The Beauty And The Beast


Escrita porPams
Revisada por Natashia Kitamura


17 • Stand by Me

Tempo estimado de leitura: 25 minutos

Nottinghamshire - Outono de 1846

  %Sebastian%:

  Passei aqueles últimos dois anos cobrando as dívidas dos clientes do meu pai, a cada nobre que passava pela minha lista, meu patrimônio na região de Derbyshire só aumentava, ver o olhar de ódio de cada um daqueles aristocratas para mim, enquanto tomava suas poucas riquezas era como ver uma obra de arte. Enquanto isso, em Londres, o arquiteto François continuava a reforma e restauração da mansão, o que estava me custando uma boa quantia, porém, segundo suas palavras, ao final da obra, toda a sociedade ficaria se corroendo de inveja.
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  — Senhor Winchester — disse Lee ao adentrar meu escritório com uma pasta na mão — Aqui estão os documentos finais de todas as propriedades, mobiliário e obras de arte que agora pertencem ao senhor.
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  — Agradeço a agilidade e competência — desviei meu olhar do jornal The Times para ele.
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  Lee assentiu brevemente com a face e depositou a pasta na mesa em minha frente.
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  — Felizmente agora com o selo real, as pessoas não poderão mais dizer que o senhor… — ele parou por um momento — A dívida daqueles lordes se tornou oficial aos olhos da família real britânica.
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  — Pelo menos uma boa notícia — suspirei fraco ao me lembrar de breves boatos que minha mãe havia contado sobre lady Lewis, em sua forma não discreta no jantar passado.
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  — Seu olhar de preocupação me faz pensar que deseja algo mais. — observou ele como se estivesse analisando minhas expressões. — O que ainda lhe incomoda, senhor?
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  — O boato sobre a possível corte entre ela e um tal conde de Limerick, preciso saber se é verdadeiro — engoli seco minhas próprias palavras, ao imaginar que poderia mesmo ser real.
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  — Irei pessoalmente investigar, senhor — assegurou.
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  — Não. — me levantei de minha poltrona e olhei brevemente para a pasta. — Agora que temos toda esta fortuna, preciso continuar concentrado no que farei a seguir, seus serviços aqui são mais necessários.
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  — Mas, senhor… — ele tentou insistir, sabia que %Nalla% também era um assunto importante.
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  — Isla. — decidi, apesar de tê-la contratado recentemente, Lee a conhecia de alguns anos e confiava nela, então eu sabia que poderia depositar esta tarefa. — Tenho certeza que ela será tão discreta quanto você.
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  — Como queira, senhor, mandarei Isla em meu lugar. — assentiu ele prontamente. — Mais alguma ordem?
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  — Prepare todas as coisas para o leilão das propriedades e dos móveis, decidi que ficarei somente com as obras de arte por enquanto — ordenei dando alguns passos até a estante de livros.
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  — Sim, senhor.
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  — Sobre o banquete que minha mãe está preparando para seu aniversário de casamento, se certifique de que tudo saia como ela quer. — o olhei novamente. — Principalmente a presença dos convidados.
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  Lee deu um sorriso discreto como se soubesse o peso de meu pedido, aquela seria a primeira vez que abriria os portões do nosso castelo para dar um banquete aos nobres de Nottinghamshire. Eu achava desnecessário alimentar os nobres que sempre os humilharam, mas se isso deixava minha mãe feliz e cicatrizava o orgulho ferido do meu pai, era um dinheiro bem gasto. Meu fiel mordomo se inclinou com suavidade e depois saiu em direção aos seus afazeres, iniciaremos naquele momento a segunda parte do meu plano, triplicar meus lucros com toda a dívida arrecadada.
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  Meu pai já havia se dado por vencido, a ideia de se aposentar dos negócios e viver tranquilamente com minha mãe naquele castelo lhe agradava. Felizmente, eu tinha Aidan para me auxiliar nos negócios locais. Transformaria meu primo em um sábio homem de negócios como eu, afinal, ele ficaria ali com meus pais administrando o açougue e a nova loja de tecidos da qual havia lhe presenteado.
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  Todo o meu progresso financeiro era bom, finalmente havia me estabelecido no topo da sociedade inglesa, porém, uma grande parte de mim se sentia incompleta, essa parte já tinha definido a causa e o nome: Lady %Nalla% Lewis. A cada vez que pensava nela, sentia meu coração doer, algo que consumia por dentro de uma forma descomunal.
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  — Ah… — soquei a parede sentindo uma leve raiva tomar conta de mim ao me lembrar daquele boato.
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  Um nó se formou em minha garganta, me voltei para a pequena mesa ao lado da janela e despejei um pouco de vinho no cálice, fiquei olhando aquele líquido por um tempo até que o engoli, parecia uma brasa acesa descendo dentro de mim. Imaginar %Nalla% comprometida a outro homem me dilacerava por completo, não conseguia mais entender até que proporção aquele sentimento que havia nutrido todos aqueles anos por ela me levaria. Só havia a visto raras duas vezes e atualmente já estava entregue a ela sem que soubesse.
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  Ela certamente nem se lembraria mais da pobre criança que um dia alimentou, enquanto eu revivia aquele dia todas as noites em meus sonhos. O gosto amargo logo invadiu minha boca e em um surto de raiva e frustração, apertei o cálice de vidro que estava em minha mão, o quebrando.
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  — Oh, querido! — disse minha mãe ao adentrar o escritório. — O que aconteceu?
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  — Estou bem — abaixei minha mão, fingindo, e a olhei com suavidade.
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  — Oh! — ela se aproximou de mim já pegando em minha mão ferida. — Pode mentir para si mesmo, mas não para sua mãe.
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  Sorri de canto, ela realmente me conhecia, mesmo depois de anos longe de casa, o amor de minha mãe só havia aumentado, talvez fosse seu carinho a base que me mantinha ainda de pé.
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  — Não estou mentindo — estava sim.
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  — Eu te conheço, anjo. — ela sorriu enquanto continuava a retirar os cacos de minha mão. — Sei que não é somente sua mão que está ferida, mas também este coração aí dentro. — sempre sincera e direta comigo, nenhum detalhe lhe passa despercebido. — Hum…
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  — O que foi?
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  — Eu e minha boca grande, não deveria ter comentado aquilo no jantar. — ela parecia rígida em sua auto repreensão, enquanto limpava o sangue com seu lenço. — Deus sabe o quanto peço para me ponderar nos comentários.
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  — Fique tranquila em seu coração. — a tranquilizei mantendo minha voz suave, mesmo sentindo as dores dos seus cuidados com minha mão. — Preciso saber a realidade, para poder me preparar de forma correta.
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  — Ainda vai insistir neste sentimento? — ela me olhou admirada. — Não sei se devo ficar preocupada com isso ou aliviada por não desistir deste amor, apesar de ser o único lado de ama… Bem, perdoe-me, querido.
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  — Por dizer a verdade? Não há nada para se perdoar, a senhora está correta em suas palavras, sou o único que ama e devo ser o único que se lembra — suspirei fraco.
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  — Ainda me fascino com a história que contou. — ela sorriu. — Por isso ainda acredito que vai dar certo, oro todas as noites para que dê.
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  — Agradeço o apoio, minha mãe — sorri de volta.
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  Estava feliz por tê-la comigo agora. Minha mão iria cicatrizar sem problemas, mas meu coração só o tempo iria dizer, o rasgo era grande e parecia que não se fecharia tão cedo, algo me dizia que más notícias viriam.
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   — Tenho que admitir, esta festa está saindo melhor do que imaginava. — disse Aidan ao adentrar no meu quarto. — Principalmente depois de dois meses de planejamento, pensei que tia Poppy jamais marcaria a data da grande noite.
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  — Que bom que todos estão se divertindo. — disse mantendo meu olhar voltado para a janela, vendo os convidados espalhados pelo jardim. — Afinal, este banquete é para isso mesmo.
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  — Vejo que não está de fato animado com tudo. — observou ele. — Algo te preocupa? Algo relacionado à carta que recebeste há três dias?
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  — Não consigo esconder nada de minha família? — sorri de canto direcionando meu olhar para minha mãe que estava rindo, enquanto conversava com algumas damas esposas dos comerciantes locais.
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  — Pode até ser enigmático com os outros, mas conhecemos suas mudanças de humor pela forma de olhar para as coisas. — explicou ele de forma clara e objetiva. — Depois que recebeu aquela carta, ficou ainda mais sério e silencioso do que já é, poderia até apostar que é algo relacionado a sua lady e obviamente ganharia.
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  — Certamente ganharia. — concordei. — Esta vem sendo minha única preocupação atualmente.
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  — Você deveria relaxar mais… — aconselhou ele erroneamente. — Não querendo ser pessimista, mas já sendo… E também, existem mais mulheres neste mundo.
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  — Eu poderia até perder meu tempo te explicando que ela é a única para mim, mas sei que sua mente de libertino promissor não iria entender. — desviei meu olhar para ele finalmente, meu primo estava com uma taça de champanhe na mão. — Então, deixarei que aproveite seus dias, até ser esfaqueado por este sentimento.
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  — Que isso. — ele fez uma careta estranha. — Fala do amor como se fosse algo mortal.
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  — Para mim está sendo, um doce veneno que me mata aos poucos a cada dia.
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  — Está bem melancólico hoje, tem certeza que não quer se divertir no banquete? — insistiu.
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  Recusei apenas com o olhar, voltando minha atenção a janela. Ali estava a imagem que queria, Isla passando discretamente pelos convidados. Respirei fundo e me virei.
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  — Aproveite a festa por mim. — disse a Aidan ao passar por ele e abrir a porta. — Mas tenha cuidado, deve ser responsável pelos seus atos no dia seguinte.
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  — Não se preocupe, %Sebastian%, jamais traria problemas ao meu primo favorito — ele piscou de leve e tomou o último gole do champanhe.
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  — Sou seu único primo — ri baixo ao saírmos do quarto.
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  Seguimos juntos até o corredor que dava para o salão principal, desviei meu caminho em direção ao escritório, assim que entrei, Isla e Lee já estavam me aguardando como se soubesse que iria para lá. Estava aflito pelo que Isla havia escrito em sua carta, mesmo que fosse confirmar suas palavras, eu estava pronto para aquilo.
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  — Diga, sem rodeios — engoli seco mantendo meu olhar nela.
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  — Senhor Winchester, é verdade. — confirmou os boatos. — Infelizmente lady %Nalla% vem mantendo a corte com Sir Ulrich Meagher do condado de Limerick, suas famílias são próximas há muitas gerações, além de se conhecerem desde criança, descobri que sir Ulrich a salvou de se afogar no rio há alguns anos.
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  Então era isso. Fechei meus olhos sentindo minha mente paralisada com aquilo, um sentimento de derrota tomou conta de mim, fazendo aquela raiva voltar ainda mais intensa. Fechei meus punhos por um instante me imaginando frente aquele homem e socando sua cara, logo me virei para trás e, abrindo os olhos, peguei o vaso de decoração que estava na mesa ao lado da minha poltrona e o lancei contra parede.
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  — Ah… — Isla soltou um pequeno grito de susto, mas logo tampou a boca com as mãos.
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  — Senhor, este vaso… — Lee tentou, porém desistiu.
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  — Eu não me importo com o vaso! — alterei minha voz voltando meu olhar para Isla. — Continue.
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  — Senhor, acho melhor deixar isso para amanhã, está começando a ficar fora de si.
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  — Eu mandei ela continuar — senti meu olhar de fúria atravessar Isla, como se ela fosse a causa do meu problema.
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  — Isla, saia — ordenou Lee.
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  — Não — retruquei.
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  — Saia, agora! — insistiu Lee, num tom mais alto.
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  Sem pensar duas vezes ela saiu já assustada com minha reação.
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  — O que você pensa que está fazendo? — fechei meu punho novamente sentindo ainda mais raiva. — Quem você pensa que é?
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  — Eu estou fazendo o meu trabalho. — ele se impulsionou vindo em minha direção e socou minha cara sem receio. — Lembre-se, antes de ser seu mordomo, sou seu amigo.
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  — Não é mais — eu o soquei de volta, descarregando tudo de ruim que estava dentro de mim.
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  Sim, Lee era meu amigo, ele devia sua vida a mim por tê-lo salvo nos meus tempos de pirata, mas o principal é que ele era oficialmente minha consciência. Eu sabia que tinha um lado negro cheio de revolta dentro de mim, o ódio que sentia dos nobres me cegava em alguns momentos, sentimento que me acompanhava desde o tempo em que vivia na workhouse do senhor Cooper. Precisava de alguém que me ajudasse a controlar toda aquela raiva, e após uma boa briga cheia de socos e verdades jogadas em minha cara, ele sempre conseguia me fazer voltar à razão.
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  A verdade é que eu não estava preparado para nada daquilo, nunca havia cogitado a ideia de não tê-la em meus braços, isso aumentava ainda mais minha agonia e frustração. Ingênuo de minha parte achar que ser o homem mais rico da Inglaterra me daria a chance de estar com ela, lá no fundo eu ainda era a pobre criança que entrou em sua cozinha e depois a viu partir com as costas machucadas.
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  Toda vez que me lembrava que havia se machucado por minha causa, meu desejo de ter estado em seu lugar aumentava ainda mais. Metade do meu escritório estava quebrado, tanto eu, como ele estávamos sentados ao chão agora rindo de tudo aquilo, a última vez que havíamos brigado, eu nem lembrava mais.
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  — Imagino sua dor — disse ele jogando o lenço que estava no seu bolso para mim.
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  — Agradeço, meu amigo — peguei o lenço e logo limpei o sangue que escorria de minha boca.
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  Lee havia passado por uma desilusão amorosa há alguns anos, a mulher que enfeitiçara seu coração era casada, após muitas coisas em sua aventura amorosa, ele descobriu que seu marido existia, em um jantar de negócios em que eu era o convidado principal. Ah, sim, me lembrava perfeitamente daquele dia, foi o último que brigamos, e ele era a pessoa da vez que precisava voltar a razão.
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  — Mas ainda não acabou. — disse ele, de forma tranquila. — Se voltar a pensar com calma e frieza.
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  — Como não acabou? — o olhei confuso, sentia fortes dores no maxilar.
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  — É somente uma corte. — explicou ele. — Ela ainda não se casou com o tal…
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  — Não ouse repetir o nome dele. — o interrompi já entendendo, suspirando fraco. — Você está certo, me deixei levar pela frustração e raiva, tenho que pensar com calma.
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  — Agora meu amigo está de volta — ele riu, inclinando seu corpo até deitar no chão.
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  — Certamente não deixaria Isla voltar aqui para contar o resto, não é?
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  — Não. — afirmou ele rindo novamente. — Isla ficará longe de você por tempo indeterminado.
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  — Eu jamais faria algo contra ela. — o olhei meio ofendido. — Sabe minha opinião sobre tal ato.
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  — Sim, eu sei, não é pela Isla, ela sabe se defender. — ele respirou fundo. — É por você, já estava ansioso pela carta, acha mesmo que não percebi suas oscilações de humor?
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  — Já entendi que você e minha família me conhecem bem — admiti.
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  — Vamos agir com cautela, temos que conhecer o inimigo e saber bem quão afundo é esta ligação entre as famílias. — sugeriu ele sabiamente. — Além do mais, cortes estão relacionadas a dotes, o que me faz ficar interessado nas finanças do pai dela, não deve ser fácil manter um castelo, principalmente em tempos onde a maioria da nobreza anda endividada.
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  — Boa observação. — me acheguei um pouco mais para perto da parede e encostei minhas costas nela. — Seria sorte se o pai dela estivesse com dívidas.
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  — Seria um milagre, meu amigo, e vamos atrás disso. — ele ergueu seu corpo e sorriu de canto. — Mantenha este coração firme e tranquilo, ainda podemos reverter essa situação.
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  — Como posso agradecer por ser minha consciência? — o joguei de volta seu lenço.
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  — Continuando a ser a minha também. — ele riu ao se levantar. — Vou pedir para prepararem um chá para você, precisa descansar.
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  — Eu estou bem. — disse me levantando junto. — Este lugar que parece mal.
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  Nós rimos como dois bobos.
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  — Vamos sempre nos lembrar que brigar é feio — disse a ele indo em direção a porta.
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  — Concordo. — ele saiu primeiro e olhou para o corredor à frente. — Acho melhor passar por este lado, assim evitará esbarrar nos seus pais e ter que explicar os hematomas.
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  — Não precisava me socar com tanta força — levei a mão em meu queixo.
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  — Vá para o quarto e durma um pouco, logo a dor passa — aconselhou.
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  — Não me importo com a dor física, sabe disso — ignorei um pouco, porém segui para o corredor.
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  Os dias se passaram e alguns problemas surgiram com os carregamentos que chegaram de minha frota no porto de Liverpool, era a primeira vez que me ausentava tanto tempo de casa desde havia retornado. Porém, passar aqueles dias longe do castelo e afundado nos negócios, preencheram minha mente com assuntos importantes e afastando pensamentos sobre %Nalla% e o tal sir.
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  — Com isso resolvemos todos os problemas futuros — disse ao examinar a assinatura do antigo proprietário da área exclusiva que eu havia comprado no porto para que meus navios pudessem atracar.
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  — Ainda me surpreendo com o valor dessas pessoas — comentou Lee permanecendo de pé diante da minha mesa.
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  — Para você ver que todos tem um preço, só é preciso saber qual — expliquei como satisfação.
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  — Bem, então devo lhe dar mais uma boa notícia — pelo seu tom de voz, parecia algo que iria me animar ainda mais.
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  — Surpreenda-me — levantei meu olhar para ele.
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  — Digamos que tenho o valor do lorde Isaac Lewis, conde de Carnarvon e pai da sua amada lady.
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  Agora ele havia despertado tanto o meu interesse, como o meu coração congelado pela frustração. Eu gostava quando Lee ativava seu lado detetive, não sabia de onde tirava tanto informante que lhe trazia fatos precisos sempre, algo que me beneficiava muito. Lorde Isaac Lewis era um nobre importante na região de Derbyshire, seu perfil de homem equilibrado para a sociedade aristocrata era somente fachada, seu pequeno vício em jogos já havia consumido grande parte de sua fortuna e lhe causado muitas dívidas.
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  Outra curiosidade é que lorde Lewis possuía uma longa lista de amantes, supostamente responsável pela outra parte da fortuna perdida, com suspeitas de dois filhos bastardos, certamente o valor do silêncio de suas amantes havia sido bem alto. Mas não era somente isso, além de %Nalla%, a primogênita do primeiro casamento, ele se casou novamente e teve mais duas filhas. Um nobre que mantém quatro mulheres não deve gastar pouco, principalmente para manter as aparências.
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  Quanto mais Lee me relatava todos as informações sobre a família Lewis, mais minha mente trabalhava em como poderia usar aquilo em meu favor, até que chegamos ao ponto certo. O pai de %Nalla% poderia estar com os dias contatos por atrair dívidas com uma perigosa família do sul da Itália. Aconteceu há alguns meses em uma de suas viagens com a família pelo país. Segundo meu mordomo, lorde Lewis perdeu uma quantia considerável para eles em uma aposta de corrida de cavalos, sua maior fraqueza.
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  — Bem, estou inclinado a pensar que faremos um desvio em nossa rota — comentou Lee, já entendendo meu olhar.
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  — Vamos para Derbyshire, tenho uma leve sensação que uma corte será desfeita.
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  — Mal posso esperar para vê-lo realizar seu desejo. — disse ele num tom satisfatório. — Esperou muito por isso.
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  — Você não imagina o quanto — concordei.
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  Sim. Eu havia esperado por aquilo, o momento em que poderia finalmente me aproximar de %Nalla%, porém, agiria com mais cautela ainda. Para um nobre orgulhoso como Isaac Lewis deveria ser, não seria fácil ouvir de um burguês a proposta que eu já estava articulando em minha mente. Entretanto, a faria sem receio, ele precisava salvar o pescoço da guilhotina que a tal família italiana estava preparando, algo que somente o meu dinheiro o ajudaria.
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  — Agora sim, meu coração voltou a bater de verdade. — sussurrei ao me voltar para a janela e olhar as carruagens passando pela rua. — Consigo sentir lá no fundo que ela será minha.
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  — O quê? Como ousa me fazer essa proposta? — lorde Lewis elevou seu tom de indignação. — Me convidou à sua casa para isso?
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  — A escolha é sua. — mantive meu olhar sereno sentado em minha poltrona. — Porém, reforço que deveria pensar em sua família, uma esposa e três filhas, na sociedade em que vivemos, as mulheres não ficam com a herança quando os maridos morrem. Certamente suas propriedades irão para seu primo, não é mesmo?
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  Era um tanto cruel fazer aquilo, mas estava fazendo lembrar sua realidade, o que deu certo, pois senti que estava tentando acalmar-se por dentro.
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  — Não posso estragar assim os planos de minha família, o noivado já está acertado e com data marcada. — retrucou ele. — Dei minha palavra.
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  — Sim, e já sabe como pagará o dote? Certamente a família Meagher, mesmo sendo amiga, são inteiramente tradicionais quanto a isso. — sorri de canto disfarçadamente. — Já pensou nos custos do casamento? Acho que é a família da noiva quem cuida disso.
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  — Por que ela? — ele me olhou intrigado. — Tenho três filhas, por que %Nalla%?
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  — Não importa. — respirei fundo e me levantei. — Não deveria estar feliz? Pagarei uma fortuna em dívidas e a única coisa que peço, é a mão de vossa filha em casamento.
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  — Estarei vendendo a minha filha. — retrucou ele. — Sou um cavalheiro, minha consciência…
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  — Deveria ter pensado nisso antes, mas em uma coisa eu concordo, não quero comprá-la como se fosse um objeto — o interrompi.
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  Jamais queria transformá-la nisso e subjetivamente, aquela proposta estava fazendo isso, eu a amava sim, havia passado todos aqueles anos desejando tê-la em meus braços, mas não faria de forma obrigada.
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  — O que propõe então? — agora o seu olhar ficou confuso.
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  — Eu pagarei toda a sua dívida. — afirmei com segurança. — Com uma simples condição.
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  — Qual? — perguntou.
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  — Assimilando agora minhas palavras iniciais, jamais forçaria lady %Nalla% a se casar comigo, entretanto…
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  — Entretanto?
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  — Em troca de minha benevolência, você não deixará que ela se case com nenhum outro homem — finalizei minhas condições de forma plausível.
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  Eu poderia estar sendo egoísta demais com aquilo, mas tinha um motivo, não conseguiria e nem teria forças suficiente para vê-la nos braços de outro homem.
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“Podia este sentimento ser amor
Ainda agora, sou bastante tímido
Nem consegui dar um passo para perto de você
Então por favor, espere pelo meu amor”

- Stand By Me / SHINee

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Natashia Kitamura

Está decidido que a minha parte favorita da história, é a que mostra como foi que o Sebastian chegou até onde está. Adoro saber que não foi fácil, mas que ele perseverou bem! A Nalla é uma mulher de muita sorte. Mas também acho que ele tem que se abrir mais para ela. Animada para os próximos capítulos! *-*

Pâms

<3<3<3<3<3 Sebastian trabalhou muito pra chegar onde chegou e se casar com a lady Lewis <3<3<3
Aguarde e confie que ele vai fazer isso aos poucos <3<3<3<3 Sebastian ainda tem muito a mostrar para a esposa!!!

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