Talvez Não Seja Uma História de Amor


Escrita porJuliana M.
Revisada por Lelen


1 • Aquele onde tudo começou.

Tempo estimado de leitura: 50 minutos

Março.

  Você sabe qual é um dos maiores e mais grotescos erros que uma pessoa comete na vida? Desejar ser adulto quando se é criança. Eu fui uma criança "adulta" demais. Aprendi a ler com três anos de idade, contrariando todas as expectativas. Com dez, eu já tinha lido e entendido (acho importante frisar isso) o livro Sofies Verden. Com doze anos, eu decidi o que queria ser quando crescesse. Aos trezes, minha vida inteira já havia sido planejada por mim mesma. Eu seria uma grande jornalista, iria trabalhar no jornal que meu pai costumava ler pela manhã. Eu almejei pela vida adulta.
0
Comente!x

  Imaginava-me andando pelas metrópoles mais importante, cheia de projetos e contatos, bem encaminhada profissionalmente, com um relacionamento amoroso saudável, cheia de amigos e com sapatos de salto alto. Entretanto, aqui estou eu. Aos vinte e cinco anos, não me considerando nem um pouco adulta e sentindo como se o mundo inteiro conspirasse contra mim. Quase reprovando em várias matérias na faculdade, completamente perdida no meio de trabalhos e mais trabalhos, provas surpresas e professores indignados com a minha falta de responsabilidade. Morava em uma cidade considerada pequena, não tinha nenhum projeto, solteira, apenas uma amiga de verdade e sapatilhas.
0
Comente!x

  A mini-eu de treze anos de idade estaria bastante desapontada, porém, eu atribuo a culpa a Hollywood e seus filmes e séries que me prepararam para o mundo de um jeito errôneo.
0
Comente!x

  A única parte da minha ilusão de infância que poderia até ser considerada verdade era estar encaminhada na vida. Como eu disse, poderia ser verdade. Eu havia conseguido um estágio no Daily, um jornal que recebia tantos empréstimos de políticos que era quase inteiramente financiado por um único partido. Era considerado um jornal tendencioso e quase falido.
0
Comente!x

  Eu sobrevivia apenas na esperança de conseguir algum dia escrever em alguma coluna. Ir contra o sistema, sabe? Mas o número de decepções que eu tinha a cada reportagem enaltecendo políticos e suas corrupções só aumentava; e minha vontade de ser jornalista e escrever só diminuía. Eles diziam ver grande potencial em mim, então me exploravam usando a desculpa de "me formar como profissional" e coisas do tipo.
0
Comente!x

  Eu sabia que estava sendo explorada, que estava sendo responsável por trabalhos variados e que não deveriam ser meus. Mas eu necessitava daquele estágio remunerado. Precisava da experiência e principalmente, precisava do dinheiro. É claro que eu fui avisada que as coisas no mercado do meio jornalístico eram meio alienadas e incoerentes, mas eu também tinha certeza de que o colunista das sextas feiras pedir para eu aumentar meu decote para lhe dar "inspiração" DEFINITIVAMENTE não é certo.
0
Comente!x

  A verdade é que no momento eu tinha mais responsabilidades e problemas que minha sanidade era capaz de aguentar. E tudo o que eu queria era tomar uma cerveja.
0
Comente!x

  Foi assim, enlouquecendo entre um relatório desnecessário e as secretárias fofoqueiras do editor chefe, que eu resolvi aceitar o convite de Dizzy para tomar umas em um pequeno clube da cidade.
0
Comente!x

  Dana era uma bela morena de cabelos longos que eu chamava de melhor amiga e apelidei de Dizzy. Nos tornamos amigas na escola. Até conhecê-la, nunca imaginei que uma pessoa como eu poderia ser amiga dela, mas também não entendo como não nos tornamos amigas antes. Eu não sei de onde surgiu o apelido, eu provavelmente estava bêbada quando inventei. Eu ficava constantemente bêbada no meu último ano na escola. Não, eu não me orgulho disso. Mas adolescência é uma fase estranha e as coisas que fazemos nela não podem definir nossa vida inteira.
0
Comente!x

  Ela era publicitária. Começou a faculdade antes de mim e acabou se formando antes também. Trabalhava em uma agência publicitária, mas sua beleza, carisma e grande desenvoltura com as mídias a possibilita de ter várias outras oportunidades de trabalhos. Tipo, trabalhar como modelo, se arriscar como atriz, dançarina. Enfim, Dana era aquela pessoa de mil e uma utilidades que a gente até odeia um pouco por ser boa em tudo.
0
Comente!x

  Não entendi a urgência dela ao me mandar cinco mensagens seguidas, mas ela devia imaginar que o final do mês estaria me deixando meio louca mesmo. Avisou que estava no Carté com uns caras que ela conheceu. Mandou mais umas quatro mensagens perguntando onde eu estava logo que confirmei minha presença.
0
Comente!x

  Respondi assim que vi o trânsito paralisar a minha frente.
0
Comente!x

  Dana não costumava mais dirigir carros. Depois que bateu em um ciclista no estacionamento de um supermercado, ela ficou meio traumatizada. Ela vendeu seu carro para mim e comprou uma moto, que estava na avaliação, por isso deduzi que ela devia estar querendo carona. Só isso explicaria sua insistência.
0
Comente!x

  Batuquei o início de To Love Somebody no volante enquanto olhava o céu chuvoso e nublado formando-se. Como diria minha mãe, estava "branco de chuva".
0
Comente!x

  Suspirei fortemente, pensar na minha mãe sempre causava um aperto no peito. Eu estava tão cansada, aquela maldita Janis Joplin tocando no meu rádio só estava me deixando mais deprimida e minha cabeça parecia prestes a explodir. Passei a mão pelo rosto, pensando em jeitos de espantar a preguiça e a vontade de ir para casa, mas pensei que teria que arranjar um lugar para ficar se Dizzy levasse alguém. Eu não gostava de ficar em casa quando ela fazia sacanagem no quarto ao lado. Quase nunca tínhamos conflitos sobre garotos em casa, até porque nossas vidas sexuais eram bem parecidas.
0
Comente!x

  É claro que estou exagerando. A vida sexual dela definitivamente era mais agitada que a minha. Eu me trancava no quarto ou saía do apartamento quando ela estava com alguém e ela fez o mesmo nas poucas vezes em que eu voltei com alguém de alguma noitada. Dizzy e eu aproveitávamos a vida de jovens solteiras plenamente e, de vez em quando, até dividíamos alguns caras que topavam uma loucura.
0
Comente!x

  Não tínhamos muitas regras sobre morarmos juntas. Tudo sempre foi muito natural, na verdade. Dana sempre foi a melhor parte de mim e era muito fácil ser eu mesma com ela.
0
Comente!x

  Nossos pais quase tiveram um ataque cardíaco em conjunto quando decidimos deixar Springfield (Não, não é a mesma dos Simpsons. Se você pesquisar, vai descobrir que existem mais de 100 cidades com o mesmo nome), a cidade que nascemos e fomos criadas, para tentar a vida em Hillswood, a cidade que mais cresceu economicamente nos últimos meses e que era o melhor lugar para se iniciar uma carreira, segundo estudos promovidos pela BBC.
0
Comente!x

  Foi assim que eu decidi que devia ir e morar a quase 3700 km de distância da minha família. Eu e Dizzy já tínhamos tudo tão perfeitamente calculado e pronto que não teve como nossas famílias negarem. Na real, eu acho que eles estavam mesmo a fim de se livrar de nós. Meus pais sempre foram muito conscientes das minhas vontades, que infelizmente não coincidiam com as nossas condições. Eles sempre quiseram que eu estudasse em um lugar conceituado, porém, acho que eles estavam pensando em uma faculdade estadual mesmo, perto de casa. E os pais de Dana já não estavam mais aguentando suas aventuras desnecessárias.
0
Comente!x

  Foi sofrido e doloroso, principalmente para mim, deixar minha família, mas a necessidade faz a mulher e nem toda a ansiedade e tristeza me fariam ficar em um lugar em que eu tinha 40% de perspectiva de vida.
0
Comente!x

  O nosso apartamento era um pouco afastado do centro da cidade, localizado em um bairro considerado calma e "jovial". Tinham dois quartos, um banheiro em cada um, a sala e cozinha eram um só cômodo, divididas por um balcão — esse balcão costumava ser nossa mesa de jantar. A cozinha era pequena, de modo em que não cabiam nem três pessoas lá e a sala era até bem espaçosa, mas a nossa mesinha de centro ocupava grande parte dela, o que mostra que a sala talvez nem fosse tão espaçosa assim. Os banheiros eram minúsculos, nós não tínhamos água quente, nossos vizinhos eram meio estranhos, eu demorava 45 minutos para chegar relativamente perto da faculdade, mas era do jeito que eu e Dizzy gostamos e sempre desejamos.
0
Comente!x

  A melhor parte eram as janelas de vidro gigantes que tínhamos na sala, que mostrava a vista maravilhosa do centro da cidade. Quando a noite chegava, as luzes dos prédios do centro faziam tudo parecer bonito e calmo, isso nos relaxava quando estávamos enlouquecendo dentro do nosso pequeno universo.
0
Comente!x

  Eu tinha vinte anos quando deixei o Jeins, a periferia de Springfield, e me mudei para Hillswood. Não tinha dinheiro, nem esperanças, tinha apenas notas boas e financiamento universitário do governo. Ao contrário de mim, Dana sempre teve boas condições financeiras e quando cheguei com a ideia de irmos viver em outra cidade, ela concordou em apenas dois minutos de argumentação minha. Disse que estava mesmo querendo viver uma grande aventura ou algo assim.
0
Comente!x

  No dia, eu ri, entretanto não consegui não pensar que isso era coisa de gente rica. Que faz o que quer, na hora que quer porque tem dinheiro para isso.
0
Comente!x

  Ao contrário do que parece, eu não sou (tão) amargurada, nem invejosa ou coisa assim. E Dana também não é uma dondoca endinheirada e mimada. A família não era rica de berço, lutaram para conseguir um bom estilo de vida. Acho que por isso que não tive problemas em aceitá-la como amiga, ela era uma garota pé no chão e humilde no meio de um bando de pessoas mesquinhas.
0
Comente!x

  Eu estudei como bolsista em um colégio de classe média alta. Eu provavelmente era a única da turma que vinha do "lado ruim" da cidade. Eu ignorava a quase todos, principalmente os que se achavam os donos do mundo só porque tinham mais numerais nos bancos que a maioria. Não fazia questão de me encaixar socialmente também.
0
Comente!x

  A minha meta era passar pelo ensino médio sem grandes emoções, sem grande loucuras e estresses, mas Dana apareceu. Eu não lembro como a gente começou a se falar, só lembro que um dia éramos desconhecidas e no outro, amigas inseparáveis.
0
Comente!x

  Sem complicações ou explicações.
0
Comente!x

  Quando cheguei em frente ao Carté, uma garoa fina já caía e o céu quase branco mostrava que ainda vinha muito água por aí. O Carté era um casarão que, por fora, parecia até abandonado. Mas dentro, os cômodos eram como se fossem pequenas boates e tocavam estilos diferentes de música. Tinham pequenos bares espalhados pelo local, tinha uma ótima acústica, era um lugar bem aconchegante para quem curtia dançar e se divertir sem ser de um jeito hardcore.
0
Comente!x

  Na Garagem — que era literalmente uma garagem — era onde tocavam umas bandas novas e alternativas, uma coisa mais pesada. Era tudo muito escuro e a maioria das pessoas iam lá para se pegar. E tinha o Pátio, que era onde Dana e os caras que ela tinha conhecido estavam. Tinham várias mesas espalhadas, metade coberta por uma lona, metade por algumas árvores. No canto, tinha um pequeno bar que dava um ar de pub inglês. Eu gostava muito de lá. Era bom, barato e muita gente não fazia ideia de que por trás daquela frente caída, tinha um ambiente incrível e acolhedor por trás.
0
Comente!x

  Peguei minha carteira de dentro da mochila, meu celular e saí do carro. Atravessei a rua abraçando meu próprio corpo, me arrependendo de não ter trocado de roupa assim que bati o olho em algumas pessoas que estavam do lado de fora do local.
0
Comente!x

  Estava uma noite boa para conhecer alguém casualmente e meu vestidinho florido de algodão, meu casaco preto e aquelas sapatilhas não iriam me ajudar nisso.
0
Comente!x

  Paguei minha entrada e parei em frente a um espelho antes de seguir para o Pátio. Eu estava até apresentável para uma pessoa que saiu de casa às 5h da manhã e almoçou numa barraca de hot dog. Passei a mão pelo meu rosto quase sem maquiagem, se não fosse pelo rímel que seguia presente, firme e forte. Meu cabelo — recém cortado na altura dos ombros — estava preso pela metade e com frizz por conta da umidade, mas ainda agradável.
0
Comente!x

  Adentrei o local, escutando a melodia marcante, que só podia ser The Cure, tocar no fundo do local que parecia quentinho de tão confortável. Não estava lotado, mas tinha uma boa quantidade de pessoas nas mesas. Procurei rapidamente por Dana e ouvi sua risada numa das mesas lá do fundo, perto de uma pequena árvore. Fui até a mesa sentindo meu coração dar um pulinho.
0
Comente!x

  Ah, a inquietação de conhecer pessoas novas.
0
Comente!x

  Avistei Dana, sentada com três caras e quis dar um soco nela por não ter me falado nada por mensagem. Ela podia ter ao menos me avisado que um dos caras era o tal do %Filipe% %Buchart%.
0
Comente!x

  É claro que eu o conhecia, toda a cidade conhecia %Buchart%, e eu, como uma boa cidadã, também tinha minhas curiosidades e vontades em relação a ele.
0
Comente!x

  %Filipe% era um cara de quase 1,80m que desafiavam os meus 1,56. Ele, com aquelas costas largas e aquele sorriso de menino inocente, despertava o interesse de muita gente em Hillswood. Dana sabia minhas vontades, comentei sobre ele uma vez ou outra enquanto stalkeava suas redes sociais, mas nunca pensei que ela iria aparecer com ele ali, nem sabia que ela o conhecia.
0
Comente!x

  — Boa noite — cumprimentei cordialmente e vi todos virarem para me olhar, até o %Buchart% me olhou.
0
Comente!x

  — Finalmente! Achei que você tinha desistido, senta aí! — Dizzy exclamou, animada. Apontou para a cadeira vazia entre os caras que eu ainda não conhecia e de frente para ele.
0
Comente!x

  — Que tal me apresentar antes? — eu disse, mas já sentando e colocando minha carteira em cima da mesa.
0
Comente!x

  — Meninos, essa é a %Julieta%. %Julie%, esse é %Filipe%, Jack e Cam. — Ela apontou para cada um deles e eu sorri tímida.
0
Comente!x

  Eu não era tímida, mas vocês também ficariam se tivessem que sentar em uma mesa com quatro pessoas bem bonitas enquanto você parecia uma batata.
0
Comente!x

  — Ouvimos Dana falar de você o caminho inteiro e já estávamos achando que você era invenção da cabeça dela. — Cam estendeu a mão para me cumprimentar, fazendo todos rirem também. Cameron usava óculos iguais aos meus, tinha o cabelo castanho e lembrava um pouco um Dermot Mulroney jovem, só que britânico e negro.
0
Comente!x

  — Seja lá o que ela tenha dito, é tudo mentira. — Eu apertei a mão dele, simpatizando logo de cara.
0
Comente!x

  — Ela só disse coisas ruins. Se eu fosse você me preocupava com essa amizade. — %Filipe% riu, batendo no ombro de Dizzy com o próprio e estendendo a mão para mim. Eu ri e apertei firme, já sentindo minha confiança ir embora.
0
Comente!x

  — Que mentiroso! Eu falei super bem de você, falei o quanto você é legal e adorável. — Dizzy riu, me mandando uma piscadela.
0
Comente!x

  — Então a mentira já começa aí — falei enquanto cumprimentava Jack, que usava uma camisa com o perfil do Che Guevara, e todos riam.
0
Comente!x

  — Falsa! Sou um amor e você só me destrata — Dana falou, com uma falsa tristeza e fazendo um biquinho.
0
Comente!x

  Vi %Filipe% sorrir, parecendo encantado enquanto ela sorria para mim depois e eu soube que eu iria entrar em uma batalha perdida. Cam me ofereceu uma cerveja e eu prontamente aceitei com um "amém", fazendo-os rirem.
0
Comente!x

  — Como foi o dia? — Dana bebericou sua própria cerveja.
0
Comente!x

  — Difícil, mas estou viva apenas para tomar essa cerva bendita, que eu desejei durante o dia todo. — Dei uma golada longa no líquido gelado. Já que aparentemente estou fora do jogo, pelo menos ficarei bêbada enquanto vejo Dana se dando bem.
0
Comente!x

  — Foi um desejo em comum, eu também necessitava tomar uma hoje — Jack concordou comigo, esticando seu copo para brindar comigo. Ri e me desculpei por beber antes de brindar.
0
Comente!x

  — Você pediu minha pizza? — Dirigi—me a Dana, que parecia cinco vezes mais bonita naquele dia.
0
Comente!x

  — Pedi. Com mais coisas por cima possíveis. Imaginei que você deve estar com um monstro aí dentro. — Apontou com a cabeça para minha barriga. Agradeci, senti meu corpo já ficar relaxado com o clima amigável na mesa. Todos estavam rindo e sendo bastantes simpáticos comigo, não dando brecha para que eu me sentisse desconfortável.
0
Comente!x

  — Nós também pedimos uma pizza faz uns 20 minutos — %Filipe% informou, olhando no relógio do celular. — Eu nunca vim aqui, costuma demorar?
0
Comente!x

  — Na verdade, não — Dizzy respondeu e ele a olhou, sorrindo. Dei uma risada para o nada e enchi o copo novamente.
0
Comente!x

  Perguntei como Dana os tinha conhecido e eles contaram que ela teve que fazer um trabalho com Cam, que era fotógrafo. Logo depois, %Filipe% também acabou por chegar no estúdio, ele também tinha uns trabalhos com Cam e eram muito amigos. Dana e Cam precisavam se reencontrar para finalizar algo do trabalho e então chegou Jack, que era DJ e ia tocar no Carté naquela noite. Daí Dana, gente boa do jeito que era, já tinha intimidade o suficiente para ser convidada para ir junto com os rapazes até lá.
0
Comente!x

  E minhas suspeitas que %Buchart% queria Dana só se confirmaram ao longo da conversa.
0
Comente!x

  O tempo todo ele era engraçado e gentil com ela, flertava de um jeito tímido e fofo que ela não se dava conta. Dizzy tinha esse jeito meigo e atencioso com todos, mas ela também não costumava prestar atenção nas coisas, logo ela nem sempre percebia quando alguém estava interessado. Simplesmente achava que ele era assim mesmo e eu estava me segurando para não falar para ela beijar ele ali mesmo. Eu reconhecia a derrota e já comemorava por ela. Se ela iria ter a oportunidade de passar a mão naquele poço de gostosura, que fosse com louvor.
0
Comente!x

  As coisas entre mim e Dana eram assim, simples. Nos conhecíamos bem demais, sabíamos demais uma da outra e sabíamos o momento certo para tudo. E aquele sorriso do %Buchart% — lindo demais, diga-se de passagem — era todo dela e para ela. Era explícita a admiração que ele sentia por ela e eu não o culpava, de forma alguma.
0
Comente!x

  Dana, com suas pernas longas, cabelos grandes e sedosos, corpo escultural, parecia o tipo de garota que saía de um comercial de TV que personificava garotas perfeitas. E ela era mesmo. Era doce, gentil, interessante, engraçada, carinhosa, curiosa e dona de um sorriso tão marcante e perfeito que só ela tinha. Eu era apaixonada por ela de um jeito não sexual, por assim dizer. Eu amava e exaltava cada parte dela. Eu e Dana éramos completas e donas de si demais para invejas e competições.
0
Comente!x

  Como eu disse, eu entendo a fascinação dele por ela, só não conseguia evitar sentir um pouquinho de ciúmes.
0
Comente!x

  Quando as pessoas não conseguiam nada com a Dizzy ou qualquer outra amiga minha, eu estava ali de segunda opção. Isso não me incomodava. Eu era conformada. Eu sabia que não era feia, sabia que minha personalidade ajudava muito na hora de conhecer alguém. Eu não era magra, mas eu até gostava de ter umas curvas mais salientes. Sabia que não iria conseguir alguém por conta das minhas coxas grossas demais para o tamanho do meu quadril, meu nariz um pouco grande demais para o meu rosto, olhos pequenos demais, minha barriga que não chegava perto de ser trincada como a de Dana.
0
Comente!x

  Eu não era boa na parte da beleza, mas eu sabia manter uma conversa, sabia fazer alguém ficar interessado, era boa no flerte e também tinha um ótimo senso de humor.
0
Comente!x

  Meus pensamentos e a conversa na mesa foram interrompidos quando nossas pizzas chegaram e eu percebi o quanto estava esfomeada. Nem liguei para etiquetas fui logo pegando a pizza com a mão mesmo e sorri ao ver ele fazendo o mesmo.
0
Comente!x

  — Então, Jack? — perguntei meio em dúvida se aquele era mesmo o nome dele. — Você vai tocar hoje?
0
Comente!x

  — Sim, é a primeira vez que toco aqui. Faço uns bicos às vezes, trabalho na casa de shows da sogra do Cam. Sou estudante de música, sabe como é, a gente aceita qualquer coisa. — Ele deu de ombros, se empanturrando com a pizza.
0
Comente!x

  — E você, %Julie%? Conta para a gente até quando você vai se matar de trabalhar em algo que você nem gosta? — Dizzy sorriu, sarcástica. Revirei os olhos com sua alfinetada.
0
Comente!x

  — Quem disse que eu não gosto do que eu faço?
0
Comente!x

  — Você mesma, três segundos atrás. — Cam deu uma mordida na pizza, olhando—me provocador, fazendo Dana rir.
0
Comente!x

  — Só não é minha preferência... — Dei de ombros e voltei a me concentrar na minha pizza.
0
Comente!x

  — Ela trabalha em um jornal que é tudo que ela luta contra desde a época da escola — Dana explicou ao notar a confusão dos rapazes.
0
Comente!x

  — É difícil juntar algo que você gosta com o que você precisa fazer. — %Filipe% me olhou e deu um sorrisinho de lado. Eu não sorri de volta, estava com a boca cheia e já meio irritada com Dana. — Eu te entendo.
0
Comente!x

  — Por que você se mata de trabalhar se nem gosta? — Jack perguntou e me passou outra fatia de pizza quando percebeu que eu precisava de mais e estava com vergonha de pedir a do sabor deles.
0
Comente!x

  — Reconhecimento. Se eu me esforçar e for boa em algo que eu não gosto, irão perceber que posso ser melhor no que gosto. Ficou confuso? — tentei explicar o mais breve possível. Não queria ter que explicar toda a burocracia em volta do que eu fazia. Ou do que eu achava que fazia.
0
Comente!x

  — Eu concordo plenamente, por isso eu toco até em bar mitzvah. — Jack fez todos rirem com sua declaração. — %Fil% é o sortudo aqui.
0
Comente!x

  — Não sou sortudo. Lutei pelo que queria, só isso — %Filipe% assegurou, bebendo um gole de sua caneca e batucando a mesa com a outra mão no ritmo da música que tocava.
0
Comente!x

  %Filipe% %Buchart% era cantor, por isso sua fama na cidade. Eu nunca tinha visto ele cantar, logo não sabia se ele realmente era bom, mas já tinha visto o nome dele em algumas casas de show da cidade e sempre havia filas nas portas. Talvez ele só fosse um rostinho bonito.
0
Comente!x

  Forcei minha mente a descobrir qual música tocava no local, já que %Filipe% cantarolava livremente, quase nem prestando atenção na conversa na mesa. Prestando um pouco mais de atenção, identifiquei que era uma música cujo refrão era "no rest for the wicked", que significava ‘não há descanso para os perversos'. Eu conhecia a frase, era de algum livro da Bíblia. Mas eu não conhecia a música, teria que pesquisar depois, já que ela estava sendo apropriada para o momento. A frase também poderia significar que você precisa trabalhar duro, mesmo que já esteja cansado.
0
Comente!x

  Altamente apropriada.
0
Comente!x

  — Eu também entendo — Dana continuou defendendo seu ponto de vista —, mas acho que a %Julie% está se tornando workaholic. Nem é saudável o tanto que ela anda trabalhando. Eu sempre digo que ela não precisa por tanta pressão em si mesma, mas parece tudo em vão. Sério, estou a ponto de trancar ela em casa.
0
Comente!x

  — Faça isso e vamos ser despejadas já que eu não vou ter dinheiro para pagar aluguel — afirmei, fazendo todos rirem na mesa.
0
Comente!x

  — Enfim, eu só queria que %Julie% me acompanhasse para as cervejas do fim de semana, só isso. — Dizzy chamou o garçom com o dedo.
0
Comente!x

  — There ain't no rest for the wicked — citei a frase que dizia na música enquanto tomava o último gole no meu copo, desviando o olhar acidentalmente até %Filipe%. Os olhos dele também me acharam e ele sorriu de lado.
0
Comente!x

  — Money don't grow on trees — completou minha sentença com o que eu acreditava ser uma frase da música.
0
Comente!x

  Forcei um contato visual constante e ele não desviou o olhar enquanto virava o copo dele, bebendo o resto de líquido que tinha ali. Aquilo alertou algo dentro de mim. Eu estava no jogo?
0
Comente!x

  A pizza já havia acabado e agora já estávamos na cerveja de novo, todos já estavam meio leves e alterados e a chuva aumentando gradativamente. Enquanto Dana pedia mais uma rodada, Cam começou a se despedir de nós. Disse que tinha uma viagem à trabalho para fazer pela manhã e pediu desculpas a Jack por não poder ficar. Depois de um drama exagerado e engraçado de %Filipe% e Jack, Cam conseguiu deixar o local.
0
Comente!x

  Ele pareceu realmente chateado de ter que ir. Abraçou-me e disse que tinha adorado me conhecer. Percebeu que eu era mais sóbria entre eles e pediu para que eu tomasse cuidado com os garotos caso eles saíssem dali bêbados demais. Eu, claro, disse que sim. Jack iria começar a tocar às 1h da manhã, o que significava que eles ainda tinham uma hora para beber mais.
0
Comente!x

  Todos já estavam soltos e parecia que nós éramos amigos de infância, cheios de risos e piadas internas. Comecei a dosar minha bebida já que eu ia dirigir e levar todos em casa. Geralmente, eu era forte para o álcool, mas eu não gostava de abusar da sorte. Também era contra beber e dirigir, mas eu quebrava a regra algumas vezes. Outra coisa que não me orgulho nem um pouco.
0
Comente!x

  Conversa vai, conversa vem. Por um momento, senti-me em um campo de batalha com Jack e %Filipe% jogando uns flertes pesados e disputando a bela Dana Tomazio. Eu me senti um pouco distanciada, mas não era do meu feitio deixar o jogo de cabeça baixa.
0
Comente!x

  Se fosse para morrer, eu morreria atirando.
0
Comente!x

  — Então, você levou um chute nas costas e não fez nada? — Jack perguntou para Dana, meio surpreso. Nós estávamos contando sobre uma de várias das nossas histórias da época de escola. Contamos do dia em que um simples interclasses tornou-se um ringue por culpa de Dana, que era muito boa no basquete e nós estávamos ganhando.
0
Comente!x

  — Eu sou muito lerda! — Dizzy praguejou, batendo na própria testa ao lembrar do seu infortúnio. — Quando eu senti o chute, nem imaginei que tinha sido de propósito. Achei que nem era para mim!
0
Comente!x

  — Um chute certeiro nas costas não tem como não ter sido por querer, realmente — zombei do jeito leve e lerdo de Dana, fazendo todos rirem.
0
Comente!x

  — Foi do nada. Em um minuto, %Julie% estava quieta, nem parecia que estava prestando atenção no que estava acontecendo. E no outro, ela estava socando a cara da menina. Deu pena! A garota nem conseguia se defender. — Dana gargalhou e eu escondi meu rosto entre as mãos. Eu já tinha feito muitas besteiras na vida, coisas que nos dias atuais eu sou completamente contra.
0
Comente!x

  Mas é aquela velha desculpa. Adolescência…
0
Comente!x

  — Você é do tipo durona, então? — %Filipe% encarou-me com um sorrisinho de canto sacana. Eu estava sentada de frente para ele. De vez em quando, meus pés batiam nos dele, nossos tornozelos se encontravam e eu não sabia se era de propósito e isso estava me dando uns arrepios loucos. — Você sabe que não tem tamanho para isso, não é?
0
Comente!x

  — Essa é minha vantagem. Quando você menos esperar, você não vai saber nem o que o atingiu — retruquei. Ouvi Jack e Dana fazerem um "uooooo" e baterem na mesa. Eu ri enquanto tomava um gole de cerveja, olhando-o por cima do copo. Agora, %Filipe% me olhava com os olhos que eu desejava.
0
Comente!x

  — E contra mim? Eu tenho quase 1,80, sabia? — Ele me olhou com uma sobrancelha levantada, quase como quem me desafiava.
0
Comente!x

  — Nunca me impediu de nada antes, big boy. — Ouvimos um outro "uooo" dos nossos amigos bêbados e %Filipe% riu, com os lábios apertados e os olhinhos fechadinhos.
0
Comente!x

  — Eu adoraria ver você tentar ter esse seu jeito comigo, %Julieta%, mas acho que seria covardia com você — proferiu quase como se estivesse com piedade de mim.
0
Comente!x

  — Você perderia feio, big boy.
0
Comente!x

  — Você me chama de big boy e ainda nem viu a maior parte de mim. — Eu gargalhei, mas não deixei barato:
0
Comente!x

  — Você diz que não me garanto, mas nunca nem tentou — expressei, abrindo os braços.
0
Comente!x

  Jack e Dana batiam na mesa e gritavam com a nossa pequena disputa como se estivesse assistindo a uma lucha libre, sem se importar em estarem chamando atenção das mesas ao lado. A gente ainda se encarava, mesmo que estivéssemos quase morrendo de rir.
0
Comente!x

  — Ok, eu estou adorando isso, mas eu preciso tocar. Por favor, me prometam que só vão continuar com essa batalha quando eu estiver por perto — Jack nos interrompeu. Olhei para ele rindo, mas senti que os olhos de %Fil% não abandonaram meu rosto.
0
Comente!x

  Pegamos nossos copos e saímos da mesa, indo em direção a Casa. Minha movimentação fez com que o casaco deslizasse pelo meu ombro, deixando-me desprotegida do frio que estava. Com as mãos ocupadas — meu celular e carteira em uma mão e o copo na outra —, mexi meu ombro de uma forma desengonçada, tentando pôr o casaco no lugar. Foi quando %Filipe%, que estava logo atrás de mim, resolveu intervir, colocando o pano no lugar. Seria ótimo e fofo, mas o jeito que ele o fez deixou-me tremendo na base.
0
Comente!x

  Ele subiu os dedos lentamente pela minha costa até chegar ao meu braço. Puxou o pano até meu ombro e repousando sua mão ali. Simplesmente parou com a mão ali no meu ombro.
0
Comente!x

  Apenas respondi um "valeu" baixinho, como se não tivesse dado importância para o ato, sendo que eu daria tanta coisa para ele naquele momento.
0
Comente!x

  Jack avisou que ia subir para se preparar para ir para o salão principal e sugeriu que fôssemos curtir a festa enquanto ele não entrasse para tocar. E nós fomos. Entramos nos três ambientes, dançando como três jovens bêbados dançavam quando só queriam se divertir um pouco. O rock alternativo que tocava na Garagem não nos entreteve por mais de dois minutos.
0
Comente!x

  Na segunda sala, tocava Young Folks e %Filipe% e Dana dançavam e pulavam de um jeito cômico. Eu apenas me balançava de um lado para o outro, não estava bêbada o suficiente para mostrar minhas incríveis habilidades de dança. Logo passamos para o salão principal, onde tinham mais pessoas e era onde Jack iria tocar.
0
Comente!x

  Algumas músicas pop antigas que faziam %Filipe% e Dana enlouquecerem soavam no ambiente. Eu não entendia muito bem de música pop, ou de música em geral, então fui apenas sentar no pequeno bar que tinha lá perto.
0
Comente!x

  Eu estava traçando mentalmente algum plano para tentar chegar em %Filipe%, que apesar de ter me dado alguns sorrisos, ainda me parecia inatingível. Eu havia decidido que o queria e não me importava que ele me pegasse como prêmio de consolação, já que Dana aparentemente não estava querendo.
0
Comente!x

  Eu era egoísta e autodepreciativa a esse nível.
0
Comente!x

  Interrompendo minha divagação, um cara aproximou-se de mim. Perguntou o porquê de eu estar sozinha, querendo se aproximar. Ele não era de todo mau. Se fosse qualquer outra noite, eu o deixaria chegar em mim, mas eu estava seletiva.
0
Comente!x

  Não aceitaria nada menos do que aqueles 1,80 de costas largas e braços fortes.
0
Comente!x

  — Você é bonita para ficar só. — O gênio em minha frente ainda tentava.
0
Comente!x

  Eu ficava puta com isso. Só porque eu estava sozinha significava que eu estava querendo companhia? Minhas vertentes feministas esquentavam nessas horas, mas eu mantive a calma. Apesar da fama de ter cabeça quente, eu só arrumava confusão quando era estritamente necessário. Caso contrário, eu era totalmente a favor do "faça amor, não faça guerra".
0
Comente!x

  — Hoje não — respondi seca, mantendo meu olhar na parede oposta, brincando com a bebida em minha garrafa. Tentando fazer com que eu ficasse com a cara mais desinteressada do mundo.
0
Comente!x

  — Mas você está sozinha aqui e...
0
Comente!x

  — Hoje não, cara. — %Filipe% apareceu por trás do cara, dando uns tapinhas no ombro e sorrindo debochado.
0
Comente!x

  Droga, ele parecia muito mais desejável com aquela luz ambiente verde escura sob seu rosto. O cara apenas levantou os braços em rendição e sumiu no meio das pessoas antes que pudesse olhá-lo novamente. Agradeci a %Filipe%, eu não estava com paciência para gente que não sabe ouvir um 'não'. Já é ridículo o suficiente que o nosso "não" nunca é o suficiente. Eles precisam ver que tem um homem com você, só assim te deixam em paz.
0
Comente!x

  — Quer dizer que é difícil te deixar só? — %Filipe% brincou.
0
Comente!x

  — Isso não acontece muito... — disse tentando não parecer tão cabisbaixa quanto eu estava em dizer aquilo.
0
Comente!x

  — Não acredito em você. Deve ser difícil ser seu namorado. — Eu realmente não sabia dizer se ele achava que eu tinha namorado ou só estava jogando verde. Ele mantinha a expressão neutra o tempo todo.
0
Comente!x

  — Talvez por isso ele seja inexistente — respondi.
0
Comente!x

  — Eu achei que...
0
Comente!x

  — Não, namorados são sinônimos de problemas — interrompi-o, balançando as mãos.
0
Comente!x

  — Eu já estava aqui, pensando em dez jeitos diferentes de te fazer deixar o seu suposto namorado para me dar uns beijos hoje.
0
Comente!x

  Ele estava com a expressão calma, com as mãos nos bolsos e falou assim, calmamente, como se estivesse perguntando as horas. Fiz questão de olhá-lo da cabeça aos pés, como se estivesse analisando-o e voltei a olhar em seus olhos, em um sinal claro de flerte.
0
Comente!x

  — Me diz pelo menos dois deles e eu vejo se vale a pena deixar meu suposto namorado por esses lábios — repliquei sem titubear enquanto encarava os lábios deles, agora um tanto vermelhos de tanto ele morder.
0
Comente!x

  — Te digo até cinco.
0
Comente!x

  — Então, pode começar — informei risonha, achando engraçado a feição desafiadora dele.
0
Comente!x

  — Número um. — Ele se sentou ao meu lado no pequeno sofá que tinha grudado na parede em um canto apertado.
0
Comente!x

  O número de pessoas parecia aumentar cada vez mais, a música se tornava mais densa e aquele sentimento gostoso de conquista e paquera passava por nós. Seu braço estava em volta de mim, descansando em minha cintura, ele estava meio inclinado sobre mim e eu sentia todo aquele cheiro maravilhoso de perfume masculino me envolver.
0
Comente!x

  Eu não sabia onde a Dana estava, mas se ela voltasse agora, ela estaria muito, muito ferrada.
0
Comente!x

  — Número um: Seus lábios são lindos, não consigo parar de olhar para eles e pensar no quanto deve ser boa de beijar — afirmou, olhando intensamente para minha boca.
0
Comente!x

  — Argumento fraco. Você só me parece bêbado, mas prossiga. — Fiz sinal para ele continuar.
0
Comente!x

  Estiquei-me para colocar a garrafa de água vazia que eu segurava em cima do balcão, mas estávamos tão próximos que quando levantei, seus lábios esbarraram em minha bochecha. Tentei voltar a sentar na posição anterior, mas ele aproveitou para me segurar ali, quase em cima dele.
0
Comente!x

  — Número dois: você é linda, eu provavelmente passarei o final de semana inteiro me amaldiçoando por não ter te beijado antes. Isso é um problema meu, eu sei. Mas isso nos leva ao argumento número três: você quer me beijar tanto quanto eu quero te beijar. O que nos leva ao argumento número quatro: se você deixar eu te beijar, prometo que vou, pelo menos, tentar fazer sua noite valer a pena.
0
Comente!x

  %Filipe% %Buchart% era a coisa mais adorável do mundo e eu provavelmente nunca tinha ficado com alguém tão fofo.
0
Comente!x

  — Você esqueceu o número cinco — comentei, já meio perdida por conta da intensidade em seu olhar.
0
Comente!x

  — O número cinco é baseado em tentativas.
0
Comente!x

  Jack começou a tocar naquele momento e eu nem tinha percebido que ele já estava no palco. Todas as pessoas que estavam em nossa volta se viraram para o palco, aplaudindo, dançando e começando a gritar ao ouvir a introdução do set dele que começava com uma série de músicas antigas. Quando fiz menção de levantar também, senti as mãos de %Fil% me puxarem para baixo pelo quadril. Ele colocou a mão no meu pescoço e roçou os lábios dele nos meus de leves. Agora eu entendi o que ele quis dizer com 'tentativas'.
0
Comente!x

  Eu estava toda arrepiada, nem acreditando que isso estava acontecendo. Cruzei minhas pernas e apoiei uma mão em sua coxa grossa para conseguir um apoio melhor. Não respondi, apenas estalei um beijo rápido em seus lábios, puxando-os um pouco. Já estava pronta para levantar, fazer um charme, deixá-lo na vontade mais um pouco, mas ele foi mais rápido e agarrou meu rosto com a mãos, me beijando com vontade.
0
Comente!x

  E quem sou eu para entrar no caminho de um homem decidido, afinal?
0
Comente!x

  Fazia tempo em que eu não me sentia tão bem e leve beijando alguém. %Filipe% beijava no tempo certo. Nem rápido, nem lento. Ele aproveitava o beijo e era carinhoso. Beijava com muita ternura para quem tinha me conhecido algumas horas atrás. O tempo todo acariciando meu rosto e tomando cuidado quando sua mão ultrapassava alguns limites, que talvez ele achasse que fossem limites. Nesse momento, eu já sabia que teria que tomar cuidado com aqueles lábios perigosos. Mais uma noite com ele e eu provavelmente estaria em apuros.
0
Comente!x

  Ficamos mais alguns minutos nos beijando, até que meu celular vibrou em minhas pernas. O nome de Dizzy surgiu na tela brilhante e eu soube que teria que me separar dele para encontrá-la. Andamos entre as pessoas no salão com %Filipe% com a mão em minha cintura o tempo todo e eu pareço adolescente novamente por fazer observações como essa. Quando achamos Dana, ela também procurava por nós.
0
Comente!x

  — Preciso ir ao banheiro, vamos comigo? — ela perguntou, depois que dançamos algumas músicas do set de Jack.
0
Comente!x

  — Vou no bar, vocês querem mais? — %Fil% perguntou. Dana pediu mais uma garrafa de cerveja e eu pedi mais uma garrafinha de água. Ele afagou meu pescoço quando Dizzy e eu saímos em direção ao banheiro.
0
Comente!x

  — O que foi? O que eu perdi? — Dana perguntou quando já estávamos dentro do box no banheiro. Sim, nós entrávamos juntas.
0
Comente!x

  Eu segurava suas pernas, oferecendo o apoio necessário para que ele não encostasse o traseiro no vaso sanitário. Acho que isso é uma regra internacional de todas as mulheres. Principalmente quando estamos falando de banheiros de bares, clubes, boates e etc.
0
Comente!x

  — Ele me beijou — contei, meio receosa. %Filipe% estava dando em cima dela no início da noite. Ao contrário do que eu pensava, ela pode ter percebido e podia ficar chateada comigo.
0
Comente!x

  — Ele te beijou? — Ela pareceu surpresa. Eu também ficaria.
0
Comente!x

  — Sim, ele chegou em mim, cheio das segundas intenções. Não tinha como dizer 'não'.
0
Comente!x

  — Ah... legal! — Dana não pareceu tão interessada no que eu tinha para contar, então reprimi minha vontade de comentar o episódio e logo me calei. — Me ajuda com a minha saia?
0
Comente!x

  Assenti e puxei o zíper da saia azul que ela usava. Ficamos em silêncio enquanto eu urinava, usando o mesmo processo de não encostar no vaso.
0
Comente!x

  — E aí? Você gostou? — perguntou enquanto lavava as mãos.
0
Comente!x

  — Do quê?
0
Comente!x

  — %Buchart%. — Dana revirou os olhos com minha lerdeza.
0
Comente!x

  — Acho que até demais.
0
Comente!x

  Olhei-me no espelho. Meu cabelo estava bagunçado demais, não acredito que %Filipe% teve coragem de chegar em mim assim. Ele já deve estar arrependido. Vendo minha insatisfação, Dizzy ofereceu-se para prender meu cabelo do jeito que estava antes e eu aproveitei para nos analisar de frente para o espelho.
0
Comente!x

  Ela vestia uma saia jeans e uma blusa moderna demais para meu entendimento, o rosto ainda perfeitamente maquiado e o cabelo brilhante. E eu ali, com meus óculos embaçados e vestido surrado. Dana podia ser facilmente o tipo de garota que só existe em TV. Você sabe de qual estou falando.
0
Comente!x

  Aquelas que estão com o cabelo sempre no lugar, que não tem mau hálito, que comem toda a gordura do mundo e não engordam um quilo e estão sempre sorrindo.
0
Comente!x

  — Acho que já estou ficando meio bêbada — Dana confessou depois de dar um beijo no meu rosto.
0
Comente!x

  — Você já está bêbada.
0
Comente!x

  — Verdade! — Dana disse gargalhando alto e me fazendo rir também. Dana tinha uma gargalhada engraçada e espontânea que sempre me fazia rir.
0
Comente!x

  Voltamos quase no final do set de Jack, ele iria tocar por uma hora apenas. %Filipe% e eu nos beijamos mais algumas vezes e foi uma delícia. Eu abraçava a cintura dele, dançando e ele passava um braço pelo meu ombro. Ficava brincando com lábios, não me deixando aprofundar o beijo. Eu passaria a noite assim, mas quando Jack finalizou seu trabalho e ganhou algumas doses de tequilas de graça, as coisas saíram um pouco do controle.
0
Comente!x

  Eu me afastei por uns minutos para ir ajudar uma moça bêbada e quando voltei Dana dançava em cima de uma mesa, Jack entrou numa de dançar valsa com %Fil% e eu fiquei apenas rindo de tudo a minha volta, deixando-os de divertiram do seu jeito estranho e irreverente.
0
Comente!x

  Já eram quase cinco da manhã quando eu tive que os arrastar para fora do Carté em direção ao meu carro. Quando anunciei que já era hora de ir embora, %Filipe% foi o único que se recusou, queria ficar mais um pouco. Mas eu prometi a Cameron que todos chegariam em casa são e salvos então puxei %Filipe% pelo braço e empurrei-o em direção ao meu carro. Ele ria e dava em cima de todas as pessoas que passavam por nós com cantadas ridículas.
0
Comente!x

  — Minha carteira e minhas chaves, vamos! — Passei a mão pelos bolsos da calça de %Filipe%, onde eu tinha colocado minhas coisas mais cedo, receando esquecê-las por cima de alguma mesa.
0
Comente!x

  — A gente devia seguir o exemplo deles, olha! — %Filipe% riu e apontou para Dana e Jack se beijando sem pudor encostados na porta traseira do meu carro.
0
Comente!x

  — Que porra é essa? Quando isso aconteceu? — Gargalhei, incrédula com a cena ao meu lado. %Fil% imprensou meu corpo na porta do motorista e tentou me beijar. — Você deu em cima de um monte de gente e agora quer me beijar, que absurdo!
0
Comente!x

  Comecei a rir, mas o beijei de volta, aproveitando para pôr a mão dentro do seu bolso traseiro, puxando minha carteira e minhas chaves dali. Beijando-o, fui empurrando em direção a porta do outro lado até dar um jeito de jogá-lo de qualquer jeito lá dentro. Ele reclamou, mas assim que se sentou direito, encostou a cabeça no banco e fechou os olhos. Fechei a porta do passageiro e ri ao ver Dana quase se prendendo na cintura de Jack.
0
Comente!x

  — Ei, para dentro! A porta está aberta, vamos. Nada de fazer besteira aí atrás. — Eu dei um tapa na bunda de Jack. Eles riram e entraram no carro, voltando a se agarrar instantaneamente.
0
Comente!x

  — %Fil%, o endereço — eu pedi, colocando a mão na coxa dele, balançando um pouco. Ele colocou a mão em cima da minha e respondeu que ficariam na rua 13.
0
Comente!x

  — É o único condomínio que tem lá.
0
Comente!x

  Enquanto eu dirigia, Jack e Dana colocaram Britney Spears para tocar. Segundo Jack, Spears era seu maior guilty pleasure. Eu desconfiava que estavam até coreografando ao som de Baby One More Time. Pelo menos, eu torcia que a grande movimentação no banco de trás fosse apenas dança.
0
Comente!x

  — Quero te ver de novo. — %Filipe% se inclinou em minha direção, deu um beijo rápido na minha bochecha e voltou a posição anterior.
0
Comente!x

  Senti todo meu interior se aquecer, surpresa com seu ato. Até o álcool pareceu evaporar. Peguei meu celular, desbloqueei e joguei em seu colo. Ele prontamente pegou, colocando seu número.
0
Comente!x

  — Vou me mandar uma mensagem, não quero que você fuja de mim — ele avisou. Dei uma olhada rápida e ele realmente estava digitando alguma coisa.
0
Comente!x

  — Tenho cara de quem foge?
0
Comente!x

  — Parece ser aqueles tipos de garota que nós só vemos uma vez na vida. — Ele colocou meu celular de volta nas minhas pernas e deixou a mão por ali mesmo.
0
Comente!x

  Ah, essas mãos perigosas.
0
Comente!x

  Andar pelas ruas do centro quando estavam vazias era uma das minhas coisas preferidas no mundo. O céu estava nublado, devido à chuva, mas estava muito bonito. Jack e Dana estavam dormindo um em cima do outro e %Filipe% provavelmente dormia também, com o rosto virado para o outro lado.
0
Comente!x

  A mini-eu de dez anos sentia-se vibrante ao fim da noite.
0
Comente!x

  Essa é a parte legal da vida adulta. A independência. O fato de você poder sair numa sexta-feira de noite sem nenhuma expectativa de diversão e acabar tendo uma noite incrível, com direito a danças em cima da mesa, três novas amizades e um beijo que vai ser difícil de superar.
0
Comente!x

  Apertei o ombro de %Filipe%, avisando que já tínhamos chegado. Ele abriu os olhos, olhando em volta, parecendo meio confuso. Sorri ao ver sua feição. O rosto vermelho e amassado me deixou agraciada. Encostei meus lábios nos dele, sentindo-o sugar meu lábio inferior. Sua língua brincou um pouco com a minha antes de nos separarmos com selinhos.
0
Comente!x

  — Boa noite — ele desejou, com a voz rouca, me dando mais um selinho e virando para trás. Deu um tapa na perna de Jack, que levantou assustado. Jack deu um beijo na testa de Dizzy, que já estava completamente entregue, me fazendo pensar no desafio que seria para ela sair do carro. Jack me desejou bom dia, eu particularmente acho que ele ainda estava dormindo.
0
Comente!x

  Ambos saíram do carro e %Filipe% virou, sorrindo para mim de uma forma que me faria pensar naquele sorriso a noite inteira. Deu risada quando Jack virou para a direita, mas %Filipe% o puxou para a esquerda, guiando-o pelo ombro.
0
Comente!x

  Cinco quadras antes de chegar em nosso prédio, já comecei a cutucar Dana, na intenção de acordá-la, mas ela estava certa de que a ideia de dormir ali no carro era ótima, então tirá-la de lá foi difícil. Eu e Dana estávamos acostumadas a chegar cambaleantes em casa, mas quando só uma de nós estava bêbada, era um saco.
0
Comente!x

  Assim que entramos no apartamento, eu imediatamente a levei para o banheiro. A ajudei a tirar as suas roupas e ela fez o resto sozinha. Fui para meu quarto, jogando minhas roupas pelo caminho. Tomei um banho rápido devido a água fria demais.
0
Comente!x

  Coloquei apenas uma camisa cinco números maior que o meu, deitei na minha cama, sentindo meus músculos quase gritarem de alívio. Abri meu WhatsApp, silenciando todos os grupos e respondendo minha irmã. Abri minhas mensagens e lá estava a mensagem de %Filipe%.
0
Comente!x

  "Mande um oi para o %Fil%, ele é um cara legal e beija bem."
0
Comente!x

  Sorri, era extremo pensar que nada no mundo que me faria apagar aquele número?
0
Comente!x

  Em menos de dois minutos, Dizzy entrou no meu quarto, com seu cobertor nos braços e de olhos fechados.
0
Comente!x

  — Dana, não. — Eu previ sua ação. Dana gostava de dormir com companhia quando estava frágil, triste, bêbada ou com medo. E eu não era lá muito fã de dividir cama.
0
Comente!x

  — Não pedi permissão, %Julie%. Você nem vai me notar aqui. — Deu um beijinho no meu nariz e eu revirei os olhos. Muito cansada para iniciar uma discussão, só deixei que ela se aconchegasse no meu ombro e fechei os olhos.
0
Comente!x

  Dormiria imediatamente, se não fosse %Filipe% %Buchart% e seus lábios perigosos rondando minha mente.
0
Comente!x

━━━━━━◇◆◇━━━━━━

0 0 votos
Classificação do artigo
Inscrever-se
Notificar de
guest

0 Comentários
mais antigos
mais recentes Mais votado
Feedbacks embutidos
Ver todos os comentários
Todos os comentários (9)
×

Comentários

×

ATENÇÃO!

História NÃO RECOMENDADA PARA MENORES ou PESSOAS SENSÍVEIS.

Esta história pode conter descrições (explícitas) de sexo, violência; palavras de baixo calão, linguagem imprópria. PODE CONTER GATILHOS

O Espaço Criativo não se responsabiliza pelo conteúdo das histórias hospedadas na sessão restrita ou apontadas pelo(a) autor(a) como não próprias para pessoas sensíveis.

Você não pode copiar o conteúdo desta página

0
Adoraria saber sua opinião, comente.x