Fora das Quadras

Escrita porRay Dias
Editada por Lelen

  Nota da autora: Elenquei a música tema do casal. Beggin – Maneskin tudo a ver. Depois me conta nos comentários se concorda.


Capítulo 6

  A primeira reação de Pedro foi apagar a tela do celular e guardá-lo no bolso. A segunda foi pegá-lo de novo. Marina, havia pego seu próprio celular e aberto sua rede social. Apesar do perfil ser “fechado”, as inúmeras solicitações para seguir, notificações e menções, já diziam o óbvio: sabiam quem era ela. Digitou “Pedro Dornas” na pesquisa, e apareceu a imagem de novo. Pedro e ela continuavam olhando para a fotografia. Não havia beijo, havia toque. Algo que poderia não ser nada, como aquele abraço ladino que Pedro havia dado nela enquanto os dois saiam do ginásio. Era algo pequeno, mas, na internet, aquilo parecia suficiente.
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  — Já descobriram minha rede social e sabem que eu sou a fisioterapeuta do time… — Ela disse.
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  Pedro passou a mão pelo rosto, guardando o celular de novo e absolutamente culpado.
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  — Nina… Eu, eu juro que não queria te expor.
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  — E já tem gente dizendo que eu estou me aproveitando da situação.
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  Ele virou para ela.
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  — O quê?
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  Marina mostrou a tela. Os comentários eram variados. Alguns apenas especulavam, outros eram mais agressivos… Havia quem dissesse que ela estava tentando aparecer, quem insinuasse que Pedro recebia tratamento diferente por causa dela e havia aqueles que questionavam diretamente a competência profissional de Marina.
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“Ela é fisioterapeuta dele ou namorada?”

  Pedro leu cada um e seu rosto fechou, não só em culpa, mas raiva.
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  — Isso é ridículo!
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  — Eu sei… Nem dá para dizer que essa gente é fã do seu trabalho. — Marina suspirou e olhou em torno da sala de fisioterapia do ginásio. — A essa altura os dirigentes do clube já viram, não é?
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  Pedro a encarou preocupado.
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  — O Rafa não falou nada com a gente até agora. E os caras saíram pra almoçar e não fizeram nem uma piada comigo agora há pouco, então…
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  — Estávamos todos trabalhando, Pedro. Você acabou de receber esse print da sua mãe, então provavelmente a matéria saiu esta manhã. Todos devem estar no refeitório almoçando e sabendo disso agora e…
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  — Eu vou falar com a direção do clube! — Pedro arregalou os olhos pensando em sair, mas Marina o interrompeu:
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  — Não.
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  Ele a encarou.
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  — Não?
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  — Se você falar agora, vai parecer que estamos tentando esconder alguma coisa.
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  — Mas você está sendo atacada, Nina! Preciso me posicionar.
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  — E você acha que uma nota sua vai melhorar?
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  Pedro ficou quieto. Marina continuou olhando para o celular.
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  — Se eu aparecer defendida pelo principal jogador do time, piora…
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  Ele sabia que ela tinha razão e odiava isso. Enquanto eles se encaravam sem saber o que fazer, Rafael apareceu na porta dela, com uma expressão muito preocupada.
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  — Rafa… — Nina mencionou logo que o viu.
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  — Preciso que me digam a verdade para eu saber como ajudar vocês.
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  — Rafa, a gente não deve alimentar essas fofocas e…
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  — Nina e eu estamos juntos. — Pedro a interrompeu, confessando para Rafael e com um olhar suplicante: — E eu não vou deixar usarem ela contra mim. Me ajuda, Rafael. Quão grave essa situação é para condição dela aqui no clube?
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  Marina mal pôde acreditar que Dornas não pensou duas vezes antes de contar pro treinador que estava beijando a fisioterapeuta. Valença olhou para os dois sério, mas logo deu um sorrisinho cretino, e encarou Marina ao dizer:
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  — Eu sabia que você estava mentindo.
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  — Eu não estava mentindo. Aconteceu recentemente. Na verdade, Pedro e eu conversamos sobre nos dar uma chance no início da semana e era pra ficar tudo em segredo por enquanto.
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  — Os fotografos estão loucos por furos do Pedro, vocês deram mole. Sair do ginásio abraçados?
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  — Era noite, Rafa!
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  — Pior ainda. — Valença comentou. — Mas, pelo clube não há problema nisso. Não tem nada que impeça dois funcionários de se envolverem, dentro da ética e moral. Só que você não é um funcionário comum, Pedro. E agora precisamos conversar com os dirigentes, porque a mídia vai tentar usar isso contra você sim.
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  — Não posso permitir que ataquem o profissionalismo da Nina!
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  — Rafa, Pedro, calma… A gente precisa agir do jeito certo e com estratégia agora. — Marina suspirou olhando para Rafael — Pode solicitar uma reunião com a direção ainda hoje?
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  Na manhã seguinte, o assunto já havia crescido. Uma página publicou uma matéria perguntando se o relacionamento entre Pedro e Marina poderia explicar a proximidade dos dois durante a recuperação. Outra questionava se a presença constante da fisioterapeuta ao lado do jogador não representaria um conflito de interesses. E não havia nenhuma acusação formal, ainda, mas a dúvida estava lançada.
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  E dúvida, Pedro sabia, era suficiente para virar manchete das mais vis.
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  A reunião com os dirigentes só aconteceu naquela manhã, e o diretor geral do clube, Astolfo Borges, aguardava os três em sua sala com o celular na mão. Assim que Rafael, Marina e Pedro entraram, ele perguntou apontando o aparelho no centro da mesa.
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  — Alguém quer me explicar isso?
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  Pedro e Marina estavam sentados em lados opostos da mesa, e ela permaneceu em silêncio. Olhou para Rafael, e Pedro respirou fundo respondendo primeiro:
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  — Não tem nada para explicar.
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  Rafael olhou para ele.
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  — Então por que tem foto de vocês dois saindo juntos? — Astolfo direcionava-se principalmente ao atleta agora.
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  — Porque a gente trabalha no mesmo lugar, diretor.
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  — À noite?
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  Marina interveio.
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  — Senhor, eu estava terminando alguns relatórios.
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  Rafael olhou para ela.
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  — E ele?
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  Pedro respondeu:
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  — Eu estava a esperando.
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  — Por quê? — Astolfo arregalou os olhos pegando-os no choque. Houve silêncio e Rafael olhou de um para o outro, então o diretor suspirou: — Vocês estão me escondendo alguma coisa?
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  Marina sentiu o coração acelerar, Pedro permaneceu calado e Rafael soltou o ar.
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  — Senhor Astolfo, não acho que seja o problema saber se Marina e Pedro estão em um relacionamento ou não, mas o que faremos com a mídia. Certo?
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  — Eu não quero saber da vida pessoal de vocês. — Astolfo respondeu olhando o casal, e diretamente para Rafael Valença ao afirmar: — Quero saber se isso pode interferir no trabalho. No resultado da temporada, Valença!
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  Marina respondeu imediatamente.
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  — Não interfere, senhor. Eu sou profissional e sempre separei muito bem as coisas. Nunca houve problemas com a equipe técnica do Rafael.
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  — Tem certeza, Marina? Não me incomoda que namorem entre si. Você é fisioterapeuta do clube e acho que não está em discussão a sua competência ou ética, mesmo que a mídia esteja usando isso pra essa porcaria todo. Mas a interferência que me preocupa é outra. — Ele falou a última frase olhando para Pedro.
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  Rafael também olhou para Pedro.
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  — Desculpa, senhor, não compreendi.
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  — Pedro Dornas. — Astolfo o apontou — Já tenho um atleta caríssimo suspenso por lesão, e uma equipe que claramente pontua três vezes menos sem ele. O ideal era que Dornas estivesse focado na recuperação, em apoiar o time e mostrar que nada iria influenciar o Aurora nesse campeonato. Mas, agora… O assunto é o Dornas, de novo, e não a crescente gloriosa do Aurora com ou sem ele, rumo ao título!
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  — Espera… — Pedro falou um pouco ofendido — Não está preocupado comigo ou com a lesão, mas só com a popularidade do Aurora?
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  — Pedro, sabe quantas equipes queria te comprar antes dessa lesão?
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  O atleta bufou e assentiu.
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  — E sabe quantas o querem agora?
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  — Diretor… — ele tentou falar, mas assentiu de novo morrendo a voz.
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  — Pois é. Nenhuma. Você está lesionado e envolvido em polêmicas, e ninguém quer comprar você agora. Então não se preocupe, o Aurora não tinha interesse de vendê-lo antes e ainda que tivéssemos agora, não é o caso. Não estamos preocupados só com a popularidade do Aurora, estamos preocupados com você também. Mas, quem é o elefante branco neste momento? Você ou o time?
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  Houve silêncio e Astolfo Borges assentiu, encerrando o assunto e informando:
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  — Então façam o favor de manter esse relacionamento em discrição. Não iremos nos manifestar a respeito. O clube não vai se meter em suas vidas particulares, mas deixem para ser um casal fora do clube. Aqui dentro, nada de manifestações carinhosas. E… Nosso juridíco vai entrar em contato com seu empresário e advogados.
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  — Senhor Astolfo. — Marina mencionou — Se acharem prudente me substituir na equipe pelo Marcelo…
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  — E dar o que a imprensa quer, Marina? — Astolfo interrompeu e falou ofendido: — Oras você não fez nada de errado! Não foram pegos fazendo nada demais! Só tivemos azar de distorcerem as coisas! Eu não vou obrigar o Rafael a trocar as pessoas da equipe dele por causa de fofoquinhas desse tipo, além do mais, colocar o Marcelo e te afastar é como se a gente dissesse que tem algo errado nessa história.
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  — Além de dar um poder para imprensa, desnecessário. — Rafael comentou em seguida e pegou a mão de Nina. — O Aurora não tem motivos para punir nenhum de vocês. Só precisamos preservar melhor a imagem do time e possíveis estresses que atrapalhem a equipe.
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  — Exatamente! — Astolfo falou e ajeitou seu terno. — Estão liberados, por favor.
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  Os três começaram a sair. Pedro mais calado do que quando entrou.
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  — Dornas! — Astolfo mencionou antes de ficar completamente só, e Pedro era o último a sair da sala — Estimamos sua melhora, mas não temos pressa. Confie em nós, o Aurora te apoia, ok?
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  Pedro assentiu com um sorriso fraco e saiu.
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  Naquela semana, Marina começou a perceber pequenas mudanças. Alguns jogadores passaram a fazer piadas, nada diretamente ofensivo, mas suficientes para deixá-la desconfortável.
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  — Cuidado, Dornas — Cauê brincou certa manhã. — Daqui a pouco vão dizer que a Nina está te dando tratamento VIP.
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  Pedro riu sem graça. Marina não.
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  — Se quiser, posso te dar tratamento de verdade — Ela respondeu. — Começando por estender suas sessões de força para este ombro quase recuperado, em mais vinte minutos, Cauê.
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  O jogador levantou as mãos, surpreso, tal como toda a equipe.
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  — Que é isso, Nina…
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  — Olha só pessoal, não gosto que façam piadas misturando a minha competência profissional com o fato de eu estar saindo com o Pedro, ok?
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  Pedro riu. Ela nem notou, mas estava declarando pro time todo que estava saindo com ele, quando haviam prometido esconder e dizer que era tudo fofoca. Só Rafael e o diretor sabiam da relação, até aquele momento.
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  — Então finalmente um deles admitiu, galera! — Gabriel rompeu o silêncio e gargalhou indo abraçar aos dois.
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  Marina ficou em silêncio chocado, e recebeu o abraço de Gabriel junto com as risadas e zombarias amigáveis dos outros rapazes do time. Rafael observava a bagunça na quadra antes do treino começar e riu.
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  — Chega de fofoca, suas velhas de janela! — O treinador gritou — Todos pra quadra! Pedro, pra fisioterapia!
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  — Ok, treinador! — Pedro comentou se levantando com a muleta e brincando falou para todos enquanto parava na frente de Marina — Pode relaxar que deixaremos a porta da sala aberta!
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  — Deixa de ser idiota! — Marina deu um tapa leve em Dornas e saiu na frente.
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  Ela riu, deixou-se descontrair, mas ainda tinha uma certa preocupação.
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  Nas semanas seguintes, ela começou a tomar cuidado até com a forma como se aproximava de Pedro, fosse no início, durante ou depois da fisioterapia e treinos. Ele não treinava com a equipe, mas estava assistindo quase sempre. E Marina decidiu que, no clube, evitaria tocar nele além do necessário assim como evitaria ficar sozinha com ele. Principalmente, evitaria demonstrar qualquer intimidade que pudesse alimentar as especulações.
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  Pedro percebeu.
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  — Você está se afastando muito, não acha? — disse em um dia que estavam sentados na arquibancada assistindo o treino após o almoço, e ela tomava nota do desempenho de Cauê, o ala que havia tido alta do tratamento há dois dias.
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  — Estou trabalhando.
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  — Você sempre fala isso quando está tentando fugir de alguma coisa. E parece que está tentando fugir de mim.
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  Ela olhou para ele.
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  — Pedro, agora qualquer coisa que eu faça com você vira assunto.
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  — Eu sei.
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  — Então preciso ter cuidado.
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  — Mas, eu não quero que você mude por causa disso.
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  Ela suspirou baixando a caneta na prancheta e olhando para ele, sincera:
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  — Aqui não é lugar pra gente ficar dando bandeira. Mesmo que a equipe apoie e tudo mais, você sabe que pode vazar qualquer merdinha. — Ela fez uma pausa. — Não é só por você. É, principalmente por mim.
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  Pedro ficou em silêncio logo depois de dizer:
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  — Ok. Vou tentar me manter longe de você, se acha que assim é melhor.
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  Alguns dias depois, a situação piorou. Uma matéria apareceu com um título mais agressivo:
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“Recuperação de Pedro Dornas levanta questionamentos dentro do Aurora.”

  O texto insinuava que o jogador estaria recebendo atenção diferenciada por sua proximidade com uma profissional da comissão técnica. Não citava Marina diretamente, mas todo mundo sabia.
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  Rafael entrou na sala da comissão técnica irritado.
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  — Isso está passando do limite. O silêncio do clube parece ter instigado essa imprensa ridícula, e a imagem do Dornas está sendo destruída enquanto ele deveria estar vivendo um momento tranquilo pra se recuperar!
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  Marina leu a matéria que o Valença estendeu para ela.
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  — Eles não têm nenhuma prova… E, bom isso cheira a informação vazada. Quero dizer, que tipo de atenção diferenciada ele ia receber agora? Ele está em tratamento pela lesão! É óbvio que passa mais tempo comigo aqui dentro do que os outros, mas…
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  — Parece uma informação inocente que foi mal colocada. — Fred o preparador técnico que estava ao lado de Marina comentou lendo a matéria também — Marina, você tem alguém aqui que queira te derrubar?
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  — Eu? Não que eu saiba! — Marina comentou e suspirou.
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  — Mas o Dornas tem. — Rafael comentou — E não é aqui dentro. Quem publicou foi aquele jornalista que detesta ele, e sempre faz perseguição. Está se aproveitando do mau momento do Pedro pra atingir onde mais vai doer.
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  Pedro apareceu na porta.
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  — O que aconteceu?
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  Rafael mostrou o celular. Pedro leu, seu rosto mudou.
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  — Isso é absurdo.
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  — Eu sei — Rafael respondeu.
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  Marina respirou fundo.
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  — Mas parece verdade para quem lê.
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  Pedro olhou para ela.
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  — Você não precisa provar nada, Nina! — Dornas falou tentando a tranquilizar.
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  — Preciso, sim. Pedro, estão questionando meu trabalho. — Ele ficou quieto, e Marina apontou para a tela. — Não estão dizendo apenas que eu estou com você. Estão dizendo que eu não consigo separar meu trabalho da minha vida pessoal.
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  Rafael percebeu a gravidade.
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  — Marina...
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  Ela continuou:
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  — Eu passei três anos construindo minha reputação aqui. — A voz dela não tremia, mas estava mais baixa. — Eu não vou deixar uma fotografia destruir isso!
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  Pedro sentiu a culpa pesar.
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  — Então eu termino com você.
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  Marina olhou para ele, Rafael e Fred também. E Pedro percebeu o que havia acabado de dizer. Silêncio.
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  — Eu quis dizer...
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  Rafael levantou uma sobrancelha, com um aviso de que ele só pioraria tudo. Pedro fechou os olhos.
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  — Merda…
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  Marina ficou vermelha. Fred olhou de um para o outro.
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  — “Termina”? Vocês não estavam apenas se conhecendo?
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  Ninguém respondeu. Ele soltou uma risada incrédula.
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  — Vocês estão juntos há quanto tempo sob o nosso nariz!?
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  Marina respirou fundo.
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  — Não faz tanto tempo, Fred! O Pedro só usou a palavra mais fácil… Ele nem me pediu em namoro ou coisa do tipo.
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  Rafael passou as duas mãos pelo rosto.
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  — Vocês dois são inacreditáveis… Eu não quero detalhes, mas sabem que isso precisa ser tratado com muito cuidado. — Rafael voltou-se para Pedro: — E você principalmente.
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  — Eu sei.
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  — Porque se isso virar cada vez mais, problema para ela, não vai ser só uma fofoca sobre sua vida pessoal.
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  Pedro assentiu.
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  Rafael ficou alguns segundos em silêncio, depois suspirou.
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  — Vocês precisam decidir o que vão fazer antes que alguém decida por vocês. E Pedro… Não dá para “terminar” uma coisa que nem começou. Pede ela em namoro, se isso for sério, porque sinceramente, mulher nenhuma estaria passando por esse caos se não se importasse, não é Marina?
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  Horas mais tarde, à noite, Pedro e Marina ficaram sentados dentro do carro, estacionado em frente ao prédio dela. Nenhum dos dois tinha pressa para entrar, haviam conversado o percurso inteiro sobre como agir diante da imprensa, e tudo se resumia em Pedro dizer: “tenho que ver com meu empresário”.
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  — Você está arrependida? — Ele perguntou.
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  Marina olhou pela janela.
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  — De você? — Ela demorou a concluir — Não.
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  Pedro soltou o ar.
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  — Eu também não.
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  — Mas eu estou com medo, Pedro. Não só porque sempre a corda arrebenta pro lado mais fraco, como… Você precisa estar bem pra se recuperar e dentro da sua cabeça tem um monte de fantasmas. Nada disso ajuda.
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  — Eu sei.
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  — Se isso continuar crescendo, alguém vai começar a questionar cada decisão minha sobre a sua recuperação.
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  Pedro virou-se para ela.
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  — Então eu posso mudar de fisioterapeuta, o que acha?
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  Marina olhou para ele.
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  — Você quer?
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  — Não.
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  — Então não fala isso.
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  — Mas eu faria.
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  — Eu sei.
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  Ela segurou a mão dele.
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  — E é justamente por isso que eu gosto de você.
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  Pedro sorriu.
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  — “Gosta”?
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  — Não força.
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  Ele riu, depois ficou sério.
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  — Nina.
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  — Hum?
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  — Quando eu voltar a jogar, isso vai passar?
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  Ela não respondeu imediatamente.
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  — A imprensa?
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  — Tudo.
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  Marina apertou a mão dele.
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  — Não sei. Mas, por enquanto você só precisa decidir se quer mesmo dormir aqui em casa, ou se eu vou ter que dirigir mais vinte minutos pra te deixar no seu apartamento.
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  Ela sorriu e ele também sorria para ela. Pedro pegou a mão dela e levou até sua boca deixando um beijo respeitoso ali. Do lado de fora, um carro passou devagar pela rua e nenhum dos dois percebeu a câmera levantada do outro lado da calçada.
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  Na manhã seguinte, uma nova fotografia seria publicada e dessa vez, não haveria dúvida sobre a proximidade dos dois.
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  E a notícia foi ainda pior:
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“Pedro Dornas e a fisioterapeuta Marina Santos: romance secreto confirmado? Na noite passada, o casal foi flagrado em uma conversa íntima dentro do carro de Marina. Quando irão se manifestar publicamente sobre isso? Nem mesmo o clube, nem a fisioterapeuta ou o atleta disseram algo desde o início das especulações.”

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