CAPÍTULO TREZE
%Dalny%’s POV:
%Mina% se jogou ao meu lado na cama em silêncio. Nós duas encaramos o teto por alguns segundos. Ela sabia que em algum momento eu falaria alguma coisa, então só segurou minha mão, e Deus, como eu precisava da minha melhor amiga naquele momento.
— Você está evitando o %Niki% e o %Sunoo%… — Começou %Mina% de forma delicada. — O que aconteceu? Se não quiser falar sobre nada disso, eu não vou te forçar. Mas imagino que tenha me chamado para isso, não é?
%Mina% me conhecia feito a palma da mão dela, e eu sorri. Apertei sua mão na minha e a vi sorrir também.
— Eu beijei os dois %Mina%. E beijei o %Heeseung% também.
%Mina% apertou minha mão, incentivando.
— … você beijou os três? — Não havia julgamento ali, apenas uma pergunta honesta. — E como foi?
— O beijo do %Sunoo% tinha gosto de lar… eu me lembrei de quando a gente acabou se beijando no ensino médio, um pouco antes dele beijar o %Niki%. Só você soube desse beijo %Mina%! — Eu gargalhei, fechando os olhos. — Foi doce, foi suave, foi como me sentir em casa de novo.
%Mina% sorriu, balançando a cabeça como se me dissesse para seguir.
— O %Niki% foi o oposto — continuei. — Foi intenso. Confuso. Veio de anos de cuidado, de estar ali quando eu tava quebrada. Foi errado… mas real demais pra ignorar.
Ela franziu levemente o cenho.
Fechei os olhos por um instante.
— O %Heeseung% foi… culpa. — Abri os olhos, sentindo-os arder. — Foi tentar segurar algo que já tava escapando. Ele me ama, %Mina%. De verdade. E eu machuquei ele sem querer.
O silêncio caiu entre nós.
%Mina% se aproximou mais e me puxou para um abraço forte, daqueles que não pedem explicação.
— %Dal% — ela disse, baixinho, perto do meu ouvido. — Você não é uma vilã por sentir demais.
As lágrimas vieram sem pedir permissão.
— Eu não quero perder ninguém — murmurei. — Mas parece que qualquer escolha vai doer.
%Mina% se afastou só o suficiente para me olhar nos olhos.
— Então para de tentar escolher agora. — Ela falou firme, mas com carinho. — O que você sente por cada um é diferente. Não tenta colocar tudo na mesma caixa.
Passei a mão pelo rosto, respirando fundo.
— E se eu acabar machucando os três?
— Você vai machucar mais se continuar fugindo — ela respondeu, honesta. — Eles merecem a verdade. E você também.
Fiquei em silêncio por alguns segundos.
— Eu tenho medo de admitir que… talvez meu coração não seja tão simples quanto eu achei que fosse.
Ela se deitou de novo ao meu lado, e ficamos encarando o teto.
— Só me promete uma coisa… — ela disse depois de um tempo.
— Que qualquer decisão que você tomar…
seja sua. Não por culpa. Não por medo de ficar sozinha.
Apertei a mão dela de novo.
O mais difícil ainda estava por vir.
🩹🩹🩹
%Dalny%’s POV:
%Heeseung% aceitou me encontrar no fim da tarde, no mesmo café pequeno onde já tínhamos passado horas falando sobre nada e tudo ao mesmo tempo. Quando ele entrou, reconheci de imediato aquele jeito contido de quem já vinha preparado para ouvir algo que podia machucar.
— Oi — ele disse, sentando à minha frente.
Ficamos em silêncio por alguns segundos. Não era constrangedor. Era respeitoso. Como se ambos soubéssemos que aquela conversa precisava acontecer do jeito certo.
— %Hee%… eu te chamei porque eu não quero mais fugir. Nem te confundir.
Apoiei as mãos na mesa, sentindo o coração bater pesado.
— Você me ama — comecei. — E eu nunca duvidei disso. Você foi gentil comigo, paciente, esteve presente quando eu precisava de estabilidade. — Engoli seco. — Mas eu preciso ser honesta agora.
— Eu não consigo mais te amar do jeito que você merece — falei, sentindo a voz falhar. — Não inteira. Não sem dúvida. E você não merece alguém que te ame pela metade.
Os olhos dele brilharam, mas ele manteve a postura firme.
— Eu senti — respondeu. — Acho que só não queria admitir.
— Eu sinto carinho. Gratidão. — Continuei. — Mas não é o tipo de amor que constrói um futuro sem machucar no caminho.
%Heeseung% respirou fundo, desviando o olhar por um instante, depois voltou a me encarar.
— Então é isso — disse, com um sorriso triste. — Você tá me soltando.
Assenti, as lágrimas finalmente escapando.
— Tô. Porque eu te respeito demais pra te manter preso a algo que não vai crescer.
Ele se levantou devagar, contornou a mesa e parou à minha frente.
O abraço foi forte. Daqueles que apertam o peito e aliviam ao mesmo tempo. Senti o peso do corpo dele, o cuidado, a despedida silenciosa. Apoiei o rosto no ombro dele e fechei os olhos.
— Eu desejo muito que você seja feliz, %Hee% — murmurei. — Com alguém que te escolha sem hesitar. Todos os dias.
Ele apertou o abraço por mais um segundo.
— E eu desejo que você seja corajosa — respondeu, baixo. — Pra viver o que seu coração pede, mesmo que dê medo.
Nos afastamos devagar. %Heeseung% limpou minhas lágrimas quentes.
Ele sorriu, verdadeiro, apesar da dor.
— Obrigado por não me tratar como um erro — disse.
— Você nunca foi — respondi.
%Heeseung% beijou minha testa demoradamente e depois uma de minhas bochechas. Eu fiz o mesmo, me demorando um pouco mais segurando seu rosto entre as mãos.
Quando ele se virou para ir embora, senti o nó no peito apertar… mas também senti algo diferente.
Porque amar, às vezes, também é saber quando soltar.
E eu tinha acabado de fazer isso.
🩹🩹🩹
%Dalny%’s POV:
Convidei os dois para virem até minha casa no início da noite.
Quando %Sunoo% chegou primeiro, o clima ficou imediatamente silencioso demais. Ele sentou no sofá, as mãos entrelaçadas, claramente nervoso. Minutos depois, a campainha tocou de novo.
Ele entrou sem dizer muita coisa, apenas um aceno curto. Os dois se olharam por um segundo — rápido, carregado — e desviaram ao mesmo tempo.
— Eu pedi pra vocês virem porque… eu não quero mais esconder nada — comecei. — Nem de vocês, nem de mim.
Sentei na poltrona em frente aos dois. O coração batia forte, mas eu precisava seguir.
— O que aconteceu entre nós — olhei para %Sunoo% primeiro — não foi só passado voltando. Foi sentimento que nunca foi resolvido.
Voltei o olhar para %Niki%.
— E o que aconteceu entre nós… — minha voz vacilou — nasceu de cuidado, de anos de presença. De você ter ficado quando tudo desmoronou.
%Niki% respirou fundo, mantendo o olhar em mim.
— Eu nunca fiquei esperando nada em troca — disse. — Mas mentiria se dissesse que não senti. Que não sinto.
— Eu não chamei vocês pra escolher — continuei. — Nem pra pedir que entendam tudo agora. Chamei porque eu não quero mais machucar ninguém por falta de verdade.
%Sunoo% se inclinou um pouco para frente.
— Então fala — disse, com calma. — O que você sente?
— Eu sinto coisas diferentes por vocês dois — respondi, enfim. — E isso me assusta. Porque não é simples. Nunca foi.
%Niki% franziu levemente o cenho.
— Você tá dizendo que não consegue separar?
— Eu tô dizendo que não quero fingir — respondi. — Nem com você, %Sunoo%. Nem com você, %Niki%.
%Sunoo% passou a mão pelo rosto, pensativo.
— Eu prefiro ouvir algo difícil do que viver no escuro de novo.
Olhei para ele, sentindo o peso daquela frase.
— Eu sei. — Engoli seco. — E eu sinto muito por tudo que ficou suspenso entre nós.
%Niki% finalmente desviou o olhar por um instante.
— E onde isso deixa a gente agora? — perguntou. — Porque eu não sei fingir que nada aconteceu.
— Nem eu — respondi. — Mas também não quero que ninguém fique preso a algo indefinido.
O silêncio voltou. Mais denso. Mais real.
%Sunoo% se levantou devagar.
— Eu preciso de tempo — disse. — Não pra fugir… mas pra entender o que tudo isso significa pra mim.
%Niki% ficou de pé logo depois.
— Eu também preciso pensar — falou. — Principalmente pra não machucar ninguém que eu me importo.
Os dois se olharam mais uma vez. Dessa vez, sem hostilidade. Só consciência.
— Obrigado por falar a verdade — %Sunoo% disse antes de ir.
— Mesmo que doa — completou %Niki%.
Quando a porta se fechou atrás deles, eu permaneci sentada por um longo tempo.
Não havia solução ainda. Nem respostas prontas.
Mas havia algo novo ali: honestidade.
E, pela primeira vez desde que tudo começou a ruir, eu senti que o caos tinha parado de crescer.
Agora, ele finalmente podia ser enfrentado.