XXVI • Notícias do Outono
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Não há nada mais estimulante que a mudança de estações, e para nossos três casais em lua de mel, nada melhor que a brisa refrescante do outono para equilibrar as altas temperaturas proporcionadas pelo amor que transbordaram nosso verão de calor. Assim estava a condessa %Adeline% após acordar de um leve cochilo ao final da tarde, decorrente de um mal-estar. Nosso diamante Bridgerton havia convidado a irmã, Daisy, para passar alguns dias em Derbyshire e lhe fazer companhia, juntamente com a criada.
A realidade das obrigações de %Dimitri% havia chegado ao casal, e ambos passaram a se ver apenas ao amanhecer, no desjejum, e ao anoitecer, no jantar. Para alguns que pensaram que a aristocracia vivia apenas das rentabilidades de vossas propriedades, saibam que administrar terras e mantê-las produtivas também requer atenção, dedicação e uma pitada de trabalho. Lord Bridgerton tinha muitos exemplos de nobres que faliram e perderam suas poses para a burguesia por acharem que a fortuna que tinham era eterna.
Ah, meus caros leitores, nada é eterno… A não ser, claro, o desejo ardente que aqueles os casais sentiam, cada senhorio por vossa esposa.
— %Adeline%? — A voz sutil de Daisy, despertou a atenção da irmã que ainda se mantinha deitada na cama. — Acordaste?
— Sim, Daisy, pode entrar — respondeu ela, num tom baixo.
— Está melhor agora? — perguntou a irmã, assim que passou pela porta indo até ela. — Vosso desmaio nos deu um susto.
— Sim, estou bem melhor — assegurou a mais velha, com o olhar confiante. — Certamente deve ter sido algo que comi e deixou-me assim, mas já passou.
— Que bom, você bem que poderia ter nos deixado enviar um bilhete ao lorde Bridgerton. — O olhar preocupado da irmã mais nova retratou inexperiência com tais situações. — Eu fiquei tão aflita sem saber o que fazer.
— Pois eu acho que agiste muito bem. — %Adeline% sorriu de leve. — E como foi o restante da tarde? Deves estar sentindo falta da agitação de nossa família, aqui é tão silencioso.
— Poderíamos trazer as gêmeas, resolveria em dois minutos — comentou Daisy, sentando na beirada da cama. Ambas riram.
De fato as gêmeas eram o ponto de animação da família Sollary, divertindo a todos ao longo do dia com suas incontáveis travessuras.
— Melhor não, assim nosso pai não teria ninguém para distraí-lo nos momentos de raiva com os negócios, além de nossa mãe — refletiu %Adeline%. — E como ela está?
— A saúde continua a mesma, como o doutor disse, sem traços de melhoras, mas Rose prometeu manter-se atenta a ela — respondeu a mais nova. — Sendo sincera, sinto mesmo falta de nossa vida no porto.
— Sério? Achei que Londres tivesse enchido vossos olhos com a aclamada
Lady Lewis. — %Adeline% ficou surpresa pela revelação da irmã.
— Londres é legal, porém, tínhamos mais aventuras em Liverpool — explicou ela, em um tom saudoso.
— Ah, sim, aventuras como na vez em que as gêmeas quase conseguiram embarcar escondidas para América — comentou %Adeline%.
— Ou como quando você quase entrou para o exército da rainha, vestindo as roupas do papai — retrucou Daisy, rindo um pouco mais —, tudo por causa de um amigo.
— Eu precisava me despedir adequadamente de sir Ulrik — explicou a primogênita, lembrando-se de suas loucuras no Porto.
— E como tem sido? O esqueceste mesmo? Lembro-me que tinha um olhar encantado para ele. — O comentário de Daisy não era tendencioso, apenas mantinha uma curiosidade normal pois sempre tinha com a mais velha as trocas de confidencialidades.
— Completamente... No início da primavera achei mesmo que não pudesse amar outro cavalheiro que não fosse ele, porém, não contava com a existência do lorde Bridgerton — confessou ela, num tom apaixonado.
— Não que eu queira apaixonar-me, mas seria emocionante viver um romance como o vosso — afirmou a mais nova com o olhar brilhoso.
— Como o meu? Quase causando uma tragédia em nossa família? — %Adeline% riu de nervoso. — Tudo terminou bem, mas as aflições que vivi naquele dia, não desejo a ninguém.
— Tens razão, foi um dia muito conturbado aquele — concordou a mais nova, voltando o olhar para a janela. — Hum...
Seu suspiro profundo chamou a atenção da irmã.
— A que se deve este olhar distante? — perguntou o diamante, intrigada.
— Peguei-me a refletir, como os meses passaram tão rápido que até parece que vivemos há anos em Londres. — Contou ela, seus pensamentos. — Já é outono e logo veremos a neve.
— Sim... — Assentiu %Adeline%. — Infelizmente verei Paris somente na próxima primavera, e espero retornar a tempo para o casamento de Rose.
— Então lorde Bridgerton adiou mesmo as luzes da Torre Eiffel? — Os olhos de Daisy demonstraram decepção. — Estava a cogitar a ideia de me esconder em algum dos baús para participar da viagem.
— Não necessitas de tanto, Daisy, já expressei a ele meu desejo de ter a vossa companhia, apesar da viagem soar como uma lua de mel atrasada — anunciou %Adeline%, tranquilizando a irmã.
— Agradeço vossa bondade, agora resta-me saber se nosso pai irá concordar. — A mais nova espreguiçou-se, inclinando o corpo para deitar-se aos pés da irmã.
— Ele irá permitir — garantiu.
Um breve silêncio pairou pelo quarto, com ambas distantes em vossos pensamentos.
— %Adeline% — sussurrou Daisy, com o olhar no teto.
— Sim — respondeu a irmã.
— Já pensaste em ter filhos? — indagou a mais nova, se remexendo um pouco para olhá-la.
— Vagamente, por quê? — %Adeline% ficou confusa pela indagação.
— É que, olhe para nossa mãe, teve tantos filhos e perdeu outros tantos que o corpo começou a rejeitá-la — disse a mais nova, tentando suavizar seus temores. — Fico a me perguntar... E se de fato casar-me, não sei se desejo ter tantos filhos a ponto de fazer-me mal, ainda que eu os ame muito.
— Bem, sabe que nossos pais não nasceram em berço de ouro e nossa mãe trabalhou boa parte da vida para ajudar nosso pai, certamente isso foi um ponto importante a ser considerado — argumentou %Adeline%. — Nossas condições atuais de vida obviamente são mais saudáveis do que a dos nossos pais em nossa idade.
— Isso é um fato... — concordou Daisy.
— Eu já pensei no momento em que serei mãe… Para ser honesta, tenho pensado nisso nas últimas semanas — confessou a primogênita —, no momento em que engravidar e um ser crescer dentro de mim.
— Parece tão espantoso ao imaginar — comentou a irmã.
— Sim, mas também mágico.
As irmãs continuaram com o assunto de filhos e casa cheia. Por certo que após ter seis filhas e um filho, claro que o senhor Sollary já mantinha a ansiedade em ter muitos netos correndo por sua casa nas datas comemorativas. %Adeline% sabia muito bem que, assim como sua família, os Bridgertons também possuíam uma boa genética para filhos, dos muitos netos que lady Violet tinha além dos 8 filhos.
Algum tempo depois, Daisy se retirou do quarto da irmã e seguiu para a biblioteca, estava bastante interessada na estante dos romances parisienses que descobrira em seu terceiro dia na
Garden House. Enquanto isso, o diamante Bridgerton permaneceu deitada refletindo sobre os assuntos abordados na conversa com a irmã. Chegando o horário do jantar, ela saiu do quarto seguindo para as escadas do palacete, chegando na sala de jantar se surpreendeu por não encontrar nem a irmã e menos ainda o marido.
— Moore — ela voltou o olhar para sua criada —, acaso sabe onde encontra-se Daisy e lorde Bridgerton?
— Ah, milady, vossa irmã pediu para ser servida na biblioteca, e creio que passará o final da noite em meio aos livros — respondeu a criada, segurando o riso pelo comentário. — Já o lorde Bridgerton, assim que retornou, seguiu para o orquidário, eu precisei avisá-lo sobre o ocorrido após dizer que a senhora estava descansando. Perdoe-me.
— Não há necessidade de se desculpar — assegurou %Adeline%, entendendo as preocupações dela. — Sei que a deixei em uma situação delicada por pedir para não o informar quando aconteceu. Mas ele não quis esperar pelo jantar?
— Não, senhora, apenas saiu em direção ao orquidário — afirmou a criada.
— Tudo bem. — A mulher respirou fundo e se afastou para ir em direção ao local em que o marido se encontrava.
Uma das descobertas do diamante em Derbyshire foi saber que %Dimitri% tinha uma fascinação por orquídeas, as quais diariamente reservava um tempo do dia para dar-lhes a atenção necessária. O que muito admirou a condessa, que nem mesmo fora permitida adentrar o lugar sem a presença do marido.
— Milorde? — Ela deu dois toques no vidro da porta, chamando a atenção.
%Dimitri% despertou de sua atenção à planta e voltou-se para a porta. %Adeline% de imediato gesticulou pedindo para que abrisse a porta, sendo atendida.
— Boa noite, conde de Whatnot — disse ela, sendo formal ao extremo, em provocação a ele.
— Boa noite, condessa. — Ele manteve o olhar sério e rígido.
— Tenho a permissão para entrar? — perguntou ela, tentando não se importar com a frieza dele.
— Sim, minha senhora. — Ele abriu um pouco mais a porta para que ela entrasse.
%Dimitri%, fechando a porta, continuou em silêncio ao observar os passos de sua esposa pelo lugar. %Adeline% deslizou as mãos pela escultura da entrada e caminhou mais um pouco até a chaise próxima a sua bancada de mármore carrara em que realizava os trabalhos. Então, ao olhar para ele, percebeu seu olhar fixo em sua direção. O silêncio pairou sobre eles, e com isso %Dimitri% aproximou-se de sua bancada e voltou às atividades que conduzia, porém, atento aos movimentos da esposa que se aproximava mais.
— Vossa esposa apenas receberá um boa noite frio e distante? — indagou %Adeline% ao se posicionar ao lado dele, apoiando suas costas na bancada e ficando de frente para a porta.
— O que mais desejas de vosso marido? — Ele devolveu a pergunta, mantendo a atenção ao que executava.
— Desejo saber o motivo de vossa raiva para com a vossa esposa — insistiu ela, mais claramente.
— Quando eu disse estar com raiva? — %Dimitri% parou o que fazia, então a olhou permanecendo inexpressivo para ela.
— Vossos olhos... — direta e precisa — o que eu fiz agora? Pois nada passa-me pela mente.
— Nada? Apenas ocultaste algo de vosso marido. — Ele tentou manter-se sereno, mas internamente estava em plena irritação. — Ainda achas que não fizeste nada?
— Por favor, %Dimitri%, não posso lhe chamar todas as vezes que sentir-me indisposta — retrucou a mulher, sentindo irrelevante sua chateação.
— E por que não? — questionou ele, não entendendo a tranquilidade da esposa. — Na saúde e na doença, lembro-me muito bem destas palavras... Mas minha esposa provavelmente já deve tê-las esquecido.
Ela respirou fundo, tentando não se alterar, pois não desejava brigar com o marido, contudo, seu silêncio soou de outra forma para ele, que, se afastando da bancada, impulsionou para se retirar do lugar.
— %Dimitri%. — Ela segurou em seu braço, num tom baixo e firme.
— Não consegues mesmo entender que tudo que a envolve é de meu interesse e preocupação... Deus disse que somos uma só carne, e levo isso muito a sério. — Seu olhar suavizou um pouco, mostrando parte do seu lado apaixonado. — Eu morreria se algo lhe acontecesse.
— O que poderia me acontecer? — indagou ela, tentando compreendê-lo.
— Prometa-me que não me esconderá nada? — pediu ele.
— Apenas, prometa-me — insistiu ele.
— Prometo — declarou ela, não achando necessário, mas assentindo.
— Eu a amo tanto — declarou ele, de forma direta e sucinta.
%Adeline% não obteve nem mesmo o tempo de reação, e logo os lábios de seu marido tocaram os seus com doçura e certo desespero. De certa forma, lord Bridgerton tinha suas inseguranças quanto a saúde da esposa, principalmente pelo histórico familiar, pois não era segredo para ninguém que a mãe de nosso diamante tinha suas limitações por conta das muitas gravidezes que teve. E, agora, após saber que a história em que a primogênita havia nascido antes do tempo determinado, com apenas sete meses de gestação, as preocupações do conde apenas aumentaram.
Entretanto, ali estava %Adeline%, despreocupada nos braços do marido, desfrutando de todo o amor que o mesmo poderia lhe dar após um pequeno mal-entendido. E de fato que Bridgerton jamais conseguiria passar mais de dez minutos brigado com vossa esposa, pois vossos olhos e pensamentos apenas o conduziam ao desejo de envolvê-la em seus braços onde quer que estivesse. Naquele orquidário, infelizmente, as plantas ficaram em segundo plano diante dos maliciosos beijos do conde que estremeciam a esposa internamente.
Na alta madrugada, %Adeline% acordou de repente sentindo outro mal-estar. Ao lembrar-se que o casal ainda se encontrava no orquidário, ela levantou-se da chaise silenciosamente para não acordar o marido e, pegando seu xale para cobrir-se um pouco mais, se retirou do lugar. Do lado externo, foram apenas mais alguns passos para que seu corpo lhe parasse com uma inesperada ânsia de vômito.
— Que nojo — sussurrou ela após o ocorrido, limpando sua boca com a ponta do xale.
— Milady?! — Em segundos a voz de %Dimitri% soou atrás dela. — Está tudo bem?
— Sim. — Ela respirou fundo, então voltou-se para ele e forçou um sorriso. — Não deverias ter se levantado.
— E vós não deverias mentir ao vosso marido após lhe fazer uma promessa. — O tom de sua voz ficou mais sério.
— Não estou a mentir, sinto-me bem de verdade, foi apenas… — A mulher respirou mais fundo novamente.
— Então uma senhora vomitando é algo normal? — O homem apontou para o seu lado, mantendo o olhar fixo na esposa.
— %Dimitri%, por favor, eu só não queria te acordar… — A voz do diamante foi ficando mais baixa, com a mesma puxando o ar para seus pulmões, sentindo mais uma vez o mesmo mal-estar da manhã.
— O que está sentindo?! — perguntou ele, ao perceber certa dificuldade vindo da esposa.
— Eu não… — %Adeline% nem mesmo conseguiu finalizar suas palavras.
A condessa, em um piscar de olhos, ficou inconsciente e seu corpo lentamente foi desfalecendo. No susto, %Dimitri% a amparou, pegando-a no colo, seguindo para o palacete, aos gritos chamou o mordomo Dawson que retornou juntamente com ele para a cidade.
— Chamou, milorde — disse o homem, ao adentrar o quarto principal do palacete e se deparar com o olhar assustado de seu senhor, enquanto permanecia com a esposa em parte sobre a cama e em parte em seus braços.
— Busque o doutor Green, depressa — ordenou ele, num tom desesperado.
— Sim, senhor, irei de imediato. — O criado retirou-se mais que depressa para pegar uma das carruagens e executar a missão.
Em poucos minutos todos já estavam acordados, cochichos a parte entre as paredes do lugar, Moore se direcionou para o quarto de sua senhora na companhia de Daisy, que mais uma vez sentiu o coração apertado pelo estado da irmã. A jovem Sollary que sempre vira a primogênita como alguém forte e saudável a todo momento, não conseguia entender o que lhe acontecia.
A chegada do doutor algum tempo depois trouxe alívio e mais preocupações para todos. O homem, após induzir %Adeline% com um preparado para despertá-la, foi analisando seu estado físico enquanto lhe fazia algumas perguntas pouco íntimas que finalmente o diagnóstico fora dito em voz alta.
— Grávida? — sussurrou %Adeline%, assustada com as palavras do homem, afinal não imagina que algo aconteceria assim tão rapidamente.
— Tem certeza, doutor?! — indagou %Dimitri%, controlando sua apreensão interna.
— Não me resta dúvidas, milorde — assegurou o médico, seguro de seu diagnóstico. — Eu lhe recomendo repouso absoluto, milady, e uma alimentação equilibrada, precisarei de uma das criadas para instruir no preparo de alguns chás que ajudarão a diminuir os enjoos.
— Sim, claro… — %Adeline% olhou para sua criada. — Moore, por favor, acompanhe o doutor e se atente ao que ele lhe ensinará.
— Sim, senhora — disse a criada, mostrando o caminho para ele. — Venha comigo, por gentileza, doutor.
Daisy, aproximou-se da irmã aparentemente sem reação, porém bastante espantada.
— Serei titia?! — comentou ela, de forma animada. — Estávamos falando sobre filhos na tarde de ontem.
— Sim. — Assentiu %Adeline%, ao sorrir para a irmã.
— Quem diria que era uma premonição minha. — A mais nova riu. — Deve ser por isso que está mais bonita, dizem que quando uma senhora se torna mãe, sua pele fica mais aveludada.
— Acho que são mitos, Daisy, pois eu não me sinto assim — alegou a primogênita.
— Bem, sendo ou não, sempre será bela — garantiu a irmã. — Ah, devemos escrever uma carta para Londres, contando sobre o bebê.
— Sim. — Assentiu a mais velha.
Logo o diamante olhou para o marido, percebendo em seu olhar uma sutil preocupação, sendo manifestada no silêncio. Então, discretamente ela pediu a irmã para que os deixassem sozinhos por um momento. Assim que Daisy se retirou com a desculpa que escreveria as cartas para a irmã, %Adeline% fixou o olhar no cavalheiro a sua frente, reunindo toda a sua paciência para lidar com a situação.
— Está tudo bem? — perguntou ela. — Não disseste nada desde o anúncio do doutor.
— O que tenho a dizer? — retrucou o homem, com o tom baixo.
— O que o preocupa? — insistiu ela, sabendo ter mais coisas por detrás daquele olhar.
Ele voltou o olhar para a janela, permanecendo em silêncio.
— Agora é vosso senhorio que não se abre com a esposa. — Ela o alfinetou com sutileza.
— Vossa condição preocupa-me. — Iniciou ele seu desabafo. — Vosso histórico familiar me preocupa… Ter um filho me preocupa.
— O que está a dizer? — A mulher sentiu-se confusa a princípio, então foi juntando as peças. — %Dimitri%, olhe para mim, por favor.
Ele suspirou fraco, voltando a olhá-la.
— Achas que acontecerá comigo o mesmo que aconteceu com minha mãe? — indagou ela, o ponto central da questão.
— É pecado temer a isso? — retrucou. — Só de imaginá-la doente por me dar filhos, meu coração corrói de angústia.
— Milorde… — %Adeline% gesticulou o chamando para perto.
%Dimitri% teve alguns minutos de relutância, até que cedeu e aproximou-se da esposa, sentando ao seu lado, com o olhar fixo em seu ventre.
— Confesso que tenho pensado sobre isso desde que vossa irmã chegou aqui e contou-me as histórias das sete gravidezes de vossa mãe. — Seu olhar continha um misto de medo e desespero. — Não quero que o mesmo lhe aconteça.
— Não irá acontecer, lhe asseguro — disse ela, com segurança. — Agora deixe os maus pensamentos de lado e alegre-se, teremos um herdeiro…
— Eu te amo, sabia? — sussurrou %Dimitri% ao se aproximar o suficiente para dar um selinho demorado na esposa.
— Sim, eu sabia. — A mulher sorriu para o marido, sentindo-se contente pela notícia e por saber que havia alguém que a amava tanto ao ponto de se preocupar ao extremo com ela. — Eu também vos amo.
Ela o beijou com mais suavidade. %Adeline% sabia que para a nobreza, ter herdeiros era a maior de todas as obrigações que uma boa esposa deveria executar, principalmente em títulos importantes como o de condessa. Não que a mesma se sentisse obrigada a dar filhos para %Dimitri%, mas queria lhe presentear com alguns, afinal, ambas as vossas famílias tinham a fama de coelhos neste quesito.
E que venham os herdeiros.
Lady Lewis
Eu serei sua força
Eu darei a você esperança
Mantendo sua fé quando ela tiver acabado
- This I Promise You / 'NSYNC