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História NÃO RECOMENDADA PARA MENORES ou PESSOAS SENSÍVEIS.

Esta história pode conter descrições (explícitas) de sexo, violência; palavras de baixo calão, linguagem imprópria. PODE CONTER GATILHOS

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Nos Seus Olhos

Escrita porAven Lore
Editada por Lelen

CAPÍTULO DEZOITO

Tempo estimado de leitura: 14 minutos

  %Dalny%’s POV:

  Eu não planejei chamar os dois ao mesmo tempo.
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  A verdade é que eu não planejei nada — só cansei de fugir.
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  A festa já tinha ficado para trás quando encontrei %Sunoo% encostado no portão lateral da casa, o paletó pendurado no braço, o olhar perdido em algum lugar que não era ali. %Niki% estava alguns passos afastado, como se tivesse dado espaço de propósito, mas atento demais para fingir indiferença.
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  Quando me viram juntos, os dois, eu soube: era agora.
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  — A gente precisa conversar. — eu disse, a voz mais firme do que eu me sentia.
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  Nenhum dos dois discutiu. Isso foi o que mais me assustou.
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  Sentamos no degrau de pedra do jardim, o mesmo onde %Mina% costumava dizer que as conversas importantes sempre aconteciam. O silêncio se estendeu por alguns segundos longos demais, pesados demais.
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  Fui eu quem quebrou.
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  — Eu não sei mais o que fazer com o que eu sinto. — confessei. — E tô cansada de fingir que não tá acontecendo nada.
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  %Sunoo% respirou fundo, como se tivesse prendido o ar por meses.
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  — %Dalny%… eu nunca quis te machucar. — a voz dele falhou no final. — Eu fui embora porque não sabia lidar comigo mesmo. Não porque deixei de te amar.
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  Meu peito apertou, mas eu não desviei o olhar.
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  — E voltou sem saber o que isso faria comigo? — perguntei, sem raiva. Só cansaço.
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  Ele assentiu devagar.
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  — Voltei porque fugir não resolveu nada. E porque mentir pra mim mesmo tava me destruindo.
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  %Niki% passou a mão pelo rosto, inquieto.
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  — E eu fiquei. — ele disse, finalmente. — Eu fiquei quando tudo desmoronou. Não esperando nada em troca. Mas também não fingindo que não sentia.
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  Olhei para ele.
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  — Eu sei. — minha voz saiu mais baixa. — E é isso que me assusta.
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  O silêncio voltou, mas dessa vez não era vazio. Era carregado de coisas não ditas.
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  — Eu não quero ser a causa de uma guerra entre vocês. — falei. — Nem ser escolhida como se isso fosse um jogo. Eu preciso entender… o que é isso que existe aqui.
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  %Sunoo% me encarou, os olhos marejados.
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  — Eu não quero competir com o %Niki%.
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  %Niki% respondeu quase ao mesmo tempo:
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  — Nem eu com você.
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  Aquilo me desmontou mais do que qualquer discussão possível.
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  — Então o que a gente faz? — perguntei, sentindo o nó subir pela garganta.
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  %Sunoo% se aproximou um pouco mais.
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  — A gente para de mentir. — ele disse. — Mesmo que a verdade seja confusa. Mesmo que dê medo.
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  %Niki% assentiu.
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  — E para de decidir sozinho. — completou. — Seja lá o que for… tem que ser com os três sabendo onde estão pisando.
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  Meu coração batia forte demais.
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  Eu não tinha respostas.
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  Mas, pela primeira vez, eu tinha algo melhor: verdade dos dois lados.
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  E a certeza de que, depois daquela noite, nada mais seria simples — nem solitário.
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🩹🩹🩹

  %Sunoo%’s POV:

  Eu pensei que falar seria mais fácil depois de começar.
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  Não foi.
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  O ar parecia pesado demais no jardim silencioso, e por um instante eu considerei engolir tudo de novo — como sempre fiz. Mas %Dalny% estava ali. Me olhando de verdade. E %Niki% também. Presente. Firme. Como sempre esteve.
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  — Tem uma coisa… — comecei, a voz mais baixa do que eu pretendia. — Que eu nunca contei pra ninguém.
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  %Niki% virou o rosto na minha direção imediatamente. %Dalny% não disse nada. Só esperou.
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  Respirei fundo.
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  — Quando eu fui embora… não foi só medo de perder você, %Dalny%. — admiti. — Foi medo de mim mesmo. De perceber que o que eu sentia não cabia no lugar que eu tinha criado na minha cabeça.
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  Meu coração batia forte demais.
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  — Eu achei que, se eu sumisse, tudo ia se ajeitar. Que vocês iam seguir em frente e eu… ia aprender a ser alguém menos confuso.
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  Ri sem humor.
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  — Não funcionou.
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  %Dalny% se aproximou um pouco mais, os joelhos quase tocando os meus.
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  — E o %Niki%? — ela perguntou com cuidado. — Onde ele entra nisso tudo?
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  Engoli seco antes de responder.
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  — Ele foi a primeira pessoa que me fez sentir que eu não precisava escolher entre ser quem eu era e ser amado. — confessei. — E isso me apavorou.
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  O silêncio que veio depois não foi desconfortável. Foi denso.
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  %Niki% passou a mão pela nuca, o olhar perdido por um segundo antes de voltar pra mim.
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  — Você podia ter falado. — disse, sem acusação. — Eu teria ficado do mesmo jeito.
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  As palavras dele me atingiram em cheio.
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  — Eu sei. — respondi, a voz falhando. — E é isso que mais dói. Saber que eu fugi de quem nunca soltou minha mão.
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  %Dalny% respirou fundo, os olhos marejados.
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  — Vocês dois carregam muita culpa. — ela disse. — E nenhuma delas é só de vocês.
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  Olhei pra ela.
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  — Eu não quero mais ser alguém que vai embora quando sente demais. — falei. — Mesmo que isso signifique encarar coisas que eu ainda não sei nomear.
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  %Niki% deu um passo à frente, ficando ao meu lado. Não me tocou. Mas esteve ali.
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  — Então a gente encara junto. — ele disse. — Sem promessas impossíveis. Só… honestidade.
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  O coração apertou no peito.
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  Talvez aquele fosse o momento mais assustador da minha vida.
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  Mas, pela primeira vez, não parecia que eu estava sozinho nele.
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🩹🩹🩹

  %Niki%’s POV:

  Eu nunca fui bom em falar de mim.
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  Sempre achei mais fácil ser o apoio, o chão firme, o que segura quando tudo balança. Mas ali, com os dois me olhando como se finalmente fosse minha vez, senti o peso cair de uma vez só.
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  — Ficar não me fez forte. — eu disse, quebrando o silêncio. — Me fez… cansado.
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  %Sunoo% virou o rosto na minha direção no mesmo instante. %Dalny% prendeu a respiração.
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  — Todo mundo acha que eu aguentei bem. — continuei. — Que eu fui o amigo leal, o porto seguro, o que segurou tudo enquanto vocês se quebravam.
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  Dei uma risada curta, amarga.
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  — Mas ninguém pergunta o que acontece com o porto quando a tempestade não acaba.
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  Passei a mão pelo rosto, sentindo o nó na garganta.
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  — Eu fiquei porque não sabia ir embora. Porque amar vocês dois virou parte de quem eu sou. — admiti. — Mas ficar significou engolir coisas demais. Fingir que não doía. Fingir que eu não queria mais.
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  Olhei para %Dalny%.
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  — Eu te vi tentando seguir em frente. Te vi sofrer. Te vi se reconstruir. E eu estive ali… sempre. Não porque eu esperava algo em troca. Mas porque te amar virou hábito. E hábito cansa quando não pode respirar.
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  O silêncio pesou.
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  %Sunoo% se aproximou um passo, a voz baixa.
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  — %Niki%… eu nunca quis—
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  — Eu sei. — interrompi, sem dureza. — Isso não é acusação. É verdade.
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  Voltei o olhar pra ele.
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  — O que doeu foi fingir que eu não sentia falta de você. Fingir que o beijo não mudou nada. Fingir que eu não queria mais quando você voltou.
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  Minha voz falhou pela primeira vez.
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  — Eu fiquei forte sozinho porque não tive escolha.
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  %Dalny% se moveu devagar, ficando entre nós dois. Quando falou, a voz dela saiu trêmula — mas firme…
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🩹🩹🩹

  %Dalny%’s POV:

  Ouvir aquilo me atravessou de um jeito que eu não esperava.
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  Eu sempre tive medo de machucar alguém. Nunca pensei que o medo maior fosse machucar os dois ao mesmo tempo.
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  — Eu tenho pavor do que eu sinto. — confessei. — Porque não é confuso do jeito que eu queria que fosse.
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  Respirei fundo, o peito apertado.
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  — O que eu sinto por você, %Sunoo%… — olhei pra ele. — É raiz. É passado. É aquela sensação de casa que nunca deixou de existir, mesmo quando você foi embora.
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  Ele engoliu seco.
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  — E o que eu sinto por você, %Niki%… — virei-me para o outro lado. — É escolha diária. É presença. É alguém que ficou quando tudo em mim queria desmoronar.
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  Minhas mãos tremiam.
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  — Eu tentei transformar isso em coisas separadas. Organizar. Escolher. Mas não funciona assim.
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  Olhei pros dois, sentindo as lágrimas queimarem.
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  — Eu tenho medo de amar de dois jeitos diferentes e perder os dois no processo. — sussurrei. — Medo de parecer egoísta. Medo de ser demais. Medo de não caber.
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  Ninguém falou por alguns segundos.
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  Então %Sunoo% deu um passo à frente. %Niki% também.
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  Não me tocaram.
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  Mas estiveram ali.
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  — Amar não devia ser sobre perder. — %Sunoo% disse, com a voz baixa.
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  — Nem sobre aguentar sozinho. — %Niki% completou.
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  Meu coração bateu forte.
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  Talvez a gente ainda não soubesse o que éramos.
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  Mas, pela primeira vez, ninguém estava carregando tudo sozinho.
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  E isso… já mudava tudo.
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🩹🩹🩹

  %Dalny%’s POV:

  Ninguém disse mais nada.
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  E, pela primeira vez, o silêncio não doeu.
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  Eu estava sentada entre eles, sentindo o peso do que tinha sido dito ainda ecoando no peito. Minhas mãos tremiam levemente, não de medo — mas de consciência. Eu sabia demais agora para fingir.
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  Sem pensar muito, estendi a mão direita e toquei os dedos de %Sunoo%. Ele entrelaçou os nossos com cuidado, como se tivesse medo de quebrar algo frágil demais.
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  Do outro lado, minha mão esquerda encontrou a de %Niki%. Diferente. Firme. Quente. Presente.
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  E foi assim que ficamos.
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  Três pessoas ligadas por um gesto pequeno demais para quem olhasse de fora, mas grande demais para caber em qualquer explicação simples.
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  Ninguém puxou. Ninguém apertou demais. Ninguém soltou.
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  O jardim estava quieto, iluminado só pela luz amarela da varanda. O mundo parecia distante, como se tivesse nos dado um intervalo — não para decidir, mas para respirar.
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  Encostei a cabeça para trás, fechando os olhos por um segundo.
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  Eu ainda não sabia o que éramos. Não sabia como isso funcionaria. Não sabia se era justo, se era possível, se era seguro.
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  Mas sabia de uma coisa…
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  Eu não estava mais sozinha tentando entender.
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  Quando abri os olhos, %Sunoo% me observava com aquele cuidado antigo. %Niki% mantinha o olhar fixo à frente, como quem promete ficar mesmo sem garantias.
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  Talvez amar não fosse escolher um caminho e abandonar o outro.
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  Talvez fosse aprender a caminhar sem mapas.
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  E aquela noite — silenciosa, confusa, honesta demais — fosse apenas o começo.
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CAPÍTULO DEZOITO
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