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História NÃO RECOMENDADA PARA MENORES ou PESSOAS SENSÍVEIS.

Esta história pode conter descrições (explícitas) de sexo, violência; palavras de baixo calão, linguagem imprópria. PODE CONTER GATILHOS

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Nos Seus Olhos

Escrita porAven Lore
Editada por Lelen

CAPÍTULO QUATRO

Tempo estimado de leitura: 30 minutos

  %Dalny%’s POV:

  O restante da noite correu como um filme meio embaçado, desses que a gente assiste com o coração apertado e os olhos brilhando.
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  Depois da confusão dos reencontros e dos silêncios pesados, a festa aos poucos retomou seu ritmo. %Mina% e %Jay%, radiantes, circulavam entre as mesas, agradecendo a presença dos amigos e recebendo abraços, sorrisos, votos de felicidade.
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  %Heeseung% ficou ao meu lado a maior parte do tempo. Ele era atento, gentil, e, mesmo sem perguntar nada, parecia saber que eu precisava da sua presença ali, silenciosa e firme. Às vezes, nossos olhares se encontravam e ele sorria de um jeito que me fazia lembrar do presente — do agora — e não do passado que insistia em rondar.
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  Em outros momentos, eu procurava %Niki% pela festa. Quando nossos olhos se cruzavam, trocávamos pequenos gestos: um sorriso cansado, uma piscadela de incentivo, uma careta boba. Era reconfortante saber que, mesmo depois de tudo, nossa amizade seguia forte. Inabalável.
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  E então veio o momento mais esperado — o discurso dos noivos.
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  %Jay% subiu ao pequeno palco improvisado, ajeitou o microfone com aquele sorriso nervoso de quem preferia mil vezes estar fazendo piadas, e chamou %Mina% para ficar ao lado dele. Ela caminhou até ele rindo, já com lágrimas começando a brilhar nos olhos.
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  — Eu poderia escrever mil palavras — %Jay% começou, a voz embargando logo nas primeiras frases — e nenhuma delas seria suficiente para explicar o quanto essa mulher mudou a minha vida.
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  Meus olhos se encheram na hora. Apertei a mão de %Heeseung% que segurava a minha sob a mesa, como se assim pudesse segurar também as emoções que ameaçavam transbordar.
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  %Mina%, entre risos e fungadas, disse poucas palavras, mas todas cheias de amor. Disse que a vida foi muito mais doce depois que ele apareceu, que nunca se sentiu tão apoiada, tão ela mesma, como ao lado dele.
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  Eu me emocionei mais do que esperava. Porque conhecia a história deles desde o começo — desde os tropeços, as brigas, os reencontros. Sabia o quanto aquele momento era merecido.
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  Entre os aplausos e os brindes que se seguiram, %Jay% e %Mina% me puxaram para um abraço apertado. Me vi entre os dois, rindo e chorando ao mesmo tempo.
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  — Obrigada por estar aqui. — %Mina% sussurrou no meu ouvido. — Eu não saberia celebrar isso sem você.
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  — Eu não saberia viver sem vocês. — respondi, a voz embargada.
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  Vi %Jay% sorrir ao lado dela e fazer um carinho rápido na minha cabeça, daquele jeito protetor de sempre.
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  Voltei para a mesa com o peito cheio. %Heeseung% me esperava de pé, e, sem dizer nada, me envolveu em seus braços. Não era um abraço possessivo. Era tranquilo, confortável. Como se ele quisesse me lembrar que eu podia ficar, que eu não precisava enfrentar tudo sozinha.
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  Eu sorri contra seu peito e, por um momento, permiti-me apenas sentir. Só a música, os risos ao redor, o calor das pessoas que eu amava.
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  %Niki% passou por nós pouco depois, segurando duas taças de champanhe e me estendendo uma com um sorriso de canto.
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  — A noite é dos noivos… mas é nossa também, %Dal%. A gente sobreviveu. — disse ele, piscando pra mim.
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  Eu ri, limpando discretamente o canto dos olhos antes de aceitar a taça.
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  — Sobrevivemos, melhor amigo.
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  E então brindamos, sob as luzes douradas do salão, como quem sabe que ainda há muita história pra viver — mesmo com cicatrizes.
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  No fundo da minha mente, eu sabia que %Sunoo% ainda estava ali, em algum lugar, e que nossa história ainda não estava encerrada.
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  Mas, por aquela noite, eu queria apenas ser %Dalny%.
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  A melhor amiga da noiva.
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  A garota que amava demais.
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  A que ainda acreditava que, de algum jeito, a vida sempre arruma um jeito de seguir em frente.
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🩹🩹🩹

  A noite avançou devagar, embalada por música boa, gargalhadas soltas e a leve embriaguez que só a felicidade sincera proporciona. Aos poucos, os convidados começaram a se despedir. Abraços apertados, promessas de novos encontros, e agradecimentos se espalhavam pelo salão como um último sopro de alegria.
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  Eu ajudei %Mina% com algumas últimas arrumações, rindo quando ela se atrapalhou tentando equilibrar os presentes enquanto recebia mais abraços de despedida. %Heeseung%, paciente, ficou ao meu lado a maior parte do tempo, enquanto %Jay% organizava o que precisava ser levado embora.
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  Quando tudo pareceu finalmente sob controle, %Heeseung% se aproximou de mim com um sorriso cansado.
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  — Quer que eu te leve pra casa? — perguntou, a voz suave, os olhos cheios de carinho.
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  Olhei em volta, vendo a movimentação rarefazer, e depois olhei para o lado.
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  %Sunoo%.
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  Ele estava parado próximo à saída lateral do salão, o olhar preso em mim, como se esperasse alguma decisão minha.
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  Respirei fundo. Eu sabia que esse momento chegaria. Que não poderia fugir para sempre.
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  Voltei meus olhos para %Heeseung% e sorri, tentando passar a maior honestidade possível.
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  — Pode ir, %Hee%. Eu… preciso resolver umas coisas com o pessoal ainda. — minha voz saiu firme, mas meu estômago embrulhava.
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  Ele hesitou, como se quisesse insistir. Mas, ao ver a firmeza no meu olhar, apenas assentiu.
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  — Se precisar de mim… me chama, tá?
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  — Eu chamo. — prometi, segurando sua mão por um breve instante antes de soltá-la.
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  %Heeseung% me deu um beijo carinhoso na testa e se afastou, parando para conversar rapidamente com %Jay% e %Mina% antes de sair.
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  O salão parecia maior agora. Mais vazio. Mais silencioso.
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  Vi %Niki% se despedir de %Jay% também, trocando um abraço apertado entre melhores amigos. Ele passou por mim logo depois, me lançando um último olhar de incentivo. Um olhar que dizia: vai ficar tudo bem.
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  Respirei fundo de novo.
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  E então, pela primeira vez em três anos, dei o primeiro passo.
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  Fui até %Sunoo%.
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  Cada passo parecia pesar toneladas, mas também havia uma estranha leveza em finalmente enfrentar o que precisava ser enfrentado.
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  Quando parei diante dele, o mundo pareceu encolher até restar só nós dois.
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  Ele levantou o olhar, e havia algo diferente ali.
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  Não era arrogância, nem expectativa.
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  Era medo. Era saudade. Era arrependimento.
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  — %Dalny%… — ele começou, a voz baixa, rouca, como se o meu nome ainda doesse na garganta dele.
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  Eu apenas assenti, sem dizer nada.
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  Estava pronta para ouvir.
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  Ou, pelo menos, mais pronta do que jamais estive.
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  Ficamos ali, frente a frente, com o silêncio se esticando entre nós como uma linha fina e frágil, prestes a arrebentar.
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  %Sunoo% parecia desconfortável, enfiava as mãos nos bolsos, tirava, passava a mão pelos cabelos, desviava o olhar e depois voltava para mim — como se não soubesse por onde começar, como se nenhuma palavra fosse suficiente.
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  E, de certa forma, eu entendia. Porque eu também não sabia.
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  Finalmente, ele respirou fundo, como quem cria coragem para mergulhar sem saber se vai flutuar ou afundar.
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  — Eu queria... — começou, a voz rouca, quase um sussurro — eu queria poder voltar no tempo. Fazer tudo diferente.
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  Eu não respondi. Só fiquei ali, imóvel, ouvindo.
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  — Quando eu fui embora… — ele continuou, o olhar preso ao chão — eu achei que estava protegendo você. Achei que, se eu desaparecesse, você ia me esquecer rápido. Ia seguir em frente. Que eu era o problema e que o melhor era eu sumir da sua vida.
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  Um sorriso amargo puxou o canto da minha boca, mas não disse nada.
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  Ainda não.
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  — Mas eu tava errado. — ele ergueu os olhos, e neles havia algo quebrado, exposto. — Eu te machuquei do pior jeito possível. Te abandonei.
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  Meu peito doía, mas não era raiva. Era algo mais profundo. Era o peso de tudo o que nunca foi dito.
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  — Você poderia ter me contado — falei, por fim, a voz baixa, tentando não deixar a emoção me trair. — Poderia ter confiado em mim.
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  Ele assentiu rapidamente, como se soubesse disso todos os dias desde então.
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  — Eu sei. Eu devia ter confiado. — a voz dele falhou no final, e ele passou a mão pelo rosto, como quem tenta afastar o arrependimento físico. — Mas eu era covarde. Tão covarde, %Dalny%. Não com você. Comigo mesmo. Eu tinha medo de não ser o que esperavam de mim. Medo de decepcionar todo mundo. Medo de olhar pra você e ver nos seus olhos que eu não era o cara que você merecia.
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  As palavras dele eram duras. E, ainda assim, eram honestas. Rasgadas.
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  Olhei para ele por um longo momento. Para o %Sunoo% que não era mais o garoto que segurava minha mão quando atravessávamos a rua. Para o %Sunoo% que não era mais o menino que ria comigo no quintal nas tardes preguiçosas.
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  Era um %Sunoo% novo. Machucado. Mudado.
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  E eu também era uma %Dalny% diferente.
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  — Você me magoou muito. — minha voz saiu trêmula, mas firme. — Muito mais do que eu soube admitir por muito tempo.
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  Ele fechou os olhos por um segundo, como se cada palavra fosse um golpe merecido.
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  — Mas eu também não sou mais aquela menina que ficava esperando você voltar. — completei. — Eu cresci. Eu mudei. E agora... eu não sei se ainda existe um “nós” pra tentar resgatar.
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  As palavras pairaram no ar entre nós.
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  Ele abriu os olhos de novo e deu um passo pequeno, quase inseguro, como se pedisse permissão para se aproximar.
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  — Eu não tô aqui pra pedir nada. — a voz dele era um sussurro. — Só queria que você soubesse... que eu nunca te esqueci. Nem por um dia. E que, mesmo que não tenha mais espaço pra mim na sua vida, você sempre vai ter um espaço na minha.
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  Eu fechei os olhos por um momento, deixando o peso de tudo aquilo pousar em mim.
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  Quando os abri, encontrei o olhar dele — tão aberto, tão vulnerável.
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  E soube que, de alguma forma, mesmo que ainda doesse, alguma parte de mim queria ouvir mais.
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  Queria entender.
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  Queria, talvez, começar a curar.
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🩹🩹🩹

  %Sunoo%’s POV:

  Quando ela abriu os olhos e encontrou os meus, senti algo dentro de mim se partir e, ao mesmo tempo, se reconstruir.
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  %Dalny%.
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  Ela estava diferente. Mais forte. Mais fechada também. Mas ainda era ela — a garota que um dia segurou minha mão na tempestade, sem fazer perguntas, só ficando ao meu lado.
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  Eu soube naquele instante que não podia deixá-la ir sem, ao menos, tentar fazer as coisas da maneira certa dessa vez. Sem fugir.
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  Respirei fundo, tomando coragem.
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  — Você quer… — comecei, a voz saindo mais rouca do que eu queria — dar uma volta? A gente pode conversar melhor. Sei que aqui dentro é difícil.
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  Ela hesitou por um instante, olhando em volta. O salão já estava quase vazio, restavam só alguns funcionários ajeitando os últimos detalhes. Era como se a festa tivesse terminado, mas o verdadeiro desfecho da noite ainda estivesse pendurado entre nós dois.
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  Por fim, ela assentiu com um movimento breve de cabeça.
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  Tentei esconder o alívio que me atravessou inteiro.
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  Caminhamos lado a lado até a porta dos fundos do salão, saindo para uma pequena área externa, decorada com luzes baixas, árvores e bancos de jardim. O ar da noite era frio o suficiente para arrepiar a pele, mas, mesmo assim, era melhor do que o peso abafado do salão.
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  Eu mantinha uma distância respeitosa entre nós. Não queria pressioná-la. Não queria arruinar ainda mais o que já era frágil.
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  Enquanto caminhávamos lentamente, escutando apenas o som dos nossos passos no piso de pedras, minha mente corria.
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  Queria dizer tudo. Tudo de uma vez.
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  Queria pedir desculpas outra vez, queria contar dos dias em que acordei querendo mandar uma mensagem, ligar, aparecer na porta dela — e não tive coragem. Queria explicar que o vazio que eu carregava todos esses anos não era apenas culpa ou arrependimento — era falta dela.
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  Mas as palavras pesavam. Pesavam como o silêncio entre nós.
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  %Dalny% cruzava os braços de leve, como se também se protegesse de algo invisível.
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  Eu olhei para ela de relance, tentando memorizar aquele momento. O jeito como o cabelo dela balançava com a brisa. O brilho das luzes refletido em seus olhos.
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  E foi naquele instante, vendo-a ali, tão próxima e ainda tão distante, que uma certeza cresceu dentro de mim:
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  Eu não poderia desfazer o passado. Não poderia apagar as dores.
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  Mas podia, ao menos, ser honesto agora.
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  Totalmente honesto.
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  Era o mínimo que ela merecia.
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  Era o mínimo que eu devia a nós dois.
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  Caminhamos em silêncio até que paramos perto de um pequeno banco de madeira, iluminado apenas por algumas luzes penduradas nas árvores. O mundo parecia ter encolhido até restar apenas nós dois e o som baixo do vento passando entre as folhas.
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  Respirei fundo.
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  Era agora ou nunca.
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  — Quando eu fui embora... — comecei, com a voz baixa, olhando para o chão — não foi só por causa da escola nova, nem porque eu queria “estudar fora” como disseram pra vocês.
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  %Dalny% permaneceu em silêncio, mas seu corpo estava voltado para mim. Ela estava ouvindo. E isso já era mais do que eu merecia.
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  — Eu… — fechei os olhos por um instante, tentando achar coragem dentro de mim. — Eu tava perdido, %Dal%. Perdido de um jeito que eu nem sabia explicar na época.
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  Abri os olhos e encontrei os dela, que brilhavam sob a luz suave.
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  — Depois do que aconteceu entre mim e o %Niki%… . — minhas palavras tremiam, mas eu continuei — eu comecei a me questionar sobre tudo. Sobre quem eu era, sobre o que eu sentia, sobre o que era certo ou errado. E o medo...
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  O silêncio que se instalou depois da minha confissão era quase insuportável.
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  Ela continuava parada à minha frente, o rosto meio escondido pela sombra da árvore mais próxima, e eu sabia que precisava perguntar. Mesmo que a resposta doesse.
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  Respirei fundo, sentindo o peito apertar ainda mais.
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  — %Dalny%... — chamei, minha voz rouca. — Você... você sabe o que aconteceu entre mim e o %Niki%?
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  Ela ergueu os olhos para mim devagar, como se a pergunta não fosse surpresa, mas ainda assim pesada. Por um momento, vi seu maxilar endurecer, como se ela estivesse tentando controlar a própria reação.
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  Ela engoliu em seco antes de responder.
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  — Sei. — disse, sua voz firme, mas baixa. — O %Niki%... depois que você foi embora, ele... — ela hesitou, buscando as palavras certas — ele ficou muito angustiado.
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  Olhou para o chão, depois voltou a me encarar.
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  — Depois de alguns dias, ele criou coragem e contou para mim, para o %Jay% e para a %Mina%.
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  Meu peito pareceu se fechar.
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  Então eles sabiam. Todo esse tempo. Eles sempre souberam.
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  %Dalny% mordeu o lábio inferior, como se ponderasse até onde deveria ir. Mas seus olhos... seus olhos diziam que ela não estava ali para jogar minha dor na minha cara.
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  — Ele contou que foi só um beijo. Que vocês dois... estavam confusos, que foi mais pela curiosidade, mas... — ela respirou fundo — que aquilo mexeu com ele. Mexeu de um jeito que ele não soube como lidar.
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  Pisquei rapidamente, tentando impedir a emoção de transbordar.
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  Ela deu um pequeno passo para mais perto, não o suficiente para me tocar, mas suficiente para que eu sentisse o calor da sua presença.
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  — A gente nunca te julgou, %Sunoo%. — disse, com um peso dolorido na voz. — Nem eu. Nem o %Jay%. Nem a %Mina%.
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  Ela fechou os olhos por um instante, e quando os abriu de novo, havia lágrimas brilhando ali, presas, mas firmes.
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  — A gente só... — sua voz falhou brevemente — a gente só queria que você tivesse confiado na gente.
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  As palavras dela atravessaram minhas defesas como lâminas finas.
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  Eu desviei o olhar, encarando o chão por um momento, tentando controlar a torrente de sentimentos que me engolia por dentro.
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  — Eu tinha tanto medo, %Dalny%. — sussurrei, a voz embargando. — Medo de decepcionar vocês. Medo de... de ser rejeitado.
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  Ela não respondeu de imediato.
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  E talvez ela não precisasse.
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  Porque naquele instante, eu entendi:
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  A rejeição que eu tanto temi não veio deles.
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  Veio de mim mesmo.
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🩹🩹🩹

  %Dalny%’s POV:

  Eu queria encontrar as palavras certas. Queria dizer algo que apagasse a dor dos três últimos anos, que costurasse o que ficou rasgado entre nós.
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  Mas como costurar o que foi rasgado tantas vezes, de formas tão invisíveis e profundas?
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  %Sunoo% desviou o olhar, e eu vi seus ombros começarem a tremer levemente. Ele passou as costas da mão pelos olhos como se tentasse disfarçar, mas não conseguiu.
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  A primeira lágrima escorreu silenciosa pela bochecha dele.
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  Depois, outra.
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  E então ele desabou.
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  O som do choro dele era baixo, contido, como se ainda tentasse se proteger, mesmo agora, mesmo depois de se expor tanto.
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  Meu coração se quebrou ali.
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  Sem pensar, dei um passo à frente e envolvi seus ombros com meus braços. Puxei-o para mim, sentindo o corpo dele estremecer contra o meu.
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  Ele enterrou o rosto no meu ombro, e a cada soluço abafado, parecia que uma parte da culpa, do medo e da solidão dele se despedaçava entre nós.
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  Fechei os olhos e deixei minhas mãos percorrerem suas costas devagar, como quem tenta remendar algo frágil com a própria pele.
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  — Shh… — murmurei contra seus cabelos. — Tá tudo bem agora, %Sunoo%. Eu tô aqui.
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  Eu não sabia se era uma promessa para ele ou para mim mesma.
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  Talvez para nós dois.
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  Senti minhas próprias lágrimas escaparem antes que eu pudesse impedir. Deslizaram-se quentes pelas minhas bochechas, misturando-se ao choro que ele ainda tentava conter.
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  Meus dedos apertaram a camisa dele com força, como se assim pudesse segurar o tempo e impedir que ele escorresse de novo entre meus dedos.
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  — Eu senti tanto a sua falta. — sussurrei, quase sem voz. — Tanto, %Sunoo%. Você não faz ideia...
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  Ele se agarrou mais a mim, como se tivesse esperado por aquilo por anos. Como se, finalmente, tivesse encontrado um lugar onde pudesse desabar sem medo de ser julgado ou empurrado para longe.
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  Ficamos assim, abraçados, chorando juntos sob as luzes baixas do jardim. O resto do mundo desapareceu. Não havia festa, nem passado, nem futuro. Só havia a dor, o arrependimento… e a esperança tênue de que, talvez, ainda houvesse alguma coisa a ser reconstruída entre nós.
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  Alguma coisa que nem o tempo, nem os erros, nem a distância conseguiram apagar.
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  Porque, no fim, era ele.
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  E era eu.
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  E, de algum jeito torto e quebrado, ainda éramos nós.
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🩹🩹🩹

  %Dalny%’s POV:

  Aos poucos, os soluços foram diminuindo.
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  O aperto desesperado dos braços dele em volta de mim cedeu espaço para um abraço mais calmo, mais leve — mas igualmente necessário. Como se ambos soubéssemos que, por mais que a dor estivesse ali, ela não precisava mais nos sufocar.
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  %Sunoo% se afastou só o suficiente para me olhar nos olhos. Seus dedos ainda seguravam minhas mãos, como se tivesse medo que eu desaparecesse se ele soltasse.
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  Seus olhos estavam vermelhos, assim como os meus. Mas havia algo novo ali agora: uma vulnerabilidade honesta, sem máscaras.
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  — Eu não quero que você me perdoe só porque me viu quebrado. — ele disse, a voz rouca, quase um sussurro. — Eu não mereço o seu perdão fácil, %Dalny%.
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  Apertei suas mãos entre as minhas, sentindo o peso daquelas palavras.
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  — E eu não tô aqui… — ele continuou, respirando fundo — pra bagunçar ainda mais a sua vida. Eu sei que você tem alguém. Eu sei que sua vida seguiu.
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  Minha garganta apertou, mas eu o deixei terminar.
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  — Só queria… — ele baixou o olhar, como se tivesse medo da própria ousadia — só queria ter uma chance. Uma chance de ser, nem que seja, alguém em quem você possa confiar de novo.
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  Fechei os olhos por um segundo, sentindo o peso da escolha que pairava no ar entre nós.
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  Quando os abri, respirei fundo.
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  — %Sunoo%… eu não sei o que vai acontecer com a gente. — falei, a voz embargada. — Eu também mudei. Eu também me quebrei.
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  Ele ergueu o olhar para mim, atento, sem ousar interromper.
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  — Mas eu sei que… — minhas palavras saíam trêmulas, mas verdadeiras — eu não quero que você vá embora de novo.
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  A luz suave das árvores dançava sobre nós. E por um instante, parecia que o tempo se curvava, nos dando uma nova chance.
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  — Então fica. — sussurrei. — Seja o que for, %Sunoo%… só fica.
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  Um sorriso pequeno, tímido e tão genuíno iluminou o rosto dele. Um sorriso que eu achava ter perdido para sempre.
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  Ele se aproximou mais uma vez, devagar, respeitando cada centímetro, cada batida do meu coração. E, naquele instante, sem promessas, sem planos, sem garantias, eu soube:
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  Às vezes, recomeçar não é apagar o passado.
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  É aprender a existir apesar dele.
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  E, de algum modo, ainda acreditar no que poderia vir depois.
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  Juntos.
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🩹🩹🩹

  %Sunoo%’s POV:

  Ela disse para eu ficar.
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  E aquelas palavras, tão simples e tão carregadas de significado, pareciam se enraizar dentro de mim como algo que eu nunca tinha achado que mereceria de novo.
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  Por um momento, só ficamos ali, parados no meio do jardim iluminado por luzes tênues. Não havia mais lágrimas. Não havia mais desculpas ou acusações. Só o peso silencioso do que cada um de nós tinha enfrentado para chegar até aqui.
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  %Dalny% se aproximou um pouco mais, e eu, sem pensar, entrelacei nossos dedos.
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  Ela não recuou.
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  Ficamos assim, de mãos dadas, enquanto o vento leve balançava as folhas acima de nós. Era um silêncio diferente agora. Não o silêncio da mágoa ou da distância, mas aquele tipo de silêncio confortável que só existe entre pessoas que se conhecem de verdade — e que, de alguma maneira, sobreviveram uma à outra.
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  Eu não sabia o que seria do amanhã. Não sabia o que ela sentia por %Heeseung%, o que sentiria por mim depois dessa noite. Mas, pela primeira vez em anos, não senti pânico diante do desconhecido.
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  Senti esperança.
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  Depois de alguns minutos ali fora, ouvimos o som de risadas distantes vindo do salão. Era o sinal claro de que os últimos convidados estavam se despedindo.
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  %Dalny% olhou para mim com um sorriso discreto, e eu entendi sem que ela precisasse dizer nada: era hora de voltarmos.
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  Seguimos juntos para dentro, ainda de mãos dadas, mas dessa vez de maneira natural, tranquila — como se nossos corpos já soubessem o caminho.
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  Quando entramos, %Mina% e %Jay% estavam reunidos perto da entrada principal, cercados por alguns poucos amigos que ainda restavam. %Mina% foi a primeira a nos ver.
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  Ela sorriu largo, aquele sorriso que sempre a pertenceu.
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  — Até que enfim! — exclamou, vindo em nossa direção, arrastando %Jay% junto.
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  %Dalny% soltou minha mão para abraçar %Mina%, e eu fiquei alguns passos atrás, observando. Vê-la ali, tão vibrante, tão genuinamente feliz, fazia meu peito se aquecer.
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  Quando %Dalny% se afastou, %Jay% me puxou para um abraço rápido e forte.
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  — Bem-vindo de volta, cara. — ele disse no meu ouvido, batendo de leve em minhas costas.
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  Engoli em seco, sentindo a sinceridade dele me atravessar. Assenti em silêncio, porque não havia palavras suficientes para agradecer por ainda ter um lugar ali.
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  %Mina% puxou minha mão depois e a apertou.
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  — Só não some de novo, tá? — disse, com um sorriso misturado de alegria e uma pontada de ameaça brincalhona.
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  — Eu não vou. — prometi, com a voz firme.
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  Depois de mais abraços e despedidas apertadas, %Jay% e %Mina% foram acompanhar os últimos convidados até a saída, deixando nós dois sozinhos mais uma vez, bem na porta.
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  %Dalny% virou para mim, as mãos enfiadas nos bolsos do vestido como quem tentava esconder o nervosismo.
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  — Quer que eu te leve até a sua casa? — perguntei, num impulso tímido, a voz ainda meio rouca.
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  Ela sorriu, pequeno.
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  — Eu adoraria.
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  E naquele sorriso, naquela resposta simples, eu entendi:
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  Nós ainda tínhamos muito a enfrentar.
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  Muito a dizer, a descobrir, a consertar.
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  Mas, pela primeira vez em muito tempo, nós tínhamos a chance.
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  E, dessa vez, eu não pretendia desperdiçá-la.
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CAPÍTULO QUATRO
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