Fora das Quadras

Escrita porRay Dias
Editada por Lelen

  Nota da autora: Elenquei a música tema do casal. Beggin – Maneskin tudo a ver. Depois me conta nos comentários se concorda.


Capítulo 8

  O ginásio estava mais barulhento do que de costume, ou ele apenas não se lembrava da sensação. Pedro percebeu isso antes mesmo de entrar na quadra. Talvez fosse impressão dele. Talvez fosse só porque, depois de quase um ano, qualquer som vindo das arquibancadas parecia maior do que deveria.
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  Ele ficou alguns segundos parado no túnel, olhando para a quadra. A mesma quadra, o mesmo piso e as mesmas tabelas. O mesmo banco onde tinha passado as últimas temporadas reclamando de minutos, comemorando vitórias, discutindo jogadas e fingindo que não estava nervoso antes de partidas importantes.
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  Só que ele não era exatamente o mesmo.
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  — Vai ficar aí fazendo turismo?
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  A voz de Rafael veio atrás dele. Pedro olhou por cima do ombro.
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  — Tô apreciando a arquitetura…
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  — Claro. — Rafael passou por ele e deu dois tapinhas em seu ombro. — Entra logo antes que eu tenha que te empurrar.
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  Pedro riu.
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  — Você faria isso?
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  — Hoje? Com certeza!
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  Ele respirou fundo. Dessa vez, entrou.
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  O aquecimento tinha começado havia alguns minutos. Os companheiros passaram por ele, alguns dando tapas nas costas, outros fazendo piadas que ele já conhecia de cor. Cauê foi o primeiro.
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  — E aí, aposentado?
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  — Quase um ano fora e você continua com essa cara.
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  — Que cara?
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  — De quem vai pedir aposentadoria no segundo quarto.
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  Pedro apontou para ele.
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  — Eu voltei hoje e você já está me irritando!
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  — Então está tudo normal.
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  Gabriel apareceu logo depois.
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  — Nervoso?
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  Pedro fez uma careta.
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  — Não.
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  — Mentiroso.
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  — Um pouco.
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  — Um pouco? Logo você? O mais ansioso do time?
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  Pedro olhou para a cesta.
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  — O suficiente. Marina me ensinou a ter calma…
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  Gabriel sorriu.
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  — Ainda bem.
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  Aquilo pareceu estranho. Durante meses, Pedro tinha imaginado o dia da volta de várias formas. Em algumas versões, ele entrava na quadra sem medo, em outras, fazia uma partida absurda, como se os meses parado tivessem sido apenas um intervalo antes de provar para todo mundo que continuava sendo o mesmo. Também imaginou a pior possibilidade: errar. Sentir o joelho ou travar. Perceber que o corpo não confiava nele e que ele também não confiava no corpo.
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  Nos últimos dias, porém, outra coisa tinha começado a incomodá-lo. E se ele não precisasse provar nada? A pergunta ainda parecia estranha! Ele tinha passado a vida inteira querendo provar alguma coisa para os outros, para os técnicos, torcedores, jornalistas. Principalmente, para ele mesmo.
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  Naquela noite, pela primeira vez, parecia suficiente simplesmente jogar.
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  Marina estava perto da lateral da quadra, conversando com Marcelo. Ela tinha passado meses dizendo que estava preparada para aquele momento. Profissionalmente, estava. Tinha acompanhado cada etapa da recuperação. Sabia exatamente o que Pedro conseguia fazer, o que ainda precisava de atenção e quais eram os limites daquele retorno, mas isso não impedia que seu estômago estivesse apertado.
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  Marcelo percebeu.
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  — Você está pior que ele. Nunca te vi assim, Nina.
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  — Não estou.
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  — Está sim.
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  — Eu estou trabalhando, Marcelo. Minha apreensão é aquela de sempre que a gente bota um atleta na quadra de novo…
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  — Claro.
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  Ela lançou um olhar para ele.
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  — Quer trocar de lugar comigo?
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  — Nem pensar! Beijar a boca de Pedro Dornas? Não, obrigado.
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  — Seu bobão! — Marina gargalhou e voltou a olhar para Pedro.
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  Ele estava arremessando. Um. Dois. Três. A bola bateu no aro e saiu. Pedro pegou o rebote e olhou para ela. Marina levantou o polegar, e o namorado, alegre e confiante, sorriu. Era um gesto pequeno, mas ela conhecia aquele sorriso.
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  Era o sorriso de quem estava tentando fingir que não estava nervoso.
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  Quando o jogo começou, Pedro ficou no banco inicialmente. Aquilo não era exatamente o que ele queria, também não era uma surpresa. Rafael tinha sido claro: sem pressa, sem heroísmo e sem tentar recuperar em uma noite os meses que tinha passado fora. Pedro odiava essa última parte, contudo, daquela vez, não discutiu. Já havia aprendido a ser paciente.
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  No primeiro quarto, assistiu. No segundo, entrou. Quando ouviu seu nome no anúncio, sentiu as mãos esfriarem, levantou, ajeitou a camisa e olhou para Rafael.
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  — É agora?
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  — É.
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  Pedro respirou fundo.
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  — Beleza.
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  Entrou. O barulho aumentou. Por alguns segundos, ele só ouviu aquilo: tênis rangendo, torcida, gente gritando, bola quicando, apito. E o próprio coração.
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  A primeira posse passou por ele, recebeu, devolveu a bola e correu. Voltou para a defesa. Nada demais, e foi justamente por isso que pareceu tão importante! O joelho estava ali inteiro. Respondendo ao que ele sabia fazer, e havia treinado a vida quase toda. Ele continuou e na posse seguinte, recebeu novamente. Dessa vez, tentou infiltrar. Parou, passou e a jogada continuou. Sem fome de cesta. O companheiro marcou, Pedro levantou os braços.
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  — Boa!
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  Ele não precisava ser o responsável por tudo e aquela era uma constatação ainda nova, mas boa.
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  No terceiro quarto, Pedro conseguiu sua primeira cesta. Foi uma bola de três.
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  Não foi uma jogada espetacular, não teve drible impossível, nem marcação quebrada, nem comemoração ensaiada. Ele recebeu no canto e arremessou. A bola caiu dentro. Ele, por um segundo, ficou parado. Depois ouviu a arquibancada explodir!
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  Pedro abriu um sorriso, olhou para o banco. Cauê estava de pé, gritando alguma coisa que ele não conseguiu entender. Gabriel correu até ele. Rafael apenas bateu palmas. E Marina… Marina estava sorrindo. Pedro apontou para ela, ela apontou de volta como quem dizia: “eu falei”. E ele balançou a cabeça, como quem respondia: “Convencida” e ela riu.
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  No intervalo do último quarto, Pedro sentou no banco, já estava cansado de verdade. As pernas pesavam, a respiração estava acelerada, mas não havia pânico. Ele olhou para o placar, depois para as próprias mãos.
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  Por quase um ano, tinha pensado naquele momento. E agora que estava acontecendo, percebeu uma coisa curiosa: ele não estava pensando no que os jornalistas escreveriam. Não estava calculando quantos minutos tinha jogado, não estava imaginando comentários sobre seu desempenho, não estava pensando em contrato nem em seleção. Nem em quem tinha duvidado dele. Estava pensando apenas que queria jogar mais alguns minutos. E isso bastava. Rafael se aproximou.
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  — Como você está?
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  Pedro pensou antes de responder.
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  — Cansado.
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  — Só?
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  — E feliz.
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  Rafael sorriu.
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  — Então está bom. Saldo positivo para quem está voltando.
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  Pedro levantou.
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  — Posso voltar pra quadra?
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  — Pode. Cauê! — gritou o Rafael — Troca!
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  — Então vamos.
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  O Aurora venceu por quatro pontos. Pedro terminou a partida com oito pontos, quatro assistências e pouco mais de quinze minutos em quadra. Nada que entrasse para a história da competição, ou que justificasse uma manchete exagerada. Só que para Pedro, foi perfeito.
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  No vestiário, a comemoração começou antes mesmo de ele conseguir tirar o tênis. Cauê jogou uma toalha nele enquanto outros colegas faziam “montinho”.
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  — AÊEEE VOLTOU! O DORNAS VOLTOU!
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  — Sai de cima!
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  Gabriel abraçou os dois, Rafael entrou no meio da bagunça gritando:
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  — E amanhã tem fisioterapia! Principalmente pro Dornas.
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  Pedro fez uma expressão de horror.
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  — Você não consegue respeitar nem o pós-jogo?
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  Marina apareceu na porta.
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  — Ele está certo…
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  Pedro olhou para ela.
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  — Você também?
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  — Principalmente eu.
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  — Traição, ein! Logo da namorada?
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  — Profissionalismo. Aliás… Não houve um pedido formal ainda. Sempre bom lembrar…
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  Ele riu. Durante alguns segundos, ficaram apenas se olhando.
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  Não havia fotógrafo, jornalista e nem manchete. Mas o resto da equipe estava ali testemunhando o momento de olhares e sorrisinhos, e não iriam deixar de zombar.
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  — Ei vocês podem se controlar? A galera tá ficando constrangida aqui!
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  — Pedro! — Rafael falou de um jeito autoritário: — Você tem uma semana pra preparar o pedido perfeito pra Nina! Cria vergonha nessa cara!
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  — Isso aí! — Cauê comentou — Se não, a gente pode declarar que a Nina tá solteira!
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  — Acho justo! Não é possível que seja sempre eu a fazer o trabalho pesado aqui. — Marina zombou e todos riram. Aos poucos foram ficando só os dois enquanto os outros se dispersaram para a saída do vestiário. Marina se aproximou um pouco mais para dentro.
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  — Orgulho de você, meu amor.
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  Pedro sorriu.
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  — Eu também estou.
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  Ela arqueou a sobrancelha.
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  — De você?
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  — De mim.
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  Marina sorriu.
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  — Uau, isso é novidade.
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  — Estou evoluindo, eu te falei.
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  — Está mesmo…
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  Ele segurou a mão dela sem olhar para os lados, sem se preocupar com quem estava vendo.
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  — Vamos embora? Para sua casa?
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  — Vamos.
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  Naquela noite, Pedro não assistiu aos melhores momentos da partida. Também não procurou o próprio nome nas redes sociais. Não abriu nenhuma matéria. Não ficou tentando descobrir o que tinham falado sobre os oito pontos, os quinze minutos ou a cesta de três.
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  Chegou em casa, tomou banho e ficou alguns minutos sentado na cama. Marina saiu da cozinha vindo até ele, no quarto.
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  — Você não vai ver os comentários?
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  — Não.
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  — Tem certeza?
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  — Tenho.
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  Ela apareceu na porta.
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  — Quem é você?
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  Pedro riu.
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  — Um homem novo.
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  — E esse homem ainda é o meu namorado?
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  — Ele é, mas vai te fazer um pedido decente. Juro.
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  Marina riu, se aproximou e o abraçou pelas costas descansando o queixo no ombro dele. Ele ficou em silêncio por alguns segundos.
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  — Nina?
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  — Hum?
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  — Eu confesso, achei que ia ter uma cobrança.
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  — Tipo?
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  — Sei lá. Achei que precisaria voltar pra quadra, e mostrar que ainda era eu…
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  Marina sentou ao lado dele.
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  — E como foi?
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  Ele olhou para ela.
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  — Foi só... jogar.
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  Marina sorriu.
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  — Você evoluiu mesmo. E isso é ótimo, meu amor.
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  Pedro encostou a cabeça no ombro dela.
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  — Acho que sim.
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  Ficaram quietos, em um silêncio que não precisava ser preenchido. Depois de alguns minutos, Pedro levantou.
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  — Estou com fome, e não vou cozinhar hoje. Tô cansado, musa.
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  — Claro que está.
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  — Tem comida?
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  — Tem.
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  Pedro foi para a cozinha. Antes de segui-lo, Marina olhou mais uma vez para ele. Pedro Dornas tinha voltado para a quadra, mas, pela primeira vez, aquilo não parecia ser a única coisa que ele tinha recuperado. E na opinião dela, aquele era o melhor resultado daquela temporada.
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Fim.

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Capítulo 8
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