Fora das Quadras

Escrita porRay Dias
Editada por Lelen

  Nota da autora: Elenquei a música tema do casal. Beggin – Maneskin tudo a ver. Depois me conta nos comentários se concorda.


Capítulo 7

  Pedro acordou com o celular vibrando embaixo do travesseiro. Não precisou olhar para saber. Pegou o aparelho ainda sonolento e encontrou mais de trinta notificações. Mensagens do empresário, do assessor, da mãe, de alguns companheiros de equipe e, principalmente, marcações em publicações que ele não queria abrir.
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  A primeira mensagem de Marina chegou logo depois.
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  “Bom dia. Você viu?”
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  Pedro respondeu:
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  “Vi.”
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  Três pontinhos apareceram.
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  “E agora?”
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  Ele ficou olhando para a tela.
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  A verdade era que não sabia. Até aquele momento, eles tinham conseguido transformar o relacionamento em uma coisa quase clandestina. Não porque tivessem vergonha, mas porque parecia mais fácil, confortável e seguro, que fosse assim. O problema era que a imprensa tinha conseguido transformar justamente o segredo na história de manchete perfeita. Pedro ligou para Marina.
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  — Bom dia, minha musa.
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  — Não vem com gracinha… O negócio tá feio.
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  — Eu estou tentando manter o bom humor.
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  — O momento é de gestão de crise, nada de humor. — Marina comentou um pouco apreensiva.
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  Ele riu e perguntou preocupado:
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  — Você dormiu?
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  — Mais ou menos. E você?
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  — Dormi como um anjo, mas acordei como um pirata perneta velejando um navio na tempestado.
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  Houve um silêncio.
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  — Pedro… A gente precisa se posicionar.
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  — Eu sei.
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  — A gente não pode continuar assim.
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  Ele sentou na cama.
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  — Eu sei, Nina. Desculpa pela exposição.
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  — Não quero acordar todo dia pensando se alguém fotografou a gente. Nem quero chegar no clube pensando se posso falar com você ou não, sabe?
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  — Eu também não! E nem acho justo. A gente não tá fazendo nada de errado, mas essa merda de imprensa…
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  — E eu principalmente não quero que continuem usando meu trabalho para falar de você.
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  Pedro ficou sério.
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  — Nem eu quero que fiquem atacando sua competência. Então vamos acabar com isso. Com o segredo.
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  Marina ficou em silêncio.
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  — Você tem certeza? Também não vamos meter os pés pelas mãos.
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  — Tenho.
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  — Seu empresário vai enlouquecer. Vamos falar com ele e com o pessoal do clube antes.
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  — Provavelmente ele vai enlouquecer. Mas o clube vai ter que se posicionar também.
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  — O Astolfo já disse que não vai se meter… — Nina lembrou. — Acho que é mais sobre a gente manter a nossa transparência com o clube, informar o que queremos fazer.
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  — O Rafa vai fazer alguma piada idiota.
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  — Isso é inevitável. — Marina riu. — E a imprensa? Acha que se abrirmos, vai perder a atenção?
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  Pedro olhou para o teto.
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  — A imprensa vai falar de qualquer jeito… Então que fale depois que a gente contar a verdade.
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  A reunião com o empresário aconteceu naquela tarde. Pedro entrou na sala com Marina ao lado e o homem olhou para os dois. Depois para as mãos dadas. Depois novamente para Pedro.
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  — Finalmente.
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  Pedro franziu a testa.
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  — Finalmente o quê?
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  — Finalmente vocês resolveram parar de fingir que não estão juntos.
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  Marina arregalou os olhos.
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  — Você já sabia?
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  — Pedro, eu trabalho com você há anos. A primeira coisa que aprendi foi que jogador mente mal quando está apaixonado.
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  — Eu não estou apaixonado.
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  Marina virou o rosto.
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  — Dornas…
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  — Tá bom. Estou.
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  O empresário riu.
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  — Ótimo. Então vamos fazer isso direito!
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  Não houve estratégia mirabolante, não houve entrevista exclusiva e não houve pronunciamento dramático. Pedro simplesmente publicou uma fotografia. Essa foi a ideia da equipe.
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  Era uma imagem dos dois sentados em uma cafeteria. Marina estava com uma xícara de café na mão e Pedro roubava um pedaço do bolo dela. A legenda dizia: “Ela ainda não descobriu que o bolo era meu.”. E Marina comentou: “Mentiroso. Era meu.”
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  Em poucos minutos, a publicação estava cheia de comentários: jogadores do Aurora, torcedores, amigos, e, claro, jornalistas. Mas havia uma diferença. Agora não havia nada para descobrir, a fofoca perdeu mesmo a força.
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  Rafael comentou primeiro: “Demorou.”
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  Gabriel respondeu: “EU SABIA.”
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  Cauê: “Então era tratamento VIP mesmo.”
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  Marina respondeu: “Cauê, amanhã sua sessão começa às seis.”
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  O comentário dele desapareceu pouco depois e Pedro riu tanto que quase derrubou o celular.
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  Nos dias seguintes, a imprensa ainda falou. Alguns sites publicaram matérias sobre o casal, outros fizeram perguntas sobre a relação profissional. O clube confirmou apenas que não havia qualquer impedimento interno para o relacionamento e que a recuperação de Pedro seguia normalmente.
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  Marina também deu uma entrevista curta, pela primeira vez. Não falou sobre intimidade, mas falou sobre trabalho:
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  — Pedro é meu namorado — disse, sem fazer suspense. — E também é um atleta que estou acompanhando profissionalmente. Uma coisa não anula a outra. Mas existem limites, responsabilidades e uma equipe inteira envolvida na recuperação dele.
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  Foi suficiente. Não porque a imprensa tivesse perdido o total interesse, mas também porque Pedro tinha parado de entregar a ela aquilo que mais queria: sensação de segredo.
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  Depois disso, a temporada continuou sem ele. E, pela primeira vez desde que chegara ao profissional, Pedro acompanhou uma temporada quase inteira sentado. No começo, aquilo parecia uma punição, mas depois virou rotina. Ele assistia aos treinos, via os jogos e fazia fisioterapia. Treinava força, aprendia a ter paciência. E, principalmente, começou a perceber que o tempo que antes parecia vazio estava cheio de coisas que ele simplesmente nunca tinha enxergado.
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  Passou a visitar o projeto social mantido pelo Aurora; no começo, ia porque Rafael pediu e depois, começou a ir porque gostava. As crianças queriam saber como era jogar no NBB. Perguntavam quantos pontos ele fazia, se já tinha enterrado na cara de alguém, se conhecia jogadores famosos.
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  Um garoto perguntou:
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  — Você fica triste quando não pode jogar?
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  Pedro pensou antes de responder.
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  — Fico. Bastante!
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  — E o que você faz?
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  Ele olhou para a quadra.
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  — Estou aprendendo… Aprendendo que nem sempre a quadra é o lugar mais importante na nossa vida, mesmo sendo atleta.
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  O garoto pareceu satisfeito com a resposta e Pedro também. Era um novo Pedro Dornas se descobrindo sonhando outras coisas, divertindo-se em outros hobbies… Marina começou a reclamar que ele estava ficando metido a filósofo.
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  — Você está insuportável desde que começou a achar que descobriu o mundo porque não fica mais só jogando. — Ela brincou, um dia, quando eles estavam juntos e Pedro começou a filosofar sobre o quanto ela era workaholic, sendo que meses antes, era ele.
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  — Estou evoluindo.
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  — Se você soubesse o tamanho da sua hipocrisia por me dar lição de moral....
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  Eles riam em cada momento em que Dornas, se tornava mais “Pedro”. Ele também começou a cozinhar ou tentar. A primeira tentativa de macarrão terminou com Marina pedindo comida no IFood. A segunda foi aceitável. Na terceira, ela admitiu que estava bom.
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  Pedro comemorou como se tivesse acabado de ganhar uma final.
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  — Finalmente uma conquista! Caramba, você é pior que a Paola Carosella!
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  — Não exagera. Tá se empolgando demais…
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  — Você não entende! Eu passei meses sendo lembrado de tudo que eu não conseguia fazer. Hoje você disse que minha comida está boa!
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  — Eu disse que estava aceitável.
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  — Para mim é quase um Michelin.
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  Ela riu.
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  Aos poucos, Pedro também voltou a ler. Primeiro porque não conseguia dormir, mas então foi descobrindo que gostava. Começou a assistir aos jogos sem ficar obcecado pelas próprias estatísticas, passou a conversar com jogadores sobre coisas que não tinham relação com basquete. Descobriu que gostava de ficar em casa em algumas noites e que não gostava de ficar sozinho. E com suas tentativas melhorando, descobriu que gostava de cozinhar mesmo! E que era péssimo escolhendo filmes para sessões a dois, assim como, mal assistia filmes se a mulher ao seu lado fosse Marina. Não tinha paciência para ficar quieto sem agarrar ela. Descobriu que podia passar uma tarde inteira sem pensar em contratos milionários, patrocinadores ou uma vida de ostentação que durante anos de sua vida ele perseguiu alcançar.
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  E descobriu uma coisa que o assustou mais do que a própria lesão: talvez o basquete não precisasse ser tudo em sua vida.
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  Os meses passaram, a  muleta ficou para trás, depois a bengala e o movimento voltou. A força voltou. Entretanto… A confiança demorou mais.
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  Houve dias bons e dias ruins. Dias em que Pedro terminava a fisioterapia sorrindo, e em que ficava irritado porque o joelho não respondia como queria. Porém, ele não tratava cada dificuldade como uma ameaça à própria identidade e foi Marina quem percebeu antes dele essa mudança na sua autocobrança.
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  — Você não ficou bravo… Tô orgulhosa!
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  Pedro olhou para ela.
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  — Com o quê?
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  — Você não conseguiu fazer o movimento como queria.
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  — Ah…
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  — E normalmente você já estaria reclamando, dizendo que está atrasado, que deveria estar melhor, que precisa recuperar o tempo perdido…
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  Pedro sorriu.
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  — Eu ainda penso tudo isso. Só não acredito mais em tudo que penso.
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  Marina sorriu.
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  — Finalmente! Meu garotinho cresceu.
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  Eles riram da ironia dela, Pedro encostou a cabeça no apoio da maca refletindo enquanto a olhava:
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  — Acho que no começo eu estava tentando voltar para o jogador que eu era.
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  — E agora?
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  Pedro olhou para o próprio joelho.
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  — Agora quero voltar como o jogador que eu vou ser.
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  Quando recebeu a autorização para começar a fase final de retorno às quadras, Pedro não comemorou. Ficou sentado alguns segundos olhando para o documento. Marina estava ao lado.
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  — Não vai falar nada?
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  Ele sorriu.
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  — Estou com medo. Antes eu fingiria que não.
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  Ela segurou sua mão.
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  — Eu sei disso, mas continuo aqui do seu lado. Vai com calma, ok?
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  Pedro levantou. Ainda havia cautela nos movimentos, e não havia pressa. Ele pegou a bola que estava sobre a mesa da sala de fisioterapia. Girou-a nas mãos.
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  — Vamos voltar à antiga?
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  Marina sorriu.
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  — Vamos! Só que eu quero, por favor, ser mais tempo sua namorada do que sua fisio, será que pode ser, ô atleta?!
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  Pedro abraçou Marina deixando um beijo em sua boca, como se concordasse com o trato. E, desde aquela noite em que o joelho direito havia cedido no meio da quadra, não pensou em quanto tempo tinha perdido. Pensou apenas em tudo que tinha encontrado enquanto estava parado.
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  Na manhã seguinte, Rafael mandou uma mensagem: “Quadra às nove. Sem drama. Hora de voltar.”
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  Pedro respondeu: “Não prometo.”
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  Rafael: “Então pelo menos não chega atrasado como antigamente, pelo amor de Deus.”
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  Pedro sorriu, pegou a mochila e foi.
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