CAPÍTULO DOZE
%Dalny%’s POV:
O beijo terminou, mas a sensação dele ainda permanecia nos meus lábios.
%Sunoo% continuava ao meu lado, o olhar tranquilo demais para alguém que tinha acabado de tocar um passado que nunca deixou de existir. O jardim estava silencioso, iluminado apenas pela luz fraca da lua e pelo brilho distante das estrelas.
— Eu tinha esquecido como é ficar aqui com você — ele murmurou. — Sem pressa. Sem medo.
Porque eu ainda tinha medo.
Antes que eu pudesse responder, meu celular vibrou ao meu lado, esquecido na grama.
O som quebrou o encanto como um estalo.
Olhei para a tela sem querer… e congelei.
%Sunoo% percebeu na mesma hora. Não perguntou. Apenas observou, respeitoso.
Peguei o celular com dedos trêmulos e li a mensagem.
“%Dalny%, eu tentei te dar espaço, mas eu preciso saber onde eu tô nisso tudo. Eu ainda sou alguém pra você?” O peso daquela pergunta caiu inteiro sobre mim.
— É ele, né? — %Sunoo% perguntou, a voz calma demais.
— Tudo bem — ele disse, sincero. — Você não me deve resposta nenhuma agora.
Mas eu devia a mim mesma.
Suspirei fundo, sentando melhor na grama.
— Eu achei que podia resolver uma coisa de cada vez — confessei. — Mas parece que tudo resolveu explodir junto.
%Sunoo% ficou em silêncio por alguns segundos, depois se deitou de novo, encarando o céu.
— Quando eu fui embora — ele começou — eu achei que tava poupando você. Hoje eu sei que só adiei a dor.
— E eu achei que seguir em frente significava apagar você — respondi. — Mas não funcionou.
O celular vibrou de novo na minha mão.
“Se você não sente mais o mesmo, eu prefiro saber agora.” Foi ali que o momento mudou.
Não por alguém aparecer, não por uma briga… Mas porque eu entendi que não dava mais para fingir que cada sentimento existia isolado.
%Sunoo% se levantou devagar.
— Eu vou te dar espaço — disse. — Não porque eu não me importo… mas porque dessa vez eu quero fazer diferente.
Ele sorriu pequeno, triste e bonito.
— Quando você souber o que sente… eu vou ouvir.
Observei enquanto ele se afastava pelo jardim, sentindo um nó apertar no peito.
Olhei para o céu mais uma vez.
As estrelas continuavam lá.
Mas eu já não me sentia tão em paz quanto minutos antes.
Porque agora, não era o passado que me assombrava.
Era a decisão que eu precisava tomar.
🩹🩹🩹
%Dalny%’s POV:
%Heeseung% chegou pouco depois, como sempre fazia quando eu chamava — rápido demais para alguém que fingia não estar com medo da resposta que poderia ouvir.
Quando abri a porta, ele estava ali, parado, as mãos inquietas, o olhar procurando algo no meu rosto antes mesmo de me cumprimentar.
— Você tá bem? — perguntou.
Assenti, mesmo sabendo que não era verdade.
Dei espaço para ele entrar. A casa estava silenciosa, e isso pareceu aumentar o peso do que estava prestes a ser dito. %Heeseung% largou a jaqueta no sofá e ficou de frente para mim, sério, vulnerável como eu raramente o via.
— Eu não vim brigar — disse. — Só… entender.
— Eu também preciso entender.
Ele se aproximou devagar, como se tivesse medo de me assustar.
— %Dalny%, eu te dei espaço. Te dei tempo. Mas tem coisas que não saem da minha cabeça. — A voz dele falhou levemente. — Se você não sente mais nada por mim… por que ainda me deixa ficar?
— Porque eu me importo com você.
— Isso não responde tudo — ele rebateu, baixo. — Não do jeito que eu preciso.
O silêncio entre nós ficou pesado. %Heeseung% levou a mão ao meu rosto com cuidado, como sempre fazia quando queria me acalmar.
— Eu ainda te amo — disse, simples. — E eu preciso saber se tô lutando sozinho.
Antes que eu pudesse responder, ele me beijou.
Foi um beijo conhecido. Familiar. Carregado de história.
Não por impulso — por confusão.
O beijo não tinha a urgência de antes, nem a doçura recente. Era denso, cheio de perguntas não ditas. Quando nos afastamos, ele manteve o rosto próximo ao meu, os olhos procurando os meus.
— Então me explica — sussurrou. — Se você não sente nada… por que correspondeu?
— Porque eu ainda sinto
alguma coisa — confessei. — Mas eu não sei mais que tipo de coisa é essa.
%Heeseung% fechou os olhos por um segundo, como se aquela resposta tivesse confirmado um medo antigo.
— Isso não é justo comigo, %Dal%.
— Eu sei… — minha voz saiu baixa. — E é por isso que dói tanto.
Ele se afastou um passo, passando a mão pelos cabelos.
— Eu não quero ser a opção segura enquanto você resolve o que sente por outras pessoas.
Aquilo doeu, porque era verdade demais.
— Você nunca foi só isso pra mim — respondi. — Mas eu não consigo fingir que meu coração tá simples agora.
Ele respirou fundo, tentando se recompor.
— Então me diz uma coisa — falou, encarando-me de novo. — Você ainda consegue se imaginar comigo… ou só comigo?
Não respondi de imediato.
E o silêncio respondeu por mim.
%Heeseung% assentiu devagar, com um sorriso triste.
— Obrigado por ser honesta — disse. — Mesmo que doa.
Ele pegou a jaqueta, indo em direção à porta, mas parou antes de sair.
— Eu não vou implorar pra ser amado — completou. — Mas se um dia você tiver certeza… eu preciso que seja inteira.
Quando a porta se fechou, eu senti o peso do beijo ainda nos meus lábios.
Não porque tinha sido errado.
Mas porque tinha sido a prova de que eu já não era mais a mesma.
E que amar, agora, significava escolher — não se esconder.