Epílogo
Manhattan - Primavera de 1863
%Nalla%:
Eu estava curiosa para saber o que levou %Sebastian% a viajar às pressas para Flórida, principalmente pelo país estar iniciando uma tortuosa situação com os rumores de uma Guerra Civil. Minha preocupação com ele fazia-me passar horas em frente à janela do quarto olhando rua, esperando seu retorno.
— Mamãe — disse meus filhos em um coral adentrando o quarto sem a menor formalidade.
— Crianças. — voltei meu olhar para eles. — O que disse sobre entrarem assim no quarto das pessoas? Devem ser educados e formais.
— Nós somos, mamãe. — Simon deu um sorriso bobo. — Mas só cinquenta por cento de nós.
— O quê? — ri sem entender o motivo. — Por que somente a metade?
— Porque na outra metade somos burgueses — explicou Dimitri tranquilamente, seu olhar sereno me lembrava o de %Sebastian%.
— Burgueses também são educados. — retruquei em repreensão novamente. — Seu pai jamais entraria no quarto das pessoas sem bater.
— Por que ele bateria? Tudo aqui é dele.
— Simon — o olhei profundamente, porém desviei meu olhar para a janela novamente ao ouvir o barulho de uma carruagem.
Senti meu coração pulsar mais forte. Os meninos se aproximaram da janela em curiosidade, certamente também estavam com saudades do pai silencioso e observador que possuíam. Assim que os cavalos pararam em frente à entrada de nossa casa, %Sebastian% desce primeiro, sendo seguido por Lee, então, quando pensei que já entrariam na casa, duas crianças desceram logo após.
Havia tristeza em suas faces, pareciam acuadas. A garota parecia ser mais velha, aparentava ter a mesma idade que meus filhos, sua pele curiosamente era mais bronzeada que o normal, não chegava ao tom dos negros recém-libertos que trabalhavam na fábrica de %Sebastian%. Porém, o menino mais novo tinha a pele clara como a neve, ele estava encolhido se agarrando ao braço da garota, certamente assustado.
Me afastei da janela e disse para as crianças ficarem me esperando em seus quartos, desci depressa para a sala de estar, precisava saber o que estava acontecendo.
— %Sebastian% — disse assim que terminei de descer as escadas e vê-lo entrar pela porta.
— Bom dia — ele manteve seu olhar sério.
— Fiquei preocupada, não sabia mais no que acreditar, os jornais dizem muitas coisas — desabafei dando um suspiro fraco.
— Me desculpe lhe causar este transtorno, mas… — ele olhou para as crianças. — Não podia deixá-los lá.
Quando ele me contou a fundo o motivo, senti meu coração apertar pelo sofrimentos deles. Aquelas duas crianças tinham perdido sua única família, eram filhos de um velho amigo de %Sebastian%, que ele havia conhecido no tempo em que estava em Xangai, um comerciante que tentou novas oportunidades na América e convenceu meu marido a fazer o mesmo.
Jenie e seu pequeno irmão Will estavam sozinhos em meio ao fogo cruzado que a Guerra Civil estava causando ao sul do país. Após o pai ser morto cruelmente por apoiar a abolição, foram amparados por conhecidos até meu marido resgatá-los.
— Bom dia, crianças. — sorri de forma gentil. — Estão com fome?
Jenie olhou para seu irmão, que assentiu com o olhar, então ela voltou sua atenção para mim, ainda receosa.
— Não tenha medo. — estendi minha mão para ela. — Venha, vou preparar para vocês um delicioso brunch.
O pequeno Will se afastou um pouco de sua irmã e se aproximou de mim. Eu me senti um pouco estranha naquele momento, como se minha mente estivesse me fazendo lembrar algo que já tinha vivido antes. De forma inesperada, flashes passaram em minha cabeça como um filme, me fazendo lembrar do dia em que conheci %Sebastian%.
Logo, um forte sentimento de conforto e acolhimento tomou conta de mim, assim como no passado eu senti uma enorme vontade de ajudar meu marido e mantê-lo tão seguro quanto eu me sentia. Eu também estava sentindo neste momento, que cuidaria daquelas crianças com o mesmo amor que cuidava de minha família...
"Não há ninguém como você,
Mesmo se eu olhar em volta é tudo igual
Onde mais procurar?
Uma boa pessoa como você,
Uma boa pessoa como você,
Um coração bom como o seu,
Um presente bom como você"
- No Other / Super Junior
"Amor: A caridade gerou a gratidão, a gratidão gerou o amor, o amor mudou duas vidas."
[ Nós amamos porque Ele nos amou primeiro. - 1 João 4:19 ] - by: Pâms
Fim