Talvez Não Seja Uma História de Amor


Escrita porJuliana M.
Revisada por Lelen


2 • Ficar ou ir?

Tempo estimado de leitura: 43 minutos

Abril.

  Já fazia cinco horas que eu estava sentada no chão da sala. O notebook aberto e alguns papéis espalhados na mesinha de centro davam um ar ainda mais desesperado a pequena sala. Eu estava digitando incansavelmente mais um trabalho atrasado. Os professores já estavam perdendo a paciência comigo e eu só torcia para que eles não parassem de me oferecer segundas chances.
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  Eu continuava dizendo a mim mesma que deveria me esforçar mais, que toda a aposta em mim mesma valeria algo no futuro, mas era difícil manter a cabeça no lugar quando eu nem entendia mais o meu propósito.
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  Despertei dos meus pensamentos conflituosos ao perceber que já eram quase 21h. Dana ainda não estava em casa e eu estava faminta. Sem a menor vontade de cozinhar, mandei mensagem para ela, perguntando se ela iria dormir em casa. Também comentei que estava com preguiça de cozinhar e que pensava em pedir sushi. A resposta veio em cinco minutos.
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Dizzy (21:19): pede uma barca, eu ajudo a pagar!
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Cam está comigo, estamos indo para casa, veste uma roupa!!!
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  Dei uma risada porque eu realmente estava sem roupas. Sentei na cadeira alta da nossa bancada e peguei meu celular, liguei para nosso restaurante japonês preferido e pedi uma barca de sushi e sashimi. Enrolei um pouco para voltar a frente do computador e escrever. Liguei a TV, arrumei a cozinha, vi todas as minhas redes sociais, conversei no WhatsApp, lixei minhas unhas, voltei as redes sociais. Aproveitei para arrumar a sala, tentando diminuir a poluição visual que meus papéis jogados estavam causando.
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  Procrastinação era um dos meus maiores defeitos e eu me sentia um lixo depois. Eu amava trabalhar, gostava de estudar, mas sempre deixava tudo para cima da hora e demorava para fazer. E quando eu não conseguia fazer o que eu tinha planejado por falta de organização, eu quase morria de frustração.
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  Talvez tenha sido por conta disso que, a alguns anos atrás, antes da faculdade, eu desenvolvi um grave transtorno de ansiedade e precisei até tomar remédios por algum tempo. Eu sempre me pressionava muito e quase nunca conseguia suprir minhas próprias expectativas, o que me causava umas crises horríveis de vez em quando.
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  Às vezes, eu sofria um "blecaute" na minha mente. É como se eu ficasse fora do ar por horas e quando eu volto a funcionar, eu quero morrer por ter caído de novo.
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  Já tinha um tempo que eu não tinha nenhuma reação exagerada, até eu começar a trabalhar no jornal. Um dia, passei 30 minutos paralisada dentro do meu carro, na frente do campus da universidade. Só de pensar no trabalho que eu iria entregar e na prova que eu tinha que fazer, meu corpo se recusou a se mover. Eu chorei um monte e acabei voltando para casa. Fiquei sem nota por conta disso e acabei tendo que implorar para o professor me dar a chance de fazer outra prova. Eu preferi não comentar nada com Dizzy sobre isso. Ela ia falar por horas, ia me fazer ir ao médico, ligar para a minha mãe quando eu recusasse e não ia me deixar em paz. Então, para promover a paz na minha vida, preferi me manter em silêncio sobre tudo que estava acontecendo.
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  Passaram quase duas semanas desde aquele dia no Carté. Eu, Dana e os rapazes nos tornamos amigos quase que imediatamente. A rapidez com que nós criamos intimidade uns com os outros foi até engraçada. Na quarta-feira passada, nós acabamos almoçando juntos por acaso. Todos nós estávamos perto do mesmo restaurante e por intermédio de Dana, acabamos nos encontrando.
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  E foi ótimo para quebrar um pouco do constrangimento e da timidez que ainda tínhamos um com os outros. Cam descobriu que Jack e Dana tinham se beijado e claro que ele não deixou de implicar com os dois, que nem se lembravam muito bem o que tinha acontecido.
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  Eu quase não estava vendo Dana nos últimos dias. Quando eu saía de casa, ela ainda estava dormindo. Quando eu chegava em casa, ela ainda estava na rua. Nossa rotina andava muito complicada e a gente acabava se desencontrando. Nos finais de semana, ficávamos tão cansadas que passamos o dia trancadas no nosso quarto, dormindo ou, no caso dela, trabalhando mais ainda. Nos sábados, nós tomamos uma cerveja enquanto assistimos séries, quando Dana não tinha o que fazer. Ela andava trabalhando mais como modelo do que publicitária de fato na agência.
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  Desde que Cam e Dana descobriram que formavam uma boa dupla de trabalho e tinham vários contatos em comum, encheram-se de projetos juntos e se viam toda semana. O que acabou contribuindo para uma amizade e intimidade ainda maior entre todos.
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  Arrumei meus óculos e me forcei a voltar a escrever. Apenas dois parágrafos e eu poderia não me preocupar (tanto) pelo resto da noite. Antes de começar a escrever, meu celular vibrou mais uma vez e lá se foi toda a minha determinação em terminar aquilo.
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Dizzy (21:29): %Fil% também está indo aí, ele quer comer
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Eu: estou aqui pra isso!
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  Respondi, rindo com minha própria audácia.
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Dizzy (21:30):VOCÊ É TERRÍVEL!!!
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ele quer comida chinesa, não garotas baixinhas comunistas
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Eu: HAHAHAHA comunista, essa é nova
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Dizzy (21:30):Pede comida chinesa
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E PÕEM UMA ROUPA, estamos dobrando a esquina.
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  Antes que eu questionasse mais coisas, uma nova mensagem chegou. %Filipe% %Buchart% apareceu na tela e eu tive que respirar fundo para conter a vontade de gritar e jogar meu celular na parede.
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%Filipe% %Buchart% (21:31):oi, %Julie%, é o %Filipe%.
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Eu não tenho certeza se você salvou meu número...
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Estou indo para sua casa também, Dana deve ter comentado
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Pede comida chinesa para mim?
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  Como %Filipe% %Buchart% tinha o meu número? Eu, com certeza, tinha seu número salvo. Mas nunca tive coragem para mandar uma mensagem para ele ou algo do tipo. Talvez Dana tivesse dado meu número, talvez Cam. Eu queria perguntar, mas preferi fingir ser normal e agi como se não fosse muita coisa o fato de ele ter algo meu com ele.
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Eu (21:32): O que você vai querer?
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%Filipe% %Buchart% (21:32): 4 rolinhos primavera, um frango crispy executivo e 4 gyozas
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por favor
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E uma pepsi
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Eu (21:32): Só?

%Filipe% %Buchart% (21:32): E um beijo seu, se for possível
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Hahahahaha

Eu (21:32): Estou rindo mas é de nervoso com a sua OUSADIA hahahahha
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  Bloqueei o celular antes que ele respondesse e forcei minha mente a continuar escrevendo. Eu tinha dúvidas imensas em relação a %Filipe% e eu definitivamente não estava esperando por essas sensações precoces dando as caras por aqui.
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  Quando nos encontramos no almoço da semana passada, ele foi muito cordial e tranquilo comigo, mas eu não tinha como saber se ele estava me tratando diferente já que ele tratava todos assim. Por que ele tinha que ser tão legal com todo mundo?
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  Ele estava quase bêbado quando nos beijamos, nossa situação poderia ser igual a de Jack e Dana, que decidiram rir sobre tudo e continuar amigos. E sem falar que o fato de termos nos beijado teve uma reação diferenciada para todos. Com Jack e Dizzy, todos riram e fizeram brincadeiras com o beijo inesperado. Quando comentaram sobre nós, nada foi comentado, inclusive por nós dois.
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  E também tinha o fato de Dana falar dele com empolgação a cada dois minutos. Não tive chances de falar sobre isso com ela, como eu disse, eu quase não estava vendo-a naquela semana. Eu sabia que %Fil% tinha se interessado, só não sabia se era recíproco.
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  — Chegamos, amorzinho! — Dana chegou em casa fazendo o maior barulho. Batendo portas, jogando chaves e gritando. Do jeitinho que eu gostava.
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  — Amorzinho? Vocês realmente são um casal — Cam brincou, enquanto abria os braços em minha direção. Pulei da cadeira, lhe dando um abraço forte. Eu dei um beijo no rosto dele e os ajudei com as bolsas que eles estavam, provavelmente estavam em algum ensaio fotográfico.
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  Eu gostava muito de Cameron. Ele era o tipo de cara que fazia piadas sujas o tempo todo, tinha um ar engraçado e sério que eu nunca tinha visto em ninguém, era muito responsável e empenhado em tudo que fazia. Também era engraçado vê-lo tentando negar suas heranças britânicas, mas de vez em quando alguma fala sua acabava saindo com um sotaque mais forte. E o homem matava e morria por seus chás, reforçando estereótipos claros de ingleses.
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  — Ai, que saudades! — Dana me abraçou por trás enquanto eu voltava para a sala.
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  — Vocês moram juntas! — Cam falou com um tom de obviedade, jogando-se no nosso sofá e já zapeando pelos canais.
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  A maioria das pessoas que Dana e eu recebíamos em casa sempre se sentiam muito à vontade. Eu ficava feliz com isso e atribuía a culpa ao lugar. Quando começamos a procurar apartamentos, aquele chamou nossa atenção justamente por ser aconchegante e confortável.
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  — Sim, mas parece que a gente não se vê faz uma vida. Andamos ocupadas demais — Dana explicou, dando uma olhada rápida nos meus papéis reunidos no balcão. — O que é isso?
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  — Só estou terminando um trabalho, já desocupo aqui. Estou há quatro horas escrevendo e só empaquei no último parágrafo — revelei.
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  — Quer ajuda? — Eu apenas neguei com a cabeça, relendo minhas últimas linhas.
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  "Não é possível que não saia mais nada dessa cabeça, %Julie%" resmunguei em pensamento, irritada com minha própria dispersão. O pensamento de que eu iria ver %Filipe% aquela noite também não ajudava em nada.
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  — Aqui tem uma boa iluminação, a gente devia fazer algumas fotos aqui, Dizzy. Só para termos opção mesmo... — Cam sugeriu, olhando em volta do cômodo. Dana concordou, logo em seguida.
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  Aí uma coisa que eu queria para minha vida: Ser bonita a ponto de ser possível fazer um ensaio fotográfico a qualquer momento.
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  Cam pegou sua câmera de dentro da mochila e engatou numa conversa com Dana que já não me interessava mais, pois eu, finalmente, tinha conseguido digitar mais de duas palavras no meu arquivo. De vez em quando, eu desviava minha atenção do notebook para os dois artistas na minha sala.
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  Dana era simplesmente deslumbrante. Cam fotografava o perfil dela, com os prédios aparecendo pela janela no fundo. Eu sabia que as fotos ficariam bem modernas e conceituais. Os tijolos vermelhos de nossas paredes contrastavam com o vestido preto dela. Estava tão concentrada digitando que nem ao menos percebi quando Dana foi abrir a porta. Assustei-me, pulando no lugar, quando senti duas mãos na minha cintura e um beijo rápido em meu rosto.
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  — Calma, sou eu! — %Filipe% deu uma risada e empurrou meus óculos que estavam quase na ponta do meu nariz. — Caramba, você nem me viu entrar — murmurei uma “desculpa”, puxei ele pelo braço para mais perto de mim e dei um beijo no rosto dele rapidamente.
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  %Filipe% %Buchart% definitivamente era uma pessoa que poderia fazer um ensaio fotográfico em qualquer momento.
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  — Eu já tirei umas cinco fotos dela aí e ela nem percebeu. — Cam direcionou a câmera mais uma vez em minha direção. Arregalei os olhos, surpresa com sua afirmação.
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  — Você o quê? — Cobri meu próprio rosto com as mãos.
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  %Filipe% apoiou os cotovelos no balcão ao meu lado, rindo. Dana foi até a geladeira e pegou três garrafas de cerveja e distribuiu.
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  Eu nunca fui muito fã de fotos, eu nunca saía bem. As pessoas nunca conseguiam boas fotos minhas do jeito que eu conseguia para elas. Ou eu só conhecia gente que não sabia tirar uma foto — o que não era o caso — ou a câmera realmente me odiava.
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  — Uma de cada ângulo diferente — Cam desdenhou, a câmera ainda apontada para mim, fazendo incansáveis "clicks".
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  — Para com isso! — Joguei um lápis em direção a ele e o mesmo parou, guardando a câmera na bolsa novamente.
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  — Ela não gosta de ser fotografada. Eu tento mudar isso aos poucos, mas não é fácil fazê-la mudar de ideia sobre algo. — Dana deu um gole na sua cerveja e me ofereceu a sua garrafa. Balancei a cabeça, recusando. — Às vezes, nós nos aventuramos com a câmera, não é, %Julie%?
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  — Sim, eu bato fotos suas pelo apartamento e só — expus.
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  — Duas garotas e uma câmera, daria um bom pornô. — Cam finalizou sua cerveja em um gole. Eu e Dana nos entreolhamos, segurando o riso. Ela gargalhou, jogando a cabeça para trás e batendo palminhas.
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  — Ah meu Deus, vocês fizeram um filme pornô! — %Filipe% parecia o mais entusiasmado com a possibilidade e todos nós rimos da sua euforia.
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  — Claro que não, a gente... talvez, sei lá, a gente tenha tirado umas fotos...
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  Tentei explicar de um jeito que não parecesse pura sacanagem, mas Dana amava fazer com que outras pessoas achassem que a gente fazia umas sacanagens. Não que a gente nunca tenha feito, mas sempre envolvia uma terceira pessoa. E tequila. E uma vez envolveu uma câmera, mas isso é história para outro dia.
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  — Peladas.
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  — Dana! — repreendi-a.
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  — O quê? Foi mesmo! — Dana disse, desembaraçada, jogando o cabelo para trás.
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  Dana estava passando por uma fase de negação com o próprio corpo, então eu sugeri que eu batesse algumas fotos dela pelo apartamento, sem maquiagem, sem nada, natural. Apenas nós duas, sem ninguém ditando o que ela deveria fazer ou como agir. Sem encolher barriga, sem corretivo. Assim ela veria que era uma pessoa extremamente bonita e que não tinha motivos para insegurança. Ela topou com a condição que eu também tirasse algumas fotos.
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  Acabou tornando-se um ensaio muito bonito, artístico e no final, tiramos algumas fotos juntas. Já tinha um tempo que a gente queria bater umas fotos bonitas e mais elaboradas. Estarmos sem roupa fora apenas um bônus.
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  — A partir de hoje, eu só tenho um objetivo na vida — Cam expressou, batendo no próprio peito — ver essas fotos.
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  — Acho que eu até venho a óbito se um dia ver essas fotos. — %Fil% suspirou, com um olhar longe, como se estivesse imaginando, nos fazendo rir.
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  Chamei Dana, apontei sutilmente para a geladeira, onde estava exposta uma das fotos. Ela virou-se e pegou a foto presa por um ímã.
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  — Aproveitem, essa é a única que vocês vão ver! — Dana pegou uma das nossas fotos preferidas e estendeu aos dois.
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  A foto me expunha sentada na cama. De lado, eu segurava o lençol na frente do meu corpo com uma mão e com a outra, eu me apoiava no colchão. O lençol não cobria minhas costas e deixava a lateral do meu corpo a mostra. Eu olhava com a expressão séria para Dana. Ela estava em pé perto da janela e também me olhava, com a expressão séria.
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  Dana estava completamente nua, mas como era uma foto escura, só dava para enxergar a silhueta curvilínea dela. Com um pequeno jogo de luz, eu consegui que apenas o rosto de Dizzy recebesse a mesma iluminação que tinha sobre mim. Nossos cabelos estavam diferentes. O meu estava grande e o de Dizzy estava curto.
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  Eu não sentia vergonha dessas fotos, achava a coisa mais linda que eu já tinha feito. Mesmo assim, eu não consegui olhar %Filipe% para analisar sua reação.
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  — Uau! Quem tirou? — Cam analisou cada ângulo da foto.
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  — %Julie%, ela é boa nisso! — Dana comentou.
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  — Você é mesmo, fez algum curso? — ele perguntou, ainda com a foto em mãos.
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  — Bom... — Dana gargalhou antes de eu começar a contar, me fazendo rir também.
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  — Uma vez Dizzy ficou interessada em um professor de fotografia, então ela pagou dois meses de aula para nós duas só para vê-lo. Diferente dela, eu prestava atenção no que ele falava.
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  — Persistente. — %Filipe% pegou a cerveja da minha mão e olhou para Dana.
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  — Corro atrás do que quero. — Dana deu uma piscadinha, fazendo as bochechas de %Filipe% corarem um pouco.
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  Entreolharam-se e aquele sentimento de frustração passou por mim novamente. Eu precisava parar com isso agora mesmo. Precisava ser madura e aceitar os fatos que estavam a minha frente.
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  — A gente podia fazer umas fotos juntos, %Julie%. Por favor!
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  — Eu não sou tão boa, Cam — eu retruquei.
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  Eu gostava de tirar fotos, só não era meu passatempo preferido. Trocar lentes e analisar ângulos me deixavam entediada e, às vezes, até irritada. Continuamos comentando sobre fotos e minha aversão a elas quando Cam informou.
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  — Jack não para de me mandar mensagens, fazendo um drama sem fim. Quer que eu vá buscá-lo. — Cam se afastou para procurar as chaves do carro.
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  — Vou com você. Acho que precisamos passar no mercado para comprar mais cerveja. — Dana deu uma olhada na nossa geladeira, para ter a confirmação. — Só tem mais quatro cervejas.
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  — Eu não vou, preciso terminar isso. — Apontei para o notebook e o meu trabalho inacabado.
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  — Eu fico também. Para esperar... A comida. — %Fil% ainda estava do meu lado, apoiado na bancada. Falou lentamente, como se não tivesse certeza de sua própria justificativa.
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  Cam e Dana se olharam maliciosos e fizeram barulhos pornográficos com a boca. Revirei os olhos e ri encantada com as bochechas rosadas de %Filipe%.
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  — O garoto vai esperar a comida, Cameron... — Dana emitiu, sarcástica.
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  — Será que ela sabe que é a comida? — Cam indagou, fingindo estar falando baixo no ouvido de Dana, e foi logo recriminado pelos gritos de repreensão de %Fil% e meus.
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  — Paga a comida no seu cartão, depois te reembolso — Dizzy pediu. — Ainda tem cerveja na geladeira, a comida deve chegar logo e tem uma caixa de camisinhas no banheiro. Não se animem muito, voltamos no máximo em vinte minutos. — Pegou sua bolsa de cima do sofá, dando instruções para nós como se falasse com duas crianças.
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  — Vinte minutos dá para fazer uns três filhos... — %Filipe% comentou, brincando.
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  — Você está é maluco! Não fala um negócio desses nem brincando! — Estapeei o braço dele e todos gargalharam com meu breve desespero.
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  — Se vocês pagarem a cerveja, eu pago a comida — %Filipe% sugeriu e eu concordei, que podia pagar pela comida também.
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  Logo entramos numa pequena discussão de marca de cerveja e matemática. Cam também queria salgadinhos e se recusou a pagar sozinho, segundo ele, "quando o salgadinho está na sua frente, você não pensa em nada, só come". Depois de duas ligações de Jack, brigando com todo mundo, reclamando que não gostava de esperar, Cam e Dizzy saíram de casa. Deixando-me com %Filipe%, meu trabalho malfeito e uma puta tensão sexual.
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  %Fil% questionou algumas coisas sobre meu trabalho no jornal enquanto eu finalizava o texto e salvava. Ele parecia genuinamente interessado, mas também não parecia entender muita coisa. Talvez eu também não estivesse conseguindo explicar muita coisa porque o jeito que ele estava jogado no sofá estava me dando ideias impuras.
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  — Então, é um estágio remunerado, certo? — perguntou. Concordei enquanto desligava o notebook. — Mas pelo que você falou, você não faz trabalho de estagiária.
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  — Sim, eles me usam com a desculpa de que veem potencial em mim. Falam que eu sou melhor que uma estudante qualquer para fazer um trabalho de estagiária, mas para falar a verdade, eu acho que eles só sentem preguiça de fazer a parte chata do trabalho. Logo, eu estou ali.
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  — Isso não é ilegal? Não pode ser certo... — ponderou, apoiando o rosto na mão.
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  — São negócios, %Fil%. — Dei de ombros e recolhi os papéis da mesa.
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  — E você quer continuar trabalhando lá depois de se formar? Falta pouco?
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  — Faltam alguns semestres e... Bom, eu ainda não pensei muito sobre isso. As recomendações que posso ter são o que ainda me mantém lá. — Peguei meus papéis, notebook, toda a minha bagunça e levei para o meu quarto.
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  — Achei que você e Dizzy tinham terminado a escola juntas.
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  Ouvi a voz de %Filipe% bem baixinho, enquanto eu ajeitava meu cabelo no espelho. Não tinha muito o que fazer, não estava de todo mau. Eu não lavava meu cabelo fazia dois dias e vocês sabem que uma das maiores injustiças do mundo é ter que lavar o cabelo quando ele está simplesmente deslumbrante. Pelo menos não estava fedendo.
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  — E terminamos. Mas ela é mais velha que eu e entrou na faculdade um ano antes — expliquei enquanto voltava para a sala. — E eu perdi um semestre na faculdade, por isso sou atrasada.
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  Nós finalmente estávamos sozinhos. Não era possível que eu era a única sentindo a inquietação na sala. A hora da verdade era agora. Me deixe entender, %Buchart%, o que nós somos? Ironicamente, ele usava uma camisa preta com o dizeres "should I stay or should I go" da música do The Clash.
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  — E falta muito? — ele perguntou.
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  Fiquei meio em dúvida do que fazer em seguida. Ele deve ter percebido que eu esperava por ele e puxou-me pela mão quando me aproximei e me sentou em seu colo. Colocou uma mão na minha cintura e a outra levou até meu queixo, trazendo-me para mais perto dele, depositando um selinho rápido nos meus lábios.
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  Ok, obrigado pela explicação.
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  Stay.
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  — Cinco semestres. Se eu não enlouquecer, é claro. — Me dei liberdade para passar um braço pelo seu pescoço e apertei as bochechas dele, formando um biquinho. — Você quer seu beijo antes ou depois do jantar?
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  — Você costuma ser prestativa assim? — Ergueu uma sobrancelha, apertando minha coxa de leve. Assenti, sorrindo de lado. — Isso é legal, o problema é que eu quero um beijo antes e depois do jantar.
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  — Vou ver o que posso fazer por você. — Ele sorriu e sem mais delongas, beijou-me.
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  Eu gostava muito de beijar %Filipe%. Era o tipo de beijo completo, o pacote todo. Não era apenas lábios e língua. Era aquela mão que não se decidia entre minha cintura e meu quadril. Era aquela mão na minha nuca, o suspiro forte que ele dava quando nos afastamos para respirar, era aquele perfume forte que parecia gritar o nome dele.
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  Ficamos nos beijando por uns bons 20 minutos. Eu acariciava a nuca dele e agora, com a posição e a intimidade, ele tinha liberdade para passar a mão por toda a minha coxa e ele o fez. Subia e descia a mão da minha coxa até minha cintura, subindo por dentro da minha blusa.
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  Amaldiçoei até a quinta geração do entregador que tocou o interfone quando a mão boba de %Fil% finalmente chegou próximo ao meu seio. No prédio, não tínhamos porteiros, então a gente ia ter que descer para pegar a comida ou deixar o cara subir, mas eu não tinha essa coragem.
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  — A comida — avisei. Insatisfeito com meu afastamento, começou a descer os beijos até meu pescoço.
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  — Temos que descer? — Apenas assenti, de olhos fechados, sentindo meu corpo se arrepiar com um beijo mais molhado deixado no meu pescoço. Puxei o rosto dele em direção ao meu, quando ia beijá-lo, o interfone tocou mais uma vez. Tive que levantar-me para atender. Xinguei o entregador e fui meio mal-educada com o coitado.
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  No elevador, amarrei meu cabelo em coque, mas não sobreviveu por muito tempo. %Filipe% puxou a ponta do coque, me empurrou na parede e me beijou. %Fil% era um cara alto, então eu tinha que ficar na ponta dos pés ou ele se curvar, mas isso não era um problema. Enquanto pagávamos o japonês, a comida chinesa chegou.
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  Os dois entregadores entreolharam-se entre risinhos e eu me perguntei como estava a nossa situação. Certeza que estava claro que nós estávamos em uma sessão de amassos no elevador.
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  Arrumei a barca em cima da nossa mesinha de centro, que era bem larga e tinha sido comprada por causa disso mesmo. Não tínhamos mesa de jantar, a maioria das vezes eu e Dana acabamos comendo em frente à TV ou então, na bancada, que era onde %Fil% estava desempacotando sua própria comida. Mandei uma foto da comida para os outros e digitei uma mensagem para Dana trazer refrigerante para mim.
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  Eu era absolutamente contra a ideia de comer sem um copo de Pepsi ao meu lado. Eu morreria antes dos 30, mas meu refrigerante era sagrado.
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  — Eu não gosto de comida japonesa. — %Filipe% fez careta para comida no barco.
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  — Você não sabe o que está perdendo.
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  Me joguei no sofá, senti minhas costas estralarem ao deitar após horas sentada, tanto estudando, quanto beijando o rapaz ao meu lado. Respondi Jack, que mandou a gente não comer enquanto eles não chegassem. Também aproveitei para responder à mensagem de 'boa noite' da minha mãe. %Filipe% se sentou ao meu lado e eu joguei minhas pernas em cima das deles.
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  — Não vamos comer ainda? — ele perguntou, se inclinando sobre mim e fazendo meu corpo ficar todo em alerta.
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  — Não, Jack pediu para esperar, mas se você quiser comer logo... — Bloqueei meu celular e coloquei no chão. Não consegui ficar séria com o duplo sentido em minha frase, mas %Filipe% nem parecia ter notado, hipnotizado, com os olhos atentos aos meus lábios.
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  — Tudo bem, é só você me distrair da fome.
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  Ele já estava quase deitado ao meu lado, se apoiando no cotovelo e brincando com a barra da minha camisa com a outra mão. Nem quis pensar em alguma gracinha para falar, apenas puxei seu rosto para perto do meu e o beijei. Ele voltou a acariciar minha cintura por debaixo da blusa e eu já estava entregue facilmente.
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  O jeito como meu corpo respondia ao dele, o jeito que eu me arrepiava e como meu coração batia mais rápido quando eu estava ao seu lado me deixou curiosa. Eu não costumava sentir essas coisas por algum caso qualquer. Nem com qualquer outro caso sério que tenha tido na vida, exceto Haniel. Mas Haniel era a exceção de tudo na minha vida.
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  Dei uma tapinha no ombro dele quando ouvi o barulho da chave. Ele imediatamente se levantou, voltando a ficar sentado e eu continuei deitada, fingindo não estar com as pernas trêmulas e com um calor intenso no meu ventre.
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  — Ah, não, gente! Nós vamos comer aí — Dana debochou quando nos viu no sofá.
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  — Estão vestidos? Podemos olhar? — Jack entrou com a mão sobre os olhos.
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  — Eu nem cubro os olhos, quero mais é ver alguma coisa mesmo. — Cam colocou as sacolas em cima do balcão nos olhando fixamente.
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  Revirei os olhos, ignorando suas piadinhas, sentei-me no chão, pegando meus hashis e me preparando para começar a comer. Eu estava morrendo de fome e não ia ficar esperando a boa vontade deles. Logo todos fizeram o mesmo, sentamo-nos no chão em volta da mesa de centro e comemos como se não houvesse amanhã.
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  O filme na TV foi completamente ignorado por nós, contamos sobre o nosso dia e percebi que minha vida comparada a deles era um completo tédio. Então, enquanto todos falavam sobre tudo o que estava acontecendo nas suas vidinhas perfeitas, eu apenas fiquei quietinha, comendo meu temaki. Era melhor do que ter que contar sobre meu belo dia de leitura de relatórios que não eram meus.
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  Percebi que %Filipe%, que estava sentado entre Dana e eu, ficou um tempo olhando para o ombro desnudo dela, provavelmente analisando a cicatriz vertical que tinha ali. Quando Dizzy percebeu, ela analisou o rosto dele por um tempo até ele perceber que ela também o analisava. Seus olhos encontraram-se e %Filipe% desviou o olhar, suas bochechas adquiriram uma coloração rosada. Dei um sorrisinho de lado, balançando a cabeça negativamente.
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  Quando eu tinha 10 anos, havia um terreno baldio ao lado da casa da minha vó. Era cheio de mato e tinham dois porcos grandes de cor preta. Um dia, jogando travinha na rua durante a noite com os meus amigos, a bola caiu no fundo do terreno. Nós fizemos uma aposta para decidir quem ia pegar a bola e eu acabei perdendo e tive que ir.
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  De noite, os porcos tornavam-se quase invisíveis e até eu conseguir chegar lá, o sentimento de que eu ia bater de frente com algo era forte e eu sentia um nervosismo gigante. Eu sabia o que tinha ali, mas não sabia o quanto poderia me atingir. Também não sabia se valia a pena passar por aquele sufoco para conseguir a bola.
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  Quando eu olhava para Dana e %Filipe%, eu tinha a mesma sensação. A de que eu estava entrando naquele terreno baldio e escuro de novo.
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  — Ér... Como você conseguiu essa cicatriz? — %Filipe% perguntou, apontando para a cicatriz no ombro de Dizzy. Jack e Cam também se inclinaram um pouco para ver melhor.
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  — Caí em cima de uns vidros, eu acho. Até hoje não sei muito bem — Dana respondeu.
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  — Foi por minha culpa, vocês já devem imaginar — declarei, ainda mastigando.
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  — Nós fomos em protesto contra a privatização do transporte escolar da nossa antiga cidade e estava tudo bem até os policiais decidirem...
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  — Covardemente — eu interrompi, roubando um rolinho primavera da caixinha de %Filipe%. Ele bateu na minha mão, tentando pegar de volta, mas eu comi antes dele conseguir.
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  — Covardemente, descer a porrada nos estudantes ali. No meio da correria, eu olho para o lado e %Julieta% está jogada no chão com um cara cinco vezes maior que ela, tentando colocar algemas nela.
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  — Seria legal... em outra ocasião — eu disse e Cam riu, levantando a mão e fizemos um “high five”.
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  — Enfim, ele começou a bater nela com o cacetete e imobilizá-la de um jeito nem um pouco legal, então fui até lá, mas alguém me chutou e um policial me empurrou, acabei caindo em um monte de coisas quebradas. Foi uma confusão! Ignorei e fui ajudar %Julie%, demorei um monte para tirar ela das mãos dos policiais e o corte só aumentou, por isso a cicatriz grande.
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  — Porra, não acredito que ele te bateu! — Jack ficou indignado. Dana concordou e nós nos olhamos, lembrando daquele dia. Ela passou a mão no rosto, provavelmente espantando as memórias daquele dia.
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  Dana nunca tinha se importado muito com questões sociais, mas assim que a levei na primeira reunião do movimento estudantil, ela adorou e quis ir toda semana. Esse protesto foi o último que eu e Dizzy fomos juntas antes de mudar de cidade. Foi a situação mais violenta que nós já tínhamos passado juntas, o fato de eu ter sido agredida e Dizzy sair machucada só piorou as coisas.
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  — Eu era uma pessoa legal e avulsa até %Julieta% me mostrar o movimento estudantil — contou Dana sobre sua vida privilegiada antes de me conhecer.
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  — Ok, revolucionária, média A na faculdade, uma bunda legal, engajada socialmente... — %Filipe% enumerou no dedo as coisas que ele dizia.
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  — %Julie%, ele vai te pedir em casamento agora, corre! — Jack gritou e todos nós rimos. Jack jogou uma bolinha de papel em %Filipe%, que revidou e eles começaram uma pequena luta idiota.
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  — Cada dia que passa eu gosto mais de você, pequena Jay. — Cam abaixou a cabeça, como se estivesse fazendo uma reverência.
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  — Cuidado, ela destrói vidas. — Dizzy me lançou uma piscada. Eu ri e pisquei de volta para ela.
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  — E seus pais? — Jack quis saber. — Vocês eram quase crianças, eles devem ter enlouquecido.
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  Na época, os pais de Dana quiseram minha cabeça numa bandeja de prata, eu era a culpada por Dana estar enfiada numa manifestação. Os pais de Dizzy nunca foram muito a favor da filha frequentando organizações políticas ou conhecer uma realidade diferente da sua. Foram tempos difíceis, mas também os mais memoráveis de nossas vidas.
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  — Os pais de %Julie% adoram e encorajam qualquer protesto!
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  — Eles esperavam pela minha prisão por ativismo desde quando eu nem tinha sido concebida — brinquei com meus dedos, distraída.
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  Falar dos meus pais sempre me deixava mal. Saudade é uma coisa extremamente dolorida. Era bem verdade que eu nunca tive problemas familiares como os de Dizzy. Meus pais eram, acima de tudo, meus amigos. Tinham a mente jovem e eu sempre fui muito bem instruída e criada. Dana avisou que ia ao banheiro e eu me levantei junto para pegar cerveja na geladeira.
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  Agora, eu já não era mais tão ativa socialmente. Principalmente, porque na minha atual cidade não tinham muitos motivos para isso. E desde que eu apanhei injustamente das pessoas que deveriam estar ali para nos proteger, eu já não me sentia confortável para voltar a militância. Era até desconfortável pensar nisso.
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  A lembrança que eu tinha daquele dia era de sufoco e agonia pura. Eu ainda tinha flashes do policial barbudo em cima de mim, empurrando meu rosto contra o chão. Eu ainda via o braço dele subindo e descendo, me acertando com força. Fui puxada para longe de meus pensamentos por Dana, ao meu lado, com uma mão no meu ombro.
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  — Tudo bem? — ela perguntou baixinho, eu assenti e perguntei:
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  — Foi culpa minha, não foi? Você não ter ido direto para o hospital. Eu devia ter ficado quieta. Eu provoquei, você sabe...
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  — Não foi sua culpa! — A voz de Dizzy subiu uma oitava e chamou atenção dos rapazes.
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  — Dana... — Ela me ignorou e foi em direção ao banheiro. Peguei outras quatro garrafas, sentindo o olhar dos meninos em mim. Distribuí para cada um e me sentei ao lado de %Filipe% novamente, encostando no sofá.
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  — Tudo bem? Ela está bem? — Jack perguntou, com o cenho franzido.
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  — Foi um dia difícil para gente. — Às vezes, eu esquecia que Dana também era um ser humano; um ser humano sensível que também ficava abalada.
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  — E você? — %Filipe% passou um braço pelo meu ombro e dando um beijinho na minha cabeça.
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  Eu adorava o fato dele ser carinhoso comigo mesmo que a gente não tivesse nem um tipo de relacionamento. Eu namorei com caras por meses que não eram carinhosos comigo do jeito que %Filipe% é. E era apenas a segunda vez que a gente se via.
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  — Me falem sobre vocês, eu sinto que vocês sabem todos os nossos podres e piores momentos e vocês continuam aí, lindos e sem passado — reclamei, bebendo minha cerveja e sentando de pernas cruzadas.
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  %Filipe% continuou com o braço esquerdo sobre meu ombro e comia com a mão direita.
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  — A maior loucura que eu já fiz na vida foi ter matado aula para jogar videogame na casa de um amigo — Jack contou.
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  — Jura? Com essa sua cara de delinquente juvenil? — perguntei descrente, fazendo %Filipe% e Cam gargalharem.
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  — Eu também não acredito quando ele diz que era quieto. — %Filipe% riu, confidenciando.
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  — Do que estamos falando? — Dana voltou para a sala, sentando-se no chão, na ponta da mesa.
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  — Jack ser quieto na época de escola — %Filipe% esclareceu o assunto para Dizzy.
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  — Aí uma coisa que eu não acredito. — Dana gargalhou, acariciando os cabelos de Jack.
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  — Gente, qual a dificuldade de acreditar? — Ele rolou os olhos, jogando os hashis para o alto e apanhando logo em seguida.
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  — Quando eu conhecer sua mãe, eu acredito em você, bro. — Cam passou a mão pelo cabelo cacheado de Jack também.
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  — E você, big boy?
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  Olhei para %Filipe% e sorri surpresa ao ver que ele já me olhava antes mesmo de eu começar a falar. Ele sorriu de volta, sorriu lindamente.
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  — Eu pesava 30 quilos, usava aparelho e não tirava nota maior que C. Não era quieto, mas também não era um pesadelo do tipo que Jack seria — relatou.
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  — Ei! — Jack reclamou. — Eu juro que era quieto. Passei o meu baile de formatura inteiro na biblioteca da escola.
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  — Eu nem sequer fui ao meu baile! — Cam exclamou.
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  — Eu só fui pegar meu diploma e fui embora para a festa na casa de praia da Milan, a garota mais cheia de plásticas e dinheiro que eu já conheci — %Filipe% contou.
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  — Alguém perdeu o meu diploma, peguei três semanas depois — Cam reclamou, revirando os olhos.
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  — Na nossa formatura, enquanto todos estavam sensíveis, chorando enquanto pegavam seus diplomas, a gente estava onde mesmo? — Dana apontou para mim, rindo alto.
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  — Na sala dos professores tomando Chandon — eu quase gritei de tão animada por lembrar de um dos melhores dias da minha vida. Eu e Dana batemos nossas mãos, fazendo um high five.
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  Eu e Dana nos afastamos para fofocar sobre alguma coisa que eu não lembro, mas quando passamos pela sala dos professores e vimos a mesa recheada de comida com três garrafas de Chandon, não pensamos duas vezes em entrar lá roubar uma garrafa e uns salgadinhos.
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  — Fala sério! — Jack exclamou. — Que saco, a vida de vocês parece uma porra de uma sitcom.
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  — A gente também não acredita nos absurdos que acontecem com a gente...
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  — Dizzy? — chamei sua atenção. — É impressão minha ou nós temos amigos?
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  Dana e eu estávamos limpando nossa sala quando a questão das nossas novas amizade pairava sobre minha mente. A mesa de centro estava lotada de caixas, garrafas e embalagens de comida. Geralmente, eu e Dana não produzíamos todo aquele lixo. Fomos comprar mais cerveja umas duas vezes. Então, %Filipe% resolveu colocar ordem na bagunça e lembrar a todos de seus respectivos empregos, considerando que ainda era quinta-feira.
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  — Sim, nós temos. Fazia tempo que isso não acontecia. — Dana sorriu, tomando um gole da última garrafa de cerveja que tinha em nossa geladeira. — Vamos mantê-los?
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  — Devemos, Jack já preencheu todos os nossos finais de semana até o final do mês. — Rimos juntas.
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  Nós estávamos cheios de planos, festas, bares e lugares que queríamos apresentar um ao outro. Eu sempre gostei de fazer novas amizades, mas aqueles garotos me faziam querer ficar 24h grudada neles e eu sabia que não seria chato.
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  Eu estava louca para que o tempo passasse rápido para eu passar mais tempo com eles. E eu nem tinha dinheiro para sair no final de semana.
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  — Gosto deles. Então... — Dana comentou. Ela andou em volta da mesinha, recolhendo o lixo que estava lá em cima. Cerrei os olhos ao ver a expressão de Dana. Eu conhecia aquela expressão. — O quão sério é?
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  A expressão que ela usava quando queria parecer desinteressada.
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  — O quê?
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  — %Filipe%. — Ela deu de ombros, olhando tempo demais para a embalagem das batatas chips.
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  — Como assim? — questionei, receosa em seu interesse pelo meu breve envolvimento.
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  — Você e ele?
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  — Não sei, Dana. É apenas a terceira ou quarta vez que nos vemos. Não é como se a gente fosse começar a namorar amanhã ou algo assim. — Franzi o cenho, não entendendo aonde Dana queria chegar com todo aquele rodeio.
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  — Tudo bem, apenas me deixe saber. — Ela passou por mim e foi destrancar a porta.
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  — Por quê? Algum problema? — questionei, novamente.
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  — Nada, %Julie%. Só me deixe por dentro da sua vida. — Ela deu uma risadinha e depositou um beijinho na ponta do meu nariz. Coloquei as mãos na cintura, observando Dizzy sair do apartamento com as sacolas de lixo na mão.
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  Se está acontecendo o que eu acho que está acontecendo, as coisas estão prestes a ficarem estranhas.
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Lelen

Uia, gosto. Acho que a maioria de nós já se sentiu a coadjuvante da história de alguém, às vezes até da própria história, né?
Eu tô preocupada com os possíveis dramas que podem surgir no meio dessa história toda, e tô só de olho no Fil que, PRA MIM, tá dando uns sinais meio bagunçados aí, mas enfim.
Amei Jack e Cam também <3
Por favor, Dana, não seja a vilã dessa história ;-;

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