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História NÃO RECOMENDADA PARA MENORES ou PESSOAS SENSÍVEIS.

Esta história pode conter descrições (explícitas) de sexo, violência; palavras de baixo calão, linguagem imprópria. PODE CONTER GATILHOS

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Nos Seus Olhos

Escrita porAven Lore
Editada por Lelen

CAPÍTULO SETE

Tempo estimado de leitura: 35 minutos

  %Dalny%’s POV:

  O portão bateu atrás de mim com um estalo seco, e por um instante, tudo pareceu desacelerar.
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  Eu estava dentro. Literal e emocionalmente.
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  %Mina% veio ao meu encontro primeiro, sorrindo com aquele brilho nos olhos que ela sempre teve quando estava rodeada de amigos. Me abraçou forte, quase como se estivesse tentando me lembrar que, ali, ainda havia espaço seguro.
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  — Eu sabia que você vinha. — ela sussurrou no meu ouvido, como quem confidencia um segredo precioso. — E sei que vai ser difícil, mas… você é forte, %Dalny%.
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  Assenti, apertando meus olhos por um segundo. Eu não estava pronta. Mas talvez nunca estivesse, então só restava seguir.
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  Quando nos separamos, olhei de relance para %Niki%. Ele já havia tirado os fones e agora me encarava com aquele meio sorriso de sempre. Dei um passo até ele e o abracei em silêncio. Não havia o que dizer. Nós dois sabíamos.
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  E então, restava ele.
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  %Sunoo%.
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  Ele permaneceu parado onde estava, com as mãos nos bolsos da calça e o olhar baixo. Parecia tão desconfortável quanto eu. Quando finalmente ergueu o olhar e nossos olhos se encontraram, senti um frio percorrer minha espinha. Não havia raiva, nem arrogância. Só… um pedido silencioso para que eu não o afastasse. Pelo menos, não agora.
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  Me aproximei devagar. Cada passo era um teste de equilíbrio entre o orgulho ferido e a saudade calada.
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  — Oi. — foi só o que consegui dizer.
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  Ele deu um sorriso pequeno, contido, quase tímido.
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  — Oi. Você está bem?
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  Suspirei.
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  — Estou tentando ficar.
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  Ele assentiu. O silêncio que se instalou entre nós não era desconfortável. Era... denso. Como se ambos estivéssemos esperando que o outro dissesse algo primeiro.
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  %Mina% e %Jay% voltaram para dentro da casa, dando uma desculpa qualquer, como quem sabe que o ar precisava de espaço entre nós.
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  — Achei que nunca mais fosse ver você de novo. — murmurei, mesmo sem planejar. A verdade escorregou antes que eu pudesse segurá-la.
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  %Sunoo% desviou o olhar por um instante. Seu maxilar travou levemente.
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  — Eu também achei que não voltaria.
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  Um novo silêncio se estendeu, mas ele não parecia mais pesaroso. Era como uma pausa necessária.
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  — Podemos conversar depois? — ele perguntou, a voz baixa, sincera. — Com mais calma. Só nós dois.
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  Assenti.
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  — Podemos.
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  Antes que qualquer um de nós dissesse mais alguma coisa, %Niki% surgiu do lado com uma garrafinha de água na mão.
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  — Bom, pelo menos vocês dois disseram “oi”, né? É um progresso.
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  Sorri de leve, aliviada pela quebra do clima, e %Sunoo% soltou um riso fraco, quase nostálgico.
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  — E você? — perguntei a %Niki%, encarando-o com suavidade. — Já almoçou?
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  — Ainda não. Tô esperando a comida milagrosa da %Mina%. Dizem que agora ela virou uma mestre da cozinha.
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  — O %Jay% deve estar muito feliz com isso. — comentei, e os três rimos juntos, dessa vez de verdade.
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  Por um breve momento, entre memórias e cicatrizes, rimos juntos.
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  Como antes.
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  Como se o tempo não tivesse se metido entre nós com tanta força.
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  Como se houvesse, ainda que pequeno, um fio capaz de nos reconectar.
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  E ali, naquela varanda de azulejos antigos, o passado, o presente e o futuro se sentaram lado a lado.
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  Só esperando pela próxima conversa.
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🩹🩹🩹

  %Dalny%’s POV:

  — Ah não, essa música não! Tantas músicas atuais para vocês dois cantarem, parecem dois velhos!
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  Eu reclamei cruzando os braços como se fosse uma criança que estava indo obrigada para a escola. %Sunoo% ao meu lado, gargalhou alto, levando as mãos até os lábios, como fazia sempre que dava uma gargalhada honesta.
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  — Mas hoje estamos nostálgicos %Dalny%! Há quanto tempo nós não nos reunimos aqui para cantar no karaokê, poxa! — %Jay% protestou enquanto %Niki% já com o microfone nas mãos, se preparava para cantar a primeira estrofe da música.
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  %Jay% tomou o microfone da minha mão e então os dois começaram a cantar Confession da Yoon Mi Rae.
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  E foi como se o tempo nunca tivesse passado, como se estivesse congelado, e nós ainda fossemos os mesmos adolescentes cantando no quintal da casa de %Mina%.
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  %Niki% estava mais ocupado encarando a tela do que acertando o ritmo.
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  %Sunoo% ria ao meu lado, os olhos semicerrados de tanto sorrir, e eu me peguei observando a forma como ele parecia… leve. Pela primeira vez em muito tempo. E talvez eu também estivesse assim.
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  %Niki% esticou a mão livre para mim, ainda cantando, me chamando para o centro da pequena sala de karaokê improvisada.
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  — Nem vem! — eu disse rindo, mas acabei sendo puxada por %Jay%, que me girou como se estivéssemos em um baile. — Vocês são impossíveis!
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  %Sunoo% bateu palmas com entusiasmo, incentivando, e eu joguei uma almofada nele em resposta. Ele pegou a almofada no ar e a abraçou como se fosse um prêmio.
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  Quando a música acabou, estávamos todos ofegantes de tanto rir — e um pouco emocionados também. Era impossível ouvir aquela melodia suave, aquela letra sincera, sem lembrar de todas as coisas que tínhamos vivido. Do que fomos. Do que perdemos.
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  — Ok, agora é a vez de vocês dois. — Ele apontou para mim e para %Sunoo%.
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  — Quê? — engasgamos os dois, em uníssono.
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  — Isso mesmo. Uma música pra vocês. Não tem desculpa. — %Niki% completou, jogando o controle da máquina de karaokê no colo de %Sunoo%.
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  Nos entreolhamos, hesitantes. Meu coração deu um pulo. %Sunoo% mordeu o lábio inferior, pensativo.
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  — E então? — %Jay% pressionou.
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  %Sunoo% olhou para mim, os olhos doces e gentis, e pela primeira vez naquela noite, ele pareceu verdadeiramente vulnerável.
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  — Você escolhe. — ele disse baixinho.
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  A sala ficou em silêncio por um instante. Peguei o controle e selecionei uma música. Quando o título apareceu na tela, todos suspiraram: “Some” — Soyou & Junggigo.
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  — Uau… — %Jay% sussurrou com um sorriso. — Essa bate forte.
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  %Sunoo% sorriu para mim. Um sorriso pequeno. Quase triste. Pegamos os microfones.
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  E cantamos.
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  Entre versos doces, olhares trocados e pequenos sorrisos, foi como se todas as palavras não ditas encontrassem espaço ali. Não como uma declaração, mas como uma lembrança viva de que, apesar de tudo… ainda havia algo ali.
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  Quando terminamos, ninguém disse nada. %Jay% e %Niki% apenas sorriram e aplaudiram baixinho, respeitando o clima.
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  Naquele momento, percebi que a música tinha feito algo que nenhuma conversa havia conseguido.
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  Nos aproximado de novo.
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  Mesmo que só por uma música.
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🩹🩹🩹

  %Sunoo%’s POV:

  %Mina% e %Jay% também tiveram seu momento no karaokê, entre beijos, risadas e uma música romântica que fez todo mundo sorrir com ternura — ou revirar os olhos, no caso do %Niki%.
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  Eu fiquei observando.
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  %Jay% a puxou pela cintura no refrão, girou-a de leve no tapete da sala como se estivesse em um palco, e ela ria, com os cabelos voando e as bochechas vermelhas. Era bonito de ver. Natural. Uma conexão antiga, bem firmada. O tipo de coisa que nem mesmo o tempo ou as incertezas consegue apagar.
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  Suspirei.
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  — Eles sempre foram assim. — A voz de %Dalny% soou baixa ao meu lado, quase como um pensamento em voz alta.
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  Assenti, sem tirar os olhos do casal à nossa frente.
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  — É… como se o mundo deles tivesse a própria música de fundo. — respondi, e soltei uma risada baixa, sem humor. — Às vezes eu invejo isso.
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  %Dalny% me olhou, mas não disse nada de imediato. Havia compreensão nos olhos dela. Não pena — o que eu agradecia profundamente —, mas algo mais suave. Como se dissesse “eu entendo”.
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  Talvez entendesse mesmo.
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  — Você já teve isso com alguém? — ela perguntou depois de um tempo, a voz suave como seda.
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  Meus olhos vagaram.
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  Poderia mentir. Poderia dizer que sim, que alguma garota do intercâmbio havia me feito sentir algo próximo disso. Mas isso seria apagar a verdade.
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  — Não. — respondi, sem rodeios. — Nunca.
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  Ela assentiu, baixando o olhar. E eu não soube dizer se aquilo a deixava aliviada ou triste.
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  Quando a música terminou e %Jay% puxou %Mina% para um beijo meloso digno de novela, %Dalny% se levantou com uma desculpa qualquer sobre buscar mais refrigerante.
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  Fiquei sozinho no sofá.
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  Sozinho com meus pensamentos — o que era sempre perigoso.
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  Porque ver %Jay% e %Mina% era como um espelho do que eu poderia ter tido.
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  Com alguém.
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  Com ela.
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  Ou com… ele.
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  E mesmo agora, ainda parecia impossível saber quem de fato eu era nessa equação. Só sabia que, entre todos os lugares do mundo, estar naquela sala, com aquelas pessoas, fazia tudo parecer menos confuso.
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  Mesmo que só por um instante.
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🩹🩹🩹

  %Sunoo%’s POV:

  Eu não pensei muito. Quando percebi, já estava em pé, com os olhos acompanhando a direção por onde %Dalny% havia saído.
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  Talvez fosse só o impulso de não querer ficar sozinho. Talvez fosse a vontade de prolongar o silêncio confortável que às vezes se formava entre nós. Ou talvez — e mais provavelmente — fosse apenas o medo de que aquele momento escapasse sem eu dizer nada.
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  Atravessei o corredor estreito até a cozinha, as luzes estavam apagadas, exceto pela suave claridade vinda da janela. O som abafado das risadas na sala ainda preenchia o ar, mas ali, naquele cômodo, tudo parecia suspenso. Mais calmo.
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  %Dalny% estava de costas, mexendo distraidamente em uma garrafa de refrigerante, como se a presença dela ali fosse um pretexto para escapar dos próprios pensamentos.
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  — %Dalny%…
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  Ela virou devagar. Não surpresa por me ver, mas com os olhos ligeiramente arregalados, como se não soubesse exatamente o que fazer com a minha presença.
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  — Achei que fosse o %Jay% — ela disse, quase sorrindo, mas o sorriso não se formou por completo.
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  — Eu vi você sair. — dei de ombros, tentando não soar nervoso, embora estivesse. — Quis ver se você… estava bem.
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  Ela encostou na pia, os braços cruzados sobre o próprio corpo como uma armadura.
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  — Eu tô bem. Só precisava de um minuto… você sabe, pra respirar. — disse num tom leve, mas havia algo mais ali. Algo que escapava pelas entrelinhas.
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  — Foi muito pra você também, né? Estar aqui de novo, com todo mundo…
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  Ela assentiu, o olhar vagando pela escuridão do cômodo.
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  — É como estar dentro de uma lembrança. Só que… tudo mudou.
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  Aquela frase me atingiu mais fundo do que deveria. Me aproximei, devagar, até ficar a poucos passos de distância.
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  — Nem tudo mudou.
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  Ela levantou os olhos, e ali, no reflexo da janela, vi nossos rostos lado a lado. Mais maduros, talvez mais marcados, mas com as mesmas cicatrizes antigas.
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  — %Sunoo%…
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  — Eu senti sua falta — cortei antes que ela pudesse mudar de assunto, antes que a coragem me faltasse. — Cada maldito dia desde que fui embora.
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  Ela apertou os lábios, desviando o olhar, mas não se afastou.
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  — Eu não sei o que fazer com você agora — sussurrou. — Eu construí uma vida sem você. Me obriguei a seguir.
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  Dei um passo mais perto. Não invadi seu espaço. Só quis que ela soubesse que eu estava ali.
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  — E se eu não quiser ir embora de novo?
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  Ela fechou os olhos por um momento, como se estivesse se segurando.
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  — Não promete isso pra mim. — disse, por fim, a voz trêmula. — Não agora.
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  Nos encaramos, sem palavras por alguns segundos. Até que ela respirou fundo, pegou o copo de refrigerante e virou metade de uma vez.
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  — Vamos voltar? — perguntou, tentando parecer leve outra vez.
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  Assenti. Mas antes de deixá-la passar, toquei levemente sua mão. Foi rápido, quase imperceptível… mas suficiente pra me lembrar por que doía tanto.
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  Por que nunca tinha sido ninguém mais.
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  Ela passou por mim devagar, o copo de refrigerante nas mãos, e eu me virei, sem conseguir evitar acompanhá-la com os olhos. A luz da janela deixava reflexos prateados em seus cabelos, e, por um momento, tudo ao redor pareceu se apagar.
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  — %Dalny%… — chamei de novo, mais baixo, hesitante.
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  Ela parou, os ombros tensos, mas não se virou.
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  — Só mais uma coisa — murmurei, me aproximando lentamente, sentindo meu coração pulsar alto demais dentro do peito.
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  Quando ela finalmente virou o rosto na minha direção, estávamos tão próximos que nossas respirações quase se misturaram. O tempo pareceu estagnar ali, como se a casa inteira tivesse prendido o fôlego junto comigo.
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  Ela não recuou. E eu também não avancei. Ficamos assim — a tensão crescendo entre nós, como uma onda prestes a quebrar.
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  — %Sunoo%… — ela sussurrou, o nome saindo com uma fragilidade que me desmontou por dentro. — Não complica mais…
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  — Eu não tô tentando complicar — respondi no mesmo tom, os olhos presos nos dela. — É só que… você tá aqui. E eu também. E eu não sei se vou ter essa chance de novo.
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  Minhas mãos tremiam, mas ainda assim eu as levei até as dela, envolvendo seus dedos com cuidado, como se ela fosse feita de vidro. Ela não se afastou. Mas também não retribuiu.
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  A respiração dela estava entrecortada. A minha, nem se fala.
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  — Me diz que não sente mais nada — pedi, num sussurro rouco. — E eu paro. Juro por tudo, %Dalny%. Só me diz.
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  Ela não disse.
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  Em vez disso, seu olhar caiu para minha boca. E por um segundo — um mísero, eterno segundo — eu achei que ela fosse me beijar. Ou deixar que eu a beijasse.
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  Inclinei o rosto, lentamente. Tão devagar que eu mesmo sentia a eletricidade crescendo, a tensão em cada milímetro que nos separava. Até que nossos narizes quase se tocaram. Quase.
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  Mas então…
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  — %Sunoo%… — ela murmurou, com a voz trêmula e firme ao mesmo tempo — não faz isso comigo.
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  E deu um passo para trás.
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  O suficiente para quebrar o feitiço.
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  Eu fechei os olhos, tentando me recompor, os dedos ainda formigando com o calor dos dela.
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  Ela não disse mais nada. Apenas saiu da cozinha, deixando para trás o cheiro do seu perfume e a memória do quase.
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  E eu fiquei ali, com os lábios ainda queimando pela ausência dos dela.
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🩹🩹🩹

  %Niki%’s POV:

  O som abafado das risadas vinha da sala de estar, mas o meu foco estava em achar o banheiro. Eu conhecia aquela casa tão bem quanto qualquer outro do grupo — quantas vezes tínhamos feito encontros ali? Quantas noites dormindo no sofá, rindo até alguém cair no sono?
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  Caminhei pelo corredor já escurecido, sem acender a luz, guiado apenas pela lembrança e pela pouca claridade que vinha da cozinha.
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  Foi quando a porta do banheiro se abriu de repente e alguém saiu.
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  — Ai! — exclamei, me esbarrando com o corpo dela de frente.
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  %Dalny%.
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  Meus braços instintivamente seguraram os ombros dela para que ela não caísse, e o toque foi o suficiente para fazer meu peito acelerar de forma completamente ridícula.
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  — Desculpa! — ela disse, arregalando os olhos.
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  — Eu… também! — soltei, meio sem fôlego, como se tivesse acabado de correr.
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  Nossos rostos estavam perto demais. Perto o suficiente para eu perceber o brilho discreto no gloss dos lábios dela, o cheiro suave do perfume misturado ao shampoo. O calor que vinha da pele dela, ainda úmida por conta da água que, provavelmente, ela tinha jogado no rosto.
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  Ela não se afastou imediatamente.
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  E eu… bom, eu não consegui desviar o olhar.
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  Os olhos dela percorreram meu rosto. Não de um jeito comum — tinha algo diferente ali. Um reconhecimento silencioso. Um notar. Como se, pela primeira vez, estivéssemos nos vendo de verdade.
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  %Dalny% pigarreou e sorriu, nervosa.
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  — Vai usar o banheiro? — perguntou, como quem precisa dizer qualquer coisa para quebrar o clima.
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  Assenti lentamente, mas a mão ainda estava sobre o braço dela.
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  — Sim… — minha voz saiu mais baixa do que eu esperava.
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  Ela deu um passo para o lado, para que eu pudesse passar, e por um segundo, nossos corpos quase roçaram um no outro. O arrepio foi imediato.
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  Foi só então que percebi que estava segurando o ar.
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  Soltei uma risada fraca, tentando amenizar o que quer que tivesse acabado de acontecer.
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  — Você tá bem? — perguntei, me virando para encará-la novamente antes de entrar.
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  Ela assentiu, mordeu o lábio inferior e respondeu:
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  — Estou. Só… distraída.
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  — É. Eu também.
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  Por um instante, nenhum dos dois se moveu. Até que ela sorriu de novo — um sorriso curto, confuso, hesitante.
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  — Vai lá, antes que eu me arrependa de deixar você passar.
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  Ri também, entrando por fim no banheiro.
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  E fechei a porta com a cabeça girando.
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  Porque alguma coisa entre nós tinha mudado. E eu não sabia se aquilo me deixava mais assustado… ou curioso.
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🩹🩹🩹

  %Niki%’s POV:

  Fechei a porta do banheiro e me apoiei contra ela por alguns segundos.
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  Merda.
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  Fechei os olhos, tentando organizar os pensamentos, mas tudo que vinha era aquela imagem dela tão próxima, o cheiro da pele dela, o jeito que me olhou. Como se algo ali estivesse prestes a desmoronar, ou… começar.
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  Joguei água no rosto, respirei fundo e tentei voltar à realidade.
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  %Dalny% era minha melhor amiga. A pessoa que me abraçou quando %Sunoo% sumiu, que dividiu silêncios, choros, lembranças. Que segurou minha mão nos dias em que eu não conseguia falar sobre o que sentia. A minha confidente.
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  E agora?
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  Agora ela tinha um olhar novo. Ou talvez eu só estivesse prestando atenção demais.
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  Voltei para a sala alguns minutos depois e a vi sentada no chão com um copo na mão, rindo de algo que %Jay% tinha dito. A luz do abajur deixava reflexos dourados no cabelo dela, e por um segundo, me perdi.
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  Ela me viu e sorriu. De um jeito normal. Normal. E ainda assim, eu senti meu estômago revirar.
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  — %Niki%! — ela me chamou, batendo no espaço vago no sofá ao lado dela. — Senta aqui! Você desapareceu!
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  Me aproximei hesitante, e quando me sentei, o joelho dela encostou no meu. Eu tentei não parecer afetado.
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  Ela encostou o queixo no joelho dobrado e me olhou de lado.
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  — Você tá estranho. Tá tudo bem?
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  — Eu… tô. — desviei o olhar, dando um gole no refrigerante. — Só… pensando demais.
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  — Sobre?
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  — A vida — menti. E ela me conhecia o suficiente pra saber que eu não estava sendo totalmente honesto, mas não pressionou.
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  Ficamos em silêncio por alguns instantes. Um silêncio confortável, como tantos que já dividimos. Mas dessa vez, havia uma tensão ali. Um peso novo. Como se estivéssemos ambos tentando entender se aquilo era só mais uma noite entre amigos… ou o começo de alguma coisa que ninguém planejou.
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  — Sabe… — ela começou, olhando pra frente — …hoje foi um dia maluco.
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  — Foi — concordei.
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  — E por algum motivo, estar aqui com você me acalma.
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  Olhei para ela, surpreso.
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  — É sério?
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  — Claro que é. Você é meu melhor amigo, %Niki%.
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  Ela disse aquilo sorrindo. Um sorriso doce, terno. Mas por dentro, alguma coisa em mim começou a se desmoronar.
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  Porque por mais que aquelas palavras devessem ser um conforto… elas soaram como um aviso.
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  Um lembrete de que talvez eu estivesse prestes a cruzar uma linha que não devia ser cruzada.
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  Mas ainda assim…
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  Eu queria entender por que, naquela noite, meus olhos não conseguiam parar de buscá-la.
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🩹🩹🩹

  %Dalny%’s POV:

  — Vem comigo pegar mais refrigerante? — perguntei, me levantando com o copo vazio na mão.
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  %Niki% hesitou por um segundo, mas assentiu. Caminhamos juntos em direção à cozinha, os passos ecoando baixos no corredor da casa de %Jay% e %Mina%, que agora estava mais silenciosa, como se o mundo tivesse desacelerado um pouco.
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  Abri a porta da geladeira e senti %Niki% encostar-se à bancada ao meu lado. O silêncio entre nós não era desconfortável… mas estava longe de ser o mesmo de sempre.
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  Era outro.
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  Era cheio.
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  Peguei a garrafa e virei de costas para ele, derramando o refrigerante com cuidado no copo. Quando me virei de volta, quase esbarrei no corpo dele, que agora estava mais próximo do que antes. Instintivamente, nossos olhares se cruzaram.
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  E algo no tempo pareceu parar.
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  Ele não desviou. Nem eu.
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  Não era o tipo de olhar que a gente costumava trocar — não aquele. Eu conhecia cada expressão do %Niki%, cada nuance do jeito como ele franzia a testa ou mordia o lábio quando ficava irritado. Mas agora… agora os olhos dele estavam diferentes.
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  Mais escuros.
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  Mais… intensos.
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  E, por algum motivo que eu não compreendia, aquilo me arrepiou inteira.
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  — Tá tudo bem? — minha voz saiu mais baixa do que eu pretendia.
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  Ele demorou um pouco para responder.
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  — Eu não sei.
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  A frase me atingiu de um jeito estranho. Como se ele estivesse falando de algo maior do que só o momento ali, na cozinha.
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  Desviei os olhos por reflexo, tentando escapar do peso do que estava acontecendo, mas quando passei por ele para guardar o refrigerante, esbarrei de leve em seu braço — e o toque pareceu mais elétrico do que devia.
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  Merda.
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  Tentei rir, como sempre fazia quando ficava sem saber o que fazer, mas até meu riso soou estranho.
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  — Você anda muito pensativo hoje — comentei, tentando aliviar o clima. — Tá tudo girando aí nessa cabeça, hein?
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  Ele deu uma meia risada, mas seus olhos não saíram dos meus.
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  — Acho que algumas coisas estão começando a girar, sim.
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  Meu coração acelerou. Virei o rosto de novo, fingindo estar ocupada demais fechando a garrafa, tentando não ceder àquilo. Aquilo o quê? Eu nem sabia. Era só %Niki%. Meu melhor amigo. Meu porto seguro.
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  Mas, pela primeira vez… não parecia isso.
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  E isso me assustava.
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  Muito.
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  — Vamos voltar? — perguntei por fim, pegando meu copo.
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  — Vamos.
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  Caminhamos de volta para a sala. Mas cada passo parecia ecoar mais alto do que o normal.
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  E cada pensamento meu… estava bagunçado demais para ser ignorado.
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🩹🩹🩹

  %Dalny%’s POV:

  Voltamos para a sala como se nada tivesse acontecido.
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  Como se não tivesse existido aquele silêncio estranho na cozinha, nem o olhar dele cravado no meu, nem o toque que ainda parecia vibrar na pele do meu braço. Caminhei com o copo nas mãos, me obrigando a parecer natural, sorrir quando alguém dizia algo engraçado, rir junto com %Sunoo% quando ele errou a letra de uma música do Seventeen no karaokê.
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  Mas eu sentia.
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  Sentia o olhar de %Niki% me acompanhando vez ou outra. Sentia meu corpo reagir quando ele ria perto demais, quando seu joelho roçava no meu no sofá. Sentia a cabeça bagunçar quando, por impulso, eu o observava de soslaio e percebia que ele estava… bonito.
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  Era ridículo. Ele sempre esteve ali, sempre foi o %Niki%. Por que só agora aquilo estava me atingindo como um raio?
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  Em algum momento da madrugada, %Mina% se aninhou no peito de %Jay% no canto do sofá, e %Sunoo% acabou dormindo com os pés apoiados na mesinha de centro, como fazia desde sempre. Eu me encolhi num canto do sofá, cobrindo os ombros com a manta jogada por ali, tentando resistir ao sono — e ao turbilhão interno.
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  Foi quando %Niki% se sentou bem ao meu lado, silenciosamente. Não disse nada. Só me olhou de lado por um segundo, e puxou um pouco da manta para cobrir também os ombros dele.
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  — Se eu roncar, me empurra — sussurrou, com um sorrisinho torto.
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  — Nem vem. Se alguém aqui ronca, esse alguém é você — rebati baixinho, sorrindo sem perceber.
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  Nos calamos de novo, os olhos voltados para a televisão onde passava algum programa aleatório, com o volume baixo. Nossos braços agora dividiam o mesmo tecido da manta, ombro com ombro, como se fôssemos duas crianças com medo de dormir separadas.
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  Mas havia algo diferente.
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  Não era só conforto. Era um calor estranho no peito. Uma vontade esquisita de olhar de novo. De tocar. De entender.
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  E foi quando, sem querer, nossos dedos se encostaram. De leve. Quase nada.
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  Mas nenhum de nós se afastou.
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  Meu coração bateu mais forte, e eu não sabia se era pelo toque, ou pelo fato de que %Niki% também parecia paralisado.
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  Como se estivesse… pensando a mesma coisa.
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  Não dissemos nada.
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  Mas eu sabia.
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  Que alguma coisa — alguma coisa grande — tinha começado a mudar entre nós dois.
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  E, pela primeira vez, eu não tinha certeza se estava pronta pra isso.
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  Mas também não tinha certeza se queria parar.
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🩹🩹🩹

  %Sunoo%’s POV:

  O corredor estava vazio, exceto por mim e ele. %Niki% apoiava o ombro na parede, o celular na mão, distraído, mas ainda assim… presente. O tempo parecia desacelerar quando ficávamos sozinhos. Talvez fosse coisa da minha cabeça. Talvez fosse só culpa. Mas talvez… fosse outra coisa.
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  — Está tudo bem? — perguntei, me aproximando devagar.
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  Ele ergueu o olhar e assentiu, mas havia algo diferente em seu rosto. Uma tensão no ar. Como se ele também sentisse.
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  — Só estava pensando… — ele respondeu. — Muita coisa acontecendo, né?
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  Assenti com um sorrisinho sem graça, enfiando as mãos nos bolsos da calça.
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  — É. E parece que quanto mais a gente tenta deixar as coisas no lugar, mais elas se embaralham.
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  — Exato.
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  Nossos olhos se prenderam por tempo demais. Não era como antes, quando ríamos sem pensar, quando o mundo era mais simples. Agora tinha algo nos nossos olhares que pesava. Que queimava.
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  Dei um passo mais perto. Não havia intenção, não havia plano — só impulso. Só o silêncio e a respiração dele, que pareceu vacilar.
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  — Eu nunca esqueci o que aconteceu entre a gente — confessei, num sussurro. — Aquele beijo... aquilo foi real pra mim. E não só pela confusão que veio depois.
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  Os olhos de %Niki% brilharam. Ele não se afastou. Pelo contrário, pareceu se inclinar levemente, como se o corpo traísse a mente.
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  — Eu também não esqueci.
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  Ficamos a poucos centímetros um do outro. Minha respiração se misturava à dele. E naquele instante, havia apenas nós dois — os erros, os silêncios, as dúvidas — tudo condensado em um quase.
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  E então, %Niki% se moveu.
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  Rápido.
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  Sem aviso.
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  As mãos dele seguraram meu rosto com firmeza, os polegares tocando de leve minha mandíbula, e antes que eu pudesse reagir, os lábios dele colidiram com os meus. Um choque quente, desesperado, carregado de tudo que ficou entalado na garganta por anos.
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  Eu gemi contra sua boca, surpreso, mas não me afastei. Minha mão agarrou a camisa dele, puxando-o ainda mais, como se temesse que ele mudasse de ideia. Como se aquele beijo fosse uma âncora no meio do caos.
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  Era diferente de tudo que já tínhamos vivido. Era adulto. Era cru. Era... perigoso.
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  O coração martelava no meu peito, as pernas bambearam um pouco, mas eu não queria parar. Nem ele. O beijo aprofundou-se por um instante longo, faminto, até que %Niki% rompeu o contato, ofegante, com os olhos arregalados.
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  — Merda… — ele sussurrou, ainda perto demais.
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  O silêncio caiu entre nós, denso, pulsante.
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  E foi ali, naqueles segundos suspensos entre o antes e o depois, que percebi que nada voltaria a ser como antes.
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CAPÍTULO SETE
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