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História NÃO RECOMENDADA PARA MENORES ou PESSOAS SENSÍVEIS.

Esta história pode conter descrições (explícitas) de sexo, violência; palavras de baixo calão, linguagem imprópria. PODE CONTER GATILHOS

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Nos Seus Olhos

Escrita porAven Lore
Editada por Lelen

CAPÍTULO OITO

Tempo estimado de leitura: 27 minutos

  %Sunoo%’s POV:

  Minha cabeça rodava e minhas mãos ainda estavam em %Niki%, que permanecia parado no mesmo lugar imóvel.
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  — O-o que foi isso? — Perguntei com a voz totalmente trêmula.
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  — Um erro %Sunoo%… um erro. — %Niki% segurou meu rosto entre as mãos e eu apertei a barra de seu moletom. — O erro mais gostoso que já cometi na vida.
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  E em segundos seus lábios estavam nos meus de novo.
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  Os dedos dele ainda estavam quentes na minha pele quando %Niki% voltou a me puxar — dessa vez sem nenhuma hesitação. O ar ficou preso no meu peito por um segundo, como se o mundo tivesse esquecido de girar, e então os lábios dele encostaram nos meus de novo.
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  Mas não foi como o primeiro beijo.
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  Esse veio mais lento… mais decidido… como se ele tivesse finalmente admitido para si mesmo o que queria. As mãos dele deslizaram do meu rosto para minha nuca, seus polegares acariciando a linha da minha mandíbula, e o toque fez minhas pernas tremerem.
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  %Niki% inclinou a cabeça só o suficiente para aprofundar o beijo, e senti o calor dele tomar conta de mim por inteiro. Meu coração estava batendo tão forte que eu tinha certeza que ele conseguia sentir pelo jeito desesperado com que eu agarrava o moletom dele. O jeito que sua boca se movia na minha era suave e ao mesmo tempo cheio de fome — como se ele estivesse há muito tempo se segurando.
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  Quando ele mordeu de leve meu lábio inferior, um suspiro escapou de mim antes que eu pudesse controlar. Ele sorriu contra a minha boca, daquele jeito de canto que sempre me desmontou, e me puxou pela cintura, nos colando como se o espaço entre nós fosse proibido.
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  Eu já não sabia onde acabava eu e começava ele. Só sabia que, naquele instante, eu queria mais — mais da boca dele, mais do toque dele, mais daquele erro que não parecia nem um pouco errado.
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🩹🩹🩹

  %Dalny%’s POV:

  Meus pés se moviam lentamente em direção ao banheiro, e então com um baque surdo dos mesmos nos pisos de madeira da casa de %Mina%, eu parei de andar quando bati meus olhos em %Sunoo% e %Niki%.
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  Atracados um no outro, as bocas se movimentando uma sobre a outra com vontade e desejo. Meus olhos marejaram pesadamente e eu senti que deveria sair correndo, mas simplesmente não conseguia desgrudar meus olhos da cena.
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  E lá eu permaneci, até que os dois se separassem ofegantes. Eu pigarrei e então nossos olhares se encontraram. Primeiro os meus com os de %Niki%, depois os meus com %Sunoo%. Uma lágrima quieta e quente escorreu pela minha bochecha, mas eu a limpei. Não daria a %Sunoo% o gostinho de me ver desmoronar de novo.
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  — %Dalny%! — %Sunoo% sussurrou, se separando de %Niki% e vindo em minha direção.
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  Balancei a cabeça em negativa.
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  — Desculpem, eu não queria ter atrapalhado vocês. Eu deveria ter ido embora.
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  — %Dalny%, espera — %Sunoo% tentou mais uma vez, estendendo a mão como se pudesse me alcançar pelo ar.
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  Eu dei um passo para trás.
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  — Por favor… não. — Minha voz saiu baixa, firme apesar do tremor.
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  %Niki% não disse nada — mas sua expressão… Deus. Ele parecia partido, como se tivesse acabado de perceber algo tarde demais. Seu peito subia e descia rápido, e ele apertava a barra do próprio casaco, como se precisasse de algo para segurar.
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  Meu olhar voltou para %Sunoo% e eu senti meu estômago se retorcer.
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  — Eu juro que não foi… — ele começou, mas eu o cortei antes que pudesse continuar.
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  — Não foi planejado? Não foi sobre mim? — Ri, e o som saiu vazio, quebrado. — Acredite, eu sei. Sempre soube.
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  %Sunoo% parou. O silêncio pareceu mais alto que a música da festa ao fundo.
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  — %Dalny%… — ele deu mais um passo.
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  — Eu vim só pegar minhas coisas e ir embora — murmurei, abraçando os braços ao redor do corpo, como se isso pudesse impedir o frio que começava a subir pela minha pele. — Vocês não precisam ficar desconfortáveis por minha causa. Continuem… sei lá. Fazendo o que faziam.
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  %Sunoo% fechou os olhos por um segundo, como se aquela frase tivesse o atingido no peito.
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  %Niki% deu um passo adiante, hesitante.
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  — %Dalny%… por favor, olha pra mim.
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  Olhei. Contra minha vontade, eu olhei.
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  Ele parecia genuinamente destruído.
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  — Eu nunca quis te machucar — disse ele, voz baixa, quase um pedido. — Nunca. Você é… você é a pessoa que eu mais confio.
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  Algo em mim tremeu. Porque era verdade. E porque isso doía dez vezes mais.
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  — Eu sei — respondi, e minha voz finalmente falhou. — Mas isso aqui… — apontei entre eles dois, o espaço ainda carregado — não tem nada a ver comigo. Eu sou só… a idiota que não viu nada acontecendo.
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  %Niki% deu outro meio passo.
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  — Não fala assim de você — ele disse, o olhar implorando algo que nem ele parecia entender. — Você não é isso. Nunca foi.
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  %Sunoo% tentou mais uma vez:
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  — %Dalny%, por favor, não vai embora assim. Não sem—
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  — %Sunoo%, para. — Minha voz saiu num sussurro lacerado. — Você me deixou uma vez sem nenhuma explicação. Você sumiu. E agora eu descubro… que foi por isso. Por isso você foi embora, porque era apaixonado pelo %Niki% e não por mim.
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  Ele engoliu seco, os olhos brilhando.
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  — Não foi só por isso — ele murmurou, num fio de voz. — Mas você tem razão. Eu fui embora porque… porque eu não sabia o que fazer com tudo que eu sentia.
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  O olhar dele desviou para %Niki% por um instante — e aquilo foi o suficiente para meu coração se partir mais um pouco.
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  Respirei fundo, tentando manter a postura.
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  — Eu não vou fazer escândalo — respondi. — Só quero ir embora.
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  %Niki% finalmente achou coragem de se mover de verdade, chegando perto o bastante para sua mão quase — quase — tocar meu braço.
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  — Eu te levo em casa — ele ofereceu, a voz vacilando. — Você bebeu. Não quero que vá sozinha.
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  Eu fechei os olhos por um segundo. Não sabia qual dos dois doía mais.
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  — Não precisa — sussurrei.
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  — Precisa sim — ele insistiu, baixinho. — Pelo menos deixa eu te acompanhar até o carro.
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  Meu peito apertou.
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  Ele estava preocupado… E isso deixava tudo pior.
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  Depois de alguns segundos que pareceram séculos, apenas assenti.
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  — Só até o carro.
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  %Sunoo% ficou imóvel, como se tivesse acabado de perder algo grande e soubesse. Seus olhos me acompanharam quando virei para a porta, e eu senti… senti que aquele momento ia ser uma quebra irreversível.
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  Mas, no fundo, uma parte de mim sabia:
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  Talvez nada estivesse quebrando. Talvez estivesse apenas começando a revelar o que sempre esteve ali.
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🩹🩹🩹

  %Niki%’s POV:

  A porta da casa de %Mina% se fechou atrás de nós, abafando a música e deixando só o som dos nossos passos no quintal silencioso.
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  %Dalny% caminhava rápido. Rápido demais. Os ombros tensos, a respiração curta. Como se fugir fosse a única coisa que a impedisse de desabar.
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  Eu segui atrás, sem coragem de encostar nela, sem coragem de deixá-la ir sozinha.
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  — %Dalny%… — chamei em voz baixa.
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  Ela não parou.
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  Meu peito apertou. Cada passo que ela dava parecia um lembrete de que eu tinha ferrado tudo de novo. Com %Sunoo%. Com ela. Comigo mesmo.
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  — %Dalny%, por favor.
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  Ela finalmente virou, abrupta, como se eu tivesse puxado um gatilho.
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  — O que você quer, %Niki%? — perguntou, e a voz dela estava trincada. — Quer explicar? Quer dizer que foi um erro? Que eu não devia ter visto?
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  Engoli seco.
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  — Eu… não sei o que dizer — admiti. — Eu só não quero que você vá achando que eu fiz aquilo pra te machucar.
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  Ela riu. Mas não era um riso.
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  — Eu nunca achei que você faria algo pra me machucar — disse. — Esse é o problema.
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  O ar me deixou por um instante.
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  — Eu não queria que você visse — murmurei. — Não assim. Não daquele jeito.
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  — E de que jeito eu deveria ver? — Ela deu um passo na minha direção, o olhar queimando. — Me diz, %Niki%. Me diz o jeito certo de assistir meu melhor amigo beijando o cara que me partiu ao meio?
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  Cada palavra entrava em mim como facas.
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  — Eu não sabia que ele ia me beijar de novo — respondi, honesto demais. — Mas quando aconteceu… eu… eu não consegui parar.
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  A expressão dela mudou — não para raiva, mas para algo muito mais perigoso.
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  Dor.
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  — E por que não conseguiu? — ela perguntou, baixinho, quase um sussurro. — Por que, %Niki%?
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  Fiquei sem ar.
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  Porque eu sempre senti. Mesmo quando não devia. Mesmo quando ela era a única pessoa do mundo com quem eu conseguia ser inteiro.
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  Porque parte de mim sempre esteve presa a %Sunoo%… E parte de mim sempre pertenceu a ela. Mas como eu podia dizer isso sem destruí-la ainda mais?
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  — Eu não… — comecei.
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  — Fala — ela pressionou. — Uma vez na vida, fala a verdade pra mim.
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  O jeito que ela estava me olhando… Deus. Me desmontava.
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  — Porque eu também queria — saiu da minha boca antes que eu conseguisse impedir.
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  O silêncio que caiu entre nós era espesso, elétrico.
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  %Dalny% respirou fundo, e seus olhos se encheram de lágrimas novas. Mas ela não recuou.
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  Pelo contrário.
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  Ela deu mais um passo em minha direção.
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  Nós ficamos tão perto que eu podia sentir o calor da respiração dela batendo no meu queixo. Minha mão se ergueu por instinto, como se sozinha, e pousou em seu braço. Ela não se afastou. A mão dela subiu devagar até meu peito, bem onde meu coração batia descompassado.
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  — Então por que dói tanto? — ela sussurrou.
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  Eu fechei os olhos.
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  — Porque tudo em você me importa — respondi, a voz rouca. — Mais do que devia.
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  A respiração dela vacilou.
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  Nos aproximamos sem pensar. Sem querer. Sem conseguir evitar.
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  O mundo pareceu diminuir ao redor da gente, até sobrar só o espaço microscópico entre nossas bocas. Eu senti o toque leve do nariz dela roçar no meu. Minhas mãos subiram para o rosto dela, porque eu não conseguia… simplesmente não conseguia não tocá-la.
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  %Dalny% inclinou o rosto, só um pouco. O suficiente para o ar entre nós sumir.
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  Eu ia beijá-la. Eu juro que ia…
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  Mas ela abriu os olhos no último segundo.
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  E a culpa passou por eles como um raio.
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  Ela recuou um passo, ofegante, levando a mão aos lábios — como se tivesse acordado de um transe.
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  — Isso não… — ela sussurrou. — Isso não pode acontecer. Não assim.
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  Meu peito ardeu.
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  — %Dalny%…
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  — Eu tô machucada demais para entender o que eu sinto — ela disse, a voz falhando. — E você também está.
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  Ela respirou fundo, piscando rápido para afastar as lágrimas.
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  — Vamos só… só até o carro, %Niki%. Antes que a gente faça outra coisa que não dá pra desfazer.
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  Eu assenti, mesmo que tudo em mim gritasse para segurá-la.
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  Durante o resto do caminho, caminhamos lado a lado. Sem encostar. Sem olhar.
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  Mas o ar entre nós ainda vibrava com o beijo que quase aconteceu. E com a certeza de que, mais cedo ou mais tarde, nenhum de nós conseguiria fugir daquele momento de novo.
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🩹🩹🩹

  %Dalny%’s POV:

  Quando cheguei em casa, depositei um beijo rápido na testa de meu velho pai e subi para o quarto, cega. A visão embaçada pelas lágrimas, a cabeça confusa, o peito machucado. Tudo muito, tudo demais para assimilar.
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  Automaticamente me vi ligando para %Heeseung%, esperando que ele me atendesse o mais rápido o possível. E assim ele o fez, suspirei quase aliviada quando ouvi o “alô” dele do outro lado da linha.
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  — %Hee%? Vem para cá, por favor! Vem para a minha casa, eu preciso de você!
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  %Heeseung% respondeu brevemente um “tô indo, %Dal%”, e desligou me deixando ainda com o telefone nos ouvidos, torcendo para que ele chegasse rápido. Ele seria o único a conseguir me acalmar naquele momento, e eu precisava dele, mesmo me sentindo um pouco egoísta.
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  Mais pensamentos passaram pela minha cabeça enquanto eu me lembrava da cena de %Sunoo% e %Niki% se beijando com aquela intensidade toda… eu não deveria ter deixado o %Heeseung% na mão… talvez devessemos reatar de vez. Quem sabe ele não era o amor para a minha vida? Quem sabe ele não me faria esquecer completamente o %Sunoo%? E %Niki%? Meu Deus ainda havia aquele quase beijo com %Niki% e a forma que meu corpo todo reagiu á isso…
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  Joguei o celular no colchão e pressionei as mãos contra o rosto, tentando impedir que outro soluço escapasse, mas falhei miseravelmente. O quarto parecia pequeno demais, quente demais, sufocante demais para toda a bagunça que eu sentia dentro de mim.
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  Do nada, meu corpo agiu sozinho.
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  Levantei da cama tão rápido que quase tropecei no tapete.
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  Comecei a andar pelo quarto, de um lado para o outro, abraçando o próprio corpo, uma energia desesperada fervendo sob a minha pele como água prestes a transbordar.
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  — O %Sunoo% não devia ter voltado — sussurrei primeiro, como se testando as palavras.
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  Continuei andando.
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  — Ele não devia ter voltado — repeti, mais forte. — Não devia!
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  A cada passo, a lembrança do beijo dos dois se reproduzia como um filme cruel na minha mente: as mãos dele no rosto de %Niki%, os corpos próximos demais, a forma que eles… se pertenciam. Aquilo me corroía.
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  — Não devia ter voltado! — minha voz saiu sufocada, quase um grito. — Não devia ter aparecido de novo, bagunçar tudo outra vez!
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  Passei a mão pelos cabelos, puxando um pouco, respirando de forma trêmula.
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  — Eu já tava… eu já tava seguindo em frente! — falei para o teto, para mim mesma, para o universo que parecia rir da minha cara. — Eu tava conseguindo! Eu tava com o %Heeseung%, eu tava bem! Por que ele voltou? Por quê?!
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  Meu passo tropeçou e eu me apoiei na escrivaninha, enquanto uma risada curta e amarga escapava de mim.
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  — E %Niki%… meu Deus… %Niki%… — toquei os próprios lábios, sentindo o tremor que voltou só de lembrar a proximidade, o quase que quase virou tudo. — Por que meu corpo reagiu daquele jeito? Por que eu…?
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  Respirei fundo, forte, dolorido.
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  — Ele não devia ter voltado… — repeti pela quinta vez, como um mantra tentando me proteger de algo impossível. — Ele não devia, ele não devia…
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  Mas a verdade é que, mesmo dizendo aquilo… O que doía mais não era a volta dele.
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  Era o que a volta dele tinha despertado em mim.
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  E eu não fazia ideia de como lidar com isso.
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🩹🩹🩹

  %Dalny%’s POV:

  A porta se abriu e eu praticamente me joguei os braços de %Heeseung%, sentindo suas mãos segurarem minha cintura e meu corpo com firmeza.
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  — Ei, ei… tô aqui — ele murmurou contra meu cabelo, a voz baixa, quente, firme. — Calma, %Dal%… respira comigo.
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  Me agarrei à camisa dele com tanta força que meus dedos doíam, mas eu não conseguia soltar. Meu peito subia e descia rápido, descompassado, como se estivesse tentando acompanhar o ritmo da confusão na minha cabeça.
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  Ele passou uma das mãos pelas minhas costas, devagar, do jeito carinhoso que sempre soube me acalmar.
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  Mas hoje… não funcionava.
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  Hoje, nada parecia suficiente.
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  Um soluço escapou de mim, alto, dolorido, e %Heeseung% apertou o abraço, me envolvendo como se pudesse me proteger do que quer que estivesse me destruindo por dentro.
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  — Me desculpa… — sussurrei contra o peito dele, minha voz trêmula demais para sustentar qualquer coisa. — Me desculpa por te ligar assim… por te chamar desse jeito…
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  — Para com isso — ele disse na hora, afastando meu rosto com as mãos, obrigando-me a olhar para ele. Os olhos castanhos dele estavam cheios de preocupação. — Você nunca precisa pedir desculpa por me chamar. Nunca.
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  Aquele cuidado… Aquela estabilidade… Aquilo me quebrou ainda mais.
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  Porque enquanto %Heeseung% era tudo o que me fazia bem… Minha cabeça insistia em me arrastar de volta para outro lugar.
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  Outro rosto.
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  Outros dois.
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  %Sunoo%. E %Niki%.
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  Meus lábios tremeram, e %Heeseung% percebeu — ele sempre percebia. A expressão dele suavizou, e ele me guiou até a cama, fazendo-me sentar enquanto ele permanecia de pé à minha frente, analisando cada detalhe meu como se procurasse onde exatamente eu estava ferida.
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  — %Dal%… — ele chamou de novo, baixinho. — O que aconteceu?
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  E só de ouvir a pergunta, as imagens voltaram com força: Os dois se beijando. O toque. A intensidade. O quase beijo entre mim e %Niki% no carro. Meu corpo queimando por alguém que não deveria.
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  Meus olhos se fecharam com força.
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  %Heeseung% ajoelhou à minha frente, segurou minhas mãos entre as dele. E então, com uma voz ainda mais suave:
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  — Foi ele… não foi?
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  Meu coração parou por um segundo.
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  Ele. Sem nome. Porque não precisava. Porque %Heeseung% sabia exatamente de quem eu estava fugindo — e de quem eu estava correndo atrás sem querer.
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  — %Dalny%… — ele repetiu, o polegar fazendo um carinho lento na minha pele. — %Sunoo% fez alguma coisa?
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  Uma parte de mim queria dizer que sim. Outra parte queria dizer que não. E a maior parte… não sabia nem por onde começar.
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  — Eu não… eu não sei — respondi, e senti meus olhos queimarem de novo. — Tá tudo tão errado, %Hee%. Tão errado.
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  Ele aproximou o rosto do meu, apoiando a testa na minha.
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  — Então deixa eu te ajudar a botar no lugar — ele sussurrou.
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  E por um instante — só um — eu quase acreditei que conseguiria.
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  Mas a bagunça dentro de mim não cabia em nenhuma promessa.
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  — %Heeseung%, você me ama? — Indaguei no impulso.
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  — Que pergunta é essa %Dalny%? Eu amo você mais do que tudo. Tô completamente quebrado por dentro sem você… mas eu te espero, o tempo que for. Agora que tal a gente tomar um banho? Você tá suando frio… Você tá gelada, tremendo… vem. Deixa eu cuidar de você.
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  Eu deixei.
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  Porque naquele momento, eu precisava de algo que não quebrasse quando eu encostasse. E %Heeseung%… %Heeseung% sempre foi isso.
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  Meus dedos mal encontraram os dele, e já senti o calor que faltava no meu corpo inteiro. Me guiou até o banheiro com passos lentos, como se cada segundo precisasse ser seguro para mim.
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  A luz amarela do banheiro deixou tudo mais suave, mais íntimo. Ele soltou minha mão só para ligar o chuveiro, ajustando a temperatura com cuidado, testando a água na própria pele antes de me chamar para perto.
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  Eu atravessei o pequeno espaço até ele, ainda com a respiração trêmula, ainda tentando manter alguma compostura. Mas quando ele levantou meu rosto de novo com as duas mãos…
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  Eu desmontei.
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  — Vem cá, meu amor — ele murmurou.
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  E esse “meu amor”… atingiu algo dentro de mim que eu vinha tentando ignorar.
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  Lentamente ele me despiu. Eu entrei no box, e olhei para ele com os olhos marejados.
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  A água morna começou a cair, abafando o mundo lá fora. Ele me puxou para perto, nossos corpos se encontrando devagar, sem pressa, sem tensão. A camisa dele ficou pesada de água antes mesmo de ele pensar em tirá-la — porque o que importava, naquele momento, era me segurar.
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  Eu agarrei o pescoço dele, apertando como se eu fosse afundar se soltasse. Minhas pernas quase falharam.
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  — Tá tudo bem, %Dal%… — ele sussurrava contra meu cabelo, uma, duas, dez vezes. — Eu tô aqui. Eu tô aqui.
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  A primeira lágrima caiu silenciosa.
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  A segunda, arrastada.
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  A terceira veio junto de um soluço que eu não consegui esconder — e então tudo transbordou de uma vez.
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  Eu chorei contra o peito dele como se meu corpo finalmente tivesse permissão para sentir tudo o que estava guardado. %Heeseung% me segurou forte, uma mão na minha nuca, a outra nas minhas costas, massageando de leve, acompanhando meus tremores.
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  — Desculpa… — sussurrei em meio ao choro, envergonhada de desabar daquele jeito. — Me desculpa, %Hee%…
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  Ele afastou meu rosto só o suficiente para olhar nos meus olhos, a água caindo pelos cabelos dele, escorrendo pelos nossos rostos misturada às minhas lágrimas.
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  — Não. — A voz dele saiu firme. — Você não pede desculpa por sentir. Nunca.
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  O jeito que ele disse aquilo… O jeito que ele me olhou…
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  Foi como se ele estivesse segurando todos os pedaços que eu não conseguia mais manter unidos.
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  A água quente continuava caindo, lavando o suor frio, o cheiro da festa, a confusão presa na minha pele. Ele passou as mãos pelos meus cabelos devagar, desembaraçando com cuidado, como se cada gesto dele dissesse:
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  Eu não vou te deixar cair.
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  Me encostei no peito dele, deixando a água correr sobre nós dois, e fechei os olhos, tentando respirar no ritmo que ele ditava. Aos poucos, meus soluços foram ficando menores… e menores… até sobrar só o silêncio cansado.
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  %Heeseung% apoiou o queixo no topo da minha cabeça e suspirou.
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  Um suspiro cheio de dor, mas também de amor — do tipo que machuca por ser tão grande.
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  — Eu vou ficar — ele disse, baixinho. — Não importa quanto demore. Não importa o que você decida. Eu fico.
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  E aquilo doeu.
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  Do jeito mais bonito e mais cruel possível.
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  Nota da autora: Oi chuchus! O que dizer desse capítulo? Vocês estão com raiva de alguém? Ou de todo mundo? Prometo que %Heeseung% sofre só um pouquinho...

CAPÍTULO OITO
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