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História NÃO RECOMENDADA PARA MENORES ou PESSOAS SENSÍVEIS.

Esta história pode conter descrições (explícitas) de sexo, violência; palavras de baixo calão, linguagem imprópria. PODE CONTER GATILHOS

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Pretend

Escrita porRay Dias
Editada por Lelen

🛈

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Capítulo 11

I wanted to know you though I still don't know myself. I've got so much to show you, won't you show me the way?
(Eu queria conhecer você, embora eu ainda não me conheça. Eu tenho tanto para te mostrar, você não vai me mostrar o caminho?)

  Cha Eun Woo estava atento ao e-mail aberto na tela de seu computador do escritório. Ele não achou que os coreanos voltariam na decisão, e agora tinha um problema. Estalou a língua e fechou os olhos, enquanto massageava os cabelos. Como as coisas ficariam agora? %Lana% definitivamente precisava resolver logo as questões com o ex. Mas, ele prometeu não a pressionar e não faria isso.
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  Fechou o navegador da internet, desligou o computador e reuniu suas coisas na mochila para encerrar mais um dia de trabalho. Antes de trancar a porta de sua sala, pegou o celular em mãos a fim de mandar mensagem para %Lana% avisando que a buscaria. Seu chefe apareceu no corredor chamando a atenção dele, e Eun guardou novamente o celular no bolso.
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  — Olá, Eun, foi um bom dia de trabalho?
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  — Sim, Carlos. Fui ao set de gravação hoje mais cedo, solicitaram que alterássemos cenas no roteiro... Aish... Como odeio isso.
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  — Bem, pelo menos não terá mais que lidar com isso, não é?
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  — O que quer dizer?
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  — Eu soube da proposta que você recebeu. Vai nos deixar?
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  — Bem, eu ainda não sei.
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  — Você tem lutado por essa oportunidade desde que saiu da faculdade, Eun Woo. Não estou contra você, mas podíamos discutir uma contra-proposta?
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  — Claro. Você tem todo direito de propor outras ofertas, embora, como você disse e sabe meu amigo... Tenho trabalhado duro por essa oportunidade.
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  Carlos assentiu pensativo e sorriu estendendo a mão em cumprimento para Eun, marcando com ele uma reunião em breve. Eles sorriram silenciosos, e saíram juntos do prédio.
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  Dentro de seu carro, Cha Eun pegou novamente o aparelho telefônico, mas não teve tempo de discar. A chamada “mamãe” piscava em seu visor.
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  — Omma! — respondeu em coreano, com um sorriso largo nos lábios.
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• P R E T E N D •

  %Lana% caminhava na calçada da rua movimentada discando o número de Eun, sem sucesso. A chamada só caía na caixa postal. Decidiu tomar um ônibus e no caminho tentaria avisá-lo. A poucos passos do ponto, teve seu braço puxado para o caminho contrário, o que a fizera se assustar e resistir gritando.
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  — Sou eu! Para de escândalo!
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  — Rafael, seu idiota! O que está fazendo? Me solta!
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  — Seu namorado não veio, você iria pegar um ônibus e eu estou apenas lhe oferecendo uma carona. — Ele dizia calmo, ainda a puxando pelo braço.
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  — Arrastar uma pessoa até seu carro não é oferecer uma carona. Me solte! Eu não vou com você!
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  %Lana% relutava, mas Rafael parou de caminhar e reticente, ainda segurando o braço dela, a encarou sério e sorriu-lhe dizendo:
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  — Você vai sim. Porque estou sendo gentil!
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  %Lana% sentiu um medo que não sentia há anos. E apenas se calou o seguindo. Ele abriu a porta do carro para ela, e ao entrar, ela imediatamente telefonou ao Eun Woo. Mas, ainda não conseguia completar a chamada. Rafael havia dado a volta ao carro, e estava entrando quando ela desligou a chamada e mordeu os lábios, encarando-o cuidadosa.
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  — Está com medo, %Lana%? — Ele perguntou encarando-a de esguelho.
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  — Vou denunciar você, Rafael. Você não pode ficar me seguindo desta maneira!
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  — Seguindo? Eu apenas estava de passagem e lembrei que você sai a esta hora. O que há de mal nisso?
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  — Você está me obrigando a ir com você. Isso é crime.
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  — Nossa, que imaginação fértil, %Lana%! Acaso ameacei a sua vida, ou coloquei uma arma na sua cabeça?
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  — Por que você simplesmente não me deixa em paz?
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  — Voltei para te provar o meu amor. E é isso que farei.
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  %Lana% encarava Rafael com olhos assustados, e segurava as lágrimas que queriam se formar. Rafael ligou o rádio e começou a cantarolar uma música. %Lana% segurou os próprios punhos, de modo tão defensivo que podia doer. Seu celular tocou e imediatamente ela atendeu à ligação de Eun.
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  — Desculpe, eu vou me atrasar princesa, mas estou a caminho.
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  — Vá para casa, eu tentei avisar, mas você não atendeu... Eu já peguei um ônibus.
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  Rafael sorriu prazeroso ao escutá-la mentir.
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  — %Lana%, está tudo bem? Sua voz está estranha! Onde você está?
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  — Está tudo bem, sim, nos vemos em casa, meu amor.
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  “Meu Amor” ? Eun ficou alerta. Por que ela falaria daquele jeito com ele em uma conversa entre os dois? A menos que ela estivesse na presença de alguém que não poderia suspeitar... Catarine? Rafael! Eun Woo suspeitou que algo estranho estivesse acontecendo e pisou fundo no acelerador até em casa. Enquanto Rafael dirigia calmo até a casa da mulher assustada ao seu lado.
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  — Por que não contou que pegou carona comigo, %Lana%?
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  — Porque certamente ele ficaria com raiva. Não de mim, mas de você. E certamente iria espancar essa sua cara de pau! Só estou tentando evitar problemas para meu namorado!
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  — Ótimo. Ótimo. — Rafael sorria debochado para ela — Sinal de que sou uma ameaça para ele.
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  Eun Woo telefonava para %Pedro%, mas o rapaz também não atendia. Estacionou o carro em frente ao condomínio, apressado, quando percebeu %Lana% descendo de um carro um pouco mais adiante. Ela estava pálida de susto, e agachou com as mãos no rosto. Imediatamente, Eun saiu do carro e correu até ela, e ao tocar seu ombro, a mulher levantou assustada.
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  — Sou eu, shiiii... Sou eu, calma... — Ele abraçou-a e então %Lana% permitiu-se desabar em lágrimas. — Era o carro do Rafael?
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  O automóvel disparou cantando pneu assim que Eun Woo se ergueu para verificar, mas %Lana%, ainda agachada, agarrou a barra da calça dele aos prantos.
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  — Não vai atrás dele. Preciso de você. — %Lana% pediu olhando-o suplicante.
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  Aquilo cortou o peito de Eun Woo, e, na verdade, ascendeu-lhe uma ira. Mas, pensando em %Lana%, ele acompanhou a mulher até o apartamento e depois que ela estava sentada ao sofá, Woo desceu para guardar seu carro no estacionamento. Quando retornou, ela estava no banho. Entrou ao banheiro e observou a mulher apoiada à parede com a cabeça baixa, sentindo a água batendo forte em sua nuca.
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  — O que aconteceu, %Lana%?
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  — Ele me levou à força.
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  — Como? Ele fez o quê? Ele te tocou?
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  — Não, mas Eun... Eu não quero ir hoje.
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  %Lana% desligou o chuveiro, enrolou-se no roupão que Woo lhe estendeu, e abraçada a ele, foi guiada para o quarto e deitou-se em sua cama.
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  — Não iremos. É só cancelar.
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  %Pedro% chegou em casa chamando por Eun Woo, por estranhar as tentativas de ligação do amigo. Ele bateu à porta do quarto, quando escutou o rapaz dizer-lhe estarem ali. Abriu cauteloso e não entendia o motivo da irmã, estar com a cara tão inchada de chorar.
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  — O que aconteceu? — %Pedro% aproximou-se sentando na cama e acariciou os pés da irmã.
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  Ela abraçou-se ainda mais em Cha Eun, e encarou o irmão com olhar cansado, enfim contando-os o ocorrido:
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  — Eu estava a caminho do ponto de ônibus, já que Eun não atendia as ligações e não havia chegado, quando o Rafael surgiu me puxando pelo braço e me arrastou até o seu carro. Disse que “estava oferecendo carona” e eu não aceitei, mas... Ele foi tão incisivo que tive medo. Ele realmente me trouxe até aqui, mas... Foi perturbador, foi horrível! Achei que iria morrer... O olhar frio e o jeito sarcástico dele... Parecia um... Maníaco pervertido!
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  %Lana% começou a chorar novamente abraçando Eun ainda mais forte e os dois homens presentes se entreolhavam. A raiva era clara no olhar de ambos.
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  — Aquele desgraçado... Eu vou matá-lo! — Eun Woo esbravejou.
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  — Eu vou acabar com ele! — %Pedro% também gritou.
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  Abaixou a cabeça respirando fundo e olhou para a irmã acuada nos braços de Cha Eun. E então deu o veredicto:
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  — Chega %Lana%. Já deu. Acabou a brincadeira de fingimentos.
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  Ela encarou o irmão, confusa, enquanto Eun acenava concordando.
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  — %Pedro% tem razão. Chega %Lana%.
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  — O que vocês querem dizer?
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  — Que vamos agora indiciar o Rafael. Vista-se. — %Pedro% falou e saiu apressado pela porta do quarto.
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  Eun abraçou-a, e %Lana% não disse nada contrário. Ela não poderia. Tinha medo, sentia vergonha de ter que expor toda a situação, mas sabia que deveria fazer aquilo.
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• P R E T E N D •

  %Lana% estava tão aninhada nos braços de Eun Woo que era impossível mentir. E ela não queria mentir para %Pedro%. Por isso, quando o irmão olhava com um sorriso bobo para os dois, a irmã apenas desviava o olhar. Ele havia conseguido o que pretendia desde o início daquilo tudo: unir ambos os amigos. Estavam os três sentados em uma loja de conveniência de um posto perto de casa. Eles haviam ido até lá para abastecer após saírem da delegacia.
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  — Hoje foi um dia cheio! — %Pedro% retornou do balcão à mesa com dois refrigerantes e uma cerveja em mãos.
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  — O que houve com a Gisele? — Eun perguntou, ao notar que o rapaz estava estressado.
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  — Ela... Está bem. Eu acho.
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  A resposta de %Pedro% fez com que %Lana% atentasse-se ao possível problema do irmão e até se distraísse do recente trauma.
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  — Vocês brigaram?
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  — Não, só estamos estranhos.
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  — Ninguém fica estranho do nada. — Eun falou óbvio, virando um gole da sua bebida.
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  — Ah, não, %Pedro%! — %Lana% falou mais alto batendo a palma de sua mão na mesa.
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  Os dois ali a olharam assustados e a atendente fez cara feia para ela, devido ao barulho.
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  — Já está melhor pelo visto, huh? — %Pedro% alfinetou-a.
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  — Ei, dê um tempo para ela... — Eun defendeu risonho.
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  — E o namorado se vira contra o cunhado.
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  %Pedro% devolveu a brincadeira rindo da cara de ambos à sua frente.
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  — Sem mudar de assunto, %Pedro%! Eu já sei o que está rolando e você sabe disso! — %Lana% encarou o irmão, sua expressão era séria.
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  — O que está rolando? — Cha Eun observou o embate de olhares entre os irmãos.
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  — %Pedro% finalmente caiu nas artimanhas do amor. Ele está apaixonado pela Gisele, e assim como deu um gelo nela quando ela se confessou, agora está dando um gelo nela porque é um covarde.
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  — Ah... — Eun assentiu esperando resposta de %Pedro%, mas ele manteve-se calado bebendo a cerveja, então o coreano aconselhou: — Sabe %Pedro%, o amor é assustador, mas, pior é não poder amar. Então, aproveite que o seu sentimento é recíproco e vá ser feliz com ela. Gisele é uma garota legal, e não importa o que outras pessoas vão pensar ou dizer.
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  — Uau, você é incrível. — %Lana% falou sorrindo abobalhada.
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  Woo virou o rosto na direção da amiga para observá-la e sorrir de volta, e perdeu a conta de quantos minutos ficaram se encarando risonhos. %Pedro% se levantou, jogando as chaves da direção para Eun, já que uma lata de cerveja era suficiente para ser multado.
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  — Chega dessa melação de vocês, vamos para casa. — Não era o clima cúmplice de Eun e %Lana% que incomodou %Pedro%, mas o que o amigo havia dito. Cair em si de que se apaixonou pela melhor amiga do escritório, estava sendo um dilema para o advogado.
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  Quando chegaram, %Pedro% tomou o caminho do próprio quarto, calado. Não havia tido tempo de tomar banho e descansar após o trabalho, porque assim que entrou em casa, havia aquele problema para resolver com %Lana%. A irmã, no entanto, antes que ele se trancasse lá dentro o puxou para um abraço:
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  — Obrigada. E me desculpe por te decepcionar.
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  — Eu não tenho que te desculpar por nada, apenas te proteger.
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  — Você é o melhor irmão que eu poderia ter. E eu te amo, viu?
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  — Eun! Pega um gravador, por favor!
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  %Pedro% encenou para o amigo que os observava, fazendo graça para irmã, que o empurrou para o interior do próprio quarto e fechou a porta:
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  — FICA AÍ DENTRO PENSANDO EM COMO VOCÊ É IDIOTA %PEDRO%!
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  Cha Eun Woo ria divertido, sentado no sofá, da cena entre os dois. %Lana% rapidamente correu até ele e se grudou em um novo abraço.
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  — Você tem passado tempo demais nos meus braços. — Eun sussurrou ao seu ouvido.
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  — Te incomoda? Posso me afastar se quiser.
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  — Shii... — Eun puxou a mulher que tentou se afastar — Eu não estou reclamando.
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  — Woo?
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  %Lana% se soltou sentando de frente para ele e encarando as próprias mãos. Ele mantinha-se atento a ela.
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  — Quero te agradecer também. Meti você em toda uma enrascada e você tem cuidado de mim, sem o menor remorso.
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  — Eu não seria seu amigo se fosse o contrário.
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  — É... — Ela sorriu — Mas… E agora?
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  — Bem, o Rafael vai receber um aviso e ter que manter distância.
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  — Estou falando de nós.
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  — Ah! — Eun ajeitou-se em uma postura mais tensa — Eu não sei... Você... O que você quer?
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  — O que? — %Lana% indagou assustada com a postura de Eun, ou o que lhe pareceu uma rejeição: — Você falou para eu resolver a coisa toda com o Rafael, para gente...
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  — Ah! Sim, é... Acho melhor esperarmos ao menos o Rafael...
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  Eun Woo não conseguia pensar no que dizer. Por isso fechou os olhos e bufou profundamente.
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  — Olha %Lana%. Preciso ser sincero. Eu já venho dizendo a você que algumas coisas estão acontecendo comigo, no trabalho e na minha família. E eu sei que falei para resolver tudo com o Rafael, mas não é como se estivesse resolvido ainda. Ele vai ser advertido pela polícia, e precisamos estar atentos ao que ele possa fazer. Você acha que ele é alguém que pegará o avião de volta para casa?
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  — Sinceramente eu não sei, mas não sei também onde isso nos impede de… Você sabe, ficar juntos.
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  — Você entendeu o que eu quis dizer com “resolver as coisas”. Eu não estava falando apenas de se livrar dele, porque com ele aqui nós fingimos do mesmo jeito que ficaríamos juntos. Eu estava me referindo aos seus sentimentos. Você já sabe o que sente por mim?
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  A pergunta bateu como um tapa na sua face. %Lana% não deveria cobrar respostas de perguntas que nem mesmo ela poderia responder. Sabia que sentia um profundo carinho, desejo, amizade e gratidão por Cha Eun Woo. Mas, poderia dizê-lo que o amava?
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  — Você ainda não sabe. — Diante do silêncio e olhar confuso dela, Eun afirmou paciente.
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  — E você sabe?
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  A pergunta urgente dela saiu como uma audácia. Afinal, não era ele que estava amarrado com alguém ao passado.
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  — Esquece! — Ela disse balançando a cabeça: — Não é como se você tivesse um compromisso com alguém ou estivesse preso a relacionamentos antigos. Então, eu nem deveria fazer essa pergunta!
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  A campainha tocou, e Eun desviou o olhar de %Lana% para seus próprios pés.
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  — Só para você saber... Eu sei sim.
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  Ele falou e se levantou para atender a porta, deixando uma %Lana% cheia de caretas e autopunição pensativa no sofá.
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  — Gisele?
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  — Oi Eun Woo... — A mulher cumprimentou-o tímida.
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  — Por favor, entre.
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  Ele deu passagem e ela agradeceu, acenando discreta para %Lana% que a olhava surpresa, do sofá.
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  — Aconteceu algo? — Eun pôs a mão no ombro dela, discreto e respeitoso, perguntando, atencioso.
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  — O %Pedro% está? Ele não me atende desde que saiu do escritório.
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  Eun Woo e %Lana% se encararam e a mulher rapidamente foi até a porta do quarto do irmão batendo-a. Eun convidou Gisele para se sentar enquanto aguardasse. %Lana% entrou no quarto e %Pedro% estava jogado à cama dormindo, sem ao menos ter trocado de roupa. Ela o acordou devagar explicando da visita, e ele pediu que avisasse Gisele para entrar.
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  — Gi, ele pediu para você entrar.
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  Assim que a mulher entrou, os outros dois sorriram. Não continuariam a conversa que estavam tendo.
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  — Devemos ir para o seu quarto, ou dar uma caminhada?
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  — Caminhar... Esta noite está fresquinha para isso! — %Lana% respondeu animada.
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  Os dois saíram em direção ao elevador, e havia um clima estranho ali. Algo entre eles, que não sabiam quando havia surgido, mas que era uma grande ameaça para relação saudável de amizade.
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  — Como está se sentindo? Eu queria perguntar na saída da delegacia, mas Não achei o melhor momento.
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  — Estou assustada Woo. Não sei o que vai acontecer, e sinceramente, sinto-me uma inútil. Uma idiota por permitir chegar a este ponto.
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  — A vida também é feita de erros para se cometer.
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  — Arrrrgh — ela resmungou brincalhona — A sabedoria tradicional coreana se faz presente!
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  — Não zombe da minha cultura. — Ele cutucou-a rindo.
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  — Me conta como foi o seu dia? — %Lana% o perguntou.
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  Eles já estavam saindo pela portaria do condomínio em direção à calçada.
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  — Foi... Movimentado.
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  — Só isso?
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  — Recebi propostas boas de trabalho, algo como... Algo que eu nem considerava mais.
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  — Tem a ver com o grupo dos produtores coreanos?
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  — É. Eles voltaram na decisão, mas o Carlos vai me contrapropor algo.
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  — Ok, mas se você queria tanto, não, é algo que deva aceitar? A proposta nova.
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  — É complicado. Enfim, ainda tenho algum tempo para pensar.
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  — Sabe Eun... Gosto do Carlos, acho que tratam você muito bem na empresa, e sua carreira é ótima! Mas, não se prenda à segurança por medo dos pequenos desconfortos. Acho que provei hoje que coragem é um mal necessário.
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  — Mal necessário? Um ponto de vista inusitado de ver uma virtude como a “coragem”.
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  — Sou inusitada, afinal.
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  Ele pegou a mão dela para caminharem de mãos dadas enquanto ria da amiga.
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  — É você é. Obrigada pelo conselho. Estou realmente, pensando bem sobre tudo.
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  — Conte comigo para o que precisar.
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  — Você também. — Ele puxou-a para um abraço de lado.
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  — Woo?
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  — O que? — parou de caminhar e a encarou.
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  Toda vez que %Lana% o chamava daquele jeito, é porque iria pedir ou dizer algo importante.
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  — Me beija?
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  Os olhos dele sorriam como os lábios, a imagem da face tímida de %Lana% era uma novidade que ele amava a cada dia mais. E aquele faiscar nos olhos dela, era como ímã.
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  Cha Eun Woo aproximou os corpos lentamente, e acariciou o rosto dela segurando-o cauteloso entre suas mãos. E aproveitou cada segundo de um beijo cheio de sentimentalismo. Enquanto sentia os lábios calmos de %Lana% sobre os seus, sua mente viajou a outro continente.
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  — Minha mãe telefonou hoje. — Ele soltou o assunto, de repente, ao findar do beijo e enquanto continuaram a caminhar.
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  — Sério? O que houve?
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  — Ela virá ao Brasil.
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  — O quê? Quando? Por quê?
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  — Ainda não sei tudo.
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  — Uau... Vou poder conhecer a sua mãe! — %Lana% falou animada.
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  Mas Cha Eun, não estava tão animado. Embora adorasse a ideia de %Lana% conhecer toda a sua família, sentia-se amedrontado com a hipótese.
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  — Ei, espera! Você falou que está passando por alguns problemas familiares, e agora a sua mãe virá… Eu posso ajudar em algo?
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  Ele apenas acenou negativo e sorriu. Os dois sentaram-se no banco de uma praça urbana iluminada, onde casais namoravam, idosos caminhavam em família e crianças corriam de skate.
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  Aquele assunto com %Lana% teria que ser retomado em breve, e ele tinha medo disso.
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