Five Years Gone


Escrita porBagi Ferreira
Revisada por Lelen


Capítulo 08

  O cheiro era o primeiro indício: não de sangue, nem de pólvora — mas de mofo, madeira podre e metal oxidado, como uma casa de infância abandonada há décadas. Natasha empurrou a porta entreaberta com cautela, os olhos percorrendo cada canto daquele porão enterrado sob um celeiro velho, afastado de qualquer radar digital. Nenhum sinal de vida, mas tudo ali gritava presença.
0
Comente!x

  Ela sabia que não era sorte estar ali. Aquilo fora deixado de propósito. Uma clara provocação e um teste para ver o que iria acontecer em seguida.
0
Comente!x

  As paredes estavam cobertas por mapas, recortes de jornal, fotos em preto e branco e outras coloridas, em qualidade precária. Algumas com rostos riscados com tinta vermelha. Outras... com olhos furados. Havia datas, códigos, marcas de vigilância. O mural simbolizava o ciclo completo de violência que se desencadeou nos últimos meses.
0
Comente!x

  E bem no centro do caos visual, afixado com um alfinete enferrujado, estava o que parecia um pedaço de papel arrancado de um livro antigo e dobrado com cuidado, com reverência e respeito. Natasha aproximou-se devagar. Seus dedos hesitaram por uma fração de segundo antes de desdobrar o papel. A caligrafia era nítida, elegante, firme — com tinta preta, traçada por uma mão sem pressa. No topo, escrito à mão, lia-se:
0
Comente!x

Contando Corvos
Um para tristeza,
Dois para alegria,
Três para um funeral,
Quatro para nascimento.
Cinco para prata,
Seis para ouro,
Sete para um segredo que nunca será contado.

  O sangue dela esfriou. Natasha conhecia aquela rima infantil, de acordo com uma antiga superstição, o número de Pegas vistas indica se a pessoa terá boa ou má sorte. Naquele momento, todas as sete “pegas” não tiveram boa sorte. Ela deu dois passos para trás, encarando o mural como um todo e viu: havia sete fotos sem rostos. Sete buracos. Sete peças faltando. Sete corvos. Sete mortos. Sete intenções. Ela sussurrou o poema outra vez, quase em reverência.
0
Comente!x

  — Um para tristeza...
0
Comente!x

  Um dos primeiros assassinatos: a diretora de segurança da filial europeia da Hydra. Uma morte dolorosa e pública. Um aviso.
0
Comente!x

  — Dois para alegria...
0
Comente!x

  A segunda vítima: um cientista. Um daqueles que achava graça em estudar dor. Morreu com um sorriso costurado na boca.
0
Comente!x

  — Três para um funeral...
0
Comente!x

  O embaixador. Enterrado vivo em uma cripta usada pela antiga S.H.I.E.L.D. na Polônia. Ironia grotesca.
0
Comente!x

  — Quatro para nascimento...
0
Comente!x

  Ela gelou novamente. Não havia ainda um quarto assassinato com esse perfil. Ou havia... e ela não havia notado a conexão.
0
Comente!x

  — Cinco para prata, seis para ouro...
0
Comente!x

  Dois alvos ligados ao tráfico de vibranium e tecnologias roubadas. Ela já tinha os nomes. Eles também já estavam mortos.
0
Comente!x

  — Sete para um segredo que nunca será contado...
0
Comente!x

  Ao lado, havia uma foto de um bebê cuja data de nascimento era 31 de outubro de 1991. Natasha não entendeu a conexão com os casos, mas sabia que aquilo não havia deixado ali por descuido. Era proposital e significava algo, mesmo que naquele momento não pudesse compreender.
0
Comente!x

  A luz da lanterna tremia quando Natasha deslizou a mão pela parede de madeira atrás da estante. Um som oco respondeu ao toque. Não foi um estalo alto, nem uma pista óbvia — apenas uma variação sutil no som, quase imperceptível, mas suficiente para acender o alerta nos instintos aguçados dela. Ela empurrou e a madeira rangeu. Um painel cedeu, revelando uma abertura estreita, que levava a um cômodo menor, sem janelas, sufocado pelo cheiro de poeira antiga, tinta velha e papel queimado.
0
Comente!x

  O que encontrou ali fez seu estômago se revirar.
0
Comente!x

  Era outro mural. Maior. Tinha o restante dos assassinados, mas não era como o anterior, que transbordava de raiva, desorganização e fúria desenfreada. Este era diferente. Este era... limpo. Como se tivesse sido montado com uma calma impressionante e assustadora. As paredes estavam cobertas por folhas pregadas com alfinetes pretos — cada uma com trechos escritos à mão, recortes de jornais, fotografias e, acima de tudo, números. Cada número alinhado com um verso.
0
Comente!x

  No topo, um novo trecho do mesmo poema. A segunda parte.
0
Comente!x

Oito por um desejo,
Nove por um beijo,
Dez por uma surpresa que você deve ter cuidado para não perder,
Onze por saúde,
Doze por riqueza,
Treze — cuidado, é o próprio diabo.

  Natasha prendeu a respiração. O padrão que antes parecia arbitrário agora se tornava claro. O primeiro mural foram os primeiros. Este era a conclusão do trabalho. Ela deu um passo mais perto.
0
Comente!x

  Havia seis fotos riscadas. Nomes codificados com símbolos que ela reconhecia da época da Sala Vermelha. Pessoas que já estavam mortas — cada uma encaixando-se com perfeição aos versos anteriores. Os sorrisos costurados, os enterros macabros, os recados deixados com sangue ou veneno. Uma linha narrativa construída como se fosse uma piada doentia.
0
Comente!x

  Mas os últimos cinco versos… ainda estavam em aberto.
0
Comente!x

  No verso "Oito por um desejo", havia a imagem borrada de um homem com expressão cansada. Um antigo cientista da Hydra que desaparecera misteriosamente meses antes. Ao lado do recorte de jornal sobre sua morte, havia um bilhete preso com alfinete dourado: “Você sonhou com liberdade. Eu concedi.”
0
Comente!x

  O "Nove por um beijo" mostrava uma mulher mais jovem, loira, ex-agente de sedução da Hydra. Encontrada morta em um quarto de hotel na Bélgica, com uma rosa preta na boca e batom nos dentes. Natasha sentiu um arrepio.
0
Comente!x

  "Dez por uma surpresa que você deve ter cuidado para não perder" estava marcado com um símbolo que ela conhecia bem — o antigo selo de acesso à torre principal da Hydra na Baviera. Alguém ali fora morto de forma que a imprensa chamou de “acidente industrial”. Mas pelo que via agora, não havia nada de acidental. Apenas um lembrete: ninguém está seguro, nem os que se escondem sob camadas de burocracia.
0
Comente!x

  O verso "Onze por saúde" tinha a foto de uma mulher elegante, também datada de 1991 e que não fazia parte das vítimas. Natasha associou à foto do bebê, porque seu instinto dizia que estavam conectados. "Doze por riqueza" tinha a foto de Tony, o que lhe desconsertou completamente. Por que Tony? Ele era o último alvo daquele poema, isso era nítido.
0
Comente!x

  A letra declarava a sentença dos nomes e fotos riscadas, como túmulos sem lápides. Mas os nomes codificados ali sugeriam conexões: um médico da antiga divisão de experimentos genéticos, e um banqueiro suíço que lavava dinheiro para a Hydra desde os anos 90. Natasha anotou os símbolos mentalmente. Iria cruzar aquilo com os arquivos do Fury depois.
0
Comente!x

  Mas então chegou no último.
0
Comente!x

  "Treze — cuidado, é o próprio diabo.”
0
Comente!x

  A folha correspondente estava rasgada ao meio, como se a própria autora daquilo tivesse se arrependido de pregar o rosto final. Mas o nome escrito ali, com tinta preta quase desbotada, era claro.
0
Comente!x

  Anya.
0
Comente!x

  Natasha recuou um passo.
0
Comente!x

  Anya. A última instrutora viva da Sala Vermelha antes do programa ser dissolvido. A mulher que treinou dezenas de meninas, que decidia quem vivia e quem era descartada. A mesma que Natasha já pensara, mais de uma vez, em caçar com as próprias mãos... mas nunca o fez.
0
Comente!x

  E agora, Anya estava morta e foi por veneno no chá. Diferente das outras mortes, era a única que morrera em paz. Por um momento, Natasha não conseguiu entender. Por que poupar ela da violência? Por que dar a ela o privilégio de uma morte sem dor?
0
Comente!x

  Mas então viu o bilhete no canto inferior da parede. Um recado deixado para alguém como ela. Para quem procurava sentido no caos. Escrito à mão, em letras pequenas e delicadas, mas nunca deixando o sarcasmo de lado, como se cada traço tivesse sido entalhado com deboche:
0
Comente!x

  "A pior punição é deixar alguém morrer implorando por um perdão que nunca irá receber."
0
Comente!x

  Natasha sentiu o gosto metálico na boca. Engoliu em seco. O que quer que estivesse guiando essa assassina... não era apenas vingança. Era justiça distorcida, fria — e ainda assim profundamente pessoal. A obra de alguém que conhecia os nomes, os rostos, os detalhes mais íntimos de cada uma das vítimas. Alguém que viveu sob as botas da Hydra. Que aprendeu a matar com as mãos e a escrever com os corpos.
0
Comente!x

  O estalo do osso deslocando sob impacto foi abafado, mas o suficiente para que Natasha soubesse que havia algo errado com seu ombro. O corpo dela bateu contra o chão com força, a respiração entrecortada enquanto tentava processar o que havia acabado de acontecer. A mulher mascarada não hesitou — pisou firme no chão de concreto rachado, aproximando-se com um andar calmo, deliberado, como quem já sabia que a luta tinha terminado muito antes de começar.
0
Comente!x

  — Gostou do mural? — disse a voz protegida por uma máscara que era estranhamente parecida com a do Soldado Invernal.
0
Comente!x

  Natasha tentou levantar-se, o sangue latejando nas têmporas, os músculos doloridos reagindo a cada comando com atraso. Uma das mãos ainda procurava apoio quando um chute rápido derrubou a perna de sustentação, jogando-a de volta ao chão. A lâmina, agora na mão da invasora, reluzia sob a fraca iluminação do esconderijo, os restos do mural ardendo num canto com chamas que estalavam entre pedaços de papel carbonizado.
0
Comente!x

  A mulher se abaixou devagar, ficando frente a frente com Natasha. O rosto continuava oculto pela máscara metálica, sem emblemas, sem qualquer traço de humanidade — mas os olhos por trás da viseira eram vivos. E frios. Intensos demais para serem esquecidos.
0
Comente!x

  — Ah, Natasha. Você não muda. Sempre direta.
0
Comente!x

  — Vai me matar? — cuspiu Natasha, o tom rouco, mais indignado do que com medo. — É isso? Concluir o espetáculo?
0
Comente!x

  — Engraçado você dizer isso. Vinda de alguém com tanto sangue nas mãos quanto eu. — A resposta foi sussurrada, carregada de um sarcasmo ácido, mas quase imperceptivelmente raivoso.
0
Comente!x

  A figura observou por um momento. Inclinou levemente a cabeça para o lado, como quem contempla uma pintura incompleta. Depois, falou — e a voz abafada soou baixa, controlada, mas com uma camada fina de veneno que quase se dissolvia no tom calmo.
0
Comente!x

  — Mas eu devia, não acha? Você está no meu caminho. Mexendo no que não deve e pensando que ainda pode salvar o mundo com frases de efeito e uma arma na mão. Tão patético — continuou claramente zombando da agente.
0
Comente!x

  — Por que Tony? — ela arriscou. — Ele não tem nada a ver com-
0
Comente!x

  — Ah, Natasha... — interrompeu a voz, dessa vez mais fria, mais densa. — Tem tudo a ver com ele. E eu sei que você quer saber mais do que pode entender... e chega a ser cômico. Mas, vamos lá, não vou ser injusta.
0
Comente!x

  Então a figura se moveu, como quem estivesse dando autorização para que Natasha pudesse se levantar. Era um convite debochado para a briga. Ela se ergueu devagar, limpando a poeira do casaco escuro e soltando a faca, que caiu com um tinido sutil ao lado da perna de Natasha.
0
Comente!x

  Quando enfim se recompôs, nada precisou ser dito. Os dois corpos se chocaram, um emaranhado de força e velocidade, cada movimento calculado para quebrar o outro. Natasha tentou usar seu treinamento, mas a garota estava lá, feroz e determinada, com uma força que parecia vir cheia de raiva, um combustível sombrio que fazia cada golpe ecoar na sala vazia.
0
Comente!x

  O primeiro soco veio como um trovão, acertando o lado do rosto de Natasha, fazendo-a recuar um passo. Mas ela não cedeu, os olhos endurecidos em desafio. Contra-atacou com uma sequência rápida de socos, tentando desarmar a adversária, forçar uma brecha. A garota desviava com uma graça letal, cada movimento carregado de agilidade claramente predatória, e então, num instante, agarrou o pulso de Natasha com uma força que esmagadora.
0
Comente!x

  Os dedos da jovem assassina se fecharam ao redor da arma da agente, puxando-a com um giro rápido que deixou Natasha desequilibrada. A arma caiu no chão com um baque surdo, longe demais para Natasha alcançar de imediato. A jovem não deu espaço para que ela pudesse agir; avançou como uma tempestade, desferindo uma sequência de golpes que buscavam quebrar não só o corpo, mas a resistência da mulher à sua frente.
0
Comente!x

  Natasha tentou bloquear, mas a força da adversária era implacável, e o som dos ossos rangendo sob os impactos parecia reverberar pelas paredes do esconderijo. A respiração delas se misturava em meio ao caos da luta — rápida, curta, carregada de adrenalina. Natasha sentiu uma dor aguda no ombro quando a assassina a atingiu com um cotovelo, desequilibrando-a ainda mais. Ela caiu contra a parede, as costas raspando a superfície áspera, mas não cedeu. Não podia se dar ao luxo.
0
Comente!x

  Com um movimento rápido, Natasha se livrou da pressão, girando para tentar um golpe de contra-ataque, mas a garota antecipou o movimento, puxando-a para perto, com um braço em volta do pescoço dela, firme e controlado. A proximidade era sufocante — não havia espaço para fuga, só a presença fria e implacável da inimiga.
0
Comente!x

  Mas Natasha não se entregou. Com um impulso desesperado, ela golpeou a garota na costela, provocando um gemido abafado, suficiente para ganhar espaço para se soltar. Caíram separadas, ofegantes, olhos fixos, corpos tensos como cordas prestes a se romper.
0
Comente!x

  O ar parecia pesado, carregado com a intensidade de tudo que não fora dito — rancor, ódio, vingança. E mesmo no meio daquele confronto brutal, havia uma estranha reverência mútua, como se ambas soubessem que nenhuma sairia vitoriosa sem pagar um preço alto demais.
0
Comente!x

  A figura deu um passo à frente, uma risada cruel saindo de seus lábios atrás da sua máscara, enquanto Natasha, já recuperando a postura, preparava-se para a próxima investida.
0
Comente!x

  — Talvez você precise de uma pausa? — debochou novamente.
0
Comente!x

  — Vai sonhando — Natasha respondeu antes de avançar novamente.
0
Comente!x

  — Tá, legal. Foi você quem pediu.
0
Comente!x

  O impacto seguinte esmagou Natasha contra a parede com uma força violenta, tirando o ar de seus pulmões em um golpe que parecia rasgar a sua carne. Cada movimento da mulher que a atacava era carregado de uma fúria que não se importava em se conter, uma determinação brutal que não demonstrava hesitação ou compaixão. O som dos passos rangendo sob os golpes rápidos e violentos preenchia o ambiente, enquanto Natasha tentava desesperadamente encontrar um ponto de apoio, uma brecha para se defender.
0
Comente!x

  Contudo, a adversária não dava trégua. Com mãos firmes, ela segurava os braços de Natasha, torcendo-os em ângulos dolorosos, fazendo a agente ranger os dentes para suportar a dor que se espalhava por seus músculos. Não havia piedade naquele ataque; era como se cada golpe fosse determinar uma sentença, um julgamento pessoal que Natasha não tinha direito de contestar.
0
Comente!x

  A cada investida, Natasha sentia a resistência enfraquecer, as defesas se desmontando como peças de um quebra-cabeça. Ela tentou um chute para afastar a inimiga, mas foi bloqueada e puxada novamente para perto, o rosto da atacante a poucos centímetros do seu. Os olhos, frios e impiedosos, não revelavam nada além da sede de destruição.
0
Comente!x

  O corpo de Natasha tremia, cansado, mas a mente corria em busca de qualquer estratégia, qualquer artifício para virar o jogo. Porém, naquela presença severa, não havia brechas — só a inevitável sensação de estar sendo consumida por uma força que parecia quase sobrenatural.
0
Comente!x

  A luta se arrastava, brutal e crua, e ainda assim, por trás da máscara de violência, havia um mistério profundo que Natasha não conseguia decifrar. Quem era aquela mulher que parecia conhecer cada passo, cada fraqueza, como se tivesse ensaiado suas táticas e estilo de combate por toda a vida? E, principalmente, como ela conseguia estar sempre um passo à frente, controlando cada movimento com uma frieza assustadora?
0
Comente!x

  Enquanto a briga continuava, Natasha sentia que estava perdendo muito mais do que a batalha — estava prestes a perder o controle sobre tudo que conhecia. E, naquela figura que a dominava, algo ainda mais perigoso se escondia, aguardando o momento certo para revelar seu verdadeiro rosto.
0
Comente!x

  Com um último golpe brutal, a mulher derrubou Natasha no chão frio e duro, o impacto fazendo o ar escapar em um suspiro doloroso. Natasha ficou ali, respirando com dificuldade, seu corpo latejando em cada centímetro. A figura sobre ela se inclinou, soltando novamente aquela risada com uma mistura de desprezo e satisfação cruel.
0
Comente!x

  — Achou mesmo que poderia me encontrar e sair daqui inteira? — A voz era baixa, quase um sussurro venenoso, carregado de um tom de sarcasmo e deboche — Isso aqui termina agora. Pra você e pra tudo que tentou descobrir.
0
Comente!x

  Antes que Natasha pudesse reagir, a mulher se afastou, firme e inflexível. Com movimentos tranquilos e calmos, começou a apagar cada fragmento da investigação, cada documento, cada fotografia — um fogo devorador que consumia provas e dados com a mesma frieza impiedosa. O mural na parede, que mostrava rostos, conexões e no centro a imagem de Tony Stark, foi reduzido a cinzas, meros estilhaços.
0
Comente!x

  Deu alguns passos para trás, com a mesma tranquilidade de quem já havia vencido. Natasha tentou se erguer novamente, o rosto já manchado de poeira, suor e sangue, mas o corpo não cooperava. As chamas atrás da atacante faziam com que a figura ganhasse contornos quase irreais, o calor tornando o ar ao redor instável. Enquanto as chamas engoliam tudo, a figura se virou para Natasha, sua sombra alongada pelas labaredas, admirando o trabalho final.
0
Comente!x

  — Vai fugir? — rosnou Natasha, erguendo a voz. — É isso que você é? Uma covarde?
0
Comente!x

  A mulher parou na porta aberta, ainda de costas, uma mão no batente como se estivesse decidindo se voltava para terminar o trabalho. Então virou o rosto só o suficiente para que sua voz chegasse, abafada, firme, cortante:
0
Comente!x

  — Você devia me agradecer por ainda estar respirando.
0
Comente!x

  E então completou, mais baixo, como um aviso nada sutil. Era um tom calmo, mas, ao mesmo tempo, perigoso, antes de jogar três fotos sobre a agente.
0
Comente!x

  — Nunca mais tente me seguir. — A ameaça ficou no ar, cortante como uma lâmina. — Estou te deixando viva, agradeça por isso, Romanoff.
0
Comente!x

━━━━━━━━━━━━━━━

  O cheiro de fumaça ainda pairava no ar quando os faróis do jipe preto cortaram a penumbra do beco estreito. A porta lateral se abriu com um baque seco, e passos apressados ecoaram pelas poças d’água formadas pela chuva recente. Nick surgiu entre as sombras do galpão abandonado, com o sobretudo escuro encharcado até a bainha e o olhar fixo na figura encolhida perto da parede parcialmente carbonizada.
0
Comente!x

  Natasha não se moveu de imediato. Estava sentada no chão, o ombro direito imóvel, os cabelos grudados na pele suada, os olhos fixos no espaço vazio onde antes havia um mural. O chão ao seu redor era um caos de cinzas, fragmentos de papel, madeira queimada e aço retorcido. Tudo o que poderia ter sido útil havia sido destruído bem na sua frente e não restava nada além das cinzas.
0
Comente!x

  — Vejo que seu passeio não terminou muito bem — disse Fury, parando diante dela, a voz arrastada com aquele tom entre o sarcasmo e a preocupação. — Você está bem?
0
Comente!x

  Ela não respondeu de imediato. Levou alguns segundos para erguer os olhos até ele, como se estivesse voltando de um lugar mental distante demais. A boca se moveu, mas a primeira tentativa de falar morreu em um sopro cansado. Só então ela inspirou fundo, ignorando a dor no corpo, e falou:
0
Comente!x

  — Ela me deixou viver.
0
Comente!x

  — Ela? — Fury arqueou uma sobrancelha. — Você viu quem é?
0
Comente!x

  — Não completamente. Máscara, postura de combate refinada… muito além do que a gente vê em assassinos comuns. Eu tentei contra-atacar, mas ela… — Natasha engoliu em seco, como se a admissão lhe custasse mais do que os hematomas. — Me derrubou com facilidade. E sabia exatamente onde mirar.
0
Comente!x

  Fury se agachou ao lado dela, os olhos atentos não só às palavras, mas à forma como Natasha as dizia. Aquilo não era frustração profissional — era algo mais íntimo, mais raro. A Viúva Negra não era facilmente superada. E perdoava menos ainda quando era.
0
Comente!x

  — Ela destruiu tudo — Natasha murmurou, os olhos voltando ao mural agora apenas em fragmentos enegrecidos. — O esconderijo foi montado pra ser encontrado porque ela me queria aqui. Um rastro falso... mas também uma mensagem. E ela fez questão de levar as respostas embora.
0
Comente!x

  Fury manteve-se em silêncio por alguns segundos, analisando o local ao redor com um olhar atento. As pegadas paravam antes da saída, e não havia digitais úteis. Tudo limpo. Deliberado.
0
Comente!x

  — Mas ela deixou algo. — Natasha enfiou a mão boa dentro da jaqueta e retirou um pequeno envelope plastificado. Entregou ao diretor sem tirar os olhos dele. — Praticamente jogou em cima de mim antes de sair... talvez tenha deixado de propósito.
0
Comente!x

  Fury pegou o conteúdo com cuidado. Dentro, havia três fotografias. Uma delas mostrava uma bebê recém-nascida, enrolada num cobertor claro, com olhos absurdamente azuis e expressão tranquila — no verso, uma data escrita à mão com letra cursiva firme: 31/10/1991.
0
Comente!x

  A segunda foto mostrava uma mulher elegantemente vestida, com um sorriso que não alcançava totalmente os olhos, os mesmos olhos da criança. Ela tinha cabelo escuro, maquiagem leve, e estava sentada à mesa de um restaurante chique. A mesma data escrita no verso.
0
Comente!x

  A terceira imagem era mais antiga: Tony Stark, num evento qualquer, talvez um coquetel corporativo, ainda com aquele ar de arrogância levemente encantadora. Essa, curiosamente, não tinha data. Apenas um pequeno detalhe em comum com as outras: o fundo da fotografia parecia ter sido recortado e depois colado de novo.
0
Comente!x

  Fury girou as fotos nos dedos, o cenho franzido. Era justamente aquilo que Tony queria esconder.
0
Comente!x

  — Nunca vi antes — Natasha continuou. — Mas ela se parece com alguém. Não sei dizer com quem. Tem algo nos traços... algo familiar.
0
Comente!x

  — Preciso ver o Stark.
0
Comente!x

Capítulo 08
5 1 voto
Classificação do artigo
Inscrever-se
Notificar de
guest

0 Comentários
mais antigos
mais recentes Mais votado
Todos os comentários (4)
×

Comentários

×

ATENÇÃO!

História NÃO RECOMENDADA PARA MENORES ou PESSOAS SENSÍVEIS.

Esta história pode conter descrições (explícitas) de sexo, violência; palavras de baixo calão, linguagem imprópria. PODE CONTER GATILHOS

O Espaço Criativo não se responsabiliza pelo conteúdo das histórias hospedadas na sessão restrita ou apontadas pelo(a) autor(a) como não próprias para pessoas sensíveis.

Você não pode copiar o conteúdo desta página

0
Adoraria saber sua opinião, comente.x