CAPÍTULO 4 • OLHOS NOS OLHOS
O grande dia finalmente havia chegado, e a luz fraca da manhã mal começava a desenhar as silhuetas dos móveis no quarto de %Amanda% quando os olhos dela se abriram, muito antes do despertador tocar. A verdade era que ela mal havia dormido; a mente tinha passado as últimas horas reprisando ângulos, velocidades de obturador e enquadramentos possíveis. O frio no estômago estava ali, inevitável, fazendo seus dedos tremem de leve enquanto ela esticava o braço para alcançar o celular na cabeceira da cama.
Mas, antes mesmo que a onda de nervosismo matinal pudesse tomar conta, a tela se iluminou com uma nova mensagem. %Amanda% ajeitou os óculos no rosto e abriu a notificação, sentindo o coração dar um salto:
JK: Bom dia, %Mandy%! Sei que deve estar acordando agora e com o estômago revirado, mas vim lembrar que o Bam já está usando a foto dele como tela de bloqueio no meu celular (e eu também!) 🐶✨. Se você conseguiu congelar o movimento daquele dobermann maluco e o salto do Jimin em uma sala de estar, o ginásio da faculdade vai ser moleza para você. Confia no seu reflexo e na sua câmera. Estamos todos torcendo por você aqui. Vai lá e busca essa vaga para o show! Fighting! %Amanda% soltou uma risada baixa, sentindo uma lufada de ar fresco varrer toda a tensão que parecia acumular em seu peito. Ver o apoio dele logo nas primeiras horas do dia era o empurrão que faltava. Ela pulou da cama com uma energia renovada, tomou um banho rápido e revisou cada item de sua maleta: corpo da câmera, lentes limpas, baterias extras totalmente carregadas e cartões de memória vazios. Estava tudo impecável.
Quando colocou os pés no campus da universidade, o ambiente parecia completamente transformado. O silêncio habitual dos corredores acadêmicos tinha dado lugar a um caldeirão de barulho, música alta e cores. Faixas coloridas com os brasões dos cursos decoravam as paredes, atletas de moletom corriam de um lado para o outro fazendo aquecimento e a torcida já começava a lotar as arquibancadas do imenso ginásio central, com gritos de guerra ecoando pelo teto alto.
%Amanda% prendeu o cabelo, pendurou a alça da câmera no pescoço e começou a circular pelas laterais da quadra de esportes, estudando a direção da luz que vinha das enormes janelas superiores. Ela precisava mapear o terreno antes do início dos jogos. Foi justamente enquanto ajustava o balanço de brancos da lente que ela sentiu um par de olhos cravados em suas costas.
Ao se virar lentamente, %Amanda% deu de cara com Nayeon. A garota estava impecável, vestindo uma jaqueta estilosa da faculdade e segurando uma câmera com uma lente teleobjetiva de última geração, daquelas caríssimas que pareciam um pequeno telescópio. Ela olhou para o equipamento mais modesto de %Amanda% e soltou um sorriso ladino, caminhando a passos lentos até ela.
— Olha só, a fotógrafa de estúdio resolveu aparecer para o trabalho de campo — Nayeon comentou, a voz pingando um deboche velado, enquanto ajeitava a alça de seu próprio equipamento no ombro. — Conseguiu uma nota boa com aquelas fotos paradas na penumbra, mas fotografia de esportes é outra liga, %Amanda%. É preciso velocidade, instinto e, claro... equipamento de verdade para não passar vergonha. Boa sorte tentando acompanhar o ritmo dos jogadores com essa lente aí.
%Amanda% olhou para a teleobjetiva de Nayeon e depois sustentou o olhar da garota. Há alguns dias, aquela provocação teria feito seu estômago se contrair em insegurança, mas hoje não. Hoje ela tinha o peso de um treino caótico, os conselhos técnicos de Hoseok e a certeza de que sabia exatamente o que significava "congelar a emoção".
— Obrigada pelo conselho, Nayeon — %Amanda% respondeu, mantendo a voz perfeitamente calma e um sorriso leve nos lábios. — Mas o professor deixou bem claro que o prêmio vai para a foto que capturar a alma do movimento, não para quem tem a maior lente da quadra. Que vença o melhor clique.
Sem esperar uma resposta, %Amanda% deu as costas com elegância e caminhou em direção às arquibancadas principais. Ela observou o tumulto na quadra por mais alguns minutos. A maioria dos fotógrafos da sua sala, incluindo Nayeon, já estava se acotovelando nas linhas de fundo para garantir o melhor ângulo das enterradas do time masculino de basquete. Todos queriam a foto comercial perfeita, o clique óbvio que sairia na capa do jornal do campus.
No entanto, ao olhar para aquela cena de fotógrafos empurrando uns aos outros por um espaço milimétrico, %Amanda% sentiu que algo faltava. As fotos ali seriam todas tecnicamente idênticas, destituídas de uma narrativa verdadeira. Ela deu um passo para trás, afastando-se do barulho dos megafones, e deixou que sua mente de fã de cultura pop fizesse uma conexão inesperada. Ela lembrou-se imediatamente de seus animes de esportes favoritos, especialmente de
Haikyuu!!.
Em
Haikyuu!!, o que sempre a arrepiava não eram apenas os saques potentes ou os ataques rápidos dos times favoritos ao campeonato nacional. O que mexia profundamente com o seu coração eram os jogos das equipes consideradas "pequenas", desvalorizadas pela grande mídia. %Amanda% lembrou-se vividamente do time da Wakunan, cuja torcida nas arquibancadas do torneio intercolegial era composta quase inteiramente pela família barulhenta, suada e genuinamente orgulhosa do próprio capitão. Lembrou-se da própria Karasuno em seus momentos iniciais, quando apenas um punhado de pessoas fiéis — como a Saeco com seu bumbo — gritava das arquibancadas com uma paixão que engolia o ginásio inteiro. Aquilo era catarse. Aquilo era o verdadeiro significado de "congelar a emoção": o amor puro, o drama de nicho, a torcida fiel que compensava a falta de número com uma alma gigante.
Com esse estalo estético na mente, %Amanda% tomou sua decisão estratégica. Ela não ia brigar por espaço no basquete masculino ou no futebol. Ela deu as costas ao barulho do ginásio principal e começou a caminhar em direção aos blocos secundários de espetáculo do campus, decidida a encontrar a sua própria "Karasuno".
Sua intuição a levou até uma quadra menor e mais afastada, escondida atrás do centro de artes da universidade. O som ali era diferente. Não havia o estrondo de cornetas eletrônicas ou patrocinadores, mas o eco seco, rápido e violento de uma bola pesada sendo disputada em alta velocidade, acompanhado por gritos de comando puramente táticos. Era o torneio universitário de futsal feminino.
Ao entrar no pequeno ginásio de concreto, %Amanda% soube na hora que estava no lugar certo. A atmosfera ali dentro era quase palpável, quente e claustrofóbica. Na quadra, as jogadoras corriam com uma garra feroz e crua, o suor brilhando intensamente sob os refletores simples de luz amarelada, disputando cada centímetro de espaço com carrinhos, trombadas e giros rápidos de calcanhar.
Mais do que tudo, o que realmente chamou a atenção de %Amanda% foi a arquibancada. Havia poucas fileiras de assentos de metal, e eles não estavam cheios. Mas as poucas dezenas de pessoas ali faziam o chão tremer. Era uma torcida viva, sem filtros. %Amanda% viu um grupo de amigas de curso segurando cartazes feitos à mão com canetinha colorida e glitter que já estava descascando, um casal de idosos que parecia ser avós de uma das jogadoras segurando garrafas de água com as mãos trêmulas de ansiedade, e alguns estudantes que batiam os pés ritmadamente no metal da estrutura. Eles sofriam a cada passe errado, levavam as mãos à cabeça em desespero e explodiam a cada roubada de bola.
%Amanda% sorriu por trás de seus óculos. Era ali. O drama humano estava montado.
Ela se ajoelhou rente à linha lateral, bem perto de onde a torcida mais fervorosa estava concentrada, desafiando a poeira do chão. %Amanda% tirou a tampa da lente, respirou fundo e começou a configurar seu equipamento. Sua mente viajou por um milissegundo até o dia anterior na casa do Jungkook. Ela relembrou a corrida imprevisível e veloz do Bam, as mudanças bruscas de direção do JK no meio do tapete e a forma como Jimin usava o próprio corpo e a gravidade para criar drama no ar. O treinamento intenso e caótico deles havia calibrado os seus reflexos para o imprevisível. E o futsal feminino era o imprevisível em estado puro.
O jogo avançava num ritmo frenético. %Amanda% colou o olho no visor e começou a disparar os primeiros cliques, testando a velocidade do obturador em 1/1000 de segundo para congelar as gotas de suor que saltavam das atletas nas divididas de bola. A cada subida do time da casa, a arquibancada se inclinava para a frente, quase caindo sobre a linha lateral. %Amanda% dividia sua atenção técnica: um olho no visor rastreando a atacante, o outro aberto capturando a expressão de angústia do avô na primeira fileira.
A partida desenrolou-se como uma batalha de desgaste. Faltando dois minutos para o fim, o time adversário marcou um gol de empate após um contra-ataque veloz. O ginásio silenciou por um segundo, um silêncio pesado e dolorido, pontuado apenas pelo choro contido de uma das meninas no banco de reservas. %Amanda% registrou aquele momento — a dor da queda —, lembrando-se de como
Haikyuu!! ensina que a derrota faz parte da jornada. Mas as jogadoras em quadra não se entregaram. Elas bateram palma, gritaram umas com as outras e reiniciaram o jogo com uma fúria renovada.
Faltavam apenas dez segundos para o apito final. O placar eletrônico pequenino na parede piscava em vermelho, mostrando o empate persistente de 3x3. A atmosfera no ginásio secundário estava tão carregada que o ar parecia elétrico, difícil de respirar. %Amanda% não ousava piscar. Suas mãos seguravam o corpo da câmera com uma firmeza absoluta, os músculos dos braços tensos pelo esforço contínuo.
A ala direita do time da faculdade, uma garota de baixa estatura com o número 7 nas costas, avançou em alta velocidade pela lateral, costurando a defesa adversária com um drible seco. A torcida fiel nas arquibancadas prendeu a respiração em um silêncio agonizante. Dava para ouvir o som dos tênis cantando alto no chão de taco. Ela armou o chute. A zagueira rival veio de carrinho violento, bloqueando parcialmente a trajetória da bola, que subiu de forma bizarra, pegando um efeito imprevisível no ar.
O tempo pareceu desacelerar para %Amanda%. Todo o treino da véspera convergiu para aquele milissegundo exato. Seu cérebro antecipou a trajetória da bola antes mesmo de ela atingir o ápice. Ela deslocou o eixo da câmera milímetros para o lado, enquadrando a goleira adversária que saltava desesperada, esticando o corpo inteiro em uma linha diagonal dramática que lembrava os saltos de Jimin, enquanto a bola viajava direto para o ângulo reto da trave interna.
A bola bateu no metal com um estrondo seco e ricocheteou para dentro, estufando a rede no exato instante em que o cronômetro zerou. O caos emocional explodiu.
Clique. O som do obturador foi completamente engolido pelo som mais ensurdecedor, cru e visceral que %Amanda% já tinha ouvido na vida. O apito final ecoou junto com uma descarga de sentimentos que preencheu cada milímetro do ginásio. Foi uma reação em cadeia de alívio e êxtase.
Na quadra, a camisa 7 desabou de joelhos no chão, com os braços erguidos para o teto, abrindo um sorriso gigante que misturava exaustão extrema e pura glória. Ao fundo, as meninas do banco de reservas invadiram a quadra como um raio, gritando a plenos pulmões com lágrimas legítimas de alívio escorrendo pelos rostos suados, abraçando-se em um bolo humano de camisas sujas de poeira.
Mas a verdadeira obra-prima da foto de %Amanda% estava no segundo plano, perfeitamente calculado através da abertura do diafragma. Na arquibancada, aquela pequena torcida de nicho tinha vindo abaixo. O casal de idosos estava abraçado, chorando e sorrindo ao mesmo tempo, com as rugas dos rostos acentuadas pela emoção; os estudantes batiam nos corrimãos de metal chorando copiosamente, e as amigas com os cartazes de canetinha pulavam em lágrimas, com as bocas abertas em gritos de vitória genuínos. Era a cópia perfeita da energia de quando a Karasuno finalmente derrubou a Shiratorizawa: o choro da libertação, os gritos do esforço recompensado e os sorrisos da mais pura felicidade coletiva. A catarse perfeita.
%Amanda% afastou a câmera do rosto devagar, sentindo o peito subir e descer rapidamente enquanto tenta recuperar o próprio fôlego. Suas mãos estavam trêmulas pela descarga massiva de adrenalina. Ela apertou o botão de reprodução para visualizar a última imagem capturada no cartão de memória.
O visor digital se acendeu no meio da penumbra do ginásio. %Amanda% prendeu o fôlego.
A foto estava absurdamente nítida, uma joia técnica e artística. O enquadramento havia congelado tudo em camadas perfeitas: o suor voando em gotas brilhantes da jogadora sorrindo de joelhos no chão em primeiro plano, a bola ainda deformada tocando o fundo da rede lá atrás, e o desespero transformado em lágrimas, gritos e abraços congelados de cada membro daquela torcida fiel na arquibancada. Cada expressão de choro, cada boca aberta em grito e cada sorriso estava ali, pulsante. Não era apenas uma imagem estática de esporte; era uma crônica visual viva sobre o amor, a dor e a entrega.
Enquanto ela ainda admirava a tela, com um sorriso imenso e orgulhoso começando a desenhar-se em seus lábios, %Amanda% ouviu passos apressados vindo em sua direção.
Ao desviar o olhar do visor, ela viu uma das jogadoras reservas do time da faculdade. A garota usava o colete do banco por cima do uniforme e ainda tinha os olhos vermelhos e marejados pelo choro do susto da vitória. Ela vinha limpando o rosto com as costas das mãos, mas trazia uma expressão misturada de curiosidade e timidez.
— Com licença... — a jogadora disse, parando a um metro de %Amanda% e apontando para a câmera. — Desculpa te incomodar agora. É que eu vi você aqui na linha lateral o jogo inteiro. Vi o jeito que você estava se movimentando e focando na nossa torcida. Você... você conseguiu tirar aquela última foto? Do clique do gol?
— Consegui sim — %Amanda% respondeu, com a voz mansa e acolhedora, virando o corpo de lado para dar espaço. — Ficou bem nítida. Quer dar uma olhada?
A garota se aproximou devagar, inclinando-se sobre o ombro de %Amanda% para olhar a pequena tela digital de LCD. No segundo em que a imagem apareceu, a jogadora congelou. Seus olhos se arregalaram e ela levou as duas mãos à boca, soltando uma lufada de ar audível. Novas lágrimas, dessa vez de puro choque e emoção, começaram a brotar nos cantos de seus olhos.
— Meu Deus... — a atleta sussurrou, com a voz embargada, apontando com o dedo trêmulo para o fundo da foto. — Olha os meus avós ali atrás... Olha o rosto da minha melhor amiga gritando na arquibancada. Isso está... isso está sensacional. Está muito sentimental, de verdade.
A garota deu um passo para trás, olhando diretamente para %Amanda% com uma gratidão profunda e tocante no olhar.
— Você não tem noção do quanto isso significa para a gente — a jogadora continuou, com a voz falhando um pouco pelo choro entalado. — O futsal feminino nunca recebe atenção aqui no campus. Ninguém liga para os nossos jogos, os jornais da faculdade nunca mandam fotógrafos para cá e os outros estudantes nem sabem que a gente treina duro todos os dias. Ver você aqui, dedicando o seu tempo e o seu talento para enxergar o nosso esforço e registrar a nossa torcida com tanto carinho... fez a gente se sentir importante de verdade. Muito, muito obrigada por dar essa atenção para nós hoje. Essa foto tem a nossa alma.
%Amanda% sentiu um arrepio percorrer sua espinha e um nó morno se formar em sua garganta. Aquelas palavras sinceras atingiram o seu coração com uma força avassaladora.
— Eu que agradeço a vocês pela entrega em quadra — %Amanda% respondeu, sentindo os próprios olhos marejarem levemente por trás das lentes dos óculos. — O jogo de vocês foi pura poesia. Eu só tentei fazer justiça à beleza desse momento.
A jogadora sorriu, agradeceu mais uma vez com uma reverência respeitosa e correu de volta para o centro da quadra para se juntar ao resto do time, que já começava a erguer o troféu simbólico do torneio sob os gritos apaixonados da arquibancada.
A excitação do ginásio aos poucos deu lugar ao silêncio da noite, mas a mente de %Amanda% continuava operando na mesma voltagem daquela partida. Quando ela finalmente entrou em sua casa, o silêncio do lugar foi o contraste perfeito para o turbilhão que ainda ditava o ritmo de seus pensamentos. O cansaço físico era pesado, mas a eletricidade em suas veias não a deixava parar. Ela largou as chaves na bancada da entrada e marchou direto para sua mesa de trabalho, sem tempo a perder.
Ela puxou a cadeira, sentou-se na penumbra do quarto iluminado apenas pela luminária de mesa e tirou o cartão de memória da câmera com as pontas dos dedos ainda levemente trêmulas. O clique seco do cartão entrando no leitor do computador pareceu o início de um segundo tempo.
O software de edição abriu, e a barra de carregamento começou a importar os arquivos brutos, os pesados arquivos RAW. Centenas de miniaturas foram surgindo na tela. Havia fotos tremidas, testes de luz, momentos congelados de jogadas no meio da quadra... mas os olhos de %Amanda% ignoraram tudo e foram direto para os últimos registros da pasta.
Quando ela clicou duas vezes na foto do gol definitivo, a imagem expandiu-se em alta resolução na tela do monitor de 24 polegadas. Naquele exato segundo, o quarto escuro pareceu desaparecer.
%Amanda% prendeu o fôlego. Ao olhar para os detalhes maximizados na tela digital, uma onda violenta de calor atingiu o seu peito, exatamente o mesmo choque térmico, a mesma descarga massiva de adrenalina que ela sentira no milissegundo em que seu dedo afundou o botão do obturador na lateral da quadra. O coração, que tinha acabado de desacelerar, voltou a martelar forte contra as costelas.
Ela segurou o mouse com firmeza e começou os ajustes. À medida que arrastava os seletores de realce e sombra, ela sentia que estava reescrevendo a história daquele jogo na poeira. Ela puxou os níveis de contraste, e o suor que saltava da pele da camisa 7 ganhou um brilho vívido, quase tridimensional, fazendo %Amanda% reviver o som do tênis cantando no chão de taco. Ela ajustou a nitidez no fundo da imagem, e as expressões rasgadas de choro e êxtase daquela torcida marginalizada saltaram da tela com uma clareza assustadora.
Cada clique no teclado para ajustar o balanço de brancos parecia ecoar o som seco da bola batendo na trave interna e estufando a rede. %Amanda% aproximou o zoom no canto superior direito: o avô da jogadora estava ali, com as mãos unidas perto do rosto, os olhos espremidos em uma oração que tinha acabado de ser atendida. A dramaticidade daquela cena, as linhas diagonais que cruzavam a quadra, a composição humana perfeita... tudo ali transbordava a mesmíssima verdade e o sentimento cru do momento do clique. Não era apenas editar; era reviver a catarse. Era sentir, na calada da noite, a alma de trinta pessoas explodindo de felicidade dentro do seu próprio peito.
Uma lágrima solitária de pura realização artística escorreu por trás de seus óculos geométricos. Ela limpou o rosto rapidamente com o ombro, soltando um suspiro longo e trêmulo, sentindo uma paz indescritível tomar conta. O arquivo final estava exportado. Estava pronto.
%Amanda% recostou-se na cadeira, olhando para o monitor com um sorriso imenso e orgulhosamente exausto. Nayeon podia ter a lente mais cara do campus, mas %Amanda% sabia, olhando para aquela imagem finalizada na tela, que nenhuma tecnologia no mundo conseguiria replicar o que ela tinha capturado: a vida em seu estado mais puro e comovente. O trabalho estava feito, e ela tinha em mãos muito mais do que um projeto de faculdade. Ela tinha uma obra-prima.
Ela bocejou, sentindo o peso das últimas horas finalmente cobrar o preço nos seus ombros. Antes de desligar o computador e se arrastar para a cama, %Amanda% olhou para o celular na mesa. A tela bloqueada piscava com o papel de parede padrão, mas ela lembrou na hora da mensagem que tinha recebido logo cedo. Eles tinham passado a véspera inteira correndo atrás do Bam pela sala só para calibrar os reflexos dela, e os meninos estavam genuinamente investidos naquele resultado.
Com os dedos meio lentos pelo sono, ela abriu o aplicativo de mensagens e digitou para o Jungkook:
%Amanda%: JK, acabei de exportar a foto final. Você e o Jimin estavam certos sobre o treinamento dinâmico na sala kkkkk. Funcionou perfeitamente! Não consegui fotografar nenhuma enterrada de basquete, mas encontrei a minha própria "Karasuno" em uma quadra de futsal feminino escondida no campus. A foto ficou linda, com o choro, os gritos e os sorrisos de todo mundo na arquibancada. Tem tanta alma ali que acho que o Hobi aprovaria o drama. Obrigada por me fazer acreditar nos meus reflexos logo cedo. Vou dormir agora porque estou um caco, mas amanhã mando o arquivo para vocês verem! Boa noite pros três (e um petisco pro Bam) 🐶💜. Ela bloqueou a tela, soltando um suspiro leve. Saber que tinha pessoas tão incríveis torcendo por ela deixava qualquer cansaço mais leve. %Amanda% finalmente apagou a luminária, deitou-se na cama e, em poucos minutos, adormeceu profundamente, sem qualquer frio no estômago — apenas com a certeza de que tinha dado o seu melhor.
Nota da autora: Olá, gente!! O que acharam desse capítulo, quis focar um pouco no amor da nossa protagonista pela fotografia e por animes hahaha Espero que gostem assim como eu amei escrever esse capítulo. Deixem o comentário de você, que em breve teremos muito mais. Beijoos