×

ATENÇÃO!

História NÃO RECOMENDADA PARA MENORES ou PESSOAS SENSÍVEIS.

Esta história pode conter descrições (explícitas) de sexo, violência; palavras de baixo calão, linguagem imprópria. PODE CONTER GATILHOS

O Espaço Criativo não se responsabiliza pelo conteúdo das histórias hospedadas na sessão restrita ou apontadas pelo(a) autor(a) como não próprias para pessoas sensíveis.

Apenas uma Noite – Surpresa

Escrita porZsadist Xcor
Revisada por Lelen

Capítulo 1

  A noite era serena e tranquila. O quarto estava iluminado somente pela luz do luar da Lua Cheia e a brisa agradável balançava as folhas das árvores, criando uma melodia adorável da natureza junto aos sons dos insetos. Augusto havia ganhado dinheiro extra pela primeira vez após o pôr do Sol. Tudo contribuía para descansar satisfeito na cama depois de um dia comum de trabalho e entregar-se ao sono merecido. Porém, não era o caso.
0
Comente!x

  Dentro do banheiro, esfregava as mãos na água corrente da torneira há cerca de vinte minutos. O sabonete já estava quase no fim e, embora não houvesse vestígio de sangue contra a pele, a culpa o obrigava a esfregar as mãos em silencioso processo de autoflagelo, já avermelhadas e doloridas pelo atrito insistente.
0
Comente!x

  Aos vinte anos, Augusto era um homem castigado pelas dificuldades da vida. Não havia o ar de esperança, jovialidade e leveza tão presentes nessa idade. Pelo contrário. Mantinha as feições duras, o olhar carregado e o andar decidido e pesado, como se, por não ter certezas quanto ao futuro, precisasse sentir o chão duro sob os pés. Sua rotina era simples. Acordar, trabalhar, almoçar, trabalhar, voltar pra casa e dormir. Não era sociável e aprendeu a se impor com os peões para ser respeitado. Na hierarquia entre eles não havia espaço para cordialidades mais aprazíveis. Quem falasse mais alto e com maior brutalidade era quem mandava — e assim ele aprendeu a ser.
0
Comente!x

  Naquela tarde havia sido designado a um novo trabalho com outros homens. O interesse financeiro e a necessidade falaram mais alto quando lhe contaram sobre a quantia extra. Por não ter um salário justo, vir da miséria e não ter acesso a oportunidade melhor de emprego pelo analfabetismo, deixou o bom senso de lado quando a voz da sua mãe lhe veio em mente como num aviso. “Quando a esmola é muita, o Santo desconfia”. Mais tarde se arrependeria de ignorar as sábias palavras da mulher.
0
Comente!x

  Quando cores laranjas e roxas pintaram o céu num belo crepúsculo, o seu arrependimento começou. Junto a Osmar Navarro e outros cinco funcionários, dentre eles Sidney, estavam no meio da mata perto ao rio. A pobre vítima era um homem conhecido pela região por ser justo, trabalhador, esforçado e gentil. Em resumo, o modelo ideal de advogado. Trabalhava para alguém que processava o patrão e já tinha toda a documentação pronta cuja causa seria ganha caso chegasse às mãos do juiz. Documentação essa que se transformaram em cinzas quando invadiram a casa dele na madrugada anterior, quando o sequestraram. Estudava o caso assim como se acostumou a fazer para se assegurar cada vez mais das informações quando foi pego de surpresa e retirado de sua casa.
0
Comente!x

  Osmar deu a arma com um silenciador nas mãos de Augusto. Queria que fosse ele a executar o serviço no meio da madrugada. O rosto impassível do patrão não precisava ser seguido de palavras para Augusto compreender a mensagem silenciosa: se quisesse manter o emprego, precisaria ser homem o suficiente para puxar o gatilho.
0
Comente!x

  Cada passo que dava em direção à vítima o aproximava mais do que se transformaria o seu destino. Desde que o sequestraram no meio da estrada evitou fitá-lo. Fingia encará-lo para os demais não deduzirem que se sentia desconfortável perante o crime. Portanto, o observava por sobre os ombros e nas laterais da cabeça. Nunca no rosto. Sempre além.
0
Comente!x

  O pobre coitado se transformara num moribundo após a surra. Estava sem o paletó. A camisa de botões, antes limpa e seca, agora estava manchada pela terra e molhada devido ao suor oriundo do nervosismo e do sangue. O nariz sangrava e o corte na têmpora já estava de coloração azulada. Ajoelhado no chão em meio às folhagens com os pulsos amarrados nas costas e uma fita tapando a boca, cercado de capangas do seu inimigo, não tinha a menor chance de sobreviver.
0
Comente!x

  Ao erguer a arma, pela primeira vez Augusto se deparou com algo que não apenas o assombraria pelos meses seguintes, mas também lhe geraria incômodo, como se fosse confrontado. Ao encará-lo, não se deparou com olhos rogando por misericórdia e nem uma boca que tentasse emitir sons de ajuda ou de clamor. Pelo contrário.
0
Comente!x

  Se deparou com coragem — coragem essa que desconhecia, de um tipo diferente. O rosto era sério. Não havia lágrimas, tristeza, medo ou arrependimento nos traços. O coitado sabia que a morte era certa. Já que iriam lhe tirar a vida, então seria assassinado de cabeça erguida, certo de suas convicções e sem arrependimentos. Orgulhoso pelo bom filho que foi e agradecido pelas experiências agradáveis que teve a oportunidade de vivenciar. E era esse o olhar que quase impediu Augusto de puxar o gatilho.
0
Comente!x

  O silêncio se prolongou entre eles. Matar alguém jamais fora o seu desejo ou vontade. Era bruto e ignorante, mas não maldoso e nem criminoso. Nunca o foi. Porém, ali, no contexto em que corria o risco de perder o emprego e não ter como se alimentar direito no dia seguinte, sendo observado pelos colegas de trabalho e pelo patrão, foi necessário despertar esse lado obscuro contra a sua vontade.
0
Comente!x

  Pressionou o cano da arma contra a têmpora do homem. Se irritou ao notar que o advogado não desviava o olhar, como se o desafiasse a puxar o gatilho — e soubesse intimamente que o funcionário era incapaz de fazê-lo. Os presentes naquele momento jamais saberiam, mas o dedo do peão não respondia aos comandos. Algo o impedia de movimentar o indicador para trás. Seja a ética, a noção de que seria autor de um crime, a bondade ofuscada pela ignorância ou a moral. Com mais raiva ainda o viu esboçar um pequeno sorriso, zombando da covardia do empregado.
0
Comente!x

  O jagunço tinha noção que não podia permitir que o sorriso se completasse. Não por se condoer com o deboche, mas porque tinha a consciência de que lhe faltariam forças para finalizar o trabalho — e ele precisava do dinheiro tanto para a própria sobrevivência quanto para a saúde da mãe que se tornara mais delicada e exigia cuidados meticulosos. Antes de completar o sorriso, obrigou-se a puxar o gatilho de ímpeto — não por escolha, mas sim sobrevivência.
0
Comente!x

  Aquele segundo derradeiro mudaria a vida do capataz para sempre.
0
Comente!x

  Com o corpo do advogado caído imóvel no chão, os capangas ergueram o morto e o jogaram no rio. As águas e os animais marinhos agilizariam o processo de decomposição e não deixariam rastro nenhum.
0
Comente!x

  Augusto só notou que já poderia ir embora quando Sidney lhe tocou o ombro atrás de si. Observava o fluxo das águas torcendo para não se deparar com os familiares do rapaz e se perguntando se ele havia deixado filhos.
0
Comente!x

  — Está tudo bem? — indagou Sidney fechando os dedos nos ombros do amigo.
0
Comente!x

  — Tô. — A voz saiu rouca e baixa.
0
Comente!x

  Retornou para casa num estado de total apatia. Sentia como se o corpo estivesse anestesiado. Não havia emoção para ser externada.
0
Comente!x

  Ao adentrar onde morava, as pernas não suportaram seu peso ao trancar a porta. Precisou usar os móveis como apoio para alcançar a cama. Sentado, com as mãos trêmulas e em total estado de choque, retirou as roupas para se encaminhar ao banheiro, onde vomitou de nervosismo.
0
Comente!x

  “Tem que ser homem”. “Tem que agir como homem”.
0
Comente!x

  A voz do pai ainda ecoava em sua mente. Assim, esforçou-se para dar a descarga e se encaminhou para o chuveiro, onde se demorou por um bom tempo na tentativa falha de lavar a pele da sujeira do crime.
0
Comente!x

  Saindo do banho, ouviu baterem na porta. Ao abri-la, já com roupas de dormir, viu a figura de Sidney com as mesmas vestes do assassinato.
0
Comente!x

  — Opa. Vim dar uma proseada com ocê. Pensei que fosse precisar. — Ergueu a garrafa de cachaça.
0
Comente!x

  — Entra logo.
0
Comente!x

  Fechando a porta, jogou algo preto para Augusto, que o pegou no ar.
0
Comente!x

  — O patrão pediu pra te entregar. É o pagamento pelo trabalho de ainda pouco.
0
Comente!x

  — Dá essa bebida aqui. — Agarrou a garrafa e a tomou em longos goles.
0
Comente!x

  — Vai devagar, homem. — Sidney a segurou de volta, derramando um pouco o líquido pelo chão. — Isso aqui é forte e precisa acordar cedo pra trabalhar.
0
Comente!x

  — Queria era poder tomar um porre hoje. — Colocou o maço de dinheiro escondido dentro da sacola preta no armário antes de sentar na cama.
0
Comente!x

  — E como ocê tá? — Sentou na cadeira de balanço e tomou um gole da bebida.
0
Comente!x

  — Num tá vendo, não? Sô macho. Tô bem — retorquiu irritado.
0
Comente!x

  — Eu sei bem como é matar pela primeira vez. Homem nenhum passa por essa porcaria puro, não. Por que acha que trouxe isso? — Balançou a garrafa.
0
Comente!x

  — Né a primeira vez que ocê tá lá, não?
0
Comente!x

  — Não. Já tem um tempo que o patrão me chama pra fazer o serviço sujo dele.
0
Comente!x

  — E pro que, Sidney? Eu sô trabaiador das plantação. Num tem pruque me chama pra essas coisa. — A voz saiu esganiçada porque se esforçava para falar.
0
Comente!x

  — É por isso. A gente é pobre e sozinho nesse mundo. Ele só escolhe empregado assim pra esses trabalhos. Tenho uma notícia boa e ruim pra ocê. Qual quer receber primeiro?
0
Comente!x

  — A ruim.
0
Comente!x

  — Depois dessa noite ocê vai ser chamado nas próximas vezes pra matar.
0
Comente!x

  A resposta o empalideceu.
0
Comente!x

  — E a boa?
0
Comente!x

  — O patrão não costuma mandar a gente enviar uns defuntos pro inferno antes da hora com tanta frequência, não. Ele paga um dinheiro bom e com o tempo ocê se acostuma.
0
Comente!x

  — Sidney... — hesitou em indagar, escolhendo as palavras. — Si eu num for quando o patrão me chamar pra essas coisa... O que acontece?
0
Comente!x

  — Vai dormir com os peixes junto com os defunto. — Levantou-se. — Bom, já dei meu recado. Vô indo que temos que acordar com as galinha amanhã.
0
Comente!x

  — Deixa a garrafa comigo antes de sair.
0
Comente!x

  Pela primeira vez não conseguiu dormir e se amaldiçoou pela quantia extra recebida. Passou as horas seguintes acordado e a única companhia era a garrafa de cachaça que esvaziou em questão de minutos.
0
Comente!x

  O Night Club estava uma loucura naquela manhã. Um dos motivos era o horário que todos acordaram. Sete horas da manhã. Quem em sã consciência obrigaria os funcionários de um bar cujo funcionamento era noturno a acordar tão cedo sem quase dormirem? Aquiles. Por outro lado, não estava nessa empreitada sozinho. Já haviam combinado de levantarem das respectivas camas no horário estipulado — mesmo que para isso os dois sócios tivessem que entrar nos quartos segurando uma panela na mão e uma colher na outra, fazendo um barulho impossível pra manter qualquer ser humano dormindo.
0
Comente!x

  Cada um tinha uma tarefa. Lívia, Titi e Paloma afastavam as mesas e as cadeiras, as guardando nos fundos do estabelecimento para começar o processo de limpeza. Bibi e Morgana já haviam saído com Fernando de carro para pegarem os alimentos encomendados — Zeca se recusou a cozinhar naquele dia e, pela cozinha demandar muito serviço do cozinheiro durante a noite, o garçom não se opôs. Porém, por estarem fazendo uma boa ação, já havia adiantado a massa necessária e os recheios.
0
Comente!x

  Rosa e Tiara organizavam a ornamentação da mesa enquanto Aquiles e os demais enchiam bola. O celular de Lívia estava conectado a caixa de som perto deles, de onde tocava músicas pop do início dos anos 2000.
0
Comente!x

  — Titi, vem aqui ajudar a gente — berrou Aquiles com a boca branca. — Precisamos de mais boca nessa brincadeira.
0
Comente!x

  — Fala isso perto do Augusto hoje, não, pro bichinho não morrer de ciúme — Yuri comentou bem-humorado sentado no chão de pernas cruzadas ao lado do amigo.
0
Comente!x

  Estavam no palco onde fregueses costumavam usar o karaokê para não atrapalhar o processo de limpeza. As bolas estavam espalhadas ao redor. Pra onde quer que olhassem, havia uma bola branca ou azul marinho.
0
Comente!x

  — Como se o Augusto fosse o único ciumento nessa história — comentou Zeca sentando-se ao lado de Yuri e colocando uma garrada de água gelada em frente a eles com quatro copos de vidro. — Até hoje lembro do chilique de ciúme de dona Aquiles quando Bibi deu em cima do boy.
0
Comente!x

  — Em minha defesa, todo mundo aqui já sabia que estava rolando um flerte ali entre mim e o Augusto. Ela que foi fura-olho e chegou se esfregando em homem que já tinha dono.
0
Comente!x

  Nesse momento o cabelereiro levantou de supetão e começou a cantar:
0
Comente!x

  — Mesmo sabendo que no fundo tenha dono quero ser seu protetor. Vivo um triângulo.
0
Comente!x

  — Irmão, tu tem que lutar por amor. — Zeca se juntou a cantoria ainda sentado.
0
Comente!x

  — Não me aconselha a isso, por favor!
0
Comente!x

  — O marido dela não manda em seu coração.
0
Comente!x

  — Você não sabe um terço dessa confusão! — os três finalizaram caindo na gargalhada pelo coral.
0
Comente!x

  O primo apareceu descalço como os demais e se juntou a eles.
0
Comente!x

  — Pronto, pra que querem minha ajuda?
0
Comente!x

  Yuri jogou pro lutador um pacote de bolas azul marinho que caiu no colo dele.
0
Comente!x

  — Só encher. — Despejou um pouco de água no copo pra beber. — Olha, vou fazer uma pausa aqui. Não tenho mais pulmão, boca, respiração, coração, oxigênio e nem idade pra isso, não. Vão se virando aí que estou até sentindo o gosto desses troços.
0
Comente!x

  — Primo do meu coração, me responde uma coisa. — Tiago, apelidado de Titi, amarrava uma das bolas. — Por que você comprou tanta bola, criatura?
0
Comente!x

  — O objetivo é fazer um arco com elas. Por isso trouxe também cola quente, fio de nylon, durex e mais umas coisinhas aqui. — Ergueu a bolsa amarela de plástico sobre a perna. — Eu só não sabia a quantidade certa. Aí resolvi me informar com as vozes da minha cabeça pra saber a dimensão e comprar. Será que errei a mão? — Coçou a cabeça em sinal de confusão olhando ao redor.
0
Comente!x

  — Ainda desconfia? — ironizou Zeca.
0
Comente!x

  — Se preocupa, não, amigo. — Yuri o tranquilizou num abraço amigável. — As que sobrarem a gente amarra umas nas outras e cola nas paredes com fita que está tudo certo.
0
Comente!x

  — Será que ele não vai reclamar, não? — Tiago tomou um susto quando a bola estourou nos lábios. — O Augusto tem isso de ser macho. Nunca ouvi tanto essa frase na minha vida! Será que não corre o risco dele se incomodar, não? Talvez na perspectiva do cara, bolas não sejam devidamente masculinas.
0
Comente!x

  — Eu enfatizo que escolhi as cores azuis por causa disso e ele vai ter que aceitar! A gente não fez uma vaquinha danada e economizou por quase dois meses pra ele reclamar, não! Eu não estou quase perdendo o ar dos meus pulmões de tanto soprar essas porcarias à toa! O Augusto vai elogiar o nosso esforço e falar que está tudo bonito, sim, com todas as palavras a cada cinco minutos pra fazer valer a nossa união ou não me chamo Aquiles, meu filho! — replicou decidido.
0
Comente!x

  Zeca avistou Fernando entrar com as meninas. Carregavam caixas nas mãos e sacolas pesadas nos braços.
0
Comente!x

  — Já era hora. — O rapaz acompanhou eles até a cozinha junto com o sócio enquanto Rosa e Tiara começavam a amarrar as bolas no nylon. — Por que demoraram tanto?
0
Comente!x

  — Reclama com a gente, não. Reclama com o Fernando — discutiu Bibi colocando as pesadas caixas na bancada.
0
Comente!x

  — Qual foi o problema, meu Deus do céu? — Aquiles colocou a mão na cintura como de costume quando incomodado ou analisando algo.
0
Comente!x

  — O carro dele parou no meio do caminho pra cá umas cinco vezes — Morgana explicou com o forte sotaque baiano. Abriu uma das caixas, revelando os salgadinhos ainda mornos.
0
Comente!x

  — Eu prometo que vou levar, sim, meu carro pra consertar. Aliás, estava guardando o dinheiro pra isso, mas doei pra vaquinha.
0
Comente!x

  — E agradeço infinitamente, Nando. — Afagou o ombro do colega. — Graças a isso comprei os enfeites pra mesa.
0
Comente!x

  — Eu sei. O carro só está meio velhinho, mas ainda anda. — O músico guardava os refrigerantes na geladeira.
0
Comente!x

  Aquiles observava Bibi desconfiado quando ela se aproximou dos salgadinhos. Antes de conseguir pegar um, ele se colocou na frente dela a impedindo de alcançá-los.
0
Comente!x

  — O importante é que... — segurou as duas mãos lhes entrelaçando os dedos quando escapuliram por debaixo dos braços do menor — chegaram aqui e deu tudo certo.
0
Comente!x

  — Coisa bonita, estou morrendo de fome. — Bibi fez muxoxo. — Nem tomei café da manhã direito.
0
Comente!x

  — Esses salgadinhos aqui, trate de esquecer, senhorita. Eles são pra mais tarde exclusivamente — avisou. — Estou vendo você bem doida pra traçar eles. Pode tirar o cavalinho da chuva, bebê.
0
Comente!x

  — Bibi, se estiver com fome, pega esses daqui da caixa menor — o cozinheiro disse abrindo o recipiente. — Encomendei uma quantidade extra porque imaginei que sentiríamos fome por causa do horário que combinamos pra acordar.
0
Comente!x

  A mulher não se demorou a comê-los.
0
Comente!x

  Após averiguar todas as comidas, o cantor se satisfez.
0
Comente!x

  — Está tudo com uma cara ótima.
0
Comente!x

  — Falei que essa mulher era de confiança. Tem mão pra comida tão boa quanto a minha.
0
Comente!x

  — Aquiles, que horas ficou de sair daqui? — Fernando mexia no celular.
0
Comente!x

  — Onze e meia.
0
Comente!x

  — São onze e quinze.
0
Comente!x

  — Meu Deus! Tenho que voar!
0
Comente!x

  — Escuta, antes que eu esqueça. — Zeca o segurou pela mão antes dele correr. — Preparei três sabores diferentes de recheio. Chocolate, doce de leite e maracujá. Assim que puder, me passa a preferência dele.
0
Comente!x

  Apertou as bochechas rechonchudas do homem baixinho, agradecendo antes de se dirigir o mais rápido possível para os aposentos com Lívia em seu encalço.
0
Comente!x

  — Está tudo tão corrido que nem decidi minha roupa. — Abriu o closet a procura de trajes condizentes.
0
Comente!x

  — Precisa de ajuda? — Ouviu a voz da amiga ao fundo fechando a porta.
0
Comente!x

  — Ai, preciso. Não sei qual roupa usar — choramingou de frente pro guarda-roupa.
0
Comente!x

  — Por que não coloca aquela calça roxa com a blusa transparente cheia de pedrinhas? — Parou ao lado dele. — Transparência em cima e largo embaixo, embora a calça acentue a sua bundinha. Ou seja, sexy sem ser vulgar. Já cansei de ver Augusto olhando pra sua bunda sem disfarçar. É bem capaz dele curtir te ver assim.
0
Comente!x

  — Se essa combinação o tentar ao ponto de me beijar, menina, ficarei imensamente agradecido pela sua dica. — Apanhou as peças e fechou o guarda-roupa.
0
Comente!x

  — Vai, vai lá tomar banho. Deixa que eu passo a calça. Já adianta.
0
Comente!x

  Ao ouvir o chuveiro, a mulher começou a passar o ferro no tecido.
0
Comente!x

  — E quando é que esse relacionamento vai sair, hein? O Augusto tem a consciência de que vocês são um casal, mas sem beijar e nem transar, né?
0
Comente!x

  — Tenho esperança que sim. Nenhum amigo vai buscar outro amigo com nada mais além de uma caminhonete, uma arma carregada e o desejo de vencer só por amizade — respondeu do banheiro, fechando a torneira.
0
Comente!x

  — Yuri me contou os detalhes quando chegou aqui — elucidou se esforçando devido a gargalhada para as palavras serem audíveis. — Imagino o desespero de vocês. Do jeito que o Yuri é escandaloso, deve ter ficado à beira de um colapso nervoso por causa da arma.
0
Comente!x

  — Menina, foi uma loucura. A loucura mais romântica da minha vida. — Saiu do banheiro apenas com uma boxer preta e a blusa. — Eu fiquei tão feliz, Lili. — Parou em frente ao espelho pra ajeitar o cabelo.
0
Comente!x

  — Imagino. Você não tem pudor nenhum, mas fica com uma carinha de apaixonada muito fofa quando está com o Augusto desde quando ia encontrá-lo do lado de fora do bar.
0
Comente!x

  — Isso porque achei que estivesse disfarçando. — Passou um brilho labial de leve, apenas para valorizar a boca.
0
Comente!x

  — Nem se estivesse nos cafundós da China conseguiria disfarçar. — Entregou a calça pra ele, que já começou a vesti-la. — Você é expressivo. É difícil esconder o que sente. Vem cá. Gosta mesmo dele, né?
0
Comente!x

  — Até demais. Quando gosto, minha filha... Eu gosto.
0
Comente!x

  A frase final veio carregada de pesar — e não escapou da percepção de Lívia.
0
Comente!x

  — Já vi que tem coisa aí... Desembucha. Qual o problema?
0
Comente!x

  — Não sei o que o Augusto quer da vida, não. — Pegou o delineador na gaveta e se concentrou em passá-lo nas pálpebras enquanto explicava. — A gente se gosta, se diverte, se dá super bem, combina... Eu sei que ele gosta de mim, mas... A coisa não anda. É frustrante. Pensei até que avançaríamos quando passamos a noite juntos na casa dele.
0
Comente!x

  — E aconteceram algumas brincadeiras que criança não brinca, né? — indagou devagar se sentando na cama.
0
Comente!x

  — Por favor, isso não pode sair daqui! — pediu a encarando pelo espelho. — Não quero as pessoas comentando. Ou pior. O Augusto ouvir comentários a respeito.
0
Comente!x

  — Minha boca é um túmulo. Não vou comentar nada, não. Até porque torço pelo casal.
0
Comente!x

  — Então... Sim, a gente fez umas coisas bem gostosas ali. — Sorriu cheio de segundas intensões passando rímel. — Porém... Da mesma forma como começou ali, encerrou ali também. Imaginei de, com sorte, de repente e com uma pontada de ajuda dos céus, pelo menos me beijasse depois. E cadê? Até agora nada.
0
Comente!x

  — Estranho... Ele contou sobre o passado dele?
0
Comente!x

  — Sim. Nós dois comemos o pão que o Diabo amassou, mas... — Pôs o rímel na mesa. — Ele não me falou nada que não fosse capaz de superar com a terapia. — Sentou-se ao lado de Lívia para colocar a sandália branca de salto.
0
Comente!x

  — E ainda está meio travado, né?
0
Comente!x

  — Meio? Eu estaria agradecendo aos céus se fosse só meio travado.
0
Comente!x

  — Sabe o que estou desconfiando?
0
Comente!x

  — Diga.
0
Comente!x

  — Talvez tenha coisa mais antiga. É bem capaz dele ter vivido uma situação e não contou. É possível esse ser a raiz do problema.
0
Comente!x

  — Não duvido. Vou ser bem sincero contigo. — Pegou uma caixinha ao lado da cabeceira da cama de onde tirou um colar fino de delicadas pérolas para colocá-lo no pescoço. — Estou cansado. É exaustivo aguardar por alguém. Eu só queria segurar a mão dele, beijá-lo... Sabe há quanto tempo o amo, Lili?
0
Comente!x

  — Eu sei. Ou esqueceu das vezes que o consolei porque chorou mais que uma criancinha nas ocasiões em que o machão se afastava?
0
Comente!x

  — Sou burra, né? Pode falar.
0
Comente!x

  — Nada disso. O amor é cego, surdo e meio burro, isso devo admitir. Porém, é inegável o quão bem você faz pro boy. Olha o tanto que avançou. Até hoje desconfio que era analfabeto porque só pedia a mesma bebida. Ontem o peguei pedindo o cardápio pela primeira vez e escolhendo alguma coisa pra comer.
0
Comente!x

  O sorriso de orgulho se formou ao ouvir a frase.
0
Comente!x

  — Me escuta, tenha paciência. O Augusto está passando por mudanças demais. Simultaneamente, a sua presença é um confronto direto porque você representa tudo aquilo que ele, até então, tinha como errado por causa dos pensamentos preconceituosos dos homens dessa cidade. E graças a Deus que esse confronto acontece graças a sua figura porque é assim que se evolui.
0
Comente!x

  — Obrigado. De verdade. — Encostou a testa no ombro dela por um breve momento.
0
Comente!x

  — Sentimental como sempre. — Deu tapinhas de leve nas costas. — Vamos, se apresse. Você está gata e não pode se demorar.
0
Comente!x

  Augusto comia uma laranja em seu quartinho. Osmar havia lhe dado folga, assim como sempre fazia com os funcionários que aniversariavam. Todos costumavam comemorar com as respectivas famílias e terem dias divertidos, agradáveis e de descanso. Augusto? Lhe restava apenas descansar, já que era sozinho no mundo. Havia se contentado com isso há mais de dez anos e não se incomodava mais por saber que os peões passavam dias ótimos ao lado dos familiares — até porque não adiantaria em nada se descontentar. Continuaria sozinho.
0
Comente!x

  — Posso nem chupar a minha laranja em paz — reclamou ao ouvir a batida na porta.
0
Comente!x

  Levantou da cadeira e foi o caminho reclamando.
0
Comente!x

  — Oi! — Aquiles o recebeu com um largo sorriso e uma expressão travessa no rosto apoiando os braços nas laterais da entrada.
0
Comente!x

  — Formosura? — Abriu espaço para ele passar, batendo a porta assim que entrou. — O que está fazendo aqui?
0
Comente!x

  — Vim te levar pra almoçarmos num restaurante — avisou contente.
0
Comente!x

  — Por isso se arrumou todo, é? — Descascou a fruta e cortou um pedaço, o levando até a boca com a faquinha.
0
Comente!x

  — É. — Inclinou-se e segurou as mãos atrás do corpo para o rosto ficar em evidência. — Até passei uma maquiagem bem clarinha. Gostou?
0
Comente!x

  — Eu não entendo muito disso dessas pinturas, não, mas eu gostei, sim. — Deu uma batidinha com o indicador na bochecha do rapaz.
0
Comente!x

  — Jura? — O queixo caiu e ergueu as sobrancelhas de tão surpreso com a resposta.
0
Comente!x

  — Juro. Não sou de elogiar, não, mas você eu gosto. Tá uma formosura — replicou com um olhar intenso ao avalia-lo de cima abaixo.
0
Comente!x

  Ali descobriu o quão bom estava sendo pro peão estudar e ir pra terapia.
0
Comente!x

  — Vamos, então? — Segurou a bolsinha lilás.
0
Comente!x

  — Ah... Não sei se vai ser bom isso, não. — Afastou-se emburrado e se encostou na parede voltando a atenção para o alimento.
0
Comente!x

  — Por que não, ué? — Cruzou os braços preocupado.
0
Comente!x

  — Ah, formosura... — Encarava a laranja concentrando-se em descascá-la. — Eu não estou acostumado nesses lugares, não. Olha pra mim. — Esticou os braços na altura do ombro. — Só tenho roupa de trabalho. Não quero te envergonhar lá — completou num tom de tristeza.
0
Comente!x

  Compreendendo a situação, aproximou-se do homem com amabilidade. Talvez tivesse se precipitado ao organizar as atividades daquela tarde.
0
Comente!x

  Não era segredo para ninguém que Augusto não era habituado a frequentar locais mais luxuosos. Por outro lado, era esse o X da questão: a vivência de mundo era demasiadamente limitada devido às poucas trocas sociais e, em consequência, por focar somente no trabalho e em paralelo à sua sobrevivência. Era importante ampliar essa visão de mundo, mostrar-lhe novos horizontes e experiências — e Aquiles poderia proporcionar isso.
0
Comente!x

  Pegou a fruta cítrica e a faquinha, pousando-as na mesinha ao lado.
0
Comente!x

  — Não se preocupa com isso. — Descansou as mãos no peito dele, ambos acostumados com a proximidade. — O importante é a gente passar um tempo junto num lugar legal e comer comida de boa qualidade. O que você acha? Aceita meu convite?
0
Comente!x

  Sentiu as palmas de Augusto subirem pela coxa até alcançar a cintura, onde apertou por debaixo da blusa. Arfou por ser pego desprevenido, tendo a certeza de que o peão notou que algo entre as pernas do cantor endureceu.
0
Comente!x

  — Está bem. — O puxou mais pra si até sentir o quadril do rapaz contra o seu. — Eu vou. Só preciso me arrumar primeiro.
0
Comente!x

  O encarou exalando satisfação.
0
Comente!x

  — Lembra daquela roupa toda preta que vestiu no casamento da filha do Osmar, a herdeira da fazenda?
0
Comente!x

  — Lembro.
0
Comente!x

  — Veste ela. Cai super bem em você.
0
Comente!x

  — Acha? — Inclinou-se parcialmente na direção do garçom.
0
Comente!x

  — Um hum. — Mordeu o lábio inferior malicioso, torcendo para o beijo acontecer. — Fica bem gato de preto.
0
Comente!x

  Sem avisá-lo, num movimento fluido, Augusto se inclinou mais até segurá-lo por detrás das pernas torneadas. O ergueu sem esforço enquanto automaticamente as cruzava ao redor do capataz dos Navarro. Se antes tinha dúvidas se o peão não sabia da excitação, agora era evidente. O tecido da calça lilás era fino, então, naquela posição, o membro duro estava erguido e roçando na barriga do amado sob as roupas.
0
Comente!x

  Lhe lançou um olhar acusador no bom sentido e tudo o que Aquiles pôde dizer foi:
0
Comente!x

  — A culpa não é minha se o meu corpo reage ao seu. — O segurou de leve pelo pescoço.
0
Comente!x

  — Estou vendo aqui que está bem alegrinho. Ou melhor, alegre. Não tem nada de pequeno em você, não, além da mão. — O segurava tão perto da bunda que os dedos roçaram de leve propositalmente.
0
Comente!x

  — Gosta de quando me deixa duro, é? — sussurrou deixando os dedos se emaranharem por dentro dos cabelos negros.
0
Comente!x

  — Por demais até. — Deu um tapa na bunda e apreciou vê-lo arfar.
0
Comente!x

  Com um pouco de impulso, o jogou ligeiramente pra cima antes de girar duas vezes com Aquiles ainda nos braços, que se segurava nele e ria se divertindo.
0
Comente!x

  — Por que não me avisou que iria me girar no seu colo? — Dava risinhos da situação se segurando no pescoço largo.
0
Comente!x

  — Eu gosto de ver a sua carinha de surpresa.
0
Comente!x

  Caminhou até a cama a passos largos. Inclinou o corpo o segurando pela perna e pela nuca e, ao sentir a maciez do colchão nas costas, Aquiles notou que ele o deixaria na cama, então se soltou. Aguardou deitado e cantarolando baixinho algumas letras de pagode enquanto o peão tomava um banho rápido.
0
Comente!x

  O observou com interesse passando um perfume no armário.
0
Comente!x

  — Não costumo usar isso, não, mas vai servir. — Virou-se para o rapaz com certa ansiedade na movimentação corporal. — Estou bem assim?
0
Comente!x

  Levantou-se e foi até ele, apreciando como ficava bem de camisa preta de manga enrolada até os cotovelos, calça social, cinto e sapatos da mesma cor. Abriu dois botões da gola da camisa, formando um desenho em V que lhe favorecia e deixava os músculos do peitoral à mostra na medida certa.
0
Comente!x

  — Perfeito — murmurou segurando o rosto barbudo do capataz da família Navarro.
0
Comente!x

  — Vamos, então.
0
Comente!x

  Se encaminhou para a porta, mas, ao notar que não era seguido pelo outro, virou-se e viu o rapaz parado em frente a cama, a observando.
0
Comente!x

  Por um momento, a visão do leito meio bagunçado o levou para semanas atrás. Ou melhor, uma noite específica que, de tão linda e prazerosa, parecia um sonho efêmero criado pela mente romântica de Aquiles.
0
Comente!x

  — Hey? — O segurou pelo pulso. — Que foi?
0
Comente!x

  — Nada. Só... — Augusto o abraçou por trás, encostando o nariz na nuca. — Lembranças. — Apoiou a cabeça nele a pendendo para trás.
0
Comente!x

  — Você lembra daquela noite? — Roçou os lábios nos cabelos macios.
0
Comente!x

  — Com tanta clareza quanto a luz do dia. Foi uma madrugada ótima, não acha? — Ergueu a mão para acariciar a barba crespa.
0
Comente!x

  — Acho. Foi linda e muito gostosa também. Sente saudade?
0
Comente!x

  Virou o pescoço o suficiente para fitá-lo.
0
Comente!x

  — Você não?
0
Comente!x

  Embora não tivesse obtido a resposta, o olhar saudoso e carregado de afeto foi o suficiente.
0
Comente!x

  Beijou-lhe a palma repousada na barba com um pequeno sorriso antes de segurá-la para saírem do quarto. Apenas a soltou quando entraram no carro.
0
Comente!x

  Chegaram ao restaurante na caminhonete de Augusto em poucos minutos por não ter trânsito. Ao adentrarem, Aquiles foi na frente, então não pôde ver a expressão de surpresa do capataz ao se deparar com o esplendor do ambiente.
0
Comente!x

  O lugar refrescado pelo ar-condicionado, a beleza da arquitetura, as pessoas conversando em voz baixa, a educação e a etiqueta dos frequentadores... Embora estivesse tendo contato com aquilo pela primeira vez, não se sentiu inferior. Talvez um pouco deslocado por não saber muito bem como agir ou como se comportar, mas não havia sensação de inferioridade — conquista alcançada na terapia.
0
Comente!x

  Sentaram-se frente a frente. Fitando os olhos arregalados do outro que vasculhavam o restaurante, indagou, colocando o cotovelo na mesa e apoiando o queixo nos dedos:
0
Comente!x

  — Que está se passando nessa sua cabecinha? Hum?
0
Comente!x

  — Nada. Só nunca estive num lugar assim. Quando ia com o patrão pra um lugar mais chique, o povo ficava me olhando de cima abaixo com cara ruim. Não era legal, não.
0
Comente!x

  — É que essa galera endinheirada é meio preconceituosa mesmo. Não conhecem a realidade do trabalhador. Se importam com a imagem até demais. Aí essas coisas acontecem. Mas uma coisa aprendi. A gente dá de dez a zero nesse povo, querido, porque tudo tem o rabo preso em falcatrua.
0
Comente!x

  A última parte foi dita de maneira tão engraçada que Augusto jogou a cabeça para trás rindo.
0
Comente!x

  A garçonete se aproximou para lhes entregar o cardápio. Prolongou a atenção em Augusto, que logo desviou o olhar, antes dela se retirar em silêncio.
0
Comente!x

  — Não disse que é bonito? Está fazendo sucesso por aqui. — Tentou disfarçar o ciúme abrindo o cardápio bem em frente ao rosto para o capataz não vê-lo.
0
Comente!x

  — Eu não quero muié nenhuma, não — repetiu as mesmas palavras que proferiu há algumas semanas. — Eu tô contigo. — Abaixou o menu com a ponta dos dedos até encontrar as íris de Aquiles. — Lembra, formosura?
0
Comente!x

  Lembrava. Lembrava também da maravilhosa noite que passou na companhia do amado quando o impediu de viajar para outro Estado. Lembrava de todo o amor e de toda a paixão que os consumia, de como Augusto pela primeira vez se entregava aos desejos e permitia expressar seus sentimentos por Aquiles. Foi quando ambos puderam amar e serem amados sem medos, sem pudor e sem amarras. E sentia falta de viver ao lado de quem amava um momento tão íntimo e único entre os dois.
0
Comente!x

  Devido às lembranças também precisou se recordar que o almoço precisava ser algo leve, sem tocar em assuntos mais profundos e delicados. Portanto, obrigou-se a afastar a frustração e manter o clima ameno.
0
Comente!x

  — Você está bem nostálgico hoje, hein? Lembro, sim. E lembro também que você ficava todo sem jeito de ser visto comigo lá atrás quando nos conhecemos. E olha onde estamos agora. — Gesticulou para o restaurante.
0
Comente!x

  — Nost... Que é isso que você falou?
0
Comente!x

  — Nostálgico. Vem de nostalgia. É quando a pessoa fica pensando assim no passado e relembrando das coisas — explicou paciente.
0
Comente!x

  — Eu nunca ouvi essa palavra.
0
Comente!x

  — É que ela não é muito comum. Pensa pelo lado positivo. Vai ampliar o seu vocabulário.
0
Comente!x

  Recebeu um meio sorriso em resposta e, antes mesmo do capataz falar, sabia que viria uma pergunta a seguir — mesmo que não fosse no contexto discutido.
0
Comente!x

  — Fala a verdade. — Recostou as costas na cadeira macia pendendo a cabeça para o lado para analisá-lo. — Por que me trouxe pra cá?
0
Comente!x

  — Ué, eu não posso te levar num lugar diferente, não?
0
Comente!x

  — Formosura, formosura... Eu conheço ocê. — Semicerrou os olhos desconfiado. — O que está aprontando?
0
Comente!x

  — Augustinho, Augustinho... Você é arisco demais, Augustinho. Bora pedir? Eu estou faminto.
0
Comente!x

  Sabia que havia algo não revelado por Aquiles pelo jeito do rapaz, principalmente após mudar de assunto tão repentinamente. Ele era divertido, alegre e bem-humorado, mas, naquela tarde específica, parecia mais empolgado do que o usual. O olhar travesso e os pequenos sorrisos o observando de esguelha denunciavam as intenções ainda não mencionadas. Devido a esse fator, não o pressionaria a contar.
0
Comente!x

  — Bora!
0
Comente!x

  Ao abrir o menu não conseguiu ler as palavras. Tentou pronunciar as sílabas sem sucesso. Numa careta de confusão, disse:
0
Comente!x

  — Que diabo está escrito aqui? Estou começando a ler e escrever o português agora. Isso aqui não vou entender nem com reza das braba.
0
Comente!x

  A fala tirou uma gostosa gargalhada de Aquiles.
0
Comente!x

  — Não, não. É que eles costumam mudar o idioma desses cardápios nesses lugares mais chiques.
0
Comente!x

  — E por que fazem isso?
0
Comente!x

  — Não faço ideia, mas relaxa. Eu posso pedir pra você. Isso aqui está cheio de coisa maravilhosa! Acho que vai gostar.
0
Comente!x

  Notou o suspiro de alívio. Ao avaliá-lo rapidamente era impossível não reparar na mudança dele nos últimos meses.
0
Comente!x

  Não deixaria de ser o rústico peão acostumado com o labor no sol quente, entretanto, a educação aliada a terapia estava promovendo uma transformação bem interessante nele. Ainda era bruto, mas quando necessário e na dosagem correta. Controlava melhor o temperamento e se tornou mais sociável. Conversava com outras pessoas além dos funcionários da fazenda. Aparentava estar mais em paz consigo mesmo, como se aceitasse quem era e começasse a desenvolver características importantes como o amor-próprio e a noção de dignidade.
0
Comente!x

  — Hey. — Esticou a perna até encontrar a dele. — O que foi?
0
Comente!x

  — Apesar de não estar acostumado a um lugar assim... — Coçou a barba envergonhado por externalizar os sentimentos. — Não sei direito como dizer isso, mas eu me sinto bem contigo.
0
Comente!x

  Deu um beijinho na própria mão e a esticou para ele quando a garçonete chegou. Fez o pedido e ela se retirou.
0
Comente!x

  — E sobremesa? Vai querer, não? Devem ter umas ótimas!
0
Comente!x

  — Vou querer, sim. Adoro doce, mas quase não tenho oportunidade de comer.
0
Comente!x

  — Verdade?
0
Comente!x

  — É. Quando menino a Angelina costumava me dar escondida umas sobras quando tinha alguma festa lá na mansão dos filhos do patrão.
0
Comente!x

  — Jura? E do que mais gostava?
0
Comente!x

  — Ah, tudo. Chocolate, morango, doce de leite... Só não gosto de coco. Fora isso eu como.
0
Comente!x

  — Verdade? — O rosto iluminou com a resposta.
0
Comente!x

  Pegou o celular e enviou rapidamente uma mensagem pra Zeca, que iria usar os três recheios imediatamente assim que lesse o que havia escrito.
0
Comente!x

  Nesse ínterim o almoço chegou — uma série de pratos apetitosos que Augusto nunca vira antes. O aroma dos deliciosos temperos encheu d'água a boca por não ter a oportunidade de apreciar refeições tão refinadas. Como cresceu passando a maior parte do tempo trabalhando e só chegava em casa para dormir, não teve a condição necessária para aprender a cozinhar. No máximo conseguia observar rapidamente a mãe na cozinha enquanto ele se arrumava para trabalhar ou enquanto lavava a roupa do dia de trabalho.
0
Comente!x

  — Não falei que teria comida gostosa? — Aquiles abriu o guardanapo e o descansou no colo.
0
Comente!x

  Encarou a mesa sem compreender o motivo de terem tantos tipos diferentes de talheres ao lado do prato. Era acostumado a comer de colher, não garfo e faca. Além disso, os alimentos ali não eram secos. A maioria parecia ser úmido ou vir acompanhada de molho. Deduziu que, pelo menos a carne, para não causar nenhuma gafe, seria melhor comer com a mão. Logo, apanhou o ossinho da carne com os dedos e a saboreou numa mordida generosa.
0
Comente!x

  — Esse troço está bom por demais! — Se deliciava com os temperos. — Isso aqui chega a estar meio docinho.
0
Comente!x

  O observava com um adorável sorriso fechado.
0
Comente!x

  — Viu o que ia perder se não tivesse aceitado o meu convite? — Levou alguns legumes cozidos espetados no garfo até a boca.
0
Comente!x

  — Não sabia que era tão bão, não.
0
Comente!x

  Só teve noção que comia de boca aberta quando Aquiles, numa expressão cômica, gesticulava com o garfo em direção aos próprios lábios rosados para mostrar que era necessário mastigar de boca fechada.
0
Comente!x

  Limpou a boca num movimento duro com as costas da mão.
0
Comente!x

  — O guardanapo. — Apontou com o dedo mindinho.
0
Comente!x

  — Ué, isso é pra se limpar? — Segurou o pano do colo e o ergueu aguardando a confirmação.
0
Comente!x

  — É. Pensou que fosse pra que?
0
Comente!x

  — Sei lá. Esse troço está tão limpo e direitinho. Não pensei que fosse pra isso, não. — O usou para limpar a área da mão engordurada. — Dá até dó de sujar de tão clarinho.
0
Comente!x

  — Vem cá, você não está acostumado a cozinhar, não? — Cruzou as pernas e tomou um gole do suco de laranja.
0
Comente!x

  Engoliu a grande quantidade de comida para respondê-lo.
0
Comente!x

  — Ah, cozinhar é uma palavra forte, né? Eu faço o que dá. Não tive ninguém pra me ensinar. Aí dou um jeito.
0
Comente!x

  — Quero provar essa sua comida algum dia.
0
Comente!x

  — Mais fácil você cozinhar junto comigo. — Pegou mais um pouco dos legumes cozidos no prato, assim como o salmão e a carne. — Certeza que não vai gostar muito se eu preparar um jantar, não.
0
Comente!x

  — Um jantar à luz de velas seria ótimo. Já estou vendo a gente no seu quartinho com as luzes apagadas e uma vela acesa na mesa pra comermos. Seria super-romântico. — Bateu palmas de leve extasiado pela expectativa.
0
Comente!x

  — Você quer isso? — Inclinou o corpo para, por debaixo da mesa, lhe tocar no.
0
Comente!x

  — Claro. — Segurou a mão dele desejando ter mais liberdade para beijá-lo. — Eu adoraria. Já estou imaginando a gente lá. Ia parecer até aqueles filmes românticos como Titanic.
0
Comente!x

  Foi impossível não perceber o olhar de Augusto tornando-se mais intenso ao proferir:
0
Comente!x

  — Tudo bem, então. — Sentiu a pele formigar quando os dedos dele subiram um pouco pelo interno da coxa. — Jantamos e você dorme lá comigo. Pode ser?
0
Comente!x

  Quando comentou sobre o jantar, imaginou que o peão iria sair pela tangente, assim como nas vezes anteriores onde ele escapou de se proporcionar um contato mais íntimo. Logo, pressupôs que o convite seria ignorado. Entretanto, para o assombro do rapaz, aceitou.
0
Comente!x

  Atordoado de uma maneira positiva, pestanejou sem acreditar nos ouvidos.
0
Comente!x

  — Claro. Pode, sim.
0
Comente!x

  O almoço não poderia ter seguido melhor e nem mais divertido para ambos. Aquiles se sentia em harmonia na companhia do funcionário da família Navarro, mesmo sendo notório que não tinha ensinamentos de etiqueta. Se atrapalhava em alguns momentos e não sabia coisas mais simples, como a forma correta de segurar uma taça. Após repousar a carne no prato numa tentativa de manusear o garfo e a faca para cortá-la, desistiu porque ela escorregou e voou até seu colo. A cara de confusão do homem foi tamanha que Aquiles precisou tomar cuidado para não se engasgar enquanto mastigava.
0
Comente!x

  Quando terminavam de se alimentar, foi ao banheiro. Deu a desculpa de que precisava escovar os dentes e pediu para Augusto terminar de comer enquanto ligava para Zeca às escondidas assim que notou que não estava mais no campo de visão do homem.
0
Comente!x

  — Pelo amor de Deus, Zeca, me fala que já está tudo pronto. — Fechou a porta do banheiro e agradeceu internamente por não ter ninguém ali, já que tinha mais de um vaso.
0
Comente!x

  — Estamos dando os últimos retoques. As meninas estão na mesa finalizando os enfeites e eu colocando a cobertura no bolo. Isso aqui está divino.
0
Comente!x

  — Você não sabe como estou aliviado de ouvir essas palavras. — Colocou a bolsa na bancada de mármore seca a abrindo e pegando a escova e a pasta. — Tem certeza que está tudo pronto?
0
Comente!x

  — Sim. Vem cá, como vai ser pra fazer a surpresa?
0
Comente!x

  — Presta atenção. — Usou o ombro para apoiar o celular. — Assim que entrarmos no carro dele, vou te enviar uma mensagem. Pelo amor do santo Cristo, não saia de perto desse seu celular. Como o restaurante onde estamos não é longe, o retorno será rápido. Usem esse intervalo para arrumarem o que falta. Apaguem todas as luzes do bar e vão pra onde servimos as bebidas. Quero ver nenhuma cabecinha aparecendo. Quando ouvirem nossas vozes já dentro do Night Club, vocês levantam gritando surpresa, tacando as bolas e os confetes e ligando a caixa de som com a música pra animar a festa. Pode ser? — Começou a escovar os dentes.
0
Comente!x

  — Claro. Aqui já está qua... Bibi! Chega de chorar pitangas por aquele velho barrigudo!
0
Comente!x

  — Quê? — Aquiles ouviu um som ao fundo, mas não conseguiu distinguir a origem.
0
Comente!x

  — Nada. É a Bibi aqui chorando por causa do Osmar. Até agora não sei se ela sente falta dele ou do dinheiro dele. Escuta, liberei o Nando de tocar essa tarde pra gente, mas a caixa de som está em ótimo estado e o microfone está aqui separado pra quem quiser cantar. Pode ser?
0
Comente!x

  — Claro. Está ótimo assim. — Cuspiu a pasta na pia e jogou água na boca.
0
Comente!x

  — Vou esperar sua mensagem. Até daqui a pouco.
0
Comente!x

  Guardou o aparelho telefônico na bolsa junto com a pasta e a escova que estavam enroladas num paninho e retornou para a mesa.
0
Comente!x

  — Pronto? — sentou-se na mesa e se deparou com o prato de Augusto vazio.
0
Comente!x

  — Sim. Vamos?
0
Comente!x

  Como não havia um grão sequer da refeição para contar história — e isso porque havia pedido uma quantidade de comida suficiente para três pessoas –teve uma ideia de súbito e se levantou novamente, se retirando. O peão o observou conversando ao longe com um garçom loiro — coloração essa de cabelos que lhe geravam incômodo porque o lembrava de Marcos, o primeiro amor dele antes dele ser expulso de casa e parar em Pedaço do Céu.
0
Comente!x

  — Vamos, sim, mas daqui a pouco. — Retornou para o lugar.
0
Comente!x

  — Pediu mais alguma coisa? — Tomou o restante de água da taça.
0
Comente!x

  — Uma coisinha. Nada de demais. — Tamborilou os dedos na superfície de madeira. — Você vai ver.
0
Comente!x

  Em poucos minutos o garçom chegou com algumas quentinhas dentro de uma sacola preta.
0
Comente!x

  Augusto não gostou do comportamento do loiro por identificar que o empregado do restaurante tinha explícito interesse em Aquiles. Enquanto Aquiles efetuava o pagamento no seu típico jeito simpático e cordial, postura essa que levou o empregado a achar que eram sinais de atração, o outro se dirigia somente ao rapaz, como se ele não estivesse acompanhado. Além disso mantinha um sorriso estampado no rosto cuja pele era lisa e sem nenhuma mancha. Ignorava completamente a presença acompanhante ali, que se mantinha calado observando sério a situação sem pestanejar.
0
Comente!x

  Para se despedir estendeu a mão para apertar a do garçom. Num milésimo de segundo viu algo semelhante a um pedaço pequeno de papel branco na parte interior da mão do homem. Apressou-se em se levantar antes de ambos unirem as mãos sem dissipar o infortúnio. Em um passo já estava atrás de Aquiles, quem foi puxado pela cintura para trás delicadamente, sentindo o corpo de Augusto contra o seu. Por sua vez, foi o peão quem apertou a mão do garçom em sinal de educação — embora não o quisesse.
0
Comente!x

  — Me entrega o que ia dar pra ele. — Estendeu a mão para frente com a palma para cima.
0
Comente!x

  — Não sei do que está falando, senhor.
0
Comente!x

  — Não tente me fazer de burro. Não sou nenhum jumento de galocha. Me entrega logo.
0
Comente!x

  Num pesado suspiro lhe entregou o pedaço de papel.
0
Comente!x

  O desdobrou e o abriu numa altura onde Aquiles poderia também enxergar. Nele havia escrito a caneta o nome Ricardo e um número de celular. O garçom entendeu o que estava acontecendo. Satisfeito com a reação do homem e meio envergonhado pelo cenário constrangedor, dobrou o braço esquerdo frente ao tronco e apoiou o cotovelo do outro na mão debaixo, escondendo o leve sorriso com a mão esquerda.
0
Comente!x

  Com a expressão impassível, rasgou o papel. Entregou-lhe os papéis picados e disse, em tom frio:
0
Comente!x

  — Isso não vai acontecer e já está claro pra você o motivo. — O segurou pela cintura com ambas as mãos. — Não se preocupe. Não causarei problemas. Até porque não vim até aqui pra causar confusão. Deixo passar porque você é novo e inexperiente. Prefiro crer que se passou pela sua cabeça que nós dois somos parentes, mas não é o caso. Então, como tudo já foi esclarecido e não há mais como nos ajudar por aqui, pode seguir seu rumo. Chispa logo.
0
Comente!x

  Sem outra alternativa, acenou com a cabeça cabisbaixo, virou de costas e se distanciou.
0
Comente!x

  — Eita, homem ciumento... — Virou-se para ele de braços cruzados. — Já chega marcando território. Olha que vão acreditar que somos mesmo um casal.
0
Comente!x

  — Eu não menti quando disse que você é meu, minha formosura. Não gosto de ver outro arrastando asa pra ocê, não.
0
Comente!x

  — Como se eu fosse dar ideia pra outro cara.
0
Comente!x

  — Acho bom mesmo, formosura. Enquanto quiser, ocê é só meu. — Depositou um beijo terno na testa.
0
Comente!x

  Se encantou como o rosto jovial se iluminou ao ouvir a frase.
0
Comente!x

  — Sou seu, é? — Mordeu o lábio inferior sem conseguir esconder o sorriso.
0
Comente!x

  — É. Há muito tempo. — Deslizou a mão pelo braço até encontrar a dele, onde entrelaçou os dedos. — Vamos?
0
Comente!x

  Acenou um sim erguendo os ombros.
0
Comente!x

  Caminharam lado a lado de mãos dadas até a caminhonete.
0
Comente!x

  Assim que se acomodou no banco de passageiro, Aquiles enviou uma mensagem digitada para o cozinheiro. Não demorou sequer cinco segundos para receber uma resposta dele e algumas fotos de como estava a mesa com as ornamentações.
0
Comente!x

  — O que ocê tanto vê aí?
0
Comente!x

  Guardou o celular imediatamente um pouco embaraçado.
0
Comente!x

  — Nada, ué. — Teve dificuldade para fechar a bolsa. — É que Zeca me lembrou de algumas coisas pendentes sobre o bar que ficamos de acertar essa tarde.
0
Comente!x

  — Pensei de você querer ir lá pro meu quartinho. — Augusto franziu o cenho em descontentamento.
0
Comente!x

  — Ai, desculpa. — Se aproximou dele e o segurou pelo braço, deitando a cabeça no ombro farto. — É que fiquei enrolando com isso e agora não posso adiar. Pode me deixar lá antes de ir pra casa?
0
Comente!x

  — Está certo — murmurou entre dentes sem os lábios se moverem encarando a estrada ao dirigir.
0
Comente!x

  — Não fica assim. — Deu um beijo estalado na bochecha o segurando no rosto. — Olha, essa noite podemos ficar juntinhos lá no meu quarto ou no seu. Prometo. O que acha? — interpelou o fitando.
0
Comente!x

  — Só nós dois, é? — O esboço de um sorriso libidinoso desenhou a boca, combinando perfeitamente com o olhar voluptuoso lançado.
0
Comente!x

  — Completamente sozinhos. Sem ninguém pra nos atrapalhar.
0
Comente!x

  — Aí vou poder te fazer o carinho que eu quiser? — sibilou lascivo.
0
Comente!x

  Aquiles roçou o nariz no pescoço de olhos fechados.
0
Comente!x

  — Até mais do que carinho. — Sugou-lhe o lóbulo da orelha e adorou vê-lo apertando o volante até os nós dos dedos ficarem esbranquiçados.
0
Comente!x

  — Estou dirigindo, formosura — salientou numa respiração entrecortada em tom onde demonstrava a frustração.
0
Comente!x

  Sentou-se ereto de forma brusca.
0
Comente!x

  — Então tudo bem.
0
Comente!x

  Recostou-se na outra porta, afastando os corpos ao máximo.
0
Comente!x

  — Não, não. Fica longe assim, não, misericórdia! Pelo amor de Deus. Pode voltar aqui — suplicou atropelando as palavras.
0
Comente!x

  Aos risos voltou a quebrar a distância entre eles e retornou para a posição de antes.
0
Comente!x

  Assim que Augusto parou no primeiro sinal vermelho do semáforo, tratou de abrir os últimos botões da camisa após retirar a parte da frente de dentro da calça. Delicadamente, segurou o pulso do garçom e arrastou a mão direita por dentro da roupa.
0
Comente!x

  Aquiles o encarou com curiosidade, que foi saciada após a explicação.
0
Comente!x

  — Gosto de sentir a sua pele contra a minha.
0
Comente!x

  E assim seguiram até o bar — em silêncio e aproveitando o momento de aconchego. Sempre que o trânsito permitia, o peão acariciava a parte interna da coxa do rapaz e adorava perceber que o excitava mesmo o tocando por cima das vestes — se bem que, no caso do capataz dos Navarro, não era diferente.
0
Comente!x

  Ao chegarem no bar estranhou encontrá-lo vazio e com as luzes apagadas.
0
Comente!x

  — Cadê esse povo, ué? — Parou ao lado de Aquiles na frente do estabelecimento com as mãos na cintura. — Ê, Night Club! — Bateu palmas e não veio ninguém. — Pra onde esse povo foi?
0
Comente!x

  — Não faço ideia. Me acompanha? Quero entrar sozinho ali, não.
0
Comente!x

  Embora na voz houvesse certo tom de temor, não conseguiu disfarçar a empolgação na face.
0
Comente!x

  — Entro, sim. Eu vou na frente.
0
Comente!x

  O avaliou desconfiado de cima abaixo e replicou:
0
Comente!x

  — Tem coisa nessa história que ocê não está contando, mas tudo bem.
0
Comente!x

  Caminharam com Augusto um passo à frente até adentrarem no lugar. Só os ventiladores estavam ligados, embora o tempo estivesse agradável.
0
Comente!x

  — Formosura, eu acho que...
0
Comente!x

  Num piscar de olhos o bar que se encontrava na escuridão foi tomado por luzes. Os funcionários se levantaram do esconderijo atrás de onde serviam as bebidas com chapéus de aniversário nos cabelos, tacando confetes e bolas azuis e brancas na direção deles e berrando “surpresa” em uníssono com largos sorrisos de felicidade.
0
Comente!x

  — Ê, demônio da miséria! — O berro de Augusto veio acompanhado de um pulo devido ao susto. — Que diabo é isso?
0
Comente!x

  — Não está reconhecendo, não, homem? — Fernando ia até a caixa de som para conectar o celular ao aparelho.
0
Comente!x

  — Meu Deus! — Passava a mão pela roupa numa tentativa quase inútil de retirar os confetes metalizados da roupa.
0
Comente!x

  Aquiles, quem tinha ido até a bancada, mexia numa sacola amarela grande onde havia vários enfeites de festa, pediu buscando algo ali dentro:
0
Comente!x

  — Nando, coloca um forró, um sambinha ou um pagode aí pra gente. Quero animação hoje e todo mundo dançando! Quero ninguém parado, não.
0
Comente!x

  — Então depois coloca um funk aí bem do gostoso pra gente rebolar a raba até o chão — Bibi pediu prestes a abrir uma latinha de cerveja.
0
Comente!x

  — Alguém pode me explicar o que está acontecendo? — O peão estava confuso e meio aborrecido por não compreender a situação.
0
Comente!x

  — Vamos começar pelo beabá? — Yuri o abraçou pelos ombros. — Augusto. Hoje é que dia?
0
Comente!x

  — Quinta-feira, ué!
0
Comente!x

  — Datas, homem. Trabalhamos com datas. — Tiago passava animado segurando Rosa pela cintura para dançarem no palco.
0
Comente!x

  — Dia 21.
0
Comente!x

  — De qual mês? — pressionou Lívia se servindo de alguns salgadinhos.
0
Comente!x

  — Novembro.
0
Comente!x

  — Então estamos comemorando o aniversário de quem?
0
Comente!x

  — Eu sei lá. — Augusto coçava a cabeça completamente confuso enquanto Aquiles encontrava o que tanto procurava na sacola.
0
Comente!x

  — Ô, calcanhar de Aquiles! — berrou indignado com a resposta. — Vem ajudar que o troço aqui está difícil.
0
Comente!x

  O garçom parou na frente do peão e esticou os braços para colocar um chapeuzinho azul marinho de aniversário nele.
0
Comente!x

  — É o seu aniversário que estamos comemorando. — Jogou mais alguns confetes pra cima antes de abraçá-lo. — Feliz aniversário, meu lindo.
0
Comente!x

  Antes de afastar-se para pegar comida e dar a privacidade necessária para eles, Yuri falou:
0
Comente!x

  — Até amanhã quero ver esse casal namorando! Não esperamos menos.
0
Comente!x

0 0 votos
Classificação do artigo
Inscrever-se
Notificar de
guest

0 Comentários
mais antigos
mais recentes Mais votado
Todos os comentários (0)
×

Comentários

Você não pode copiar o conteúdo desta página

0
Adoraria saber sua opinião, comente.x