×

ATENÇÃO!

História NÃO RECOMENDADA PARA MENORES ou PESSOAS SENSÍVEIS.

Esta história pode conter descrições (explícitas) de sexo, violência; palavras de baixo calão, linguagem imprópria. PODE CONTER GATILHOS

O Espaço Criativo não se responsabiliza pelo conteúdo das histórias hospedadas na sessão restrita ou apontadas pelo(a) autor(a) como não próprias para pessoas sensíveis.

Nos Seus Olhos

Escrita porAven Lore
Editada por Lelen

CAPÍTULO DEZESSEIS

Tempo estimado de leitura: 13 minutos

  %Sunoo%’s POV:

  A música mudou sem aviso.
0
Comente!x

  Era lenta, quase tímida, como se pedisse menos passos e mais coragem. Eu estava perto do bar quando vi %Dalny% sozinha por alguns segundos, observando as pessoas dançando como se estivesse à margem de tudo.
0
Comente!x

  Antes que pudesse pensar melhor, me aproximei.
0
Comente!x

  — Quer dançar? — perguntei, simples.
0
Comente!x

  Ela hesitou. Vi no jeito como apertou a taça por um segundo a mais do que precisava. Depois, assentiu.
0
Comente!x

  — Quero.
0
Comente!x

  Coloquei a taça dela na mesa mais próxima e levei minha mão até a dela. O toque foi familiar demais para ser ignorado, mas não assustador. Apenas… antigo.
0
Comente!x

  Dançar com a %Dalny% sempre foi fácil.
0
Comente!x

  Nossos corpos se ajustaram naturalmente, como se nunca tivessem desaprendido o ritmo um do outro. Não era uma dança colada demais, nem distante. Era confortável. Íntima de um jeito calmo.
0
Comente!x

  — Você lembra — ela murmurou — quando a gente dançava no quarto da sua casa, sem música nenhuma?
0
Comente!x

  Sorri.
0
Comente!x

  — Lembro. Você dizia que não precisava de som quando o coração já fazia barulho suficiente.
0
Comente!x

  Ela riu baixo.
0
Comente!x

  — Eu era dramática.
0
Comente!x

  — Ainda é — respondi, com carinho.
0
Comente!x

  Ficamos em silêncio depois disso, balançando devagar. Minha mão nas costas dela era respeitosa, mas protetora. Eu sentia a respiração dela se ajustar à minha.
0
Comente!x

  Por alguns minutos, o mundo diminuiu.
0
Comente!x

  E eu quase acreditei que ainda havia um “nós”.
0
Comente!x

  Quando a música terminou, ela não se afastou imediatamente. Mas também não ficou.
0
Comente!x

  — Obrigada pela dança — disse, sincera.
0
Comente!x

  — Sempre — respondi.
0
Comente!x

  Observei enquanto ela se afastava… sem saber que aquele pequeno momento acabaria mudando tudo.
0
Comente!x

🩹🩹🩹

  %Dalny%’s POV:

  Eu sabia que ia acontecer.
0
Comente!x

  O clima estava carregado demais, os olhares longos demais, as emoções soltas demais para aquela noite terminar em paz.
0
Comente!x

  Foi %Niki% quem me puxou pelo braço com cuidado, longe da pista, perto de um corredor lateral menos iluminado.
0
Comente!x

  — A gente precisa conversar — ele disse, baixo.
0
Comente!x

  Cruzei os braços, tentando parecer mais firme do que me sentia.
0
Comente!x

  — Conversar sobre o quê, %Niki%? Sobre como todo mundo aqui parece saber mais da minha vida do que eu mesma?
0
Comente!x

  Ele respirou fundo.
0
Comente!x

  — Sobre você dançar com ele.
0
Comente!x

  — Eu posso dançar com quem eu quiser — rebati rápido. — Ou agora isso também precisa de permissão?
0
Comente!x

  — Não é isso — ele respondeu, tenso. — É só que você olha pra ele como se… como se ainda doesse.
0
Comente!x

  As palavras me atingiram.
0
Comente!x

  — E você olha pra mim como se tivesse direito de cobrar alguma coisa — retruquei. — Quando foi que isso aconteceu, hein?
0
Comente!x

  O silêncio pesou entre nós.
0
Comente!x

  — Eu fiquei — ele disse, finalmente. — Eu fiquei quando ele foi embora. Isso não conta?
0
Comente!x

  — Conta — respondi, a voz mais baixa agora. — Mas não te dá posse sobre mim.
0
Comente!x

  Ele passou a mão pelos cabelos, frustrado.
0
Comente!x

  — Eu não quero te possuir, %Dalny%. Eu só… não sei mais onde eu fico nisso tudo.
0
Comente!x

  Meu peito apertou.
0
Comente!x

  — Nem eu.
0
Comente!x

  Nos encaramos por alguns segundos longos demais para serem seguros.
0
Comente!x

  — Talvez a gente precise parar de fingir que isso não está nos afetando — ele disse.
0
Comente!x

  — Talvez — concordei. — Ou admitir que tá tudo bagunçado demais pra continuar empurrando.
0
Comente!x

  O silêncio seguinte não foi de raiva.
0
Comente!x

  Foi de escolha.
0
Comente!x

🩹🩹🩹

  %Niki%’s POV:

  Ela saiu primeiro.
0
Comente!x

  Não correndo. Não fugindo. Apenas precisando de ar.
0
Comente!x

  Eu a segui até o jardim dos fundos, onde a música chegava abafada e as luzes eram suaves demais para esconder verdades. %Dalny% estava de costas quando parei a alguns passos dela.
0
Comente!x

  — Eu não te puxei pra brigar — falei. — Eu te puxei porque eu não aguento mais fingir.
0
Comente!x

  Ela se virou devagar.
0
Comente!x

  — Fingir o quê?
0
Comente!x

  — Que ficar não me mudou. Que você não me mudou.
0
Comente!x

  O olhar dela vacilou.
0
Comente!x

  — %Niki%…
0
Comente!x

  — Eu sei que você sente — continuei, antes que ela pudesse se fechar. — Do seu jeito. Confuso, contraditório… mas sente.
0
Comente!x

  O silêncio respondeu por ela.
0
Comente!x

  Quando me aproximei, não foi impulsivo. Foi decidido. Parei perto o suficiente para que ela pudesse recuar.
0
Comente!x

  Ela não recuou.
0
Comente!x

  O beijo aconteceu porque não havia mais como segurar.
0
Comente!x

  Foi firme. Intenso. Cheio de tudo que ficou suspenso por tempo demais. Não houve delicadeza inicial — houve verdade. Meus lábios encontraram os dela como se aquela fosse a única forma de dizer tudo o que eu nunca disse em voz alta.
0
Comente!x

  %Dalny% correspondeu.
0
Comente!x

  Senti quando o corpo dela relaxou contra o meu, quando a resistência cedeu espaço ao sentimento. Minhas mãos seguraram o rosto dela com cuidado, mas sem hesitação.
0
Comente!x

  Quando nos afastamos, as testas ainda estavam encostadas.
0
Comente!x

  — Isso muda tudo — ela sussurrou.
0
Comente!x

  Respirei fundo.
0
Comente!x

  — Eu sei.
0
Comente!x

  E, pela primeira vez, não senti medo disso.
0
Comente!x

🩹🩹🩹

  %Sunoo%’s POV:

  Eu não devia estar ali.
0
Comente!x

  Sabia disso no instante em que vi os dois no jardim, afastados da música, das luzes, do resto do mundo. O corpo da %Dalny% ainda próximo demais do %Niki%, a forma como eles respiravam como se tivessem acabado de atravessar algo importante.
0
Comente!x

  E então eu vi o beijo.
0
Comente!x

  Não foi um beijo escondido. Não foi um erro.
0
Comente!x

  Foi inteiro.
0
Comente!x

  Meu peito apertou de um jeito que quase me fez virar as costas. Quase. Mas meus pés não obedeceram. Em vez disso, me aproximei por puro instinto — como sempre fiz com eles dois, mesmo quando tudo era confuso demais para entender.
0
Comente!x

  %Dalny% me viu primeiro.
0
Comente!x

  Seus olhos se arregalaram um pouco, como se tivesse sido pega em algo que não sabia se precisava esconder. %Niki% se virou logo em seguida, tenso, preparado para o impacto.
0
Comente!x

  — %Sunoo%… — %Dalny% murmurou.
0
Comente!x

  Eu não respondi.
0
Comente!x

  Não porque não soubesse o que dizer, mas porque tudo que eu sentia estava estampado demais para caber em palavras. Havia dor, sim. Mas havia outra coisa também. Algo que eu vinha evitando nomear.
0
Comente!x

  — Eu vi — falei, a voz baixa. — E eu não tô aqui pra brigar.
0
Comente!x

  O silêncio se estendeu entre nós três.
0
Comente!x

  — Então por que você veio? — %Niki% perguntou, direto, mas sem agressividade.
0
Comente!x

  Olhei para %Dalny% de novo. O rosto dela estava aberto, vulnerável, como alguém que já tinha parado de fingir.
0
Comente!x

  — Porque eu não quero mais ser o único que fica de fora — respondi, com honestidade crua.
0
Comente!x

  Ela deu um passo na minha direção.
0
Comente!x

  — %Sunoo%…
0
Comente!x

  Não pensei.
0
Comente!x

  O beijo aconteceu por impulso, mas foi diferente do que eu esperava. Não urgente. Não desesperado. Foi um toque cuidadoso, quase um pedido. Meus lábios nos dela como se eu estivesse confirmando algo que sempre esteve ali.
0
Comente!x

  %Dalny% não recuou.
0
Comente!x

  E foi isso que mudou tudo.
0
Comente!x

  Senti quando o ar ao nosso redor pareceu se alterar. Quando %Niki% se aproximou, hesitante por meio segundo… e então deixou de hesitar.
0
Comente!x

  Não foi confusão.
0
Comente!x

  Foi encaixe.
0
Comente!x

  O beijo deixou de ser só meu e dela no instante em que %Niki% se aproximou de verdade. Não invadiu. Não interrompeu. Ele simplesmente entrou — como se aquele espaço sempre tivesse sido dele também.
0
Comente!x

  Senti primeiro a presença antes do toque.
0
Comente!x

  O ar mudou. A respiração ficou mais pesada, mais curta. %Dalny% estava entre nós, e por um segundo eu tive a impressão estranha de que o mundo inteiro tinha diminuído para caber ali.
0
Comente!x

  Meus lábios ainda tocavam os dela quando senti %Niki% se aproximar pelo outro lado. O calor dele era diferente — firme, constante. Quando nossos rostos ficaram próximos demais para fingir que não estava acontecendo, %Dalny% virou o rosto instintivamente.
0
Comente!x

  E então os lábios dela tocaram os dele.
0
Comente!x

  Foi aí que eu soube que não era confusão.
0
Comente!x

  O beijo entre eles foi rápido no início, quase experimental, como se estivessem confirmando algo que já sabiam. %Dalny% respirou fundo, as mãos tremendo levemente quando tocaram o braço de %Niki%, e eu senti meu peito apertar — não de ciúme, mas de reconhecimento.
0
Comente!x

  Quando ela voltou para mim, o beijo mudou.
0
Comente!x

  Não foi repetição…Foi continuidade.
0
Comente!x

  Meus lábios tocaram os dela com mais firmeza agora, como se estivéssemos nos comunicando sem palavras. O gosto dela ainda estava ali, mas havia algo novo misturado — a presença dele também.
0
Comente!x

  Senti %Niki% se aproximar de novo, dessa vez sem hesitar.
0
Comente!x

  Por um instante breve, nossos lábios quase se encontraram diretamente, separados apenas pela respiração quente demais, próxima demais. O contato não aconteceu — mas a tensão sim. E foi suficiente para me fazer fechar os olhos.
0
Comente!x

  %Dalny% estava no meio de tudo.
0
Comente!x

  Ela alternava sem pressa, sem culpa. Um beijo em mim — mais suave, carregado de história. Um beijo nele — mais firme, cheio de algo que estava crescendo agora.
0
Comente!x

  E, estranhamente… fazia sentido.
0
Comente!x

  Não havia pressa. Não havia desespero. Só uma sensação absurda de que, quando um se afastava, o outro estava ali. Nenhum espaço vazio. Nenhuma falta.
0
Comente!x

  Quando finalmente nos afastamos, foi quase ao mesmo tempo.
0
Comente!x

  Testas próximas. Respirações descompassadas. Olhares baixos que subiam devagar demais.
0
Comente!x

  Ninguém sorriu. Ninguém pediu desculpa.
0
Comente!x

  Porque aquele beijo não tinha sido um erro.
0
Comente!x

  Tinha sido um vislumbre.
0
Comente!x

  Do que acontecia quando nenhum de nós precisava se partir para caber no outro.
0
Comente!x

  Do que podia existir quando o sentimento não precisava escolher um único caminho.
0
Comente!x

  E, enquanto o som distante da festa voltava aos poucos, eu soube — com uma clareza que me assustou:
0
Comente!x

  Aquilo tinha mudado tudo.
0
Comente!x

  Não porque era simples. Mas porque, pela primeira vez, parecia inteiro.
0
Comente!x

CAPÍTULO DEZESSEIS
0 0 votos
Classificação do artigo
Inscrever-se
Notificar de
guest

0 Comentários
mais antigos
mais recentes Mais votado
Feedbacks embutidos
Ver todos os comentários
Todos os comentários (15)
×

Comentários

Você não pode copiar o conteúdo desta página

0
Adoraria saber sua opinião, comente.x