Capítulo 11
— Opa! Cuidado, linda! – Eu disse ainda segurando pela cintura. Ela, ao tentar sair da cama, quase caiu. Recordo-me do dia que ela quase caiu da cama do hotel onde estávamos no dia em que nos conhecemos... – Tudo bem?
— Noel! – %Mad% disse quase chorando e me deu um abraço. – Meu amor! Senti tanto tua falta. – Afundou o rosto em meu ombro de novo. Ah, que saudade desse abraço!
— Oi, linda! Ah, meu amor! Desculpa por eu não estar aqui quando você teve nosso filho. Me perdoa, %Mad%? Me perdoa! – Eu disse desesperado, chorando... eu apertava a cintura dela e seu ombro.
— Ai, Noel! Amor, eu acabei de ter um bebê! Estou toda dolorida! – Queixou-se. Afastei-me na hora ainda chorando.
— Tudo bem, Noel! – Ela disse colocando as mãos e acariciando meu rosto. – Não precisa pedir perdão, amor. Você estava trabalhando e o Thomas foi apressadinho. – Disse rindo. – Era para ele nascer daqui a três semanas. – Concluiu sorrindo. Foi aí que me dei conta de uma coisa.
— Ué, cadê o Thomas? – Perguntei olhando para os lados.
— Como ele nasceu antes da hora, ele está na incubadora. Na verdade, ele está com outros bebês apressadinhos. – Explicou. – Quer vê-lo?
— Pode sim, amor! Vem, vamos lá! – Ela disse segurando minha mão e andando devagar. Envolvi meu braço pela sua cintura e ajudei-a a andar.
Fomos andando devagar pelo corredor comprido do hospital. No fim deste corredor viramos à direita e entramos numa grande sala. Lá a %Mad% falou com a enfermeira e pediu para visitarmos o Thomas. Ela concordou e nos levou à outra sala onde os bebês estavam. Ficamos aguardando do lado de fora. Vimos através do grande vidro todos os bebês. %Mad% me apontou o nosso bebê.
— É aquele grandão ali! Ele é lindo! – Disse %Mad%, abraçando-me orgulhosa do nosso filho.
Eu não conseguia proferir nada, apenas afirmei com a cabeça. Ele realmente é grande e lindo! A enfermeira o trouxe e deu-o para ela segurar. Depois saiu para que ficássemos à vontade. A princípio eu estava meio travado, nem queria segurá-lo. Mas depois eu fui tomado novamente pelo sentimento que me aquecia naquela madrugada. Fiquei olhando a %Mad% segurando o Thomas nos braços, a habilidade que adquiri em horas. Ainda creio que toda mulher já nasce sabendo como segurar um bebê. Na minha vez de segurar ele, comprovei que os homens não nasceram com a mesma habilidade. %Mad% olhou para mim e perguntou se eu queria segurar o Thomas. Eu não respondi. Então ela foi e me entregou ele. Assim sem mais nem menos. E se eu o derrubasse? Ou segurasse de mau jeito?
— Eu confio em você, Noel. Não se preocupe, amor. Você é o pai dele. Você SABE como segurá-lo. ☺
Com um incentivo desses eu não preciso de mais nada nessa vida. E não é que eu realmente sei segurar um bebê? O Thomas não me estranhou, fiquei feliz com isso. Achei que ele fosse chorar e querer voltar imediatamente para os braços da %Madeline%. Ele ficou bem encaixado nos meus braços, quietinho, como se me conhecesse há anos. É até irônico dizer isso pelo fato dele não ter nem 24h de vida. Os olhinhos dele percorriam todo meu rosto, gravando cada detalhe. Eu fazia o mesmo com o rostinho dele. É de família ficar observando os detalhes do rosto dos outros. Liam e Paul também fazem isso. Ele tem um rosto redondo.
“Cara de cuia!”, diria o Liam se estivesse aqui.
— Ele tem uma bochechona rosada, né, amor? – Disse %Mad% encantada com a minha reação ao segurar o Thomas no colo.
— Sim! Tem as minhas bochechas. – Respondi meio bobo.
Aquele sentimento intenso que ainda me aquece do frio só faz aumentar com o passar do tempo. Creio que esse sentimento seja amor de pai. Sim! É amor de pai o que estou sentindo. E assim como o amor convencional, o amor de pai aquece o coração e nos mantém aquecidos à noite. Eu queria ficar mais tempo com meu filho no colo, curtindo aquele pequeno ser encaixado nos meus braços, quentinho. Mas logo a enfermeira veio informar o óbvio: estava tarde e o Thomas precisa descansar. Ah, jura? Eu não me opus a isso. Entreguei-o para enfermeira com um sorriso no rosto. O tal amor de pai está tão forte e claro em mim que a enfermeira, que até então estava séria, sorriu para mim. %Mad% ficou me olhando de canto de olho, sua cara de ciúmes era visível. Boba! Voltamos para o quarto. A coloquei de volta na cama e sentei na beirada. Segurei sua mão e fiquei olhando para um ponto cego qualquer da parede.
— Eu vi os seus olhares e sorrisos para a enfermeira, Gallagher. – Ela disse, quebrando o silêncio, fui obrigado a olhar para ela. Me surpreendi ao ver que tinha um sorriso no rosto ao invés da cara fechada de raiva.
— Não me diga que está com ciúmes daquela enfermeira, %Mad%? – Demonstrei indignação. Ela me olhou confusa.
— Eu? Eu não! Só quero te lembrar que você é meu noivo e pai do meu filho. Você tem responsabilidades, Noelio! – Disse, séria.
Noelio? Sério %Mad%?
— %Mad% você não pode estar falando sério, né? – Acho que ela não está brincando como achei que estaria. Ela olhou para mim como se a resposta fosse óbvia. Ficou me encarando por alguns segundos. Eu estava ficando irritado com aquilo. – %Madeline%, para de brincar!
— Ai, Noel! Calma! Eu... – ela odeia quando a chamo pelo nome. Poucas foram as vezes que fiz isso, normalmente quando brigamos ou quando ela finge estar irritada comigo. Tipo agora. – Ah, amor, desculpa! Eu estava brincando. Eu sei, foi uma brincadeira idiota e fora de hora! – Disse, me dando um beijo no rosto. Vários beijinhos no rosto. Ah, como eu amo quando ela faz isso. Até me esqueci que estava com raiva dela. Comecei a rir.
— Você não tem jeito, %Madeline%! – Eu disse agarrando o rosto dela e dando um super beijo em sua boca. – Não faz mais isso, ok?
— Ok, Noelio! Desculpa! ☺ - Deu-me um selinho e concluiu dizendo. – Da próxima vez eu só demonstrarei ciúmes quando eu realmente estiver com ciúmes, ok?
— Ok, ciumenta! Agora para de me chamar de “Noelio”, ok?!
— Ok, Noelio! ☺ - Rimos juntos.
Nos beijamos novamente e ficamos um tempo abraçados. Ela acabou dormindo toda torta no meu colo. A coloquei deitada na cama, a cobri e fiquei olhando-a dormir. Sentei na poltrona que havia ali e cochilei. Não dormi direito na noite passada, fui acordado cedo pelo Liam e à noite teve o show e depois vim direto pra Manchester. Não dormi nada até agora. Estou morto de cansaço!
Pela manhã eu acordei com o barulho da enfermeira ajudando %Mad% a tomar banho. Elas não perceberam, mas eu ouvi toda conversa. E elas falavam de mim.
— Ah, que romântica sua história com ele, %Madeline%! Meio conturbada, mas romântica. – Disse a enfermeira.
— Pois é Lyla, minha história com o Noel é bem agitada.
— É bom assim, eu acho. Porque aí você prova que realmente ele te ama. Tanto é que estão juntos até hoje. – Explicou a Lyla.
— Pensando bem, você tem um pouco de razão.
As duas riram e vieram andando para fora do banheiro. Voltei correndo para a poltrona e fingi estar dormindo. As duas saíram do banheiro, a enfermeira foi buscar o café da %Mad% e ela voltou para cama. Senti que ela me olhava dormir. E que sorria. Aos poucos eu fui acordando. Abri os olhos e comprovei que ela me olhava e que estava sorrindo.
— Bom dia, dorminhoco! – Ela disse descendo da cama.
— Bom dia, amor! – Respondi. – Volta para cama, anda! Vai! – Levantei rápido e obriguei ela a voltar para cama.
— Ai, minha nossa, Noel, não seja mandão! Até com a %Mad% você é assim, cara?! – A voz do Liam invadiu o quarto. Virei para a porta e lá estava ele parado, de óculos escuros e com a Avery ao seu lado.
— Olá, Liam, bom dia! – Eu disse irônico e terminei de ajeitar a %Mad% na cama.
— Ele está me tratando igual como eu trato o Thomas. – disse rindo. – Olá, Liam! Meu amigo, que saudades de você!
— %Mad%! – Liam aproximou-se e deu um abraço nela. – Como está a mamãe do ano? – Brincou Liam tirando os óculos.
— Quando vou conhecer meu sobrinho/afilhado?
— Em breve, Liam... depois peço para enfermeira trazer ele. – A enfermeira voltou e trouxe o café da manhã dela. – Obrigada, Lyla! – %Mad% agradeceu e a enfermeira saiu fechando a porta. – Querem?
— Ah não, thanks! Comida de hospital? Dispenso. – Disse Avery, que estava sentada na beira da cama, Liam na poltrona e eu em pé ao lado da cama.
— Pode comer seu remédio aí! – Liam disse fazendo cara de nojo.
— Também não quero, amor. Pode comer.
— Até você, baby?! Nossa, vocês são uma injeção de ânimo para mim. – %Mad% disse indignada e comeu seu café da manhã que segundo ela estava bom. Tenho minhas dúvidas.
Mais tarde a enfermeira trouxe o Thomas para o quarto e ficamos paparicando ele. Dois dias depois a %Mad% e o Thomas receberam alta. Chegamos em nossa casa, finalmente nossa casa! Fazia quase três semanas que eu não vinha aqui. E continua tudo do mesmo jeito de quando eu vi da última vez. Só o quarto do Thomas que está diferente. Quando eu saí em turnê o quarto dele estava apenas pintado de branco. A %Mad% queria que fosse azul escuro, da cor do Chelsea, o time dela. Mas é obvio que eu não concordei e quis que o azul fosse mais claro, da cor do meu Manchester City. Ela, obviamente, não quis. Brigamos por causa disso, mas antes da minha viagem ela disse que resolveria a cor do quarto. Para minha surpresa o quarto dele tinha duas paredes brancas, uma azul-Chelsea e uma azul-City. Ela disse que foi a única solução que encontrou para agradar aos dois.
— Quando o Thomas crescer ele vai escolher o time dele, ok? – Ela disse.
O bercinho dele ficava bem na parede azul-Chelsea. Ora essa! Ela quer influenciar meu filho a torcer pelo rival? Vou mudar esse berço de lugar... %Madeline% colocou o Thomas no berço e ficou observando ele dormir. O quarto dele era do lado do nosso para facilitar as muitas idas ao quarto dele. À noite, ela preparou um banho quente para o Thomas. Fiquei olhando ela preparar tudo.
— Noel! Nem pense que você só vai olhar. Você vai dar banho no Thomas! Vem! – Ordeno. Autoritária ela...
— Mas, %Mad%, eu tenho medo de derrubá-lo no chão! – Tentei me livrar do banho em vão.
— Eu estarei aqui para te ajudar. Não se preocupe, Noel. O Thomas é quietinho e não dá trabalho dar banho nele.
— Ah, está bem! Vou buscar a água no fogão...
Aceitei o desafio. Já me senti derrotado por receber ordens da %Mad%, mas ela é quem manda. Ela é a mãe e minha noiva... praticamente, a minha dona. No bom sentido, claro. Não é que eu faça TUDO que ela manda. O fato é que eu sou um homem apaixonado e não me oponho às coisas que ela diz. Quer dizer... menos quando ela me disse que vai convencer o Thomas a torcer para o Chelsea. Pago para ver! Apostei com ela o contrário. Quando o Thomas fizer quatro anos perguntaremos a ele para qual time ele torce. O perdedor da aposta fará aquilo que o outro quiser. Já tenho planos para caso eu vença... A %Mad% que me aguarde!
— Cuidado com os ouvidos dele Noel, cuidado para não entrar água! – Ela ia me orientado no banho. Foi o banho mais difícil da minha vida.
— Como faz isso? Me ajuda, %Mad%! – Eu estava desesperado e ela ria do meu desespero. – Para de rir palhacinha e vem me ajudar!
— É assim que se faz, Noel. – Ela disse, jogando um pouco d’água no pescoço gordinho do Thomas. – Viu? – Questionou com um ar vitorioso.
— É, estou vendo. – Eu disse, conformado de que eu não sabia muita coisa sobre banhos em bebês.
Acabado o banho, eu enrolei o Thomas na toalha para enxugá-lo. Ele parecia gostar de tomar banho. Acho que vai gostar da piscina que tem no quintal quando for mais velho. No dia seguinte fizemos uma reunião aqui em casa para que todos conhecessem o Thomas. Gem trouxe sua mais nova namorada, Lucy; Andy e Alan vieram juntos (quando digo ‘juntos’ quero dizer ao mesmo tempo e não que eles estejam juntos. Enfim...); Spike veio com sua esposa; Liam e Avery trouxeram um enorme presente. Mandaram instalar um parquinho no jardim da frente para quando o Thomas for maior. Todo mundo ficou reparando no rostinho redondo do meu filho.
— Cara de cuia igual a você, irmão!
Sabia que o Liam diria isso. Rimos juntos.
Alguns meses se passaram e o Thomas já estava com um ano e meio. Já começava a andar pelo quarto dele até o nosso. %Mad% estava cada dia mais linda e nós não brigávamos tanto. O filho da Avery já tinha nascido. É um menino, seu nome é Gene. Ele tem alguns meses de vida, graças a Deus nasceu saudável e não tem a cara de idiota do Liam. Ele é meu afilhado, meu e da %Mad%. Liam e Avery já estavam casados. Eu e %Madeline% também. Aliás, o dia do nosso casamento foi mais especial porque tinha a presença do Thomas entregando as alianças. Claro que ele não foi andando, na época ele só engatinhava; ele foi levado pelo Liam devidamente vestido para um casamento. Uma fofura!
— Thomas! Noel! – %Mad% gritou pela casa. Ela tinha acabado de voltar de uma viagem a trabalho. Era domingo de uma linda manhã ensolarada em Manchester. – Noel? Cadê você? Já cheguei!
— Estamos na piscina, amor! – Eu gritei lá do quintal. Ela veio e nos viu na piscina. Thomas de sunga azul-City sentado na beira da piscina e eu de short preto dentro d’água segurando ele pela cintura. – Oi, amor! – Eu disse, ajeitando o cabelo do Thomas que caía em seu olho. Ele tem um cabelo grande e cheio.
— Oi! – Colocou as malas na cozinha e veio se aproximando. – Thomas... Ei, amorzinho! – Assim que ouviu a voz da mãe, o Thomas se virou e sorriu. – Oi, bebê! A mamãe voltou! ☺ - Thomas sentia falta dela toda vez que ela viajava, mas ficava ultra feliz com sua volta. Assim como eu. Ele se virou debatendo-se com as mãozinhas estendidas. – Vem! – %Mad% o carregou. Nem ligou que ele estava molhado. – Tomando banho com o papai, né? – Thomas ficou brincando com o cabelo dela. Ele não falava. Só resmungava. Porém ele entendia tudo que diziam a ele. Uma vez ela brigou com o Thomas porque ele a desobedeceu, então fechou a cara emburrado, cruzou os braços e fez um bicão. Eu só fiz rir.
— Vem tomar banho com a gente, amor! Vai se trocar. – Eu disse e saí da piscina. Dei-lhe um beijo e peguei o Thomas.
Minha linda esposa foi se trocar e voltou com um biquíni do Chelsea que fica lindo nela. Fiquei observando-a preparar um lanche para gente por detrás dos meus óculos escuros. Passamos a manhã de domingo na piscina. À tarde fomos visitar o Gene, Liam e Avery. Liam adorava o Thomas e não podia ver o afilhado que largava seja lá o que fosse que estivesse fazendo para dar um abraço e um beijo nele.