20 • What Is Love
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Manhattan - Verão de 1852
%Nalla%:
Finalmente estávamos desembarcando no porto de New York City. Segundo o senhor meu marido, os Estados Unidos da América era o país do progresso e novas oportunidades, para minha não surpresa, ele já estava planejando nossa mudança há muito tempo. %Sebastian%, além de silencioso, também era cauteloso e estrategista em seus negócios, mesmo que arriscando em alguns caso, nunca jogava para perder.
Assim que olhei para o céu azul da nova cidade, senti que iniciamos uma nova fase em nossas vidas, na primavera passada havia se completado cinco anos desde nosso casamento. Segundo ele, meu presente estaria aqui nesta nova cidade.
— Bem-vinda à América. — disse ele ao se colocar em meu lado. — Não é tão tranquilo quanto Londres, mas aos poucos vamos nos acostumar.
— Se acha que podemos ter uma boa vida aqui, então tudo ficará bem. — voltei meu olhar para ele. — Desde que fiquemos juntos.
— Jamais sairia do vosso lado. — ele sorriu de canto mantendo seu olhar em mim. — Vamos para sua surpresa?
— Confesso que estou com um breve frio na barriga. — me encolhi um pouco segurando em seu braço. — Apesar de saber que vossas surpresas para mim sempre me deixam sem fôlego.
— Por favor, não deixe de respirar então — ele riu discretamente, me fazendo rir também.
Seguimos na carruagem, do porto até o bairro chamado
Upper East Side. Seus planos de mudança para um novo país já completavam três anos sem que eu soubesse, o motivo para a demora era a propriedade que ele havia comprado na parte residencial do bairro. Pelo que percebi, teríamos a elite de Manhattan como vizinhos, algo que não me admirava, %Sebastian% jamais deixaria de viver em um ambiente assim, principalmente por sua importância no mundo dos negócios.
Vendo as ruas da cidade, era óbvio o contraste do luxo de Londres para a vagarosa construção de Manhattan, passamos por um extenso terreno onde obras aconteciam a todo vapor; segundo %Sebastian%, estavam construindo algo grande que no futuro seria um parque em meio a cidade, assim como o
Hyde Park em Londres. A carruagem parou em frente a uma luxuosa mansão que ficava a esquina da rua, assim que desci acompanhada por Sophie, senti um tanto fascinada pela beleza que compunham a fachada do lugar.
— Bem-vinda a Camellia House — sussurrou ele em meu ouvido de forma maliciosa.
Me encolhi sentindo meu corpo arrepiar, voltei meu olhar para ele.
— Deu o nome da minha flor favorita para nossa casa? — sorriu suavemente.
— Pensei em dar o da sua mãe, mas sei que a flor representa ela também. — explicou ele. — Espero que…
— Eu adorei. — o interrompi de forma suave e respeitosa. — Você sempre me surpreende.
— Ainda é pouco para tudo que… Seu amor vale mais que tudo o que faço por você. — ele sorriu de volta.
Contive minha emoção em forma de lágrima.
— Podemos entrar? — perguntei ansiosa.
— Por favor — ele estendeu a mão.
Sorri novamente e segurei em sua mão, meu coração já estava inteiramente acelerado, não só pela surpresa, mas também por suas palavras. Seu amor era real, não somente declarações vazias ou presentes caros, a cada abraço, beijo e carícia, sentia intensamente a verdade em seus sentimentos por mim.
Como esperado, a mansão era tão linda por dentro, quanto havia visto por fora. Muitos quartos, uma biblioteca só para meus momentos de leitura, duas salas de estar minuciosamente decoradas com luxo, requinte e valiosas obras de arte, além dos outros ambientes que seguiam a mesma linha de riqueza. Certamente era a mansão mais bonita de toda a cidade, se tratando do meu marido.
— Tudo aqui é lindo — disse ao entrarmos em nosso quarto, que por sinal, era mais amplo que da Wincher House.
— Que bom que gostou — ele permaneceu perto da porta me observando.
— Eu amei. — virei minha face para ele, dando um sorriso tímido. — Obrigada.
— Pelo quê? — sua face suavizou um pouco.
— Por me amar. — dei alguns passos para ele. — Mesmo não podendo te dar filhos…
— Já conversamos sobre tal assunto. — ele segurou em minha mão e me guiou para mais perto me abraçando. — Não quero que volte a ter pensamentos que te deixam triste, apenas construa mais lembranças felizes comigo.
— Sei exatamente o que pensa… — sussurrei depois de um longo suspiro. — Mas, lá no fundo, sabemos que faria diferença se tivéssemos filhos… Sinto como se fôssemos incompletos.
— Não sinta isso… — ele se afastou um pouco de mim e tocando de leve em minha face, me fez olhá-lo. — Permita-se sentir o meu amor, assim não sentirá este vazio.
%Sebastian% me beijou suavemente no início, porém, ao envolver seus braços em minha cintura, começou a intensificar mais. Em cinco anos de casados, seus beijos não haviam mudado, meu corpo ainda se incendiava a cada toque seu, minha mente paralisava com suas intensas demonstrações de amor. Realmente, não imaginava que nossa primeira entrega de amor na nova casa seria naquele momento, talvez por %Sebastian% querer afastar todos os maus pensamentos de mim, a única forma disso era com seu amor e carinho.
Meu corpo não parava de arrepiar, sempre correspondendo ao seu, meu coração acelerado que aquecia meu corpo e sim, meus pensamentos se voltaram para ele, como estar em seus braços me faziam sentir segurança. Felizmente, eu era a mulher mais abençoada de todo o mundo, estava grata a Deus pelo meu marido, certamente, após longos anos me culpando pela morte de minha mãe em meu parto, a vida havia me dado %Sebastian% de presente.
Se eu não podia ser completa dando-lhe um filho, havia outra coisa que me faria completa. Saber quem realmente ele representava em minha vida, antes de nosso casamento.
— Eu ainda não me esqueci — sussurrei ao apoiar minha cabeça em seu tórax.
— Não se esqueceu? — ele continuou acariciar meus cabelos. — Do que fala?
— De quem você é. — ergui meu corpo e o olhei. — Você ainda não me disse, fizemos um acordo, lembra?
— Terei que beijá-la para lhe fazer esquecer? — ele sorriu de canto, com um olhar malicioso.
— %Sebastian%… — o olhei séria, puxando mais um pouco o lençol para me cobrir. — Você me levou ao templo em Tóquio, me apresentou aos seus amigos piratas, me mostrou aquela velha casa em Nottinghamshire… Mas eu sei que ainda falta o ponto principal.
— Somente saber que eu te amo não é o bastante? — ele manteve o sorriso em sua face, seu olhar mostrava a satisfação por minha insistência.
— Sabe que não, consigo sentir que me ama a muito mais de cinco anos… Desde a nossa primeira noite, sua intensidade, seu toque, como se conhecesse cada pedaço de mim. — fechei meus olhos. — Isso me deixa louca.
— Gosto de saber que está louca pelo seu marido — ele se aproximou, aproveitando minha fragilidade momentânea, me beijou novamente.
— %Sebastian%… — sussurrei o afastando de leve. — Sei o que planeja, confesso que seus beijos me deixam em paralisia, não deixarei ter controle da situação desta vez.
— Engano seu. — seu olhar intenso sobre mim estava lá, algo que me tonteava. — É você, sempre você quem está no controle de tudo, acredite, todo o meu corpo reage a partir do seu.
— Pare de dizer tais coisas — desviei meu olhar para o lado envergonhada.
— Tudo o que tenho, conquistei porque meu objetivo era alcançá-la — mais uma vez a sinceridade em sua voz era nítida.
— É isso que me deixa louca. — voltei meu olhar para ele me sentando na cama. — Como pode uma pessoa que nunca vi, nunca toquei, me amar tanto a ponto de passar por tudo o que passou para me ter?
— Tem certeza que nunca me viu? — ele ergueu mais seu corpo se sentando também, então se aproximou mais e passando sua mão por baixo do meu braço, tocou em uma das minhas cicatrizes das costas. — Como isso aconteceu?
— Minhas cicatrizes… — toquei em sua mão a afastando um pouco, eu sempre sentia algo diferente quando ele as tocava. — Você as conhece, sempre as conheceu, não é?
— Elas deveriam ser minhas. — um tom amargo saiu de forma natural dele, o fazendo desviar o olhar. — Estão aí por minha causa.
Meu coração acelerou novamente. Como poderia? Como?
— Pode não se lembrar, pelo acidente que teve… — ele suspirou fraco.
— Quando eu caí no rio e sir Ulrich me salvou, o médico disse que eu havia batido minha cabeça e provavelmente perderia algumas memórias que pudessem ser importantes ou dolorosas. — sussurrei ao me lembrar daquele dia, então voltei meu olhar para ele — Você fazia parte, não é?
— Sim. — ele voltou seu olhar para mim. — Éramos crianças quando aconteceu, eu havia fugido de uma
workhouse, havia dias que não comia, foi quando encontrei o Lewis Castle… — ele riu de leve. — Tentei me esconder, mas você estava em cima de uma árvore.
Eu ri baixo, aquilo confirmava que era realmente eu, lady %Nalla% aventureira.
— Pensei que fosse a filha da empregada ou coisa assim, até que me deu a chave da cozinha e…
— E? — toquei de leve em uma cicatriz que tinha perto do ombro direito, de imediato constatei o resultado final de minha pequena tentativa de ajudá-lo. — Não deu certo.
— Não… De madrugada, você voltou a plantação de lavanda, deixou uma trouxa com comida. — ele respirou fundo. — Foi quando eu vi as marcas de sangue em suas costas.
— Senhorita Moore. — conclui respirando fundo também. — Não foi culpa sua, %Sebastian%…
— Foi sim, você tentou me ajudar e…
— Aquela mulher nunca gostou de mim, não foi a primeira vez que apanhei, mais tarde descobri que era por causa da minha mãe, ela nutria um amor platônico por meu pai nos tempo que eram mais jovens, ela sonhava se casar com ele. — segurei as lágrimas que se formaram no canto dos olhos. — Evelyn sempre se fez de cega, por eu ser a filha da mulher que meu pai tanto amou, por ele trair ela com as empregadas, não se importava se eu apanhava da senhorita Moore…
Ele limpou de leve uma lágrima que escapou de meus olhos.
— Eu, não sei o que dizer…
— Você me ama desde aquele dia? — aquela, sim, estava sendo a maior de todas as surpresas que ele poderia ter me dado. — %Sebastian%… Como? É… Como uma pessoa é capaz disso? Esperar tanto tempo por outra?
— Aquela não foi a nossa única vez. — disse ele ao acariciar minha face novamente. — Quando fugi de casa, não era minha intenção virar um pirata… Em Liverpool.
— O ataque ao baile… — disse ligando algumas peças de forma precisa.
— Sim, foi o dia em que mais tive medo. Era você? O garoto que me protegeu — o olhei ainda mais surpresa e agora sem fôlego.
— Sim, era eu. — assentiu com um sorriso. — Eu havia lhe visto mais cedo, sabia que era você pelo seu sorriso, então, ao cair da noite, quando vi que atacariam aquela mansão, não consegui pensar em nada, a não ser te proteger.
— Foi aí que virou um pirata — conclui.
— Ocasionalmente, sim, não havia planejado entrar para a pirataria — concluiu ele se levantando da cama.
Permaneci em silêncio o observando caminhar até sua maleta, retirando de dentro um pequeno caderno, voltou para cama e me entregou.
— Eu me lembro disso… Por várias vezes o vi mexer nele, mas nunca me deixou ver — comentei ao pegar o objeto um tanto desconfiada.
— Com isso, não há mais nenhum segredo de minha parte. — ele se sentou de frente para mim e permaneceu me olhando tranquilamente. — Abra e veja.
Voltei meu olhar para o caderno e o abri, logo na primeira havia um desenho meu, cada detalhe do meu rosto feito perfeitamente. Passei algumas páginas e vi outros desenhos de quando eu era criança. Meu corpo se aqueceu novamente, voltei meu olhar para %Sebastian% e a única coisa que conseguia pensar, era como iria retribuir a ele todos esses anos que me amou em silêncio.
Impulsionei meu corpo em direção ao dele já fechando meus olhos, deixei que meus lábios encontrassem os dele por si só. Automaticamente, toda aquela intensidade havia retornado em seus beijos e carícias, fazendo meu corpo estar em perfeita sincronia com o dele sem o menor esforço. Desta vez minha entrega seria completa, eu sabia a verdade, mesmo não me lembrando, eu sabia a razão por ele ter se casado comigo. Ele já me amava primeiro.
- x -
— Não deveria estar de pé — disse ele ao adentrar o quarto.
— Contei as horas desde que Isla mandou aquela carta. — disse ao me virar para ele. — Isso me deixou ansiosa, o que me fez ficar na janela a sua espera.
— Fiquei preocupado. — ele fechou a porta e se aproximou de mim. — Não imagina o que me passou pela cabeça quando li.
— Me desculpe, te fiz vir correndo, certamente atrapalhei seus negócios — me senti um pouco culpada por aquilo.
— Jamais atrapalharia algo em minha vida. — ele sorriu e acariciou minha face. — O que importa é que está melhor agora.
— Sim, felizmente… Não só melhor, como tenho uma notícia, não sei dizer se é boa ou ruim — ponderei um pouco nas palavras, ainda não sabia como contar a ele, poderia ser mais uma preocupação em nossas vidas.
— Apenas diga, depois veremos como classificar — retrucou ele tranquilamente.
— Já tem alguns meses que minhas regras estão atrasadas… Não quis falar nada, poderia causar tumulto sem necessidade… — respirei fundo. — Até que viajou há algumas semanas para a Flórida e eu comecei a ter alguns enjoos que foram se intensificando e Isla teve que lhe enviar a carta.
— Então, é o que estou pensando… — ele respirou fundo, parecia confuso em seus sentimentos, talvez estivesse temendo que algo mais grave pudesse acontecer comigo desta vez. — Eu não…
— %Sebastian%. — segurei em sua mão e encostei em minha barriga. — Só tem quatro meses que estamos aqui, a maior parte do tempo você ficou longe de casa por causa dos negócios, seria um milagre pensar que isso é resultado da nossa primeira noite em Manhattan.
— Seus olhos estão brilhando — ele me olhou um pouco fascinado.
— Talvez Deus esteja olhando para nós desta vez. — sorri espontaneamente. — Sinto que desta vez seremos abençoados e… Ele vai nascer.
Eu acreditava fortemente nisso… Novo país, nova vida… Há três anos eu não engravidava, mas era sim um milagre, minha esperança de ser mãe havia retornado ainda mais forte. Nossa família seria completa!
— Vamos esperar por ele então. — disse %Sebastian% sorrindo com suavidade e acariciando minha barriga. — Não sairei de perto de vocês desta vez… Nem por um minuto.
Eu me aninhei em seu corpo, deixando algumas lágrimas de felicidade rolarem pelo meu rosto.
— Não chore… — sussurrou ele envolvendo seus braços em minha cintura com cautela.
— São lágrimas de alegria… Minha felicidade está multiplicando hoje — expliquei deixando as lágrimas rolarem.
— Isso me deixa ainda mais feliz também. — sussurrou novamente apoiando seu queixo no alto da minha cabeça. — Eu te amo.
— Eu também te amo — sussurrei de volta.
Os meses se passaram e, como prometido, %Sebastian% parou sua vida de burguês para ficar em tempo integral perto de mim. Divertido estar com meu marido todo o dia sem ter que disputar, mesmo de sem necessidade, sua atenção com os negócios, porém, neste tempo percebi que todos os momentos em que estava longe de mim, fazia meu desejo em tê-lo novamente aumentar ainda mais.
Foi então que entendi finalmente os segredos sobre o casamentos dos burgueses serem um sucesso, que a senhora Poppy me contou há tempos atrás. Segundo suas palavras, a distância era uma forte arma para o casamento, pois gera saudade, algo crucial para manter a chama do amor acesa. Quando ficamos longe de quem amamos por um determinado tempo, a única coisa que pensamos em fazer quando estamos perto, é sempre transmitir nosso amor e receber na mesma proporção.
Entretanto, se tratando de %Sebastian%, nossa chama jamais apagaria, principalmente por ele não poder me tocar mais intensamente, neste período de minha gravidez.
Finalmente o grande dia havia chegado, de forma surpresa e inesperada. %Sebastian% havia ido ao porto buscar meu pai e Margareth, que decidiu vir sem seu marido, a família de meu marido havia desembarcado há duas semanas para acompanhar os possíveis momentos finais de minha gravidez. Felizmente, quando aquele alarmante líquido começou a escorrer de mim, estava em meu quarto conversando com Sophie, que desesperada começou a gritar por ajuda a Isla e a senhora Poppy.
— Poppy... Está doendo… — disse ao me deitar na cama com a ajuda de Sophie.
— Eu sei, querida, mas dar tudo certo, não se preocupe. — ela se virou para Isla. — Mesmo que Zachary saia às pressas para buscar socorro, o médico não vai chegar a tempo.
— Então faremos o parto? — Isla a olhou preocupada.
— Sim — assentiu minha sogra.
— A senhora sabe fazer isso? — a olhei assustada.
— Sim, fui eu quem fez o parto do Aidan. — ela virou seu olhar para Isla. — Traga toalhas limpas, água quente, uma bacia, tesoura e faca.
— Sim, senhora — Isla saiu às pressas do quarto.
Senti uma forte dor que me fez gritar de imediato, foi neste momento em que %Sebastian% entrou correndo no quarto.
— %Nalla%! — sua face parecia mais pálida ainda, seu olhar preocupado e ansioso ao mesmo tempo.
— AAHHHHHHHHH!! — eu não conseguia respirar direito por causa da dor, tudo que me minha a mente era gritar para conseguir suportar aquilo.
— Tirem ele daqui. — disse a senhora Poppy se referindo ao filho. — Quero todos os homens fora deste quarto.
— Não — %Sebastian% protestou, mas Lee o segurou pelo braço o arrastando para fora.
— Segure a mão dela, Sophie, para ajudá-la.
— Sim. — ela virou seu olhar para mim e tentou suavizar seu rosto com um sorriso singelo. — Fique tranquila, senhora, vai dar tudo certo.
Como eu poderia ficar tranquila naquele momento, tudo que eu sentia era dor e mais dor… Teria que ser forte pelo meu filho, para trazê-lo ao mundo, mas aquilo estava a cada segundo me deixando sem forças. Logo Isla adentrou o quarto, antes de fechar a porta, vi de reflexo a face de %Sebastian% estático do lado de fora, mais um grito de dor saiu de mim de forma instantânea, o atormentando ainda mais do outro lado.
— Agora preciso que faça toda força que conseguir, precisamos colocar esta criança para fora. — disse a senhora Poppy. — Isla, quero que pressione a barriga dela para ajudá-la a empurrar esse bebê.
— Sim senhora — prontamente Isla subiu em cima da cama e começou a forçar sua mão em minha barriga me ajudando.
Certamente eu jamais esqueceria aquele momento, aquela sensação, aquela dor… Quanto mais força eu fazia, mais dor eu sentia, meus gritos estavam ficando cada vez mais altos e nem imaginava como que a mão de Sophie estava sobrevivendo a mim. Assim que finalmente meu filho nasceu, senti que ainda estranho ainda acontecia dentro de mim.
— Ainda está doendo — disse recuperando o fôlego que ainda me restava.
A senhora Poppy me olhou como se já soubesse a resposta e, entregando o bebê para Margareth, que havia entrado no quarto após o primeiro choro do bebê, voltou seu olhar para mim.
— Eu sabia que sua barriga estava grande demais para uma criança só — explicou ela.
— Não pode ser… — disse sentindo-me cansada.
— Querida, você precisa ser ainda mais forte, temos outra criança aí dentro. — encorajou minha sogra. — Não pode desistir agora.
— Oh céus… Ela estava grávida de gêmeos — Marg soltou um suspiro de euforia misturado a preocupação.
— Eu continuo aqui, senhora, estamos com você — disse Sophie ainda segurando minha mão.
Assenti pedindo a Deus para me ajudar, se o milagre era duplo, não iria recusar depois de cinco anos frustrada. Respirei fundo e, ao comando de minha sogra, Isla de ajudou a empurrar meu segundo bebê. Eu estava cansada, fraca, mas ainda buscava fôlego para não desistir dele. Mais uma vez soltei outro grito de dor, algo que certamente faria %Sebastian% enlouquecer do outro lado ao imaginar que havia outra criança dentro de mim.
Assim que ouvi o segundo grito de choro, senti as lágrimas descerem em meu rosto. Neste momento não tinha nem mesmo mais forças para segurar a mão de Sophie, minha visão foi ficando embaçada e escura, a última coisa que vi foi a porta se abrindo.
- x -
— %Sebastian%… — foi a primeira palavra que consegui sussurrar ao recobrar a consciência.
Meu corpo ainda não respondia às ordens da minha mente, era como se cada músculo meu estivesse adormecido, aos poucos a sensação de dor foi retornando, certamente tudo em mim ainda não havia voltado ao eixo normal. Após longos momentos de dor, seria óbvio ainda sentir cada pedaço de mim dolorida. Forcei meus olhos se abrirem sem um pouco sucesso, mas na quarta tentativa finalmente a claridade que entrava pela janela atingiu minhas fracas pupilas.
— %Sebastian%… — sussurrei novamente.
— Estou aqui, meu amor — ele logo segurou em minha mão, senti o movimento do seu corpo se sentando ao meu lado.
— Como eles estão? — minha maior preocupação eram meus filhos.
— Deveria querer saber como você está — disse ele tentando me repreender.
— Somente me diga — senti que minha voz estava baixa, minha fraqueza não me permitia fazer esforço para nada, me perguntava como ainda conseguia respirar, estava cansativo até mesmo puxar o ar para mais pulmões.
— Eles estão bem, Margareth e minha mãe estão cuidando deles — respondeu %Sebastian%, senti sua outra mão acariciar meus cabelos.
— Você disse eles? — minha visão foi se ajustando aos poucos, permitindo-me ver com clareza a face dele
— Sim. — assentiu dando um sorriso singelo. — São dois fortes meninos.
Soltei um suspiro de satisfação e felicidade!
— A espera valeu a pena… Temos dois lindos herdeiros… Somos uma família completa agora. — ergui lentamente minha mão e toquei sua face, deslizando meus dedos em seus lábios. — Acho que quero um beijo, em comemoração.
Ele abriu um largo sorriso.
— Não está fraca demais para isso? — brincou ele beijando de leve minha mão e a segurando.
— Seu beijo me dá energia — retruquei.
— Por que não disse logo? — ele foi se aproximando mais e mais de mim, até que seus lábios tocaram os meus de forma suave por um longo tempo.
Fisicamente, minha teoria não havia dado certo, mas por dentro me sentia, sim, mais forte, ele estava ao meu lado. De certa forma, %Sebastian% sempre esteve todo o tempo, mesmo na época que eu nem mais me lembrava dele, eu estava em seus pensamentos, subjetivamente, seu amor estava comigo.
Agora, diretamente, eu viveria aquele amor para sempre.
“Eu perdi minha mente, no momento em que te vi
Exceto você, tudo ficou em câmera lenta
Diga-me, se isso é amor
Compartilhando e aprendendo,
Incontáveis emoções todos os dias com você
Brigando, chorando e abraçando
Diga-me, se isso é amor.”
- What is Love / EXO