Five Years Gone


Escrita porBagi Ferreira
Revisada por Lelen


Capítulo 07

  O vento em Washington parecia mais cortante naquela manhã, mesmo para alguém como Natasha Romanoff, acostumada aos extremos do clima e da vida. Ela caminhava em passos firmes, mãos enfiadas nos bolsos do casaco preto, atravessando o saguão quase vazio de um prédio federal escondido atrás de fachada neutra e sem identificação. A luz branca dos corredores refletia no piso encerado, e cada passo dela reverberava com a impaciência que vinha carregando desde que o nome de Nick Fury surgiu na tela do celular às cinco e meia da manhã.
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  Fury não costumava chamar para conversa a essa hora. Não desde que a S.H.I.E.L.D. havia sido “oficialmente” encerrada. Não depois de tudo que havia sido desmontado, enterrado ou dispersado entre as cinzas do Triskelion e os escombros da guerra.
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  — Você tem cinco minutos — ela anunciou assim que entrou na sala reservada, sem sequer se sentar.
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  Fury estava de pé, de costas para ela, olhando para um painel de monitoramento improvisado montado com o que sobrou da inteligência que ele ainda conseguia acessar. Era pouca coisa, mas o bastante para saber que algo estava errado.
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  — Isso vai tomar mais do que cinco — respondeu ele, sem se virar. A voz carregava aquele tom seco que só aparecia quando o peso nas costas aumentava além do habitual. — Senta. Vai querer ver isso com calma.
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  Natasha hesitou, mas cedeu. Cruzou a sala, puxou a cadeira com um movimento rápido e se deixou cair sobre ela. Cruzou os braços e esperou.
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  Fury clicou em um dos monitores. As imagens começaram a desfilar na tela — fotos, vídeos de vigilância, relatórios com tarjas pretas demais, e então as imagens dos corpos. Natasha manteve os olhos fixos, o rosto impassível. Não havia choque. Mas havia algo mais visível, mais claro: familiaridade.
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  — Três semanas, seis cidades diferentes. Agora já são treze mortos. Todos eles com histórico sujo. Hydra, contrainteligência, tráfico de informação, operações negras. Gente que você e eu sabíamos que estava viva porque ninguém tinha terminado o serviço direito. — Fury parou de falar por um momento, como se deixasse que as imagens falassem por si. — Agora estão todos mortos. E não foi acidente. Alguém está limpando a sujeira que a S.H.I.E.L.D. deixou espalhada.
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  — Esses cortes… essas fraturas… — Natasha comentou, inclinando o corpo para a frente. — Isso não é execução... é massacre. Quem quer que esteja fazendo isso, tem raiva. Muita raiva. E tá deixando isso bem óbvio com cada morte.
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  Fury assentiu, finalmente se virando para encará-la.
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  — E não está cometendo erros. Nada de digitais, nada de DNA, nada de rastros. Mas o padrão é claro demais pra ser ignorado.
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  — Você quer que eu encontre essa pessoa. — Não era uma pergunta. Ela já sabia a resposta.
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  — Quero que encontre, sim. Mas não só isso — respondeu Fury, voltando a encarar as telas. — Quero que entenda o motivo. Isso aqui não é só pessoal. É estratégico. Tem método por trás da violência. E se não pararmos logo, vai escalar.
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  Natasha ficou em silêncio por alguns instantes, o olhar perdido em uma das imagens na tela — o corpo de um ex-agente russo, esquartejado em um galpão abandonado na Croácia. Ela já tinha visto muita coisa. Já tinha feito muita coisa. Mas havia algo de particularmente perturbador naquela sequência de mortes. Como se os alvos estivessem sendo apagados de forma ritualística.
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  — Tem alguma pista de quem poderia estar por trás disso?
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  Fury suspirou e balançou a cabeça.
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  — Nenhum nome, nenhum rosto. E até onde sabemos… ninguém vivo tem esse tipo de perfil.
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  Ela olhou para ele com sobrancelha arqueada.
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  — Você acha que é alguém que deveríamos conhecer?
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  — Eu acho… — Fury hesitou por um segundo, como se ponderasse até onde poderia ir — …que talvez não estejamos lidando com alguém que seja convencional.
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  Natasha franziu o cenho, mas não pressionou. Ela sabia ler Fury. Sabia quando ele estava omitindo algo — e sabia que, se estava, tinha um bom motivo.
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  — Me dá 48 horas. Quero acesso aos laudos completos, os locais das mortes e qualquer vigilância que tiver. Vou começar por Praga. Aquele corpo mutilado no hotel… me diz que foi ali que o caçador deixou escapar alguma coisa.
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  Fury assentiu, já puxando os arquivos solicitados.
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  — E, Romanoff… — ele disse, enquanto ela já se levantava. — Isso é entre nós dois. Se esse tipo de coisa for parar nos ouvidos errados, pode dar início a uma caça internacional. E essa figura que tá limpando o mundo… talvez não esteja tão errada nos alvos.
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  Ela parou por um instante na porta, virando o rosto por cima do ombro.
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  — Se não estivesse matando como um animal, Fury… talvez eu até concordasse com ela.
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  E então saiu. O corredor engoliu seus passos e Nick Fury ficou ali, sozinho com as imagens dos mortos, sentindo que havia acabado de soltar uma tempestade em busca de outra.
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  As botas de Natasha pisaram o chão úmido com firmeza, o cascalho e os estilhaços de vidro se rearranjando sob o peso nada sutil do que havia acontecido ali. A noite anterior fora chuvosa, e agora o ar em Praga cheirava a terra molhada e decadência — como se o prédio abandonado tivesse sugado para si todo o ar puro ao redor e regurgitado o que sobrou junto com o sangue das paredes. Era um antigo depósito, três andares de concreto sem manutenção desde os anos noventa. Um ponto discreto, quase invisível, exceto pelo fato de que, agora, era uma cena de crime.
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  O corpo estava exatamente onde os agentes locais o haviam deixado. Natasha dispensou a equipe da Interpol ao chegar. Ela trabalhava melhor sozinha. A perícia oficial já fizera seu papel, e o que ela precisava não se encontrava em laudos feitos por olhos amadores — estava no cheiro metálico que ainda pairava no ar, nos rastros quase apagados entre os entulhos, nos detalhes que olhos comuns não veriam. Ela se agachou devagar ao lado do cadáver, estudando-o com a paciência de quem já conviveu tempo demais com a morte para se assustar com a aparência dela.
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  Era um homem. Ex-oficial da inteligência da Hungria. Ligado à Hydra por contratos antigos, lavagem de dinheiro, supervisão de prisioneiros de guerra. Natasha já ouvira o nome dele sussurrado em algumas missões, mas nunca valera o esforço de caçá-lo. Agora estava com a garganta aberta até a traqueia, os olhos revirados e os dedos de ambas as mãos quebrados um por um. Não havia sinais de tiro. Nenhuma arma próxima. Apenas a brutalidade e a ausência completa de misericórdia.
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  Ela não teve dúvidas: aquilo fora feito por alguém que queria que ele sofresse.
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  Passou a mão enluvada pelo chão ao redor. Havia marcas tênues na poeira, quase apagadas pela chuva da madrugada, mas ainda visíveis para quem sabia procurar. Passos leves, firmes e únicos. Nenhum sinal de luta real — apenas deslocamento, abordagem, execução. Natasha fechou os olhos por um segundo, tentando reconstituir a cena com os dados diante de si. A vítima foi pega de surpresa. Subjugada. Torturada. Depois, morta.
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  Era esse o padrão que procuravam.
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  Ela se levantou, o olhar varrendo o espaço ao redor. Era como estar dentro de um teatro onde a peça já havia terminado, mas o palco ainda cheirava a suor e tensão. Ao fundo, um rastro de sangue escorria até uma parede onde uma frase fora rabiscada com o que parecia ser o próprio sangue da vítima:
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“Para cada nome apagado, um erro corrigido.”

  A mensagem a fez franzir o cenho. Aquilo não era simples vingança. Não era só ira reprimida. Era uma representação cruel, uma declaração de guerra contra um sistema. Um acerto de contas em escala pessoal. E o que mais a preocupava… era que a pessoa por trás disso parecia entender muito bem como funcionar abaixo dos radares.
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  Natasha puxou o celular, acessando o banco de dados móvel que Fury autorizara. Cruzou os nomes. Este homem era o quinto da lista. E agora, com os outros incidentes que ela começava a ligar, já se somavam treze. Todos mortos em circunstâncias distintas, mas com a mesma assinatura: violência extrema, ausência de pistas, zero testemunhas.
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  O telefone vibrou em sua mão. Uma mensagem criptografada.
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  “Enviamos os arquivos do nome seguinte na lista. Última localização: Maryland.”
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  Ela leu, mas não respondeu. O nome seguinte na lista... ela já sabia quem era. A mulher conhecida apenas como Anya. Uma ex-instrutora da Sala Vermelha. Uma que Natasha preferia esquecer. O fato de que um dos nomes mortos era essa mulher dizia muito. E o principal: quem quer que estivesse por trás das mortes, conhecia bem as entranhas da Hydra. Mais do que isso — conhecia os nomes que haviam escapado da justiça. Conhecia a rede de corrupção interna. E conhecia as rotas de fuga.
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  Natasha virou-se devagar, encarando uma janela quebrada por onde a luz pálida do final da tarde tentava se infiltrar. O mundo lá fora seguia como se nada estivesse acontecendo, como se os gritos daquele homem nunca tivessem preenchido aquele espaço. E isso era o mais aterrador. A limpeza estava sendo feita com a frieza de quem claramente não se importava com as consequências daquilo, ou com a atenção da mídia.
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  Ela respirou fundo, ajeitou a jaqueta e caminhou até a saída, os passos ecoando sobre o concreto manchado. Parou apenas por um instante na porta, olhando por cima do ombro para o corpo destruído. Aquilo não era mais justiça.
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  Mas, em algum nível, talvez fosse o que ele merecia.
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  A estrada que levava até a Baía de Chesapeake era cercada por árvores nuas, esticando galhos retorcidos como ossos enregelados sob o céu cinzento. O vento soprava com força, carregando folhas secas e o zumbido baixo de uma tempestade prestes a acontecer. Natasha dirigia com os olhos fixos na linha do horizonte, onde a floresta encontrava o mar. Maryland era calma demais. Bonita demais. Um lugar onde monstros deviam ter medo de se esconder. Mas, como ela sabia, monstros gostavam justamente de lugares assim — onde ninguém procurava por eles.
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  Quando o carro parou diante da casa de madeira, afastada das outras e parcialmente coberta pela vegetação, Natasha já sabia que estava tarde. A sensação de que algo terminara ali pendia no ar como fumaça. Ela saiu do veículo, prendeu o cabelo num coque prático e caminhou até a entrada com a mão no coldre. As janelas estavam fechadas. Nenhum sinal de movimento. Mas havia o cheiro, quase imperceptível, de sangue velho. Chá de ervas. E... morte.
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  Ela arrombou a porta sem hesitar.
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  O interior era simples: móveis antigos, tapetes desbotados, quadros com paisagens russas nas paredes. Tudo parecia congelado em outro tempo. No centro da sala, o corpo de Anya estava tombado sobre uma cadeira, a xícara ainda pendendo entre os dedos rígidos. O cheiro não era agradável. O rosto estava pálido, os olhos opacos, a pele do pescoço com marcas arroxeadas que indicavam envenenamento. Não havia sinal de luta, nada quebrado. Nada fora do lugar.
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  Era como se ela tivesse aceitado a morte.
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  Natasha se aproximou devagar. Observou o rosto da mulher que um dia fora sua instrutora — e carrasca. Havia rugas em volta dos olhos. Um corte na base da língua, típico de quem tenta reagir ao envenenamento, mas nada que pudesse ser revertido. Ela estava morta há dias. Ainda não dava para determinar de forma exata quando havia acontecido, mas o cheiro já dava uma noção.
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  No chão, perto da mesa, havia uma única evidência: um pedaço rasgado de jornal, com um círculo feito a lápis em torno de uma manchete que listava os nomes de antigos oficiais da Hydra dados como "desaparecidos após a queda". O nome de Anya estava sublinhado. E acima, como se fosse um lembrete deixado apenas para quem soubesse o que procurar, uma palavra escrita com uma caligrafia extremamente cautelosa e bonita ao mesmo tempo:
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“Redenção.”

  Natasha se endireitou. Sentiu o estômago apertar. Aquilo já passara do padrão, não era só uma lista de execuções. Quem quer que estivesse por trás daquilo estava jogando com simbolismos — um assassino que não queria apenas apagar nomes, mas contar uma história com eles. Uma história feita de dor, memória e julgamento. Como uma vingança escrita à mão.
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  Ela explorou o restante da casa em silêncio. Quarto vazio. Cozinha intacta. Nenhum sinal de arrombamento, mas havia uma porta entreaberta no andar de cima. Natasha subiu, cada degrau rangendo como se protestasse contra a sua presença. Quando empurrou a porta, deu de cara com um cômodo estreito transformado em abrigo improvisado — uma zona de pânico para alguém que sabia que o passado estava à espreita.
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  Nas paredes, anotações em russo. Fotos antigas, registros falsificados, mapas. Nomes riscados com tinta vermelha. Anya sabia. Ela sabia que era a próxima e esperou mesmo assim. Mas o que realmente chamou a atenção de Natasha foi um envelope deixado sobre a mesa. Nele, seu nome.
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  "Natalia A."
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  Ela rasgou o lacre, os dedos firmes, e retirou uma folha curta. Era uma carta. Escrita à mão.
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  "Você provavelmente vai encontrar isso tarde demais. Sempre foi mais rápida do que eu, mas a verdade é que certas contas vêm nos encontrar, não importa o quanto corremos. Eu ensinei muita coisa a você. Algumas, com orgulho. Outras, com vergonha. Se essa morte for um acerto de contas, que seja. Só lamento que, talvez, você tenha que ver tudo isso sem entender quem está realmente por trás. Espero que não seja tarde para você fazer diferente."
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  Natasha leu até o fim, sem mudar a expressão. Não havia pistas diretas. Nenhum nome. Apenas a confirmação de que Anya sabia o que estava acontecendo. Sabia que alguém estava vindo e aceitou o destino, como se reconhecesse que merecia.
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  Ao sair da casa, o vento bateu forte de novo, levantando folhas no jardim malcuidado. Natasha apertou os olhos contra a luz fraca do entardecer. Ela já tinha nomes e já tinha corpos. Mas ainda não tinha rosto. E isso a incomodava mais do que ela queria admitir.
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  Era tarde quando Natasha chegou ao complexo. O céu já se confundia com o asfalto da estrada, engolindo as luzes da cidade à distância. O jato pousou suavemente na pista de aterrissagem privada, mas ela desceu como se tivesse acabado de passar por um furacão — e de certa forma, havia mesmo. Não fisicamente, não no sentido literal... mas sua mente estava rodando em círculos desde que saíra da casa em Chesapeake.
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  Ela caminhou pelos corredores de concreto e vidro do novo QG dos Vingadores com passos firmes e expressão de pedra, mas por dentro, a voz de Anya ainda ecoava. Ou melhor, o que restou dela. Era estranho — porque Natasha não sentia pena. Nem raiva e nem alívio. O que ela sentia, e odiava admitir, era inquietação. Um incômodo lento, que se instalava nos cantos da consciência como poeira teimosa. A mulher estava morta, envenenada com calma e suavidade, como se o assassino quisesse saborear cada segundo da agonia alheia. E aquilo dizia muito.
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  Disse tudo, na verdade.
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  No centro de comando, Nick Fury a esperava. Encostado em uma das paredes, braços cruzados, casaco longo pendendo dos ombros como se fosse uma extensão da própria autoridade. O tapa-olho o deixava com aquele eterno ar de quem já sabia tudo antes mesmo de ouvir — mas Natasha sabia que, naquele caso, nem ele tinha as respostas.
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  — E então? — ele perguntou, sem rodeios.
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  Ela jogou uma pasta sobre a mesa.
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  — Anya. Morta. Veneno no chá. Sem sinais de invasão, sem câmeras, sem digitais. Só uma anotação com a palavra “redenção” e uma carta escrita à mão que não ajuda em porra nenhuma além de confirmar que ela sabia que ia morrer. Mas, você já sabia disso. Só queria saber dos detalhes.
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  Fury arqueou uma sobrancelha. Pegou a folha, leu, e não demonstrou reação.
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  — Isso já passou do ponto de coincidência. Mas, o que me deixa confuso, é o porquê a morte de Anya foi tão diferente das demais. Anya significava alguma coisa para o nosso alvo. A questão é o que.
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  Natasha soltou um suspiro irritado. Tirou o coldre, jogou sobre a cadeira e apoiou os braços no encosto como se o peso do dia estivesse arrancando os ombros do lugar.
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  — Eu vi coisa parecida antes, mas não nesse nível. Isso aqui não é só vingança, Nick. O jeito como deixou aqueles corpos... a pessoa por trás disso não quer só limpar a sujeira da Hydra. Quer fazer com que eles sintam o gosto de cada erro que cometeram. Devagar.
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  — Você acha que essas pessoas tiveram algum envolvimento com o assassino?
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  — Acho que isso é nítido. Ninguém gasta esse tipo de energia apenas por esporte. E, sinceramente? Essa pessoa é boa demais. Muito boa. Não deixou rastros, nem uma sombra. Só a assinatura. “Redenção”.
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  Fury se moveu, finalmente. Passou por ela, olhando os arquivos digitais numa das telas. Puxou um relatório, abriu uma linha de tempo, marcou as mortes com pontos vermelhos num mapa da Europa. O padrão começava a ficar mais compreensível. Um ciclo. Uma espiral apertando. Sempre nomes ligados a operações da Hydra ou Sala Vermelha. Sempre gente que desapareceu dos holofotes quando tudo caiu. E sempre mortos de formas criativas demais para serem acidentais.
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  — Você acha que é uma viúva?
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  A pergunta ficou no ar. Natasha demorou a responder. Passou a mão pelo rosto, fechou os olhos por um segundo.
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  — Não sei, mas pode ser que sim. E se for, é uma que a Sala Vermelha manteve muito bem escondida. O tipo que eles nunca colocariam nas missões secretas. Seria do tipo... perdido no sistema.
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  — Perdido ou escondido? — ele rebateu, sem alterar o tom.
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  Ela não respondeu.
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  — Quero tudo que temos sobre ex-agentes da Hydra que se infiltraram em academias russas, instruções conjuntas, até treinamento cruzado entre o programa do Soldado Invernal e a Sala Vermelha. Qualquer coisa, mesmo que tenha sido arquivado como especulação.
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  — Já mandei rastrear — Fury respondeu. — E você, Romanoff? Vai conseguir continuar com isso?
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  Ela encarou a própria imagem refletida no vidro escuro da janela. Por um segundo, a expressão vacilou. Não de medo — mas de reconhecimento. Aquilo era familiar. Demais. Ela conhecia o padrão, afinal, era o mesmo com o qual havia sido treinada. O silêncio entre os golpes, o cuidado em matar sem deixar ruído e o tipo de treinamento que deformava quem você era, e substituía por algo mais eficiente. Mais... impessoal.
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  — Se for uma de nós — ela disse, enfim —, então eu sou a única que pode parar ela.
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  Fury assentiu devagar. Mas o olhar dele estava mais longe, como se já estivesse cinco passos à frente, tentando decifrar um tabuleiro que só tinha peças invisíveis.
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  — Essa missão não é sobre encerrar um rastro de sangue, Natasha. É sobre impedir que o próximo nome da lista... seja alguém que a gente ainda não pode perder.
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  Ela não precisou perguntar. Sabia do que ele estava falando. Do que ele estava com medo. Afinal, não eram só os fantasmas da Hydra que estavam voltando à superfície. Era o passado inteiro que todo mundo jurou que tinha enterrado.
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  E alguém, em algum lugar, estava desenterrando tudo com um sorriso no rosto.
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Capítulo 07
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