She is Love


Escrita porLi Santos
Editada por Lelen


Capítulo 7

  — Noel? Está ocupado? – Questionou-me meio sem graça. Levantei a cabeça.
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  — Não. Quer falar comigo? – Ela afirmou com a cabeça. – Senta aí. – Ela sentou-se. – Como está sendo a viagem? – Tentei puxar assunto.
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  — Está legal. – Sorriu fraco. – Noel, eu preciso te contar uma coisa senão eu vou explodir.– Ela estava nervosa, respirava fundo, parecia realmente que ela iria explodir caso não contasse logo.
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  — Fala, estou ficando preocupado.
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  — Noel, eu estou grávida. – Foi precisa e direta ao ponto sem rodeios. Do jeitinho que a %Mad% é. Por alguns poucos segundos, eu juro que o ar parou de circular pelos meus pulmões. Ela acabou de me dizer que está grávida ou eu estou ficando surdo e louco? – Noel? – Eu não conseguia proferir nada. Apenas a olhava com cara de desespero. – Fala alguma coisa, Noel! Que merda!
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  — Eu... – despertei do transe e prossegui minha fala. – Esse filho é meu, %Mad%? – Não acredito que perguntei isso. Antes eu tivesse ficado em transe...
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  — Como é que é? – Ela perguntou indignada. Sinto que fiz merda. De novo.
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  — Não foi isso que eu quis dizer, %Mad%... eu... – Eu disse sacudindo a cabeça desesperado. Tentei consertar a merda que acabei de falar. Mas é claro que não deu certo...
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  — Eu não acredito que você está duvidando de mim de novo? Caramba, eu jamais mentiria para você e jamais te trairia. Eu beijei o Liam naquele dia, admito, mas transar com outro cara eu jamais faria isso, Noel Thomas! O Liam tem razão, você é um bastardo mesmo!– Disse furiosa, batendo na mesa e se levantando.
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  — Espera, %Mad%! – Segurei seu braço, mas ela logo me deu um soco no rosto. Doeu.
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  — Me solta! Não olha mais para mim. Não fala mais comigo. Nunca mais, Noel! Entendeu? Nunca mais!
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  A essa altura todos já estavam nos olhando. %Madeline% subiu até sua cabine furiosa comigo. Como eu pude duvidar que esse filho fosse meu? Não era bem uma dúvida, mas foi a primeira pergunta que me veio em mente. Então isso se caracteriza como dúvida, né? Ah, eu não consigo raciocinar direito. Eu preciso de um tempo...
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  — O que você fez a ela, Noel?? – Meus pensamentos foram interrompidos pelo puxão que o Liam me deu que quase me derrubou da cadeira.
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  — Liam, por favor...
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  — Fala o que você fez a ela, Noel. Anda! Fala! – Liam cuspia fogo pela boca. Não literalmente, mas eu fiquei com medo da reação dele. Avery tentou acalmá-lo o segurando pelos braços.
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  — Calma, amor, não se estressa com isso. Deixa que eles se entendam. Por favor, Liam!
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  — Me deixa, Ave... – Liam se livrou do abraço da Avery e voltou a me fuzilar com os olhos. – O que você falou pra %Mad%, hein, Noel? Ela estava chorando de novo e você fez alguma coisa para ela. FALA!
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  — A %Mad% está grávida... – Todos ficaram boquiabertos com minha revelação. – E eu perguntei se o filho era meu. – Ficaram mais ainda quando eu concluí a fala. Liam arregalou os olhos e respirou fundo. Eu nem olhei para cara dele, apenas abaixei a cabeça derrotado. Sabia que iria apanhar do meu irmão. Mas eu mereço apanhar. Mereço uma surra bem dada.
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  — Você o que? Não acredito que você está duvidando da %Mad%! Quem você pensa que ela é? A Meg? – Liam estava indignado. Também não era para menos, né? Ele me puxou pelo colarinho da camisa e me deu um soco.
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  — Liam! Não! Não faz isso, Liam! Avery gritava tentando segurá-lo. Em vão.
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  — SEU BASTARDO! EU AVISEI QUE TE DARIA UMA SURRA SE MAGOASSE A %MAD% DE NOVO!! SEU IMBECIL! Liam esbanjava ódio em cada palavra, em cada soco que ele me dava, em cada respiração. Fazia tempo que ele queria me bater. Era uma oportunidade perfeita para ele.
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  — Deixa ele, Avery... eu mereço isso. – Eu realmente merecia aquela surra por magoar de novo a pessoa que mais amo neste mundo. É, eu sou um bastardo mesmo!
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NARRAÇÃO EM TERCEIRA PESSOA

  Na parte de cima do ônibus, ela ouvia a tudo aquilo chorando e com os braços envolvendo a cabeça para tentar amenizar os gritos. Sentiu um toque em seu braço e olhou para cima. Viu o semblante de um amigo.
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  — Andy!
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  Sentiu-se acolhida por ter alguém por perto nesta hora. Andy não disse nada. Abraçou-a e protegeu seus ouvidos dos gritos vindos da parte inferior do ônibus. Enquanto isso, lá embaixo, a briga continuava. O sangue já escorria no canto da boca do Noel. Liam ainda estava furioso, a ponto de matar o irmão. Gem se meteu na briga e segurou Liam com a ajuda de Avery. Alan ajudou Noel a se levantar e o levou para a parte da frente do ônibus, onde ficava o motorista. Noel cuidava de seus ferimentos e fazia uma cara de dor. Mas a maior dor que ele sentia não era a dor dos socos do Liam e sim a dor de saber que magoou a %Madeline% de novo. E como ele foi burro de perguntar aquilo. E como ele foi burro em duvidar do amor que ela sentia por ele. E como ele foi burro ao duvidar que aquele filho que ela espera é dele. É claro que é dele. Quem ele pensa que ela é? Uma biscate igual àquela que ele estava agarrando no estúdio? Não. Ela é o amor da sua vida e ele precisava se desculpar urgente. Mais como? Um flash de lucidez lhe veio. Cantando uma música para ela! Quase deu certo da primeira vez, por que daria errado agora? Não custava tentar.
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  À noite, todos foram para o local do show. Liam ainda não falava com o irmão. Nem olhava para a cara dele. %Madeline%, agora mais calma e ainda com a proteção de Andy, arrumava seu material para gravação do show. E o show começou.
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FIM DA NARRAÇÃO

  Eu estava bem nervoso naquele show. Os motivos todos sabiam. Mas um novo motivo surgiu: tentar convencer a %Mad% que eu a amo e que sou um imbecil. Acho que a segunda parte ela já sabe, todos já sabem, até eu já sei e tenho que admitir isso.
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  O show começou.
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  O público de Manchester nos recebeu muito bem. Todos pulando, gritando nossos nomes. Faz tempo que nós não víamos aqui. Bateu saudade da nossa cidade e viemos tocar justamente no nosso estádio, o estádio do meu Manchester City. %Mad% filmava tudo. Ela ficou responsável por filmar justamente o lado que eu estava. Isso foi determinação do chefe dela, tenho certeza de que ela odiou isso. Ainda mais depois do que aconteceu hoje mais cedo, mas ordens são ordens. Não me importo, eu adorei.
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  O show estava indo super bem. Apesar do Liam ainda não olhar para minha cara em nenhum momento do show. Minto! Ele olhou para mim no início do show e gritou.
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  “BASTARDO DE MERDA!”
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  Ah, o amor do meu irmão por mim, me comove! Ironias à parte, o Liam tem razão: sou um bastardo de merda.
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  Eu estava disposto a me desculpar com ela e nunca mais fazer as merdas que fiz ultimamente. No meio o show eu anunciei que tocaríamos "Wonderwall". Liam não gostou muito, pois queria tocar outra música, mas foda-se. Eu já estava tocando, ele não poderia fazer nada. Comecei a tocar os primeiros riffs de Wonderwall (eu sei, não escrevi a música para ela, mas ela adora essa música, então pensei em homenageá-la assim. Porque ela é tudo para mim) e olhei para ela para ver sua reação. Ela estava emocionada, eu vi em seu olhar, mas não queria demonstrar tanto e se manteve séria se ajeitando no chão ainda segurando a câmera. Depois da segunda parte da música eu olhei para câmera, na verdade para os olhos dela, e pisquei. Ela estremeceu e a imagem ficou tremida no telão, dei uma conferida nele antes de rir me virando para o lado.
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  A música prosseguiu e eu cantei o refrão inteiro olhando para ela.
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“Porque talvez
Você vai ser aquela que me salva
E no final de tudo
Você é meu tudo”

  Na pausa que há antes da segunda parte da música eu parei de tocar e estiquei o braço apontando para ela. Como se eu dissesse que ela era o meu wonderwall, o meu tudo, minha vida. O público foi ao delírio nessa parte. Pude ouvir gritos de "%Madeline%, casa com ele!", "Beija!", "Que lindo!", enfim. Até o Liam gostou e aplaudiu de leve. Novamente ela estremeceu o corpo, mas manteve a câmera na mesma posição, olhou para baixo disfarçando sua vermelhidão. Como se não desse para ver que ela estava morrendo de vergonha, apesar de estar escuro e de ela estar toda de preto e com um boné enfiado na cara.
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  E a música seguiu...
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  Virei para o lado, rindo da reação dela. Ela agora tinha um sorriso tímido no rosto. Levantou-se para filmar meu rosto mais de perto. Continuei virado para frente, sorrindo e cantando. Ao fim da música todos aplaudiram. Liam agradeceu os aplausos, agradeci também. %Mad% voltou a sua posição de origem, agachada com a câmera nas mãos. E eu me levantei da cadeira onde estava colocando o violão no chão. Pedi um minuto da atenção de todos. Alan, Gem, Andy e Liam não entenderam nada. Ninguém entendeu nada. Não estava previsto ter isso durante o show. Gosto de surpreender as pessoas.
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  Well... Peguei o microfone e pude ver que a o chefe da %Madeline% pediu para ela filmar meu rosto durante meu “discurso”.
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  — Olá, Manchester!! – Todos gritaram de volta enlouquecidos. – Queria que vocês me dessem um pouco de atenção, por favor. Serei breve. Peço licença à minha banda também. – Apontei para os caras. Eles estavam esperando para ver o que eu ia falar. Liam era o que mais queria saber o que era. Olhava-me com cara de “hum, vai lá, Noel. Fala logo. Se falar merda eu enfio esse microfone no teu cu”, enfim...Well, hã, queria primeiramente dizer que a música que acabamos de tocar, Wonderwall, foi dedicada para mulher da minha vida. Para mulher que fez com que eu mudasse, mudasse de verdade. %Mad%, eu sei que eu não estou fazendo por merecer o teu amor, mas quero que você me perdoe por tudo de ruim que lhe fiz. Para quem não sabe, a %Mad% é estava pessoa linda à minha frente.– Apontei para ela que estava na minha frente agachada com a câmera na mão. Ela levantou e veio filmar meu rosto. – Opa, agora ela está aqui do meu lado. Oi, linda!– Ela sorriu e respondeu “Oi” para mim. Todos riram da piadinha. –Quero falar aqui na frente de toda essa gente que eu te amo, %Mad%! Te amo muito e você é meu tudo, minha vida. Não sei viver sem você, amor! Me perdoa, por favor! Juro que não faço mais nada que lhe desagrade. Juro pelo nosso amor que é tudo que prezo nessa vida. Me perdoa?! – Ela olhava para mim, para câmera, voltava o olhar para mim. Sua respiração estava ofegante. Eu não esperei ela concluir o pensamento. Levantei-me e peguei cuidadosamente a câmera de suas mãos e pus no chão. Segurei-a pela cintura. Ela estava fria por causa do vento que rolava ali. Ela respirava ofegante um pouco incomodada com nossa proximidade. Eu também respirava fundo, amava ficar pertinho dela, sentindo seu cheiro, sentindo que ela ainda me ama. – Me perdoa, %Mad%? – Repeti a pergunta e agora só ela ouviu. O público gritava “Beija! Beija”, a vergonha que ela sentia sumiu por alguns segundos quando ela pôs a mão no meu rosto e aproximou nossos lábios num beijo. Foi um beijo com gosto de saudade, ansiedade, vergonha... Amor! Todos gritaram comemorando nosso beijo. Ela se afastou um pouco, mas não afastou nossos rostos. Isso foi um “sim”?– Questionei de olhos fechados e acariciando sua cintura. Eu estava anestesiado com aquele beijo. Estava tentando entender se aquilo era realmente real ou se era um sonho.
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  — Vamos com calma, Noel. – Ela respondeu, quebrando o silêncio. – Você não está merecendo tanto assim, seu bastardo... – Disse com um sorriso no rosto e acariciando meu rosto. Seus polegares deslizando pelas maçãs do meu rosto me levou à quase loucura; quase um orgasmo. Abriu os olhos ao mesmo tempo em que eu abri os meus. Nos olhamos por segundos, sorrindo um para o outro. Acho que ela me perdoou. Acho...
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  — Obrigado pela atenção! Ela me perdoou! – Eu disse no microfone e o público respondeu gritando. – Eu espero que sim. – Essa parte eu disse num sussurro. – Voltemos ao show. – Peguei minha guitarra e a pus em seu lugar de origem: pendurada em meu corpo. – Vamos? – Questionei aos outros da banda, todos sorriam felizes por mim. Toquei o primeiro acorde de “Cast No Shadow” e continuamos o show. %Mad% voltou a pegar sua câmera e a filmar.
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