Já havia feito isso dezenas de vezes, por isso, estava acostumada.
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  Quando a comida estava quase toda posta na mesa, Lucas entrou pela porta principal - ele era o único funcionário que não usava a entrada de serviço -, e foi direto para %Julia%, dizer:
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  – A Clarice desistiu. Vou precisar que você fique essa noite. Na verdade, esse final de semana.
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  – O quê? - %Julia% abriu a boca, indignada. Já era a segunda semana seguida que uma babá desistia. – Já fiquei no final de semana passado.
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  – Bem… - Lucas deixou a conversa morrer por alguns minutos, até terminar o que havia começado. – Obrigado! Você sabe onde %Henrique% deixou a chave do carro? O Saulo não está, né? Ah, lá está! Vou levar o carro pra ele. Você sabe que os finais de semana são livres para mim, não é? Esse final de semana faço um ano de namoro com meu namorado, então preferiria que você só me ligasse se for, tipo, muito urgente.
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  – Mas--
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  – Obrigado! Sei que será incrível, reservei um hotel em Campos do Jordão. É o hot point do momento… Alô? - e sem nem cogitar ouvir %Julia%, Lucas saiu com a chave do carro em mãos.
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  A babá olhou para Helena e Caique, que estavam tão atordoados quanto ela com todo o monólogo do homem, e suspirou:
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  – Vamos jantar?
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  Enquanto Lucas saía do apartamento com a chave do carro a pedido do chefe, %Julia%, com a ajuda de Helena e Caique, chamaram os cinco irmãos restantes para o jantar, mas foi como se tivessem falado com a parede. Eric preferiu continuar assistindo à televisão; Anna, por outro lado, disse que ia jantar na casa da amiga que morava em um dos andares inferiores; os outros três garotos disseram que iam comer no quarto.
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  Quando ficava à noite, %Julia% era obrigada a guardar toda a comida na geladeira, trancar toda a casa e deixá-la arrumada para o dia seguinte. Além disso, como as crianças não possuíam horário para dormir, era obrigada a ficar acordada até que o último deles pegasse no sono. Eric, como sempre, foi o último, às 2 da manhã.
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  – Eles me pagam bem. Me pagam muito bem. E vou ganhar hora extra. Eu poderia estar em casa ouvindo os absurdos de Laura e Yasmin, mas estou aqui, ganhando dinheiro. Vai dar tudo certo. Meu pai não será assaltado essa noite. Ficará bem. – como hábito nos momentos difíceis, %Julia% repete afirmações para lembrar a si mesma do porquê aquela situação ser melhor do que qualquer outra.
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  Enquanto termina de arrumar a sala, ouve o som da porta se abrindo. Ao olhar para trás, vê %Henrique% parar, surpreso, com a mochila e o paletó do terno em mãos.
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  – Você não é a babá do dia?
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  – A da noite desistiu.
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  %Henrique% fechou os olhos e respirou fundo.
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  – Você está batendo um recorde - murmura. %Julia% vai até ele e pega o paletó, já que sabe que o chefe não gosta que seus funcionários toquem em seus objetos relacionados ao trabalho, uma dica de Saulo. – Obrigado. Todos dormiram?
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  – Anna está na casa da amiga do nono andar. Saiu às 19h. Hugo, Arthur e Felipe estão em seus quartos, mas não deixam eu abrir a porta. Parece que trancaram.
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  – Eles se trancaram? - %Henrique% olhou para a escada, incomodado com a informação. – Amélia não disse que você tem permissão de abrir?
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  – Ela disse que quem toma essas decisões é Lucas, mas ele disse que esse final de semana… hum…
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  – Sim, sim, o namorado - %Henrique% balança a mão e suspira. – Bem, estou te dando a permissão para abrir a porta do quarto deles quando ficarem mais do que uma hora quietos demais. Imagino que é você quem ficará aqui durante o final de semana.
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  – Sim, senhor.
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  %Julia% observou o rosto cansado do patriarca. Era claro a falta de energia para dedicar aos filhos; inclusive, percebeu, nos dois meses que estava ali, que ele evitava passar muito tempo na companhia dos filhos. De manhã, quando não saía antes das crianças acordarem, passava o tempo em seu escritório, único local proibido de qualquer um entrar sem sua permissão; à noite, retornava somente após as crianças dormirem, de madrugada.
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  “Talvez ele esteja se encontrando com alguma mulher.” Ela pensa. Não é possível existir uma pessoa que trabalhe 7 dias por semana, quase ¾ do tempo.
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  – Caique e Helena dormiram no horário de sempre, às onze. Já Eric dormiu agora a pouco.
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  O chefe ergueu o pulso para ver as horas em seu relógio. Fez uma careta ao ver que não era um bom horário para uma criança de 9 anos dormir.
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  – Eu estava pensando… - ele massageou o local do rosto entre os olhos. – Eu acho que está na hora de criarmos algumas regras nessa casa. Sinto que as coisas estão um pouco… fora do controle.
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  – E o senhor, hum, quer fazer isso agora?
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  – O que quer dizer?
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  %Julia% olhou nos olhos de %Henrique%. O rosto perfeitamente simétrico e repleto de charme mesmo não tendo ali esforço nenhum para tal, a encarava com atenção. Ela se perguntou da onde ele tirava energia para pensar em uma hora dessas, quando passou o dia inteiro trabalhando. Mas já que ele estava interessado no que ela tinha para dizer - a primeira vez desde quando começou, e ela suspeitava ser porque era a única que estava durando no papel de cuidadora de seus filhos -, %Julia% não tinha nada a perder, a não ser expor a verdadeira situação que sua família se encontrava.
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  – Amélia é a única pessoa com autoridade para mudar a rotina das crianças. Eles são… difíceis de, hum, lidar com mudanças.
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  – Você não consegue controlá-los?
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  “Merda”, %Julia% pensa. “Agora ele acha que sou incapaz.”
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  – Helena, Eric e Caique já peguei o jeito. Consigo passar o dia inteiro com eles. Os gêmeos, por outro lado, se trancam dentro do quarto e apenas dão ordens para lhes levar comida.
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  “Quando peço para eles mostrarem as lições de casa, tacam seus cadernos em meu rosto. Está vendo este corte aqui? Foi Hugo. E este vergão aqui? Arthur.” Mas por mais que %Julia% pensasse tudo isso, decidiu, pelo bem de seu emprego, não verbalizar.
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  – Dão ordens para levar comida? - %Henrique% ergue as sobrancelhas. – E você leva?
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  A mais nova ergue os ombros, parecendo culpada. No entanto, queria mais dizer “e que alternativa tenho?”.
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  – Bem - %Henrique% começa a falar, mas se perde em seus pensamentos por alguns segundos, antes de voltar a atenção. –, Amélia não está aqui e demorará um pouco para voltar. Lucas não tem capacidade de aprovar questões na minha casa, então você terá que fazer isso.
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  – Eu?
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  – Sim. Estou te dando a permissão de pensar em maneiras de torná-los menos agressivos e mais sociáveis, desde que tudo passe antes por mim.
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  – E devo falar com o senhor quando?
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  %Henrique% se calou. Entendeu perfeitamente a pergunta da funcionária. Nunca estava em casa. Apesar de levar trabalho para sua residência todos os dias, e passar boa parte de seu final de semana trabalhando, não era acessível à ela.
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  – Você pode me ligar em meu número pessoal. Amélia deve ter marcado o número em algum lugar para casos de emergência.
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  – Tudo bem - %Julia% disse, mais animada.
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  Viu o chefe se despedir com um ‘boa noite’ e subir para o andar de cima, enquanto ela terminava de arrumar a sala com um sorriso no rosto.
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  Gostava da ideia de ter o controle sobre as coisas. Não esperava que a saída de Amélia fosse lhe trazer tanta satisfação. Não seria fácil lidar com o quarteto, muito menos mudar suas rotinas e personalidades, mas ela é a irmã mais velha de Laura e Yasmin, por isso, estava preparada para qualquer malcriação que eles pudessem tentar fazer.
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  Soltou uma risadinha no caminho para o quarto do empregado.
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  Eles mal podiam esperar.
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Capítulo 2
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