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História NÃO RECOMENDADA PARA MENORES ou PESSOAS SENSÍVEIS.

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Me Apaixonei Pela Babá

Escrita porNatashia Kitamura
Revisada por Natashia Kitamura

[Idade dos filhos]
Anna e Hugo
– 14 anos
Felipe e Arthur – 12 anos
Eric – 9 anos
Helena – 7 anos
Caique – 3 anos


Capítulo 6

Tempo estimado de leitura: 35 minutos

  A volta de Amélia causou um tumulto maior do que %Julia% esperava.
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  Quando imaginava a governanta da residência retornando, via as crianças voltando a obedecer as regras e ter tudo acontecendo de forma mais fácil. Entretanto, não foi exatamente o que aconteceu.
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  – Você o quê?! - %Julia%, junto de Paloma, Jussara e Saulo, quase gritaram da cozinha.
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  Amélia estava bebericando café no segundo dia de seu retorno e fez o anúncio de que havia decidido se aposentar. As férias havia lhe levado para o Rio Grande Sul, sua terra natal, onde sua filha, que possuía uma bela pousada em Canela, cidade turística famosa até para as pessoas do Sudeste, disse precisar da mãe para lhe ajudar como gerente. Amélia era ótima com organização e sabia lidar muito bem com clientes e funcionários, mostrando-se indispensável para a filha. O marido, por outro lado, já era aposentado, o que facilitou para a decisão da mudança.
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  – Quando a cria chama, não há o que se fazer. – Saulo suspirou, sentando-se na mesa com Amélia.
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  – Até quando você fica? - Paloma perguntou, tristonha.
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  – Estou fazendo a mudança da minha casa. Vou ficar essa semana arrumando tudo e sexta o caminhão vem para levar tudo para Canela.
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  – Mas vão contratar outra pessoa para ficar em seu lugar? – %Julia% perguntou, esperançosa. Amélia, no entanto, olhou para ela com um sorriso no rosto.
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  – Me parece que não precisam de uma pessoa da minha posição mais. Você consegue lidar bem com tudo, %Julia%. Estou satisfeita.
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  – Mas coitada, Amélia! – Jussara disse, como sempre, em seu tom de voz alto. – A menina mal tem vida fora dessa casa. Quando que ela vai arranjar um pretendente?
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  – Se você quiser, posso te apresentar a alguns amigos, %Julia%! - Paloma dá um leve cutucão em %Julia%, que ri.
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  – Obrigada, mas acho que vou ficar ainda mais indisponível para namoros. Eu estava contando com seu retorno, Amélia, para poder ter uma vida. - os cinco riram.
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  – Acho impressionante como as pessoas conseguem ser tão orgulhosas hoje em dia. Aquele garoto maluco não conseguiu ninguém para o turno da noite ainda? - Jussara perguntou para ninguém em específico.
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  %Julia% manteve o sorriso no rosto por educação, pois a vontade era de revirar os olhos. Lucas parece ter diminuído a frequência na procura de babás, fazendo com que %Julia% continuasse trabalhando de segunda a sábado, da manhã até à noite. %Henrique% passou a lhe pagar o dobro de seu salário, porque era o justo, mas %Julia% andava se sentindo exausta e precisava de férias. Férias que não viriam, pois ainda não havia completado um ano de trabalho.
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  O que %Julia% sequer imaginava, era que Amélia sabia o motivo pela qual Lucas não encontrava ninguém para ajudá-la. %Henrique% havia parado de cobrar o assistente, até o funcionário se esquecer e parar de procurar; só voltava à busca quando era cobrado por %Julia%. O comportamento de %Henrique% não passou despercebido pela governanta, que percebeu, de imediato, a mudança no rosto do chefe. Trabalhara para a família desde o nascimento de Felipe e Arthur, por isso, sabia de praticamente tudo daquela família. Os tinha no coração, e achava que permaneceria com eles até não conseguir mais sair de casa para trabalhar; somente a própria família para fazê-la se mudar.
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  – Você conseguiu lidar muito bem com eles. - Amélia falou, no meio da tarde. Disse que iria acompanhar %Julia% até o playground, onde Caique e Helena passariam cerca de uma hora brincando no sol, uma orientação médica. – Todos me contaram dos seus feitos. Parabéns.
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  – Ah… - %Julia% sorriu, sem graça. Não sabia lidar muito bem com elogios profissionais, então apenas se limitou a olhar para baixo timidamente.
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  – Acredito que esteja na hora de você saber sobre a realidade da família %Miller%. - a mulher disse, sentada ao lado da mais nova, ambas olhando para as crianças.
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  %Julia%, no entanto, olhou confusa para Amélia. O que poderia ser? Já não conhecia a realidade de todos?
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  – O nome da mãe das crianças é Cássia. – Amélia disse, séria, alguns segundos depois. – Ela faleceu há pouco mais de dois anos.
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  A boca de %Julia% abriu em um perfeito O. Ela, de vez em quando, via-se curiosa para saber sobre a mãe da família; o que poderia ter acontecido, se foi um escândalo como o que aconteceu na vida da família %Strada%. Contudo, de todas as hipóteses, nenhuma tinha ela como falecida.
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  – Ela gostava de trabalhar, mas devido às crianças, foi obrigada a parar. - a mulher continuou – Esse foi o motivo pela qual eu fui contratada. Cássia queria ter mais tempo livre para poder ter a chance de voltar à ativa. Sua paixão era vendas. Uma amiga, pelo que me lembro, tinha uma loja e ofereceu uma vaga para Cássia após o nascimento de Eric. Ela voltou a trabalhar e, com frequência, passava um ou dois dias da semana viajando a trabalho. Fazia pouco mais de 8 meses desde o nascimento de Caique quando ela faleceu. Foi um acidente de carro, na estrada, indo para o trabalho.
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  “A morte dela foi um choque para todos, mas principalmente para o senhor %Henrique%, que fechou-se em seu próprio mundo. Cássia era o sol da família; ela era o centro de tudo, e o motivo pela qual todos se davam bem. Com sua morte, cada um se separou, perdidos em seu próprio luto. Os únicos que se mantiveram os mesmos foram Helena e Caique, por serem muito pequenos.”
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  As duas permaneceram em silêncio, presas em seus próprios pensamentos. Amélia lembrava de como eram as coisas quando a patroa ainda era viva; %Julia%, por outro lado, imaginava toda a dor que a família passou e ainda passa, sem a presença da mãe e esposa.
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  – Estou lhe contando porque você agora já faz parte da família. Todos evitam falar na mãe, como se ela fosse um palavrão. O senhor %Henrique% não gosta que mencione o nome dela e, por isso, os filhos deixaram de chamá-la.
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  O que %Julia% não sabia, era que o motivo principal pela qual Amélia estava lhe contando o segredo dos %Miller%, era porque a governanta percebeu, em seu retorno, a mudança de ares na família. As crianças, quando em casa, diferente de antes, permaneciam o dia inteiro na sala, seja conversando com %Julia% ou fazendo seus deveres da escola. Além disso, o chefe, que quase nunca era presente na residência, voltou, antes das dez, disse o porteiro da manhã.
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  Para Amélia, era inevitável pensar que a mudança na casa se deu pela presença de %Julia%. Ficou tranquila em saber que a moça conseguiu fazer o que ela jamais pode; talvez por falta de sensibilidade, ou apenas porque fosse necessário alguém mais jovem aparecer. Soube, por Jussara e Paloma, que %Julia% não reclamava de ter de permanecer o dia inteiro, às vezes a semana inteira sem voltar para casa, apenas porque não havia uma pessoa que pudesse trabalhar com 7 crianças. E antes que Amélia pensasse que %Julia% estava saindo dos eixos com o chefe, as duas mulheres foram em sua defesa, dizendo que a garota jamais deixou de ser profissional, o que levou a mais velha de todas a compreender que %Julia% havia chego para fazer a família %Miller% voltar a viver.
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  Olhou para a moça, que prestava bastante atenção em Helena e Eric, enquanto Caique lhe gritava palavras aleatórias devido à afobação; sem se estressar, nem se atrapalhar, %Julia% soube dar atenção ao mais novo, ao mesmo tempo em que dizia para Eric amarrar os cadarços do tênis e observava Helena ao fundo, brincando com algumas crianças de sua própria idade.
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  Caique, mesmo com sua altura, queria ir nos mesmos lugares que as crianças mais velhas que ele; no entanto, não tinha coragem o suficiente para subir e descer sem saber que havia o respaldo de %Julia%, o que fez com que a babá seguisse ao seu alcance, puxada por sua mãozinha, apenas para caso ele quisesse desistir. De longe, Amélia se perdeu em seus pensamentos, lembrando-se de como as crianças eram antes da morte de Cássia. A maior mudança, apesar dos quatro mais velhos agora surpreendentemente se darem bem e se ajudarem, foi a de Eric.
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  O garoto de 9 anos que antes era alegre, de repente se mostrou sério e calado. Eric não era de falar, pois não tinha tempo; os irmãos mais velhos sempre estavam falando algo, e os mais novos gritando por cima deles. Contudo, a diferença estava no olhar; antes, Eric observava a todos com alegria e atenção, às vezes até arriscando comentar algo. Após a perda da mãe, o garoto raramente abria a boca para falar e, mesmo com acompanhamento psicológico, não foi possível voltar à personalidade anterior.
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  Contudo, Amélia se assustou ao vê-lo perguntar para %Julia% se ela desceria com os irmãos mais novos, pois queria caçar Pokémon com o amigo da escola que também morava no prédio. Quando %Julia% lhe perguntou quais Pokémons ele estava procurando, o garoto imediatamente falou sem parar e mostrou, no celular, a foto de alguns.
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  Foi o suficiente para a mulher saber que as crianças, e o chefe, estavam em boas mãos. Não havia muito na ficha de %Julia% e foi um tiro no escuro aceitá-la para o cargo, mas vendo todo o resultado que a jovem trouxe, sem desistir, fez com que Amélia sentisse que fez um bom trabalho, antes de deixar a família.
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  Para a surpresa dos cinco que estavam no pátio brincando e observando brincar, %Henrique% estava em casa às 6 da tarde. Ele andava de um lado para o outro, enquanto os meninos o encaravam sentados, como se qualquer movimento brusco fosse fazer o pai explodir; Anna, por outro lado, falava sem parar que o pai precisava fazer compras.
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  – Posso ajudar em algo, senhor %Miller%? - a voz de Amélia ressoou no ambiente, fazendo todas as cabeças virarem na direção dela e de %Julia%, enquanto os dois mais novos iam de encontro ao pai para lhe dar as boas vindas em um forte abraço.
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  – Papai disse que tem um evento para ir hoje, e que é importante. – Anna respondeu. O homem, entretanto, estava com os olhos presos em seu celular, como se aguardasse uma resposta.
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  – Que tal começarmos a tomar banho? Já fizeram a lição? - %Julia% olhou para os três garotos sentados, que prontamente concordaram e correram para o segundo andar do duplex, aliviados por terem uma razão de não ficar olhando o pai.
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  Ela deixou Amélia e Anna com %Henrique%, que não parecia prestar atenção nas soluções que as duas ofereciam. Subiu com Helena e Caique, deu-lhes banho e colocou o pijama. Lucas ainda não havia encontrado ninguém; recentemente, o homem lhe perguntou se havia problema de ela iniciar o horário de trabalho na parte da tarde, já que seria mais fácil contratar uma babá para a manhã. %Julia% disse que tudo bem, claro; se pudesse ter um tempo para si, seria de grande ajuda; as gêmeas estavam começando a ter retorno, ainda que muito lento, e passavam o tempo todo bagunçando a casa, em busca do cenário perfeito. A mãe, apesar de melhor, e o pai, que não passava mais as madrugadas em claro (exceto nos finais de semana, que permanece como motorista de aplicativo), não ajudavam muito na limpeza da casa. Em dias que %Julia% ficava uma semana inteira nos %Miller%, ao retornar para a própria residência, quase tinha uma síncope com o estado que a casa se encontrava, mas não tinha sequer tempo de fazer uma reunião de família para alinhar os problemas.
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  – %Julia%, acho que meu pai está tendo um ataque cardíaco. – Anna entrou no quarto de Caique e Helena, sentando na cama da irmã enquanto esta se isolava no canto das pelúcias, em sua própria reunião de família.
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  – Não diga isso, Anna! - a babá lhe repreendeu baixo, para não causar maus entendidos na mais nova. – Amélia não conseguiu ajudá-los?
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  – Papai não nos ouve muito. Quer dizer, ele ouve e então desouve, sabe?
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  A garota estava prestes a desabafar com %Julia%, quando a porta do quarto abre repentinamente e %Henrique% aparece, olhando fixamente para a babá.
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  – Em um nível de 0 a 10, quão ruim é aparecer em uma reunião com a presidência sem companhia?
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  Então esse é o problema, %Julia% pensou.
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  %Henrique% jamais foi obrigado a aceitar um convite de jantar na residência do presidente da empresa. Isso porque a empresa jamais se mostrou tão dependente de um funcionário, como tem dependido de %Miller% no último ano.
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  No entanto, naquela manhã, o próprio homem veio pessoalmente até sua sala no 8º andar e o convidou para um jantar às 8 da noite. %Henrique% não teve escolha a não ser aceitar, e estaria tudo bem, se Thales, diretor da controladoria, não tivesse aparecido 10 minutos depois do presidente sair, para perguntar quem %Henrique% levaria como acompanhante.
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  – E eu preciso levar? - foi a resposta que %Miller% deu.
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  Thales, uma das pessoas que mais vinha conversar com %Henrique% durante o horário de trabalho, não respondeu de imediato. Permaneceu encarando %Henrique% praticamente sem expressão nenhuma, como se esperasse que o homem risse e dissesse que estava brincando. Mas %Miller% não era de fazer piadas desnecessárias.
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  – Quando o presidente de uma empresa chama pessoalmente uma pessoa para jantar em sua casa, significa que ele irá apresentá-la a algumas pessoas ainda mais importantes, como, por exemplo, os maiores acionistas. - Thales se sentou em uma das duas poltronas à frente da mesa de %Henrique%. – Ele provavelmente quer apresentá-lo como proposta para um cargo maior.
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  %Henrique% não respondeu Thales. Havia ouvido falar desses jantares, apenas foi pego de surpresa. A última vez que ouviram, na empresa, o presidente chamar alguém pessoalmente para jantar, foi Leonardo, do comércio exterior. Ele agora vive na Califórnia, porque se tornou acionista em apenas 5 anos.
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  – A coisa é: para ser de um cargo maior, precisa provar que você tem aptidão para isso. E não basta ser sensacional no trabalho; você tem que ter uma vida pessoal perfeita.
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  – Vida pessoal?
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  – Geralmente, as esposas participam daqueles eventos beneficentes e reuniões de mulheres que acontecem no jóquei. Amanda adora. - ele se referia à esposa, que gastava metade do tempo jogando golfe, e a outra metade organizando eventos beneficentes com as amigas. Para Thales, era perfeito, podia aproveitar alguns deles para fazer algumas movimentações e fechar alguns negócios.
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  – A questão é simples, %Henrique%. O senhor Costa sabe que você é viúvo. E ele sabe que já faz dois anos. Você não precisa estar casado, mas precisa estar encaminhado. Arranje uma mulher para hoje à noite, ou talvez as coisas não se encaminhem do jeito que você deseja.
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  E ele desejava, muito, uma promoção. O único cargo acima do seu era o de diretor. Acima dele, apenas a presidência – algo que não tinha o menor interesse em ser –; mas diretor era uma boa posição. Poderia lidar com algumas equipes que lhe incomodavam, e transformá-las em algo melhor; além disso, a carga de trabalho diminuiria. Mesmo que a complexidade aumentasse, %Henrique% prefere gastar um longo tempo em um problema e ter a satisfação de saber que foi ele quem resolveu tudo, do que lidar com vários problemas pequenos que não levam a lugar nenhum; além disso, sobra tempo para ele se especializar em novos sistemas que podem ser importantes para o banco no futuro.
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  O problema é: ele não tem uma mulher.
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  – Foi o presidente quem convidou? Ou a secretária? - a voz de %Julia% surgiu no meio dos pensamentos de %Henrique%, que olhou para a babá com as mãos em seu filho mais novo, terminando de lhe colocar meias nos pés.
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  – O presidente--
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  – Nove. - ela respondeu, sem nem esperar um complemento, surpreendendo %Henrique%. – Ele quer apresentá-lo para pessoas importantes.
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  – E…
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  – E pessoas importantes se importam com as aparências. Ninguém gasta milhões com babás, carros enormes, escolas bilíngues e roupas infantis, só porque é legal ou faz parte da obrigação de pai e mãe.
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  Os ombros de %Henrique% caíram. Fazia anos que não se encontrava nessa situação de ter um problema e não conseguir resolvê-lo. A última vez havia sido a morte da esposa; ele podia ter todo o dinheiro do mundo, mas nada traria a mulher de volta.
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  Caique saiu correndo para o primeiro andar do apartamento, enquanto Helena continuava a reunião familiar das pelúcias. Anna, no entanto, olhava o pai com atenção e, quando olhou para %Julia%, que encarava o chefe com certa dó, teve uma brilhante ideia:
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  – A %Julia% pode ir com você, papai!
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  Os dois adultos imediatamente olharam para a garota com os olhos arregalados, como se ela não pudesse verbalizar uma coisa daquelas na frente de outras pessoas.
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  – Você precisa de uma mulher para a festa, e a %Julia% é uma mulher.
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  – Não é bem assim, Anna… - %Julia% sorriu, sem graça, para a garota. Ela podia ser muito mais madura do que as garotas de 14 anos, mas não entendia a complexidade que era %Henrique% levar sua babá para um jantar com o presidente da própria empresa.
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  %Henrique%, por outro lado, manteve-se calado. Não havia pensado nisso, e talvez estivesse, sim, incomodado de estar considerando e, principalmente, por não ter pensado nisso antes da filha. Olhou para %Julia% e viu uma mulher jovem e bonita. Além disso, seu passado a faz uma pessoa perfeita para lidar com as conversas que viriam, pois cresceu em um ambiente assim, diferente até dele próprio.
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  – Por que não? - %Henrique% perguntou, fazendo %Julia% quase perder a força nas pernas e Anna abrir um enorme sorriso. – É só um jantar, algumas horas. Você consegue lidar com eles, não consegue?
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  %Julia% se perguntou o que o homem poderia receber, para aceitar levar sua funcionária como acompanhante em um jantar. Tudo bem, ela tinha classe. Cresceu fazendo aulas de etiqueta e era fluente em outras duas línguas além do português. Trabalhou em uma multinacional e chegou ao cargo de pleno. Mas a etiqueta é uma aula básica para a alta sociedade, como o português; e as línguas estrangeiras são um requisito básico para quem quer trabalhar. Por fim, o cargo foi arranjado, e não conquistado.
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  O mais importante de tudo, era que ela não estava preparada para encontrar pessoas que pudessem ter ouvido falar nela ou em sua família. É claro que sempre haveria esse risco; ela era a babá de uma das famílias recentemente mais bem-quistas de São Paulo, então uma hora teria que encontrar com outras famílias, seja em eventos ou em algum compromisso das crianças.
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  Jamais imaginaria que tal compromisso não fosse das crianças, mas sim do chefe. Cheio de pessoas importantes. Como sua acompanhante.
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  – %Juju%, você precisa salvar o meu pai! - Anna disse, e, claro, assim como a babá sabia lidar com todas as 7 crianças, a mais velha sabia lidar com a babá, que adorava quando era chamada pelo apelido carinhoso que o mais novo dos irmãos deu a ela.
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  Suspirou e olhou para %Henrique%, que a encarava sério, aguardando por uma resposta.
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  – As crianças ficarão sozinhas.
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  – Podemos ficar sozinhas por algumas horas! – Anna protesta, olhando feio para a babá. – Meus irmãos não são tão terríveis assim… bem, um pouco terríveis. Mas eles podem se comportar… um pouco.
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  Os dois adultos permaneceram olhando para Anna, que tentava arranjar desculpas para garantir que nenhum dos irmãos pularia da sacada, botaria fogo na cozinha, se machucasse ou causasse a expulsão da família do prédio.
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  – Tudo bem, tudo bem! – %Julia% disse, vencida pelo cansaço. – Se não for atrapalhar o senhor…
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  %Henrique% olhou para %Julia% e abriu um pequeno sorriso, agradecido por ela ter cedido. Olhou, então, para a filha, que encarava os dois com um sorriso bem maior que o do pai.
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  – Chame Saulo e vá com %Julia% para o Iguatemi. – ele olhou para Anna, que abriu um sorriso ainda maior. – Compre as roupas para hoje, o jantar é às 8, sairemos às 7 e meia.
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  A babá olhou para Anna, que a encarou com a expressão de quem estava tramando algo. %Julia% engoliu seco. Não gostava desse olhar, principalmente em garotas de 14 anos que são mais maduras do que as demais meninas da mesma idade.
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  %Henrique% pegou as chaves e conferiu as horas em seu relógio de pulso: 19h25. Colocou o paletó do terno e deu uma última olhada no cabelo recém-cortado. Respirou fundo. Não tinha como dar errado, mesmo que %Julia% não fosse uma das mulheres do grupo que estaria no jantar, ela ainda havia sido parte da alta sociedade a vida inteira. E ele faria o possível para desviar as conversas que pudessem levar ao escândalo de sua família. Era o mínimo que tinha de fazer para a moça.
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  Desceu as escadas para o primeiro andar do apartamento, onde Lucas falava com alguém no telefone, próximo à porta de vidro que dava para a sacada. Seus 7 filhos estavam espalhados pela sala, entre brincar com lego, pintar livros de colorir, assistir à televisão e mexer no celular.
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  E então havia %Julia%, sentada extremamente arrumada para uma moça que usava roupas comuns no dia-a-dia. Vestia uma calça pantalona preta e uma camisa gola V branca com detalhes em paetê. Usava joias (ou semijoias), que traziam o verdadeiro ar da riqueza de forma moderada. %Henrique% abriu um pequeno sorriso, pensando na diferença entre ela e algumas jovens da mesma idade que trabalhavam no banco, e se enfeitavam de roupas, joias e maquiagem para mostrarem que tinham dinheiro.
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  – Papai! - Anna se levantou junto com os irmãos mais velhos. Lucas, ao ver a comoção, desligou a ligação. – A %Juju% não está linda?
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  %Henrique% ficou sem graça de chamar a mulher de linda na frente dos filhos, mas abriu um pequeno sorriso e disse:
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  – Está, sim. Está ótima.
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  Anna fez uma careta, pois queria que o pai tivesse dito especificamente a palavra “linda”, mas teria que se contentar com o “ótima”.
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  – Ela não usou o cartão. - Anna devolveu para o pai. – Mas eu, sim! Compramos Starbucks!
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  O homem olhou confuso e preocupado para %Julia%, que ergueu os braços, como quem não queria que ele se preocupasse.
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  – Eu tinha roupas em casa.
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  Ela pediu a Saulo que os levassem para sua residência, pois não conseguiria comprar nada para o evento no cartão do chefe. Além disso, já tinha em mente a roupa ideal para o evento; e assim evitaria que Anna ficasse chateada caso ela não aceitasse sua sugestão de roupa, que provavelmente seria espalhafatosa demais para uma mulher de 28 anos.
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  – Senhor %Miller% - Lucas deu um passo para frente e, pela primeira vez para %Julia%, ela viu o moço ignorar todos os seus aparelhos e, quem sabe, os pensamentos, para dar plena atenção ao chefe -, sobre a questão da família Seixas, já está tudo certo. Liguei para o senhor Seixas e confirmei que não houve alteração nenhuma na conta, e que os investimentos continuam da maneira que ele deixou no último dia 10, rendendo. Mandei um e-mail para fechar esse problema com o resultado, com o senhor em cópia.
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  – Perfeito, obrigado Lucas. - %Henrique% permaneceu sério olhando para o mais jovem, que parecia ter ganho o mundo com a simples menção de “perfeito” vinda da boca do chefe. – Acredito que voltaremos antes das onze, caso contrário, enviarei uma mensagem avisando.
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  – Sem problema, ficaremos bem, não é? - Lucas olhou para as 7 crianças, que praticamente ignoraram-no.
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  Caique, por outro lado, já estava pronto para sair com o pai e a babá, exceto pelo sapato, que ainda estava guardado em seu armário.
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  – Você não pode ir, Caique. - Eric falou para o irmão que, ao ver que ninguém o contrariou, abriu o berreiro.
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  – %Juju%! - o menino correu para os braços de %Julia% e abraçou suas pernas. A mulher se abaixou e deixou ser abraçada pelo menino, que não queria ser separado da babá.
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  – Olha só, Caique - %Julia% começou a dizer baixo, para que o garoto fosse obrigado a parar de chorar para lhe ouvir –, o papai vai lá para a toca do Goblin, só que ele precisa de ajuda e por isso a %Juju% vai junto. Só que o Goblin não gosta de crianças, e nem o papai, nem a %Juju% vão conseguir proteger você. Você tem certeza de que quer ir com a gente? Ou você prefere ficar aqui com seus irmãos e o Lucas? - ela se aproximou do ouvido do mais novo, mas disse alto o suficiente para Lucas ouvir. – Ele disse que vai comprar sorvete de chocolate de sobremesa.
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  Caique olhou para Lucas com os olhos cheios de lágrimas, e recebeu um joinha do moço, fazendo com que não tivesse escolha a não ser aceitar que tinha de ficar sem a babá por um tempo.
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  – Você volta?
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  – Amanhã estarei aqui.
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  O menino, soluçando, voltou para o lado de Eric, que continuou assistindo à televisão, não se mexendo nem quando o pai disse para se comportarem e não dificultarem para Lucas, mas no fim, ele mandou uma piscadela para Anna, que sorriu, feliz por ver o pai confiando nela mais do que em seus outros irmãos - que eram mesmo muito criança.
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  O caminho até o carro foi de silêncio. Quando entraram no carro de %Henrique%, o homem esperou uma ou duas ruas para começar a falar tudo o que achava necessário para aquela noite:
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  – É um jantar de negócios, mas talvez seria melhor se eles não soubessem que…
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  – Eu sou a babá.
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  – É. Não deve pegar bem.
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  %Julia% riu.
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  – Acho que pode ser pior do que ir sem acompanhante.
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  – Não que eu ache isso péssimo. – %Henrique% se vê na obrigação de falar. – Posso sair com quem eu quiser, independente do trabalho que a pessoa tenha.
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  – Assim é a alta sociedade. Não é fácil permanecer nela.
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  Ele abriu um sorriso. Não era mesmo. Essa sociedade tinha regras além das que as pessoas comuns estavam acostumadas. Coisas que poderiam ser abomináveis para as pessoas, para eles eram normais e vice-versa. %Henrique% não foi aceito na alta sociedade de primeira; na verdade, nunca fez questão de fazer parte dela, mas Cássia, sim. A falecida esposa sempre quis fazer parte das festas e ter várias babás para os filhos; achava que assim seria a vida perfeita. No entanto, foi somente após seu falecimento, quando %Henrique% entrou de corpo e alma no trabalho, que ele finalmente foi aceito, pois acabou sendo peça-chave para a empresa e alvo de aquisição de outras. Viu, quando as pessoas começaram a querer se envolver com ele, o quanto tudo era por base da conveniência; ninguém verdadeiramente queria saber se você teve um bom dia, mas estar bem contigo e ter uma relação era importante. Poder falar “%Miller%? Espere aí que vou ligar pra ele e resolver” era mais importante do que sair em busca da solução e se destacar.
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  – Sei que pode ser difícil para você - %Henrique% disse, assim que virou a rua onde o presidente do banco morava –, talvez você conheça algumas das pessoas que estarão lá.
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  %Julia% sabia. Pensou nisso a tarde inteira e provavelmente o caminho inteiro até onde estavam. Caçou em sua memória quem, da turma que ela conhecia e que poderia ser um problema reencontrar, tinha acesso à roda que provavelmente estaria naquele jantar. No fim, ela apenas suspirou e aceitou o fato.
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  – Está tudo bem. Eventualmente eu teria que encontrá-los.
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  Enquanto anunciava sua chegada para a portaria, que providenciaram uma vaga para seu carro na garagem, %Henrique% pensou, admirado, em tudo o que %Julia% passou nos últimos anos devido às escolhas de seus pais, e como chegou até ali de cabeça erguida, sem medo de enfrentar os fantasmas do passado.
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  Subiram o elevador após o andar ter sido liberado para os convidados e, ao chegarem, viram que todos já se encontravam ali, talvez por terem combinado de chegar antes.
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  – %Henrique%! - Tulio, o anfitrião, abriu os braços ao ver um de seus melhores funcionários sair do elevador com sua acompanhante. – Estávamos falando agora mesmo de como resolveu a burrada que aquele Silva fez.
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  %Julia% viu o chefe abrir um sorriso modesto e manter-se calado, cumprimentando aqueles que conhecia e esperar ser apresentado aos que não conhecia.
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  – Achei que viria desacompanhado, %Henrique%, que bom saber que encontrou alguém. - Sandra, a esposa de Tulio, disse, como uma boa anfitriã.
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  – Não sei como - Tulio disse, sorrindo para %Julia% –, ele passou os últimos anos enfurnado em seu escritório. Vocês utilizaram esses aplicativos? Nossa filha mais velha surgiu com um namorado que veio daí. Até que o rapaz é bom.
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  – Caso contrário, você não o teria colocado para trabalhar no banco. – Ricardo, vice-presidente, gargalhou com as demais pessoas ali.
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  – Eu não poderia esperar o moleque se casar, nós não praticamos nepotismo.
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  “Não tão diretamente.” Todos pensaram, mas mantiveram-se calados.
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  %Julia% observou discretamente todos os convidados, mas sorriu com toda sua atenção para Sandra, quando esta veio lhe cumprimentar. Entrou à mulher o vaso de flores e as velas Jo Malone que havia comprado durante a tarde no shopping.
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  – Que adorável, obrigada por pensar em mim.
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  %Henrique% viu, imediatamente, os olhos da esposa de seu chefe sorrir para %Julia%. Sua companheira, de fato, sabia como lidar com aquelas pessoas. Pouca gente se lembrava da esposa de Tulio, já que ele trazia tanta presença por si só, mas a melhor maneira de chegar ao homem, era através de sua mulher, e a maneira mais fácil disso acontecer, é tendo uma ótima primeira impressão.
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  – %Julia%?
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  Certo. Estava tudo sob controle. %Julia% tinha certeza absoluta que encontraria com algumas pessoas de antes, mas não que seria justamente ele. Olhou em sua direção e sentiu o estômago embrulhar quando viu Vitor, seu ex-namorado, acompanhado justamente dela, Alina.
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  Se Anna tem Karina para lhe infernizar a vida, na de %Julia%, essa pessoa é Alina. Filha de um dos maiores juízes da época - agora desembargador -, foi a primeira a espalhar para todos a acusação de Paulo %Strada% - ainda que seu próprio pai fizesse parte da falcatrua, ninguém se importou ou pareceu se importar -, antes disso, no entanto, era uma das melhores amigas de %Julia%, com quem fazia todas as viagens, nacionais e internacionais, e planejava todo o futuro juntas. Foi, inclusive, quem proibiu todas as outras garotas do grupo de deletarem %Julia%, ela tinha certeza.
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  Os dois estavam um pouco atrás de Tulio, Vitor em seu melhor visual, com os cabelos bem arrumados e o terno completo, como nunca gostou de se vestir. Alina, por outro lado, vestia-se de forma parecida com %Julia%, simples, mas muito rica. Nenhum dos dois pareciam confortáveis em vê-la, mas estavam surpresos com a aparição repentina da ex-melhor-amiga e ex-namorada com aquele que era a pessoa mais esperada da noite.
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  – Ah, vocês a conhecem? - Tulio perguntou, percebendo os olhares de reconhecimento dos três. %Henrique% observou %Julia%, que mantinha-se parada, os lábios levemente curvados para cima, em uma tentativa, para ele falha, de enfrentar o casal à frente. Aquilo não podia ser boa coisa.
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  – É… - Vitor disse, sem graça. – Vagamente.
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  Imbecil. %Julia% pensou. Vagamente? Tudo bem. Era melhor do que dizer ‘sim’ e começar a noite com a exposição de sua família; ainda assim, incomodava ver pessoas com quem ela dividiu seus maiores segredos e intimidades a tratando como uma estranha, e pior, estarem juntos.
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  – Faz muito tempo que não nos falamos. - Alina, diferente de Vitor, se mostrou mais à vontade com a situação, mesmo tendo o choque inicial. – Como vai, %Julia%?
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  – Muito bem, e você? - a mulher lhe respondeu, o queixo erguido. Viu o olhar de diversão de Alina; ela adorava um desafio, %Julia% sabia, assim como também sabia que se abaixasse a cabeça e fingisse que não se lembrava dela, a divertiria ainda mais.
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  E %Julia%, apesar de ter passado por tudo que passou, tinha enraizada em si, a mania de não perder o orgulho à frente de pessoas que não mereciam.
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  – Ótima, como pode bem ver. - respondeu a ex-amiga, enlaçando o braço no de Vitor, que abriu um pequeno sorriso, mostrando-se mais à vontade, agora que parecia que estavam a dois anos atrás.
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  %Julia% sabia que havia perdido aquela briga. E sabia que perderia muito mais; mas ela sabia perder. Perdeu tudo, afinal. O que ela aprendeu, entretanto, principalmente com as crianças para quem trabalha, é sempre esperar o momento certo para se ganhar.
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  E não importa quanto tempo leve, o momento sempre vem.
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Capítulo 6
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