13 • Indestructible
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Tóquio (Japão) - Primavera de 1848
%Nalla%:
Eu estava encantada com cada detalhe da arquitetura de Tóquio. Visitar o oriente era realmente uma oportunidade única, o que me fazia ficar ainda mais curiosa em saber sobre como %Sebastian% havia feito amizade com aquele tal nobre japonês. Em Tóquio, nos hospedamos na casa de um comerciante, que era representante dos negócios do meu marido em toda a Ásia Oriental, o senhor Kagami era muito gentil e tinha uma esposa adorável chamada Sakura.
A senhora Sakura além de dócil, havia me aconselhado bastante sobre o que eu deveria comer para me ajudar a engravidar, e assim como todos que eu conhecida, ela também era muito curiosa para me conhecer.
— Vamos — disse %Sebastian% assim que terminei de despedir de Margareth.
— Sim. — assenti, me distanciando um pouco de minha irmã. — Tenha juízo, Marg.
— Pode ir tranquila. — a senhora Poppy pegou na mão de Marg e colocou em seu braço. — Vou cuidar muito bem de sua irmã, como se fosse minha filha.
Eu tentei dar um sorriso despreocupado, mas não sabia se era algo positivo ou não, afinal, a senhora Poppy era um tanto liberal demais. %Sebastian% segurou em minha mão e me olhou com tranquilidade, o que me fazia me sentir um pouco mais segura em deixar minha irmã para trás. Assim, entrei na carruagem e seguimos, os outros ficariam mais dois dias em Tóquio, dessa maneira poderia comparecer a um evento da nobreza em que %Sebastian% havia sido convidado, mas como sempre, não queria participar.
Enquanto isso, nós dois seguimos na frente com destino a Kyoto, onde uma casa que havia sido finalizada de sua construção recentemente já nos aguardava. Alguns dias na estrada, até que finalmente chegamos diante daquela linda e encantadora casa, extremamente diferente da francesa e da londrina, a arquitetura japonesa era bem mais vibrante, principalmente em suas cores.
— O que achou? — perguntou ele ao segurar minha mão.
— Não encontro palavras para expressar-me. — sim, eu não encontrava mais nada. — Sinto-me ainda mais admirada.
— Imaginei. — ele sorriu. — Assim como as outras, esta também é a sua, sinta-se à vontade para fazer dela o que quiser, só não poderá vender.
Raramente ele brincava em seus comentários, o que me fez rir um pouco.
— Não a venderia. — sorri um pouco voltando meu olhar para a porta por onde entramos. — Aqui é tudo tão diferente.
O olhei surpresa! Ainda havia mais coisas para se ver?
— Venha ver o seu jardim — disse ele me puxando para a lateral da sala.
Eu já havia visto alguns quadros retratando os delicados porém exuberantes jardins orientais, mas nunca em toda a minha vida, imaginei que teria um feito exclusivamente para mim, %Sebastian% era ainda mais do que um sonho. Certamente eu era a mulher mais feliz do mundo, mais até que a própria rainha Victoria.
Aquele jardim era ainda mais bonito e envolvente que as pinturas, o aroma que exalava deixava todo o ambiente perfumado, certamente era proposital estarmos ali em plena primavera. Logo mais à frente, após os pequenos bonsais, estava uma grande árvore de cerejeira, toda florida com suas flores cor-de-rosa abertas.
— Aqui esta árvore recebe o nome de Sakura — explicou ele.
— É linda. — voltei meu olhar para a árvore. — Tudo aqui é incrível.
— Sim. — ele sorriu. — Venha, precisamos descansar um pouco para amanhã.
— Amanhã? — eu comecei a segui-lo de volta para a casa. — O que faremos amanhã? Não ficaremos em Kyoto?
— Sim, mas não aqui. — respondeu ele tranquilamente. — Quero te levar a um lugar especial, o meu lugar especial.
— Hum. — sorri levemente curiosa para saber que lugar era esse. — Pensei que esta casa fosse o seu lugar especial aqui.
— Não, entenderá quanto estiver lá. — explicou ele.
— E quanto aos outros? — perguntei. — Vão também?
— Não. — respondeu ele. — Eles virão para esta casa e ficarão aqui; o lugar que te mostrarei, só você poderá ir.
Assenti sem fazer mais perguntas, mesmo que pudesse me preocupar com Margareth, confiava ou pelo menos tentava confiar que a senhora Poppy cuidaria bem de minha irmã deslumbrada.
Na manhã seguinte, acordamos bem cedo, ao sair por uma passagem que ficava atrás do jardim, seguimos em uma outra carruagem, um pouco mais simples até um certo ponto da estrada. Como %Sebastian% havia me presenteado com algumas roupas da cultura japonesas, havia me vestido com um de seus presentes e estava me sentindo um pouco mais confortável, com aquele quimono com o tecido de linho, já que a seda era um tanto quanto mais quente.
Apesar de estranhar um pouco, estava me divertindo ao usar roupas mais simples do que costumava vestir, ver %Sebastian% trajando o mesmo tipo de roupa me deixava ainda mais intrigada, pois ele continuava charmoso e atraente ao meu olhar. Assim que descemos da carruagem, eu me afastei um pouco olhando para o horizonte o sol já estava caminhando para se por. Ao se aproximar de mim, %Sebastian% segurou em minha mão e me guiou bosque a dentro.
Caminhamos muito e um pouco mais, até que chegamos a uma pequena e escondida trilha, naquela altura do dia eu já estava me perguntando se meu marido estava perdido em seu senso de direção. Porém mantive-me em silêncio e continuei o seguindo, fazendo algumas paradas pelo caminho para retomar o fôlego, logo ao escurecer senti minhas pernas bambearem um pouco e me apoiei nele, foi neste momento em que encontramos o que ele tanto procurava.
— %Sebastian%? — disse uma voz desconhecida no meio de todo aquele breu.
— Por um momento pensei que estivesse perdido — disse ele ao segurar firme em minha cintura para me dar mais segurança.
— Eu também — sussurrei de forma que ele não pudesse ouvir.
— Venha comigo. — o homem que também tinha traços japoneses riu um pouco. — É uma surpresa vê-lo aqui.
— É bom estar de volta — disse %Sebastian% num tom mais suave, ao começarmos a andar novamente.
— E vejo que está acompanhado. — comentou o homem indo na frente. — O ancião vai ficar feliz em vê-la.
Me ver? Mais uma pessoa que me conhecia antes mesmo de eu saber sobre. Seguimos aquela trilha até chegarmos no que parecia um pequeno vilarejo, que se estendia em tendas sobre toda a colina. Olhei para %Sebastian% tentando entender que lugar era aquela e que relação eu teria com nossa visita ali, não estava conseguindo ver nada de especial até aquele momento.
— Jovem Taikyu. — disse um senhor ao se aproximar de nós. — Algo me dizia que o veria em breve.
— Takashi sensei. — disse %Sebastian% curvando de leve sua cabeça como modo de respeito. — Eu disse que voltaria.
— Sim, você disse. — o homem desviou seu olhar para mim. — Seja bem vinda... Daichi os levará para a tenda, certamente estão cansados.
Assenti de leve e voltei meu olhar para meu marido, %Sebastian% parecia confortável naquele lugar, seu rosto transparecia uma tranquilidade fora do comum, o que me fez sentir que estávamos bem e seguros ali. Ao entrarmos, %Sebastian% me guiou até uma cama feita de almofadas e futon, com um suporte de bambu por baixo de uma baixa altura, assim como as mesas daquele país.
— Que lugar é este? — perguntei assim que ficamos a sós.
— Meu lugar especial. — respondeu ele ao se encostar em um pequeno armário de madeira que tinha aos pés da cama. — Perdoe-me por trazê-la em um lugar tão simples…
— Qualquer lugar estando com você, me sinto confortável. — disse o interrompendo. — Seja em um luxuoso castelo ao sul da Rússia, ou aqui, nesta tenda.
Ele sorriu com alegria de imediato, seu olhar carinhoso veio de encontro ao meu.
— Fico aliviado por isso. — ele respirou fundo. — Passei pouco mais de um ano aqui, mas sinto que de todos os lugares do mundo, este é o que mais desejava estar com você.
— Sinto-me por completo honrada por estar aqui. — sorri com leveza. — Mas devo confessar que estou muito cansada, chegar aqui foi…
— Eu sei. — ele riu baixo. — Confesso que perdi-me em um trecho do caminho, mas felizmente chegamos.
— %Sebastian%. — disse uma mulher ao adentrar a tenda, seu sorriso era delicado assim como os traços de seu rosto. — Fiquei feliz ao saber que estava aqui, trouxe um pouco de chá para relaxá-los.
— Agradeço a gentileza, Michimiya. — disse ele ao pegar a bandeja de sua mão. — Ficaremos bem.
— Tenham uma boa noite — a mulher suavizou um pouco mais seu sorriso e olhou para mim com gentileza e curiosidade, certamente deveria saber sobre mim.
— Cada vez fico mais curiosa por ver que pessoas que nunca vi, sabem tanto sobre mim — comentei assim que a mulher saiu.
— Devo enfatizar ainda mais o quanto você é importante para mim? — ele me olhou com serenidade e se ajoelhando em minha frente, colocou a bandeja entre nós. — Aceita chá?
— O que mais devo saber sobre você? A cada dia me surpreende mais — comentei mantendo meu olhar nele.
— Confesso que gostaria…. — ele se calou.
Ele sorriu e me beijou de leve, um toque suave e doce que, mesmo sabendo que o propósito era me distrair de minhas perguntas, consenti na mesma proporção. Nossa noite naquele lugar foi um tanto admirável de minha parte, e a cada momento em que ele me interrompia com um beijo, pude perceber o quão à vontade aquele lugar o deixava, tanto que, na manhã seguinte, nem me lembrava se havíamos ou não lembrado de desfrutar do chá.
— Suponho que seu nome seja %Nalla% — disse a mulher ao adentrar na tenda.
Eu havia acabado de acordar e %Sebastian% não estava lá, terminei de me espreguiçar e voltei meu olhar para ela, não entendia o porquê, mas sempre sentia-me incomodada quando uma mulher sorria para meu marido. Bem, eu sabia o porquê, tinha ciúmes dele, por mais que não gostasse de admitir tal sentimento, porém, algo que me deixava ainda mais frustrada é por sempre aquelas mulheres como Michimiya e Belle, ou até mesmo Louise, parecerem conhecer ele bem mais do que eu.
— Sim. — sorri de leve. — Sou lady %Nalla% Winchester.
— Então ele finalmente conseguiu ficar ao seu lado — comentou ela.
— O que quer dizer com finalmente? — aquilo me deixava por de modo confusa.
— Michimiya? — %Sebastian% entrou. — O que faz aqui?
— %Sebastian%, vim saber se havia dormido bem. — ela voltou seu olhar para ele. — Estava conversando com meu pai?
— Sim. — ele respirou fundo voltando seu olhar para mim. — Michimiya, poderia nos deixa a sós?
— Claro — ela sorriu meio sem graça e se retirou apressadamente.
Voltei meu olhar para a bandeja de frutas que ele havia deixado aos pés da cama, para mim.
— Tudo bem? — perguntou ele num tom preocupado.
— Ficará quando eu realmente descobrir a verdade. — voltei meu olhar para ele. — Por que sinto que sempre está escondendo algo de mim? Algo que seja muito importante?
— Perdoe-me por isso. — ele respirou fundo. — Posso te convidar para um passeio após o café?
Assenti em silêncio. Ele sorriu estendendo sua mão para a bandeja e me fez sentar novamente ao seu lado na cama. Após o café, saímos da tenda e me deparei com o lugar lindo e fascinante onde estava, a claridade do dia realçava a beleza da natureza em nossa volta. Antes de nos distanciarmos do vilarejo, %Sebastian% trocou algumas poucas palavras com o ancião e o homem que nos trouxera, de nome Daichi. Havia descoberto que o nobre japonês a quem nos enviou aquele presente era ele, um velho amigo que %Sebastian% havia salvado há anos.
Logo seguimos por uma trilha diferente da que viemos, subindo um pouco a colina, adentramos um pequeno túnel formado por grandes rochas e assim que passamos por um estreito rio, chegamos a uma escadaria.
— Onde estamos? Isso parece ser um templo — perguntei observando aquelas paredes em ruínas, mas que certamente possuía muitas histórias a serem contadas.
— Você disse que queria me conhecer, com mesma intensidade da qual eu te conheço. — disse ele ao segurar em minha mão. — É por isso que estamos aqui, este lugar é parte do que sou hoje.
— Desejo mais do que tudo que saiba quem eu sou… Porém, mesmo não conseguindo dizer claramente, permita-me mostrá-la. — seu olhar parecia esperançoso. — Ainda que aos poucos.
— Será um prazer. — assenti dando um leve sorriso. — É o que mais quero.
“Este indestrutível e inquebrável,
Vínculo que nunca vai se quebrar,
Nossas almas são almas gêmeas,
Por exemplo,
Mesmo se parecer que você está prestes a cair de um penhasco,
Eu definitivamente não vou soltar a sua mão.
Indestrutível...
Porque eu vou proteger você até o fim."
- Indestructible / Girls' Generation