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História NÃO RECOMENDADA PARA MENORES ou PESSOAS SENSÍVEIS.

Esta história pode conter descrições (explícitas) de sexo, violência; palavras de baixo calão, linguagem imprópria. PODE CONTER GATILHOS

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Nos Seus Olhos

Escrita porAven Lore
Editada por Lelen

CAPÍTULO SEIS

Tempo estimado de leitura: 27 minutos

  %Sunoo%’s POV:

  Eu não sabia exatamente o que estava fazendo. Só… fiz.
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  Talvez fosse a necessidade desesperada de preencher aquele silêncio, ou quem sabe a vontade teimosa de tentar mais uma vez — nem que fosse só por um almoço, nem que fosse só pra ele parar de me olhar como se eu fosse um estranho.
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  Quando ele disse que tinha um restaurante decente a duas quadras dali, tentei disfarçar o alívio. Sorri, mais por reflexo do que por certeza.
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  Agora, caminhávamos lado a lado pela calçada, com uma distância segura entre nós, como se qualquer aproximação maior pudesse fazer explodir tudo outra vez.
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  %Niki% estava com as mãos nos bolsos, o olhar preso à rua à frente, mas eu via no canto dos olhos que ele me vigiava. Como sempre fez. Como quem espera o momento exato em que eu vá errar de novo.
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  E, sinceramente? Talvez ele tivesse razão.
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  Tentei puxar conversa, algo simples.
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  — Ainda gosta de jjajangmyeon? — perguntei, sem olhá-lo diretamente.
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  Ele deu uma risada seca, sem humor.
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  — E você ainda acha que comida vai resolver todos os nossos problemas?
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  Mordi o lábio, sem saber se ria ou se pedia desculpas de novo.
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  — Não. — respondi, sincero. — Mas ajuda a deixar eles mais suportáveis por uns minutos.
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  Ele não respondeu, mas o silêncio não foi tão pesado quanto eu esperava.
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  Seguimos caminhando em direção ao restaurante, e pela primeira vez desde que voltei, eu não sentia que estava totalmente sozinho.
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  Talvez ainda estivéssemos longe de qualquer coisa parecida com paz. Mas, por agora, andar ao lado dele já era um pequeno milagre.
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🩹🩹🩹

  %Sunoo%’s POV:

  O restaurante era simples, com mesas de madeira clara e um aroma familiar de óleo de gergelim e massa recém-cozida no ar. A campainha na porta tocou quando entramos, e a dona do lugar, que eu lembrava vagamente da adolescência, nos cumprimentou com um sorriso simpático. Nem ela parecia ter mudado.
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  %Niki% escolheu uma mesa no canto, perto da janela. Claro, longe demais pra parecer casual, mas perto o bastante pra me manter sob o campo de visão dele.
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  Sentei de frente pra ele, e por um momento ficamos só ali, em silêncio, mexendo nos cardápios que já sabíamos de cor. Fingindo normalidade.
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  — Pode pedir primeiro. — ele disse, sem levantar os olhos.
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  — Como se você já não soubesse que eu sempre peço a mesma coisa. — respondi, com um sorriso fraco.
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  — E continua previsível, eu vejo. — retrucou, finalmente levantando o olhar pra mim, com aquele brilho ácido que eu lembrava tão bem.
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  Mordi o lábio, tentando não deixar aquilo me atingir.
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  — Algumas coisas não mudam, %Niki%.
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  Ele deu um meio sorriso, mas havia tristeza por trás dele.
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  — Algumas mudam. Drasticamente.
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  As palavras pairaram entre nós como um lembrete incômodo. Pedi meu jjajangmyeon, ele pediu o mesmo — claro, porque algumas tradições resistem mesmo aos corações partidos.
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  Quando a dona do restaurante se afastou, ele encostou as costas na cadeira e cruzou os braços.
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  — Então? — ele começou, com aquele tom levemente desafiador — O que exatamente você quer de mim, %Sunoo%?
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  Não tinha ironia na voz. Só exaustão.
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  Suspirei fundo, apoiando os cotovelos na mesa e entrelaçando os dedos.
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  — Não sei. Acho que… queria que você me visse. De verdade. E não só como o cara que sumiu.
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  Ele arqueou uma sobrancelha, claramente cético.
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  — Você sumiu, %Sunoo%. Eu não inventei isso.
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  Assenti, aceitando a verdade que ele jogava de volta.
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  — Eu sei. E não tô esperando que um almoço apague isso.
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  Ele me encarou por mais alguns segundos, os olhos duros, mas cansados.
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  — Então por que insistir?
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  Respirei fundo, buscando as palavras certas.
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  — Porque, apesar de tudo, eu ainda… sinto falta de ter você por perto. Como amigo. Como alguém que me conhece de verdade. Como… sei lá. Como qualquer coisa que você esteja disposto a ser agora.
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  %Niki% desviou o olhar para a janela, batendo os dedos na mesa em um ritmo distraído.
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  — Você espera demais das pessoas, %Sunoo%. — disse, baixo. — E depois foge quando elas não conseguem te dar tudo isso.
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  Aquilo doeu. Mas ele não estava errado.
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  E, por mais que doesse admitir, eu ainda queria tentar consertar as coisas.
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  Nem que fosse tarde demais.
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🩹🩹🩹

  %Niki%’s POV:

  O cheiro do jjajangmyeon preencheu o ar antes mesmo das tigelas tocarem a mesa. Por um segundo, o silêncio entre a gente foi quebrado só pelo barulho dos pratos sendo colocados e pela senhora nos desejando “bom apetite” com aquele sotaque caloroso e familiar.
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  Eu peguei os hashis e comecei a misturar o molho preto no macarrão, deixando a fumaça subir até meu rosto. O aroma me jogou direto pra nossa adolescência — quando a gente vinha aqui quase todo fim de semana, se matava de tanto comer e depois passava horas reclamando que não conseguia andar.
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  Engraçado como certas coisas continuavam iguais, mesmo quando a gente fazia questão de estragar tudo.
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  — Ainda mistura assim? — %Sunoo% perguntou, um sorriso pequeno, quase invisível, nos lábios.
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  Olhei pra ele por cima da tigela.
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  — Hábitos não mudam tão fácil quanto pessoas. — retruquei, sem conseguir impedir um leve sorriso de canto de boca.
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  Ele soltou um suspiro curto, do tipo que mais parecia alívio por eu ter respondido de forma menos cortante.
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  Comemos em silêncio por um tempo. O tipo de silêncio que existia antes da queda, antes da distância, quando o simples fato de dividir uma refeição já era suficiente.
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  Mas, claro, nada ficava tranquilo por muito tempo entre nós.
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  — Eu sonhei com isso algumas vezes. — ele disse, de repente, largando os hashis na tigela. — Com a gente, sentados aqui de novo. Como se o tempo não tivesse ferrado com tudo.
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  Suspirei, limpando a boca com o guardanapo.
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  — Eu evitei sonhar com isso. Era mais fácil assim.
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  Ele não respondeu de imediato. Ficou girando o copo de água com a ponta dos dedos.
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  — Eu mereço essa. — murmurou, com um sorriso amargo.
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  — Merece. — confirmei, mas a voz saiu mais cansada do que cruel.
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  Nos encaramos por alguns segundos. E, pela primeira vez desde que ele voltou, eu vi… só o %Sunoo%. Não o garoto que me deixou, não o amigo que fugiu, nem o peso da ausência. Só… ele.
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  Talvez porque parte de mim estivesse cansada demais pra continuar brigando com um fantasma.
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  Suspirei outra vez e soltei, mais baixo:
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  — Mas também merecemos uma pausa nessa guerra fria. Nem que seja só enquanto a gente come.
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  Ele sorriu, de verdade dessa vez.
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  — Trégua até a sobremesa, então?
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  Revirei os olhos, mas não consegui evitar o sorriso que escapou.
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  — Trégua até a sobremesa.
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  E, por um instante — só um instante — foi como voltar no tempo.
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  Só nós dois, dividindo um jjajangmyeon.
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  Antes que o mundo tivesse desabado.
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🩹🩹🩹

  %Niki%’s POV:

  Terminamos de comer em silêncio, mas não um silêncio desconfortável como antes. Era mais… resignado. Como quem aceita que nem tudo precisa ser resolvido em uma única conversa.
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  %Sunoo% limpou a boca devagar, depois repousou os hashis sobre a tigela vazia. Eu terminei meu copo de água e encostei no encosto da cadeira, sentindo o estômago cheio e a cabeça, curiosamente, mais leve.
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  — Eu pago hoje. — ele disse, já pegando a carteira.
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  — Que milagre. — brinquei, arqueando uma sobrancelha. — Até parece o %Sunoo% que eu conhecia.
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  Ele deu uma risada fraca, mas sincera.
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  — Talvez eu esteja tentando melhorar.
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  Assenti, ainda desconfiado, mas deixei que pagasse a conta.
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  Quando saímos do restaurante, a luz do meio-dia já preenchia as ruas de Suncheon. A cidade parecia tão tranquila quanto antes, e por um segundo me perguntei como algo tão sereno podia abrigar sentimentos tão bagunçados como os nossos.
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  Andamos lado a lado por alguns metros, em silêncio. Mas não era mais aquele silêncio sufocante. Era só... pausa.
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  %Sunoo% enfiou as mãos nos bolsos e me olhou de relance.
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  — Valeu por não ter ido embora quando podia.
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  Dei de ombros, olhando para o céu.
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  — Não sei se foi paciência… ou idiotice. Mas tudo bem.
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  Ele sorriu pequeno, daquele jeito torto que sempre irritou e, ao mesmo tempo, desarmou todo mundo ao redor.
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  Parou em frente à esquina onde eu seguiria reto e ele provavelmente voltaria para onde quer que estivesse hospedado.
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  — Até mais, %Niki%.
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  Fiquei ali parado, encarando ele por um segundo, com o sol batendo nos cabelos dele, quase como nas manhãs antigas, antes de tudo ter desandado.
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  — Até mais, %Sunoo%.
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  Ele virou-se e seguiu seu caminho. E eu, por um instante, fiquei ali parado.
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  Sozinho de novo.
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  Com a sensação estranha de que essa história… ainda estava longe de acabar.
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  Mas, por enquanto, talvez uma trégua fosse o suficiente.
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🩹🩹🩹

  %Niki%’s POV:

  Coloquei as chaves do apartamento sobre a bancada antes de abrir as janelas da sala para o vento entrar um pouco e arejar o apartamento.
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  Tudo ainda parecia muito estranho, eu tinha mesmo almoçado com %Sunoo%? Balancei a cabeça tentando afastar os pensamentos me jogando no sofá logo em seguida. Liguei a TV e passeei pelos canais tentando me distrair o suficiente para não chorar.
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  Nenhum canal prendia minha atenção. Passava pelas notícias, por algum dorama antigo, por programas de culinária... mas tudo parecia ter o mesmo som abafado, distante, como se o mundo lá fora estivesse funcionando em outra frequência.
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  Suspirei fundo e larguei o controle no sofá ao meu lado, deixando a TV ligada em qualquer coisa.
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  Me recostei, apoiando o braço atrás da cabeça e encarando o teto por longos segundos. O silêncio entre um pensamento e outro era pior do que qualquer barulho.
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  — O que você tá fazendo comigo de novo, %Sunoo%… — murmurei, a voz baixa, sem força.
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  Era como se eu estivesse preso num loop emocional. Um lado de mim queria proteger tudo o que eu tinha construído enquanto ele esteve longe. O outro lado… ainda se lembrava de como era fácil estar perto dele, mesmo depois de tanto tempo.
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  Revirei os olhos, impaciente com meu próprio coração.
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  Peguei o celular, querendo — ou não querendo — ver alguma notificação. Nada de %Dalny%, nada de %Sunoo%.
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  Mas então, o grupo dos quatro, que estava silencioso há semanas, brilhou na tela.
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  [Mensagem de %Mina% — 13:28 PM]
  "Gente, vamos fazer um café da tarde aqui em casa no sábado? Quero todo mundo junto. E sem desculpas dessa vez, hein. Preciso de vocês."

  Me sentei devagar, sentindo um peso conhecido no estômago.
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  Como dizer não pra %Mina%? Ela era o tipo de pessoa que segurava todo mundo junto… Mesmo quando o resto do grupo parecia querer se despedaçar.
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  Deitei a cabeça no encosto do sofá e fechei os olhos por um instante.
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  Claro que a vida não ia me deixar respirar nem por um fim de semana inteiro.
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🩹🩹🩹

  %Sunoo%’s POV:

  O quarto era simples mas muito aconchegante, a pousada como um todo tinha aquele toque de simplicidade, mas também de cuidado nos detalhes. Plantas na varanda, cortinas claras balançando com a brisa, e um leve cheiro de chá e madeira no ar.
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  Era um lugar calmo demais para alguém com a cabeça tão barulhenta quanto a minha.
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  Joguei minha mochila no canto e me sentei na beirada da cama, passando as mãos pelo rosto, sentindo o peso do dia inteiro se acumular sobre os ombros.
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  Almoçar com o %Niki% não estava nos meus planos. Nem ser recebido com sarcasmo e resistência… e ainda assim sentir falta daquele olhar, daquele jeito dele me desmontar com uma frase curta.
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  Suspirei fundo, tombando para trás na cama, os olhos fixos no teto claro.
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  A cidade estava igual. As ruas, os cheiros, os sons. Mas eu estava outro. Um estranho no lugar onde cresci. E agora… mais estranho ainda entre as pessoas que eu tentei deixar pra trás.
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  Peguei o celular no bolso e desbloqueei a tela por impulso.
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  Sem mensagens da %Dalny%. Sem mensagens do %Niki%.
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  Mas uma notificação chamou minha atenção no grupo antigo do chat:
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  [%Mina% — 13:28 PM]
  "Gente, vamos fazer um café da tarde aqui em casa no sábado? Quero todo mundo junto. E sem desculpas dessa vez, hein. Preciso de vocês."

  Sorri pequeno. %Mina% sempre soube a hora de puxar o freio e reunir os pedaços quebrados de cada um.
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  Mas o estômago virou no mesmo instante.
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  Todos.
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  Inclusive eu. Inclusive %Dalny%. Inclusive %Niki%.
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  Fechei os olhos, sentindo o peso da palavra “todos” como um lembrete cruel.
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  Eu queria ir. E, ao mesmo tempo, morria de medo de aparecer.
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  Porque a última vez que estivemos todos juntos… Foi no dia antes de eu sumir.
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  Peguei o celular no bolso da calça e liguei para minha mãe. Ela e meu pai estavam esperando uma resposta minha, e eu já a tinha na ponta da língua.
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  “Eomma!” — Suspirei pesadamente quando ela atendeu. — “Como estão as coisas por aí? Tudo bem?”
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  Perguntei já sabendo a resposta dela, fechei meus olhos com força:
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  “Tudo na mesma meu filho. Nós já sabíamos que o estado do seu pai só pioraria com o tempo, não é?” — a voz da minha mãe soou cansada, mas ainda assim doce. Aquela doçura que ela sempre tentava manter mesmo quando o mundo parecia desabar ao redor dela.
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  Fechei os olhos com mais força, sentindo o peso da distância e da culpa apertarem o peito.
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  “Eu queria estar aí pra ajudar mais... pra não deixar tudo nas suas costas, eomma.”
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  Ela riu baixinho, aquela risada fraca que eu sempre soube quando vinha com um sorriso triste do outro lado da linha.
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  “Você já ajudou muito só por estar tentando encontrar o seu caminho, meu filho. Não adianta você voltar para cá só pra se sentir preso de novo. A gente vai ficar bem. Seu pai... está sendo cuidado, e eu tenho as vizinhas, a clínica, a minha fé...”
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  Fiquei em silêncio por um instante. Porque era exatamente isso que me matava. Ela estava aceitando o sofrimento com uma paciência que eu nunca tive.
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  “Eu me encontrei com eles, eomma.” — minha voz saiu baixa, quase como um segredo. — “A %Dalny%, o %Niki%… todos.”
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  Ela suspirou do outro lado.
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  “Era pra isso que você precisava voltar, não era? Pra encarar o que deixou pra trás.”
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  Engoli em seco, sentindo as palavras dela me atravessarem.
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  “Eu acho que… eu vou ficar. Pelo menos por um tempo.”
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  O silêncio do outro lado não foi de surpresa. Foi de compreensão.
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  “Então fique. Mas fique inteiro, %Sunoo%. Não só com o corpo, mas com o coração também. Não fuja outra vez.”
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  Fechei os olhos, sentindo a garganta apertar.
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  “Eu vou tentar, eomma.”
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  Ela deu aquele suspiro tranquilo, como se já soubesse.
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  “Isso já é o suficiente por agora. E não esquece de ligar de vez em quando, hein? Sua mãe ainda sente saudade da sua voz.”
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  Sorri, finalmente, mesmo com os olhos marejados.
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  “Eu ligo, prometo.”
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  Nos despedimos e, quando a chamada terminou, deixei o celular cair sobre o peito.
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  A decisão estava tomada.
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  Eu ia ficar.
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  Ia procurar um apartamento, encarar a cidade, encarar eles… E encarar a mim mesmo.
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  Porque, pela primeira vez em muito tempo… Eu queria parar de correr.
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🩹🩹🩹

  %Dalny%’s POV:

  O resto do dia parecia andar em câmera lenta.
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  Tentei ocupar a mente. Lavei a louça da noite passada, troquei os lençois da cama, até coloquei uma playlist animada para tocar enquanto varria a sala. Mas nada parecia funcionar. A música soava distante, e cada objeto que eu tocava parecia deslocado no meu próprio mundo.
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  Era como se, por mais que eu tentasse seguir a rotina, meu coração estivesse preso no ontem. Ou no anteontem. Ou em três anos atrás.
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  Peguei a bolsa e as chaves e saí, sem muito planejamento. Só queria… sair.
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  O caminho até a clínica onde minha mãe estava sendo acompanhada já era automático. Passei pelas mesmas ruas de sempre, cumprimentando os vizinhos que conhecia desde pequena. Alguns perguntaram da minha mãe, com aquele olhar piedoso que eu aprendi a sorrir de volta mesmo quando machucava.
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  Quando cheguei, o enfermeiro me recebeu com um sorriso gentil e me guiou até o jardim, onde ela costumava passar as tardes.
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  Lá estava ela.
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  Sentada em um banco de madeira, os olhos vagando pelo céu nublado, como se buscasse respostas entre as nuvens.
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  Me aproximei devagar, sentando ao lado dela.
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  — Oi, mãe. — falei baixinho, tocando sua mão. — Como você tá hoje?
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  Ela virou o rosto devagar, me olhando por alguns segundos como quem tentava reconhecer um rosto esquecido em alguma gaveta da memória.
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  E então sorriu. Um sorriso pequeno, mas real.
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  — Você voltou pra casa, %Dalny%. — ela disse, com a voz fraca. — Que bom que voltou.
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  O nó na minha garganta apertou. Talvez, pra ela, eu tivesse saído pra brincar no quintal. Talvez, pra ela, ainda fôssemos nós três jantando juntos, rindo de coisas bobas.
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  Talvez, pra ela, eu nunca tivesse crescido.
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  Segurei sua mão com mais força.
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  — Tô aqui, mãe. Não fui embora.
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  Ficamos ali em silêncio. Ela olhando pro céu. Eu, tentando segurar as lágrimas.
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  Porque, por mais que tudo estivesse desmoronando dentro de mim, ela…
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  Ela só precisava da minha presença.
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  E, por agora, isso era tudo o que eu podia dar.
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🩹🩹🩹

  %Dalny%’s POV:

  Voltei pra casa no fim da tarde, com o corpo cansado e a cabeça ainda mais.
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  O silêncio do meu quarto me abraçou assim que fechei a porta. Larguei a bolsa em cima da poltrona, tirei os sapatos e me joguei na cama sem nem pensar duas vezes.
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  O cheiro do meu travesseiro, o mesmo de sempre, deveria ter sido reconfortante. Mas nem isso parecia suficiente pra aquietar a bagunça dentro de mim.
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  Fechei os olhos por alguns segundos, tentando organizar os pensamentos.
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  Minha mãe continuava ali, presa num tempo que eu não conseguia alcançar. %Niki%, por mais forte que fingisse ser, estava tão perdido quanto eu.
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  %Heeseung%… %Heeseung% era meu porto seguro, o presente que eu devia proteger.
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  E %Sunoo%…
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  Bom, %Sunoo% era o passado que resolveu voltar sem ser convidado e bagunçar tudo o que eu passei anos tentando colocar no lugar.
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  Suspirei fundo, virando de lado, abraçando o travesseiro como quem tenta segurar a si mesma.
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  Foi quando o celular vibrou sobre a mesinha. Um som curto, mas que pareceu ecoar dentro do quarto silencioso.
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  Me estiquei para pegar o aparelho e vi a notificação acesa.
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  [%Mina% — 13:28 PM]
  "Gente, vamos fazer um café da tarde aqui em casa no sábado? Quero todo mundo junto. E sem desculpas dessa vez, hein. Preciso de vocês."

  Meus dedos pararam no meio do caminho entre abrir a conversa ou ignorar.
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  Todo mundo. Incluindo ele. Incluindo %Niki%. Incluindo eu… tentando não desmoronar no meio deles.
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  Fechei os olhos, respirando fundo.
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  Queria ter forças pra responder um "claro" animado. Queria ter leveza para achar que seria só um reencontro entre amigos.
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  Mas naquele momento... tudo o que eu consegui fazer foi bloquear a tela do celular e voltar a abraçar o travesseiro com mais força.
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  Talvez amanhã eu conseguisse fingir que estava tudo bem.
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  Hoje… não.
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🩹🩹🩹

  No Sábado…

  %Dalny%’s POV:

  O sábado chegou mais rápido do que eu gostaria.
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  Passei a manhã tentando decidir o que vestir, não porque eu queria impressionar alguém, mas porque, de alguma forma, parecia que a roupa certa poderia me proteger de tudo o que eu sentiria quando visse cada um deles ali, reunidos. Como se um pedaço de tecido pudesse me blindar do passado.
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  No fim, escolhi algo simples. Como sempre. Nada que gritasse insegurança, nem que parecesse esforço demais.
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  No caminho até a casa da %Mina%, senti meu coração apertar a cada passo. As ruas de Suncheon estavam calmas naquele início de tarde, e o vento leve bagunçava meu cabelo sem a menor cerimônia.
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  Quando virei a esquina e vi a fachada conhecida da casa dela, iluminada pelo sol preguiçoso do meio da tarde, meu estômago deu um nó.
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  %Jay% estava encostado no portão, sorrindo para quem chegava, com aquela energia acolhedora que nunca mudou.
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  Vi %Niki% primeiro. Sentado nos degraus da varanda, de fones no ouvido, cabeça baixa, provavelmente fingindo distração.
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  E, então… Meus olhos encontraram os dele.
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  %Sunoo%.
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  Parado perto da cerca lateral, conversando com %Mina%, os braços cruzados, o sorriso contido. Ele parecia exatamente como eu lembrava… e, ao mesmo tempo, tão diferente que doeu.
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  Respirei fundo, sentindo o mundo girar devagar.
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  %Jay% me viu e abriu um sorriso largo.
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  — Até que enfim, %Kang% %Dalny%! Já tava achando que ia ter que ir te buscar em casa.
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  Forcei um sorriso de volta, ajeitando a bolsa no ombro.
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  — E perder a chance de fazer vocês todos me esperarem? Nem morta.
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  %Jay% riu e abriu espaço no portão.
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  — Bem-vinda ao campo de batalha, soldado.
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  Atravessei o portão e, naquele instante, soube: A partir dali, não dava mais pra fugir.
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  O passado, o presente e o que quer que viesse depois… Estavam todos me esperando ali, naquela varanda.
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  E o reencontro só estava começando.
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