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História NÃO RECOMENDADA PARA MENORES ou PESSOAS SENSÍVEIS.

Esta história pode conter descrições (explícitas) de sexo, violência; palavras de baixo calão, linguagem imprópria. PODE CONTER GATILHOS

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Eternal Sins

Escrita porAven Lore
Editada por Lelen

CAPÍTULO 2 • O começo do fim, parte 2

Tempo estimado de leitura: 29 minutos

  %Heewon% bufou, irritada ao tentar dar partida na moto pela terceira vez. Mas nada, o motor nem roncava direito, havia apagado. Morreu. E não era a primeira vez que isso aconteceu, ela vinha ficando na mão muito mais do que gostaria de admitir.
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  — Já passou da hora de você trocar essa moto. — %Mirae% colocou uma mão no ombro da amiga. — Ela tem te deixado muito na mão.
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  — É, to percebendo. — Bufou de novo enquanto desabotoava o capacete.
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  — Deve ter alguma oficina aqui perto do campus, vamos procurar.
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  %Mirae% se colocou atrás da motocicleta e juntas elas começaram a empurrar a mesma que fazia um barulho bem característico das rodas raspando contra o chão.
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  O sol batia forte no asfalto, e o calor subia em ondas quase visíveis, fazendo o capacete de %Heewon% balançar pendurado em sua mão.
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  Os pneus da moto pesavam como se tivessem dobrado de peso só de birra.
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  — Isso aqui devia contar como exercício físico. — %Heewon% resmungou, o rosto já vermelho de calor.
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  — Já conta como castigo divino por não ter feito a revisão. — %Mirae% respondeu, rindo, enquanto ajeitava os óculos no rosto.
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  Alguns pedestres passaram por elas com olhares curiosos. Outros tentavam ajudar com informações:
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  — Tem uma oficina na próxima rua!
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  — Vocês precisam de ajuda?
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  Elas agradeciam, mas continuavam, uma empurrando pelo guidão, a outra pela traseira, fazendo força e reclamando ao mesmo tempo.
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  — Juro que se essa moto me deixar na mão mais uma vez, eu abandono ela na porta da próxima lixeira. — %Heewon% grunhiu.
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  — A moto não é um namorado, Hee. Não precisa drama, só precisa conserto.
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  — O que dá no mesmo, às vezes. — rebateu, sem conter o riso.
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  Depois de alguns metros, dobraram a esquina e avistaram uma fachada escura com letreiro vermelho e uma fileira de motos encostadas.
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  Era uma oficina. Pequena, meio bagunçada, mas claramente movimentada. O som de ferramentas ecoava lá de dentro, junto com o ronco breve de um motor sendo testado.
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  — Finalmente. — %Heewon% disse, ofegante. — Que seja rápido, barato e não envolva eu tendo que empurrar essa desgraça de volta.
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  %Mirae% riu.
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  — Tá com sorte. O mecânico daqui é conhecido por ser rápido.
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  — Melhor ainda se for bonito.
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  — Aí você já tá pedindo demais.
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  Mal sabiam elas que a bagunça começaria exatamente ali.
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🩸🩸🩸

  Assim que entraram na oficina, o cheiro de graxa, gasolina e metal queimado invadiu o ar.
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  Era um espaço estreito, com peças espalhadas em bancadas, pneus empilhados em cantos e um ventilador de teto que girava devagar, mais pelo hábito do que por eficiência.
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  %Heewon% torceu o nariz.
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  — Nossa, que lugar... organizado. — murmurou com sarcasmo.
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  %Mirae% segurou o riso, apontando discretamente para o fundo da oficina, onde um garoto de macacão amarrado na cintura mexia em uma moto escura, de costas para elas.
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  O som da chave inglesa batendo ecoava ritmado, como se fosse música para ele.
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  — Com licença? — %Mirae% chamou.
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  O garoto ergueu os olhos e então se levantou devagar, girando o corpo com preguiça, como se odiasse ser interrompido. A luz do sol entrou pela lateral da porta e bateu contra o rosto dele, destacando os olhos escuros, a pele levemente suja de óleo e o sorriso torto que apareceu no canto da boca.
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  — Problemas com a moto? — ele perguntou, com a voz grave e calma.
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  Depois olhou diretamente para %Heewon%.
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  — Ou com a dona?
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  %Heewon% arqueou uma sobrancelha.
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  — A moto morreu. E eu não vim aqui pra ser analisada. Só quero um orçamento.
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  Ni-ki sorriu, não se ofendendo nem um pouco.
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  — Vai ser difícil te ajudar se você for tão simpática assim o tempo todo.
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  Ela cruzou os braços, firme.
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  — E vai ser difícil eu voltar se o atendimento for baseado em piadinhas baratas.
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  Ele riu. De verdade.
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  — Beleza. Já gostei de você.
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  %Mirae% tossiu ao lado, tentando segurar o riso.
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  %Heewon% revirou os olhos.
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  — A moto tá ali fora. Ela falha direto na partida. Já passou por três mecânicos e ninguém resolveu.
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  Ni-ki passou por elas com passos largos, sem dizer nada por um instante.
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  Mas, antes de sair pela porta, virou-se por cima do ombro:
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  — Então talvez o problema não seja a moto… só os mecânicos errados.
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  E saiu.
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  %Heewon% ficou parada por um segundo, os olhos fixos na entrada da oficina.
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  — Metido. — murmurou.
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  — Mas bonito. — %Mirae% completou, rindo.
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  %Heewon% não respondeu. Mas seu coração, aquele ingrato… respondeu por ela.
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🩸🩸🩸

  Ni-ki percorreu a motocicleta de %Heewon% com os olhos e então se virou para ela.
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  — Pode dar partida para mim? Quero ouvir o barulho que tá fazendo…
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  — Aí é que tá. Não tá fazendo barulho nenhum, morreu.
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  Ela entregou o capacete para %Mirae% que segurou-o no peito como quem recebe uma armadura. %Heewon% pegou a chave, colocou na ignição e girou. Nada. Nenhum barulho, nadinha.
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  Ni-ki franziu o cenho. Apoiou uma das mãos no guidão e se agachou do lado esquerdo, os olhos escaneando cada parte como se conseguisse ouvir o motor só com o olhar.
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  — Bom… — murmurou, enquanto estalava os dedos e se levantava devagar — pelo menos agora eu tenho certeza de uma coisa.
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  — De que eu tô ferrada? — %Heewon% rebateu, cruzando os braços.
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  Ele sorriu de canto, sem pressa, e limpou as mãos numa flanela velha que tirou do bolso.
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  — De que essa moto é teimosa. Igual a dona.
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  %Mirae% tentou conter o riso e virou o rosto, fingindo olhar outra coisa.
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  %Heewon% manteve a expressão firme, mas os olhos brilharam com um misto de irritação e surpresa.
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  — E você é sempre assim? — ela perguntou, encarando-o. — Não consegue consertar nada sem comentar sobre a vida pessoal do cliente?
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  Ni-ki deu de ombros, dando a volta na moto com calma.
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  — É um talento. Eu arrumo as máquinas… e cutuco os egos.
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  Ele se agachou novamente e começou a desconectar uma das tampas do motor.
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  — Vai levar tempo? — %Heewon% perguntou, impaciente.
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  — Depende. — ele respondeu, sem olhar. — Se você parar de ficar me observando como se eu fosse um experimento científico, talvez eu até trabalhe mais rápido.
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  — Eu tô esperando o diagnóstico. — rebateu.
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  — E eu tô tentando trabalhar com um cheiro absurdo de café e um olhar julgador queimando minha nuca.
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  Ela deu um passo pra trás, cruzando os braços com mais força.
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  — Você é impossível.
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  — Não. — ele ergueu os olhos, e dessa vez a voz veio mais baixa, quase grave. — Eu sou perigoso. Tem diferença.
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  Por um instante, o ar entre eles pesou.
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  %Mirae% franziu o cenho, percebendo o clima.
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  Mas %Heewon% não recuou. Nem sorriu. Nem piscou.
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  E foi ali, exatamente ali, que Ni-ki percebeu: ela era o tipo de garota que não fugia do perigo. Pelo contrário…
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  Ela parecia querer desafiá-lo.
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  O psicólogo disse que ela precisava de exercício físico, só a terapia não seria capaz de ajudá-la com a raiva de anos guardada dentro do peito. %Naryeon% precisava literalmente de algo para descontar toda a raiva, algo que não fossem as pessoas em sua volta, já que era por isso que ela havia começado a terapia.
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  Desde muito novinha ela se metia em encrenca por ser solta demais, expressiva demais, sincera demais, tudo demais. Nunca levava desaforo para casa, vivia se metendo em confusão na escola e até na faculdade, apesar de mais controlada um pouco — bem pouco, na vida adulta.
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  O temperamento difícil havia dificultado muitas coisas, inclusive a convivência com os pais, que na verdade eram os causadores daquela raiva toda que ela sentia desde novinha.
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  A terapeuta foi direta: "Você precisa de algo que envolva o corpo, não só a mente."
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   E contra sua própria vontade, %Naryeon% procurou a academia que ficava a poucos quarteirões do campus.
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  Não gostava de academias.
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  Gente suando, música alta, egos inflados.
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  Mas aquela parecia diferente.
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  Mais silenciosa, mais escura, mais... bruta.
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  Na fachada, letras desgastadas em vermelho diziam apenas “Combat Room”.
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  Perfeito.
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  Empurrou a porta com a mochila pendurada no ombro e os cabelos presos num coque malfeito.
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  Do lado de dentro, o som abafado de socos contra o saco de areia.
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  O cheiro de couro e suor.
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  Pele marcada. Vozes baixas. O som de respiração ritmada.
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  Era exatamente o que ela precisava.
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  Uma mulher musculosa e séria na recepção a recebeu com um formulário e explicou os horários da aula experimental.
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  — A próxima começa em cinco minutos. É com o treinador principal. Tá com sorte. — disse, entregando as luvas e um protetor bucal.
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  — Sorte, é? — %Naryeon% resmungou. — A gente vai ver.
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  Entrou no tatame meio sem saber o que esperar… Até que o viu.
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  Ele estava de costas, camisa preta justa colada ao corpo, braços marcados, tatuagens discretas nos antebraços. O som dos punhos dele socando o saco de areia era ritmado, brutal. Ele não estava lutando contra o saco. Estava punindo.
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  %Naryeon% parou sem perceber. Alguma coisa nele a fez prender o ar.
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  Como se sentisse os olhos dela, ele parou o movimento e virou o rosto devagar. Os olhos escuros a encontraram num único olhar.
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  Era como se reconhecessem algo nela.
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  Raiva, fúria, farpas...
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  Ele não sorriu. Ela também não.
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  Mas os dois souberam, naquele instante, que o inferno começaria ali.
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  — Posição. — a voz dele soou firme, sem espaço pra discussão. — Guarda alta. Olhos no alvo.
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  %Naryeon% copiou a postura dos outros alunos, mas com uma expressão entediada.
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  Jay passou por trás dela e observou. Parou, olhou de novo…
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  — Você tá torta. — ele disse.
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  — E você é sempre tão delicado com os alunos? — ela rebateu, sem olhar pra ele.
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  Jay não respondeu. Apenas caminhou até ela e, com a ponta dos dedos, ajustou sua postura com firmeza, mas sem grosseria.
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  — Aqui. Se continuar assim, vai deslocar o ombro antes de acertar alguém.
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  — E quem disse que eu vou errar?
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  Ele parou por um segundo. E então deu um meio sorriso, frio, lento.
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  — Confiança demais. Você tem certeza que entrou na aula de iniciante?
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  — Entrei na aula que me disseram que descontava raiva. — ela respondeu, encarando-o pela primeira vez. — A sua cara não tá ajudando.
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  Jay deu uma risada baixa, carregada de sarcasmo.
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  — Cuidado. A última pessoa que me disse isso terminou com o nariz quebrado.
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  — E você terminou com um processo nas costas?
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  — Não. Terminei mais leve.
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  Por um momento, os dois se encararam. Ninguém sorriu. Ninguém recuou.
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  Jay soltou o ar com um sorrisinho de canto e deu dois passos para trás.
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  — Vem pro centro, valentona. Vamos ver o que você sabe fazer.
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  — Você quer lutar comigo? — ela arqueou uma sobrancelha.
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  — Quero ver se a sua boca é tão rápida quanto os seus punhos.
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  Ela caminhou até o centro do tatame com passos firmes.
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  — Então prepara o que sobrou do seu ego. Eu vou adorar quebrar ele pra você.
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  — Guarda alta. — Jay disse, erguendo os próprios punhos. — E tenta não me odiar muito quando eu te derrubar.
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  — Se você conseguir encostar em mim, já vai ser muito. — %Naryeon% rebateu, ajustando a postura, os olhos fixos nele como se estivesse prestes a invadir um território inimigo.
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  O grupo ao redor deles se afastou um pouco. Ninguém interrompeu. Era como se todos soubessem que aquilo ali não era uma aula comum. Era uma disputa. Uma colisão inevitável.
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  Jay atacou primeiro — rápido, preciso — e %Naryeon% esquivou com o reflexo de quem já passou a vida se defendendo. Ela girou o corpo, tentou um contra-ataque, ele desviou e riu.
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  — Isso foi um chute? Já vi crianças de cinco anos com mais firmeza.
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  — Eu tô aquecendo. — ela disse entre dentes.
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  O segundo movimento foi mais direto. Ela tentou atingi-lo com um soco de esquerda, ele segurou o pulso dela com uma mão e girou levemente o corpo, desequilibrando-a.
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  Por um segundo, ela quase caiu — mas usou o próprio impulso para empurrá-lo com o ombro. Ele recuou meio passo.
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  — Melhor. — ele admitiu. — Ainda não impressiona, mas me faz querer continuar.
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  Os dois estavam ofegantes agora, mas nenhum dos dois recuava.
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  — Eu não tô aqui pra te impressionar. — ela disse.
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  — Não? — Jay deu um sorriso de canto. — Então por que seus olhos estão me desafiando desde que entrou por aquela porta?
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  Ela não respondeu.
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  Apenas avançou de novo.
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  Dessa vez, ele a deixou chegar perto.
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  Ela o empurrou. Ele girou. Ela tentou derrubá-lo.
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  Mas quando ele a segurou pela cintura para impedir a queda, a aproximação foi inevitável.
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  Ficaram próximos demais.
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  Respiração contra respiração.
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  O olhar dele fixo no dela.
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  As mãos dele, ainda firmes na cintura dela.
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  — Vai me soltar ou tá gostando do aperto? — ela provocou, o rosto a centímetros do dele.
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  Jay não respondeu.
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  Apenas inclinou a cabeça ligeiramente, os olhos escurecendo com algo que não era mais raiva.
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  — Acho que você é mais perigosa do que eu pensava.
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  — E você é menos resistente do que eu imaginei.
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  Ele riu, e então a soltou.
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  Mas o toque permaneceu como uma memória recente, elétrica, imprudente.
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  — Aula encerrada. — ele disse, com a voz baixa.
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  — Já? — ela ergueu uma sobrancelha. — Vai fugir?
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  — Tô indo me recompor. — respondeu, andando de costas por alguns passos. — Você me bagunçou demais por hoje.
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  E ela ficou ali, com o coração disparado, o rosto quente… E uma vontade absurda de bagunçar tudo de novo.
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  — Eu deveria ter arrebentado a cara dele, isso sim!
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  %Naryeon% deu um soco no ar assim que elas chegaram na porta do pub e as amigas riram.
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  — Você também ia levar um socão, tenho certeza. Imagina %Naryeon%, seu narizinho quebrado pelas mãos do professor bonitão? — %Nalya% apertou o nariz dela antes de abrir a porta do pub.
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  — Quem disse que ele é bonitão? — %Naryeon% piscou algumas vezes, se lembrando de Jay.
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  — Você nem precisou dizer! A gente já entende que ele é bonitão, se não porque você estaria tão irritada?
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  %Sooyi% piscou o olho direito na direção dela, mas foi interrompida por %Mirae%.
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  — Bom isso aí eu vou ter de discordar, porque a %Naryeon% fica irritada por absolutamente tudo, né? Não significa que seja por causa da tensão sexual que está rolando entre ela e o professor.
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  %Naryeon% parou de andar abruptamente, fazendo todas as outras pararem também, no meio do salão.
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  — Que mané tensão sexual o que? Eu senti foi ódio da cara bonita dele isso sim, da prepotência, da arrogância, da falta de tato dele com gente que tava ali para aprender. Abusado!
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  %Naryeon% cruzou os braços abaixo do peito, o mesmo subindo e descendo pela raiva crescente só de lembrar.
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  — Tensão sexual. — As outras cinco repetiram em uníssono, olhando umas para as outras.
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  — Não falem besteira, aish! Ou eu vou embora e largo vocês sozinha.
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  — Sendo que a ideia foi sua de a gente sair para você espairecer a raiva que o professor bonitão te fez passar. E bom, agora você disse sim que a cara dele era bonita, não dá para fugir!
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  %Sowon% apontou a língua para ela que apertou os olhos, sentindo a raiva fumegar pelo corpo.
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  — Já repararam que nós sempre pegamos as mesas do canto? Incrível isso. — %Mirae% pontuou enquanto puxava uma cadeira ao lado de %Sooyi% para se sentar.
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  — Lá vem você daqui a pouco dizer que isso deve ser sinal do Universo de alguma coisa, querem ver? — %Heewon% revirou levemente os olhos antes de rir, acompanhada de %Nalya%.
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  As seis se sentaram na mesa escolhida, uma a uma, as bolsas foram colocadas nos colos ou no chão mesmo, abaixo da mesa, e os olhos delas voraram para os cardápios.
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  Lá dizia que os pedidos de drink deveriam ser feitos diretamente no balcão, enquanto as comidas diretamente a um dos garçons.
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  — Estou a fim de um blood mary hoje! Quem mais? — %Nalya% se levantou, depositando o cardápio sobre a mesa, já pronta para se dirigir ao bar para fazer o pedido.
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  O bar estava com uma luz quente, as garrafas alinhadas em prateleiras atrás do balcão refletindo tons âmbar, e o som grave da música misturado ao burburinho dos clientes criava aquele cenário que Jake conhecia bem. Era o seu reino noturno.
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  Ele secava um copo com desatenção, encostado no balcão de sempre, distraído demais pra se importar com os casais rindo ou os pedidos repetitivos.
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  Até que viu ela.
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  A garota atravessou o salão com um andar leve, como se flutuasse sem esforço, e os cabelos soltos acompanhavam o movimento despreocupado dos quadris.
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  Não estava produzida demais. Nem chamativa demais.
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  Mas algo nela… chamava.
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  Chamava de um jeito que incomodava.
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  Jake endireitou a postura sem perceber. Os dedos pararam de girar o pano no copo. Os olhos… cravaram nela.
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  Ela chegou ao balcão, apoiou as mãos na madeira e soltou:
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  — Um Bloody Mary bem feito, por favor. E sem miséria na pimenta, hein.
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  O tom era brincalhão. O sorriso, afiado. A voz, quente demais pro fim de tarde.
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  Jake precisou de dois segundos a mais do que o normal pra responder.
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  E isso, pra ele, já era sinal de alerta.
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  — Com esse nome, você sabe que tá pedindo uma bebida meio... fatal, né? — ele disse, servindo gelo no copo com precisão.
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  %Nalya% arqueou uma sobrancelha, os olhos dançando entre ele e os rótulos atrás do balcão.
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  — Se eu quisesse segurança, teria pedido água.
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  Ele soltou uma risada baixa. E aquilo… doeu. Porque fazia tempo que ele não ria de verdade. E fazia tempo também que não sentia o sangue esquentar assim, tão rápido, tão intenso.
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  Ela observava o preparo da bebida como se analisasse cada movimento dele, como se entendesse que havia mais ali do que um bartender bonito.
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  — Você trabalha aqui sempre? — perguntou casualmente, como quem não está nem aí pra resposta.
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  — Só à noite. Sou um cara noturno. — ele respondeu, derramando o suco de tomate com cuidado no copo.
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  — Hum. — ela mordeu o canto do lábio. — Combina com você.
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  Jake ergueu os olhos para ela. E por um momento… esqueceu que precisava manter o controle.
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  O cheiro dela era leve. Fresco.
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  Mas havia algo por baixo. Algo que o instinto dele reconheceu como perigoso.
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  Sangue quente demais. Coração batendo forte. Vontade demais de se aproximar.
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  Ele deslizou o copo até ela.
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  — Toma cuidado. Essa bebida pode viciar.
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  %Nalya% o encarou com um sorriso enviesado.
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  — Eu sou péssima com vícios.
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  — Eu também. — ele respondeu, quase num sussurro.
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  E quando ela deu o primeiro gole, os olhos dele seguiram cada movimento da garganta dela. O som. O calor. O perigo.
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  Ela era exatamente o tipo de garota que ele jurou evitar. E, por isso mesmo, exatamente o tipo que ele não conseguiria ignorar.
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🩸🩸🩸

  — Vocês vão mesmo ignorar o que nós já sabemos?
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  A voz de Sunoo no topo da escada ecoou pela sala da casa. Jake sentado com o pacote de sangue nas mãos, sentiu as mesmas trêmulas demais. Sunghoon continuou mantendo os olhos no livro que ele fingia ler, mas o pensamento dele voltou para a garota do parque. Jay continuava sentado no sofá enrolando a fita nas mãos para voltar a treinar, Ni-ki retirou os fones do ouvido, mas não se moveu. Heeseung continuou no piano, tocando uma melodia qualquer enquanto encarava as teclas pretas e brancas. Jungwon mexia nas cartas de tarot, mas sem de fato se concentrar nas energias que deveria.
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  — Não precisamos de nenhuma carta para isso, Jungwon. — Sunoo começou a descer as escadas. — Vocês já as conheceram. Não é?
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  Silêncio.
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  Sunoo bufou alto quando chegou ao último degrau da escada.
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  — Não tem para onde correr. Vamos encarar os fatos.
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  — Que fatos Sunoo? — Jay se levantou do sofá abruptamente, e se aproximou de Sunoo. — Não me faça querer socar você, você é muito delicado.
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  Sunoo revirou os olhos, sentindo zero medo do amigo.
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  — Obrigada, sei que sou uma florzinha pronta para ser semeada no campo. — Ele piscou, fazendo os enormes cílios baterem uns nos outros. — Você conheceu ela hoje no ringue.
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  Sunoo repetiu, agora olhando diretamente para Jay.
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  — E não venha me dizer que não sentiu nada. Todo o prédio sentiu seu humor quando você voltou.
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  Jay cerrou os dentes, mas não respondeu. Voltou para o sofá, jogando a fita de mão de lado, irritado com a própria inquietação.
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  Sunoo seguiu caminhando pelo cômodo, olhando um a um como se os estivesse desmascarando só com o olhar.
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  — Jungwon voltou com cheiro de sangue fresco e não bebeu nem um mililitro. — comentou, sem ironia. — E antes que alguém fale besteira, era dela. Da humana.
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  Jungwon engoliu em seco, as mãos parando sobre as cartas de tarot. Não precisava confirmar. O silêncio já dizia tudo.
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  — E você, Jake? — Sunoo virou-se com um leve sorriso debochado. — Vai mesmo fingir que não ficou estranho desde que voltou do bar?
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  Jake não respondeu, mas apertou com mais força o pacote de sangue nas mãos, como se tentasse se convencer de que ainda era o suficiente.
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  — Eu vi o jeito como você olhou pra ela. — completou. — Tentação à primeira vista. Vai lá, diz que não foi.
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  — Você se acha tão engraçado… — Jake murmurou, desviando o olhar.
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  — E você? — Sunoo voltou o rosto para Ni-ki. — Vai dizer que aquela garota certinha com cheiro de lavanda não te tirou do eixo?
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  Ni-ki mordeu a lateral da bochecha e tirou um fone do bolso, girando-o entre os dedos.
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  — Ela é certinha demais. Vai quebrar logo. — disse, mas não com convicção.
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  Sunoo deu um passo em direção a Heeseung, que ainda estava ao piano, mas agora com os dedos parados sobre as teclas.
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  — E você? Vai me dizer que foi só curiosidade o que sentiu quando ela encostou naquele piano? Que foi só... acaso?
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  Heeseung não respondeu. Mas tocou uma nota.
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  Baixa. Única. Triste.
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  — Não é coincidência. — Sunoo concluiu, olhando ao redor. — É padrão. Ciclo. Chamem como quiserem.
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  Ele respirou fundo, os olhos mais sérios agora.
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  — As humanas chegaram.
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  — E com elas... o começo do fim.
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