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ATENÇÃO!

História NÃO RECOMENDADA PARA MENORES ou PESSOAS SENSÍVEIS.

Esta história pode conter descrições (explícitas) de sexo, violência; palavras de baixo calão, linguagem imprópria. PODE CONTER GATILHOS

O Espaço Criativo não se responsabiliza pelo conteúdo das histórias hospedadas na sessão restrita ou apontadas pelo(a) autor(a) como não próprias para pessoas sensíveis.

Apenas uma Noite

Escrita porZsadist Xcor
Revisada por Lelen

Capítulo 1

  Se falassem para Aquiles na época dos 15 anos dele que chegaria o dia onde seria livre para ser quem era, sem precisar supervisionar a sua forma de andar, falar ou sequer de se movimentar, era capaz de desferir diversos socos no rosto da pessoa — não por ser uma fala errada ou porque era adepto à violência, mas sim porque era o desejo mais profundo do seu coração e não acreditava que poderia concretizar esse sonho.
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  Ali, no quarto de Augusto, estava bem longe de ser comparado com o jovem triste e abandonado na estrada pelo pai apenas com as vestes do corpo. Estava bem melhor, alegre e sendo aceito por aqueles que o rodeavam. Não imaginava que poderia voltar a ser feliz — ou melhor, que o seria, de fato — e nem que se apaixonaria de novo. Nunca mais teve notícias de Marcos ou do paradeiro dele — o pai fez um ótimo trabalho ao largá-lo numa estrada deserta, de noite e sem ninguém ao redor. E, principalmente, bastante longe do lugar que costumava chamar de casa.
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  Se bem que não passava disso. Casa. Não lar. Lar era quando a pessoa era aceita, acolhida e amada pelos demais, independente dos seus trejeitos ou preferências sexuais e amorosas. Uma casa é uma simples residência, sem nenhum teor afetivo. Agora, morando no Night Club, embora o prostíbulo fosse seu ambiente de trabalho, era também o lugar mais próximo que poderia chamar de lar por motivos óbvios.
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  Observava uma pilha de papéis que encontrou em cima da escrivaninha de Augusto. Deitado na cama do capataz da família Navarro, folheava as folhas brancas numa constatação que aqueceu o seu coração e fez abrir um sorriso doce no rosto.
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  As aulas de alfabetização começavam a dar frutos. O homem treinava a sua escrita — e isso comprovava o esforço pessoal para ser alfabetizado. As letras ainda eram trêmulas e desformes no começo. À medida que passava as páginas, elas se tornaram mais precisas e ele até mesmo se arriscara a formar algumas palavras simples como céu, flor, campo, sol e noite. Nem todas tinham a escrita correta, o que fez Aquiles se atentar para iniciar os estudos da parte morfológica e fônica da Língua Portuguesa.
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  O sorriso se tornou maior quando chegou a última. "Aqiliz". Embora escrito de maneira incorreta, era impossível não reconhecer o seu nome ali.
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  Quando ouviu o barulho da porta, juntou a papelada rapidamente e, antes de Augusto sair do banheiro, a colocou embaixo do seu corpo.
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  Avisava enquanto passava a toalha no cabelo úmido:
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  — Amigo, aqui não tenho luxo, não. A água é fria, mesmo...
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  Quando o menor o viu só com uma boxer preta e uma larga regata branca, imediatamente sentiu o membro dar sinais de vida dentro do short. Claro que já o vira assim, mas era a primeira vez que o homem estava à vontade na sua presença com as habituais roupas de dormir.
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  — O que qui ocê está aprontando aí? — perguntou desconfiado com o sotaque interiorano carregado, após ver os olhos arregalados do outro.
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  — Eu?
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  — É, formosura. Ocê.
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  Prendeu o riso para evitar demonstrar satisfação naquele apelido recebido dois meses depois de conversarem.
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  Augusto não chamava mais ninguém daquela forma.
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  — Está enganado. É incrível como depois desse tempo você duvide da minha índole assim. Olhe bem para esse rostinho puro e para as profundezas desses olhos inocentes de cores verdes. — Apoiou os cotovelos no colchão e colocou as duas mãos ao lado das bochechas. — Acha mesmo que estou aprontando algo? — Começou a balançar as pernas no ar, aumentando ainda mais a imagem de inocência e travessura.
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  — Tenho certeza.
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  — Hum. — Deixou as pernas caírem no colchão e projetou o lábio inferior pra frente. — Você não deixa passar uma.
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  Retirou as folhas debaixo de si.
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  — Não sabia dessa sua evolução na escrita. — Mostrou as folhas com as palavras formadas. — Todo tempo que estive aqui você apresentava muita dificuldade em manusear o lápis.
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  — É que o lápis dói o punho. Né fácil usar aquilo, não, mas eu não desisto das coisas fácil. Não posso ficar reclamando não, né? Aí continuei.
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  — A sua persistência é admirável. Agora, me explica uma coisa. — Levantou da cama, levando uma única folha na mão, virada de modo que Augusto não pudesse ver qual era. — Por que ontem a sua letra saía ainda sem forma? Pelo que vi, está bem melhor. Ouso dizer que isso já tem um tempinho.
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  Vê-lo se aproximando lentamente fez o capataz ficar nervoso — não pela proximidade, mas sim pelo andamento da conversa.
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  — É que não quero que as aula acabe. — Coçou a barba sem jeito e completou num murmúrio. — É que eu gosto da sua companhia. Num quero que pare de vir aqui no meu quartim ficar comigo.
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  — É por isso que escreveu o meu nome? — Levantou a folha na altura do peito, a segurando nas extremidades.
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  Balançou a cabeça em afirmação, tímido.
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  O garçom depositou a folha branca no colchão e se voltou para o amado.
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  — Esse sentimento que carrega por mim aqui. — Tocou a regata do moreno na altura onde ficava o coração. — É forte, não é?
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  — É. Muito. — Envolveu a pequena mão na sua de maneira hesitante, como se estivesse lutando contra todas as crenças limitantes que o algemavam. — Pro isso não consegui te deixar ir embora e fiz aquela loucura.
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  Quando descobriu que o rapaz iria para a cidade a fim de tentar a vida num lugar com maiores possibilidades, não permitiu de a viagem acontecer.
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  Invadiu o ônibus o tirando de lá em um ato desesperado — e ninguém iria erguer a voz contra o conhecido capataz da família Navarro, inclusive por carregar uma arma em punho.
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  — Ocê vai ficar aqui comigo, amigo — resmungou dentro da carruagem, satisfeito pelo loiro estar sentado ao seu lado. — Ocê num tem de ir pra longe de mim, não. Ocê é meu e não há demoin nenhum nessa terra que vá tirar ocê de mim.
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  O discurso poderia ser considerado bizarro, entretanto, apesar do toque de brutalidade nas palavras, aquilo foi o mais perto de uma declaração que Augusto proferiu para o rapaz — e o loiro não poderia ficar mais feliz.
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  — Eu estava pronto pra ir, Augusto. Mas... Pra ser sincero? Não queria, não.
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  — Não?
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  Segurou Aquiles pela cintura com as duas mãos e o puxou para mais perto de si.
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  — Não. Eu... — Tocou no rosto dele e se alegrou por Augusto não se afastar. — No fundo não quero ficar longe de você. — Deslizou os dedos pelo musculoso ombro, pousando-os ali.
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  — Formosura...
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  Augusto encostou a testa na dele com delicadeza. Aquiles fechou os olhos, aproveitando o momento tão íntimo e carregado de carinho — carinho esse que ansiava receber do homem por quem se apaixonara.
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  Os rostos estavam tão perto que era impossível pro capataz não sentir a respiração do menor na sua pele, cuja diferença de altura fazia os fios loiros claros roçarem no pescoço barbudo. O olhar se fixou nos lábios rosados e carnudos que era tão ávido para sentir a textura e o sabor. Entreabertos, pareciam convidativos. Convidativos até demais. Por isso foi em direção a eles devagar, quebrando a distância aos poucos. O garçom se controlava ao máximo para não o puxar de uma vez em sua direção. Sabia que era Augusto quem deveria dar os primeiros passos, chegar cada vez mais perto e ser o primeiro a tocar também. Não podia pressioná-lo para ele não fugir.
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  — Formosura.
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  No último centímetro, mudou de ideia e se contentou em puxá-lo pela fina cintura até sentir todo o corpo contra o seu. Coxas, pélvis, barrigas e peitos se tocavam, o que provocou um delicioso arrepio nos braços do menor — o que jamais passaria despercebido pelo outro. Enterrou a cabeça no pescoço do responsável pelos seus sonhos carregados de desejo incompreendido e sentimento reprimido. Dessa vez não conseguiu se contentar e roçou os lábios na pele macia. Não notou quando aquele simples roçar se transformou em pequenos beijos. O perfume de Aquiles e o toque do amado o incentivaram a prosseguir. Apenas tomou ciência quando os braços de Aquiles o envolveram num abraço e uma das mãos o segurou pelos cabelos com leveza.
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  Era impossível Augusto não sentir o membro duro de Aquiles. O tecido do short lilás era leve demais, então Aquiles sentiu, inicialmente, medo disso afastar o outro dele. Quase agradeceu ao notar que não foi o caso. Quantas vezes esperou uma entrega de Augusto como aquela e, agora que finalmente acontecia, tinha que se segurar para não o levar em direção à cama. Sabia que não era inteligente pressioná-lo. Poderia fugir pra longe do garçom — e não seria a primeira vez. Porém... Ali, ambos sozinhos, no quarto onde ele descansava, era a brecha para se deixar guiar pelas suas verdadeiras vontades e desejos.
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  Aquiles mordia os lábios para nenhum som escapar entre eles. Os toques de Augusto esquentaram todo o seu corpo, principalmente na região onde os beijos eram depositados — o ponto fraco do menor, diga-se de passagem. De olhos fechados, o cenho franzido e as mãos apertando Augusto era a visão perfeita de quem se entregava por completo ao prazer. Queria estar sem aquela blusa para sentir melhor o peitoral daquele homem que já sabia o quão musculoso era nas poucas vezes que o viu quase ou sem nenhuma roupa para cobrir a nudez.
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  Se segurou ao máximo para evitar soltar um gemido quando sentiu a língua dele acariciando a região. Sem perceber, cravou as unhas nas costas de Augusto, o que o fez também grunhir em resposta, além de segurar na bunda firme de Aquiles em sinal de possessividade e esfregar ainda mais o quadril de Aquiles contra o seu. E após sentir o que sentiu — tanto pelo tamanho quanto pela grossura —, aquele que recebia as carícias soltou um pequeno gemido.
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  Para o seu descontentamento, Augusto se afastou ao ouvir o som agudo. Ao encará-lo recebeu um olhar assustado, apesar de ainda conter desejos e sentimentos ali ainda não totalmente externalizados — até então.
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  Quando Aquiles viu o volume na boxer, quase amaldiçoou a regata branca por ser longa o bastante para esconder a cabeça daquilo que ele tinha certeza que estaria a mostra se não fosse ela.
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  — Augusto... — arfou e precisou se segurar na mesa atrás de si para manter o equilíbrio.
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  Passando as mãos nos negros cabelos lisos, Augusto foi até o armário, de onde tirou uma toalha azul marinho e algumas roupas puídas.
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  — Aqui, formosura. Vai, vai tomar banho. Pode levar o tempo que quiser qui eu num ligo, não.
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  — Não quer terminar o que começamos, não?
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  — Querer eu quero. Só não sei se posso. Quero ocê. Demais, mas... Não sei se é certo.
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  De cabeça baixa, Aquiles suspirou fundo antes de quebrar a distância entre eles. Pegou as peças e as colocou em cima da cadeira ao seu lado.
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  — Augusto... Hoje estamos aqui. Sozinhos. Ninguém vai nos ver. — Tocou as pontas dos dedos dele. — Por que não podemos aproveitar isso? — Entrelaçou os dedos de leve. — Esse sentimento é tão bonito. Fica só entre a gente o que acontecer aqui. Tudo bem?
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  Longos segundos se passaram enquanto lutava contra si até decidir qual era a melhor resposta. Por fim, segurou a nuca alva e deu um beijo na testa como resposta, pele bronzeada pela exposição no labor do campo e pele alva pelos estabelecimentos onde costumava frequentar formando um belo contraste.
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  — Tá. Tá bem, sim, meu Aquiles. Só meu.
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  Augusto era um homem simples e foi criado para trabalhar, ganhar dinheiro pelo seu trabalho braçal e obedecer a ordens. E todos esses fatores giravam em torno de um homem: Osmar Navarro.
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  A vida de Augusto estava longe de ser fácil. Para o que lhe era exigido recebia apenas o suficiente. O suficiente para comer, para vestir, para pensar e para obedecer. Não foi criado para questionar ou, Deus lhe protegesse caso chegasse a tal atrevimento, questionar as ordens do seu patrão.
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  Morou com o pai até os dez anos. Anos esses que sofreu na pele os custos da pobreza e da ignorância. O senhor Neves era um tradicional peão do interior. Grosso, de modos brutos e sem sentimentalismos. Não demonstrava afeto e educava seu filho para que assim o fosse. O repreendia ao menor sinal de fraqueza, mesmo que fosse apenas chorar por cortar o dedo ou ralar o joelho.
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  "Homem não tem que chorar igual mulherzinha. Choro foi feito pra muié! Ocê tem que ser macho, garoto! Quer ser motivo de chacota pra essa peãozada? Então engole esse choro e aprenda a ser macho."
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  Assim Augusto foi moldado pela sociedade que o cercava. Lágrimas? Para ele, eram destinadas às mulheres e às crianças por serem mais fracas. Homens, não. Homens deveriam passar por cima de tudo e de todos para alcançar seus objetivos e provarem sua macheza impondo suas vontades por meio da violência e da agressividade, se fosse o caso.
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  Embora não tivesse instrução, algumas coisas ele aprendeu com a vida. Sua mãe era uma mulher simples, porém de coração bondoso. Estudou apenas até os sete anos, então sabia ler e escrever na medida do possível. Porém, quando o marido estava de mau-humor, descontava nela. E num desses acessos de ódio, o senhor Neves teve um ataque do coração — até porque não cuidava da saúde — e morreu logo em seguida. Então o menino, que mal tinha tempo para se divertir, teve de tomar o lugar do pai no emprego e ir trabalhar junto aos peões.
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  A mãe decidiu se mudar para a cidade vizinha à medida que o envelhecimento se tornava mais aparente e a saúde exigia mais cuidados. Encontrou abrigo na casa de uma irmã, onde chegava dinheiro todo mês, enviado pelo filho. Estando sozinho, sem amigos e sem família, precisava de uma figura paterna para admirar e depositar seus sonhos. E essa figura não demorou a surgir. Osmar Navarro, com toda sua imponência, autoridade e força, era tudo o que Augusto desejava ser um dia — um verdadeiro homem respeitável.
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  Todos esses conceitos iam bem até conhecer Aquiles. E foi onde, pela primeira vez na vida, conheceu o que seria o amor. E é claro que isso o desmontou completamente. Nunca sentira esse sentimento por alguém, portanto vivia num conflito interno há meses desde que, aos poucos, permitiu que aquela formosura entrasse na sua vida.
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  Foi esse amor que o fez entrar na sua caminhonete armado e buscar o cantor aos tiros. Por outro lado, foram os dogmas impostos que o fizeram ir até o banheiro para fechar a porta. Afinal, Aquiles havia entrado para tomar banho e havia avisado para ele que a porta precisava ser trancada, do contrário, abriria sozinha.
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  Enquanto a fechava, olhou para frente. Na sua concepção os desejos que sentia pelo outro eram errados, mas foi impossível não se manifestarem quando o viu no box.
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  Estava de costas e a água caía-lhe sobre a pele alva. Terminava de lavar os últimos resquícios de espuma dos cabelos distraído enquanto cantarolava baixinho uma canção lenta. As costas eram convidativas e aquela cena tão íntima fez Augusto se segurar na madeira para não adentrar e se juntar ao amigo. Desceu os olhos devagar, apreciando o momento. A cintura levemente mais fina fez a sua mão coçar com saudade se perguntando qual seria a textura da região nua e molhada contra a sua palma áspera. Quando abaixou ainda mais o olhar... Não poderia ter uma visão mais bonita. A bunda de Aquiles era lisa, redonda e protuberante — completamente proporcional ao seu tamanho.
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  Augusto adoraria tocá-lo ali, debaixo do chuveiro. Tirar as próprias roupas e fazer o que mais ansiava — e a protuberância entre as pernas era um sinal claro da sua volúpia. Precisou se esforçar para finalmente encostar a porta e se afastar dali.
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  Quando Aquiles saiu do banho, usava a camiseta cinza de Augusto. O que deveria esconder apenas o tronco se estendeu até o meio das coxas pela diferença de tamanho. Quanto a roupa íntima... Bem, o garçom estava longe de ter proporções pequenas, mas, comparado ao capataz, era menor. Então não tinha mais nenhuma peça para esconder a nudez — o que não era um problema.
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  Encontrou Augusto deitado na cama, com as mãos cruzadas sob a cabeça.
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  — Eu disse que caberia nocê — comentou num meio sorriso, apoiando os cotovelos no colchão.
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  — Só ficou um pouco grande em mim, mas não tem problema, não. — O rosto alegre transmitia leveza. — Está bonitinho em mim, não é? — Balançava o quadril de um lado pro outro, num misto de humor e inocência.
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  — Tudo cai bem nocê. Eu é que num sei me vestir e só tenho roupa pra trabalhar. Nem bonito sô.
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  — Não fala assim. — Se ajoelhou ao lado da cama, de frente pra ele. — Você só não foi ensinado a se arrumar. As suas preocupações vão muito além da vestimenta, que torna o assunto até superficial. E está longe de ser feio. É um homem bem atraente.
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  — Ocê só fala isso por ser meu amigo. — A voz tinha um tom melancólico, como se o tema trouxesse lembranças dolorosas.
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  — Você é importante pra mim o suficiente pra eu não mentir pra você. — O segurou no pulso. — Vem, levanta. Quero mostrar uma coisa.
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  O menor o colocou em frente ao espelho da porta do armário, onde poderia se ver de corpo inteiro.
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  — O que vê no reflexo? — indagou, fora do campo de visão, de modo que a sua imagem não refletisse.
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  — Eu vejo eu.
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  — E quem é você?
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  A pergunta o deixou desconfortável. Nunca o haviam questionado sobre a sua personalidade — e não gostava de citar as características.
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  — Um imbecil ingnorante, como o patrão me chama. Meio feinho, inté. Não dá pra confiar proque não sabe fazer nada direito. E burro. Quem num faz nada direito é burra, né? — Encolheu os ombros em sinal de abatimento.
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  A resposta partiu o coração do garçom. Descobrir que a imagem de Augusto sobre si não tinha um pingo de amor próprio o ajudou a compreender o motivo dele se desmerecer tanto. Não duvidava que tivesse tido acesso ao mínimo para sobreviver — casa, comida, água e roupas. Mas o que poderia ajudá-lo a construir algo de melhor com aquilo que lhe foi entregue, sem sombras de dúvidas, sequer teve a oportunidade de Augusto ter contato — amor próprio, senso de "eu", afeto e educação.
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  De braços cruzados, procurou afastar as lágrimas que teimavam em se formar e disse, numa voz doce:
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  — Sabe o que eu vejo? — Aproximou-se, ficando ao lado dele. — Um homem rude e bruto porque precisou se endurecer emocionalmente, já que a sociedade ao redor o exigia ser assim. Uma pessoa esforçada e trabalhadora, que faz o seu melhor para manter o emprego. Alguém atencioso. Do contrário, não enviaria dinheiro para a mãe, que mora em outra cidade. — Começou a percorrer os braços dele com as pontas dos dedos. — Um homem alto e de corpo atraente devido aos músculos desenvolvidos no trabalho. — Passou por detrás de Augusto, devagar, depositando leves beijos pelas costas largas e descansando as mãos no firme quadril. — Um ser humano de olhos profundos que escondem as emoções, e de cabelo liso que contrasta com essa imagem forte e traz um toque de leveza. É assim como o vejo, querido.
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  Era a primeira vez que Augusto era descrito com tamanha bondade. Não estava acostumado a isso, mas sim aos gritos, mandos, desmandos e às ofensas. A última vez que recebeu uma palavra de carinho foi na infância, e mesmo assim, da mãe. A constatação trouxe um nó na garganta pelos sentimentos que o outro lhe despertou com as palavras. Era bom ser tratado com gentileza — benção que a vida não lhe entregou.
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  — Pode não ter recebido muito amor nessa vida, Gusta — finalizou Aquiles, virando o rosto do capataz de encontro ao seu pelo queixo —, mas, se permitir, eu posso te proporcionar isso.
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  O silêncio entre ambos se instaurou. A maneira de Augusto mostrar seus sentimentos era, de forma inconsciente, se remexer, como se houvesse uma energia circulando pelo seu corpo e a maneira do organismo dissipá-la era o cérebro mandando informações para que as articulações não ficassem paradas.
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  Naquele momento ele era a perfeita imagem de quem não sabia lidar com suas emoções e sentimentos. O nó na garganta aumentou, os olhos marejaram — embora nenhuma lágrima tenha descido — e a respiração se tornou pesada. Lutava com todas as forças para não expressar o que carregava no íntimo — o forte abalo que o amigo lhe gerou com as palavras. Foi ensinado aos gritos que homem não podia demonstrar fragilidade e nem o ser. Aquilo era o resultado dessa aprendizagem.
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  Vendo-o naquele estado, sussurrou, segurando o rosto com as destras:
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  — Você está seguro comigo. O que houve? Pode contar pra mim.
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  As palavras saíram roucas pela voz embargada:
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  — É que eu não sei como reagir.
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  O menor secou com delicadeza uma lágrima solitária que teimou em descer pelo rosto bronzeado.
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  — O que quer fazer?
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  — Abraçar ocê.
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  — Pode abraçar.
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  — Posso, mesmo? — Soou como uma criança pedindo colo.
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  — Sim.
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  O peão envolveu os braços ao redor do amigo numa urgência que fez Aquiles arfar quando o rosto encontrou o peitoral musculoso. Sentia o coração dele batendo forte contra o peito e também que as armaduras postas ao redor do homem amado caíam aos poucos naquela noite, uma por uma.
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  Após longos minutos ali, onde Augusto se permitia demonstrar a sua fragilidade emocional perante a única pessoa que realmente se importava com ele sem desejar nada em troca, o segurou de surpresa pelas coxas e o ergueu até ficar em seu colo, as pernas circulando a cintura.
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  Aos risos, reclamou:
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  — Me avisa quando for me levantar pra me segurar melhor.
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  A face marcada pelo labor demonstrou confusão e um toque de malícia quando sentiu que o outro não usava nada por debaixo da camisa cinza.
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  — Formosura... Ocê num deixa de ser safada, né, dona Augusta? — Roçou o dedo na bunda empinada que sempre quis tocar.
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  A centímetros do rosto do outro, respondeu, acariciando a barba:
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  — É só o meu jeitinho de ser e é o que deixa tudo mais interessante. — Se aproximou até as bochechas se encostarem e poder sussurrar numa confidência íntima em sua orelha: — Até parece que não gostou de me ver tomando banho. Achou mesmo que esqueci de trancar a porta como me explicou? — Mordiscou o lóbulo.
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  — Ocê gosta de me atanazar as ideia, né? — Sentou na cama apoiando as costas na cabeceira de madeira para ficar mais confortável e sentir melhor Aquiles no seu corpo.
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  — Eu sei que você adora isso. — Mudou o tom de voz, se tornando mais sério. — Augusto, eu não vou fazer nada que não queira. A minha vontade é de aproveitar essa noite da melhor forma, mesmo que a gente só continue assim, abraçado. Mas... Seja sincero. Pra você isso é suficiente?
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  — A verdade, memo?
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  — É.
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  Balançou a cabeça em sinal negativo.
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  Não queria dar pauta para o tema, mas nunca havia tido essa troca de afeto com alguém antes. Aquiles foi o primeiro a lhe tocar as mãos, abraçar, beijar o rosto e acariciar a pele como demonstração genuína de carinho. Da outra vez, quando ainda era um garoto que começava a ganhar corpo de homem, não foi assim. Não havia vontade da parte dele, apenas reações físicas de um corpo cheio de hormônios juvenis que se excitava com facilidade. A mulher sequer lhe despertava interesse. Foi apenas para afirmar a sua macheza e se transformar num homem em todos os sentidos da palavra perante aqueles que o cercavam e pressionavam para isso.
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  — Eu queria que fosse suficiente, ma num é. Tenho vontade de fazer outras cousa. — Deslizou a mão áspera até alcançar a face do outro e sentir o lábio carnudo contra o dedo indicador. — Cousa essa que eu me seguro pra não fazer com ocê porque...
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  Perdeu a linha de raciocínio quando o garçom abriu o maxilar para colocar o dedo grosso dentro da boca. A visão junto com a sensação da língua macia de Aquiles fez o sangue esquentar e se direcionar para um ponto específico entre as pernas.
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  Foi impossível Aquiles não sentir que algo crescera ali, tornando-se rígido e aumentando de volume. Despretensioso, mas não tão despretensiosamente assim, remexeu os quadris, como se buscasse se acomodar melhor no pequeno espaço. Como resposta, um braço lhe envolveu a cintura e as narinas de Augusto se dilataram enquanto o queixo caía de leve em reação ao prazer reprimido. Foi o sinal que Aquiles aguardava e lhe encheu de coragem para dar o próximo passo.
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  — Augusto... — Engoliu em seco para afastar a apreensão. — Antes de ser homem, você é um ser humano. — O olhar era tão intenso que o capataz não quis desviar a atenção dele nem um segundo sequer, quase hipnotizado. — Assim como todo e qualquer ser humano tem sentimentos e desejos. — O coração acelerado do menor, e as extremidades trêmulas denotavam ansiedade e nervosismo. — Mais importante do que é considerado certo ou errado, a pergunta mais relevante é: O que você quer fazer agora?
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  — Eu... — murmurou, quebrando a pequena distância que os separava. — Eu quero...
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  Aquiles não se moveu um centímetro. De pálpebras baixas e os lábios entreabertos, aguardava o toque do homem que lhe arrancava suspiros.
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  Desde Marcos, nunca sentiu que alguém se importava com ele no aspecto amoroso. A falecida Candelária, Luana, Zeca e os demais membros do bar eram considerados sua família, cada um com uma história diferente de como foi parar lá — umas bem trágicas, outras nem tanto. Quando surgia algum homem gay lá, nunca queria ser visto acompanhado pelo garçom. Era sempre escondido e sem sentimentalismos. Não havia contato real. Às vezes nem sabia o nome de quem se apresentava para ele. Afinal de contas, Pedaço do Céu era uma cidade interiorana do Rio de Janeiro. Pessoas do interior costumavam ter a mente mais fechada e tradicional — consequentemente a serem hipócritas por pregarem algo, mas, às escondidas, fazerem tudo aquilo que condenavam. Não podia esperar outra postura dos homens de lá.
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  Foi por esse motivo que não estranhou quando os primeiros encontros com Augusto foram no meio do mato, longe de olhares curiosos e julgadores. Se acostumou a isso, afinal. Quando os encontros passaram a ser a luz do dia, em frente ao bar, na porta do Night Club e dentro do estabelecimento lotado, compreendeu que as coisas estavam mudando aos poucos entre os dois. Pela primeira vez pôde também baixar a guarda sobre suas emoções. Antes tinha plena consciência de que jamais poderia envolver sentimentos com quem se deitava. Era mais para extravasar, ganhar um dinheiro extra e deixar essa energia se esvair. Agora? Almejava por mais. Abraços, mãos entrelaçadas e carícias. Já tinha em poucos momentos mais afetuosos, mas talvez o mais velho não estivesse completamente entregue ainda.
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  A espera de Aquiles por sentir o beijo de Augusto chegou ao fim numa frustração que chegou a doer o coração, tamanha a decepção. Esperava que finalmente o outro se entregasse e podia ver o quanto o homem queria aquilo. Tantos momentos desperdiçados, tantos toques e carícias que poderiam se dar ao luxo de usufruir há meses eram sempre negadas por parte do jagunço. Fosse por medo, tristeza, preconceito ou crença, era ele quem sempre se afastava do que poderia ser uma linda história para os dois. As oportunidades foram vastas para concretizar e dar mais substância para os sentimentos que tinham — Aquiles se dava conta naquele milésimo de segundo o quão mais satisfeitos estariam caso Augusto tivesse coragem suficiente para avançar em relação ao mais novo. Inúmeras foram as noites onde o garçom fantasiou antes de dormir no que aqueles momentos de carinho tímido poderiam se tornar caso o outro tomasse a decisão de se permitir.
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  Sem alternativas e com o âmago implorando por um afeto que talvez jamais fosse receber, fechou os olhos se dando por vencido e assimilando a informação. Só então notou as lágrimas formadas e o nó na garganta por segurar o choro. Lentamente desviou o rosto, imaginando que não aconteceria nada.
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  Para ele, tudo ao longo da vida precisou ocorrer às escondidas para não ter problemas. Mesmo quando chegou em Pedaço do Céu, por ser uma cidade do interior, as pessoas, principalmente os homens, tinham uma mente mais fechada. Alguns que iam no Night Club já chegaram a subir para o quarto com Aquiles após pagar o valor do programa — e isso acontecia após a bebida tirar por completo a inibição deles. No dia seguinte? Sumiam. Três quase tentaram bater nele só por terem passado a noite juntos e precisou da intervenção das demais meninas do bar para não sair machucado. Por isso aprendeu a colocar o despertador do celular às cinco da manhã para acordar primeiro e não ser pego desprevenido. Por esses motivos tinha até se acostumado à ideia de que não teria algo sólido, embora o desejasse profundamente. Quando conheceu Augusto e começou a se aproximar aos poucos, essa ideia foi colocada pra escanteio e a esperança de ser tratado com dignidade ascendeu no íntimo. Não que fosse indigno ou que não se amasse, porém... Era difícil ser enxergado ou amado pelos homens da região como a pessoa que poderia partilhar a vida ao invés de uma transa furtiva no meio da noite.
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  Aquiles foi surpreendido no último segundo. Quando menos esperou, Augusto decidiu tomar uma atitude mais firme. O segurou nos cabelos e encostou os lábios nos seus. Estava tenso, como se ainda lutasse contra uma voz que lhe dizia que era errado se entregar aos seus anseios. Porém, quando sentiu os lábios de seu Aquiles, a voz desapareceu, restando exclusivamente aquela sensação deliciosa do beijo.
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  O mais velho abriu os lábios o suficiente para aprofundar o ósculo, deslizando devagar a língua até sentir a do outro, que arfou com a atitude. Tomando essa reação como algo bom, repetiu mais vezes. Adorou o momento. Dar e receber amor pela primeira vez causava uma forte emoção no coração daquele que já até havia cometido crimes à mando do patrão latifundiário. Ali compreendeu que poderia lidar com qualquer coisa. A vida não lhe foi fácil, então precisou criar uma couraça que não seria rompida facilmente — exceto se algo acontecesse com Aquiles ou se o mesmo sofresse. Queria e iria protege-lo independente do que custasse. Mesmo que não soubesse o nome desse sentimento que carregava no coração, por enquanto, bastava.
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  Apertava o corpo macio e quente por onde as ásperas mãos passassem. O corpo firme aumentava ainda mais o desejo durante o luxurioso beijo carregado de emoção, principalmente pela falta de roupas de ambas as partes. Queria mais. Pele com pele. Foi o que o motivou a deslizar as mãos por dentro da camisa cinza, deslizando as palmas com afinco por cada centímetro que conseguia encontrar. Ombros, braços, costas, coxas... Onde alcançava, deixava uma trilha de fogo sobre as carnes do seu cantor enquanto o envolvia num abraço doce.
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  Não soube distinguir quanto tempo se passou enquanto um explorava o corpo do outro. Só se separou ao sentir um sabor salgado na boca e se assustou ao se deparar com lágrimas brilhantes descendo pelos olhos de quem amava.
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  — Aquiles... — Sequer conseguia disfarçar a urgência na voz, transmitindo preocupação. — Ocê tá bem? Te machuquei?
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  — Não — sussurrou antes de beijar a destra, que estava descansando no rosto. — Eu estou feliz.
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  — Por isso tá chorando?
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  — É que tem tempo que espero por isso. Muito — confessou. — Achei que nunca fosse chegar esse momento.
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  — Eu vou te compensar hoje. — Segurou a barra da camisa e a ergueu até ficar na altura do umbigo. — Ocê me deixa tirar?
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  A resposta foi um sorriso do garçom capaz de iluminar a face. A camisa foi retirada num único movimento fluido.
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  Deu um selinho antes de explorar o pescoço lívido, região que já sabia que Aquiles tinha maior sensibilidade. Como imaginava, recebeu arranhões pelos ombros e pelas costas em sinal de aprovação — e Augusto descobriu que gostava não apenas de receber, mas também de ser o responsável por essa demonstração genuína de prazer.
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  Mas... Ainda não bastava. O queria ver chegando ao ápice, o corpo contraído, o gemido agudo escapando das cordas vocais, a expressão facial... Ser o autor do orgasmo de Aquiles. Sua formosura.
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  — Formosura, senta de costas pra eu.
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  — Por quê? — indagou contra a boca dele.
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  — Ocê vai gostar. Confia em mim. — A voz maliciosa trouxe uma expectativa boa.
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  O jagunço o ajudou a se virar e abriu as pernas para acomodá-lo melhor. O menor descansou as costas sobre seu peitoral. Agora tinha livre acesso ao corpo que descobriu apreciar tanto.
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  Voltou a estimulá-lo no pescoço enquanto as mãos se concentravam no quadril fino, apenas apertando de leve algumas vezes em sinal do que realmente planejava e ia fazer. Aos poucos subiu os lábios até encontrar o lóbulo da branca orelha esquerda. Ao passar a língua na região, se deliciou com o arquejo e os arrepios produzidos. Notando que aquela área era ainda mais sensível, permaneceu ali durante um longo tempo, onde pôde desfrutar dos arquejos e das reações corporais de Aquiles, que, naquela altura do campeonato, já tinha perdido total controle dos movimentos do torso.
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  Vendo-o tão entregue, foi o momento perfeito. Sem aviso, passou a mão direita em direção ao centro de Aquiles até segurar o pau. Demonstrou gostar da grossura, deslizando a língua diversas vezes naquele pequeno pedaço de carne da orelha enquanto começava a masturba-lo.
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  Aquiles, por sua vez, não suportou tantas investidas calado por muito tempo. Soltou um agudo gritinho que foi abafado pela mão esquerda de Augusto.
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  — Shiiii... — disse baixinho em sua orelha. — Não quer que achem nós aqui, né?
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  — Não.
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  — Promete pra eu que ocê vai ficar quietinho? Se não vou ter que parar. — A última parte era brincadeira. Nunca iria interromper o que estava havendo ali.
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  Fez um muxoxo quando Augusto diminuiu a velocidade da masturbação.
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  — Para, não — pediu manhoso.
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  — Promete que jura que não vai fazer barulho alto? — Havia um ar leve de divertimento.
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  Adorou vê-lo implorando para receber prazer daquele jeito.
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  — Prometo.
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  — Lembra. Baixinho.
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  Retornou a velocidade anterior espalhando carícias pelas áreas onde mais o outro tinha sensibilidade. Foi necessário usar a outra mão para segurá-lo pelo tronco de tanto que se remexia na cama. Percebeu que ele se aproximava do ápice quando a respiração se tornou mais pesada, a cabeça era jogada para trás e apertava com mais força as unhas na pele bronzeada dos braços. Se antecipando, tampou novamente a boca carnuda antes do grito escapulir quando murmurou com a voz grave:
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  — Goza pra mim.
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  O orgasmo foi tão intenso que cravou as unhas nos braços do capataz dos Navarro sem se dar conta. Os olhos fecharam com força, o corpo estremeceu, a boca formou um O e franziu o cenho quando os jatos saíram pelo membro. O amante não cessou os movimentos até sentir Aquiles completamente relaxado sobre si.
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  — Gostou, né? — Esfregou o nariz nos cabelos macios. — Tá todo molinho agora — disse satisfeito.
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  — Sua mão é muito gostosa. — Virou o pescoço para encará-lo. — Viu como pode ser bom quando se deixar levar? — Esticou os dedos para acariciar a barba negra.
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  — Ma só é bom porque tô com minha formosura.
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  — E isso porque...
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  — Ocê me faz bem — murmurou, a voz mais grave que o comum. — Inté tá me ajudando na escritura e leitura.
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  — Escrita — corrigiu gentilmente.
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  — É. Escrita. Por que ocê é tão bão pra mim? Nem lembro qual qui foi a última vez que alguém me ajudou.
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  — Eu me importo contigo.
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  Se desvencilhou dos braços momentaneamente enquanto retornava à posição anterior, no colo do capataz. Retirou a regata sem cerimônia em seguida, se deparando com o peito musculoso que adorou ver quando o encontrou sem roupas ao acaso no rio, aproveitando a água para se banhar após horas de trabalho. Ainda se perguntava se o fato de Augusto sair da água para apanhar as roupas era uma maneira para lhe chamar a atenção — principalmente depois do sorrisinho formado nos lábios ao notar como o short do amigo se tornou apertado.
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  Deslizou as mãos nos braços fortes até alcançar os ombros, onde as repousou.
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  — Eu gosto de sentir você assim. O sentimento que carrego não é só de amizade. E eu sei que você não me considera um amigo. É mais profundo do que isso.
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  — Como cê sabe? Sempre tentei ser discreto.
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  — Você foi me buscar na base do tiro. Soube que chegou na rodoviária aos berros e com arma em punho gritando onde era a embarcação do meu ônibus de viagem. Quem faz isso só por um amigo? Dá pra perceber. Não adianta esconder ou mentir para as pessoas. A gente se importa com o outro, cuida um do outro e sente falta um do outro. Um já se acostumou aos toques e abraços do outro. E isso tudo porque... — Espalhou beijos de leve pela bochecha até alcançar a orelha. — Porque a gente se ama. Deita na cama. Deixa eu cuidar de você.
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