Capítulo 2
A noite seguiu e ficamos ali conversando e bebendo. Horas se passaram e já estava quase amanhecendo, mas ainda estava escuro. %Mad% bebeu tanto que passou mal. Eu a trouxe para o quarto do hotel onde a banda estava hospedada. Ela estava deitada na cama e eu ao seu lado fumando um cigarro. Ela despertou e ficou olhando o abajur que estava aceso e iluminava parte do quarto. Nossas roupas estavam no chão espalhadas e misturadas. Quando foi levantar, %Mad% quase caiu, por causa da bebida ainda estava um pouco tonta. A segurei pela cintura e evitei que enfiasse a cabeça no chão.
— Opa! Cuidado, linda! – Alertei do perigo. Ela sentou-se na cama, coçou os olhos e me viu. – Está tudo bem?
— Noel? – Perguntou assustada. – Onde a gente está, Noel?
— Calma, %Mad%! Estamos no meu quarto no hotel da banda, perto da boate. Você passou mal por causa da bebida e eu a trouxe para cá. Fiz mal? – Fiz minha melhor cara de cãozinho abandonado. Aí, vocês perguntam
“por que não a deixou num quarto sozinha?”. Primeiro, porque nunca deixaria uma mulher bêbada, passando mal, sozinha. Segundo, o hotel está lotado e não tem mais quartos. E terceiro, que eu só tenho a chave do meu quarto. ☺
— Não, Noel! Obrigada novamente..., mas, por que eu estou só de calcinha e sutiã?
– Esqueci-me de explicar essa parte para ela.
— É que... – comecei a explicar. Eu estava totalmente sem jeito. – Bem, %Mad%, a gente se beijou. Não lembra?
— Lembro.– Ela se lembra do beijo! Ótimo. Aos poucos foi lembrando-se de ter me beijado. E de passar mal. E de me jogar na cama, jogando-se em cima de mim. E de tirarmos as roupas. E de... sim, ela se lembrou de tudo.
– Não precisa explicar. Lembrei-me de tudo que aconteceu ontem entre nós. – Respondeu, sem graça.
— E pela sua cara, creio que preferia esquecer-se de tudo, acertei? – Nem precisei fingir a carinha de cãozinho chorão. Realmente eu estava desconfiado de que ela não quisesse se lembrar.
— Não, Noel... eu não quero esquecer. Quero me lembrar dessa noite para sempre. Juro! Eu adorei!
— Seriously? – Perguntei esperançoso.
— Yes, Noel! Mas... sabe, tem algumas coisas que eu não me lembro direito. – Ela sorriu e nem precisou dizer mais nada. Eu entendi tudo que ela queria.
Aproximei-me dela, olhando-a profundamente. Fiz o mesmo que havia feito nas horas anteriores, só que melhor. Nos beijamos e fomos nos deitando. Eu por cima. Ela por baixo. Passei a mão em seu rosto e retirei os fios de cabelo que atrapalhavam sua visão. Acariciei seu rosto e a beijei suavemente. Desabotoei seu sutiã e o retirei. Fiz o mesmo com minha calça. Dali para frente foi tudo diferente da primeira vez. Foi melhor. Mais intenso. Consciente. Perfeito, diria. Dormimos juntos e abraçados ao som de um dos CDs da minha banda. Acordei e fiquei observando-a dormir. Tão serena. Ela acordou e me encarou sorridente.
— Oi!
– Disse, sorrindo com o olhar e acariciando seu rosto.
– Agora você se lembra direitinho do que aconteceu? – Rimos.
— Sim.
– Suspirou.
– E agora. Noel?
— E agora que eu não conseguirei mais viver longe de você. É mais forte que eu.
– Respondi convicto do que dizia. Realmente, eu estou envolvido. Sim, eu estou apaixonado. Foi mais rápido do que imaginei. Fulminante.
– Nunca senti algo parecido por ninguém do que sinto por ti, %Mad%. É uma atração muito forte... – Confessei, meio constrangido.
— Por mais incrível que pareça, eu sinto o mesmo por você, Noel.
– Suspirei aliviado. Sorri radiante.
– É forte e repentino demais para controlar!
— É agora que eu te peço em namoro, você aceita, eu beijo você e nós transamos de novo!
– Gargalhei ao fim da frase. Ela se manteve séria.
— E quem te disse que eu vou dizer ‘sim’?
— Vou pensar... isso me assusta um pouco, Noel... tudo assim tão rápido.
– Confessou, encarando-me.
— Já pensou?
– Perguntei afobado, ignorando sua apreensão.
— Sim. – Sorriu revirando os olhos.
— E a resposta é... – Ela, na verdade, estava desdenhando de mim. Ela já tinha uma decisão tomada.
— Eu aceito te conhecer melhor e namorar você, Noel Gallagher!
— Que bom ouvir isso!
– Beijei-a – Eu vou te fazer feliz, %Mad%. Seremos felizes juntos! Você vai ver.
... E fomos felizes. Nos primeiros meses fomos um casal feliz, sem problemas. Planejamos um futuro para nós. Após esse tempo de namoro, eu comecei a demonstrar certo desconforto. O motivo tinha nome e sobrenome, o mesmo que o meu:
LIAM GALLAGHER! O cafajeste do meu irmão virou o melhor amigo dela e isso estava me irritando pelo simples fato dele ficar dando em cima dela o tempo inteiro. O pior é que ela dava corda para ele. Pois, no dia em que eu perder a paciência, pegarei esta corda e o enforcarei. Liam e Avery até tiveram um rolo, mas não passou de duas semanas. Logo, ele havia arrumado outra e se esquecido dela. O ruim é que ela não se esqueceu dele. Filho da mãe... Bem, não sou só eu que tenho um ‘carma amoroso’. %Mad% odeia a Meg, uma grande amiga. Amiga mesmo, juro! %Mad% tinha me chamado para ir até sua casa para pedir desculpas pelo escândalo que ela fez no estúdio ontem, após me pegar lá com a Meg pendurada em meu pescoço. Sorte minha que ela não viu o beijo que Meg me roubou...
Antes da minha chegada, %Mad% recebeu o infeliz do Liam em seu apartamento.
— Boa tarde, meu amor!
– Ela achou que fosse eu, mas era a figura do meu irmão que se encontrava em pé à sua frente. – Liam? Oi!
– Ela ficou constrangida, afinal estava com roupas curtas. Liam nunca a tinha visto naqueles trajes e se depender de mim nunca mais verá. Furo os olhos dele!
— Oi, %Mad%... estou atrapalhando?
– Eu entendo o fato do meu irmão olhar maliciosamente para as pernas de uma mulher... CONTANTO QUE NÃO SEJA A MINHA!
— Na verdade, eu estava esperando seu irmão.
— Ah, sim, então eu volto outro dia. – Ele disse e foi saindo.
— Espera, Liam! O que houve? Parece-me triste. – Ele estava bem abatido e juro que eu não sou o responsável pela tristeza dele.
— Não. Não é nada, %Mad%. Não se preocupe comigo. Você e o Noel precisam conversar. Não quero atrapalhar!
– Atitude consciente, irmão!
— Não, Liam! Entra... o Noel pode esperar
. – Posso é?
– Você precisa de mim agora.
– Não acredito que... ele entrou, sentou-se no sofá e abaixou a cabeça. %Mad% ofereceu uma bebida.
– O que aconteceu, Liam?
— Eu... %Mad%, eu terminei com a Nicole.– Nicole é a moça que ele pegou após terminar com a Avery. Uma mulher estranha. Nunca gostou de verdade do meu irmão, mas ele, idiota, a achava gostosa. E só. – Descobri que ela me traía esse tempo todo.
— Oh, Liam... – %Mad% aproximou-se dele, que estava chorando. A última vez que o vi chorar foi quando tinha dez anos e eu quebrei sua bicicleta sem querer. Ele não falou comigo por semanas.
– Ela nunca te mereceu, Liam, eu sempre te disse isso!
— Eu sei, %Mad%... eu estou precisando de carinho e não de mais sermão, por favor...– Abaixou novamente a cabeça deitando-se no colo dela. Isso está me cheirando mal já...
— Don’t cry, baby! Liam... não chora!
– Ela o abraçou e ele, aproveitador de quinta, foi levantando o rosto e aproximou-se do rosto dela.
– O que aquela vadia fez para ti, meu amigo...
– Na distração dela, ele se aproveitou para segurar em seu rosto e beijá-la. SUCKER (aproveitador) DE QUINTA! VOU MATÁ-LO! Ela não teve reação a não ser a de deixá-lo beijá-la. Foi bem nessa hora que eu cheguei e vi tudo: meu irmão e minha namorada se beijando. Que sujo!
– Noel!
– De imediato, %Mad% empurrou Liam para longe dela.
— %MAD%! LIAM! QUE MERDA É ESSA?
– Eu estava furioso. A ponto de matar o Liam ali mesmo.
— Noel, eu posso explicar...
— CALA A BOCA, LIAM! Não quero te ouvir... %Mad%, o que está havendo?
– Minha voz estava embargada, eu mal conseguia respirar.
- Noel, desculpa! Por favor, me perdoa. Eu não queria... O Liam chegou aqui triste, precisando de ajuda e eu não pude negar...
– Ela tentava me explicar, mas eu não queria mais ouvir nada. Estava surdo de raiva.
— E precisava beijar ele?
– Rebati.
— I’m sorry! Please, I’m so sorry, baby!
— SHUT UP! Já chega, %Mad%... chega! Não quero mais ouvir nada! Bem que me disseram que um dia você e o Liam acabariam me traindo...
– Cego de raiva, eu disse sem pensar no que dizia.
— Não fala assim com ela, Noel!
– Liam se pôs entre nós para defender ela. Ele odiava quando alguém gritava com a %Mad%.
— Não se mete, Liam! Isso não é da sua conta.
— É sim! Não vou deixar você falar com a %Mad% como se estivesse falando comigo! Ela é sua namorada e não sua irmã.
— Ah, Liam, não enche! Sai daqui!
– Minha paciência com meu irmão era a mínima possível. O empurrei para longe. Ele revidou me dando um soco. – Ora seu...
— PAREM! Parem com isso agora!
– %Mad% estourou e se meteu em nossa briga e me segurou pelos braços.
— Me solta, %Mad%. Não quero te machucar!
– Eu estava respirando fundo para não meter a mão na cara do Liam.
— Não, Noel... eu sou sua namorada e amiga do Liam. Não vou deixar vocês dois se matarem! Para com isso!
— Solta ele, %Mad%. Quero ver se ele tem coragem de me bater!
– Meu irmão, sempre provocativo. Tentei me livrar do abraço da %Mad%, mas ela me segurava forte.
— Para de provocar, William Gallagher!
– Ela gritou e Liam desfez sua posição de ataque. Eu mantive a minha.
— Me desculpe, %Mad%...
– Respondeu-lhe passando as mãos nos cabelos e andando de um lado para o outro. –É que eu não aguento mais ver este imbecil te deixando de lado ou por causa da Meg ou por causa do ciúme compulsivo que ele sente de mim.
– Eu o olhava fixamente, com raiva. Muita raiva.
— E quem você pensa que é para se meter no meu namoro? Hein, Liam?
— Seu irmão! Não seja um bastardo, Noel! Nenhuma mulher aguenta homem ciumento e muito menos a competição com outra mulher. A %Mad% não merece isso! – Enquanto ele dava seu discurso, eu respirava fundo. Bem fundo.
– Será possível que você não vê que a %Mad% te ama, o quão doce ela é...
— Você fala como se meu ciúme não tivesse o menor cabimento, mas você sabe que tem, Liam!
— Ela não vai te largar por minha causa, imbecil! Você não dá valor para ela.
– %Mad% ouvia tudo aquilo agarrada a mim. Em meio àquela fúria percebi que ela chorava.
– Se ela te largar será por sua culpa!
— Não me faça rir, Liam, por favor! Você quer tudo que é meu e está fazendo esse circo todo só para me irritar.
— Não preciso fazer muito para te irritar, irmão. Você se irrita por qualquer coisa. Idiota.
– Estourei e parti para cima dele, mas %Mad% foi mais rápida e pulou em cima de mim.
— ENOUGH!
– gritou ela e nós quase caímos. Eu e Liam paramos e olhamos para ela. – Não aguento mais vocês dois! Saiam daqui agora!
– Ela apontou para porta.
– Saiam!
— %Mad%, espera... – Liam tentou acalmá-la, em vão.
— SAIAM DAQUI! – Ela gritou novamente e chorou. Obedecemos e fomos embora.
Saímos da casa dela sem dizer nada. Nem olhei para cara do idiota do Liam. Antes de ir eu deixei um bilhete abaixo da porta da casa dela. No bilhete, pedia um tempo para pensar. Eu estava confuso, realmente precisava de um tempo para pensar e processar toda essa informação. Meu coração velho já deveria ter se acostumado com tantas mágoas, mas jamais se acostumará. Eu voltei para casa e fiquei lá mergulhado numa tristeza profunda. Enquanto isso, no apartamento da %Mad%, ela também tentava processar toda aquela informação. Deitada em frente ao sofá, ela chorava pensando num jeito de me ter de volta. Assustou-se quando ouviu a porta se fechar, levantou e viu o semblante do Liam parado atrás do sofá. Eles se olharam. Liam se aproximou e a abraçou. Não disseram nada um para o outro, ele apenas acariciou os cabelos dela como eu fiz tantas vezes. Todas as vezes que brigamos o motivo era sempre ou o Liam ou a Meg. Esses dois são o nosso carma amoroso. Horas se passaram e eles ainda estavam agarrados. Não gosto disso.