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História NÃO RECOMENDADA PARA MENORES ou PESSOAS SENSÍVEIS.

Esta história pode conter descrições (explícitas) de sexo, violência; palavras de baixo calão, linguagem imprópria. PODE CONTER GATILHOS

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Me Apaixonei Pela Babá

Escrita porNatashia Kitamura
Revisada por Natashia Kitamura

[Idade dos filhos]
Anna e Hugo
– 14 anos
Felipe e Arthur – 12 anos
Eric – 9 anos
Helena – 7 anos
Caique – 3 anos


Capítulo 13

Tempo estimado de leitura: 69 minutos

  – Você está querendo dizer que, esse tempo todo, manteve contato com algumas mulheres do Costello, que estão interessadas em saber se %Julia% está namorando com o chefe dela? - Paulo perguntou para Daisy, chocado, enquanto a filha permanecia calada ouvindo a mãe contar toda a história. – Ele é o chefe dela!
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  – Sobre isso… - %Julia% coçou atrás do ouvido, sem graça. Sentiu as orelhas queimarem com a vergonha. Daisy imediatamente se ergueu e Paulo, que estava prestes a explodir, voltou a se acalmar.
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  – É verdade. - Daisy afirmou, olhando para a filha. – Vocês estão juntos de verdade.
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  %Julia% limpou a garganta e olhou para o lado, fazendo um pequeno movimento com a cabeça, assentindo.
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  – Isso é perfeito! Isso torna nossas mentirinhas em verdades!
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  – Daisy, ouça o que você está dizendo, mulher! - Paulo disse sério. – Essas pessoas não são tão fracas quanto você acha.
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  – Muito pelo contrário, meu bem. - Daisy balançou o dedo indicador na frente do marido. – Essas pessoas não são fortes como você acha. Se fossem, por que elas estariam incomodadas em ouvir um boato de que nossa filha está namorando o funcionário de um banco?
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  – Ele não é qualquer funcionário. - Paulo tentou falar, mas Daisy ergueu a mão para o marido.
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  – Paulo. Nós dois sabemos muito bem como eles enxergam pessoas como %Miller%. E é por terem negligenciado ele, que todos agora estão com medo dessa febre que se tornou esse homem. Eles não conseguem prever qual será o nosso próximo passo, porque nenhum deles tem %Miller% nas próprias mãos. Mas com %Julia% namorando ele…
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  – Nós temos. - Paulo finalizou a frase, boquiaberto, juntando as peças. Não imaginava que enfrentaria todas aquelas pessoas novamente.
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  Durante os quatro últimos anos, sua vida foi um inferno. Paulo se viu sendo usado e perdendo tudo o que achou que era seu. Além disso, assistiu sua família descartar a si, sua esposa e filhas como se fossem lixo. Houve um tempo em que desejava o mal de todos; hoje, ele só queria terminar de pagar as dívidas enquanto vivo. Mesmo as dívidas não sendo sua, ele não tinha a condição de pagar um advogado bom o suficiente para derrubar os outros que o colocaram onde ele estava. Além disso, nenhum advogado enfrentaria o mar de homens e mulheres que estavam por trás daquele plano de corrupção. Nesse jogo, havia mais do que uma simples permissão da OAB que estava em mesa, os próprios %Strada% eram prova.
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  Mas agora, ouvindo o que Daisy e %Julia% falavam, talvez houvesse uma chance. Uma pequena chance, mas ainda assim, uma chance com algum percentual, mesmo que pequeno, de vencer. Sentiu o orgulho de antes lhe preencher o peito, e ele querer rugir como um leão prestes a sair à caça.
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  Olhou para %Julia%, que tanto fez pela família, e o coração voltou a bater mais devagar. Sua família foi a única coisa que lhe sobrou; elas foram as únicas que não o traíram. %Julia%, principalmente, foi a única que ergueu a cabeça e começou a se mover para ajudá-lo. Paulo sentia que, mesmo que quisesse realizar uma vingança com todas aquelas pessoas, de nada valeria a pena se %Julia% saísse machucada.
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  – Você e %Miller%…
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  – Estamos juntos. - %Julia% disse.
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  – Certo. Você tem certeza de que gosta dele?
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  – Ela não precisa gostar dele, Paulo…
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  – Eu gosto dele. - %Julia% cortou a mãe, que olhou para a filha com surpresa. – Eu gosto muito dele. E ele gosta muito de mim.
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  – É por isso que você não sai de lá? - Paulo perguntou, vendo a filha rir.
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  – Não. Eles realmente precisam de mim lá. São sete crianças.
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  – Sete crianças muito hiperativas. – Daisy comenta, bebendo um gole de sua água, se recordando da visita surpresa que todos fizeram à residência deles. – Bem, o que importa é que não estamos fazendo nada de errado. %Miller% sabe o que aconteceu. Talvez ele precise saber o que aconteceu no caso para não ser pego de surpresa. Mas precisamos saber o que essas pessoas querem com a gente.
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  – Achei que você quisesse esquecer tudo isso, Daisy. – Paulo olhou para a esposa, que deu outro gole, agora no vinho que o homem havia ganho de um cliente no trabalho. – Você disse que queria recomeçar.
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  – Quando eu disse isso, quis dizer que não ficaria sentadinha como uma boneca, obedecendo às ordens de nossas famílias. A coisa boa disso tudo, Paulo, é que como eles abriram mão de nós, não precisamos mais nos preocupar com eles.
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  – Você chegou a conversar com seus irmãos?
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  – George é um babaca que ignora todas as minhas ligações. Da última vez que falei com ele, me disse para viver calada e tranquila, que ele entraria em contato quando fosse o momento certo. - Daisy revirou os olhos. – E Daniela só me disse para esquecer tudo e começar do zero como ela. Quis me dar uma lição de moral! Ela sempre quis isso e achou o momento certinho para voltar para cima de mim.
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  Paulo manteve-se calado. Sabia que a família da esposa era tão fria quanto a dele. A pedido da esposa, não tentou entrar em contato com nenhum deles, mas não imaginava que eles teriam tido esse tipo de conversa na época em que Daisy mais precisava de apoio emocional.
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  “Sabe por que você foi o escolhido, Paulo? Porque você é fraco.”
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  Essa foi a frase que ele ouviu, com frequência, quando tentava entender o motivo de seu declínio. O olhar no rosto das pessoas com quem cresceu e achou que eram parceiros era como se ele fosse uma formiga.
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  Sonhou várias noites com essa cena; com a cena da sentença; com a imagem de seu falecido pai olhando para ele com os olhos sérios de sempre e dizer: “você é uma piada”. E Paulo sempre se sentiu fraco; após a perda de tudo, era como se os fatos tivessem sido confirmados. Ele era uma piada. Era fraco. Era um boneco descartado.
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  Olhou para %Julia%, que representou sua força principalmente nos últimos anos. A primogênita encontrou, sabe-se lá onde, força para lutar pela família. Ela deveria estar se casando com alguém bom, que lhe desse uma vida de luxo. Ela deveria estar viajando pelo mundo, aproveitando da vida como todas as outras garotas de sua idade.
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  – O que você acha disso tudo, %Julia%? - Paulo perguntou. – Você acha que vale a pena?
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  A filha sabia que o pai jamais faria algo que ela não quisesse. Sendo a única pessoa que o apoiou quando ele precisou, %Julia% tinha certeza que Paulo a ouviria até antes de sua esposa. Daisy, por outro lado, sabia exatamente como cada um se sentia e por isso manteve-se calada. Ela estava tranquila com a decisão de %Julia%, sabia que a filha queria o melhor para eles. O marido apenas precisava de uma confirmação.
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  – No começo tive medo - %Julia% comentou – O senhor estava indo bem no trabalho, não queria que eles o atrapalhasse. Só que então fui a alguns jantares. Encontrei Alina. Ela e Vitor estão namorando, sabia?
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  – Alina Kim e Vitor Marques? – Paulo ergueu as sobrancelhas. Sabia do antigo relacionamento dos dois com a filha; não esperava que eles pudessem fazer isso com ela. Mas era um tolo. Eles fariam pior, se necessário.
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  – Descobri que nada mudou com essas pessoas. – %Julia% sorriu, mexendo na lasanha já fria. – Continuam tontas e egoístas. Me provocaram como se eu fosse uma formiga prestes a ser esmagada.
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  – E você deixou?
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  – O que mais faria? - %Julia% ergueu os ombros. – Não sei às quantas eles estão. Deixei que fizessem o que queriam. Mas com isso, descobri que a hierarquia continua exatamente como da última vez que os vimos. - ela olhou para o pai. – Enquanto eles me atacavam com olhares, sorrisos orgulhosos e comentários repletos de segundas intenções e veneno, a única coisa que me vinha na cabeça era uma vontade imensa de rir.
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  – Rir?
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  – Rir. - %Julia% afirmou. – Rir, porque são tão tolos, que sentem orgulho em ganhar de uma pessoa que claramente não tem chance nenhuma com eles. Porque quem está fazendo todo o papel de idiota são eles, enquanto eu apenas observo cada detalhe de seus movimentos. Isso me deu ânimo para enfrentá-los. Eles são previsíveis. Repetem as mesmas atitudes toda vez.
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  – É por isso que Burges te ligou, Paulo. - Daisy aproveita o gancho para discutirem o plano do jantar que viria pela frente. – Porque ele e os outros não sabem o que David e os demais farão em seguida. Mas nós sabemos, porque nós fomos um deles.
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  – David Kim é muito mais inteligente do que nós.
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  – David Kim é um egoísta salafrário. - %Julia% diz, assustando os pais. – Se aqueles ligados a ele começarem a cair, ele perde todo o poder que tem. Ele tem medo de %Henrique%, porque é %Henrique% quem tem todos na mão.
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  – %Henrique% é só um programador que chegou à diretoria. – Paulo diz para a filha.
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  – %Henrique% é inteligente o suficiente para ser alvo de empresas do exterior, pai. O conhecimento que ele tem sobre programação pode ser benéfico para as empresas, como também pode ser a ruína delas.
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  – Eles podem achar outro igual a ele.
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  – É claro que podem. - %Julia% disse. – Mas eles querem?
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  Plin. Uma luz se acendeu na cabeça de Paulo. Era essa a previsão à qual %Julia% estava se referindo. Eles sabiam que a raiz não perderia o tempo deles procurando outra pessoa para fazer um serviço melhor que %Henrique%, porque o papel deles é somente aproveitar o que já está sendo bom, não descobrir novos talentos. Por que gastar tempo e dinheiro apostando na incerteza, quando a certeza está tão preparada e disponível para compra?
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  – Nossa senhora… - Paulo murmurou, boquiaberto com a realidade que estava enfrentando. Podia ter a chance de acabar com a raiz e voltar à vida anterior. Podia recuperar seus bens e eliminar a dívida injusta que recebeu.
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  – Ouça bem, Paulo. Você é péssimo em estratégia, mas é ótimo em relações públicas. Foi isso que o manteve na direção da empresa do seu pai. Você conseguia manter as pessoas na lábia. E você tem força de vontade. - Daisy diz, olhando para o marido. – Burges e os outros vão tentar nos usar para conseguir derrubar David.
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  – O que é exatamente o que queremos. – disse Paulo, mas Daisy balançou a cabeça.
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  – Não queremos que eles derrubem David e nos joguem fora depois. A melhor forma de lidar com isso, é fazer com que eles lutem contra David e o próprio acabe se destruindo. O importante para nós não é que David perca, mas sim voltarmos à alta sociedade.
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  – E como isso aconteceria?
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  Daisy olhou para %Julia%, que sorriu e mostrou o próprio celular para o pai.
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  A semana do natal estava sendo uma loucura. %Julia% havia comprado, a pedido de %Henrique%, os presentes a serem enviados para todos os avós das crianças. Com sua ajuda, Caique assinou a carta que Anna havia escrito, e então Saulo ficou responsável por colocá-la no correio.
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  – Estou esvaziando toda a geladeira, tem certeza de que não quer que deixe nada? – Jussara olhou para %Julia%, que terminava de analisar a lista de afazeres que ela mesma havia criado, para que nada passasse em branco antes de todos saírem de férias.
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  Paloma estava no segundo andar do apartamento fazendo uma boa limpeza. Estava de bom humor, pois %Henrique% permitiu que Saulo levasse ela e o marido para o aeroporto mais tarde. Deixou até que ela saísse mais cedo, desde que tudo estivesse em ordem.
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  As crianças estavam divididas entre assistir a TV e arrumar suas malas. Cada hora uma delas aparecia em busca de algo: roupas, meias, carregadores e peças de Lego. Nesse meio tempo, Jussara preparava o almoço com os últimos ingredientes perecíveis que havia na geladeira. Ela e Saulo passariam o natal juntos com a família, mas o ano novo sabe-se lá onde.
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  – Pedimos delivery amanhã e na volta. - %Julia% comentou olhando para a folha, escrevendo ‘ok’ em cada item já realizado. – Nós temos fraldas para o Caique? Só por precaução.
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  – Acho que só aquilo que tem na cômoda. Saulo pode comprar quando for levar a Paloma.
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  – Tudo bem - %Julia% disse, inclinando-se para frente para anotar ‘Saulo comprar’.
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  – O que sua família acha de você não passar com eles?
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  – Estamos acostumados. - %Julia% disse, sorrindo para Jussara. – É normal não passarmos com nossos pais. Geralmente passamos com amigos.
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  – Mas o natal é para a família. No ano passado vocês não passaram juntos?
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  – Foi.
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  Foi um pesadelo. %Julia% pensou. Yasmin e Laura só reclamaram, Daisy ainda estava na fase de ficar presa dentro do quarto e Paulo decidiu sair para fazer algumas corridas e tentar conseguir mais dinheiro no feriado. Deu tão certo que ele tentará de novo esse ano, disse.
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  – Está tudo bem, Jussara. - %Julia% sorriu para a mulher, a abraçando de lado e recebendo uma risada como resposta. – Gosto das crianças.
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  – E do patrão?
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  %Julia% olhou para a mulher, que tinha um pequeno sorriso nos lábios.
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  – Esses jovens acham que eu sou cega. Mas além de enxergar bem, tenho um sexto sentido muito bom para as coisas.
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  – O que você tá falando, Jussara? - %Julia% perguntou rindo, mas de nervoso.
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  – Não se faz de boba não, menina. Esses olhos aqui já viram muita coisa pior. – a mulher sorriu. – Vocês têm todo o direito de ser felizes. São duas pessoas boas que sofreram muito.
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  – Eu te adoro, sabia? – %Julia% riu, ao mesmo tempo em que Paloma entrou na cozinha em pleno sorriso.
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  – Vejam só quem terminou a faxina!
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  – É só falar em sair mais cedo pra essa danada perder a preguiça. - Jussara resmungou, fazendo %Julia% rir ainda mais. – Vou lá dar uma olhada.
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  – Estou muito confiante dessa vez, dona Jussa!
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  – Eu quero é só ver! - a mulher disse, sendo seguida pela mais nova.
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  %Julia% olhou no celular, onde uma mensagem piscava.
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  “Tenho algumas reuniões de última hora. Suas malas estão aí?”
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  Desde que ela e %Henrique% começaram a sair, ele tem se mostrado um homem ligeiramente diferente do que era. Não apresentava mais uma personalidade fria como antes e parecia arranjar sempre tempo para mandar mensagem para ela, ao contrário de %Julia%, que mal tinha tempo para olhar o aparelho.
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  Como resposta, mandou uma mãozinha fazendo o sinal de positivo. Precisava terminar de verificar tudo e ainda não havia começado a fazer a mala de Caique.
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  Verificou as roupas que faltavam ser guardadas. Jussara e Saulo ficaram responsáveis pela cozinha. Levariam tudo o que estivesse para vencer em um mês.
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  – %Juju%! Vamos brincar! - Caique entrou correndo na cozinha e grudou na perna da babá.
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  – A %Juju% precisa arrumar a mala para viajarmos, ou você não vai viajar? - ela disse, deixando de lado a lista e dando completa atenção para o mais novo.
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  O menino pôs-se a pensar e então perguntou se poderia assistir a um novo desenho. %Julia% sorriu, acompanhando-o até a sala enquanto explicava que não era para ele se acostumar, pois ela só estava deixando porque ele estava de “férias” com os irmãos.
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  – Você tem certeza de que lá tem internet? - Eric olhou para %Julia%.
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  – 4G. Me confirmaram por e-mail. - ela respondeu pela terceira vez. – É apenas uma semana, Eric.
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  – Em uma semana o time pode cair dois níveis e ser rebaixado! - o garoto disse, exaltado, como sempre era quando se tratava de seus jogos.
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  %Julia% sorriu e deixou que ele lhe explicasse sobre a importância de se jogar todos os dias. Fez algumas perguntas como forma de tentar mostrar interesse, e então, quando ele estava preparado para voltar para o jogo, o próprio garoto deu-lhe as costas e voltou para o quarto.
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  %Henrique% havia escolhido irem para o litoral em um resort com tudo incluso. Passariam o natal e a virada do ano por lá. As crianças poderiam participar das programações infantis e os mais velhos, nas programações juvenis. O local foi escolhido especialmente para que ele e %Julia% pudessem ter um tempo a sós. Esperava que conseguisse pelo menos uma vez.
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  – %Julia%, confirmei a van que levará vocês amanhã. Tudo certo.
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  – Obrigada, Saulo. Será que você poderia comprar, na volta do aeroporto, um pacote de fralda para Caique? Vou mandar para você uma foto do pacote.
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  – Eu lembro qual é, pode deixar comigo.
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  O resort era enorme. Tão grande, que %Julia% tinha certeza que não poderiam conhecê-lo no mesmo dia. Era um local novo, lançado recentemente, e por isso tudo estava em perfeitas condições.
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  A família %Miller% foi instalada em um apartamento com 3 dormitórios. Os quatro irmãos maiores dormiriam juntos em um, enquanto o outro seria ocupado por Anna, %Julia% e as crianças mais novas. %Henrique% ficaria com o último quarto, no caso de surgir algo do trabalho.
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  – Vocês podem ficar juntos. - Anna disse para %Henrique%, enquanto os dois observavam %Julia% conferir se todas as malas estavam corretas, e separá-las para que cada um levasse o seu para seus respectivos quartos. – Eu posso dormir com Caique e Helena.
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  %Henrique% abraçou a filha com um sorriso.
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  – %Julia% prefere assim.
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  Anna revirou os olhos. Tirando ela, todos ainda não sabiam que o pai e a babá estavam juntos; inclusive, Anna estava criando o hábito em todos de não chamarem mais %Julia% de babá. Ela era da família. Hugo logo entendeu o recado, Caique e Helena, animados, aceitaram rapidamente, mas os outros três ainda se esqueciam.
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  – O que falta para ser oficial?
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  %Henrique% olhou para a filha, feliz por vê-la animada com o relacionamento dos dois. Também queria tornar tudo oficial, mas no jantar com a família %Miller% para comemorarem o natal, todos concordaram que o melhor era dando passos pequenos, até que as coisas para os %Strada% estivesse melhor.
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  – Está tudo indo conforme tem que ser, Anna. Obrigado por se preocupar. - e depositou um beijo no topo da cabeça da filha.
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  – Você não vai trabalhar o tempo todo, né pai? – Felipe saiu do quarto que dividiria com os irmãos. – Podemos jogar uma bola!
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  – É claro, apesar de que tenho certeza que você vai me dar um baile.
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  O filho riu, pois era verdade. Adorava jogar com o pai porque: 1) ele sempre ganhava e 2) ele aproveitava para mostrar suas habilidades para o homem que mais admirava.
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  – Pai! Tem aula de stand up paddle! Vamos fazer? – Arthur veio logo em seguida, animado, com um folder em mãos.
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  – Podemos fazer, sim. Vamos dar uma passada lá amanhã de manhã.
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  %Henrique% olhou ao redor, onde o caos se instalava, mas de forma organizada. Riu com a própria observação. Também encontrou prazer em ver Caique e Helena seguindo %Julia% como se fossem filhotinhos atrás da mãe.
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  As crianças tomaram conta de toda a programação. Por %Julia% querer fazer o papel a qual estava sendo paga, %Henrique% não teve escolha senão caminhar atrás de todos para o local onde seria servido o lanche da tarde.
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  – %Julia%! - a mulher ouviu atrás de si, estremecendo ao perceber que conhecia aquela voz. – Eu nem acredito nessa coincidência!
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  Ela, os quatro mais velhos e %Henrique% olharam na direção da voz, onde uma mulher em um maiô e com uma canga presa na cintura caminhava na direção do grupo.
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  – Gabriela, que surpresa! - %Julia% olhou para a outra, que passava direto pelas crianças e trocava beijinhos com %Julia%, olhando em seguida para %Henrique%.
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  – Quando fiquei sabendo, mal pude acreditar. Você está muito famoso, sabia? - ela sorriu para o homem, que se colocou próximo de %Julia%. – Eu sou Gabriela Andrade. - a mulher estendeu a mão para %Henrique%, que a cumprimentou de volta apenas por educação.
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  Era tudo o que os dois não precisavam. Que alguém estivesse ali e eles precisassem voltar à atuação. Apesar de estarem juntos, a informação mais importante, que não deveria ser passada em hipótese alguma àquelas pessoas, era a de que %Julia% trabalhava como babá das crianças de %Henrique%.
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  – Vocês vão passar todo o feriado aqui? - ela olhou para os dois com um sorriso. – O Edu quis ficar por perto de São Paulo, porque a mãe dele não está bem, então tive que mudar os planos. Sabe, gosto de passar lá fora.
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  – Sei… - %Julia% responde, sorrindo. – Vamos passar o feriado. As crianças precisam de espaço para se divertir. O mais novo quase não sai de casa. - ela aponta para Caique, que prestava atenção em uma joaninha que havia acabado de pousar próximo ao pé dele e caminhava em direção à grama.
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  – Ah… – Gabriela olhou ao redor, como se tivesse acabado de perceber que estava rodeada de crianças muito parecidas, algumas até idênticas, a %Henrique%. – Sim, você possui belos filhos. - e sorriu sem graça para o homem.
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  – Eu to com fomeeee! - Helena cantarolou, apertando a mão de %Julia%.
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  – Ah, sim! Acho que atrapalhei vocês, vamos combinar uma refeição juntos, meus filhos também estão, talvez vocês possam se divertir juntos. - olhou para principalmente os garotos, já que os filhos também eram meninos. – Até mais, querida.
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  %Julia% sorriu e voltou a caminhar com todos em direção à área da lanchonete, onde um grupo de pessoas também já estava reunido.
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  – Quem era ela? – Anna perguntou ao lado de %Julia%.
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  – Uma… conhecida.
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  Anna nada disse; conhecida era uma palavra que não aguçava ainda sua curiosidade. %Julia%, por outro lado, assim que se aproximou do local com mais pessoas, olhou ao redor em busca de rostos conhecidos. É claro que haveriam mais pessoas. Era praticamente a inauguração do resort de luxo. Como foi que ela se esqueceu desse detalhe tão simples?
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  – Tudo bem, precisamos repassar algumas coisas. – %Julia% falou para %Henrique% assim que se sentaram. – Tem muito mais gente conhecida do que eu esperava.
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  – Fique calma. - ele disse. – Vamos para o quarto e conversamos sobre isso.
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  %Julia% sorriu para ele, consciente de que todas as pessoas que ouviram sobre os dois tinham suas atenções para eles. Tentou ao máximo ignorar todos e alimentar as crianças; os mais velhos logo arranjaram o que fazer e se retiraram da mesa, concordando em voltar para o quarto ao anoitecer para se arrumarem para o jantar. Eric não perdeu tempo; logo que chegaram, perguntou o melhor lugar para se jogar e por isso já sabia aonde ir. Anna e Helena se dividiram com as turmas dos monitores, enquanto Caique caíra no sono no colo de %Julia%.
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  – Eu levo ele. - %Henrique% pegou o filho no colo e em seguida a mão de %Julia% com a mão livre, caminhando juntos para fora do recinto. – Não se preocupe, nada dará errado.
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  A mulher sorriu para o companheiro; não sabia por que estava tão nervosa. O jantar entre o pai e Burges saiu melhor que o esperado. Com a decisão de não ceder a ele o local da refeição, Paulo apresentou uma personalidade de quem não seria feito de bobo. Ele e Daisy foram muito bem preparados para o jantar, que acabou sendo somente entre eles e o casal Burges.
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  Rodrigo foi solícito e, pelo que a mãe contou a %Julia%, falou mais do que ouviu, o que era a intenção dos %Strada%. Queriam saber qual o plano dos novos ricos. Eles, como sempre, eram perdidos e tinham medo de muitas coisas, algo que os ricos-raiz não eram. Seu único medo era de acontecer o que aconteceu com os %Strada%: perder tudo.
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  – Eles querem saber o quanto %Henrique% está envolvido com você – Daisy disse para a filha quando esta voltou da casa dos %Miller% para pegar mais roupa –, pode ser que eu tenha dito que você está quase morando com ele.
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  – Mãe! O que nós combinamos sobre aumentar as coisas? - %Julia% repreendeu a mãe, que mostrou-se, ao menos, sem graça por não ter cumprido o combinado.
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  – Eu acabei me empolgando quando Marcia começou a falar sem parar sobre você. Uma coisa é ouvir as pessoas, covardes, dizerem algo pelas costas. Outra, é insinuar à frente da mãe dela. Antes de cumprir nosso combinado, minha filha, eu prometi que não iria abaixar a cabeça para ninguém, muito menos permitiria que alguém tentasse humilhar minha família.
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  Com isso, %Julia% não pode contra argumentar. Não sabia sobre as coisas que Marcia Burges havia falado sobre ela, mas gostou de ver Daisy %Strada% com a cabeça erguida.
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  Contudo, tal comportamento de Marcia se deu às fofocas sobre %Julia%. Com a falta de dinheiro, ela sabia que seria chamada de golpista. Era o que as pessoas faziam. O fato de %Henrique% não ser um rico raiz não se passava na cabeça daquelas pessoas; para colocar alguém no lugar dela, eles eram capazes de considerar e/ou ignorar informações ordinárias como essa. No entanto, por outro lado, %Julia% %Strada% ainda tinha o sangue azul, e por isso, não podia ser ignorado que ela faria o que precisasse para voltar a ficar acima dos outros. Os raiz mais inteligentes, como Alina, sabiam disso.
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  Agora, as pessoas ali, além de estarem curiosas sobre o relacionamento entre o casal mais comentado das sociedades, também estavam, a todo tempo, julgando %Julia% ao lado de %Henrique%.
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  – Gabriela Andrade é uma advogada. - %Julia% disse assim que colocaram Caique no berço. – Não tem orgulho próprio. Foi a primeira pessoa a ligar para minha mãe quando os rumores sobre nós dois saiu. Ela costumava correr feito uma galinha atrás das crias quando havia reuniões das mulheres. Seu sonho sempre foi fazer parte da raiz; nunca lhe passou pela cabeça que apenas entram ali pessoas que nascem lá ou que oferecem algo que todos lá dentro querem.
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  – E agora?
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  – Ela não é uma pessoa confiável. - ela balançou a cabeça. – Por não ter orgulho próprio, não se importa de ser usada por mulheres como Flávia e Alina.
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  – Flávia não é uma raiz.
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  %Julia% abriu um pequeno sorriso.
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  – Sabe por que você é considerado potencial para ser um raiz?
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  %Henrique% negou com a cabeça. Era elogiado pelas conquistas dentro do banco. Não fazia serviço externo e não tinha conexões importantes, senão as do próprio serviço. Essa era uma dúvida que ainda não conseguiu encontrar a resposta, ainda que pensasse muito.
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  – Porque você é leal. - %Julia% respondeu.
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  O homem soltou o ar e encostou na poltrona próxima à janela de seu quarto. Era claro. O que aquelas pessoas mais gostavam, era de soldados em seu exército. Era claro que %Henrique% chegaria longe com suas habilidades. No mínimo, estaria nos Estados Unidos em 3 ou 4 anos. Ter uma peça de confiança no exterior, cuidando do dinheiro deles e fazendo o necessário para ocultar o que precisasse era importante.
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  – É por isso que Túlio grudou em você, e por isso outras empresas o querem. Todos buscam funcionários a quem possam confiar nos momentos difíceis. Tenho certeza que você mostrou muita eficiência nas crises do banco.
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  %Henrique% se lembrou dos obstáculos que apareceram nos últimos três anos. Admitia que conseguiu chegar ali por mérito próprio, mas quem pagou por tudo foram seus filhos, que se viram sem pai durante todo esse tempo.
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  – Sou fiel aos meus filhos.
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  – Eles não precisam saber disso. - %Julia% disse. – Escute, os filhos só entram na conversa quando se precisa mostrar status. “Anna e Hugo vão para a La Rosey em julho”; “Felipe vai começar a jogar para o clube Alpha”. Isso é o que eles querem e não querem ouvir. Se orgulhar da destreza do filho que começou a andar como qualquer outro é conversa jogada fora.
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  – Parece cansativo.
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  A mulher ri.
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  – É extremamente exaustivo. A cabeça deve estar funcionando a todo tempo. E quando queremos férias, na verdade, temos de nos preocupar em nos manter à vista de todos.
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  – Como se faz isso?
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  – Viagens é o mais comum. O que mais as pessoas fazem em uma viagem? Postam em suas redes sociais. Se todo mundo vê que você está tendo uma vida de luxo, ninguém vai ter tempo de questionar o que você pode estar fazendo para estar tanto tempo escondido.
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  – E por que eu iria querer viver em uma sociedade como essa?
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  %Julia% olhou para cima, pensativa. Gostava da vida que estava tendo agora. De fato, era melhor. No entanto, havia algo que ela, querendo ou não, sentia falta.
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  – Porque, apesar de tudo, é confortável. Dinheiro nos traz conforto, sacia nossas vontades e nos dá a oportunidade de fazer o que quiser. Não há a palavra ‘limite’. E viver sem limite é sempre melhor. Vitor, quando tinha 20, matou um homem atropelado na estrada. Ninguém nunca soube e a família nunca chegou sequer a pedir uma indenização. O dinheiro resolveu tudo.
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  – Uma família perdeu um ente.
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  – A família, sem grana, tinha duas opções: aceitar silenciosamente o acordo ou passar por um inferno. Os Marques, família de Vitor, faria da vida deles um inferno.
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  %Henrique% ficou observando boquiaberto %Julia% contar tudo com tranquilidade, como se fosse normal viver em um mundo como aquele. Mas esse era o mundo de onde ela veio. Para ela, a corrupção era um modo de vida.
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  – Ter todas essas pessoas ao seu lado é muito melhor do que tê-las como sua inimiga. Veja o que aconteceu com meu pai quando elas se uniram contra ele. O homem mal fez nada, e esse foi o motivo de ter sido escolhido como alvo. Para a raiz, a melhor defesa é o ataque.
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  O homem, que não se surpreendia com facilidade, mostrou-se incomodado.
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  – Pergunte a seus colegas novos ricos o que eles mais querem recentemente - %Julia% falou –, tenho certeza que eles responderão todos a mesma coisa: sair do Brasil.
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  Era verdade. %Henrique% havia ouvido de mais de um colega, o desejo de ser contratado por uma empresa no exterior, onde quer que fosse.
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  – Novos ricos não conseguem aguentar quando introduzidos na raiz. Todos acham que, ao sair do país, estão deixando para trás as pessoas daqui. Mas quando se entra na raiz, você só sai morto ou falido.
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  – E você quer voltar a isso?
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  A mulher pôs-se a pensar. Olhou janela afora. Havia se perguntando sobre isso. Queria mesmo voltar a ser a %Julia% %Strada% de antes? A nova %Julia% %Strada% sobreviveria nesse mundo?
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  – Eu quero que meus pais recebam a justiça que merecem. - ela comentou. – Eles não são inocentes. Estão a quase 3 anos pagando pelos erros que cometeram, e se tiverem que pagar mais para viverem em paz, eu aceito. Mas não é justo que eles paguem no lugar de outros que estão sorrindo. Sou uma pessoa hipócrita, eu sei. Minha família já fez muitas injustiças com outros. - %Julia% olhou para %Henrique% e ergueu os ombros. – Mas nós temos a chance de revidar. Se qualquer pessoa tivesse essa mesma chance, ela não faria o mesmo?
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  – Às vezes, a melhor opção é superar. - ele disse. – Vocês estão tendo uma boa vida agora.
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  – Se fosse apenas eu, com certeza não reclamaria. Eu não me importo de não voltar. Mas isso não é sobre mim, e eu não posso exigir que os outros pensem como eu.
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  %Henrique% ficou olhando para %Julia%, que observava seus dedos. Sabia que havia muito em sua cabeça. Havia ouvido da mesma sobre a animação da mãe e melhora na saúde dela. O que ele faria se estivesse no lugar de %Julia%?
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  Ele sabia a resposta.
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  Foi exatamente o que fez por Cássia. Entrou em um banco, mesmo querendo seguir a área de games. A falecida esposa queria a vida de %Julia% e ele cegamente correu atrás de realizar seu desejo. Tão cegamente, que não parou para pensar no quão exaustivo era dirigir horas para o trabalho.
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  Observou %Julia%. Os cabelos lisos voavam facilmente com a brisa que entrava do lado de fora. Os olhos eram brilhantes e cheios de sentimentos. %Henrique% pensou em todas as qualidades que enxergou nela, que o fez se apaixonar por aquela mulher. Sentiu no próprio estômago, algo embrulhar. Ainda estavam ali, as qualidades. A perseverança, a coragem, a bravura, a perspicácia, a sensibilidade e a empatia. Qualidades abstratas, mas que para %Henrique%, valiam muito mais do que qualquer corpo de modelo.
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  – Me conte sobre as pessoas que estão aqui. - ele chamou a atenção de %Julia% de volta para si, vendo o sorriso da jovem.
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  “Alina Kim e Flávia Dias são as mentes por trás dos rumores.”
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  A mensagem abalou %Julia% mais do que deveria. Após o banho de Caique, ela recebeu a mensagem de Akira, que contou que descobriu, durante a visita à casa de Alina para lhe fazer o cabelo, a relação entre as duas.
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  “Você sabe como elas se conheceram?”
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  Enquanto vestia o %Miller% mais novo, %Julia% não conseguia desviar os olhos do celular. Quando ele tocou, sinalizando uma nova mensagem, ela parou de colocar a camiseta no menino para ler:
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  “Em um evento no jóquei. %Julia%, tome cuidado. Não conheço essa Flávia, mas conheço bem o tipo de Alina. Elas estão muito amigas.”
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  “Merda.” Pensou ela, por não poder verbalizar na frente de Caique. “Merda, merda, merda!”
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  – Podemos conversar? – ela abriu a porta para %Henrique%, que estava conversando com Arthur sobre animais. O homem logo percebeu a tensão na voz de %Julia% e se apressou para ir até a mulher, que fechou e trancou a porta atrás de si, após deixar Caique com Anna. – Algo aconteceu.
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  – O quê?
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  – Alina e Flávia se uniram.
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  %Henrique% ficou mudo. Flávia. Ela ainda estava certa que poderia tê-lo de volta. Achou que havia deixado claro a ela, quando a mulher teve a audácia de visitar seu trabalho, que ele não voltaria nunca para ela, mesmo que não houvesse %Julia%.
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  – Diga algo. - %Julia% pediu, após um longo tempo em silêncio.
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  – O que pode acontecer com as duas unidas?
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  A mulher respirou fundo.
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  – Um acidente, talvez. O interesse de Alina é me deixar onde estou: falida e longe da raiz. Já o de Flávia é ter você. Elas não vão arriscar acabar com você, porque não seria benéfico para a Flávia.
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  – Nada irá acontecer com você. - %Henrique% disse, segurando a mão de %Julia%. – Não irei permitir.
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  – Você não conhece a Alina. - %Julia% disse. – Ela tem um exemplo como David.
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  – Por que vocês temem tanto David Kim? – %Henrique% perguntou, finalmente. Toda vez que o nome do homem vinha na conversa, junto vinha medo e desconforto. Havia visto Kim em alguns eventos e ele não parecia uma pessoa tão malévola quanto parecia.
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  – David Kim gosta de ganhar. – ela começou a contar. – E ele realmente nunca perde. Faz o necessário para garantir sua vitória. Há 7 anos, ele se envolveu em um esquema eleitoral para extorquir dinheiro público. Na época ainda era juiz e tinha contatos com outros. Favoreceu os políticos, mas a esposa, em um ato de rebeldia por não estar recebendo dele o que ela queria, amor e atenção, acabou enviando, de forma anônima, uma informação que levou a polícia federal a investigar o caso. Foi a primeira vez que David Kim, após sua ascensão, perdeu.
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  – Como ele conseguiu se tornar desembargador e permanecer na raiz?
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  – Não foi ele quem recebeu toda a culpa. Teve de prestar contas sobre a sentença e, obviamente, foi afastado do caso. Mas o nome que estava vinculado ao roubo era da esposa.
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  – Ele incriminou a própria esposa?
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  – Ela colheu o que plantou, ele disse. - %Julia% se lembrou do jantar em que participou dos Kims. Alina perguntou sobre a mãe e o pai lhe explicou que ela os traiu. Um mês depois da sentença ter sido dada, ela se matou.
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  %Henrique% passou a mão no rosto. David estava, nas poucas vezes em que participaram de um evento, sem companhia. Geralmente os homens e as mulheres surgiam com acompanhantes, mesmo eles não sendo o marido ou a esposa em questão. Achou interessante e por isso marcou a imagem do homem na cabeça. Não esperava que por trás do método calmo e passivo do homem, houvesse um assassino.
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  – Alina é fiel ao pai. E provavelmente ela é a única pessoa a quem ele verdadeiramente confia. Ele a ensina sobre tudo, e ela apenas segue seus passos. Alina sempre teve a plena convicção de que consegue tudo o que quer, pois ele a educou dessa maneira.
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  – E vocês eram melhores amigas?
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  %Julia% sentiu as bochechas corar. Lembrar de como era quando adolescente e as coisas pelas quais fechou os olhos e os ouvidos… sempre era motivo de vergonha. Em sua mente, conseguia se lembrar de todos aqueles a quem ela poderia ter ajudado. Sabia que não teria salvado todos, mas a maioria…
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  Sentiu o rosto ser erguido pelas mãos de %Henrique%. Seus olhos se encontraram com os dele, que disse:
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  – Você mudou. É uma boa pessoa. Você salvou a minha família. Me salvou.
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  Ela abriu um pequeno sorriso antes dele beijá-la.
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  – Papaaaaaai! %Juju%! Vamoooos! – Helena gritava do lado de fora do quarto com Caique, assustando os dois.
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  O homem limpou a garganta e %Julia% se arrumou, abrindo a porta e dando de cara com os sete filhos os encarando.
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  – E vocês ainda querem dizer que não estão namorando? - Arthur revira os olhos para os dois adultos, que se entreolharam surpresos com o comportamento dos filhos.
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  – Vocês estão namorando? - Helena arregalou os olhos e encarou os dois, boquiaberta. – Então a %Juju% é minha mãe?!
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  – Mãe? - Eric a olhou com uma sobrancelha erguida.
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  – Mamãe! - Helena gritou e Caique, achando divertido, começou a imitar a irmã.
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  %Julia%, vermelha, deu um leve cutucão em %Henrique%, que entendeu que estava nas mãos dele falar sobre a situação.
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  – Bem… - limpou a garganta - %Julia% e eu…
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  – Ela vai ser nossa mamãe! - Caique disse, animado, abraçando %Julia%.
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  O casal olhou para as crianças mais velhas, que os encaravam calados, alguns com uma expressão de riso, outros esperando uma explicação a mais.
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  – Temos que conversar sobre isso. - %Henrique% diz. – Vocês, hum, preferem falar comigo separados?
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  – Eu não preciso! - Anna disse, erguendo a mão. – Eu aprovo.
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  – Dois. - Hugo ergueu, também, sua mão.
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  Felipe e Arthur se entreolharam e ergueram as mãos com Caique e Helena. Por fim, Eric manteve-se hesitante e %Julia% apenas cutucou %Henrique%. Eles não deveriam deixar que ele levantasse a mão apenas porque os outros fizeram, apesar de esse não ser o tipo de coisa que Eric faria.
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  – Venha, Eric, vamos dar uma volta.
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  O garoto acompanhou, em silêncio, o pai para fora do quarto. %Julia%, por outro lado, olhou para os 6 que ficaram para trás consigo e imediatamente começaram a falar sem parar ao redor dela:
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  – Vocês já se beijaram?
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  – Eca, Arthur, que pergunta é essa?
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  – Vocês vão casar?
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  – Mamãe, vamos comer!
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  – Deixem a %Julia% em paz! - Hugo foi quem gritou mais alto, calando os outros cinco. A mulher, pela primeira vez, agradeceu mentalmente o garoto e sua potente voz. Os outros pareceram entender o recado, já que %Julia% não mandou um olhar sério para Hugo, o que deu combustível para ele mandar todos seguir para o restaurante, em busca do café da manhã.
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  %Henrique% e Eric caminhavam lado a lado por um caminho mais longo até o restaurante onde comeriam o café da manhã. Os primeiros cinco minutos de caminhada não renderam muita conversa. De todos os filhos, Eric era o único cem por cento parecido com %Henrique%, desde a aparência, até a personalidade. Por essa razão, nenhum dos dois sabia como iniciar aquela conversa.
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  – Você esqueceu da mamãe? – Eric perguntou quando chegaram a um pequeno parque, já vazio por conta do horário.
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  Os dois se sentaram lado a lado em um banco e passaram a observar os arredores. Ao fundo, casais e famílias se dirigiam para a área dos restaurantes entre risos e conversas.
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  %Henrique% olhou para o céu estrelado e respirou fundo.
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  – Eu sinto falta da sua mãe todos os dias.
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  Eric olhou para o pai. Não conseguia entender. Se ele sente tanta falta da mãe, então por que está saindo com %Julia%? A família já havia passado por aquela situação antes, com Flávia, e não deu nada certo.
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  – Mas eu não posso me juntar a ela, não é? - %Henrique% colocou um sorriso entristecido no rosto. O filho não lhe respondeu. – Sair com uma nova pessoa não significa esquecer a anterior.
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  – Tenho alguns amigos que disseram que os pais esqueceram das mães e deles depois que se separaram.
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  – Eu não me separei da sua mãe porque quis, Eric. - %Henrique% olhou para o filho, que sentiu as bochechas queimarem. Era verdade. Diferente das mães dos amigos, a mãe de Eric havia morrido. Não foi uma escolha de nenhum dos lados. – Você entenderá quando crescer… entenderá muitas coisas; dentre elas, por que decidi dar esse passo em nossa vida.
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  O filho não respondeu. Não queria que a família voltasse a ser como estava antes. Sabia que %Julia% era uma boa pessoa e praticamente parte da família. Mas e se ela não fosse tudo isso?
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  – Qual o seu medo?
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  – E se %Julia% quiser nos mandar para um internato? Ela já convenceu você a mandar Anna e Hugo para a Suíça!
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  – Eric - %Henrique% sorriu e apoiou a mão no ombro do filho, puxando-o para mais perto de si –, seus irmãos não estão se mudando para a Suíça.
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  – Mas lá é um internato!
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  – É um acampamento. - %Henrique% o corrigiu. – Eles vão para se divertir e fazer amigos. É importante principalmente para Hugo, que quer melhorar o inglês.
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  Eric ainda não havia sido convencido. Sabia a diferença entre acampamento e internato, mas havia entrado no site da escola e lá estava muito bem informado que era um internato. Podia ter fotos de crianças e adolescentes felizes, mas esse era o papel das escolas, não importasse em que lugar do mundo estivessem: enganar os pais mostrando um ambiente saudável e feliz, quando na verdade há crianças maldosas que querem praticar bullying com as mais novas ou exibir-se com o poder que os pais tinham sobre os outros.
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  – Está tudo bem, Eric? - o pai o olhou mais atento, vendo-o engolir seco. – Escute, não farei nada que o faça infeliz. Se você acha que é melhor para você, que eu fique sozinho…
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  – Não - Eric respondeu rapidamente, pensando nos irmãos. Os mais velhos poderiam bater nele ou dizer que ele era um nerd esquisitão, enquanto os mais novos chorariam e ele passaria a imagem de vilão –, eu… tudo bem.
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  %Henrique% sorriu e abraçou o filho. Sabia que o choque pegaria algum deles, eram 7 crianças, afinal. Seria muito bom se todos eles ficassem felizes com a ideia. 1 só foi um milagre. Pensaria em uma maneira de fazer Eric aceitar o relacionamento. Ou, quem sabe, a sorte continuasse ao seu lado e o filho conseguisse enxergar e aceitar gradativamente a mulher em sua vida, como aconteceu consigo mesmo.
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  “Pense nas crianças.” %Julia% repetia em sua mente o mantra, olhando, às vezes, para os filhos de %Henrique% e os dos outros casais que, sem vergonha nenhuma, se aproximaram dela assim que a mulher entrou com as 6 crianças no salão de jantar, e fizeram com que não tivesse escolha a não ser aceitar sentar-se na mesa juntos.
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  Agora, todos falavam sobre a vida, como se %Julia% não tivesse o sobrenome %Strada% e pertencesse a uma família que, há três anos, todos se voltaram contra.
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  – Você sempre foi uma mulher visionária, %Julia% – Renata, uma arquiteta famosa na alta sociedade, disse –, lembro-me quando sua mãe me chamou para reformar a cobertura do Jardins. Você foi muito certeira na escolha do papel de parede de seu quarto.
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  Os homens, sentados do outro lado da mesa, haviam deixado uma cadeira bem no centro para %Henrique%, pois ele certamente seria a atração da noite. %Julia% não deixou de se surpreender com a tranquilidade com que %Henrique% se portou ao se deparar com aquela cena. %Julia% tentou lhe enviar um olhar de desculpas, mas não foi possível. O grupo fez com que não fosse.
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  – Parte deles procurarão alguma brecha – %Julia% disse a %Henrique% mais cedo, quando este se sentou para ouvir sobre todas as pessoas que ela conhecia, e que possivelmente teria de conviver dali pra frente –, como parte da raiz, querem descobrir mais sobre nós dois a fim de impedir que meus pais voltem. A outra parte, no entanto, buscará se vincular a nós, porque esperam que essa seja uma aposta certeira para derrubar a raiz e subir ao topo.
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  %Henrique% abriu um pequeno sorriso. Não gostava de toda a falcatrua que acontecia entre os dois grupos, muito menos em estar no centro de tudo; mas não podia evitar, agora que não precisava mais controlar seus sentimentos por %Julia%, não conseguia deixar de achá-la extremamente atraente quando séria e até má.
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  – No entanto, haverão os que querem entrar na nossa graça por egoísmo, como um meio de se salvarem da tempestade que está por vir.
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  – Quem está em qual grupo?
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  – Teremos que descobrir.
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  %Henrique% olhou nos olhos de todos os homens que estavam ao seu redor. Visivelmente, estavam agindo da mesma maneira. Pareciam relaxados e de bom humor, mas um tremor nos olhos ou uma troca de olhares com a esposa mostrava que, na verdade, todos estavam pisando em cascas de ovos.
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  Do lado de %Julia% era a mesma coisa, mas pior. As mulheres, surpreendentemente, conseguiam ser muito mais frias e racionais do que os homens, pois eram elas as mentes que trabalhavam por detrás dos panos. Era o habitat natural da maioria. Mas %Julia% cresceu nesse ambiente, então tudo era mais do que natural. Como havia dito aos pais, eles eram previsíveis.
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  – E por que não foram para o exterior? Não acredito que %Henrique% não consiga para uma viagem para todas essas crianças. - uma delas finalmente desviou a atenção para %Julia%, que até o momento ouvia, sorria e soltava um comentário sem malícia nenhuma.
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  – Ele disse que havia alguns serviços a serem finalizados no banco. Vocês sabem, confidencial. - %Julia% sorriu para as mulheres, que moveram suas sobrancelhas ou o canto da boca com a compreensão.
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  A maioria, senão todas, tinham contas especiais no banco em que %Henrique% trabalhava, e sabiam que o recesso era o momento em que as transações fantasmas eram realizadas para os paraísos fiscais. Como diretor, ele era o responsável por supervisionar e garantir que tudo saísse como planejado para os clientes.
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  – Além disso, o plano era deles passarem com os avós, mas infelizmente houve um imprevisto e mudanças tiveram de ser feitas. Por sorte, tenho um contato aqui no hotel, que gentilmente nos ofereceu um bom negócio para as festas.
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  Entre sorrisos, as mulheres entoaram murmúrios de compreensão, desviando suas atenções para o prato de comida ou as taças de vinho. Saber que %Julia% ainda tinha contatos importantes era uma informação que muitos buscavam ter. Seria demais saber quem eles eram, mas a confirmação, por si só, já era importante.
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  %Julia%, contudo, não tinha contato nenhum, mas Akira tinha. O homem lhe colocou em contato com algumas pessoas importantes e leais à discrição, porque se beneficiam dos favores que lhes são pedidos.
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  Mesmo aqueles que prestam serviços para os ricos sabem das fofocas que rolam entre a alta sociedade; todos apenas escolhem permanecer calados, pois o silêncio no meio das pessoas que têm poder, vale muito para manter o negócio em alta.
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  É por isso que o assistente executivo do hotel encontrou rapidamente uma maneira de hospedar o casal mais comentado do momento. Ao explicar ao diretor sobre o pedido de %Julia%, foi uma questão de segundos até o homem permitir que o convite VIP fosse estendido para mais uma família. Ter o nome do resort na boca da alta sociedade através das fofocas era um bom marketing para a empresa.
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  %Henrique% e %Julia% estavam preparados para sobreviver durante aquele jantar. Haviam conversado bastante durante o dia e sabiam como lidar com aquelas pessoas, no entanto, quando a alegria de se livrar de todos estava prestes a acontecer, as mulheres soltam uma exclamação, algumas de alegria, outras apenas de surpresa, ao olharem para a porta.
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  – Olá, queridas, como vão? - Flávia chegava em um vestido PatBo com um vão que mostrava pernas, %Julia% admitia, maravilhosas. – Ah, vocês já terminaram o jantar, que pena. Mas imagino que possa me unir a vocês na sobremesa?
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  Gabriela, a advogada nova-rica desesperada para fazer parte da nata, foi a primeira a saudar a amiga. Flavia logo se sentou próxima dela, pois ninguém é estúpido de não se unir a quem está do seu lado. Coincidentemente, era exatamente o lugar de frente para %Julia%, que sorriu para Flávia com a etiqueta que lhe foi arduamente ensinada.
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  – Então… você é a nova namorada do %Henrique%?
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  A troca de olhar foi tão grande, que até %Henrique%, do outro lado da longa mesa, pode sentir a tensão entre as duas.
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  – E você é a… ex?
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  Flávia abriu um sorriso.
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  – Por enquanto, talvez?
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  %Julia% deixou que o silêncio se perpetrasse na mesa. Sabia que todos haviam ouvido da ousadia de Flávia, e sabia ainda mais que queriam ouvir o que %Julia% tinha para responder, afinal, mesmo em uma família falida, ela era uma %Strada%, uma das famílias mais tradicionais de São Paulo.
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  – Por enquanto? - %Julia% sorriu, pegando a taça de vinho. – Não sabia que você veio a São Paulo para se contentar com o posto de amante, Flávia.
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  – Querida – a voz permaneceu firme, apesar de o canto dos olhos ter estremecido de leve –, você realmente está por fora das notícias.
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  – É mesmo? Até há pouco, eu achava que eu era a notícia principal.
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  Disso, Flávia não tinha como contrariar. Alina havia lhe avisado que %Julia% não era a mulher frágil que todos achavam. O fraco da família era o pai. E %Julia% sempre se acostumou a estar na sombra; sempre esteve na sombra de Alina, então nunca precisou tomar atitude nenhuma; Flávia, por outro lado, era como Alina, sempre foi o sol. Teria que aprender a não brilhar muito; só assim para acabar com a sombra.
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  – Não se preocupe, nada mudou quanto a isso. Você continua sendo a mulher misteriosa que voltou do limbo. Mas veja só, para uma peça, você está muito segura de si.
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  %Julia% não respondeu. Queria olhar para o lado e ver a reação das mulheres. Pelo campo de visão, só conseguia enxergar os olhos de Gabriela, mas ela estava do lado de Flávia, então não poderia ser o ponto fraco da aliada.
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  – Sabe, %Henrique% é um ótimo profissional. - Flávia fez um sinal para o garçom parar de servir o vinho em sua taça. – E tem um ótimo gosto. Na verdade, me surpreende que você não esteja grávida até agora; o homem, como todos sabem bem - olhou na direção dos filhos em outra mesa, com babás e monitores selecionados pelo hotel -, tem um grande apetite. Você tem certeza de que eu serei a amante?
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  “O homem adora sexo e precisa de alguém que lhe sirva; você está falida, é jovem e quer voltar à alta sociedade. O valor dos seus serviços está definido e ele consegue pagar. É um homem de negócios que sabe o que quer: sexo e sucesso.” O significado da afirmação de Flávia foi o mais explícito possível. Tanto, que gerou um leve incômodo entre a maioria das mulheres, pois não estavam acostumadas a descer tanto para afetar o outro. Mas todos sabiam o que estava em jogo, por isso ninguém ousou falar nada.
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  “Ela é mais baixa do que eu imaginava.” %Julia% pensou, nervosa. Akira havia avisado, mas ela achava que ninguém poderia ser pior que Alina.
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  – Tem razão - %Julia% suspirou, devolvendo a taça à mesa, surpreendendo não algumas, mas todos os que ouviram –, devo estar com algum problema. Marcarei uma ginecologista para ver o que pode estar acontecendo; %Henrique%, de fato, é muito bom em tudo o que faz, e a razão disso tudo é porque ele sabe, melhor que qualquer outro, aprender com os próprios erros. Dificilmente uma reclamação minha foi repetida, caso contrário, tenho certeza que ele ainda estaria com você, e não comigo.
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  “É verdade que ele tem um apetite sexual alto e que nos beneficiamos muito disso. Mas ele jamais voltará para você, porque quando se tem a mim, uma ninguém como você nunca saciará tudo o que ele realmente precisa.”
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  As mulheres ao redor riram, sem graça, e mudaram de assunto, pois sabiam que, apesar de %Julia% parecer ter voltado atrás humildemente, Flávia não tinha a mesma etiqueta.
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  “Isso, minha querida %Julia% olhou para Flávia com uma sobrancelha erguida “, é a verdadeira alta sociedade.”
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  – Ela não insinuou isso de verdade. – %Henrique% perguntou, boquiaberto, enquanto colocavam Caique e Helena para dormir. Anna estava, junto dos irmãos, exceto Eric, participando das atividades noturnas com o grupo de monitores, por isso, o casal tinha a liberdade de conversar agora que os mais novos estavam em sono profundo, e Eric permanecia concentrado no computador na área comum do apartamento.
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  %Julia% enviou um olhar para %Henrique%, e se encaminhou para fora do quarto das crianças.
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  – Você quer alguma coisa, Eric? - %Julia% perguntou para o garoto, que desviou o olhar para ela, e em seguida para %Henrique% logo atrás.
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  – Não, obrigado.
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  %Henrique% fez menção de dizer algo, mas %Julia% logo o cortou:
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  – Tudo bem, estarei lá fora se precisar. - e fez um sinal para %Henrique% a seguir.
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  – Podemos ir para o meu quarto. - ele disse, assim que fechou a porta atrás de si. – Ele não irá se importar.
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  – É claro que irá. - %Julia% disse. – Vamos esperar meia hora, é o tempo para ele voltar a se concentrar no jogo. Não irá ouvir nada, confie em mim.
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  %Henrique% sabia que %Julia%, a essa altura do campeonato, conhecia seus filhos melhor que ele mesmo, por isso decidiu manter-se calado e voltar ao assunto que realmente lhe preocupava. Não podia acreditar que Flávia insinuou que %Julia% era uma garota de programa, e que ele estava pagando pelos serviços dela, a levando de volta para a alta sociedade.
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  – %Henrique%, escute só - %Julia% fechou os olhos e sussurrou para o homem –, é isso o que acontece. Somos alvo de insinuação o tempo todo. O motivo de não nos ofendermos muito, é porque gastamos esse tempo tentando revidar. Flávia claramente veio para cá, para te ter de volta.
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  – Isso é um absurdo. - %Henrique% mexe nos próprios cabelos, bagunçando-os. – Como ela pode achar que tem alguma chance comigo, agindo dessa maneira?
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  – Se fosse de outra maneira, ela teria chance? - %Julia% pergunta, apenas para pausar a raiva do homem. Nunca o havia visto dessa maneira, e achava fofo, mas %Henrique% não podia perder a cabeça e deixar-se cegar pela raiva. As pessoas inteligentes sabiam até quando perder.
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  – Você sabe que não quis dizer isso.
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  – É claro que sei. - ela sorriu e depositou um beijo nos lábios dele, para amolecê-lo. – Quanto mais você se envolve com pessoas de poder, mais você acha que tem poder. O poder é perigoso; só permanece com ele, quem é frio o suficiente para manter-se racional em momentos de desespero. Estamos em um momento de desespero, eu sei. Mas enquanto estivermos juntos, Flávia perde.
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  – Isso não deveria nem estar em jogo, %Julia%.
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  – Para ela é um jogo. Você poderia ser menos perfeito, não é? Assim, quem sabe, ela teria se contentado com algum outro cara que estava bancando ela.
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  O homem sorriu e a abraçou de volta. Gostava do autocontrole de %Julia%. Viu, no serviço, que Paulo era exatamente igual. Fazia os comentários certos para as pessoas certas, e isso garantiu que subisse mais rápido, pois tinha a confiança de seus colegas.
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  – Ela irá tentar se encontrar sozinha com você.
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  – Ela pode tentar algo com as crianças…
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  – Flávia não é burra, %Henrique%. Primeiro, sou eu quem estou cuidando das crianças. Se quer saber, acho que sou melhor nisso do que você. - sorriu, o provocando. – Segundo, ela sabe que as crianças a odeiam. Terceiro, ela não se importa com as crianças; quem, em sã consciência, tenta fazer um namorado enviar os filhos para um internato?
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  – Me diga você - %Henrique% sorriu –, quem faria essa barbaridade?
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  %Julia% abriu um pequeno sorriso, pois havia entendido que agora era ele quem estava brincando com ela, afinal, várias mulheres exigiam isso de seus amantes, quando eles vinham com crianças à tiracolo.
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  – Não precisa se preocupar comigo. – %Julia% distribuiu pequenos beijos no rosto de %Henrique%. – Flávia é um problema seu.
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  “E o meu é Alina.” Ela pensou. Um peixe bem maior do que uma louca obsessiva pelo ex.
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  – Estamos voltando, Anna. – Hugo chamou pela irmã, que havia dito que não iria participar das atividades noturnas, porque precisava fazer uma ligação com as amigas.
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  Mas na verdade, Anna foi fazer o que era seu dever: proteger sua família.
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  Quando viu Flávia mais cedo no jantar, não conseguia acreditar no azar. Observou, de longe, os olhares que a ex do pai e a atual trocavam. Pode ouvir, brevemente, a troca de farpas entre as duas.
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  Anna não deixaria que Flávia atrapalhasse sua família novamente, principalmente agora que o pai havia encontrado alguém bom de verdade, que amava a ela e aos irmãos como eles mereciam. Por isso, seguiu Flávia onde quer que a mulher fosse.
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  Viu ela paquerar o homem do bar e ficar de conversa com ele por horas. Seguiu os dois até a penumbra, onde os viu aos beijos. Sentiu uma vontade enorme de fugir, pois não se sentia bem assistindo pessoas se beijarem, muito menos quando uma delas era alvo de seu ódio; no entanto, precisava fazer pela família. Os dois conversaram um pouco e então seguiram para um quarto, provavelmente o de Flávia e então permaneceram por lá.
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  Por que a mulher queria tanto o pai, quando continuava saindo com vários outros caras? Ela não havia vindo acompanhada de alguém? Ou veio sozinha?
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  Pôs-se a pensar em um banco que se encontrava no caminho para o apartamento. Havia ouvido um comentário de uma das mães que estava na mesa dos adultos, que Flávia havia vindo para reconquistar %Henrique%.
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  Anna não permitiria.
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  Agora, acompanhada dos irmãos, caminhou em silêncio para o apartamento e, quando entraram, viram apenas Eric jogando sem parar na sala. O pai e %Julia% deviam ter ido dormir.
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  – Precisamos conversar. - Anna disse, séria, dando dois tapas no ombro de Eric, que fez uma careta por estar sendo incomodado durante o jogo. – É questão de vida ou morte. Vamos para o quarto de vocês, e não gritem.
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  No quarto, os irmãos se espalharam pelas camas e pelo chão, reclamando de Anna até ela garantir que o casal de adultos não sairiam e atrapalhariam seus planos.
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  – Flávia veio para pegar o papai de volta para ela. - disse, de modo a chamar a atenção dos quatro, que permaneciam, até então, resmungando.
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  – O quê? - Arthur e Hugo gritaram
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  – Shhh! Não grita! - Anna levou o indicador à boca e todos ficaram em silêncio, esperando algum som de porta abrir, mas durante um minuto inteiro, nada aconteceu. – Eu ouvi umas mulheres da mesa dos adultos falar isso. Não podemos deixar.
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  – Eu sabia que não era bom sinal aquela bruxa aqui. - Felipe murmurou. – O que a gente faz?
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  – O papai está com a %Julia%, a Flávia não vai voltar. - Hugo disse.
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  – Você acha que a Flávia não faria nada com a %Julia%, só para voltar para o papai. Ela é a vilã, Hugo, quer nos mandar para um internato.
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  – Vocês vão para um internato de qualquer jeito - Eric disse –, e foi a %Julia% quem deu a ideia.
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  Os quatro mais velhos permaneceram calados olhando para Eric. Na concepção deles, o mais novo ainda era uma criança, então era preciso muita paciência.
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  – Da onde diabos você tirou isso? – Hugo perguntou.
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  – Vocês vão para a Suíça. É um internato. Não sabiam?
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  – É sério? - Arthur arregalou os olhos para os gêmeos mais velhos.
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  – É um acampamento. - Hugo respondeu. – Vamos ficar só um mês.
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  – Quem garante? - Eric disse, com coragem. – Essa pode ser a primeira desculpa. E aí, quando vocês estiverem lá, eles digam: “já que estão aí, fiquem por aí!”
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  Hugo mostrou-se imediatamente pasmo com a situação e olhou em desespero para Anna, que colocou as mãos na cintura.
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  – Eric, você precisa esquecer essa coisa de internato. O papai prometeu que nunca irá nos mandar para um lugar desses.
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  – E se a %Julia% mandar?
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  – Eu não acho que a %Julia% irá atrapalhar no que existe entre o papai e nós. - ela disse. – Ela é uma pessoa legal, e cuida da gente melhor do que qualquer outra pessoa. Sim, a escola na Suíça é um internato, mas na época comum de escola. Nas férias, é um acampamento. Não tem como nós continuarmos lá, eu pesquisei.
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  – Você pesquisar não significa que também não confia na %Julia%? – Eric pergunta para a irmã, que é pega de surpresa.
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  – Bem, eu fiquei com medo quando vi que é um internato. Mas depois que vi que o acampamento não tem nada a ver, fiquei de boa. Além disso, o papai nos deu uma viagem para a Disney depois, não tem como sairmos de lá para ir à Disney.
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  Os irmãos permaneceram calados. O silêncio se devia ao respeito que tinham pela irmã mais velha que, claramente, tinha sempre tudo sob o controle, se comparado a eles.
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  – O problema agora é a Flávia. Se ela voltar para o papai, aí sim precisaríamos nos preocupar. Vocês estão comigo ou não?
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  Os três mais velhos rapidamente concordaram com a irmã. Olharam todos para Eric, que permaneceu calado por um tempo, até concordar também.
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  – Certo. Vamos elaborar o projeto “Elimine a Flávia”.
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Capítulo 13
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Ray Dias

Li essa fanfic muito tempo atrás e relendo agora, me lembrei do quanto ela é o tipo de leitura aconchegante. Eu adoro as sete crianças, cada uma com sua personalidade própria e atrativa. Sobre Henrique, não há o que se dizer não é? Quem não ia querer este pai de 7 filhos?

Nat, essa fanfic poderia super se tornar um livro físico, eu adoraria ter na minha estante e ver a capinha com os rostinhos que você pensou para esta família!

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