Lady Lewis


Escrita porPams
Revisada por Lelen


XXVII • Viagens inesquecíveis

  Enquanto a natureza transbordava seu frescor com as brisas suaves do balançar das folhas do outono, nosso casal real ainda se mantinha em clima de verão com seus dias calorosos e maliciosos. De fato, meus caros, o Castelo de Windsor nunca obteve dias tão intensos desde que o rei George e nossa rainha Charlotte se casaram. O que se explica por tamanho desejo de vossa alteza por sua pérola desposada.
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  Todavia, nem tudo são flores e após muitos cochichos relacionados à lua de mel no castelo da família, ambos foram chamados à presença de vossa majestade. Às vésperas de sua partida para a viagem dos sonhos de nossa Bridgerton, as responsabilidades para com a coroa lhes bateram à porta.
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  — Vossa alteza, vossa alteza — disse o mordomo real, ao recebê-los no jardim principal. — Vossa majestade os aguarda no solário.
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  — O que vossa mãe deseja de nós? — perguntou %Annia%, intrigada com tal convocação.
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  — Lembrar-me dos meus deveres, por certo — respondeu %Cedric%, seguindo na frente de cabeça erguida e olhar rígido.
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  Assim que se colocaram diante do solário, o mordomo os anunciou e logo adentraram o lugar. Internamente, %Annia% sentia-se com o coração acelerado e as mãos trêmulas, afinal, era a primeira vez que veria sua sogra após a cerimônia de casamento. A princesa respirou fundo, suavizando o olhar para disfarçar seu nervosismo, deixando transparecer um sorriso singelo e discreto no rosto, enquanto %Cedric%, um passo à vossa frente, manteve-se sério e firme quanto ao olhar.
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  — Mandou-nos chamar, majestade — disse ele, num tom seco e áspero.
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  Nosso ex-libertino sabia que as convocações de vossa mãe nunca eram amigáveis, desde o momento em que prometera cumprir as obrigações reais, iniciando com matrimônio. O olhar da rainha para eles permaneceu enigmático por alguns instantes, enquanto ela mantinha a sobrancelha direita arqueada os observando.
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  — Me parecem mais saudáveis do que eu imaginei — comentou ela, com ar sarcástico.
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  — E por qual motivo não estaríamos? — indagou o príncipe, mantendo a postura rígida.
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  — Tenho ouvido muitos rumores a respeito de ambos, o que me causa preocupação e ansiedade também. — Continuou ela, não se importando com as indagações do filho. — Após o matrimônio ao final da primavera com esta pequena estadia em Windsor, criei muitas expectativas a respeito dos dois, entretanto estamos caminhando para o final de outono e não obtive nenhum anúncio satisfatório vindo de ambos.
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  — E que anúncio deseja ter a nosso respeito? — %Annia% em seu nervosismo tentou controlar o tom de sua voz, permanecendo com o olhar baixo. — Majestade.
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  — Filhos. — Revelou a rainha, resumindo suas expectativas em uma só palavra. — Com a intensidade do amor de ambos, esperava mais da boa natureza dos Bridgertons em se fabricar herdeiros.
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  — Majestade… — %Annia% pegou-se surpresa pela colocação e deu impulso para se defender, porém sendo interrompida pelo segurar do marido em vossa mão.
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  — Não me lembro de vossos anseios para com o príncipe regente — retrucou %Cedric%, irritado com as palavras da mãe.
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  — Não vos importa minha forma de tratamento para com o vosso irmão, e sim para com vós, que tens um árduo trabalho pela frente para reconquistar minha confiança. — O olhar autoritário de vossa majestade ergueu-se fazendo o filho engolir seco. — Deves muito à coroa, principalmente por vossa má reputação construída nos últimos anos.
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  — Tens a minha palavra e o meu comprometimento com a coroa, o que mais desejas de vosso filho?! — indagou ele, num tom mais áspero.
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  — Não basta apenas um casamento para reparar vossos erros — reforçou a rainha, instigando mais o assunto — e reconstruir a vossa imagem.
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  — Alteza, o que vossa mãe está a dizer? — %Annia% olhou para o marido, confusa pelas duras palavras da sogra. — Nosso casamento…
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  — Não é isso que estás a pensar. — %Cedric% voltou-se para a esposa, com o olhar temeroso por um mal-entendido.
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  — Então o que seria?! — %Annia% voltou a atenção novamente para a rainha. — Majestade, o que de fato vosso filho lhe prometeu?
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  Não que Charlotte quisesse atrapalhar o relacionamento do filho, contudo, ela sabia que para um casamento ser bem-sucedido, há uma certa necessidade de conflitos rotineiros para fortalecer o amor. Afinal, estava tudo perfeito e tranquilo demais entre os recém-casados. E intrigada para saber como a pérola reagiria diante dos segredos e acordos da família real…
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  — É dever de todo príncipe fazer um bom casamento e apresentar herdeiros à coroa, e mediante a reputação de um libertino… — respondendo de forma enigmática, a rainha manteve o olhar atento às faíscas de raiva que reluziam no olhar do filho, para ela. — O sobrenome Bridgerton de fato sempre esteve no topo da minha lista de favoritos.
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  — %Annia% — %Cedric% sussurrou o nome da esposa, voltando-se para ela.
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  — Vossa majestade, se me permite, gostaria de me retirar — pediu %Annia%, mantendo a atenção em sua sogra. — Não estou sentindo-me em perfeitas condições.
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  — Tens a minha permissão — disse Charlotte, segurando suas expressões faciais.
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  — %Annia%. — %Cedric% segurou na mão da esposa, para impedi-la de se afastar.
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  — Solte-me, por favor — pediu ela, ponderando em sua voz.
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  — Permita-me lhe explicar — pediu o príncipe.
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  — Não há nada que tenhas que me explicar, alteza — disse ela, soltando-se dele. — Com sua licença.
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  A pérola retirou-se da presença de ambos, abalada por seus pensamentos e convicções diante das palavras de vossa majestade. Enquanto isso, no solário, %Cedric% controlou a raiva interna que sentia da mãe por expor um assunto inapropriado diante de vossa esposa.
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  — O que ganhas com isso, majestade? — perguntou ele, com um tom mais amargo. — Não acredita em meus sentimentos por minha esposa? Ou me despreza o bastante para arruinar meu matrimônio?
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  — Ainda não entendo o motivo pelo qual pensa que sempre estou contra vós. — Ela manteve o tom suave e o olhar atento. — Mesmo envergonhando a coroa, ainda me mantive ao vosso lado, esquecendo-me de todas as travessuras cometidas e sabes disso. Então, meu filho, vossa mãe apenas quer lhe ensinar mais uma lição.
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  — Qual? — indagou o rapaz, com seriedade.
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  — Nunca esconda nada de vossa esposa, nem os vossos mais obscuros segredos e temores — aconselhou a rainha, respirando saudosamente ao lembrar-se da cumplicidade que tinha com o marido —, pois ao final do dia, apenas ela entenderá as frustrações de vosso olhar.
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  %Cedric% abaixou o olhar, mantendo-se em silêncio por um tempo.
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  — Mais alguma coisa, majestade? — Ele voltou a olhá-la.
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  — Sim. — Assentiu a mulher. — Quanto à viagem de lua de mel para o oriente, considere-a adiada por ora.
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  — O que? — O príncipe segurou vossa frustração. — Por qual motivo?
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  — Os dias têm se passado rápido e logo chegaremos ao inverno, não quero nenhum membro da família real ausente do país ao final do ano. — Reforçou ela, sua ordem. — E claro, tens vossos compromissos com a cidade de Cambridge. Tenho certeza que não me desapontará mais.
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  Ele assentiu com a cabeça.
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  — Sim, majestade, como desejar.
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  — Muito bem, pode se retirar — disse ela, segurando o riso. — E certifique-se de fazer as pazes com vossa esposa antes de partir. Quero as carruagens em curso ao amanhecer do próximo dia.
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  %Cedric% mais uma vez assentiu para a mãe e se retirou. Ele parou ao centro do jardim para recompor sua sanidade mental levada pelo desgaste de enfrentar a mãe. O acordo era real, diante de muitas aventuras libertinas, escândalos e alguns duelos clandestinos pelo caminho, para conquistar o perdão e a confiança da coroa, mais especificamente de vossa mãe novamente, o príncipe fez um acordo de regeneração com a mãe. Sua primeira missão seria casar-se com uma dama de família honrada e respeitada, e claro que vossa majestade não aceitaria ninguém menos que a jovem Bridgerton para o sexto na linha de sucessão.
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  Em instantes, ele despertou de seu devaneio ao lembrar-se do olhar chateado de vossa esposa diante da conversa com a rainha. Ao procurá-la por todo o castelo, sem sucesso, %Cedric% montou em seu cavalo e seguiu a galopes pelo restante da propriedade. Mesmo com o dia refrescante, o céu parcialmente nublado apresentava traços de possível chuva, algo que aconteceu ao final da tarde. E quando menos se esperou, uma forte tempestade se apresentou deixando vossa alteza ainda mais desesperado para encontrar a amada.
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  — %ANNIA%! %ANNIA%! — gritava ele ao galopar com o cavalo pelos campos ao redor, vasculhando com os olhos todo o perímetro. — %ANNIA%!
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  Ao longe, finalmente ele a avistou, caída ao chão com um dos cavalos próximo ao corpo. Segurando firme nas rédeas, %Cedric% parou seu animal e desceu rapidamente para socorrer a esposa e encostando sua mão em seu rosto, percebeu o quanto a jovem estava fria enquanto permanecia desacordada. Pegando-a no colo, a colocou em cima do cavalo e retornou para o castelo controlando o nervosismo e preocupação com o estado da pérola.
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  — Chamem o médico real, rápido — ordenou o príncipe, ao adentrar o chalé real carregando %Annia% nos braços, seguindo em direção ao quarto principal.
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  — Sim, vossa alteza. — A governanta que o recebera logo deu ordens a um dos lacaios para que buscassem o médico real, então enfrentando a chuva, se dirigiu para os aposentos de vossa majestade para lhe informar o ocorrido.
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  %Cedric%, chegando ao quarto, obteve auxílio de uma das criadas nos cuidados iniciais com a esposa, como as instalações do chalé era o mais próximo da queda da princesa, foi o primeiro pensamento que passou na mente dele, afinal, seu desejo era apenas levá-la a um lugar seguro.
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  Não demorou muito até que o doutor Chang se apresentou juntamente com a criada Judith, e de imediato examinou a paciente para seguir com os cuidados médicos. O príncipe acompanhou de perto todos os procedimentos, recusando-se a se afastar da esposa, se culpando a cada segundo pelo ocorrido e por deixá-la correr tamanho perigo.
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  — Então?! — perguntou ele ao médico real.
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  — Vossa alteza, a pulsação da princesa ainda está baixa, porém podemos respirar aliviados, pois ela está fora de perigo — respondeu o doutor, com segurança. — Seu corpo ainda está muito frio devido à chuva, e certamente lhe causará resfriado, então recomendo que a mantenha aquecida durante toda a noite e assim que acordar, faça-a tomar uma boa xícara deste chá de ervas, para tirar a friagem do corpo e lhe aumentar a imunidade.
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  — Agradeço por prontamente vir ao nosso socorro — disse %Cedric%, mantendo-se sentado na cama, ao lado da esposa que dormia.
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  — É sempre um prazer, meu senhor, servir a família real. — O médico fez uma breve reverência e retirou-se do quarto na companhia de Judith, para lhe passar as orientações sobre o chá de ervas.
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  %Cedric% levantou-se e caminhou até o armário, retirou outro cobertor e retornou para a cama, então cobriu a esposa mais para mantê-la aquecida como o médico aconselhou. Por longas horas, ele manteve-se ao seu lado, observando-a dormir, pensando em tudo o que havia acontecido em vossa vida desde o acordo com a mãe até o momento em que de fato apaixonou-se pela pérola intocável.
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  — Hum… — O som de murmúrio soou de %Annia%, que foi despertando devagar, enquanto sentiu uma leve dor de cabeça.
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  — Alteza?! — A voz de %Cedric% soou suave ao lado, fazendo-a despertar por completo.
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  — Alteza — sussurrou ela, abrindo os olhos e vendo-o com nitidez. — Onde estamos?
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  — Nos aposentos do chalé real — respondeu o príncipe, mantendo a voz baixa. — Caíste do cavalo, eu vos encontrei e a trouxe para casa.
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  %Annia% ainda sentia-se atordoada, apenas manteve-se em silêncio e desviou o olhar para a janela. %Cedric% sentiu com nitidez a frieza da esposa juntamente com a sensação de afastamento.
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  — Estou certo que lhe devo explicações. — Iniciou ele, quebrando o silêncio que os envolveu.
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  — Eu não as quero — disse ela, em rejeição. — Deixe-me ficar com raiva por pelo menos um dia.
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  — Então, desejas que eu saia? — perguntou ele, diante de suas palavras.
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  — Sim, por favor — respondeu ela, num tom frio, mantendo o olhar nas gotas de chuva que deslizavam pelo vidro da janela.
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  O príncipe respirou fundo, assentindo ao pedido da esposa e retirou-se em silêncio. %Annia% fechou os olhos, no fundo ela sabia que deveria dar um voto de confiança ao marido e ouvir as explicações devidas, entretanto, como todo Bridgerton, tudo tornava-se complexo demais, e a palavra “libertino” lhe martelava o pensamento tanto quanto a imagem da acompanhante, Genevieve Le'Chant, que vira uma vez, publicada em meu jornal. Nossa pérola sabia muito bem que tal senhorita era a aventura favorita de vossa alteza em seu passado de vergonhas.
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  — Alteza?! — A voz de Judith soou da porta, acompanhada de dois toques, o que lhe despertou de seus devaneios inoportunos.
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  — Entre, Judith. — %Annia% elevou um pouco a voz, para que pudesse ser ouvida com clareza.
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  — Minha senhora — a criada adentrou segurando uma bandeja nas mãos —, trouxe o vosso chá de ervas, indicado pelo médico real.
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  — Agradeço. — A pérola assentiu com o olhar, recebendo em mãos a xícara com o líquido aquecido.
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  — Está quente, senhora, tenha cuidado — alertou a criada, lhe entregando a xícara.
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  — Agradeço pelo cuidado, podes ir descansar, Judith, pretendo repousar após o chá — anunciou a princesa.
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  — Como preferir, senhora. — A criada fez uma breve e sutil reverência, então retirou-se em seguida.
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  %Annia% terminou de beber o líquido meio adocicado em sua xícara e a depositou na mesa de cabeceira ao lado. Se encolhendo um pouco mais na cama, puxou os cobertores e fechou os olhos, sua cabeça, ainda dolorida pela queda, permaneceu latejando até que a princesa adormeceu.
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  Três dias se passaram com o casal intocável reclusos no chalé esperando pela passagem do mal tempo, o silêncio manteve-se presente a todo o momento com ambos evitando os olhares e a companhia um do outro. Na manhã de sábado, com o céu um pouco mais aberto mesmo na presença das nuvens escuras, como ordenado por vossa majestade, duas carruagens aguardavam o casal.
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  No desjejum, %Cedric% notificou a esposa sobre as mudanças de planos requisitadas pela coroa, assim como a nova cidade em que viveriam. A princesa aproveitou os poucos minutos antes da partida para escrever duas cartas às amigas, contando-lhes de vosso infortúnio.
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  "Querida %Adeline%, que falta tenho de nossas conversas em Windsor. Fora de fato os melhores dias de minha vida diante de minha realidade atual. Tive um desentendimento com vossa alteza e não sinto que tenha forças para seguir adiante com o assunto. Começo a não estar tão certa de vossos sentimentos por mim, pois soube da própria rainha que nosso matrimônio já estava nos planos da família real, em uma forma de recuperar a imagem do príncipe. 
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  Tal afirmação fez-me odiar meu próprio sobrenome por algumas horas, afinal, ser uma Bridgerton tem um certo peso, positivo e negativo. Neste caso, condicional para haver este casamento. Talvez tenha sido uma provisão divina adiarmos nossa viagem ao oriente. Por mais que meu desejo ardente fosse velejar pelos mares e conhecer a cultura japonesa, dar-me-ei por satisfeita apenas em cuidar de meu novo lar em Cambridge.
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  Enfim, não falemos mais de mim e conte-me mais sobre vossas primeiras impressões de Derbyshire, pois, pelo que sei, moraste toda a vida no porto e cidades do interior são bem mais pacatas do que se imagina. E falaremos também de outras notícias felizes como o reservado casamento de %Amelia% com o duque de Whosis, ela nos deve agora um baile no castelo da colina com direito a fogos de artifício, para compensar o silêncio. Que tal no Natal? Logo o inverno chegará e quem sabe na última estação do ano, possamos nos encontrar novamente e compartilhar nossas alegrias e frustrações juntas, pois tenho-as como minhas irmãs de coração e amo-te de igual modo.
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  Não irei prolongar-me muito, pois ainda necessito escrever à nova duquesa. 
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  Contudo, espero uma carta sua em meu novo endereço.
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De vossa amiga e alteza, 
  princesa %Annia%."

  A pérola respirou fundo, desta vez com um pouco mais de animação do que a anterior, principalmente pelo comentário final.
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  "Bonjour, vossa graça. 
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  Sua alteza, a princesa, escreve-te graciosamente para lhe parabenizar por vosso casamento."
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  %Annia% parou por um momento e riu do início da carta. Em instantes, soaram dois toques na porta seguido do anúncio de sua partida por parte de sua criada, Judith. A princesa assentiu, pedindo por mais alguns minutos em privacidade e retornando a carta da amiga.
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  "Brincadeiras e cordialidades à parte, devo lhe revelar que estou mais do que feliz por vossa conquista. Claro que a senhora me deve muitas explicações sobre como conseguiste tal proeza, e se de fato lord Tenebrae era mesmo o tal noivo misterioso, não somente deves a mim, quanto a %Adeline% também, afinal, ficamos muito preocupadas após lermos vossa última carta. E, sendo mais sentimental agora, estou sentindo a mais profunda saudade de vós, e para compensar-nos o convite de casamento que não recebemos, pelo menos o jantar de Natal nos deve em vossa casa.
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  E nem ouse recusar o pedido de uma princesa.
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  Eu poderia lhe contar sobre minhas chateações momentâneas, porém, não quero estragar o vosso momento feliz que tanto sonhaste ter. Então, prometo que da próxima vez que nos virmos, lhe falarei sobre minha vida de realeza.
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  Amo-te como uma irmã e espero mesmo vê-la em breve.
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De vossa amiga e alteza, 
  princesa %Annia%."

  Assim que colocou ambas as cartas, uma em cada envelope, lacrou-as com o selo real e levantou-se da cadeira seguindo em direção à porta. Talvez, lá no fundo, ela sentisse falta da bela vista que a janela lhe proporcionou, porém, estava aliviada por partir para uma casa somente dela. Além do fato do chalé real estar marcado para sempre como o local da primeira briga do casal do ano.
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  — Alteza. — %Cedric% manteve-se à porta da carruagem, estendendo a mão para ajudar a esposa a entrar.
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  — Gostaria de seguir apenas na companhia de Judith, se não for incômodo ao senhor, alteza — pediu ela, com o tom baixo.
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  — Como desejar, minha senhora. — Assentiu ele.
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  A esta altura dos acontecimentos, todos os criados reais já estavam confusos e intrigados com o comportamento de ambos, que foram do céu ao inferno em apenas segundos de conversa com vossa majestade. %Cedric% nunca havia lidado com tal situação assim, em todas as vossas aventuras românticas, sempre que houvesse uma mínima presença de discordância de opiniões, o príncipe apenas encerrava os encontros e partia para a conquista de uma nova amante para aquecer vossas noites. Contudo, agora era diferente, a dama em questão era vossa esposa e consolar-se em outros braços que não fosse o da pérola ia contra vossos princípios.
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  Mais alguns dias de viagem, apreciando o mudar da paisagem com as últimas folhas do outono caindo das árvores.
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  — Bem-vindos ao Castle Mound — disse Paul, o mordomo real responsável por cuidar daquele castelo —, Altezas.
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  O homem olhou para ambos, notando uma frieza estranha ao se tratar de recém-casados. Logo a governanta real, senhora Prudence, apresentou-se formalmente e acompanhou %Annia% até a ala leste, na qual se encontrava o quarto da princesa. Com um número de quartos ainda mais elevado que o Castelo de Windsor, em Cambridge, a pérola pode finalmente assimilar a grandeza de se fazer parte da família real. A parte negativa? Quanto maior o espaço, maior a distância. E, meus caros leitores, esta autora segue ansiando pelo beijo da reconciliação, pois sabemos, em experiências anteriores, que a melhor parte de uma briga é quando o casal sela as pazes.
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  — Agradeço por me mostrar todos os detalhes, senhora Prudence. Foste impecável em vossa recepção — disse %Annia%, educadamente. — Poderia se retirar agora?
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  — Ah, sim, alteza. — Assentiu a mulher. — Desejas que eu chame uma das criadas para lhe ajudar a se banhar?
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  — Judith fará isso — disse a princesa ao olhar para a sua companheira de anos. — Ela tem sido minha dama pessoal há anos e permanecerá assim.
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  — Como desejar, alteza.
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  A governanta se retirou do quarto e logo Judith iniciou os preparativos para o banho. %Annia% permaneceu em seu quarto, mesmo após algumas horas de descanso. Pouco antes do jantar ser servido, as gotas de chuva foram surgindo acompanhadas de alguns trovões, nada esperado para o fim de uma estação.
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  Seguindo o mesmo clima de silêncio e frieza, o banquete foi servido na extensa mesa que os separava. A princesa sentiu-se sem apetite, entretanto, não tinha forças para se retirar e por mais que lutasse contra o olhar do marido fixo em vossa direção, seus olhos sempre o correspondiam de forma automática e espontânea. 
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  — Já chega! — %Cedric% levantou bruscamente da cadeira, elevando a voz. — Não mais admito esta situação entre nós. 
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  %Annia% o olhou assustada e surpresa pelo rompante do marido. 
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  — Do que estás a falar? — indagou ela, apoiando as mãos sobre a mesa.
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  — Desejo falar-lhe e deves me ouvir. — Esclareceu ele.
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  — Já disse minha posição sobre o assunto. — A princesa manteve-se firme quanto ao posicionamento.
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  — E pretendes manter-se distante de vosso marido sem lhe dar a devida chance de explicação? — questionou ele. — Eu vos proíbo de ignorar-me.
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  — Me proibir? Achas mesmo que possui este direito? — A mulher levantou-se também, irritada com a colocação autoritária do marido. — Pois saiba que jamais me obrigará a fazer algo que eu não queira.
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  Ela afastou-se da mesa e seguiu em direção a saída.
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  — %Annia%! — gritou ele, seguindo de imediato atrás dela. — %Annia%, não a deixarei fugir, não desta vez.
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  — Deixe-me, %Cedric%, eu tenho direito ao meu espaço e não pretendo abrir mão dele tão facilmente assim. — A princesa continuou a caminhar a passos apressados pelo grande salão.
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  Ambos continuaram a atravessar o castelo aos gritos, um para o outro, até que a princesa saiu pelas portas enfrentando a forte chuva do lado de fora.
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  — %Annia%, onde pretendes ir com esta chuva? — gritou %Cedric%.
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  — Para bem longe de vossa alteza — gritou ela de volta.
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  — Não achas imaturo de vossa parte agir assim? — questionou o príncipe, irritado pelas atitudes da esposa. — Achas mesmo que este é o papel de uma princesa?
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  — E qual foi o vosso papel? Desposar a Bridgerton para reparar vossa reputação? Parabéns alteza, conseguiste. — Desta vez a voz de %Annia% soou com um toque de revolta e irritação.
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  — Pois saiba que muito antes de estar na lista de exigências de vossa majestade, já a considerava a única em meu coração! — %Cedric% gritou ainda mais alto, fazendo-a parar de imediato. — E ainda que vosso nome não estivesse nos lábios de minha mãe, aceitaria somente a intocável Brindgerton ao meu lado.
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  Ela voltou-se para o marido, ainda com o olhar raivoso.
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  — Se és verdade vossas palavras, por que ainda recebes cartas daquela senhorita? — indagou %Annia%, num tom amargo com os olhos cheios de lágrimas, ao lembrar-se de um dos envelopes que vira o mordomo do chalé entregar ao príncipe discretamente.
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  — Não posso impedir que terceiros escrevam a mim, mas posso impedir meus olhos de lerem tais palavras — respondeu ele, com firmeza e segurança. — Não sei o que viste, mas quero que saiba que o final de todas aquelas cartas foram as cinzas.
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  %Annia%, sentindo as lágrimas rolarem por seus olhos, tomou impulso e caminhou até o marido, ao parar em sua frente o olhando firme.
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  — Eu te odeio — disse ela, ao elevar seus pulsos, começando a socá-lo.
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  — E eu te amo — disse ele, ao segurar seus pulsos com cuidado para não machucá-la, apenas fazendo-a parar. — Sempre será a única em meus pensamentos.
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  %Cedric% foi aproximando mais seus corpos, sem se importar com o frio da forte chuva, o príncipe sentiu o coração aquecer ao calor do corpo da esposa. %Annia%, por sua vez, sentiu-se estremecer por dentro, sem a menor força e vontade de lutar contra as futuras investidas do marido. O coração acelerado e a respiração quase ofegante.
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  — Beije-me, antes que meu corpo sucumba à abstinência de vosso toque — pediu ela, em um sussurro, já fechando os olhos.
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  Não seria preciso dizer duas vezes, pois era exatamente o que vossa alteza ansiava durante todos aqueles dias de distância. Ao tocar seus lábios nos dela, ele apenas desejava ardentemente sentir o amor de vossa esposa e retribuí-lo em proporções inimagináveis.
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Lady Lewis

Eu já abri o meu coração para você há muito tempo
Você é tudo para mim, esse é o meu jeito de confirmar.
- My Answer / EXO

XXVII
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