15 • Love Again
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Londres - Outono de 1848
%Nalla%:
Acordei no meio da madrugada e percebi que %Sebastian% não estava no quarto, me levantei com certa dificuldade, estava sentindo um estranho desconforto em meu corpo. Me apoiei de leve na parede respirando fundo, até que tudo se estabilizou dentro de mim, então saí do quarto e segui pelo corredor até chegar às escadas. Logo o som do piano começou a surgir, era ele quem estava tocando na sala.
— %Sebastian%? — sussurrei ao descer o último degrau, voltando meu olhar para ele sentado em frente ao piano.
Tinha que admitir que ele tocava ainda melhor do que eu, era algo que sempre me surpreendia, um burguês possuir tanta sutileza ao tocar as notas de um piano, um instrumento tão delicado. Assim que ele terminou a sonata de Mozart que estava tocando, seu olhar veio de encontro a mim, como se soubesse de minha presença.
— Perdoe minha ausência em nossa cama. — disse ele dando um sorriso singelo. — Senti uma breve agitação dentro do meu peito, não quis acordá-la.
— Confesso que foi estranho despertar e não vê-lo no quarto, mas ouvi-lo tocar é reconfortante. — assim que dei o primeiro passo para sua direção, senti uma forte pontada em meu ventre, levei a mão nesta região encolhendo um pouco meu corpo — Ai…
— %Nalla%? — %Sebastian% logo se levantou e veio me amparar.
— %Sebastian%… — fechei os olhos sentindo a dor ficar ainda mais intensa, minhas pernas ficaram um pouco bambas.
— O que foi? O que está sentindo? — ele tentou me apoiar um pouco mais, porém, meu corpo desfaleceu até chegar ao chão.
— Estou… — não conseguia falar de tanta dor, quando os abri olhos novamente ergui minha mão e a vi com sangue, desci meu olhar e minha camisola já estava ensanguentada.
— Lee! — gritou ele ficando um pouco mais preocupado com meu estado. — Lee…
— %Sebastian%… — neste momento eu já somente sussurrava seu nome como um pedido de socorro.
Não conseguia distinguir mais sua voz ou o que acontecia ao meu redor, somente senti sendo envolvida em seus braços e carregada até o quarto, porém perdi a consciência no meio do caminho devido a intensidade da dor que sentia. Eu despertei com a claridade do sol em meu rosto, ao invés do meu marido, a pessoa que estava sentada ao meu lado era a senhora Poppy, que segurava com carinho minha mão.
Confesso que nunca havia provado do amor de uma mãe, Evelyn nunca havia me visto como uma filha, principalmente quando pegava escondido as traições de meu pai, ela sempre descontava em mim sua raiva. Mas a senhora Poppy estava me mostrando que carinho de mãe era independente do sangue, assim como ela havia adotado %Sebastian%, também já me considerava sua filha de coração.
— Oh, minha querida. — seu olhar gentil ainda tinha algumas lágrimas presas no canto. — Está melhor agora?
— Estou sim, senhora Poppy. — tentei sorrir, mas não consegui. — Onde está %Sebastian%?
— Conversando com o doutor Green. — ela respirou fundo. — Lamento o que esteja passando. Sei como se sente.
Sim, ela sabia. A senhora Poppy era a que mais me entendia, ela também havia sofrido muito ao perder tantos possíveis filhos com abortos espontâneos, aquele era mais um que eu perdia, mais um pelo qual meu coração chorava e me fazia sentir ainda mais inútil. Apesar de %Sebastian% sempre dizer que herdeiros não importavam, eu sabia que se tivéssemos um ele ficaria feliz também, todos estavam ansiosos por isso, principalmente minha sogra que sempre dizia orar a Deus para que lhe desse netos.
— %Sebastian%… — sussurrei ao olhar para a porta e vê-lo.
— Fico mais aliviado que tenha acordado — disse ele num tom moderado, mas sentia sua aflição no olhar.
Sorri fracamente para ele.
— Poderia nos deixar à sós? — disse ele para sua mãe.
— Claro, querido. — a senhora Poppy se levantou e me dando um beijo de leve na testa, se afastou em direção a porta. — Vou estar lá em baixo orientando os empregados.
— Não precisa, pode ir para casa — disse ele.
— Precisa sim. — seu olhar firme para ele, o deixou um pouco pensativo. — Não pode abraçar o mundo todo.
Ela saiu do quarto como se estivesse segura de que ele não a contestaria mais tarde, não conseguia entender o que ela havia dito com aquela expressão, mas estava somente feliz por ele me abraçar.
— Como está se sentindo? — ele se aproximou da cama e se sentou na beirada, ao lado onde eu estava.
— Estou… Sobrevivi fisicamente — eu definitivamente não estava bem por dentro.
— Não isso que perguntei — ele me conhecia mais do que eu mesma me conhecia.
— Não me sinto bem. — tentei segurar, mas uma lágrima escorreu de meus olhos. — Me perdoe…
— Por que pedes isso? — ele acariciou minha face secando a lágrima. — Acaso tenho te cobrado algo?
— Não… — sussurrei deixando meu olhar baixo. — Mas me sinto mal por não conseguir nem mesmo te dar um herdeiro, casaste com uma mulher estragada.
— Aos meus olhos, és a melhor mulher do mundo. — ele tocou em meu queixo, me fazendo olhar para ele. — Jamais repita isso.
— %Nalla%… Tudo o que mais quis no mundo todo eu já tenho. — ele sorriu com carinho, seu olhar de ternura me tranquilizava. — Seu amor.
Ele se levantou e deu a volta na cama, então se deitou em cima da colcha, ficando perto de mim, delicadamente me fez pousar minha cabeça em seu peito, me aninhando em seus braços. Fechei meus olhos e tentei deixar meu corpo relaxado em seus braços, mesmo com todas as dores físicas, meu coração se apoiaria em meu amado marido, além de sua família, que sempre fazia de tudo para me deixar ainda mais distraída e confortável em situações como essa.
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— Minha lady %Nalla%. — disse Sophie ao entrar em meu quarto.
— Sim. — eu estava sentada em frente ao espelho penteando meus cabelos. — O que deseja?
— Sua irmã Margareth está na biblioteca, deseja ter uma audiência com a senhora — explicou ela.
— Margareth? — eu estava estranhando aquela atitude de minha irmã. — Ela nunca foi tão formal assim comigo.
— Bem, devido de sua recuperação… — Sophie deu uma breve pausa. — Minha lady, ela parece muito aflita.
— Peça a para vir em meu quarto, melhor conversarmos aqui — ordenei a Sophie.
— Como queira, minha lady.
Sophie se retirou do quarto, passei aqueles minutos de espera terminando de pentear meus cabelos, até que Margareth finalmente adentrou o quarto. De imediato pude perceber sua aflição, até mesmo seus olhos inchados não conseguiam ser escondidos pela suave maquiagem, me deixando ainda mais preocupada.
— Marg o que aconteceu? Andou chorando? — me virei para ela, lançando um olhar sereno, porém preocupado.
— %Nalla%, perdoe-me… — antes mesmo que ela conseguisse terminar a frase, desabou sobre o chão em lágrimas, como uma criança arrependida de alguma travessura.
— Margareth? — me aproximei dela com cuidado e segurando suas mãos, a fiz se levantar, guiando-a até minha cama para que ficássemos mais confortáveis. — Minha irmã, o que aconteceu? Nunca fostes assim? Sempre exalou alegria por onde andastes.
— Estou a um passo da forca — disse em ainda em lágrima, começando até a soluçar, abaixou a cabeça olhando para seus dedos que se cruzavam.
Margareth sempre teve um lado dramático em suas palavras quando estava triste ou jurada de castigo por Evelyn, mas nunca a vi daquela forma tão abalada e desamparada, o que me fazia temer que havia feito algo ainda mais grave.
— Marg, olhe para mim. — disse num tom mais sério. — O que você fez?
Ela ergueu sua face lentamente e me olhou com seus olhos marejados de lágrimas, pelo seu olhar, eu já começava a cogitar que seria algo extremamente sério.
— Margareth, se não me disser, não poderei te ajudar — insisti.
— %Nalla%… Você sabe que eu e o lord Pierre nos tornamos bem próximos. — ela começou em sussurros. — Principalmente após nossa viagem ao Japão…
— Margareth, o que vocês dois fizeram? — a esta altura de sua demora em dizer o que estava acontecendo, eu já temia pelo pior.
— %Nalla%, eu juro… Eu juro que não queria te preocupar com meus problemas, principalmente uma semana depois de você ter perdido seu bebê, mas… — ela começou a chorar novamente.
— Eu sei, Margareth, sei que só podes contar comigo, Freya jamais te apoiou em todo esse tempo. — respirei fundo. — Agora, me diga o que vocês fizeram…
— Sabe aquela noite, no baile de máscaras que a família do senhor Kohaku nos ofereceu em Kyoto…
— O que tem aquele baile?
— Eu pedi para que me retirasse mais cedo e voltei para casa junto com você e %Sebastian%… — ela começou a explicar, me deixando ainda mais inquieta por dentro. — Eu não retornei ao meu quarto.
— O quê? — a olhei com um pouco de indignação.
— Esperei para que vocês apagassem as luzes e como sabia que não sairiam do quarto, eu saí novamente para me encontrar com Pierre no jardim — ela suspirou fraco, deixando mais algumas lágrimas.
— Não… Não… Margareth, por favor, me diga que não é o que estou pensando — me repreendi em pensar que minha irmã faria algo tão imprudente.
— Mas é… Não sou mais… — ela voltou a chorar com mais intensidade se deitando em meu colo. — Perdoe-me por trair sua confiança.
Eu não consegui ter nenhum tipo de reação. Respirei fundo ao sentir uma breve tontura e desci meu olhar para ela, que mais e mais chorava em meu colo, agora estava explicado em partes sua aflição e por que só poderia contar comigo. Porém, perder sua pureza antes do casamento não havia sido a parte mais grave do momento, as regras de Margareth estavam atrasadas e estava começando a desconfiar que estava grávida.
— Margareth, aquela não foi a única vez, não é? — perguntei de forma mais séria ainda, a fazendo erguer seu corpo. — Diga-me tudo, sem mais segredos.
— Não, não foi. — respondeu em sussurros. — A última vez foi na noite anterior a sua partida no final do verão.
— Não acredito. — me levantei da cama respirando fundo novamente. — Você passou todo o inverno e verão mentindo para mim, para todos? Margareth, sua traição passou dos limites aceitáveis, se é que existe algum.
— %Nalla%… Por favor, não conte ao papai, ele me mataria, minha mãe me esquartejaria. — sua voz ficou ainda mais aflita e seu olhar de piedade.
— Eu deveria fazer isso mesmo, mas não o farei. — passei a mão em meus cabelos tentando me acalmar, pois ainda estava debilitada de saúde. — Por certo que estou começando a ter ainda mais certeza de que está grávida, e quando a barriga aparecer? O que pretender fazer?
— Fugirei de casa. — disse ela de forma impensada. — Melhor isso, do que ele me colocar em um convento ao sul da Itália e jogar a chave fora.
— Deixe de ser ainda mais imprudente e dramática. — desviei meu olhar para a porta, após ouvir alguns toques. — Entre...
— Perdoe-me atrapalhá-las. — Sophie adentrou com uma bandeja de chá nas mãos. — Mas imaginei que quisessem um pouco de chá para acalmar os nervos.
— Obrigada Sophie, sua percepção é sempre bem-vinda. — disse a elogiando por sua atitude. — Podes deixar em cima da escrivaninha, caso %Sebastian% chegar, peça-o para não vir ao quarto agora.
— Oh, o senhor Winchester já chegou, minha lady. — comentou ela — Eu o informei da visita de Margareth, ele está no escritório neste momento.
— Agradeço, pode se retirar.
Ela fez uma breve reverência e saiu do quarto, enquanto isso, eu servi as xícaras com o chá e entreguei uma para Marg.
— Tome, ficar chorando agora não resolverá esta desventura que causaste a si própria — disse enquanto ela pegava a xícara.
— Obrigada, %Nalla% — disse ela em sussurros.
— Já que viajou de Derbyshire até Londres, passe o resto do dia aqui e volte para casa amanhã — a aconselhei.
— Não posso voltar para casa, não sem uma desculpa convincente. — retrucou ela se preocupando ainda mais. — Minha mãe tem me perguntado muito sobre meus dias com você, principalmente sobre a amizade que fiz com Pierre.
— Então Evelyn já está desconfiando. — imaginei. — Precisamos pensar no que fazer, acho melhor que passe alguns dias aqui então.
— Mas e o senhor Winchester? — perguntou ela receosa.
— Tenho certeza que ele não negará um pedido meu.
De fato, %Sebastian% nunca me negava um pedido, até mesmo quando o pedia para ficar em casa tendo reuniões importantes, havia acontecido isso na semana passada, eu estava tão triste e enfraquecida que não queria me afastar dele nem um momento sequer. Pela primeira vez meu marido havia passado cinco dias consecutivos em casa, e a maior parte deles ao meu lado, acariciando meus cabelos.
— Ficará tudo bem, Margareth — assegurei, só poderia contar com uma pessoa para me ajudar a salvar a garganta de minha irmã caçula.
Eu a levei até o quarto que geralmente se hospedava e pedi a Sophie para enviar uma criada que organizasse o lugar para minha irmã ficar mais confortável. Desci até o escritório e bati na porta antes de entrar, %Sebastian% estava desenhando algo em um pequeno caderno de bolso.
— Te incomodo? — perguntei num tom baixo, dando suaves passos até ele.
— Nunca. — ele fechou o caderno e o guardou na gaveta que estava aberta. — O que desejas?
— Suas palavras sinceras estão acelerando meus batimentos. — ele se levantou da cadeira. — Apesar do sorriso, sei que não está tranquila pelo seu olhar.
— Como posso esconder algo de um marido assim? — ri um pouco, porém voltei a suavizar minha face a deixando um pouco séria. — Me conhece mesmo.
— Você nem imagina o quanto. — confirmou ele. — O que a está preocupando?
— Sei que já fez muita coisa por minha família, nem mesmo tenho o direito de fazer algo a mais… — comecei tentando escolher as palavras certas.
— Sabes que não gosto de rodeios, sei que não está aqui somente para pedir que Margareth fique alguns dias — disse ele num tom mais sério ainda, seu olhar de segurança me fazia sentir ainda mais confiante em compartilhar aquele problema com ele.
— Sim. — assenti. — Minha irmã foi muito imprudente...
Assim que comecei a contar toda a história para ele, sua face continuou a mesma, como se %Sebastian% já desconfiasse, como de fato era verdade.
— Não deixarei que nada de ruim aconteça a Margareth. — disse ele pegando em minha mão e me puxando para mais perto dele. — Fique tranquila, ainda está convalescendo do que houve.
— Vou tentar. — sussurrei me aninhando em seu tórax, sentindo seus braços me envolvendo. — O que pretende fazer?
— Primeiro, trarei o responsável para que arque com o que fez, depois falarei com seu pai — respondeu ele com segurança.
— A parte do meu pai é que me preocupa, ele preza sua honra acima de tudo, além do orgulho també. — nesta parte estava minha insegurança.
— Desde o dia em que nos casamos até hoje, houve algo que pedistes e não tenha sido realizado? — perguntou ele.
— Bem… — mordi o lábio inferior. — Eu ainda não te conheço por completo.
— Por isso todas as noites eu conto algo sobre mim que ainda não sabe. — respondeu ele. — Acaso não disse que seria aos poucos?
— Odeio quando me confronta assim. — ele estava certo. — Admito, então.
Senti ele rindo baixo de mim.
— Apenas espere por mim — sussurrou ele.
— Irá para Paris? — me afastei um pouco para poder olhar em seus olhos.
— Sim, e retornarei a tempo para o baile de aniversário de sua madrasta — assegurou.
— Então falará com o papai lá? — presumi.
— Estamos lidando com algo urgente. — confirmou. — Tenho certeza que seu pai não faria algo tão impensado no aniversário de sua esposa.
— Que mente… — ri baixo. — Como consegue pensar em todos os detalhes com tanta rapidez?
— Hum… Esta é outra parte de mim que vou lhe contar algum dia — respondeu ele dando um sorriso enigmático.
— Poderia ser hoje — sugeri.
— Hoje, irei ler um livro para minha linda esposa. — retrucou ele. — Apesar de ser um tanto quanto difícil estar ao seu lado e não poder tocá-la com mais intensidade.
— Sabes que ainda estou me recuperando… — o repreendi por suas palavras e intenções.
— Sabes que te esperarei o tempo que precisar. — ele piscou de leve, me fazendo rir. — Sonho com o dia em que poderei te beijar com mais paixão ainda.
— %Sebastian%… — eu ri um pouco mais. — Devo lhe aconselhar a se banhar em águas geladas?
— Ainda não cheguei nesse nível, mas devo confessar que só de olhar para minha esposa, meu corpo se arrepia.
— Pare de dizer essas coisas, me deixa sem graça.
— São meus mais profundos e sinceros sentimentos — ele aproximou seus lábios dos meus, me dando um breve e suave beijo.
— Será que o jantar está pronto? — perguntei me afastando um pouco dele.
— O que aconteceu? — ele me olhou estranhamente.
— Nada — me afastei um pouco mais.
— Não irei confessar que meu corpo também se arrepia ao se aproximar do meu marido. — disse indiretamente seguindo em direção a porta. — Vou para a biblioteca, nos vemos no jantar.
Saí rindo do escritório, mas tinha certeza que ele também riria das minhas palavras.
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Foi difícil esperar o retorno de %Sebastian%? Sim, foi muito difícil, apesar de saber que ele não deixaria Pierre fugir da responsabilidade, principalmente por ser uma pessoa tão importante para os negócios do conde Remi. Margareth estava ainda mais aflita e ansiosa do que eu, principalmente após recebermos uma carta dele avisando para irmos a Derbyshire na frente, para mim, era mais do que normal, %Sebastian% sempre era o último a chegar nas festas, ele gostava de uma entrada triunfal, porém Marg...
— O que será que ambos estão falando? — perguntou ela pela décima vez olhando para o corredor da Lewis Castle que dava para o escritório.
— Poderia ficar um pouco mais calma, Margareth? Assim vai levantar suspeitas de sua mãe — disse.
— Até o final da noite ela saberá mesmo — retrucou.
— Mas não precisa ser agora. — a repreendi. — Olhe para todos esses convidados e se distraia.
— Não consigo, %Nalla% — ela me olhou com piedade.
— Tudo bem — eu a peguei pelo braço e juntas fomos pelo corredor até chegar na porta do escritório.
Ficamos em silêncio tentando ouvir o que se passava lá dentro.
— Você pode mandá-la para um convento, deixar seu neto a própria sorte e causar ainda mais sofrimento a sua família, ou poder aceitar minha ideia e casá-la com o responsável por isso.
— E achas que tenho dinheiro para o dote? Quem pagaria?
— Eu, acaso, não paguei o de Freya?
Tudo ficou em silêncio e logo a porta do escritório se abriu, %Sebastian% saiu tranquilamente como se soubesse que eu estava ali aos ouvidos, ele sorriu de canto para mim disfarçadamente e seguiu pelo corredor. Então nosso pai saiu do escritório, seu olhar foi diretamente em Margareth que estava se escondendo atrás de mim, era um olhar de decepção e tristeza.
— Entre, Margareth, precisamos conversar — disse ele num tom frio.
— Pai… — tentei interceder.
— Já interferiu demais nesta história, %Nalla%, volte para seu marido, garanto que não farei nenhum mal a tua irmã — garantiu ele.
— Sim senhor — fiz uma breve reverência contrariada e me retirei de lá.
Por um breve momento me perdi em meus pensamentos, meu pés seguiram em uma direção incerta até que cheguei no jardim, continuei caminhando um pouco mais pela lateral do castelo até que me deparei com a cena mais inesperada, considerando aquele momento. Freya estava parada pouco mais a frente com seu corpo estático, eu dei um passo para o lado e inclinei meu pescoço, logo meu olhos viram Ulrich agarrado a uma criada do castelo.
Levei a mão em minha boca tentando segurar minha reação, ele percebendo que havia alguém perto, se afastou da criada e olhou em nossa direção, seu olhar atravessou Freya como se ela não existisse e veio direto para mim. Minha irmã, percebendo isso, se virou, seu corpo entrou ainda mais em choque ao me ver ali, antes mesmo que qualquer tipo de lágrima, seja raiva ou frustração, caísse de seus olhos, ela se retirou.
— %Nalla% — mesmo Ulrich sussurrando, conseguia entender nitidamente meu nome, algo que me fez recuar um pouco.
Então, naquele instante, senti alguém pegar em minha mão entrelaçando nossos dedos.
— Vamos, querida. — disse %Sebastian% com um tom um pouco mais intenso. — Não há nada para você aqui.
Ele estava certo, Ulrich não era problema meu e eu estava grata a Deus pelo marido que eu tinha, %Sebastian% era o homem que conseguia a cada dia superar minhas expectativas.
“Quero me levantar novamente e ver você de novo, que esperou por mim
Quero voltar e dizer que eu te amo.”
- Love Again / SM The Ballad