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Me Apaixonei Pela Babá

Escrita porNatashia Kitamura
Revisada por Natashia Kitamura

[Idade dos filhos]
Anna e Hugo
– 14 anos
Felipe e Arthur – 12 anos
Eric – 9 anos
Helena – 7 anos
Caique – 3 anos


Capítulo 5

Tempo estimado de leitura: 33 minutos

  – Desculpe.
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  %Julia% suspirou. Achou que teria o final de semana inteiro para ela, conforme %Henrique% lhe havia prometido. Mas quando Lucas chegou às 5 da tarde com uma caixa de bombom e um olhar de quem estava arrependido, ela soube imediatamente que não poderia dormir até tarde no sábado.
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  Lucas explicou que as agências de emprego haviam esgotado o número de candidatas que se encaixavam no perfil de exigências de %Henrique%. As poucas que foram entrevistadas, ou não se mostraram boas o suficiente para o trabalho, ou desistiram assim que ele mencionou o número de crianças na casa. Estava, como disse veemente, de mãos atadas.
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  – Você sabe que eu tenho coisas para fazer na minha casa, não sabe?
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  – %Henrique% disse que ficará em casa esse final de semana, mas… bem, não sei se isso vai mudar em algo. - Lucas disse com os olhos em seu relógio e no tablet em mãos.
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  Não iria mudar, ela sabia. %Henrique%, quando em casa, ficava o tempo todo no escritório. Na quinta, quando tentou trocar Helena, a fez chorar porque não soube arrumar o cabelo da filha. %Julia% teve que salvá-lo, fazendo um penteado de princesa que levou cerca de 40 minutos, para a menina desfazê-la após 5 minutos, porque os grampos a pinicavam.
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  O plano de %Julia% para o final de semana, era fazer uma faxina pesada na casa e lavar as roupas, já que as gêmeas não tinham o menor interesse em aprender, a mãe ainda não estava em condições e o pai… bem, ele era pior ajudando, do que ficando parando.
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  Mas, como sempre, %Julia% não queria deixar %Henrique% na mão. Primeiro porque ele ajuda muito a família e é muito justo com o pagamento do salário e dos extras; segundo porque ele não exige mais do que ela oferece, se é que está insatisfeito com algo; por fim, a relação entre os dois está fluindo bem; o homem tem voltado mais cedo do trabalho e mostrado mais interesse nos filhos. Passou a ensinar inglês para Hugo e jogar videogame com Felipe. Combinou com Arthur de jogar futebol no sábado, mas ninguém realmente botou fé que aconteceria.
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  Por fim, o celular de Lucas tocou, salvando-o de ter de ouvir o pedido de %Julia% por pelo menos um dia de folga, para que pudesse fazer seus afazeres domésticos. A mulher viu os olhos de Jussara e Paloma, que havia acabado de terminar toda a faxina e se sentou na mesa dos funcionários para tomar o café.
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  – Por mais que você seja uma ótima pessoa, precisa ter o devido descanso – Jussara disse, entregando o bule de café para Paloma, que concordou:
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  – Quando você se diverte, %Julia%? Você não sai com as amigas?
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  A mais nova do trio abriu um sorriso sem graça. Em sua agenda não havia espaço para diversão. O momento que tinha para dedicar a ela, usava para dormir ou calcular as despesas da casa. Sentia falta de passar um dia inteiro no shopping fazendo compras com as amigas, mas elas já não existiam mais em sua vida, e o dinheiro para as compras também. Precisava guardar dinheiro para comprar uma residência própria. O novo salário do pai, que devido ao cargo de analista sênior com benefícios e direito a bônus, estava conseguindo acelerar a quitação da dívida. Apesar disso, nada mudou, pois grande parte do dinheiro continuava sendo exclusivamente para a situação, e %Julia% ainda colabora muito com a família.
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  Ela preferia assim, não ter tempo. Não tinha tempo para fazer as coisas que gostava, mas, olhando pelo lado positivo, também não tinha tempo para lamentar os erros do passado e o que perdeu.
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  Mudou o assunto com as duas colegas de trabalho e passou a ouvir suas programações com a família. Jussara disse que Amélia havia ligado algumas vezes, mas que recentemente as ligações diminuíram consideravelmente. Sabia quão difícil era se desapegar de um hábito, e, assim como %Julia% estava sendo, Amélia era muito ligada ao trabalho. Com a confiança de que tudo estava dando certo, a mulher passou a se preocupar menos com a situação da casa.
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  Às 11 da noite, Anna e Hugo chegaram com %Henrique%, que havia deixado para voltar para casa no momento em que teve de buscar os filhos na festa de Karina, a amiga de Anna. %Julia% nunca viu a garota estar mais feliz. Entrou cantarolando e sorriu quando viu a babá:
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  – Você-é-demais! A Karina e as meninas morreram de inveja de mim hoje no Akira! - Anna foi correndo abraçar %Julia%, que arregalou os olhos, surpresa, mas logo sorriu com a alegria da garota: – Ele falou que você é uma das melhores amigas dele, e quando eu falei, sem querer, o nome dos funcionários que me atenderam, ele logo me deu um tratamento de hidratação pro meu cabelo e pras minhas amigas. Por minha causa! Na festa da Karina, todo mundo falou que eu era a cliente favorita do Akira.
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  Anna falava sem parar do sucesso que havia feito. Sabia que a menina estava feliz porque finalmente recebeu a atenção e aprovação que buscava do grupo. Hugo não tirava os olhos do celular, deixando o casaco sem nem perceber que ele estava caindo no chão.
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  – A Giselle foi na festa hoje. Ele ficou babando nela o tempo inteiro.
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  – Não fiquei! - ele gritou, sem graça.
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  – Hugo, seus irmãos estão dormindo. - %Henrique% chamou-lhe a atenção. – E está na hora de vocês também dormirem, não acha?
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  – Pai, hoje é sexta! - Anna disse, alegre. – Eu vou falar com a Amanda. A gente combinou de se encontrar no Whats às 11h30. Tchau, tchau!
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  Os dois saíram correndo escada acima, deixando %Julia% com %Henrique% para trás.
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  – Obrigado - ele disse, quando ela pegou seu casaco para deixar no chapeleiro junto com os das crianças –, o que é esse Akira que a Anna veio o caminho inteiro falando que você conseguiu para ela.
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  – Ah… - a mulher riu, sem graça. – É um cabeleireiro muito requisitado. Só troquei o horário para ela, porque ela não estava conseguindo.
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  – Você é a nova heroína dela - ele disse, desabotoando os punhos da camisa e afrouxando o nó da gravata. – Fazia um tempo que não a via tão animada.
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  %Julia% abriu um pequeno sorriso e pôs-se a terminar de arrumar os casacos em ordem de saída dos integrantes da casa. %Henrique%, no entanto, não disse ‘boa noite’ e nem subiu para o andar dos quartos. Permaneceu parado, os braços cruzados enquanto olhava para a funcionária deixar tudo em ordem.
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  A verdade era que %Julia% era uma incógnita para %Henrique%. Era óbvio que ele havia pesquisado mais sobre ela e seu pai, e o que descobriu foi um enorme escândalo. Paulo %Strada% havia sido tolo demais e afundou, junto de seu navio, todos os integrantes de sua família. No entanto, %Henrique% se compadeceu da situação do homem, pois, por mais que ele merecesse receber a punição por ter tentado agir de forma desonesta, não era fácil ceder aos encantos que a riqueza e o poder ofereciam.
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  Ele sabia muito bem.
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  Olhou para a foto dos filhos, sorridentes, e como eles estavam prestes a se perder devido à falta da mãe e do pai. Se não fosse pela chegada de %Julia% e sua paciência para lidar com 7 crianças, sabe-se lá até onde eles iriam parar.
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  Não que ele fosse igual a Paulo. Ele nunca agiu de forma desonesta, mas foi, um pouco, egoísta com seus filhos, deixando de dar-lhes atenção para tentar seguir em frente. Olhou ao redor, não vendo um resquício da vida antes das crianças perderem a mãe. Não queria pensar nela; embrulhava-lhe o estômago e lhe causava um mal-estar.
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  Focou sua visão em %Julia%, que terminava de arrumar as almofadas no sofá e se preparava para se retirar e ter o merecido descanso.
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  – Você já jantou? - ele perguntou.
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  – Ah, ia fazer um lanche…
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  %Henrique% percebeu o alívio que sentiu quando a resposta de sua pergunta foi negativa, mas decidiu deixar de lado, para o próprio bem.
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  – Vamos pedir um. Eu pago.
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  – O senhor não jantou?
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  – O senhor está no céu. - ele resmungou, vendo o olhar surpreso. – Desculpe, mas acho muito estranho você me tratar com tanta cordialidade, sendo que não é tão mais nova que eu.
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  – Você é meu chefe. - ela explica o óbvio e, se não fosse tão óbvio, ele sentia que poderia retrucá-la com um “e daí?”.
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  – São praticamente 11h30 da noite. Você não vai querer entrar em uma discussão com o seu chefe, que não quer ser tratado com cordialidade e está faminto, a essa hora.
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  %Julia% abriu um pequeno sorriso, achando engraçado o novo comportamento de %Henrique%, mas estava cansada e só queria entrar no modo automático. Aceitou o lanche que ele lhe ofereceu e, enquanto esperavam chegar, permaneceram sentados na mesa da cozinha com uma lata de cerveja cada um - a mando de %Henrique%.
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  Anna estava no paraíso.
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  Já fazia pouco mais de quarenta minutos que ela entrou em uma ligação pelo Whatsapp com a melhor amiga, e ainda não se cansou de ouvir sobre seu sucesso devido ao tratamento VIP que Akira deu ao grupo delas mais cedo.
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  – E o que você é da %Julia%? - Akira perguntou enquanto lavava os cabelos de Anna ele mesmo.
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  Apesar de se fazer com frequência, Anna não era nada burra. Sabia que aquele era um momento importante, assim como também sabia que %Julia% era alguma coisa de Akira, pois o homem desatou a falar vários elogios da babá dos %Miller%.
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  – Ela trabalha para o meu pai - apenas responde, não querendo dar mais detalhes. “Babá” não é uma profissão admirada como “advogado” ou “médico”, apesar da maioria das famílias que Anna via, não viver sem uma.
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  Quando Akira orientou Anna a relaxar e aproveitar a massagem que ele faria em sua cabeça, os pensamentos da garota foram direto para %Julia%. Tinha de admitir que gostava da babá; ela cuidava bem dos irmãos, não mandava em todos, nem abria um escândalo devido à pressão. Nos últimos 2 anos que os 7 filhos foram deixados aos cuidados de babás, Anna nunca viu uma com tanta paciência como %Julia%. Talvez fosse por isso que Helena e Caique gostassem tanto dela, e que Eric não aprontasse como antes. Além disso, %Julia% a tratava como uma adulta, e não uma criança. Ela ia fazer 15 anos em alguns meses, era grande o suficiente para tomar decisões.
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  Entretanto, o que mais fez Anna abrir os olhos para %Julia%, foi o pai. Viu, durante a encenação de %Julia% com um amigo que interpretou o goblin, os olhos de %Henrique% admirando %Julia% com um sorriso no rosto. Perguntou-se quando foi que ele começou a encará-la daquele jeito; sua primeira reação foi querer chamar a atenção do pai, mas em seguida, viu como %Julia% lidou com Helena e Caique.
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  Decidiu que, de todas as mulheres que conheceu e pensou na hipótese de ser sua nova mãe, %Julia% era a melhor opção.
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  Por isso que, quando as amigas lhe perguntaram quem era %Julia%, Anna apenas respondeu que talvez ela fosse ser a nova namorada do pai. Lhe perguntaram, também, se a mãe dela estaria bem com isso, mas Anna não respondeu. Não havia pensado na mãe e, honestamente, preferia ter continuado assim.
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  BAM! BAM!
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  – Anna! - Hugo sussurrou na porta, parecendo desesperado.
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  A irmã gêmea revirou os olhos e disse que “já voltava” para as amigas, e foi até porta de seu quarto, destrancando para o irmão, que entrou a jato e fechou a porta atrás de si.
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  – O papai e a %Julia% estão comendo juntos.
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  – O quê?! - Anna arregalou os olhos para Hugo, que bateu o pé no chão, impaciente.
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  – Fiquei com sede e fui pegar uma Coca, mas vi a luz da cozinha acesa e achei que era a %Julia% arrumando. Só que então ouvi a risada do papai. Os dois estão comendo um lanche juntos.
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  Anna permaneceu calada por alguns segundos, antes de sair correndo para fora do quarto e, na ponta dos pés, descer as escadas para o primeiro andar e ir em direção à cozinha, para colocar em prova o que Hugo havia dito.
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  – Você usou um sapatênis em uma festa de gala? - %Julia% ria para %Henrique%, que comia sorrindo para a mulher. – Ninguém te passou o dresscode?
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  – Arthur tinha corrido um pouco após comer e acabou vomitando nos meus sapatos. - ele explicou. – Não tive escolha, as lojas já estavam fechadas.
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  – Que morte horrível! - %Julia% não conseguia parar de rir. Imaginou %Henrique%, em todo seu esplendor e beleza, entrando em um salão repleto de empresários importantes, vestindo sapatênis.
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  – Sinto que até hoje as pessoas que estavam naquele dia se encontram comigo e, antes de olharem para mim, dão uma olhada nos meus pés. - ele brinca, fazendo-a rir ainda mais.
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  Anna olhou para Hugo, que ainda tinha os olhos arregalados e a boca aberta. Cutucou o ombro do irmão e fez sinal para subirem.
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  – O que diabos 'tá acontecendo ali? - Hugo se jogou na cama da irmã, que por sua vez, sentou-se na cadeira da escrivaninha. – O papai tá rindo. Rindo.
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  Os dois permaneceram calados, cada um com seu pensamento, até Anna olhar para Hugo e lhe perguntar, séria:
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  – O que você acha de ter uma nova mãe?
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  – O quê?
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  A irmã suspirou, em parte, não acreditando no que estava para dizer. Mesmo assim, achava que era o seu papel como mais velha dos 7.
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  – Eu acho que o papai gosta da %Julia%.
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  – Bem, agora está na cara. - Hugo apontou na direção da cozinha, onde os dois permaneciam conversando como se fossem amigos. – Você acha que a %Julia% gosta dele?
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  – É claro que não! Ela deve enxergar ele só como o chefe dela. - Anna revirou os olhos. – Nós só temos que dar um empurrão. O papai é bonito e não sabe se cuidar sozinho. Já a %Julia% consegue dar conta de todos nós sozinha, além de deixar a casa arrumada, mesmo sem a Amélia, a Paloma e a Jussara aqui. E – ela olha séria para Hugo, que engole seco para ouvir o que mais %Julia% tinha de bom. –, ela é melhor do que aquela Flávia.
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  O garoto faz som de vômito e uma careta.
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  – Eu acho que pode dar certo – Anna diz.
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  – Qualquer uma dá mais certo que a Flávia.
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  – Mas nós temos que fazer acontecer. A %Julia% não enxerga o papai como namorado e ela não pode cansar da gente também.
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  – Ela não cansaria da gente, é paga para isso.
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  – Ai, Hugo, deixa de ser burro! Ela tem que gostar da gente o bastante para continuar querendo ficar com a gente sem ser paga! Papai não vai pagar ela para ser nossa babá quando eles namorarem. Além disso… - Anna se sentiu envergonhada de falar aquilo com o irmão, mas não podia deixar de pensar que talvez ele sentisse o mesmo que ela, afinal, eram gêmeos e tinham uma conexão diferente das pessoas não-gêmeas. – Quem sabe assim, o papai passe mais tempo em casa.
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  Hugo imediatamente entendeu o ponto de vista de Anna e logo se esqueceu de ter sido chamado de burro. Apesar de não ser com tanta frequência como a irmã, sentia a falta do pai, principalmente sendo o superpai que era antes. Dessa maneira, concordou com a irmã e ouviu o que ela tinha para falar.
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  O plano era simples: fazer %Julia% e %Henrique% se apaixonarem.
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  O final de semana foi atípico.
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  Primeiro, nenhuma das crianças quiseram sair para brincar no parque do condomínio, nem para ir a casa de algum amigo, como sempre acontecia.
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  Segundo, %Henrique% não foi trabalhar e não permaneceu trancado dentro do escritório. Pelo contrário, no sábado se lembrou que havia prometido a Arthur que jogaria futebol com ele e disse que poderiam descer antes do almoço.
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  Terceiro e mais importante de tudo, os quatro Millers mais velhos estavam tratando %Julia% com a maior adoração jamais vista até pelo próprio pai.
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  – Estranho - %Henrique% disse, no domingo, quando os 7 saíram para tomar um sorvete.
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  %Julia% olhou para o chefe, enquanto limpava o rosto de Caique, que queria comer o doce em uma velocidade maior do que conseguia.
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  – O quê? - ela perguntou, preocupada de ter feito algo estranho com a criança, na frente do chefe.
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  %Henrique% apontou para os dois pares de gêmeos, que conversavam na mesa ao lado e tomavam seus sorvetes tranquilamente.
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  – Eles não costumam se dar bem assim.
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  De fato, o homem estava certo. Será que o motivo para tanta harmonia se devia à sua presença durante o final de semana inteiro?
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  Talvez ele devesse se dedicar mais aos filhos. Agora, com a presença de Paulo na equipe, parecia que as coisas estavam fluindo melhor e havia menos carga de trabalho para %Henrique%. O homem, em seu maior pique, aceitava todos os trabalhos, independente da dificuldade que teria, e mostrou-se disposto a aprender sobre tudo. Até então, só trabalhou 2 dias, mas já era conhecido por todos como o homem-foguete, por realizar seus afazeres rapidamente.
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  Olhou para %Julia%, um ato que vinha fazendo com mais frequência do que julgava o normal, e pensou em como a filha era tão parecida com o pai. Paulo, apesar de ser o mais velho da equipe e ter sido reconhecido por algumas pessoas por conta do escândalo que havia passado, não se deixou abalar e manteve a postura, fazendo o que havia sido contratado para fazer. %Julia%, mesmo tendo sido rejeitada pelos filhos no começo, agora era uma peça-chave para todos, mas principalmente para os mais novos.
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  – Pai, nós vamos comer fora? - Eric perguntou para o homem sentado ao seu lado. %Henrique% olhou para o garoto, que se encontrava o encarando após pausar o jogo em seu videogame portátil.
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  – O que você quer comer?
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  Antes que Eric pudesse responder, Anna foi mais rápida, olhando para o pai.
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  – A %Julia% pode decidir!
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  O irmão mais novo olhou bravo para a mais velha, que não percebeu, diante da animação de realizar seu plano. Eric olhou para Hugo, que geralmente era contra quase todas as decisões de Anna, mas a postura e o olhar do garoto diziam que ele concordava com a irmã, o que fez Eric manter-se calado, pois contra os dois juntos não tinha a menor chance. Contudo, a situação não passou despercebida pelos olhos treinados de %Julia%, que lembrou-se do restaurante favorito do filho número 5, que facilmente era esquecido por não ter um irmão gêmeo com quem confabular sapequices, nem era novo como Caique e Helena, necessitando de atenção extra.
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  – Que tal irmos no Nino Cuccina?
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  O rosto de Eric se ergueu em surpresa e felicidade. A cantina italiana era o seu pedido de toda semana, mas dificilmente atendido, porque, além de sempre ser a minoria, a família também tinha uma cozinheira que fazia receitas italianas com muito talento.
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  %Henrique% podia estar um pouco ultrapassado com o comportamento dos filhos, mas soube identificar a alegria de Eric, o filho com quem mais se preocupava, diante da escolha de %Julia%. Soube, quase de imediato, que a escolha da funcionária teve a intenção exclusiva de fazer o filho mais silencioso dos 7, feliz. Abriu um pequeno sorriso e não deu tempo dos gêmeos Arthur e Felipe, ou até de Helena, reclamarem, preferindo um lanche ou comida japonesa.
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  – Que tal ligarmos, reservando uma mesa? - ele disse, olhando para %Julia%, que pegou o celular para discar o número do local. A reserva era um tanto difícil de ser realizada, mas não quando o nome mais citado na alta sociedade estava pedindo por uma mesa com 9 lugares. %Henrique% %Miller% raramente saía para comer com os filhos, e ter seu nome ali em um final de semana, era a propaganda perfeita para o restaurante.
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  O pai da família de 7 filhos esperava tudo: algazarra, gritaria, discussão e até uma pequena guerra de comida; mas o que viu foram 7 crianças comportadas, conversando entre si - um pouco alto, mas que criança não grita? - que se ajudaram e comeram sem dar trabalho à babá, que não teve escolha senão conversar com o chefe.
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  Hugo e Anna trocaram olhares cúmplices durante a refeição, felizes por verem o plano dar certo. Sabiam que, se nenhum dos irmãos desse trabalho para %Julia%, ela e o pai engatariam em uma conversa, já que %Henrique% não sabia muito bem como conversar com os filhos.
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  – %Juju%! - a voz de Caique soou impaciente. A babá estava dando atenção demais ao pai, que ouvia como se passar um final de semana inteiro sem trabalhar; aparentemente, %Julia% era expert em não fazer nada que não fosse divertido antes do pai falir, então ela sabia quais as melhores programações para os filhos.
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  – Mas algo didático, como um hotel fazenda, pode ser uma escolha melhor.
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  Enquanto assistia %Julia% dar atenção integral a Caique, que finalmente sossegou após ver que ela não voltaria a falar com o pai, %Henrique% manteve-se pensativo observando a interação entre seu filho mais novo e a babá. Abriu um pequeno sorriso sem perceber, mas que foi muito bem visto pelos filhos mais velhos. Para Anna e Hugo, o pai estava, aos poucos, se apaixonando por %Julia%, quando, na verdade, o homem sentia profunda admiração e gratidão pelos filhos mais novos não sentirem a falta da mãe.
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  A vida após Cássia foi um tormento. Ao mesmo tempo que se preocupava com os 7 filhos, criou um muro entre eles, pois tinha medo do que enxergaria. Sentia-se culpado por fazê-los sofrer assim, mas não tinha coragem de encará-los. Quando viu, eles se acostumaram a ficar sem sua presença, o que lhe causou um mau-estar terrível, de modo que começou a forçar-se a trabalhar sem parar, como uma maneira de esquecer de seus problemas. Apesar de ser um gênio em ascensão desde muito antes dos filhos perderem a mãe, foi após o acontecido que %Henrique% verdadeiramente chamou a atenção não só do presidente da empresa, como de toda a alta sociedade brasileira. Foram inúmeras ofertas para sair do banco digital onde trabalhava, todas elas lhe agregaram mais valor, tornando-se um dos profissionais de TI mais bem-quistos.
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  Até então, %Henrique% não havia sentido, com o trabalho, o calor que sentiu no momento em que ouviu as risadas de Helena e Caique.
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  Quando o celular tocou, mostrando uma chamada do diretor de planejamento, %Henrique% não quis atender. Essa era uma vontade atípica vinda dele; sempre atendia todos os telefonemas sem nem pensar; pronto para resolver os problemas que tinham. Dessa vez, no entanto, queria manter-se observando a interação da babá com os filhos, afinal, era a primeira vez, em anos, que os 7 sentavam em uma mesa de refeição com ele, sem brigarem.
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  – Já volto. - ele anunciou, apontando para o celular. %Julia% assentiu com a cabeça sem se preocupar; estava acostumada com as saídas repentinas do chefe para tratar do trabalho. Por outro lado, os filhos mais velhos não estavam nada felizes em ver o pai saindo da mesa.
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  – %Julia% - Anna chamou a babá, após trocar um olhar cúmplice com Hugo –, você namora?
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  – Eu? - ela ergueu as sobrancelhas, surpresa.
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  – A %Juju% não namora! - Helena respondeu pela mulher, que olhou para a garotinha mais surpresa ainda, soltando uma risada em seguida.
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  – Você quer namorar?
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  – Bem… - ela ficou pensativa. Fazia mais de um ano que não pensava em romance. Sua prioridade era outra, por isso, não tinha tempo (e nem dinheiro) para sair e encontrar um pretendente.
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  – Sabe, eu acho que você devia namorar. - Anna disse. – Sei que meus irmãos te estressam muito e vi em um site que namorar é uma boa maneira de desestressar.
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  %Julia% olhou Anna um pouco surpresa. Não sabia como responder a garota, era a primeira vez que ela demonstrava interesse por sua vida pessoal, portanto, não queria afastá-la de uma vez.
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  – Eu não tenho muito tempo para namorar, Anna. Acho que nenhum homem gostaria de namorar uma mulher que não tem tempo para ele.
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  – Eu gosto de garotas que me dão atenção! – Felipe se intrometeu e Arthur concordou com seu gêmeo. %Julia% sorriu para a segunda dupla de irmãos e olhou para Anna, que tinha um semblante pensativo.
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  “Será que foi a resposta errada?” Perguntou-se.
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  – E você, Anna? Tem alguém em vista?
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  Imediatamente os olhos da filha mais velha mudaram para uma expressão mais dengosa e suas bochechas coraram com os pensamentos.
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  – Ela gosta de um nerd da série seguinte, mas se as amigas delas souberem, vai ser alvo de bullying na escola. - Hugo disse, comendo sua sobremesa e recebendo um olhar feio da irmã. – Eu sou seu irmão gêmeo, Anna, sei quando você gosta de alguém. Mas fica de boa, não vou contar para ninguém. Não sou fofoqueiro como suas amigas.
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  A garota revirou os olhos, murmurando algo que foi inaudível para %Julia%.
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  – Qual o problema de se gostar de um nerd?
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  – Eles são nerds, duh! - Arthur riu. – Só sabem estudar.
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  – O Calvin não é tão nerd assim. - Anna tentou se defender, mas só fez os irmãos rirem ainda mais.
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  – Até o nome dele é de nerd! - Felipe caçoou, enrubescendo a irmã.
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  – Pois eu acho que Anna está certa de gostar de um garoto estudioso. - %Julia% comentou, como quem não quer nada. Os garotos olharam para ela, prontos para caçoar da babá, mas ela foi mais rápida com sua explicação. – Quem estuda mais, sabe mais, e lá na frente entrará em uma universidade melhor e terá um emprego melhor.
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  – Eu que não vou estudar! - Felipe disse. – Vou ser jogador de futebol!
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  – E quem vai cuidar do seu dinheiro? - %Julia% perguntou.
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  – O papai, claro! Ele trabalha em um banco.
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  %Julia% riu com a resposta do garoto. Se divertia com as soluções rápidas que todos tinham, como se a vida fosse fácil. O que mais gostava em sua profissão, é que conviver com pessoas mais novas que ela, a fazia se lembrar de como era quando tinha a mesma idade. Era mais corajosa e também imatura; mesmo assim, não tinha medo do futuro, mas sim, grandes expectativas.
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  – Então ele está no colegial, Anna? - %Julia% perguntou para a garota, que assentiu. – E o que você gosta nele?
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  Ao verem que a conversa entre as duas continuariam, os três irmãos desviaram a atenção para uma conversa entre eles, sobre futebol e jogos de videogame. Helena comia seu doce e Caique estava paralisado pelo desenho que havia pedido para %Julia% colocar para ele assistir. Dessa maneira, Anna pode ter toda a atenção da babá para si.
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  – Ele, hum, me trata bem.
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  – É mesmo? Ele conversa com você?
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  A garota assentiu, extremamente sem graça. Nunca havia falado sobre Calvin com ninguém antes, pois tinha vergonha e medo de ser julgada por gostar de um nerd. %Julia%, melhor que ninguém, sabia quão maus os pré-adolescentes podiam ser, não medindo as palavras antes de verbalizá-las. Contudo, não achava que Anna devesse deixar de gostar de um bom garoto apenas porque outras pessoas não o achavam adequado.
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  – Nós temos aula de educação física juntos às vezes. O professor sempre termina a aula mais cedo, então ficamos conversando enquanto o Saulo não chega.
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  – E ele tem interesse em você?
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  – E-eu não sei…
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  %Julia% sorria para Anna com muito carinho. Adorava o amor adolescêntico. Achava que era um dos melhores, apesar de ser aquele que mais trazia corações partidos. Mesmo assim, gostava da forma inocente com que era tratado. Anna, por ser a mais velha e não ter uma mãe para orientá-la, era ainda mais imatura do que provavelmente suas amigas, o que a tornava tímida no assunto.
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  – Você deve aproveitar o máximo que puder para gostar de alguém. - %Julia% disse para a garota. – Quando nos tornamos adultos, tudo fica mais difícil, e então você sente falta da época da sua idade.
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  – O que tem de mais difícil na sua idade?
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  – Hum… Temos outras coisas com o que nos preocupar: contas a pagar, planejar a vida, tentar sobreviver. – ela ri. – Muitas pessoas que eu conheço já estão se casando.
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  – O que você procura em um namorado? - Anna perguntou com segundas intenções.
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  – Honestidade. Confiança. Respeito. Admiração. Carinho.
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  – E amor?
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  – O amor vem junto de tudo isso. – %Julia% sorri. – Mas nem sempre tudo isso vem junto do amor.
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  Anna manteve-se calada, tentando associar todas as palavras que %Julia% disse ao amor. Ainda era muito nova para conseguir ter uma visão mais profunda, mas podia entender que a babá só queria alguém para amar e ser amada. Alguém legal, como o pai.
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  – Você quer ter filhos? - ela perguntou, receosa.
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  – Ah, quero! - %Julia% ri. – Como deve perceber, eu adoro crianças. Quero ter as minhas um dia, quem sabe? Mas se não tiver, tudo bem, sempre poderei continuar sendo babá. Você um dia terá filhos, não é? - ela brincou, fazendo Anna rir.
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  A garota olhou para os irmãos no momento em que o pai entrou se desculpando por ter demorado tanto. Anunciou que havia pago a conta e que poderiam ir embora. Anna observou %Henrique% e %Julia%, um ao lado do outro. O pai sorriu para a moça quando ela fez um comentário, o que fez o mundo da filha mais velha parar.
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  O sorriso do pai era o mesmo que ele lhe dava antes; há quanto tempo ela não o via?
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  Olhou para %Julia%, que continuava a falar, mantendo o sorriso de %Henrique% por muito tempo estampado em seu rosto. Sem perceber, Anna também sorriu.
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  Estava decidida. %Julia% cuidaria, sim, de seus filhos, mas não como babá.
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Capítulo 5
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