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História NÃO RECOMENDADA PARA MENORES ou PESSOAS SENSÍVEIS.

Esta história pode conter descrições (explícitas) de sexo, violência; palavras de baixo calão, linguagem imprópria. PODE CONTER GATILHOS

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Apenas uma Noite – Surpresa

Escrita porZsadist Xcor
Revisada por Lelen

Capítulo 3

  Augusto saiu do bar na hora certa. Aceitava ser visto por Aquiles num momento de fragilidade por sentir segurança na companhia dele. Só permitia que sua formosura visse o seu lado mais humano onde não precisava se esconder atrás do arquétipo de homem másculo e forte ao qual se prendeu por toda a vida. Não aceitaria que mais ninguém se deparasse com o seu lado mais frágil.
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  Assim que se trancou em seu quartinho, as lágrimas finalmente estavam fartas de serem contidas. Caíam em cascatas pelo rosto — e pra isso certificou-se que havia girado a chave duas vezes para não ser incomodado. O dia foi maravilhoso e não queria que os demais do bar ficassem sem jeito ao vê-lo chorar e pesar o clima festivo — e foi não apenas essa percepção que gerou uma catarse tão profunda, mas também pelas diversas constatações das lembranças onde ficou evidente o quanto lhe fez falta o senso de pertencimento a um lugar e ações genuínas de afeto para com ele. Vivenciou a violência e chegou ao ponto de cometê-la para garantir o prato de alimento do dia seguinte e enviar dinheiro para a mãe poder comprar os remédios para a saúde debilitada. Não foi uma tarefa fácil receber carinho de tantas pessoas numa data cuja importância já havia deixado no passado — e naquele dia foi provado que deveria, sim, ser devidamente comemorada.
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  Deitou-se na cama chorando, e assim continuou por alguns minutos até o torpor do sono lhe apagar a consciência, adormecendo profundamente.
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  No sonho, Augusto estava de pé num vasto campo de plantações. O chão de terra era úmido graças a chuva de poucas horas atrás e o céu limpo era de tom azul claro. O Sol produzia o calor característico da região e a brisa agradável e incomum pra região refrescava a pele. Caminhando pelo lugar onde de vez em quando passavam trabalhadores e se podia ouvir o som das máquinas, algo lhe chamou a atenção. Ou melhor, alguém.
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  Um menino magricela estava parado com um carrinho de mão vazio. O carrinho de mão velho feito de ferro enferrujado não combinava com a imagem da criança por ser pesado demais para ser manuseado por mãos tão pequenas. Vestia apenas um par de chinelos remendados, uma bermuda velha e uma regata larga. Tinha o ímpeto de ir até onde realmente queria estar, porém algo o impedia. Até dava um passo e logo em seguida recuava, como se soubesse que deveria continuar com o carrinho de trabalho por ser mais importante e temendo pelas repreendas dos homens por se distrair. Mas ali ele estava. Parado, cabisbaixo, observando fixamente um ponto específico ao longe. Era notável que o que mais desejava era se afastar do trabalho braçal e realizar alguma outra tarefa mais apropriada para a idade.
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  Foi impossível não se aproximar do garoto. A angústia no peito era tão grande que se tornou insustentável. Quando se deu conta, os pés o levaram até a figura destoante do ambiente laboral.
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  — Hey! — o chamou.
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  O garoto assustou-se e o encarou de olhos arregalados.
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  — Está perdido?
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  Balançou a cabeça em negativa.
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  — Qual o problema, então? — Agachou-se ao lado da criança para ficarem na mesma altura.
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  Apontou para frente. Do outro lado, a plantação se estendia por alguns metros, mas terminava e dava espaço a uma área muito bonita. A grama farta tomava conta do chão, as árvores grandes produziam frescas sombras generosas para se abrigar. Era onde algumas crianças se divertiam jogando bola.
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  — Quer ir lá?
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  — Quero.
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  — Então vai, ué!
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  — Eu não posso, tio. — Coçou a cabeça cabisbaixo.
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  — Por que não?
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  — Porque eu tenho que trabalhar e vão dar uma brigada neu se eu for.
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  — Ah, larga isso. Você pode ir brincar, sim. Se forem brigar contigo, saiba que vou te defender e falo que fui eu quem o liberou essa tarde.
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  O rosto infante se iluminou perante as palavras. Abriu um largo sorriso onde faltavam dois dentes de leite da frente e perguntou animado saltando e batendo palmas:
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  — Posso, mesmo, tio?
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  — Claro. Vai lá.
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  O garoto abraçou o peão antes de sair correndo sem hesitar.
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  Augusto levantou e achou graça na imagem inocente. Deu um sorrisinho sem separar os lábios e algum aspecto na alegria do garoto lhe aqueceu o coração. A imagem dele correndo ao ar livre aproveitando o luxo da infância fez o corpo do homem relaxar aquecido como se recebesse carinhoso afago materno. Alguns metros à frente, o menino parou e, confuso, varreu a vasta plantação com o olhar a procura de algo ou alguém. Ao se virar e se deparar com o estranho parado, retornou ao lugar meio zangado, como se controlasse o temperamento.
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  — Desistiu de brincar? — o provocou bem-humorado.
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  — Tio. — Segurou a mão do peão. — É pra você vir junto comigo.
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  — Mas eu não posso. Olha o meu tamanho, menino. Eu lá tenho tamanho de quem brinca?
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  O garoto precisou erguer a cabeça totalmente para encará-lo.
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  — A gente ficou bem grandão, né? — comentou travesso. — Mas precisa vir comigo assim mesmo. Você é grandão e eu pequeno. E daí? A gente pode brincar muito bem assim. Não tem nada impedindo. É meu convidado e...
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  — Ah, então agora sou seu convidado? — indagou de forma bem-humorada se divertindo com a inocência do menino.
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  — É, sim. E você vai aceitar porque eu sei que também quer brincar. Vem comigo. Vem, vem, vem, vem.
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  Facilmente poderia continuar estático por mais que fosse puxado por uma criança. Porém, admirou o esforço do pequeno e aceitou ser conduzido até os outros garotos correndo de mãos dadas com o menor. O menino segurava a destra com força, como se para garantir que o adulto não iria se desvencilhar dele. O capataz da família Navarro o acompanhou intrigado.
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  Passaram uma ótima tarde repleta de brincadeiras, risos e distrações. Augusto se divertiu jogando futebol, queimada e pique-pega com as outras crianças que os receberam bem, como se sentissem falta dos dois para acompanhá-los.
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  Por Augusto ser mais velho e mais forte, tinha um zelo e uma cautela sem igual. De vez em quando recebia abraços espontâneos e descobriu gostar dessas demonstrações de afeto tão carinhosas e bondosas.
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  Ao pôr do Sol eles se despediram do peão antes de retornarem para as respectivas casas. O único que ficou para trás foi o menino magricela que encontrou ao acaso.
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  — Tio, eu quero que faça uma coisa antes da gente se despedir. — Estava de pernas cruzadas sentado na grama.
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  — O quê?
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  Engatinhou até ficar bem na frente de Augusto, que estava ajoelhado no chão.
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  — Olha bem no fundo dos meus olhos e diz o que você quer falar pra mim.
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  — Falar o quê?
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  — Você sabe. Você sabe o que é porque vem daqui, ó. — Tocou no peito do homem onde se localizava o coração.
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  — Não sei.
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  — Tá bem, tio, vou facilitar pra você. Se eu fosse uma pessoa que gostasse de muitão assim. — Esticou os braços para os lados para demonstrar. — O que me diria?
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  — Eu... Diria que eu gosto de você.
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  — Pouquinho ou muito? — o pressionou.
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  — Muito. Por demais até. Ah... Diria também que é importante. E que é inteligente. Não deixe ninguém falar o contrário, não. — A voz começou embargar pela emoção e os olhos marejaram.
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  — É mesmo?
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  — É.
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  — O que mais? — Pegou um dente de leão e o assoprou.
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  — Não deixa ninguém te chamar de inútil, imprestável, burro, idiota e nem de feio, não. Você não é nada disso porque você é bom. — As lágrimas caíram sem a sua permissão. — Quem é bom, é bom, mesmo que seja obrigado a fazer coisas que não quer pra conseguir comer. E é bom ser bom.
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  — Mais o que, tio?
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  Augusto respirava com dificuldade devido a catarse, expurgando do coração cada palavra negativa dita pelo pai e por Osmar Navarro em relação a ele. Era uma dor libertadora, do tipo que sentia uma vez na vida cujo objetivo era ultrapassar difícil obstáculo e enfim fazer as pazes com o devastador passado carregado de sofrimento para jamais voltar a senti-la.
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  — Seja forte porque... — Secou o rosto com as costas da mão fungando. — Porque as coisas vão melhorar. Vão ser bem ruins durante um tempo, mas vão melhorar, sim. Não tenha medo quando se apaixonar. Homem pode amar outro homem, sim. Foi bem triste tudo o que aconteceu contigo e eu sinto muito. Muito. — Apanhou o caule após lhe ser ofertado na tentativa de consolo. — Um dia vai ter um amigo bom por demais. Pode confiar nele porque quer o seu bem. E estude. Estudar é bom. — Escondeu o rosto entre as mãos envergonhado pelo pranto inesperado após um dia tão agradável.
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  Delicadamente, a criança retirou as mãos dele do rosto para fitá-lo.
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  — Falou tudo, né, tio? — Se acomodou no espaço entre as pernas de Augusto.
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  A essa altura, o adulto já tinha sentado de pernas cruzadas.
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  — Falei.
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  — Eu sei. — Deu leves tapinhas no braço musculoso com a cabeça apoiada no peitoral. — Colocou tudo pra fora já, e já se sente mais leve. Estava bem pesado carregar tudo isso, né?
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  — Como sabe?
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  Ergueu a cabeça sério para encará-lo.
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  — Esqueceu de mim, né? Lembra mesmo não? Eu sou você.
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  A resposta deixou o peão atordoado e só então reconheceu que o garoto era a sua versão de sete anos.
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  — Tem muito tempo que não me dá atenção, sabia? Eu gosto de brincar, de pular... Foi legal jogar bola, né?
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  — Foi.
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  — Então. Eu gosto também. Pensa assim. Sempre que for jogar bola, rir ou se sentir, vai me fazer feliz porque a gente não pôde ter nada disso. E tio, não seja sério sempre não. É bom rir e a gente fica muito bonito rindo. Olha! — Soltou uma risadinha pela visão da sua versão infantil por abrir largo sorriso de inocente alegria. — Por isso te entreguei isso daqui. — Apontou pro caule do dente de leão. — Quando soprei, a partezinha branca saiu voando. Sabe por quê? Porque tudo aquilo já passou. Promete pra mim que vai me escutar e deixar toda aquela tristeza pra trás?
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  Só após dizer que sim, o garoto se despediu com um abraço e acompanhou os demais, que o aguardavam metros à frente. Todos, sem exceção, deram tchau para o homem antes de seguirem seus caminhos.
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  Despertou com o corpo banhado de estranha sensação de tranquilidade e bem-estar. Graças a esse sonho, compreendeu finalmente uma fala da terapeuta de meses atrás. Vendo que já tinha passado das oito da noite, levantou-se de súbito para tomar banho e encontrar com Aquiles.
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  Aquiles cantava a parte inicial de Medo Bobo no palco com Fernando quando Augusto chegou. Vestia um short jeans e transparente blusa brilhosa com dois colares prata. Apenas subiu ao palco para cantar aquela música. Estava preocupado pelo atraso do amante. Tinha receio de Osmar tê-lo mandado fazer algum trabalho sujo na surdina. Afinal, o fazendeiro jamais sujava as mãos e Augusto ainda não tinha condições de se negar a realizar o serviço — por enquanto, já que o peão planejava mudar o percurso das coisas. Já intencionava ligar para o jagunço quando o viu adentrando no bar.
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  Os olhares se cruzaram e abriram largo sorriso mútuo de cumplicidade. Augusto apoiou as costas na parede bem em frente a Aquiles para observá-lo. O mais novo irradiava felicidade e notou o quanto a letra combinava com a história deles.
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  — Tanto amor guardado tanto tempo. A gente se prendendo à toa, por conta de outra pessoa. Só dá pra saber se acontecer. — Pegou o microfone e elevou o tom. — É que na hora que eu te beijei foi melhor do que eu imaginei. Se eu soubesse tinha feito antes. No fundo sempre fomos bons amantes. — Deu um beijinho na mão e estendeu na direção do amado, que retribuiu com uma piscadela marota.
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  De fato, havia se prendido graças a outras pessoas. Havia ainda inúmeras travas e obstáculos emocionais que Augusto precisou transpor dia após dia para evoluir — e isso jamais teria sido alcançado sem frequentar os estudos da EJA durante o período noturno e nem sem ter iniciado o tratamento psicológico. Só havia uma coisa que ainda lhe causava apreensão e ainda não havia reunido coragem suficiente para tocar no tema com ninguém, sequer com a terapeuta ou Aquiles — e não tinha ideia se falaria sobre algum dia.
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  Ao terminar a música, foi até o peão, que o aguardava de braços cruzados ao lado da entrada do Night Club com um semblante leve.
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  No caminho, segurou Zeca pelo braço, comunicando-se com ele apenas com uma troca de olhares. Quando o cozinheiro viu quem o aguardava, murmurou, lhe afagando as costas:
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  — Pode ir tranquilo. Dou conta de tudo aqui sem problema.
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  — Ótimo. Vou indo. Lívia!
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  A mulher jogava bilhar e não hesitou em ir até ele.
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  — Incentive o pessoal a cantar músicas animadas. Quanto mais alto melhor. Vou pro meu quarto e existe a possibilidade de eu descer só amanhã. É uma probabilidade pequena, mas prefiro prevenir a remediar. E não estarei sozinho.
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  Ao olhar pra trás e ver o motivo de Aquiles chamá-la, compreendeu completamente. O abraçou feliz pela conquista.
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  — Boa sorte, amiga.
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  Finalmente foi se encontrar com o peão.
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  — Olha quem apareceu... — O recebeu com um sorriso, colocando os dedos nos bolsos traseiros do jeans. — Já estava achando que não viria mais.
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  — Ah, é que me atrasei sem querer. — O puxou pelo cós do short. — Até parece que eu não viria pra te ver hoje. Vem cá, aquela proposta de ficarmos no seu quarto pelo resto da noite está de pé?
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  — Claro. Pra você sempre vai estar de pé. — Descansou as mãos nos ombros de Augusto. — Acredita que fiquei ansioso esperando por isso?
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  — Acredito, sim, porque eu também fiquei — respondeu o peão num olhar intenso e carregado de expectativa do que viria a acontecer nas horas seguintes. — Vamos?
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  Antes de subirem, passaram na cozinha. Separaram uma quantidade significativa de salgadinhos, bolo e docinho além de uma garrafa de refrigerante pela metade.
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  Ao entrarem no quarto, a pedido do garçom, colocaram as coisas no chão para não sujarem a cama e se sentaram descalços lado a lado na lateral dela.
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  — Gente, eu estava morrendo de fome. — O rapaz comeu uma bolinha de queijo. — Estou só com o almoço no estômago, sabia?
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  — Eu também. — Augusto mordiscava uma coxinha antes de tomar o refrigerante do gargalo. — Não comi nada durante a festa.
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  — E como comeria? Viu o tanto de comida que colocou no prato quando estávamos no restaurante? — comentou com bom-humor. — Se comesse hoje de tarde eu desconfiaria que tem um buraco negro no seu estômago — finalizou rindo.
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  Recebeu uma mordida de leve no ombro como resposta.
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  — Queria o quê? Não é todo dia que vou num lugar daquele não, principalmente com quem gosto. O jeito é aproveitar da comida boa, né? Eu faço uma gororoba da miséria. Não chega nem perto do nosso almoço lá.
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  — Exagerado... Certeza que a sua comida é boa. — Tomou um pouco do refrigerante antes de entregá-lo ao outro.
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  — Só vai ser boa se for ocê o cozinheiro. Aí eu confio. — O peão bebeu o líquido adocicado e pôs mais uma porção de salgadinhos de queijo e presunto na boca.
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  — Tá. Digamos que eu prepare um jantar pra gente. Qual prato iria querer?
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  — Lasanha de frango ou de queijo e presunto.
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  — Hum... Tem bom gosto. — Aquiles estendeu a bacia de salgadinho pra Augusto. — Com arroz e mais o quê?
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  — Farofa de banana ou farofa normal de bacon, mas com aquelas passas. — A repousou no colo.
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  — Gosta de comida agridoce, então.
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  — Adoro! — O capataz tomou mais um pouco de refrigerante antes de pegar o bolo.
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  — Sabe o que mais combina? Uma salada de legumes bem temperadinha.
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  — Formosura, você vai ter que preparar esse jantar, hein? Já estou imaginando a gente jantando. — Envolveu com a mão o pequeno joelho desnudo cujas pernas estavam encolhidas na frente do corpo.
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  — Por mim, vai ter sim. Não planejo nada sem motivo não. E pra ver que não estou de brincadeira, saiba o senhor que vou levar também um pudim de leite maravilhoso de sobremesa! É uma das minhas especialidades.
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  A conversa se manteve amena e divertida nos minutos seguintes enquanto saboreavam os salgadinhos e o bolo com as suas respectivas colheres. Então Augusto disse:
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  — Deixa eu te contar. A doutora me falou uma coisa há um tempo que só fui entender hoje.
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  — O que ela falou? — Aquiles comia um dos varrines de morango.
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  — Ela disse que a minha criança interior era bem sofrida por ter sido maltratada e que eu precisava cuidar dela. Não entendi foi nada porque... Sou adulto já. Aí ela continuou dizendo que, agora, homem, posso entregar amor e cuidar dessa criança... — O homem estalou os dedos procurando o termo correto. — Qual o nome que ela deu?
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  — Ferida? — chutou o outro.
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  — Isso! Criança ferida. Já conhecia isso?
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  — Ah, li por cima uma vez, mas sem me aprofundar no assunto. O que isso tem a ver contigo? — Pôs um brigadeiro de morango inteiro na boca.
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  — É que hoje, durante a festa, senti uma coisa estranha. — O tom de voz do peão tornou-se mais baixo e grave, como se temesse ser ouvido por mais alguém além do cantor. — Sabe quando... Quando se é menino e se quer muito mesmo uma coisa, mas não consegue receber aquilo? Com o tempo se acostuma com aquela falta, mas ela continua ali sempre. Então. Hoje de tarde a sensação foi de que eu recebi um pouco do que queria ganhar naquela época e não pude.
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  Aquiles o ouvia atentamente. Já havia colocado as comidas na mesinha baixa e estava sentado ao lado do peão virado de frente a ele.
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  — É estranho porque já sou homem feito. Não tem por que me sentir como um garotinho.
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  — Se você sofreu tanto na infância, Augusto, é compreensível. Na noite em que a Candelária me trouxe pra cá, eu estava apavorado. Morria de medo de não me encaixar por ser gay e o pessoal daqui não me aceitar pelo que passei dentro de casa com o meu pai. Ao notar que as meninas e os meninos não foram preconceituosos comigo e nem me maltrataram após ela me dar um teto pra morar, nossa... A primeira coisa que fiz foi chorar na minha cama antes de dormir na segunda noite, tamanha a emoção.
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  — Foi a única coisa que a praga daquela véia ruim fez de bom. Te trouxe pro bar — resmungou o homem de mau-humor antes de tomar um gole da garrafinha de água gelada. — Única não, porque também morreu.
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  — Querido... — Pestanejou passando a mão pela testa. — Sempre que cito o nome da falecida você fica contrariado. Por quê?
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  — Eu não gosto dela. — De repente a garrafa de plástico tornou-se um objeto bem interessante para direcionar a atenção.
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  Pela reação do peão, Aquiles constatou que havia algo por detrás desse desgostar. Afinal, Augusto nunca demonstrou estar confortável com a menção de Candelária e, mesmo quando ia ao bar enquanto a mulher era viva, havia sempre alguns sinais de incômodo presentes, embora buscasse escondê-los da maneira como podia. Aquiles já havia captado antes a informação, mas jamais tinha tido a oportunidade de conversar sobre o assunto com ele.
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  — Geralmente temos algum motivo para não gostarmos de alguém. Qual é o seu?
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  — Quer mesmo saber, formosura? Eu não gosto de falar disso.
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  — Eu contei a minha vida toda pra você, inclusive as piores partes. Serviu para você me compreender melhor, não é? Então. Quero entendê-lo ao invés de tirar conclusões precipitadas e errôneas. Caso não queira contar, tudo bem. Tudo ao seu tempo e eu respeito isso.
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  O peão o fitou e não conseguiu se lembrar quando se deparou com um olhar tão acolhedor, zeloso, respeitoso e carinhoso antes. E era isso o que Aquiles entregava para Augusto e o conquistou de pouquinho em pouquinho, até o sentimento tomar tamanha dimensão que se tornou inviável lutar contra por ser uma batalha perdida.
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  Se aproximou mais do garçom em busca de coragem e refúgio para abordar um episódio em sua vida que preferia não revelar. Por sua vez, o outro entrelaçou as mãos e as levou até os lábios, onde beijou a destra áspera.
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  Augusto suspirou pesadamente e obrigou-se a abrir a boca.
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  — Tá bão. Assim que completei 14 anos, a peãozada da fazenda me levou até a Candelária a mando do patrão pra eu deixar de ser menino e virar homem logo. É um costume daqui e eu sabia que a minha hora de deitar com alguma mulher do bar chegaria. Quando cheguei aqui, já estava tudo combinado e a véia ruim costumava cobrar mais caro pros menino novo como eu deitar com ela. Eu num queria, e naquela época aquela praga ruim já tinha uma idade bem avançada. Não foi ruim, mas também não foi bom. — Virou a cabeça e encarou a parede. — Demorei pra ficar de pau duro e sequer gozei. Fingi, na verdade. Foi uma coisa vazia e não fez diferença pra mim.
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  Aquiles ouvia a história estarrecido. Nunca passaria pela mente dele que uma prática tão invasiva e arcaica fosse recorrente com os meninos do interior. Justamente por se prostituir na época quando Candelária estava viva, sabia a importância de partilhar a cama com alguém que se importasse consigo e não o visse apenas como um pedaço de carne. Estava longe de ser uma pessoa cheia de dogmas, regras e pecados, porém, não entrava na sua cabeça ser obrigado a transar com alguém apenas para provar para os demais o quão másculo era.
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  — Augusto... Você foi obrigado a transar com a Candelária? É isso o que está me falando? — murmurou o encarando assombrado. Acariciava a barba com as pontas dos dedos numa tentativa de a carícia trazer conforto.
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  Augusto olhava para o lado oposto sem necessariamente fixar o olhar em algum ponto em específico.
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  — Fui. — Encolheu os ombros pelo incômodo da lembrança. — Eu num queria, mas num podia deixar os outros duvidar da minha macheza. Imagina o inferno que a minha vida seria? Já não tinha uma vida fácil. Não precisava piorar.
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  Aquiles compreendeu completamente. Se na rua ele quase foi morto apenas porque o identificaram como gay, não gostaria de pensar no que poderia ter acontecido com Augusto vivendo em um meio tão carregado de machismo e brutalidade, onde o homem provava da sua virilidade por meio da força física. Na verdade, sabia sim, o que poderia ter acontecido — e talvez não estaria ali para dar seu depoimento.
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  Tentou virar o rosto de Augusto com gentileza pelo queixo, porém o peão resistiu por vergonha de seu passado.
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  — Amor, olha pra mim.
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  Após alguns segundos, o homem acatou ao pedido lentamente. Se deparou com olhos frágeis e carregados pelo cansaço que foi se autoafirmar homem durante a sua vivência.
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  — O que aconteceu foi errado. Você não deveria ter passado por isso. Aliás, ninguém deveria passar por algo assim. Cada pessoa transa com quem bem entender e na hora que quiser, desde que ambas as partes estejam em comum acordo.
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  — Eu sei, formosura, mas... — Franziu o cenho numa expressão triste antes de beijar-lhe a palma que ainda tocava a face. — Comigo não foi assim.
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  — E eu sinto muito por isso.
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  Quando Augusto esticou as pernas para em seguida puxá-lo pelo pulso com apreço, o rapaz compreendeu o pedido e o acatou. Acomodou-se no colo do peão de frente a ele.
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  — Contigo foi diferente. — O segurou gentilmente no rosto. — Eu me senti à vontade e não tive vergonha porque ocê me faz bem.
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  O olhar transmitia uma ternura incomparável.
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  — Você também, Augusto. Só... Não queria que aquilo tivesse acontecido contigo.
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  — Não é todo mundo que tem a mesma sorte que a sua, mas... Passou. Está no passado e prefiro não olhar pra trás.
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  Aquiles deitou a cabeça no peito dele com um muxoxo enquanto fortes braços o envolviam. Sentiu as palmas ásperas nas costas o afagarem em movimentos pequenos e discretos.
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  — Não é justo. Queria que a sua primeira vez tivesse sido especial.
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  Mais uma vez teve prova da dimensão das privações de Augusto no meio onde foi criado. Sequer poderia se dar ao luxo de transar com uma pessoa — ou melhor, um homem — de sua escolha. Tudo girava em torno do machismo. As interações sociais, a forma de se vestir, o vocabulário... Compreendeu num estalar de dedos o motivo de, num passado recente, o outro demorar tanto para aceitar ser visto consigo publicamente e até mesmo aceitar discretas demonstrações de afeto. A resistência era um jeito de se autoafirmar por, no fundo, saber que as suas preferências sexuais e afetivas não correspondiam ao conceito de virilidade imposto entre os homens de Pedaço do Céu.
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  — Pros peão que me trouxe até aquela velha ruim, a primeira vez se resume a colocar meu pau numa buceta molhada. Eu achava isso até você dormir no meu quartinho quando fui te buscar na bala pra não viajar. Ali foi diferente. Talvez por isso tenha sido tão bom pra mim. — Roçou o nariz os cabelos lisos.
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  — Aquela noite foi linda. — Num suspiro prolongado, beijou a pele na região da clavícula e a viu se arrepiar antes de se afastar para fita-lo.
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  — E muito gostosa também. — Beijou-lhe a testa com doçura.
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  — Eu estava super feliz contigo, sabia? Fiquei meio preocupado de você não querer se entregar de verdade como fez.
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  — Eu notei isso. — Augusto deslizou o polegar pelo pequeno queixo, na região rente ao lábio inferior.
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  — Jura?
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  — Sim. Você só avançava a medida e até onde eu permitia. Foi cuidadoso comigo.
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  Deu-lhe um rápido selinho.
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  — Obrigado, viu? Não sei o que é alguém cuidar de mim com tanto carinho há um bom tempo. Com ocê percebi como isso me fez falta nos últimos anos.
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  — Não me agradeça por te amar, Augusto. Eu é quem deveria ficar grato por você me dar abertura e permitir te acessar.
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  Estava a centímetros da boca de Aquiles. Antes se importava caso fossem apanhados, então nunca relaxava por completo e nem aproveitava plenamente. Agora? Descartava a opinião alheia. Sabia que lá embaixo o bar estava lotado e não disfarçou quando subiu para o quarto do amado. Sem dúvida haveria cochichos, porém, desde que ele e Aquiles estivessem bem, os comentários eram insignificantes. E essa sensação maravilhosa de liberdade para amar sem travas era esplendorosa demais para se colocar em palavras.
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  Ao constatar esse fato, o capataz da família Navarro chegou à conclusão de que talvez o rapaz ainda não tivesse conhecimento da informação por não ousar avançar mais os toques ou as carícias, tanto em público quanto sozinhos. Portanto, o provocou numa voz aveludada e rouca, apertando a cintura como de costume — ação em que, antes, era a maneira dele demonstrar afeto para com Aquiles.
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  — Sabe que agora pode me beijar onde e quando quiser, né, formosura?
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  Aquiles não hesitou em unir os lábios assim que ouviu as palavras. Foi de encontro à boca do outro com afinco e sem hesitar, dando vazão a todo o desejo reprimido nos últimos tempos. O aval era o que precisava para liberar a sua paixão e foi tão intensa que em questão de segundos sentiu algo grande, grosso e devidamente intumescido marcando as calças do outro.
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  Quando Augusto abriu a boca, logo foi invadida pela língua quente e foi impossível não arfar de prazer quando elas iniciaram uma prazerosa dança antiga e conhecida pela humanidade desde os primórdios. O capataz da família Navarro deslizou as mãos pelas laterais do tronco do garçom e, ao chegar no quadril, o segurou firmemente pela bunda para puxá-lo mais ainda para si — se é que tal ação era possível. Satisfeito, viu como a atitude foi bem recebida por Aquiles, que, sendo pego desprevenido, separou os lábios momentaneamente e soltou um gemido, cravando as unhas nos ombros do homem. A expressão de luxúria — cenho franzido, boca entreaberta e olhos semicerrados — junto com o aperto nos ombros — descobriu da outra vez que era um sinal claro de que era uma demonstração genuína de prazer por parte dele — foi o suficiente para abrir um pequeno sorriso malicioso.
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  — Formosura, formosura... — Deslizou o dedão pelo lábio inferior rosado. — Eu estou deixando ocê doido, é?
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  Encostou a testa na dele, fechando os olhos e com a respiração pesada. Confirmou apenas com um aceno de cabeça antes de voltar a se deliciar com aqueles lábios lentamente e sem pressa nenhuma, simplesmente explorando e degustando da sensação única do misto entre prazer e emoção.
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  Paixão e amor costumam caminhar bem separadamente, porém, ao trilharem o mesmo caminho lado a lado, aguçavam os sentidos ao ponto de não saber distinguir direito onde começava o corpo de um e terminava o do outro. E era justamente esse tipo de união compartilhada entre o casal — e ambos sabiam da sorte que tinham disso.
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  Aquiles precisou se conter para não abrir a camisa de Augusto com um puxão violento ao ponto de os botões voarem. Exercendo a paciência que faltava naquele momento, desabotoou a peça sem dificuldades durante o beijo. Ao chegar no último botão, subiu as mãos pelo peitoral forte até chegar ao colarinho, onde, num movimento fluido, retirou a roupa, a deslizando pelos braços. Ela ficou caída no chão atrás do peão e de lá só sairia no dia seguinte pela manhã.
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  Aproveitou para concentrar a atenção na pele devidamente exposta, então começou a espalhar beijos e roçar a língua no pescoço grosso. Augusto apertava o corpo contra o seu e suas mãos pareciam estar em todos os lugares ao percorrerem o garçom enquanto jogava a cabeça para trás a apoiando na cama, dando ao outro total acesso a área. Soltava roucos gemidos de olhos fechados enquanto o amante permaneceu ali por tempo indeterminado — tempo esse que foi deliciosamente aproveitado pelo peão enquanto apertava a bunda arrebitada que tanto gostava.
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  O excesso de roupas de Aquiles começava a incomodar Augusto, quem almejava sentir a textura da pele macia contra a sua. Então, num movimento brusco, grunhiu ao segurar o cós da blusa.
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  — Tira isso.
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  Aquiles acatou ao pedido retirando a própria blusa de uma vez.
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  — Bem melhor.
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  Augusto o surpreendeu passando a língua pelo lóbulo da orelha. A resposta foi imediata. Ergueu os ombros e o segurou pela nuca, o incentivando nas investidas. Os agudos gemidos eram como uma melodia única para Augusto, que não podia estar mais excitado. Mordiscava, chupava e lambia a região da forma como sabia que Aquiles gostava graças à noite que passaram juntos em seu quarto. E adorava ver as reações dele. Se contorcia, o apertava, gemia, arfava e o arranhava onde quer que as unhas tivessem acesso.
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  Notando que não se conteria por muito mais tempo, pediu, encolhendo as pernas e firmando os pés no chão:
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  — Formosura, se segura em mim.
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  Assim que o fez — se segurando pelo pescoço — o capataz dos Navarro o agarrou pelas coxas antes de se levantar do chão de uma vez. O colocou deitado na cama antes de, ainda em pé, retirar a calça junto com a larga boxer. Revelou sem pudor o grande e grosso pau cuja glande igualmente escura implorava por atenção. Deitou-se sobre Aquiles, que o recebeu de joelhos separados para ele se acomodar.
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  Quando foi beijá-lo no pescoço, se afastou imediatamente, reclamando após sentir o frio material dos colares:
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  — Por que coloca essas coisas? Atrapalha. — Gesticulou para o adorno.
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  — Ah, eu gosto. — Aquiles dedilhou com a ponta dos dedos os colares. — Vai dizer que não fica bonitinho em mim?
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  — Tudo fica bom em você, mas nessas horas não é legal não.
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  — Olha aqui, meu querido! — Em tom cômico meneou o dedo indicador para Augusto que o observava segurando o riso. — Eu sou uma gay independente! Passo meu batom, meu delineador, meu rímel e coloco meus apetrechos quando bem entender pra me embelezar! — Bateu no peito para enfatizar as palavras. — Não nasci pra agradar macho e não me emperiquitar toda. Vim pra esse mundo pra brilhar! Quanto mais brilho, joias e diamantes, melhor! E não aceito menos!
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  Durante o discurso, Augusto já estava ajoelhado perante ele de braços cruzados. O observava numa expressão leve de júbilo se segurando para não rir da cena.
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  — Está bem, ô senhora...
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  — Senhorita, porque sou uma gay comprometida, sim, mas ainda não sou casada. — Cruzou uma perna sobre a outra.
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  — Senhorita gay independente. O que você prefere? Continuar com o diabo desse troço aí no pescoço ou que eu te faça gozar nas próximas horas?
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  — Se bem que eu não preciso de tanta coisa pra ficar bonita, né? — O jovem retirou os colares vendo o capataz rir. — Eu já nasci linda! A diferença é que de linda vou para deslumbrante. — Depositou os colares na mesinha ao lado da cama e lhe lançou um beijinho.
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  — Formosura... — deitou-se sobre o garçom novamente, que foi receptivo e separou as pernas para recebê-lo. — Você é bem convencido, hein? — Entrelaçou os dedos com os dele em cima do colchão.
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  — Até parece que não gosta. — Aquiles lhe deu um selinho estalado.
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  — Muito. — Enterrou a cabeça na clavícula, onde chupou e sentiu o aperto de Aquiles. — Você está com roupa por demais. Deve estar desconfortável. — Deslizou a mão até encontrar o que tanto desejava. — Aqui.
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  — Pior que sim. — O mais jovem se remexeu quando a região foi acariciada por cima do jeans apertado.
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  — É justo eu te deixar nesse estado sem ter nenhum tipo de alívio? — murmurou contra a pele alva.
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  — Nem um pouco.
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  — Não sabe como seu macho gostou de ouvir isso.
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  Antes de Augusto sequer se movimentar para tirar o jeans, o rapaz o prendeu no mesmo lugar circulando as pernas na cintura dele.
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  — Augusto, antes da gente continuar, e você não tem noção do quanto quero aproveitar cada segundo dessa noite contigo, preciso perguntar.
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  O tom num misto de ansiedade e receio o preocupou:
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  — Cê tá bem? O que houve? — O peão o tocou sutilmente na bochecha.
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  — Está, sim, mas... — Fez uma pausa escolhendo as palavras. — O que exatamente pretende que aconteça entre a gente hoje?
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  — Ah... Gozar, dar prazer, ficar de chamego contigo.
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  A última frase arrancou um sorriso do rapaz.
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  — Que fofinho. — Acariciou a barba. — Vou reformular a pergunta. Quer ficar só nas preliminares ou transar comigo?
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  A compreensão lhe varreu o rosto, cujos olhos foram tomados por uma serenidade que tranquilizou o coração ansioso do outro. Deu um selinho estalado nele antes de sussurrar.
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  — Eu quero estar dentro de você. — Resvalou a mão pela parte detrás da coxa alva até tocar a base da bunda. — Aqui.
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  O responsável pelo bar mordeu o lábio inferior rindo em sinal de aprovação.
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  — Já volto, então. Deixa eu pegar umas coisinhas.
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  Quando o soltou do abraço com as pernas e fez a menção de se levantar, o peão indagou em protesto:
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  — Aonde você vai? — A voz era meio tristonha, como se não quisesse se separar centímetros do amante.
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  — Vai ver.
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  Ao sair da cama, notou Augusto deitado com o olhar perdido, quase inseguro, sem perdê-lo de vista. Para acalmá-lo, espalhou beijos pela testa demoradamente, afastando as marcas de expressão que se formaram naqueles últimos segundos. Foi até o armário, de onde tirou da primeira gaveta uma nécessaire fúcsia com bolinhas pretas.
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  — Isso daqui vai tornar tudo bem prazeroso pra nós dois. — sentou-se na cama e a abriu, revelando o conteúdo. Um tubo de lubrificante, um plug anal cuja cor da base era vermelha, e camisinhas.
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  — Que coisas são essas? — O peão se interessou o vendo colocar na mesinha de cabeceira ao lado da cama cada um dos itens.
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  — Servem basicamente pra gente brincar um pouquinho. — O rapaz deixou a nécessaire no chão. — E eu vou te ensinar. — Sentou-se no colo dele.
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  — Como?
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  — Está vendo isso aqui? — Apanhou o plug e o balançou com os dedos. — Serve pra você pôr em mim com o lubrificante.
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  Estendeu a mão com a palma para cima, onde o objeto foi depositado.
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  — Acho que posso fazer isso.
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  Ergueu o corpo para alcançar a boca de Aquiles, que o recebeu com sofreguidão. Ainda de olhos fechados e o beijando, deixou o plug na cama ao seu alcance. Abriu o short, trocou de posição com o rapaz e retirou o jeans sem pressa. Durante o beijo, impulsionou o ombro direito com a mão por debaixo da região em um pedido velado para ele virar-se de bruços. Compreendendo, Aquiles acatou ao pedido, revelando aquela bunda empinada que o outro adorava.
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  O capataz inclinou-se em direção a nuca, que não imaginava a investida. Pego de surpresa quando sentiu a ponta da língua do homem, Aquiles agarrou-se ao travesseiro, arfando contra a fronha. Ao descobrir mais uma zona erógena no corpo, o peão demorou-se na região por alguns minutos enquanto o rapaz se remexia e soltava agudos gemidos.
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  Pegou o tubo de lubrificante e, para não o assustar e o preparando para o que viria a seguir, deslizou a tampa pelas costas até chegar a lombar. Abriu-o e deixou escorrer uma quantidade considerável do produto no centro de Aquiles. Em seguida, apanhou o plug, despejou mais um pouco de lubrificante em volta e, ao senti-lo roçar em sua entrada, o garçom avisou:
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  — Vai devagar, Augusto, pra não me machucar.
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  — Eu sei, formosura. — Acariciou os cabelos lisos antes de baixar o corpo até alcançar a orelha. — Está seguro comigo. Sempre. Nunca vou te machucar.
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  Percebeu a leve tensão nos músculos dele se dissipar perante as palavras e então deu prosseguimento à tarefa. Roçou de leve o plug na entrada do menor e, aos poucos, sem nenhum pingo de pressa e com cuidado e paciência admiráveis, começou a empurrar delicadamente o objeto até o espaço ser preenchido, deixando somente a parte vermelha arredondada de fora. Durante o processo, ao notar sinais de desconforto no garçom, apressou-se a relaxá-lo pausando os movimentos para distribuir carícias e beijos.
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  — Pronto. Já passou. — Afagou as mechas e deitou-se novamente ao lado rapaz, ficando cara a cara com ele.
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  Passaram alguns minutos assim, apenas se observando sem pronunciarem nenhuma palavra. Ora uniam as mãos, ora se afagavam, ora davam selinhos, tomados numa atmosfera de comunhão — companheirismo, amor e paixão. Ambos sabiam que até aquele momento de troca entre eles chegar, foi preciso ultrapassar várias barreiras para, enfim, desfrutarem plenamente do amor que os unia e os atraía. Queriam aproveitar cada segundo dos que seriam os primeiros onde assumiriam um relacionamento perante a sociedade de Pedaço do Céu sem medos e nem amarras. Afinal, o amor foi feito para ser vivido e celebrado. Por que seria diferente no caso deles?
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  Quando menos esperou, Aquiles, que fazia carinho no rosto do capataz, se aproximou pausadamente, se deliciando com o momento de intimidade até, finalmente, beijar suavemente os lábios de Augusto. Inicialmente era um leve roçar de lábios. Algo simples, nada mais além de um instante de alegria e amor. De pouco em pouco, passados os minutos, tornou-se mais e mais intenso. Exploravam os corpos um do outro com as mãos e se abraçavam num desejo incontido de dar vazão a todas as vezes que se reprimiam no passado. Ali, sozinhos, podiam se amar por completo — e Augusto demonstrava essa constatação sem receios.
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  O peão abandonou os lábios rosados e carnudos para se concentrar no pescoço. Aquiles deitou as costas no colchão, dando livre acesso ao homem, que estava com o tronco sobre o seu. Agarrava e cravava as unhas nas costas desnudas tentando conter os gemidos sem sucesso. Tampou a boca com a mão para conter os sons e, assim que Augusto se deu conta, a afastou num delicado gesto para ouvir o barulho produzido pelo amado.
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  O garçom se remexia sem conseguir se conter. Já estava completamente arrepiado graças ao prazer intensificado por estar perdidamente apaixonado pelo jagunço. Entretanto, ansiava por mais. Aquilo não era o suficiente para saciar o seu desejo — e presumia que o peão estava na mesma situação por sentir o grosso pau dele latejar no seu abdômen.
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  Por fim, não soube quanto tempo se passou, mas indagou em voz entrecortada:
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  — Augusto, posso te pedir uma coisa? — Se esforçou para articular as palavras.
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  — O que quiser.
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  — Deita de lado ainda virado pra mim, mas com a cabeça na outra ponta da cama.
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  Ficou completamente confuso com o pedido, sem entender a razão daquilo por saber que Aquiles gostava do que estava fazendo. Entretanto, fez o que lhe foi pedido.
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  — Formosura, eu num tô entendendo muito isso, não. Por que qui... — Não conseguiu emitir mais nenhuma sílaba sequer.
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  O garçom o segurou pelo quadril e pôs rapidamente o pau na boca, lhe dando a atenção que tanto almejava. Augusto o copiou fazendo o mesmo. Enquanto o rapaz explorava as bolas escuras com a língua, o outro se concentrava na brilhosa glande rosada. As carícias começaram lentas e delicadas. À medida que o prazer aumentava, se tornaram mais intensas, onde um chupava o outro, ávidos por receberem e darem prazer. Em momentos pontuais, precisavam se afastar por uns segundos para retomarem o controle dos próprios corpos, porém, mesmo assim, mantinham o ritmo anterior usando as mãos. Havia passado um dos braços por entre as pernas do rapaz para apalpar a bunda. Aquiles, por sua vez, o segurava pelo quadril, onde sem dúvida deixaria marcas de unhas pela região. Conhecendo bem de zonas erógenas, o rapaz passava a língua no vão que gostava de chamar de “nem”, onde tirou reações bem positivas do jagunço.
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  Perceberam que estavam perto de gozar quando a respiração se tornou entrecortada e os gemidos sem controle. E prosseguiram até sentir o sabor salgado na boca.
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  — Meu Deus. — Augusto precisou se esforçar para não desabar sobre o garçom quando se acomodou novamente sobre ele e deitou a cabeça no peitoral. — Assim você vai me deixar descadeirado, formosura. Que boca é essa?
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  A frase arrancou uma divertida risada do outro, que lhe acariciava as costas.
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  — Gostou, é?
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  — Por demais! Tentei te acompanhar, mas num sei se deu muito certo não.
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  — Relaxa. — Apertou o abraço. — Foi muito bom, sim — completou murmurando na orelha, apesar de estarem sozinhos. — Você chupa igualmente bem.
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  Apoiou o queixo no centro do peito para encará-lo.
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  — Adoro ver seu rostinho assim. — Afagou os cabelos num agradável e relaxante cafuné. — Leve, satisfeito e saciado depois de gozar. Foi gostoso?
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  — E você ainda pergunta? — Aquiles deu um selinho. — É capaz de você ficar com essas marcas por dias. — Passou as costas dos dedos na lateral do quadril de Augusto para não ter dúvidas a que se referia. — A propósito, desculpa. Eu não percebo. É automático e não queria te machucar. Deve ter doído na hora.
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  — Que nada. Foi bom. — O olhar era carregado de emoção e, embora Augusto fosse um homem alto, forte e de mais de trinta anos, havia uma aura de alegria e descoberta por se entregar a algo que lutou tantos anos contra. — O importante é que dei prazer pra ocê e é o que quero. Meu macho gozando gostoso.
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  — Sou seu macho, é? — o provocou numa expressão de volúpia e estalou a língua.
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  — É. Só meu.
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  — Hum... Homem possessivo... Eu gosto. — Sorriu com a constatação. — Então, se eu sou seu macho e você é meu macho também... Aproveita pra me beijar. Adoro sentir a sua boca contra a minha, sabia? É uma delícia.
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  Não foi necessário pedir duas vezes. Augusto trilhou um caminho de beijos pela bochecha até alcançar os lábios. Enquanto se ocupava com os lábios inchados do amado, segurou-lhe o pau duro e começou a masturbá-lo. Não queria que gozasse ainda, então os movimentos eram arrastados numa tortura delirante de tão prazerosa.
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  Quando não suportou mais a volúpia, o garçom cessou os beijos e pediu numa respiração pesada o fitando, os rostos tão próximos que era capaz de sentir o hálito quente do capataz da família Navarro:
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  — Amor, eu preciso de você dentro de mim agora. Por favor.
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  — Graças a Deus. Achei que nunca fosse pedir.
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  Havia tanto alívio na fala que o jovem gargalhou.
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  Augusto ficou de joelhos na cama para apanhar o lubrificante e a camisinha. A colocou no pau intumescido sem hesitar e espalhou lubrificante pelo membro. Segurou o mais jovem pelos quadris e os levantou para retirar com cuidado o plug e, enfim, entrar no espaço apertado aos poucos após espalhar mais do líquido na região, apenas por precaução. Embora Aquiles estivesse devidamente relaxado e bem molhado para recebê-lo com a ajuda do plug anal, foi zeloso no processo. Imaginava que poderia facilmente ser bem desconfortável a introdução caso não fosse realizada com paciência e gentileza, então demorou o tempo necessário para se acomodar ali.
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  Em momento algum desviou o olhar. Ao menor sinal de dor, parava por alguns instantes e espalhava carícias para ajudar a dissipação da aflição e apenas retornava ao senti-lo novamente bem. Quando estava totalmente dentro dele, sentindo aquela ótima pressão ao redor do membro, obrigou-se a permanecer parado por uns instantes para o garçom se acostumar com o preenchimento — afinal, o capataz estava consideravelmente longe de ser pequeno e fino. Tinha noção da proporção de seu tamanho e grossura. Queria que a experiência fosse igualmente prazerosa para ambos.
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  Compreendendo a situação pelo olhar receoso de Augusto, Aquiles esticou o braço até alcançar a farta barba.
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  — Por favor, Augusto — suplicou com o cenho franzido.
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  E então Augusto deu a primeira investida vagarosa e com pouca precisão. Assim foram as primeiras penetrações. Devagar, tranquilas e um tanto quanto inseguras, sem enfiar o pau completamente. Aquiles se agarrava ao travesseiro com força quando a próstata era alcançada lançando ondas de prazer nele.
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  — Amor... Por favor — gemeu, completamente manhoso, doido para vê-lo se soltar na cama. — Mais.
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  Gradativamente o peão aumentou a velocidade e a precisão observando como Aquiles reagia. Ao notar que era seguro ir com mais rapidez e um pouco mais de força, assim o fez, provocando longas arfadas no outro. Em certo ponto não conseguiu manter as pernas cruzadas na cintura de Augusto, então, sem avisá-lo, as abaixou encolhidas até a barriga.
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  — Augusto, levanta — requisitou. — Fica na ponta da cama.
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  Aquiles se apoiou de quatro, deixando o peito encostado no colchão e a bunda a mercê do amado, que lhe deu um tapa de leve antes de retornar as estocadas o segurando pelos quadris.
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  — Ai, amor. — Resfolegou agarrando-se ao travesseiro. — Que delícia. Seu pau é muito gostoso. — O elogio o fez meter mais fundo, o que arrancou um gritinho.
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  Assim ficaram durante alguns minutos, entretanto, para o capataz não era o suficiente. Queria ver o rosto de sua formosura enquanto o penetrava, a expressão de prazer e sentir a pressão do toque dele em si. Portanto, apesar da grande tensão sexual ali, obrigou-se a diminuir o ritmo até o membro parar dentro do homem. O agarrou pelos braços e o puxou para trás de uma vez para se ajoelhar na cama. A ação arrancou um meio sorriso do rapaz por gostar de ser dominado entre quatro paredes. Beijando a nuca, o peão deu um apertão na cintura e o intencionou pra frente. Compreendendo a vontade dele, se descolou pelo espaço até encontrar a cabeceira da cama.
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  Por sua vez, ao alcançar o que desejava, Augusto se posicionou atrás do homem com os joelhos apoiados no colchão e voltou a colocar o pau em sua entrada em estocadas firmes e profundas.
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  — Abre os olhos, formosura — murmurou contra a orelha.
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  Ao acatar o pedido, Aquiles assimilou o motivo da mudança de posição. O espelho na parede atrás da cama refletia a imagem deles. Podia enxergar o reflexo de seu corpo pressionado pelas largas grades. O pau havia sido envolvido pela mão grossa do outro, que a movimentava numa maravilhosa fricção.
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  — Eu gosto disso. Te comer olhando pra essa sua carinha safada.
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  Poder observar Aquiles enquanto o penetrava parecia excitar ainda mais o peão — se é que isso era possível. O cenho franzido, as sobrancelhas levemente arqueadas e a boca aberta formando um O demonstravam o quanto estava sendo aprazível a sensação de tê-lo em seu interior — e Augusto amava aquela expressão no rosto de sua formosura. Estava quase impossível para o rapaz conter os gemidos e tinha medo de serem ouvidos. Por esse motivo tampou a boca, mas não ficou assim por nem dois segundos completos. Augusto a afastou com a dele.
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  — Nada de tampar a boca, não. — Havia um toque de dominação na voz rouca. — Gosto de te ouvir, e assim vai ser. — para enfatizar, empurrou o mais fundo que pôde o membro dentro e desenhou um círculo com o quadril. O movimento acentuou o prazer de Aquiles, o que o fez agarrá-lo pela lateral do pescoço.
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  — Meu Deus, Augusto.
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  Virou o rosto e o beijou se segurando nas grades com uma das mãos. Ao separar os lábios, Augusto o afagou pelos cabelos, notando o quanto ambos estavam prestes a atingirem o orgasmo.
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  — Formosura. Lindo. Só meu.
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  Usando a ponta dos dedos, virou o rosto de Aquiles de volta para o espelho com o intuito de ambos se observarem.
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  — É disso que eu gosto, amor. — Pelo garçom se mexer, sinal claro de que o clímax estava próximo, o peão o abraçou pelo tronco para poder continuar as estocadas mais rápido e com um pouco mais de força. — Não sabe quantas vezes acordei duro por sonhar contigo assim, te comendo desse jeito.
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  — Verdade?
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  — Sim. E tudo isso porque te amo et desejo desde o dia que te vi aqui pela primeira vez, meu Aquiles.
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  Aquilo lá era hora para se declarar e chamá-lo de “meu Aquiles”? O orgasmo veio tão intenso que o corpo tremeu violentamente e agarrou-se ao braço de Augusto cravando as unhas na pele alheia. Por sorte usava sempre camisa de manga, então evitaria olhares curiosos. Assim que os jatos do gozo do rapaz foram liberados, foi o que precisava para o jagunço se derramar dentro dele num orgasmo igualmente forte.
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Eu adorei essa cena com a criança interior do Augusto. Agora ela pode começar a se sentir segura e amada <3

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