Capítulo 4
Dois dias depois e eu tive alta do hospital, fui até seu apartamento vê-la já que ela não foi me buscar no hospital. Cheguei lá e ela estava com poucas roupas, apesar do frio.
— Noel! – Ficou surpresa ao me ver. Sorriu e me convidou para entrar. – Entra! – Ela estava linda, apesar de vestir apenas um mini short e minha camisa dos Beatles. Fica enorme nela, mas fica linda. Eu vestia meu casaco marrom. Desta vez era o meu mesmo e não o do Liam. – Como você está? Desculpa não ter ido te buscar no hospital. – Ela perguntou sentando-se no sofá. Sentei-me também.
— Estou bem melhor. Bem melhor agora
. – Sorri fraco e olhei para ela. Eu estava nervoso. Segurava as mãos apertando uma na outra.
— Que bom, Noel! Fiquei muito preocupada com você. Faço minhas as palavras do Liam
. – Nós rimos.
— Não posso prometer não passar mal, mas posso prometer me cuidar.
— Parar de fumar ou diminuir o cigarro já seria um bom começo.
— É...– Sorri para ela o meu melhor sorriso, o mais estonteante, aquele sorriso que ela ama. – Me perdoa, %Mad%?
— Pelo que, Noel? – Ela perguntou por detrás do edredom. Nunca entendi o fato de que: se ela sente frio, por que usa roupas curtas? Enfim...
— Por ser tão idiota à ponto de desconfiar da única pessoa que me ama de verdade. – Ela corou por detrás do edredom.
— Ah, Noel, o Liam também te ama do jeitinho que você é. – Brincou tentando disfarçar a vermelhidão. Me mantive sério.
— Você me entendeu, %Mad%. Você me ama com meus inúmeros defeitos e eu te amo da mesma maneira. Hoje percebo que não faz sentido estarmos separados... – Dei uma breve pausa e concluí dizendo: – Fica comigo para sempre? – Fiz o pedido, olhando-a fixamente. Não era bem um pedido de casamento, mas era um pedido de
“vamos viver juntos para sempre”. Ela estava preocupada com algo, quase chorando. – O que houve, pequena? – Percebi que ela estava incomodada com alguma coisa. Será que ela não quer mais ficar comigo? Ah, para Noel Thomas! Chega de pensar nisso.
— Noel, eu te amo, nunca duvide disso. É que eu... – Algumas lágrimas caíram de seu olhar.
— Eu fui chamada pelo meu chefe para gerenciar uma das filiais do estúdio fotográfico dele
. — Isso é maravilhoso, %Mad%! Vai ser ótimo para sua carreira! – Uau! Isso vai ser perfeito para ela. Sempre quis ser gerente de uma das filiais do chefe dela. Mas, ela não estava tão feliz...
— Não é tão maravilhoso... a filial é em Nova Iorque! Vou ter que morar nos EUA, Noel! É muito longe de você... – Desta vez eu que chorei. Ela se livrou do edredom e se agarrou a mim.
— E agora? ... – eu estava desnorteado com a notícia. Como viverei longe dela? – %Mad%, eu não posso... eu não consigo...
—... viver longe de você! – Dissemos juntos com as vozes embargadas. Um nó gigantesco se formou em nossas gargantas. Uma vontade imensa de protegê-la me tomou e eu a abracei forte. Eu afagava seus cabelos. Ela ergueu a cabeça e acariciou meu rosto. Nos olhamos por segundos tentando nos acalmar. Foi então que ela me beijou. Um beijo inesquecível...
NARRAÇÃO EM TERCEIRA PESSOA
E os dois beijaram profundamente. Desesperadamente. Suas vidas dependiam daquela troca de ar. Era o que parecia. Vendo de fora, era possível perceber que aquela moça era frágil, sensível, decepcionada com algumas desilusões, mas que nunca desistiu de lutar pelo que ama. E naquele beijo ela deixou claro que nunca desistiria tão fácil daquele homem. Daquele cara que mudou sua forma de pensar, sua forma de amar, sua forma de viver... E aquele rapaz, por outro lado, demonstrou toda sua paixão, todo seu amor por aquela que beijava ferozmente. E não era só uma qualquer que separaria os dois. Não era a paixão platônica de um irmão e muito menos uma promoção do trabalho que desuniria duas almas apaixonadas. Aqueles dois que se beijavam, no sofá daquele apartamento, no sétimo andar daquele prédio no centro de Londres, realmente nasceram um para o outro. Nada mudaria isso. Eles precisavam de mais do que um beijo profundo. Precisavam de mais... muito mais. Ele a segurou firme na cintura e a levou para o quarto. O sofá já não era mais o suficiente para tanto fervor. Braços envolvidos em abraços. Mãos subindo e descendo pelas costas, nuca, rostos... o fogo que havia ali naquela cama, naqueles beijos e carícias acendeu o estopim de algo desejado por ambos há tempos. A vontade de SER o outro era enorme. Tão grande quanto o amor dos dois. Amor este que uniu duas almas gêmeas, por acaso, numa boate da cidade interiorana inglesa. E eles se amaram naquela noite e por muitas outras se amariam, mas aquela era A NOITE. O reencontro. O pedido de perdão. O pedido de “fica comigo para sempre, meu amor”... O clima naquele quarto, naquela cama, só esquentava. Explodia de paixão; de excitação; de prazer; a entrega de um para o outro custou a acontecer. Lentidão sem torturas; só o prazer de se entregar ao outro ser. O estopim veio como uma rajada inesperada de vento. Um vento devastador que é capaz de arrancar uma floresta inteira do chão. “Fica comigo para sempre...” “Por favor, não vai embora...” “... Diz que vai ficar para sempre?” ... Palavras ditas em meio a suspiros e delírios de ambos que estavam grudados como siameses. Unidos para sempre. Exaustos de tanto mergulhar nesse mar de amor. Não há mais outro caminho a percorrer. Ou eles vivem juntos e felizes. Ou eles não vivem. FIM DA NARRAÇÃO
O barulho dos carros e o raiar do Sol denunciaram que já era manhã em Londres. Eu ainda acolhia, cuidadosamente, a minha pequena nos braços. Realmente esta foi
A NOITE.
— Bom dia, meu amor! – Eu disse assim que ela abriu os olhos e me viu observando-a. minha voz estava fraca: quase um sussurro.
— Bom dia, amor! Dormiu bem? – Perguntou sorrindo.
— Dormi numa confortável cama ao lado de uma linda mulher, passei a melhor noite da minha vida e acordei com esse sorriso da mulher da minha vida... sim, eu dormi muito bem! ☺ - Ela corou. Eu tinha essa facilidade para deixá-la corada. Linda!
— Ah, Noel, eu não quero ir pra NY! Não quero ficar longe da banda, dos meus amigos... de você. – Desabafou chorosa.
— Eu sei, pequena, eu sei, mas por que não fala com o seu chefe para ele te colocar em outra filial? A filial de Liverpool, quem sabe.
— Creio que seja difícil, Noel...
— Ok... quem sabe dá certo, né?
Sorrimos e nos beijamos. Levantei e fui até a cozinha preparar um café da manhã para nós enquanto ela tomava banho. Eu, marotamente, não resisti e fiquei na porta do banheiro espiando-a sem que soubesse. A água percorria toda extensão de seu corpo e aquela mesma vontade que senti ontem voltou com tudo, neste momento. Eu a amo tanto que não saberia viver longe dela. Tudo que está acontecendo me inspirou a escrever para ela. Fiz uma música pra %Madeline%. Na verdade, só tem a letra, mas logo pensarei numa melodia. Mostrarei para ela em breve.
— Demorei? – Ela disse encostada na porta da cozinha. Aproximei-me e dei um cheiro em seu pescoço. Cheirosa como sempre. Ela se arrepiou com o meu gesto.
— Demorou não, baby! Fiz café para nós.– Respondi e tomamos nosso café da manhã. –Vai falar com seu chefe hoje?
— Sim. Vou para lá daqui a pouco. – Respondeu e foi se arrumar.
— Boa sorte, amor! Te amo!
Desejei-lhe sorte e fui embora. Tive que passar no estúdio para resolver detalhes do cd.
Logo eu estava no estúdio.
Fiquei tão concentrado ouvindo as gravações que nem reparei que alguém havia entrado. O tal alguém se aproximou de mim e tampou meus olhos com as mãos frias.