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História NÃO RECOMENDADA PARA MENORES ou PESSOAS SENSÍVEIS.

Esta história pode conter descrições (explícitas) de sexo, violência; palavras de baixo calão, linguagem imprópria. PODE CONTER GATILHOS

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Me Apaixonei Pela Babá

Escrita porNatashia Kitamura
Revisada por Natashia Kitamura

[Idade dos filhos]
Anna e Hugo
– 14 anos
Felipe e Arthur – 12 anos
Eric – 9 anos
Helena – 7 anos
Caique – 3 anos


Capítulo 14

Tempo estimado de leitura: 74 minutos

  %Julia% não conseguia entender. As crianças não eram assim. Não costumavam ser.
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  – Uma coisa é derrubar uma pessoa na piscina - %Henrique% disse, dois dias depois, olhando os quatro mais velhos sentados em fileira no sofá da sala do apartamento com a cabeça baixa. –, outra, é trocar o protetor solar por mel e soltar insetos próximo dela! Além disso, mergulhar carne crua no futon do spa? Uma pessoa foi mordida!
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  Flávia estava na enfermaria. Havia sido vítima de várias atrapalhadas que os %Miller% mais velhos, que tentaram, com sucesso, fazer a mulher ir embora do resort.
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  No entanto, a criatividade dos dois gêmeos foi longe demais, simplesmente porque tudo deu certo.
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  No primeiro dia, Flávia “sem querer” foi empurrada na piscina a caminho do jantar. Além disso, naquela mesma noite, seu prato vinha sempre acompanhado de um inseto morto.
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  Naquele segundo dia, a mulher passou a manhã na piscina, onde foi atacada por fortes mosquitos da região, piores que borrachudos, o que a fez ter sessões de desintoxicação e tratamento de alergias de pele no spa na parte da tarde; contudo, ao sair - ainda inchada e dolorida -, foi atacada na perna por dois cachorros de uma das famílias que havia levado para o hotel.
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  %Henrique% foi chamado no escritório da direção, que comentou sobre as câmeras de segurança, e %Julia% quem resolveu a situação - com dinheiro, obviamente -, e tudo ficou bem. No entanto, %Henrique% infelizmente foi “chamado” para resolver alguns assuntos urgentes na empresa, e a família teria que partir para São Paulo, onde teriam de se contentar em passar o ano novo no próprio apartamento.
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  – Vocês foram longe demais. - %Henrique% disse, nervoso. – A mesada será cortada por dois meses, e as viagens de janeiro também.
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  – Não!
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  – Não? Preferem seis meses de corte na mesada?
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  Os quatro permaneceram calados e abaixaram a cabeça.
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  – Se não fizéssemos isso, a Flávia ia tentar voltar para a nossa vida! – Arthur disse, desesperado, pegando os adultos de surpresa. – Não queremos mais ela!
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  %Henrique% olhou para %Julia%, que estava tão surpresa quanto ele.
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  – O que… - ele começou a dizer, mas fechou os olhos e respirou fundo. – Flávia nunca mais se envolverá com a nossa família. Eu já cansei de falar isso para vocês. Quem tem que lidar com ela sou eu, e não vocês!
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  – Nós estávamos protegendo você e a %Julia%, papai! - Anna disse, usando de sua potente arma: a doçura.
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  %Julia% segurou o riso e tentou seu melhor em não mudar a expressão séria do rosto. Sabia das intenções de Anna, mas não poderia, e nem queria, atrapalhar o momento de autoridade do pai das crianças.
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  – Obrigado por se preocuparem, mas isso é uma coisa de adultos. - apesar de manter-se firme, a voz claramente mostrou que o nervoso havia abaixado e que %Henrique% agora só tentava deixar os filhos bem. – Arrumem suas coisas, vamos tomar um lanche daqui uma hora e sair logo em seguida.
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  %Henrique% virou-se e entrou no próprio quarto. %Julia%, por outro lado, foi para o quarto das crianças arrumar as malas de Caique e Helena. Não demoraria muito, já que sempre mantinha tudo o mais organizado possível.
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  – Você está decepcionada? – Anna perguntou, entrando atrás dos três. Helena e Caique foram brincar com seus brinquedos, enquanto %Julia% se pôs a reunir os apetrechos de higiene dos dois.
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  – Um pouco. - respondeu – O que fizeram foi muito errado. Uma pessoa se machucou.
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  – Mas é a Flávia.
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  – Mesmo assim. - %Julia% disse séria. – Independente de quem seja, não significa que vocês podem ser pessoas que fazem esse tipo de coisa com outras. No caminho de volta, reflita sobre esses atos, e o que eles significariam se fossem feitos com você.
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  Anna não respondeu. Entendeu que %Julia% não estava brava por Flávia estar na enfermaria, mas porque nem ela, nem o pai queriam que eles se tornassem pessoas que fazem maldades com outras.
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  – Desculpe.
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  %Julia% abriu um pequeno sorriso que acalmou o coração de Anna. Terminou rapidamente de arrumar as coisas de Caique e Helena, e pediu para a mais velha ficar de olho neles, pois verificaria como estava o pai. Antes, passou no quarto dos meninos para conferir se estava tudo certo, e criou uma nota mental de que deveria averiguar todos os cantos do quarto depois que terminassem de arrumar. Tinha certeza que encontraria muitas peças esquecidas.
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  Assim que fechou a porta atrás de si no quarto que dividiu com %Henrique%, o homem olhou para ela e sussurrou:
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  – Eles são gênios! Dá para acreditar?
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  %Julia% riu o mais baixo possível e caminhou até ele, que se sentou na cama.
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  – Mel no lugar de protetor! Carne dentro dos futons! Como ela não sentiu o cheiro?
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  – Talvez por conta dos incensos? - %Julia% começou a arrumar as coisas dele. – Eu não acredito que eles colocaram insetos no prato dela.
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  %Henrique% quase gargalhou.
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  – Pelo menos não precisamos nos preocupar com ela por um tempo. Eles eram assim quando você entrou?
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  – Hum… você quase teve que procurar um novo lar umas cinco ou sete vezes. - ela sorriu. – E pode ser que eu tenha gastado um pouco do budget mensal com presentes para os porteiros, faxineiros e o síndico.
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  %Henrique% a puxou para perto de si e beijou-lhe demoradamente.
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  – Obrigado.
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  – %Juju%! Vamos logooo!
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  – Não é %Juju% mais, é mamãe!
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  – Ah, é. Mamãeeee!
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  – Você precisa dizer a eles que não precisam me chamar de mãe.
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  – E por quê? - %Henrique% perguntou. – É da vontade deles.
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  – Mas a mãe deles…
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  – Sei que você irá conversar com eles sobre isso. - ele disse. – E que não deixará Cássia ser esquecida.
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  %Julia% sorriu. É claro que não deixaria a verdadeira mãe ser esquecida. Era o mínimo que tinha que fazer por aquela que criou aquela família, que hoje era seu porto seguro e sua motivação.
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  – Está pronto. - ela se afastou de %Henrique% e apontou para a mala dele, que só precisava ser fechada. – Vou terminar de conferir as coisas no quarto dos meninos, você pode ir na frente com todos, fechar a conta e pedir para alguém vir buscar as malas e colocá-las no carro.
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  – Sim senhora. - ele se levantou, alisando a própria roupa. – Você é muito sensual dando ordens, sabia?
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  – Mudar os papéis é bom, para variar.
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  %Henrique% riu enquanto %Julia% saía para a área comum do apartamento. Explicou a todos o plano, e seguiu para o único quarto que não havia vistoriado. Nele, Eric ainda terminava de arrumar sua mala.
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  – Precisa de ajuda, Eric? - perguntou, abrindo os armários e pegando as peças de roupa que haviam sido esquecidas.
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  – Não.
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  Em um piscar, o silêncio tomou conta de todo o ambiente, com o resto dos %Miller% fora do apartamento. %Julia% olhou para Eric, que olhava para ela sério.
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  – Está tudo bem, Eric. Você pode se expressar.
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  – Por que você quis mandar a Anna e o Hugo para a Suíça?
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  %Julia% olhou bem para o garoto. Ele ainda era novo, mas sabia que sua inteligência se igualava à de Anna. Era reservado, e por isso foi o mais difícil de compreender. Mas ela sabia como lidar com Eric, porque ele parecia um pouco com ela.
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  – Hoje, ter um diploma já não é mais um diferencial na vida das pessoas adultas. Todos tem que ter um histórico impecável. A Suíça é uma oportunidade que pouquíssimas pessoas têm, e que vale muito mais do que vários diplomas de universidades.
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  – Você sabia que lá é um colégio interno?
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  A mulher se sentou na cama, pensativa. Sabia o quanto as crianças odiavam a ideia de irem a um colégio interno, pois foi um trauma que Flávia colocou na cabeça deles.
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  – Para você, o que é um colégio interno?
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  Eric não respondeu de imediato. Ela irá retrucar tudo o que ele disser, pois é isso o que adultos fazem. É isso o que a professora fez quando ele reclamou dos colegas de sala para ela. Disse que ele poderia se esforçar mais em tentar se dar bem e fechou os olhos para os problemas pelos quais ele passava.
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  – Um lugar onde os alunos obedecem mais regras do que veem a luz do dia. Estudam o dia inteiro e não têm tempo para brincar. Precisam estar na cama e comer comida de buffet todos os dias. Eu pesquisei e vi que é assim. Você não tem que dizer que não é.
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  – Bem, você tem razão, mas em parte.
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  Eric finalmente mostrou-se atento ao que ela iria dizer.
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  – O horário de aula realmente é mais longo, mas isso não quer dizer que todas as aulas são as mesmas do colégio normal. Existem aulas, por exemplo, de velejar ou montar aparelhos eletrônicos. Às vezes, as aulas da manhã são trocadas por aulas à noite, onde vocês podem estudar as estrelas e os planetas com telescópios. Existe aulas de biologia florestal em campo, assim como anatomia com animais que são praticamente iguais aos verdadeiros.
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  “E a comida é de buffet, mas o cardápio varia. Pode ser comida japonesa, brasileira, italiana, chinesa… e os pratos internacionais. Ou às vezes os próprios alunos podem preparar suas próprias comidas.”
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  – E quando você é maior, você tem aula de economia, para saber cuidar do seu dinheiro. E de recursos humanos, para saber se comunicar. Em casa você também tem horário para dormir; isso não significa que irá dormir sempre neste horário. Sei que fica jogando até mais tarde, apesar de preferir que não fizesse isso durante a semana.
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  – Como você sabe disso?
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  %Julia% sorriu.
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  – Porque eu estudei em um colégio interno.
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  Eric não soube como reagir. Estava surpreso. Não esperava que %Julia% tivesse passado por esse pesadelo antes. Apesar de que… não parecia bem pesadelo.
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  – Seus pais te odeiam?
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  – É claro que não! - ela sorriu. – Muito pelo contrário. Eles me amam muito.
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  – Então…
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  – Eric - ela segurou em sua mão –, não sei o que Flávia te disse que um colégio interno é, mas não é esse lugar horrível que você projetou na sua mente. É um lugar bom, com pessoas legais.
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  – Não existe lugar bom com pessoas legais - ele disse, mal humorado. – Sempre tem pessoas ruins e que preferem ignorar para não ter problema.
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  Uma lâmpada acendeu na cabeça de %Julia%. Aquela opinião não era certa para um menino de 10 anos, muito menos dita com tanta convicção.
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  – Eric - ela se aproximou com cuidado –, por que você não traz seus amigos para casa? Posso organizar algumas coisas para vocês se divertirem. Seu aniversário está chegando, e…
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  – Não quero.
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  – O que não quer?
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  – Não quero… - a voz do menino morreu. Suas mãos se contorceram e ele tentou se levantar, mas ela o segurou.
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  – Eu não farei nada que você não queira. - ela avisou. – Mas posso acabar com todos os seus problemas. Você pode confiar em mim. - procurou pelos olhos dele, mas não os encontrou. Estavam escondidos por trás das pálpebras fechadas. – Está tudo bem na escola?
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  O menino não respondeu. As mãos, por outro lado, fizeram o trabalho por ele. %Julia% sentiu-as tremer. O estômago dela embrulhou e a raiva se instalou bem em seu âmago. Respirou fundo e, com toda a calma e doçura que conseguia reunir naquela situação, perguntou:
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  – Quem lhe fez mal? Você quer me falar?
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  Ele balançou a cabeça.
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  – Tudo bem. - ela se aproximou dele. – Você não precisa me dizer nada. Pode, somente, balançar a cabeça e eu irei interpretar. - ela pausou e, ao ver que ele não se mexia, voltou a falar: – Você entrou em uma briga?
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  Eric mexeu a cabeça em negação.
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  – Brigaram com você?
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  Ele concordou.
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  – Te bateram?
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  Apesar da cabeça não se mover, as mãos voltaram a se mexer.
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  – Acontece com frequência?
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  De forma trêmula, a cabeça do menino se moveu para cima e para baixo.
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  %Julia% respirou fundo mais uma vez, mantendo a calma por Eric.
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  – Você falou com alguém?
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  Sim.
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  – Um professor?
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  Sim.
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  – Eles te ignoraram?
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  Sim.
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  – Você quer me dizer desde quando isso acontece?
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  O menino desatou-se a chorar. %Julia% limitou-se a puxá-lo para seus braços e apertá-lo forte, a fim de mostrar a ele que estava seguro e que ela o protegeria dessa situação.
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  – Obrigada por ser forte. - sussurrou no ouvido do menino. – Você fez bem até agora. Não se preocupe mais, Eric. Tudo vai mudar.
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  Uma hora depois, %Julia% havia se unido aos %Miller%. Eric havia ido mais cedo para se unir ao pai e aos irmãos, pois %Julia% ficou para trás para orientar os funcionários com as malas.
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  Quando chegou no salão onde os lanches eram servidos, Eric foi para a mesa onde os irmãos comiam e o pai conversava com um casal que havia ido se despedir, pois souberam da saída repentina da família %Miller%.
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  – O que ta acontecendo? - ele perguntou aos irmãos.
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  – Um monte de gente veio beijar os pés do pai só porque a gente vai embora. - Hugo ergueu os ombros enquanto mordia um pedaço do sanduíche.
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  – Então tem muita gente que conhece a Flávia aqui? - Eric olhou ao redor, onde muitas famílias olhavam para a mesa deles.
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  Olhou ao redor e viu o telão usado para passar os desenhos animados para a área infantil, mas que podia ser vista de todo o salão, para benefícios dos pais que queriam os filhos comendo junto na mesa.
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  – Vocês querem garantir que a Flávia não chegue perto do papai? - Eric perguntou para os irmãos, que se entreolharam. – Eu tenho um plano.
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  – Ah, até que enfim! - Arthur deu um tapinha de leve no ombro de Eric, que arregalou os olhos, surpreso. – Achei que você não faria nada pra ajudar a gente! - e riu com Felipe.
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  – E-eu…
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  – Foi elogio, Eric - Anna disse –, fala o plano.
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  – Espera! Isso vai detonar a nossa Disney? - Hugo perguntou, exasperado.
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  – E o que importa, Hugo? Já estamos ferrados. Garantir que a Flávia não volte é muito mais importante! - Anna deu um tapa no irmão. – Meu Deus, o Eric consegue ser mais inteligente que você.
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  O insulto, por mais que tivesse que ter ofendido Hugo, fez com que Eric corasse. Talvez os irmãos não fossem tão maus… ele só precisava se deixar conviver junto deles.
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  – Mas eu já falei pra todo mundo que ia… - resmungou, mas ainda assim se aproximou de Eric para ouvir o plano.
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  – Desculpe a demora - %Julia% tocou no braço de %Henrique%, vendo-o sorrir ao vê-la ao seu lado, imediatamente envolvendo-a com sua mão –, quis garantir que as malas fossem todas carregadas no carro.
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  – Obrigado. - ele disse e voltou a olhar para o casal que assistia os dois. – Marcelo estava dizendo…
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  De repente, um som alto tomou conta do salão, chamando a atenção de todos para o telão ao fundo. Ninguém se importaria muito e apenas reclamariam para os funcionários resolverem logo, mas a imagem de Flávia fez com que todos prestassem atenção:
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  “20 de fevereiro de 2017.
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  – Vou me arrumar daqui a pouco. Vou sair com %Miller%. É, o %Miller%. Querida, enquanto ele pagar as minhas contas, eu continuarei na cama dele. - Flávia ria deitada de bruço na cama de %Henrique%, folheando um catálogo de revista. – Aquela Borges está se mordendo de inveja de mim, como bem deveria. Por quê? Porque mais, amiga? Porque estou dormindo com os homens que ela queria, é claro. %Miller%, Duarte, Andrade…”
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  – Meu Deus! - algumas vozes murmuraram, chocadas, enquanto o vídeo da câmera escondida continuava gravando alguns nomes que Flávia continuou a falar.
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  %Julia% olhou para %Henrique%, que estava tão chocado quanto ela. A mulher olhou para Gabriela Andrade, que até então estava muito amiga de Flávia e viu o rosto da mulher ficar branco e olhar para o marido, que pelo contrário, estava vermelho por ter sido pego.
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  “14 de Abril de 2017.
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  – Você gosta disso, meu bem? Por que você não pede para sua mulherzinha, ao invés de ficar me procurando? Mas faço isso porque quero o seu bem; veja só, tenho certeza que a magricela da sua esposa não se produz para você assim como eu. Você gosta dessa cinta-liga, Renato? Irei te mostrar na próxima vez que vier me visitar, mas só se você for bem malvado com sua filha mais velha. Ela anda muito malcriada comigo e só sabe usar o seu sobrenome de escudo… Duarte, Duarte, Duarte… Você não prefere ele saindo da minha boca ao invés dela?”
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  “27 de Julho de 2017.
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  – Acabei de falar para o Toffi que estava fora de São Paulo, para ver se ele para de me procurar um pouco. %Miller% está se afastando de mim, preciso manter ele nas rédeas, ou não conseguirei convencer ele de mandar aquelas pestes para o internato. Você precisará me encobrir, amiga. Eu sei que ele é nojento, mas posso fazer ele pagar aquela lipoabdominoplastia que você queria. Quanto era? 30 mil? Isso não é nada… você só precisa saber pedir, entende? Faça bom uso da boca, querida.”
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  – Alguém desligue isso! - a voz de um homem soou ao fundo, e nem %Julia%, nem %Henrique% quiseram se virar para confirmar que era um dos alvos mencionados.
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  No entanto, ninguém se mexeu para concordar. Até então, muitos sobrenomes e nomes importantes da nata haviam aparecido. Todos queriam saber quais os próximos nomes seriam mencionados e fazendo qual tipo de atrocidade. Quando um funcionário se aproximou para desligar, um homem que %Julia% e %Henrique% reconheceram ser amigo próximo de Rodrigo Burges, o homem convicto a acabar com a nata, o impediu.
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  “Novembro de 2017.
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  Flávia estava de frente a um espelho fazendo o procedimento de beleza no rosto, conversando com o celular no viva-voz:
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  – Você devia ter sido mais comedida. Minha esposa me perguntou sobre a compra.
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  – Ora, você me disse que ela não tinha acesso à sua conta.
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  – Ela, não, mas meu filho mais velho tem.
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  – Bem, você precisa dar um jeito nisso. Ou quer que eu te devolva o cartão? Sabe o que isso significa.
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  Um silêncio se instalou por um tempo, que ela usou massageando o rosto com um sorriso estampado.
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  – Não. Darei um jeito. Preciso que você resolva o problema com Costa. Ele está me dando um trabalho para a aprovação daquele plano das malas.
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  – Isso porque não é com o Costa com quem eu tenho que lidar, meu bem. Ele não se envolve com isso, você sabe.
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  – Você pode usar %Miller%.
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  – Marques, quantas vezes preciso te dizer que %Miller% não é mais carta no jogo?
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  – Você pode conquistá-lo de volta.
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  – Não foi assim tão simples. - Flávia suspirou. – Vou tê-lo de volta, mas preciso dar esse espaço para ele. Mal parece que você é homem, meu bem. Orgulhosos do jeito que são, se eu me aproximo agora, só irei me humilhar. Peça para a Bruna Hoff fazer isso por você.
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  – Não pode ser ela. Ela está com Cruz e Ogawa.
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  – Falando em Cruz, que papo é esse de passar o valor da empresa dele para a conta fiscal?
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  – Foi necessário para conseguirmos fechar com Kim.
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  – Vocês são mais cadelas do que as putas que comem. - ela balança a cabeça e ouve a risada do homem. – Quem te viu, quem te vê, Burges.”
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  %Julia%, junto de outros, abriu a boca em choque ao ouvir o nome de Rodrigo Burges. O homem que até então havia parado o funcionário, não soube bem o que fazer, e quando tentou tomar uma atitude, foi tarde demais. Os dois lados pareciam em crise, mas ambos queriam continuar ouvindo e gravando, para ver quem perderia mais.
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  “Dezembro de 2021.”
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  – Esse mês? - murmuraram entre si.
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  “– Você precisa garantir que %Julia% %Strada% irá beber dessa bebida durante o jantar. - Flávia entregou um pequeno plástico, menor do que a palma da mão, para um funcionário do hotel.
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  – Eu não quero matar ninguém.
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  – Meu bem, eu não transei com você a noite inteira e te dei todo aquele dinheiro, para você me dar para trás agora. Faça o que mandei, ninguém vai descobrir nada.
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  Na cena seguinte, Flávia estava acompanhada de Horácio Andrade, marido de Gabriela, em um lugar vazio do hotel.
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  – Sentiu minha falta, querido?
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  – E como! Podemos ir para o seu quarto?
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  – Está com medo? - Flávia sorriu. – De ser pega por algum dos seus meninos ou sua esposinha?
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  – Pare de brincar e vamos para o que interessa.
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  Flávia encostou na parede e passou uma perna pela cintura do homem, o fazendo parar de apressar e olhar para ela.
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  – Você disse que %Miller% estaria em um quarto mais próximo do meu.
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  – E eu ia saber que ele ia querer um apartamento? Já fiz Gabriela ficar a seu favor, tenha isso em mente.
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  Flávia riu.
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  – Pobrezinha… mal sabe ela que dorme com o lobo todas as noites. Qual foi a desculpa de hoje?
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  – O que mais? - Horácio riu. – Negócios. Bons negócios.
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  Flávia riu e beijou o homem.
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  – E a %Strada%? - ele perguntou, enquanto passava a mão por entre as pernas da mulher, acariciando um ponto dentro da roupa.
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  – Não passa dessa noite.
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  – Ótimo. Estão me amolando muito para sumir com ela.
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  – Quem são esses chatos, afinal? Você fica muito tenso por causa disso.
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  – Quem mais? Você sabe melhor que eu.
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  – Ah… Achei que Marques e o Salles Junior já tivessem mudado os planos.
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  Horácio riu.
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  – Eles, juntos com o dois Moreiras e o Camargo são cachorrinhos do Kim.
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  – Igual você e sua esposa.
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  – Não… - Horário disse, ocupado com o pescoço de Flávia. – Eu sou pertenço a outra.
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  – Bom menino.”
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  O vídeo chegou ao fim, mostrando somente uma tela preta em resposta. %Julia% olhou ao redor e, por força do hábito em agir depressa, falou para %Henrique%:
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  – Esconda seu rosto e pegue as crianças.
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  Em seguida, outras pessoas fizeram o mesmo, enquanto algumas tentavam capturar o rosto de todos que estavam no local.
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  – Para o carro! Escondam o rosto, - %Julia% chamou pelos cinco mais velhos, que entenderam a urgência, pois o caos se instalou no salão. %Henrique% pegou Helena no colo, e %Julia%, Caique. Por sorte, o check-out do hotel já havia sido feito e o carro já estava pronto para partir.
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  Tudo o que a família fez foi sair da correria que se instalava entre as pessoas, passar pela algazarra que se formava na recepção do hotel, que recebia várias pessoas tentando fechar as contas para sair e outras que ligavam para os próprios advogados, e entrar no carro que estava próximo da área, por ter sido pedido com antecedência por %Julia%.
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  – O que ta acontecendo? - Arthur perguntava, olhando as pessoas do lado de fora do carro em plena correria.
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  – Arthur, cala a boca! - Hugo quem respondeu o irmão, que tentou manter a briga, mas, ao receber um tapa de Anna, Felipe e Eric, acabou se calando. O irmão mais novo nunca havia feito nada para ele, o que o deixou surpreso por ter concordado com os outros.
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  A família permaneceu em silêncio, ouvindo somente o som do desenho na pequena televisão que havia para Caique e Helena. Os demais colocaram os próprios fones de ouvido para assistir ou jogar o que quisessem.
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  Anna olhou para trás, para ver se todos estavam bem acomodados, pois haviam entrado no carro com muita pressa, e também aproveitou para conferir se alguém prestava atenção nela e %Henrique%.
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  Pela primeira vez desde que entrou para trabalhar na família, Eric era o único que estava sem os fones.
  – Eric - %Julia% disse, olhando antes para %Henrique%, que dirigia tenso –, você tem algo para nos dizer?
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  – E-eu… tenho um amigo. Na internet.
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  – Um amigo? - %Henrique% perguntou, mas %Julia% tocou em sua perna em um sinal para que esperasse e deixasse ela lidar com tudo.
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  – Está tudo bem. Você fez esse amigo no jogo?
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  – Foi. Ele me ensinou truques de como conseguir mais vidas e poder sem precisar comprar ou ganhar.
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  – Bem, conversaremos sobre o significado disso mais tarde. - ela o olhou. – E o que mais?
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  – Ele disse que descobre as coisas ruins das pessoas. Eu dei o nome da Flávia.
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  – Você quem gravou a maioria daqueles vídeos?
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  – Eu não sabia que seria ruim. Só queria mostrar para o papai que ela falava com outros homens que não era ele.
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  %Henrique% apertou a direção e %Julia% acariciou sua perna, para que ele não se deixasse levar, pois estava dirigindo com toda a família dentro do carro.
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  – Que tal parar na próxima parada? - ela olhou para o homem, que não respondeu devido à tensão.
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  Quando chegaram no local, Anna e %Henrique% acompanharam as crianças no banheiro, e em seguida deixaram que elas pegassem o que quisessem para comer. Enquanto isso, Eric lhe contou que o amigo era hacker e havia conseguido alguns vídeos do celular de Flávia, mas nada demais. Os outros vídeos, Eric havia gravado do celular, mas deixado de lado quando o pai terminou com a ex. Agora que ela aparentemente estava de volta, ele recuperou tudo e criou o vídeo para mostrar para o pai.
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  – Se todo mundo visse, a Flávia teria que ir embora de vez, porque todo mundo iria ver que ela é uma pessoa ruim.
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  – Meu Deus… - Eric o puxou para um abraço. – Me desculpe, filho. Eu deveria ter percebido naquela época.
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  O garoto não respondeu. Ao invés disso, olhou para %Julia% e, desvencilhando-se dos braços do pai, foi até a mulher sussurrar algo em seu ouvido.
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  – Não se preocupe. Vou conversar com ele. Está tudo bem. Pode ir pegar seus doces.
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  Eric saiu correndo para a área onde os irmãos enchiam uma cesta de guloseimas e discutiam o que poderiam levar a mais ou não.
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  %Henrique% olhou para %Julia% curioso. Não esperava que Eric e ela estivessem já tão próximos. Quando foi que aconteceu? Há dois dias, o menino parecia odiar a ideia dela estar namorando o pai.
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  – Tudo bem. Eu vou te contar tudo. Preciso que você fique calmo.
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  – Isso não ajuda.
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  – Primeiro, você vai ter que ligar para um advogado. Se descobrirem que foi Eric quem postou o vídeo, pode ser que haja problemas. Apesar de que não acho que acontecerá algo assim.
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  – Não acha que haverá problemas?
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  – Não acho que chegarão à conclusão de que uma criança de 11 anos fez aquilo. Além disso, estarão ocupados demais em descobrir a veracidade daquilo e acabar uns com os outros. Mas é bom se prevenir.
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  – Tudo bem, farei isso assim que você me contar o que tanto você e Eric têm de segredo.
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  – Pode ser que esse trauma que ele tenha de colégio interno não venha somente de Flávia. - ela disse. – Eric está sofrendo bullying na escola. Aparentemente, os colegas de classe batem nele. Os professores fecharam os olhos, porque as crianças devem ser filhas de pais importantes para a escola.
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  – Mas que diabo... - %Henrique% se levantou, mais do que nervoso. Seu filho estava apanhando na escola e os professores, quem deveria manter a ordem e cuidar das crianças, ignoram? – Que porra é essa?
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  – Eu disse para você ficar calmo. - %Julia%, tranquila por si só, segurou na mão dele, o puxando para voltar a se sentar. – Temos que pensar em Eric. Vamos mudar ele de escola. Podemos visitar algumas em janeiro.
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  – Temos que resolver as questões com a escola! Não pago uma fortuna para eles deixarem meu filho sofrer fisicamente e psicologicamente!
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  – Isso quem irá tratar serão os advogados. Vamos sentar com eles e ver quais opções temos. Se necessário, você irá mexer alguns pauzinhos. Mas só se necessário. Com essa confusão toda, é bem capaz de você ter mais poder do que acha.
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  Agora %Henrique% conseguia entender o que era o poder. Poderia fazer muitas coisas para proteger os filhos. Coisas que poderiam ser até errada para outros, mas se garantisse a segurança e alegria dos seus filhos…
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  – Você não vai sujar as mãos assim, %Henrique%. - %Julia% disse, cortando sua linha de pensamento. – Você não é essa pessoa.
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  Os ombros do homem caíram. Sentia-se um inútil. Totalmente incompetente. Olhou para os filhos ao fundo, brincando e brigando entre si, mas com sorrisos nos rostos e brilho nos olhos. Sabia da sorte que era de tê-los como filhos. Sabia que grande parte era porque eles tiveram uma ótima mãe para lhes ensinar; e agora tinha uma nova pessoa para continuar cuidando bem.
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  Mas ele… era um inútil. Não fez nada senão criar traumas nas vidas de suas crianças.
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  – Pare. - uma voz surgiu, e mãos firmes seguraram seu rosto. – Olhe para mim.
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  %Henrique% enxergou o rosto de %Julia%. Tão pequeno, tão delicado e tão forte.
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  – Você é um ótimo pai. Aquelas crianças te amam. Veja tudo o que elas fizeram nos últimos dias para te proteger. Porque as querem com elas. Você criou uma família incrível, %Henrique%. Pare com esses pensamentos e foque na solução.
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  O homem respirou fundo e fechou os olhos. Abraçou %Julia% e deixou-se ser abraçado.
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  – Obrigado. - murmurou, a voz abafada no dorso do pescoço da mulher.
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  Apesar de ser praticamente véspera de ano novo, advogados e mais advogados trabalhavam fervorosamente. Os do %Miller%, no entanto, assistiam ao caos com atenção, para não perderem nenhum detalhe que fosse importante para a família.
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  Era véspera de ano novo, e, devido à forças maiores, grande parte da sociedade paulistana havia decidido passar o feriado em casa. Por conta disso, algumas famílias decidiram se reunir para não passarem sozinhos - aqueles, pelo menos, que não estavam prestes a cair na berlinda.
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  Ninguém, com exceção de %Henrique%, %Julia% e os três advogados contratados por %Henrique%, sabiam que o vídeo havia sido posto por Eric. Os três assinaram um termo de confidencialidade, para que o menino jamais fosse prejudicado por esse caso.
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  – Muito bem - %Julia% disse para as sete crianças ao seu redor. –, a regra é: não quebrem, manchem ou destruam nada.
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  A família %Strada% e a família %Miller% haviam sido convidadas pelos Costa, para se reunirem na cobertura dos Costa junto de outros próximos – e que não estavam envolvidos no escândalo –, e celebrarem a virada do ano.
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  Quando chegaram na cobertura, encontraram quase todos já presentes.
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  – %Miller%, até que enfim! - Tulio foi o primeiro a saudá-los. – Ora, ora. Se não são todos parecidos com você, hein? - olhou para as sete crianças, que estavam ao lado e atrás do casal.
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  – Boa noite - Sandra se aproximou da família com um sorriso –, querido, não assuste as crianças. Que lindas! Sandra, prazer.
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  Educadamente e uma a uma como %Julia% ensinou, as crianças foram se apresentando, fazendo %Henrique% sorrir com a educação pouco praticada dentro de casa.
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  – Por que vocês não vão para o mezanino brincar com as outras crianças? - Sandra apontou para a escada que levava ao local, onde ouviam-se risos e gritaria.
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  – Vão e se comportem - %Henrique% disse, ao ver que as crianças olharam para o pai e, com sua permissão, correram para as escadas, onde os levariam para um lugar mais divertido que aquela reunião de adultos à frente.
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  – Tudo certo, %Miller%? - Tulio levou o homem para o lado onde outros aguardavam para conversarem sobre os acontecimentos recentes.
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  Sandra, por outro lado, acompanhou %Julia% até onde estavam as mulheres. Ela havia informado, através de uma nota levada por um funcionário, que estariam presentes somente pessoas de confiança, por isso, %Julia% não precisaria ficar cautelosa sobre o que falar.
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  – Oi meu amor - Daisy logo abraçou a filha. Ter descoberto a tentativa de assassinato da filha a deixou ainda mais determinada a acabar com todas as pessoas da nata. Ela não podia acreditar que pudessem ir tão longe para impedirem a família de voltar; mas por sorte, tudo deu certo. Os advogados de %Henrique% encontraram o funcionário manipulado por Flávia para assassinar %Julia%; o homem acabou confessando que se envolveu com Flávia e aceitou a proposta após ser conquistado por ela, mas acabou desistindo na hora de realizar o ato e fugiu. A confissão foi o suficiente para terminar de acabar com Flávia, que mesmo dentro do hospital, foi obrigada a responder pelos processos que recebeu de várias pessoas.
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  Ainda assim, a briga estava mais ativa do que nunca, e todos só esperavam uma coisa: David Kim mexer os pauzinhos.
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  – Como você está, %Julia%? – Amanda perguntou. Ela e Thales voltaram das Maldivas após a bomba explodir em São Paulo; Sandra e Túlio estavam na França quando receberam a notícia. Borges, um grande amigo de Túlio e acionista do banco, provavelmente foi excluído da lista porque ele mesmo consta na lista de conquistas de Flávia. No momento, o melhor a se fazer é manter-se longe de quem pode ser prejudicial, mesmo sendo grandes amigos.
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  – Bem melhor - %Julia% sorriu para a colega –, está tudo acontecendo muito rápido.
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  – Eu imagino, pobrezinha. Descobrir que tentaram te… nossa, nem consigo dizer. Que covardia daquelas pessoas!
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  – Ouvi dizer que Rosso finalmente aceitou os casos. – Sandra comentou, trazendo mais seriedade para a conversa. As mulheres presentes se entreolharam e esperaram que a pessoa mais adequada a falar tomasse a frente.
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  – Parece que o número de provas está tão explícito, que tornará o julgamento mais… claro. – Andressa, a esposa do vice-presidente do banco, tomou um gole do vinho após o comentário. Ela estava muito orgulhosa por ter acompanhado Sandra, que se mostrou sempre tão segura em seus passos; seu lema sempre foi encontrar a pessoa certa a quem depender. Se não fosse por ela, o marido jamais estaria na vice-presidência, e com certeza faria parte da lista de pessoas envolvidas no escândalo. – Muitos nomes importantes estão caindo. Muitos casos abafados estão sendo reabertos.
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  – Inclusive o seu, %Strada%. - uma outra mulher olhou para Daisy, que abriu um pequeno sorriso. – O que pretendem?
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  A mulher ergueu os ombros.
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  – Não é como se tudo fosse se resolver agora. Estamos aguardando o anúncio da reabertura. Vamos lidar com cautela.
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  – Claro – Sandra disse –, é possível que algumas pessoas voltem à vida.
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  – A maioria não. - Daisy olhou para a mulher. – Estão todos envolvidos em seus próprios processos.
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  O silêncio, %Julia% pensou, era o mesmo que se tivessem dito “ótimo”. Era ótimo que as antigas amigas da mãe não ousassem entrar em contato com ela. Não queriam, também, se humilhar, porque o orgulho ainda era alto, ao contrário de Daisy, que faria o que fosse preciso.
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  – O caso está no horário nobre - Andressa bebeu um gole da bebida -, e se tornou público. Quando isso acontece, só há uma coisa a vir em seguida: mais processos.
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  A mulher estava certa. Quando um caso como os que estavam aparecendo vinha à público, todos enxergavam na fraqueza, a oportunidade de receber justiça ou então se aproveitar para ganhar algum benefício. Funcionários e ex-funcionários das empresas processando os patrões ou abrindo a boca para não serem afundados junto; negócios eram fechados na surdina para tentar amenizar a situação, e advogados eram acionados para saber qual a forma de conseguirem a menor punição possível, já que não era possível escapar da perda.
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  Mas se Ian Rosso entrava como juiz, era porque a perna não seria nada menor do que a mesma sentença que ele deu a Paulo %Strada% há anos.
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  O juiz era famoso por não ser parcial e dar a sentença mais justa vista na posição de juiz. Ele não se deixava levar por benefícios, nem tampouco gastava meses ou permitia ser gasto todo esse tempo. Tinha credibilidade de retrucar outros juízes e desembargadores.
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  Por anos ele recusa casos como os de Paulo %Strada%, pois sabe que há muita falcatrua envolvida e não gosta de como esses casos se desenrolam; entretanto, a aceitação acontece quando a sentença é explícita, completamente injusta para uma das partes ou, como agora, foi um erro cometido pelo próprio. Ninguém considera a sentença de %Strada% como um erro, já que veio de Rosso; mas se o homem aceitou rever o caso, significa que há algo a ser revisado. E se há, quer dizer que %Strada% pode ter sido vítima.
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  As conversas que aconteceram entre os presentes era sobre os próximos passos a serem dados. Como todos estavam relacionados, era importante manter a confiança e a fidelidade entre si, já que não queriam ser vistos como pessoas próximas da nata, nem dos novos ricos, grupos atingidos pelo escândalo.
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  – %Julia%, vamos tirar uma foto!
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  A mulher olhou para as irmãs, que chegaram bem depois de todos, pois haviam ido se encontrar com um grupo de amigos que tentavam se aproximar dos %Strada% para o bem de suas famílias.
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  – Foto? Comigo?
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  – Você está mega famosa! - Yasmin disse, puxando a irmã para ficar no meio das duas. – Tudo porque tentaram te matar.
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  – Imagina se tivesse sido uma de nós? - Laura olhou para a gêmea, animada. – Nossa, estaríamos no jornal das nove com certeza!
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  %Julia% permaneceu calada ouvindo as duas falarem uma besteira atrás da outra. A esperança da futilidade ter diminuído nos últimos anos por conta de tudo o que passaram sumiu, e ela apenas decidiu aceitar que as duas jamais criariam consciência de tudo o que estava acontecendo. Ela precisava garantir que as duas se casassem com pessoas do bem, caso contrário, poderiam acabar na berlinda.
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  Próximo da meia-noite, o grupo se reuniu próximo à sacada da cobertura, de onde poderiam assistir os fogos de artifício encomendados por Tulio. As crianças pareciam despertas, e as que dormiram, como Helena e Caique, foram colocadas em um quarto com duas babás para cuidarem delas.
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  %Henrique% se pôs atrás de %Julia%, e abraçou-a pela cintura. Havia, logo que chegou do resort, visitado Paulo. Achava importante ele mesmo conversar com o homem sobre o relacionamento, e também o que havia acontecido e provavelmente estava para acontecer na vida de todos. Paulo foi muito cauteloso na hora de falar sobre a filha.
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  – Ela é o meu bem mais valioso e passou por muita coisa por minha causa. Não quero, nunca em vida, vê-la sofrer novamente.
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  – Entendo. - %Henrique% disse, de pé na frente do homem que havia contratado há pouco mais de um ano e meio. – Irei protegê-la.
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  – Não acho que ela precisa de proteção, %Miller%. - Paulo sorriu. – Ela é bem mais forte que nós dois. Mas %Julia% precisa de um salva vidas. Para o momento em que ela fraquejar, pois é humana como todos nós e está suscetível a isso. Nesse momento, você precisa estar disposto a tudo por ela, caso contrário, é melhor que continue sob meus cuidados.
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  – Tenho confiança de que farei bem o meu papel, senhor %Strada%.
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  – Ótimo. Não sou forte o suficiente, acho. Mas sei quando outra pessoa é. Você é inteligente, %Miller%. Consegue lidar com pessoas como Kim.
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  E era isso o que os dois esperavam.
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  – Três! Dois! Um! Feliz ano novo!
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  Os fogos de artifício começaram em um show que durou 8 minutos. Não era muito, devido à lei local, mas foi o suficiente para aquecer os ânimos de todos no grupo. %Henrique%, pela primeira vez, beijou %Julia% na frente de qualquer um que estivesse por perto, e por isso ouviu risos e sons de vômito por parte dos filhos.
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  – Feliz 2022. - ele disse a %Julia%, que sorriu e olhou nos olhos do agora ex-chefe.
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  – Feliz 2022.
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  O casal foi separado pelos filhos, que apertaram os dois em abraços e pedidos para o novo ano - como a absorção do castigo da mesada e das viagens -, mas não foram bem-sucedidos, pois o pai estava mais do que disposto a agir como o pai que devia ser.
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  Enquanto todos se cumprimentavam, %Julia% aproveitou para dar uma olhada em Caique e Helena. Caminhou até o quarto das crianças e sorriu para as babás que estavam entretidas em seus celulares, provavelmente mandando mensagens para familiares e amigos.
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  – Não se preocupem comigo. Feliz ano novo. - sorriu para as duas, que voltaram a se sentar.
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  Ao ver que as duas crianças %Miller% estavam em bom sono profundo, caminhou para fora do quarto, agradecendo as duas funcionárias pelo serviço. No caminho de volta para a sala, sentiu o celular vibrar. Ao conferir, viu que era uma mensagem de texto:
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  Le Boutique, 2am. Venha sozinha. – A.
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  Só podia ser brincadeira. Alina achava mesmo que ela ia cair nessa? Não se encontraria, jamais, em um lugar escolhido por ela e sozinha.
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  Soho, 1h30. Estarei sem %Miller%. – J.
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  Se David estava desesperado a ponto de fazer Alina começar a mexer os palitos, então teria que ser da maneira que ela queria.
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  Foi até %Henrique% e mostrou a mensagem. O homem a olhou, preocupado, e disse que era melhor ligarem para um dos advogados, mas %Julia% achou melhor não. Alina saberia. Ela poderia se preparar para isso. Faltava uma hora e o Soho não era tão longe. Além disso, tinha certeza que não corria risco de vida; ela já não era mais um problema para Kim, mas talvez uma solução. Sabia disso. %Julia%, eventualmente, seria chamada para depor como vítima de tentativa de homicídio qualificado. O peso do depoimento dela poderia fazer diferença para algumas pessoas, boa parte delas ligadas a Kim.
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  O Soho é um bar aberto, mas com muitas áreas particulares, impedindo de serem cometidos atos que precisassem ser feitos às escuras. O local estava cheio, mas um telefonema de %Julia% e a menção do nome de Alina fez com que o estabelecimento conseguisse uma das privativas para as duas.
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  Quando %Julia% chegou, o lugar estava vazio. É claro. Alina gastaria um tempo observando o lugar de longe; era possível, já que estava tudo em aberto. %Julia% faria o mesmo, por isso, sentou-se pacientemente em uma das poltronas de frente para a porta e aguardou.
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  %Henrique% disse que esperaria do lado de fora. %Julia% lhe disse que poderia ser que alguém o seguisse, então o convenceu a estacionar próximo, mas nem tanto, do lugar. Queria que Alina soubesse que estava livre para falar o que quisesse.
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  – Você é mesmo uma pessoa muito teimosa, %Julia%. - a voz de Alina tomou o lugar às 2 da manhã. %Julia% olhou para a mulher que se sentou na poltrona da frente e pediu por uma bebida para a funcionária designada a atendê-las.
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  – O que posso fazer, se as oportunidades caem nas minhas mãos?
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  Alina permaneceu encarando %Julia%. Esta, por outro lado, pegou o celular e a bolsa, e deixou tudo na mesa entre as duas. A outra compreendeu o ato: %Julia% queria mostrar que não havia escuta para gravar o que falariam, e que não havia nada para machucá-la. Assim, fez o mesmo, colocando o próprio celular e a bolsa de frente para as de %Strada%.
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  – Como passou a virada?
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  – Bem melhor do que há três anos, com certeza. E você?
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  – Consolando Victor. Há muitas perdas na vida dele. - Alina olhou para as unhas e então para %Julia%. – Ele foi demitido.
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  – É mesmo? O que pode ter acontecido para ele ser afastado assim, tão de repente?
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  Alina abriu um pequeno sorriso.
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  – É o que acontece com as pessoas fracas. Você deve saber bem.
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  – Bem, então tenho que manter meus olhos nele. As coisas que se aprende quando se está fraco…
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  Duas batidas fracas na porta avisaram da chegada das bebidas. Silenciosamente, a funcionária depositou os copos e cartões na mesa, com cuidado para não tocar em nenhum pertence das clientes, e se retirou rapidamente.
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  – Ouvi dizer que você quase morreu.
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  – Ouviu dizer? - %Julia% riu.
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  Alina mostrou-se ofendida.
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  – Você não acha que eu quem mandei, acha?
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  – Você? Não… Mas quem sabe, seu pai?
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  – E por que meu pai faria isso?
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  – Não sei. Me diga você, Alina. Por que ele faria uma coisa dessas?
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  As duas permaneceram em silêncio, farpas sendo trocadas pelos olhos. %Julia% decidiu não dizer nada até que Alina dissesse. Enquanto isso, observou a ex-melhor amiga. Ela estava exatamente da mesma maneira da última vez que a viu: cabelos longos, pretos, lisos e retos, parte genética, parte efeito de um tratamento de alisamento. A pele com pouca maquiagem e as roupas de tons sóbrios. Alina odiava usar muitas cores, e mais ainda estampas. Essa era %Julia%.
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  – Vamos ao ponto, %Julia%. - Alina depositou a bebida de volta à mesa e olhou para a outra. – Seus contatos estão dando muito trabalho para mim.
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  – Ou, quem sabe, vocês só estão recebendo o que merecem?
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  – Posso fazer bom uso da sua confiança, %Julia%, você sabe que posso. - Alina diz, referindo-se às pessoas que, por estarem muito confiantes, acabam perdendo. – Mas estou aqui te dando uma chance. Venho com uma proposta.
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  %Julia% cruzou as pernas e ergueu as sobrancelhas, pegando a bebida dela da mesa para beber enquanto ouvia o que Alina tinha para dizer.
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  – Há muitos processos envolvendo seu nome e da sua família nas mãos de Rosso. Vocês podem ter tudo de volta, exatamente da maneira que deixaram da última vez que viveram bem.
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  – Contanto que…
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  – Contanto que colabore conosco.
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  – Você e seu pai?
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  – Eu e outras pessoas.
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  – Você vai precisar de mais do que isso, Alina. - %Julia% disse, voltando com o copo à mesa. – Acha mesmo que vou aceitar fazer o que você quer, por uma proposta crua como essa?
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  – Uau, você ainda está com bastante raiva de mim. - a mulher parecia mais alegre.
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  – E por que não estaria? Você e seu pai acabaram com a vida da minha família.
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  – Bem… se há uma pessoa culpada, certamente não somos nós. Se quer direcionar sua raiva ao culpado, por que não começa pelos seus pais? Dois tolos que achavam que conseguiriam se beneficiar a custo de banana em cima da raiz?
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  – Não foram vocês que fizeram a oferta para eles?
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  – Fazemos ofertas para todo mundo, %Julia%. Aceita quem quer.
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  %Julia% riu, enquanto Alina mantinha um sorriso tranquilo no rosto. Aquela mulher lhe dava nos nervos; como conseguia acompanhar o veneno dela? Só podia ser tão irritante quanto Kim.
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  – Bem, vamos ver se sou sangue dos meus pais. Faça a proposta direito.
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  – Acredito que tenha sido bastante clara.
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  – E eu acredito que não sou eu quem pediu por essa reunião.
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  O sorriso de Alina falhou, %Julia% viu. A ex-amiga odiava ser lembrada de sua posição, quanto estava inferior; quando jogavam jogos em turma, sempre que Kim estava perdendo, armava alguma coisa contra a pessoa mais fraca do grupo, para pegar tudo o que é dela, e assim ia até estar à altura de competir com o mais forte. É assim que ela faz para permanecer no topo: usa dos fracos.
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  – Se eu concordar - %Julia% diz –, o que aconteceria em seguida?
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  – Você receberia as orientações para passar à sua família.
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  – E em quanto tempo as coisas voltariam ao normal?
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  – Um mês? Quem sabe? Vai depender do Rosso.
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  – E o que você ganha com isso?
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  – Não acabar como você.
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  %Julia% sorriu. Alina sabia jogar. O instinto de sobrevivência dela era ótimo. Por isso o pai abriu mão do filho mais velho, para ficar com a mais nova. Ela sabia que era peça do homem, e não se importava nem um pouco de ser usada; no fundo, sabia que jamais deixaria ser manipulada para um caminho que achasse ineficaz. Era por isso que David confiava nela; porque ele sabia que estava fadado a falhas, e se a filha fosse como ele, um corrigiria o outro e nenhum dos dois jamais perderia.
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  – Eu quero nomes.
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  – Você está maluca. - Alina riu. – Você não vai receber nenhum nome, %Julia%.
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  – Então boa sorte com seu plano.
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  %Julia% levantou e pegou o celular, colocando-o dentro da bolsa. Preparou-se para sair e, antes de colocar um pé para fora, ouviu:
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  – Você se dá muito bem com os filhos do %Miller%. Como eles estão?
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  “Você só pode estar brincando.”
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  – Acho que você se esqueceu de como as coisas funcionam no meu mundo, %Julia%. Sente-se, vou te relembrar.
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  %Julia% pegou o celular dentro da bolsa e mandou uma mensagem para %Henrique% perguntando sobre as crianças, mas ele não respondeu.
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  – Ele não vai te responder, amiga. Deve estar em uma conversa importante agora.
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  – Com quem? - ela olhou para trás, e viu Alina beber mais um gole da bebida, chegando até o fim.
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  – Quem será?
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  Ela apontou para o sofá onde %Julia% estava sentada antes e chamou a garçonete pelo controle.
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  – Champanhe. Precisamos celebrar o novo ano. - pediu à funcionária, que prontamente saiu para atender ao pedido. – Relaxa, %Julia%, ninguém vai se machucar ainda. Mas você precisa vir conversar.
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  %Julia% voltou para o local onde estava sentada, e voltou a se acomodar, deixando a bolsa na mesa. O rosto de Alina estava perverso. O sorriso confiante e a postura relaxada, ela estava em seu habitat natural. Fosse ali ou no Le Boutique, as coisas teriam acontecido da mesma maneira.
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  – O que está acontecendo?
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  – O que acontece, %Julia%, é que você está sendo um grande incômodo. Deixei você acompanhar a minha vida nesses últimos anos, porque sei que sou difícil de deixar, mas hoje, você está teimosa demais. E eu odeio pessoas teimosas, lembra?
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  – É claro. Francesca foi uma delas.
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  – Você insiste em apertar essa tecla. - Alina revirou os olhos. – Quantas vezes tenho que falar para você eu não a matei?
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  – Você deu a arma na mão dela.
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  – Ahh… chata, chata, chata! - Alina mexeu a cabeça e as mãos. – Como você é chata! Dar a arma na mão de uma pessoa não a obriga a se matar. A decisão foi só dela.
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  – A decisão foi dela? Você deu duas opções, Alina.
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  – E ela fez a escolha. Pare de ser chata, isso é coisa do passado! Ah, você deve estar sensível porque foi nessa época, não é?
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  %Julia% nunca esqueceria, porque ninguém esquece quando a morte faz uma visita à frente do próprio nariz.
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  “Janeiro de 2013 – Florianópolis.
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  A festa acontecia em um iate alugado pelo grupo de amigas. Estavam celebrando a virada do ano e, pela primeira vez, todas tinham 21 anos. As pessoas haviam ido embora e apenas ficaram as mais próximas de Alina e %Julia%; ao todo, eram em 6.
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  Contudo, uma delas não estava ali porque queria, mas porque foi obrigada. Os pais haviam sido pegos em um ato de corrupção e presos, e como um ato de “bondade”, Alina decidiu convidar a garota para uma despedida da alta sociedade.
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  – O que achou da festa, Francesca?
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  %Julia% não gostou do rumo que as coisas haviam tomado, mas, assim como as outras garotas, não tinha coragem de enfrentar Alina. Esta havia feito Francesca servir, em uma roupa sexy de empregada, os convidados da festa. Não era surpresa que a garota fosse tratada como objeto sexual de vários e motivo de piada e humilhação de todos.
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  – Por favor, Alina…
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  – Alina? - esta perguntou.
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  – S-senhora Kim… Por favor… Me deixe ir embora.
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  Alina riu, sendo seguida por todas as outras garotas, menos %Julia%.
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  – Francesca, olhe para você. Anda, olha! Me diga, você está vestida do quê?
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  %Julia% viu Francesca começar a chorar pela humilhação.
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  – Responde, garota!
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  – E-empregada…
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  – E o que empregadas fazem?
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  – L-limpam e s-servem…
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  Alina abriu um sorriso e então os braços, mostrando que Francesca tinha um belo trabalho pela frente.
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  – Acho que ainda há champanhe no bar. Vocês querem, meninas? %Julia%?
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  – Não, eu vou embora. - %Julia% disse.
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  – O quê? Não, você vai ficar e se divertir. Agora que a festa vai ficar legal! Adivinha, tenho uma surpresa para vocês, amigas! - a garota olhou no relógio e então para um ponto que se aproximava no bote que transportava os convidados do iate, para a praia e vice-versa.
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  No bote haviam homens, cerca de pelo menos 10, muito belos e charmosos.
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  – Você. É. A. Melhor! - Luana exclamou, sendo acompanhada das outras três.
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  %Julia% olhou para Francesca voltar do bar e olhar assustada para os homens que entravam no iate; conhecia alguns deles. Eram envolvidos com tráfico de drogas.
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  – Eu e Francesca vamos embora. - %Julia% disse, juntando a coragem que precisava para olhar para Alina, que fechou a expressão, fazendo o grupo inteiro se calar.
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  – Eu preparei tudo isso para a nossa diversão e você quer sair E levar a pessoa mais importante da festa com você?
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  %Julia% se aproximou de Alina, que não se importou com o olhar sombrio que a outra tinha no rosto.
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  – Você sabe o que eles vão fazer com ela. Pare com isso agora.
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  – Mas eu não sei mesmo, amiga. - Alina colocou a mão no peito, surpresa. Olhou para os homens. – O que vocês fariam com essa empregada?
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  Eles riram e tiraram as próprias camisas.
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  – Devem estar com calor. - ergueu os ombros para %Julia%.
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  – Alina. Chega. Francesca vai comigo.
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  As duas permaneceram caladas, travando o olhar na outra, até Alina erguer as mãos.
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  – Tudo bem! Tudo bem! Então vamos perguntar a ela. Francesca, venha. - mexeu as mãos para a garota se aproximar, o que ela fez trêmula. – Você quer ir embora com %Julia%?
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  A garota olhou para a salvadora com desespero. Queria ir, é claro. Mas não tinha coragem.
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  – Ah! É claro que há uma multa a ser paga, afinal, você está aqui como funcionária. E por não cumprir o seu dever, você tem duas opções: ficar ou ir nadando. Pelada. Aluguei essa roupa para você e não foi barato, preciso devolvê-la intacta. Se alguém tentar ajudá-la… - de repente, Alina surgiu com uma arma. Ativou o gatilho. – Vai afundar com ela.
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  Ela havia feito de propósito, %Julia% sabia. Francesca não sabia nadar e ninguém daria a vida para salvá-la. Alina tinha coragem suficiente para atirar em qualquer um dali, até em %Julia%.
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  – E-eu quero ficar.
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  – Viu, %Julia%? Você é a única chata daqui. Deve estar assim por causa do Victor. Devia usar essa oportunidade para se vingar dele. Pode escolher, amiga, você é a melhor, então você primeiro. - apontou para os homens ao redor, que sorriram para %Julia% como se ela fosse um pedaço de carne.
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  – Eu vou embora.
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  – Ah… chata! Vai logo, então. Tem o último grupo na popa.
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  %Julia% não olhou para Francesca, mas sentiu os olhos da garota em si. Eles clamavam por ajuda, mas não havia o que fazer. Alina estava no controle. Tudo o que %Julia% poderia fazer, é chegar em terra e mandar uma denúncia anônima à polícia local. Eles parariam com a festa e todos seriam levados sob custódia. Francesca poderia ir embora para sempre.
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  Mas %Julia% nunca esperaria ouvir o som de um tiro ecoar quando estavam quase na praia. O grupo com ela se assustou e saiu correndo antes mesmo de o automóvel chegar na areia. Ninguém sabia que Alina estava com a arma no local. A pessoa que levava o bote de um lado para o outro, com o susto, também saiu correndo. %Julia% olhou em direção ao barco, ansiosa e nervosa, até ver o grupo jogar, cerca de 20 minutos depois, um corpo no mar.”
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  Ninguém deu por falta de Francesca, porque ela estava sozinha após a prisão dos pais. Os homens à bordo do iate eram bons em ocultação de cadáver, de acordo com Alina, e cuidaram para que nada fosse exposto à suspeita.
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  – Ela. Está. Morta! Pare de pensar nela, dizem que eles ficam perambulando por aqui, deixe-a em paz. - Alina disse, da boca para fora.
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  – Você é maluca.
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  – Não, %Julia%. Eu sou racional. Você é a maluca.
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  Talvez ela fosse. Querer se envolver com pessoas como Alina era mesmo loucura. Mas %Julia% estava preparada.
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  – O que você quer, Alina?
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  – Aceite minha proposta.
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  – Não.
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  – Achei que você o amasse de verdade.
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  – Achei que você me conhecesse o suficiente.
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  Alina abriu a boca, achando tudo muito divertido.
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  – Eu te subestimei. - ela pegou o celular e ligou para um número. – Finalize o serviço.
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  O estômago de %Julia% embrulhou. Ela não poderia estar falando sério. Era um blefe, não era? Alina gostava de blefar. 90% dos atos dela, eram blefes.
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  Queria pegar o celular, mas isso seria perder. Talvez não fosse hora de ser orgulhosa. E se as crianças estivessem mesmo em perigo? E %Henrique%? Sua família estava cuidando dos %Miller% na cobertura dos Costa.
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  – Não vai conferir se eu os matei?
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  – Não.
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  – Acha que não os matei?
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  – Não me importo. Agora, me diga, Alina… - %Julia% sorriu. – Como vai o seu pai? Você sabia que há pessoas mais inteligentes que ele?
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  A mulher não respondeu. Sua expressão fechou imediatamente e os olhos foram para o celular. Agora era ela quem estava contra a parede.
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  – Quem?
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  – Ora, de repente você se interessou por nomes?
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  – Você está muito engraçadinha, %Julia%. A vida de pobre te fez ser uma boba da corte?
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  – A vida de pobre me fez muito bem, você deveria experimentar… ah! Acho que não será uma escolha para você.
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  %Julia% aproveitou a delícia que o silêncio estava proporcionando a seu ego. Ver Alina prestes a ter uma síncope de nervoso era tudo o que ela mais queria. Por si e tudo o que passou por causa daquela mulher; pelas pessoas, como Francesca, que haviam sofrido em sua mão.
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  – Deixe eu te explicar uma coisa, já que você é nova nessa coisa de ficar pobre e falida. - %Julia% pegou a garrafa de champanhe que havia sido deixada silenciosamente pela funcionária e serviu a si mesma. – Quando se está às vias de se perder tudo, não há no mundo alguém que queira ajudá-la.
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  – O que você fez?
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  – Eu? Nada. Meu celular ainda está na bolsa. - ela apontou para o objeto em cima da mesa. – Já os seus inimigos…
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  – Você não…
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  – Os conheço? Falo com eles? Querida… - ela bebeu outro gole. – Você sabe melhor do que qualquer outro que tudo vem por base da conveniência. Adivinhe só: eu nem precisei descobrir o nome ou número deles. Se eu fosse você, ligava para o seu pai.
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  Kim permaneceu parada, olhando com raiva para %Julia%. Não queria abrir mão do próprio orgulho e ceder, mas estava nervosa. O pai havia sido pego? Não. Era um blefe. %Julia% jamais conseguiria reunir, em tão pouco tempo, provas para derrubar ela e o pai.
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  – Você precisa ser muito melhor que isso para ganhar de mim, %Julia%.
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  E então, o celular de Alina começou a tocar. Ela olhou para o visor, vendo o número do irmão, e então para %Julia%, que abriu um sorriso.
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  – Alguém decidiu dar duas opções para o seu pai, Alina. Ele deve ter feito a escolha dele.
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  O toque parou e as duas trocaram de olhar novamente.
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  – Você quer colaborar comigo, amiga?
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  – Eu não vou te dar nomes.
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  O celular voltou a tocar. Novamente, era o irmão mais velho.
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  – Então? Acho que ele está com pressa.
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  Alina revezou entre olhar para %Julia% e o visor, que escureceu quando a ligação foi encerrada pela segunda vez.
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  – E você dizendo que a teimosa era eu. - %Julia% riu e terminou o último gole do champanhe. – Hum! Isso está uma delícia! Você não quer? Deve estar com a boca seca…
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  – Os nomes não farão você ganhar.
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  – Então custará menos para você os mencionar.
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  – E o que te garante que eu falarei a verdade?
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  %Julia% ergueu os ombros.
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  – Já passou pela sua cabeça que não sou eu quem vou conferir tudo isso? Eu acho que você se esqueceu do comentário que fiz há pouco. Eu não precisei correr atrás de ninguém.
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  O celular tocou mais uma vez.
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  – Você quer que eu atenda para você? Parece urgente mesmo.
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  – Ah… você me cansa, %Julia%. - Alina se levantou e pegou a bolsa. – Eu falei que não adiantaria de nada, mas admito que estava achando que seria mais fácil. Se você tivesse feito de uma maneira mais divertida, talvez tivesse durado mais tempo.
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  E então, %Julia% viu a mão de Alina entrar na bolsa e sair armada.
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  – Você acha mesmo que eu vou cair no seu jogo de amador? Meu pai está em um lugar que ninguém nem sabe que existe. Não tem como vocês o acharem.
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  – Você gosta mesmo de armas. - %Julia% comentou.
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  – Escolhi essa especialmente para você. - ela olhou para a pistola. – Você sabe, para matar as lembranças.
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  %Julia% olhou bem para a arma e então a reconheceu. Era a mesma que Alina havia usado na noite que Francesca morreu. Havia uma tatuagem que imitava uma renda branca no cano; era pequena, mas já havia tirado pelo menos uma vida.
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  – Não há mar, nem um grupo de pessoas para te ajudar a ocultar meu corpo.
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  Alina sorriu.
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  – O mar eu posso dar um jeito. Já o grupo de pessoas… - ela ergueu os ombros. – Talvez eu tenha me precavido bem.
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  Enquanto %Julia% pensava em uma maneira de se livrar daquela situação, Alina serviu a si mesma de champanhe.
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  – Hum… você tem razão. Isso está uma delícia. Um brinde… à vida. - ela sorriu e bebeu toda a taça em um gole só. – Agora... ah, sim. Aceite a minha proposta.
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  Os olhos de %Julia% percorreram todo o corpo de Alina. Ela não parecia estar brincando. E a arma parecia estar com munição. As duas haviam blefado demais e agora não era a ocasião de arriscar achar que é ou não um blefe.
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  – Bem, acho que não tenho escolha.
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  – Sempre há uma escolha, amiga. A sua, neste momento, é: fazer a Alina atirar ou não?
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  %Julia% riu de deboche da mulher. Ela não havia mesmo mudado.
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  – Tudo bem.
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  – Mas calma! Agora você decide concordar rápido? Eu esqueci de te falar – Alina olhou para ela, sorrindo –, eu também tenho uma escolha. Te matar ou não?
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  Seu dedo ativou o gatilho.
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  – Adivinha qual deles eu escolho?
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Capítulo 14
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Rafaela

Jesus, Maria, José

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