Interlocking Hearts
Liana | Revisada por Andressa
Prólogo
Você esta vendo aquele cara ali? O que está sentado sozinho no restaurante vazio? O gostosão de cabelos ruivos e barriga tanquinho? Esse cara mesmo que agora está chorando, parecendo um maricas total?
Esse cara sou eu!
E vou logo dizendo que aquele não é um dos meus melhores momentos.
Chamo-me Christian, e não, eu não tenho nenhum quarto vermelho. Ainda com 27 anos, sou vice-presidente das indústrias L&S e moro na região sul de São Paulo. Apresentações feitas, agora vamos ao que interessa.
Por causa da minha infeliz rica família, fui submetido a experiências científicas quando tinha 17 anos, e dês dos 18, não tenho uma ereção. Como da para perceber eu não gosto muito de falar disso, mas de qualquer jeito você descobrirá o resto no decorrer da historia.
No momento o que tenho a dizer é...
BEM VINDO(A) A VIDA DE CHRISTIAN DONATO.
Capítulo 1 – A Balada
Eu não sei por que ainda venho à balada, as únicas coisas que encontro aqui me deprime mais ainda, mulheres bonitas, vadias e casais na fase "lua de mel", porém meu bom e velho amigo Jackson, que odeia o nome dele e prefere ser chamado de Jack, acaba sempre me arrastando com ele para cá, a fim de encontrarmos a mulher que vai fazer meu pau funcionar novamente, mas isso nunca acontece.
Sou subitamente interrompido dos meus devaneios, pela voz animada de Jack:
– Chris, acorda homem! Olhe ao redor e veja quantas "chicas" estão te dando o maior mole.
Olho e faço uma varredura do local, tem as luzes brilhantes piscando, a música Scream de Usher tocando nas alturas, o escuro, as pessoas dançando, o cheiro de suor e cerveja barata no ar, então meu olhar para em uma provável vadia ruiva, com um cinto no lugar do short, vindo em minha direção. Faço uma contagem mental de 1 até 10 até que escuto a voz pingada de sedução barata:
– Olá, gostosão, um homem como você não deveria ficar sozinho a noite toda.
Rolando os olhos, respondo secamente:
– Não vai rolar.
Ignorando a minha informação, ela desliza no meu colo e passa a mão no meu jeans.
– Pra você eu nem vou cobrar.
Frustrante, serio.
– Olha, moça...
Fui interrompido com o som do meu zíper sendo aberto e ela enfiando a mão na minha box procurando meu pau, que está flácido, claro, mas ela não precisa dessa confirmação.
Puxo sua mão e digo friamente:
– É melhor você ir embora, ou chamarei os seguranças.
Ela me lança um olhar tremulo e sai correndo como se o próprio diabo estivesse atrás dela.
Enfim paz.
Procuro Jack para xingá-lo até os miolos dele estourarem e o encontro saindo com duas loiras peitudas, ignoro a súbita pontada de ciúmes que a visão me dá. Nossa, maravilha de amigo aquele sacana é.
Suspiro e de repente sinto um cheiro maravilhoso, hum? Olho para o lado e vejo uma morena com curvas, peito acentuado e cabelos negros cacheados, porém não sinto nenhum desejo.
Balanço a cabeça e grito para o barman:
– Vodca dupla, com gelo.
– Eu quero um gim com tônica e duas cervejas geladas, por favor.
Que voz linda, com certeza é encantadora de homens. Resolvo quebrar o silêncio.
– Gim com tônica? Em São Paulo? É tão raro quanto uma morena na região sul.
Olhos cor de avelã piscam surpresos em minha direção, mas ao invés de fazer uma avaliação minha, ela diz:
– Eu vim de Salvador. E você está pedindo vodca e mora na região sul, cada um com suas preferências, não?
– Desculpe, eu estou tentando ser amigável aqui. - Levanto as mãos em sinal de rendição.
– Desculpe também, não queria parecer rude. Estou aqui para comemorar meu novo emprego, e o gim é porque eu curto bebidas chiques.
Sorrio.
- Eu também curto bebidas chiques. Você disse que veio de Salvador? Lá não é o lugar dos pagodeiros e desordeiros?
– Você fala como se ser pagodeiro fosse um crime. Eu não julgo as pessoas antes de conhecê-las, você deveria tentar fazer o mesmo, porque isso pega muito mal. - Eu pareço tê-la irritado.
– Não quis ofender, desculpe novamente. Espera, acabei de reparar que nos conhecemos a mais ou menos cinco minutos e eu já te pedi desculpas mais vezes do que a qualquer um em toda a minha vida. - Começo a rir - Depois dessa, pelo menos deixe me apresentar, chamo-me Christian e você é?
- Sou Sophia. - Ela sorri. Hu? Ela está curtindo uma com a minha cara? Resolvo entrar na brincadeira.
– Ha! Que decepção, pensei que seria a minha Anastásia. - Coloco a mão no coração, fingindo sofrimento.
– E você tem algum quarto vermelho?
– Felizmente não, sinto muito aos fãs de "Cinquenta Tons de Cinza", mas eu não gosto de cinza ou de chicotes. Só que respeitar o gosto dos outros é essencial. Você é uma apreciadora da obra?
– Eu acho CG lindo e tudo mais, só que prefiro o estilo do livro Amos e masmorras ou Belo desastre, embora claro que eu tenha algumas restrições próprias.
– E quais são essas restrições? - Eu estava verdadeiramente curioso.
– São secretas... - Ela sussurra.
– Hu, hu. Vá curtir seu novo emprego. Eu ficarei aqui com a minha bebida.
– Noite difícil?
– Vida difícil. E além do mais, meu suposto melhor amigo acabou de me trocar por duas loiras. - Respondo fingindo estar profundamente magoado, ou talvez não totalmente fingindo.
– E você deve estar profundamente ferido com isso, mas veja pelo lado, ele vai ter uma boa transa.
– E qual é o lado bom disso? - Franzo o cenho preocupado.
– Você ficar sabendo dos detalhes mais tarde, dã. - Ela faz parecer como se isso fosse para ser óbvio.
– Não, eu não quero saber os detalhes das transas de Jack.
Fico inquieto só de imaginar.
– E se for os detalhes de outras transas?
- Estou aberto a possibilidades. - Pisco para ela.
– Legal. Sabe, você não parece um paulista, fala direitinho, sem sotaque.
– Você também não tem sotaque baiano.
– Já me disseram isso, é péssimo, eu sei. E ei... Você lê livros? - Ela me olha chocado.
– Não fique me olhando com essa cara de espanto não, eu leio às vezes, apenas me jure não contar para ninguém.
– Juro, embora não ache nada errado em um rapaz como você ler livros. Então você já leu o livro "Cinquenta Tons"?
– Primeiro, eu não sou um rapaz, tenho vinte e sete anos. Segundo, eu tive que ler o livro "Cinquenta Tons", já que vivo rodeado de piadinhas com o meu nome.
– Ah, eu pensei que você fosse mais novo. Eu tenho vinte e um anos. E sinto muito, deve ser trágico para você, viver sob a sobra de um personagem literário.
– Ra ra, muito engraçado. De qualquer jeito, eu não ligo mais para minha aparência, então tanto faz.
– Como? – Ela diz perplexa.
– Como o que?
– Como você não liga mais para a sua aparência, você é muito bonito, desculpa dizer.
Gosto de saber disso. Não me leve a mal, eu sei que sou bonito, só não me importo mais com isso, já que o meu pau deu pau.
– Não importa. Conte-me... Você tem vinte e um anos, ainda está na faculdade?
– Hum... Sim, estou cursando psicologia, mas também fiz um curso técnico de administração... E não sei por que diabos estou dizendo tudo isso a um estranho.
– Ei, eu não sou mais um estranho, já nos apresentamos, já brigamos, já nos desculpamos e fique tranquila, seus segredos estarão a salvo comigo.
Ela de repente arregala os olhos e diz:
– Meu deus, minhas amigas devem estar pensando que fui sequestrada ou algo assim!!
– Acalme-se, elas também podem estar pensando que você achou um encontro quente. - Lhe dou uma piscada - Me passe seu celular.
– Isso é um roubo? Porque se for, eu tenho que dizer que você é um péssimo ladrão.
– Se eu fosse um ladrão, eu não roubaria você, mas já que eu não sou um de qualquer jeito, quero seu celular para colocar meu número nele e você pode fazer o mesmo com o meu. Precisamos manter contato.
– Precisamos?
– Claro, agora deixa de enrolar.
Trocamos os nossos números e ela pergunta:
– Olha, você quer que eu te apresente a alguns amigos meus?
Franzo o cenho e digo:
- Como é que é? - Segundos depois, compreendo - Oh, não, eu não sou gay, desculpe decepcioná-la.
Ela cora. CORA!! Quem ainda faz isso hoje em dia? Tão malditamente doce.
– É... Então... Sinto muito. Agora preciso mesmo ir, até logo, garotão.
– Até muito logo se depender dos meus serviços.
Ela pisca para mim, pega seu pedido, joga dinheiro no balcão e se mistura a multidão.
Suspiro, ela pode ser uma boa amiga, eu curiosamente gosto seu jeito.
Tomo o resto da minha bebida, pago, me levanto e vou para o estacionamento pegar a minha moto. E meu último pensamento antes de pisar no acelerador, é sobre como começar uma amizade com a doce Sophia.
Capítulo 2 - Surpresa Dupla
TOC TOC TOC.
O que... Que porra de barulho é esse?
Levanto a cabeça e vejo tudo rodando, onde estou mesmo? Ha, lembrei, eu cheguei em casa ontem, tomei mais vodca e capotei na cama.
TOC TOC TOC.
Mas o que... Olho para o despertador 7:00 AM.
Pulo da cama e me preparo para matar quem está batendo na minha porta tão cedo em um domingo.
Chego na sala e escancaro a porta, furioso, para me dar de cara com... A minha mãe.
– Filho, isso são horas de se estar dormindo? - Martha, a megera, entra na minha casa sem a menor descrição. - Você passou a noite na balada de novo? Porque tudo aqui cheira a bebida.
Caralho, que dor de cabeça.
Dizem que eu e a minha suposta mãe somos quase idênticos, mesma cor de cabelo, mesmos olhos, mesmo tom de pele, só não somos totalmente parecidos, porque ela se veste como uma velha, sempre de terno cinza, arrg, e porque eu tenho caráter, ela não.
– O que você quer?
– Isso não são modos de me tratar, mocinho. Eu vim aqui para lhe informar que já que as experiências com o Dr. Robert não funcionaram conforme achei que funcionaria, você irá se casar com Gisele com ou sem um sistema reprodutor funcionando.
Eu avisei que a minha “mãe” é uma piranha? Agora você sabe o porquê da minha família ser disfuncional ao extremo.
– Ham? Você veio me informar que eu vou me casar? Que direito você tem em tentar mandar na minha vida? E casar com quem mesmo? Giovanna? Quem diabos é Giovanna?
– É Gisele, e ela é uma mulher adorável. Você pode não se lembrar dela, mas ela é linda, rica e talvez faça você voltar ao normal.
– Eu sou normal. Quem não é normal é você, mãe desnaturada, que manda fazerem experiências no filho de dezessete anos por dinheiro sujo.
Suspiro e me jogo no sofá.
– Modos! Modos! Eu não te ensinei...
Interrompo-a e digo no mesmo tom petulante:
– Você não me ensinou merda nenhuma, passei a minha vida toda em internatos ou sendo cuidados pelas empregadas, lembra? Ou precisa que eu desenhe, mamãe querida?
– Filho, eu não sabia das consequências daqueles medicamentos experimentais, mas eu e o seu pai precisamos que você case para continuar o legado da família Donato, e Gisele é perfeita para o cargo.
Ela sempre usa esse tom enganosamente doce quando quer algo impossível de se ter. Que mulher mais... Canalha.
– Quer saber de uma coisa? Eu vou voltar a dormir, pois nos meus sonhos eu não preciso ouvir lenga lenga e papinho de pessoas como você. Ligue-me se o caso for de vida ou morte e saia do meu apartamento antes que eu te tire a força, e eu não quero ter que sujar as minha mãos com você.
– Você se casará com Gisele, Christian, nunca duvide.
Quando me levanto do sofá para voltar a minha caminha, meu telefone toca.
Olho ao redor e só consigo ver meu sofá preto, minha mesa de mogno, minha TV 42, meu videogame e minha decoração branca sem graça.
Remecho umas roupas no chão, acho meu celular e só atendo ao ver o nome JACK piscando na tela.
– O quê? - Atendo irritado.
– Deixa de mau humor, ta rolando alguma coisa ai?
Suspiro e conto sobre a visita de Martha.
Jack assobia. - Ruim pra você, mano. Ela é totalmente capaz de te sequestrar para te casar. Lembra-se do lema deles "Imagem é tudo"?
– Como lembro. Da saudade da época em que eu era o Christian-Rottweiler no ensino médio. - Me deprimo mais uma vez.
– Bons tempos aquele, que o seu pau funcionava e você e eu fazíamos a dupla do barulho comendo as novinhas.
Sorrio. - Jack, Jack... Você não comia ninguém no ensino médio, meu chapa, se me lembro bem, você era um nerd metido a boiola.
Silêncio na linha, então Jack pigarra. - Foda-se. Eu estou indo ai, hoje é dia da pizza. - Grunho. - Ta maluco? São sete e quarenta da manhã. Eu vou é dormir até às duas da tarde.
– Te vejo às onze horas. - Ele canta e então a linha fica muda.
Ele desligou na minha cara, o desgraçado.
Passo a mão no meu cabelo e me jogo de novo no sofá.
De repente a imagem de Sophia aparece na minha mente, eu sorrio e começo a ser puxado pelo paraíso dos sonhos.
.............................................................................................
Mais tarde, acordo com o som da minha porta sendo metralhada pelas batidas de Jack. Levanto-me e abro a porta, resmungando sobre como é ruim ter ele como amigo e vou para o meu quarto tomar um banho e escovar os dentes.
10 minutos depois, termino de me arrumar e resolvo ligar para Sophia, alguém tem que tomar o primeiro passo, não é?! Disco o número e escuto:
– Quem é?
– Eu podia jurar ter colocado o meu número no seu celular. Sou eu, baby, Christian.
– Olá, Sr. Grey. A que devo a honra?
Por que eu tenho mesmo que suportar essas piadinhas?!
Rosno e digo:
– Touché.
– Qual o motivo da sua ilustre ligação?
– Ilustre ligação? Estou me sentindo privilegiado agora. Sei que você não esperava que eu ligasse.
– Então ligou por quê? Está morrendo? Está doente? Matou alguém?
– Você só desejando o mal para mim, que trágico. Liguei para saber se você quer vir aqui na minha casa agora, para o dia de pizza.
– Dia de pizza? Na hora do almoço?
– Não fale, foi Jack, um amigo meu, que criou esse dia e cá entre nós, ele não é bem normal. Temos pizza de mussarela, calabresa, portuguesa e quatro queijos.
– Hum rum... Sempre temos amigos desparafusados, faz parte. E eu como de tudo, de pizza até chocolate. Então eu topo o desafio, onde você mora?
– Você sabe comer bem, mas e as calorias? Mulheres não sou loucas por dietas? E eu coloquei ontem meu endereço no seu celular, apenas ligue o GPS.
– Seu intrometido!! E eu não me importo com calorias, como e não engordo, não importa o quanto eu tente. Vou te encontrar daqui a quarenta e cinco minutos, garotão.
– Por que tanta demora?
– Caso não tenha notado, eu sou uma garota.
– Humpt. Vemos-nos em breve, bela jovem.
– Ta ta, até mais.
– Por que quer se livrar de mim assim tão rápido? - Franzo o cenho.
– Porque estou ajudando Kelly, minha colega de quarto, a arrumar a cozinha, ela não sabe cozinhar nem um ovo e do nada resolve fazer um bolo, resultado, deu merda.
Sorrio. - Vá logo, cuidar da desbolada.
– Hum, obrigada pela generosidade. Até daqui a pouco.
Desligo o celular e vou para sala e digo a Jack:
– Teremos companhia.
Olhos azuis brilhantes se fixam em mim.
– É alguma gata? Porque se não for, eu vou ter a confirmação que você é gay.
Eu já falei que Jack é loiro, cabelos lisos, tem 29 anos e é meio magro? Ele claramente perde para os meus 1,90, com 7 centímetros diferença. Jack tem boa aparência, embora nem sobre tortura eu vá confirmar isso para ele e alias, ele nem sempre foi assim, começou a carreira de destruidor de corações aos 18 anos na faculdade ao mesmo tempo em que meu pau perdeu o funcionamento, dizer que isso é ironia é pouco.
– Christian, acorda! Porra, você só vive no mundo da margarina, ou é mundo do ketchup? Tanto faz. O que você estava pensando agora?
– Que é um carma ter você como amigo.
Jack revira os olhos. - Obrigada pela consideração, mas eu sei que você me ama.
E ele tem razão, não sei como, mas Jack foi o único garoto que se aproximou de mim mesmo sabendo dos pais que eu tenho, sempre estando ao meu lado quando algo ruim acontecia, ele é o amigo que todo mundo pede a Deus, mas olha a minha cara de que eu vou contar isso pra ele.
– Não importa. Sophia, uma amiga, esta vindo para a cá comer umas pizzas com a gente. E ela está completamente fora dos limites para você e seus flertes idiotas.
Jack pisca para mim. - Hu hu, é o chamado do seu coração que estou escutando?
– É o chamado de um soco na cara que eu vou te dar se não calar a boca, que você esta ouvindo, isso sim.
Alguns minutos depois e a campainha toca, pulo do sofá e corro para abrir a porta, mas Jack chega primeiro e vai logo dizendo:
– Muna mor, bien vinda a nossa humilde residência.
– Isso era para ser espanhol ou francês?
– Muchacha, eu não me importo, tanto que fique musho da hora.
Ela ri. - Hum... Você deve ser Jack, o sem um parafuso a menos. Você caiu do berço ou tomou sol de mais?
– Ho, mi amoré, eu compenso a minha maravilhosa personalidade, com a minha incrível habilidade de fazer uma mulher gozar duas vezes seguidas.
Rosnei subitamente, não gostando nada do rumo dessa conversa.
– Jack, a deixe entrar, eu nem consigo vê-la daqui.
Olhei para Sophia, ela está de jeans pretos colados, blusa violeta sem manga e sapatilhas marrom.
– Oi, prazer em revê-lo, garotão.
Ela estende a mão para mim dou um passo à frente e seguro sua mão e é a partir dai que tudo começa a ficar surreal.
De repente minha mão formiga e começo a senti o mesmo cheiro maravilho que senti na balada, aspiro mais desse cheiro embriagador e sinto um tremular na minha calça, encaro Sophia que deu um passo para trás com as pálpebras semicerradas. E então choque me perfurou por completo quando olho para baixo e vejo uma tenda no meu jeans.
Foda-se, eu estou duro.
Capítulo 3 - Complicações
A cena que se passa agora seria hilária, se não fosse comigo.
Jack está de olhos arregalados encarando a tenda do meu jeans, Sophia está franzindo o cenho pelo silêncio repentino e eu... Eu ainda estou achando tudo isso surreal.
Procuro aquele cheiro embriagador de novo e não o sinto, então pigarro nervosamente e olho para Jack que parece ter recobrado a consciência e está me falando silenciosamente: "Vai logo, sai daqui, seu merdinha. Eu cuido para ela ir embora”.
Vou em direção à porta ainda aberta e fica gravado na minha mente o olhar decepcionado de Sophia antes de a porta bater.
Desço as escadas correndo, pulo na minha harley e ultrapasso praticamente todos os sinais vermelhos até estacionar em um bar. Do lado da balada que conheci Sophia. Balanço a cabeça para afastar esse pensamento e entro no bar a procura da minha vitima, uau, isso soou muito maléfico, eu não vou matar ninguém.
Reparo em alguns caras me encarando com desejo, mas os ignoro e miro o olhar em uma loira com um belo bundão sentada em uma das mesas vazias, olho para o meu pau e vejo que ele ainda está flácido.
Encaro a loira, 5 minutos depois e a tenho deslizando para a cadeira do meu lado.
– Olá, precisa de alguma ajuda, neném?
Não falo, apenas a puxo até o deposito de bebidas.
– Ajoelhe-se e chupe.
Nem me importo que esteja sendo ignorante, tem anos que eu não gozo e não posso esperar mais.
Ela parece não se importar também, ajoelha-se no chão frio, abre a minha calça e começa a estimular o meu pênis flácido, porém não sinto muita coisa.
Então imagino Sophia rindo e imediatamente estou duro, e eu sou grande, grosso, sem sacanagem, me daria uns 24/4, veias vermelhas pulsando com gotas de pre-sémem na cabeça bulbosa, e... É impressão minha ou estou filosofando um boquete?
Rosno, coloco a minha mão na cabeça loira e ordeno:
– Chupe mais duro e até a garganta.
Ela faz e eu imagino Sophia, sempre Sophia.
Gemendo, arqueio as costas e começo a foder a boca da garota.
Paro subitamente e a puxo, mandando:
– Tire os shorts e a calcinha, quero te foder agora.
Ela me olha tremulamente e tira.
Não querendo causar um processo no meu nome, enfio dois dedos na buceta dela e gemo de alivio ao sentir que ela esta molhada o suficiente. Procuro um preservativo na minha carteira, que Jack sempre bota lá, sem motivo algum, óbvio, e a coloco.
Empurro as costas da loira para a porta e encaixo o meu pau na abertura dela, dou um empurrão e... Cristo, isso é tão bom... Empurro, empurro e continuo, só conseguindo pensar em Sophia e em como seria fantástico foder ela.
Respirando rapidamente, empurro mais fundo na garota e começo a gemer mais. Sentindo meu orgasmo chegar, olho para porta meio fechada e quase paraliso chocado ao ver um rapaz moreno se masturbando enquanto me encara. Grunho inconscientemente e observo o pênis do cara, longo, duro e pingando, isso é o suficiente para me levar ao limite, acelero minhas ministrações, a garota faz uns sons mecânicos e começa a gozar, algumas estocadas depois dou um gemido baixo e chego ao clímax.
Meu deus, o que foi isso, eu... Aquele cara... Mas... Passo a mão pelo meu cabelo e me sinto sem chão. Foi só no calor do momento, é isso.
Passam-se segundos, minutos, horas, até que eu me recupere totalmente e saia dela.
– Qual é o seu nome?
– C-a-Carla. - Ela gagueja.
– Você vai ficar bem? - De qualquer modo eu não sou um homem das cavernas ao todo.
– Claro, isso foi incrível...
Interrompo e digo:
– Quanto você cobra?
Depois de dizer isso, só escuto o som forte de PLAF, e depois vem a dor na minha mandíbula.
– Eu não sou uma prostituta, seu desgraçado.
Ela se arruma e sai furiosa.
Suspiro, o que mais eu poderia pensar? Ela dando um mole desses de tarde no bar, vestindo aquele pedaço de pano que nem deveria ser chamado de roupa? Foi um infeliz engano.
Me arrumo e jogo a camisinha usada no lixo.
Saio do bar e começo a me deprimir, caramba, aquela cena com aquele cara... E a foda rápida e insatisfatória... Estou ficando maluco aqui... Porque fiz isso mesmo? Eu deveria estar me sentindo incrível agora, não é? E se Sophia não quiser mais falar comigo? Porra, tudo por causa de uma foda qualquer.
Subo na minha harley e vou para casa.
Minutos depois e aqui estou eu subindo as escadas do prédio, será que Jack foi embora da minha casa? Se bem o conheço, ele provavelmente está jogando meu Wii, esperando para saber dos detalhes suculentos que agora não parecem nada suculentos para mim. Abro a porta e... Não disse? Olha o sacana usando meu Wii.
Como se pressentisse a minha presença, Jack desliga o jogo e olha expectativamente, porém depois de ver a minha cara de cachorro que caiu da mudança, pergunta:
– Não funcionou?
Fecho a porta e sento ao lado dele no sofá.
– Que horas são?
– Duas e cinquenta e cinco da tarde. Agora seja um bom garoto e conte tudo pro papai Jack aqui.
Franzo o cenho e evito encará-lo. - Eu estou completamente fodido.
– E isso é bom ou ruim?
– Péssimo.
– Mano, para de lenga lenga e me diz logo, fudeu alguma gata ou não?
– Sim. Peguei uma.
Jack respira fundo, pula do sofá e grita:
– O meu menino cresceu!! Finalmente, caralho!! Venha, vamos comemorar...
Interrompo - Não quero comemorar porra nenhuma! Agora da pra ficar calado? Senta aqui, antes que o prédio todo fique sabendo da minha vida sexual de merda.
Jack imediatamente senta e me olha preocupado.
– O que aconteceu, Chris? Olhe para mim.
- Eu... Um rapaz... Ele estava se tocando enquanto eu fodia a garota e eu vi e... Gostei. Mas eu não sou gay, cara. Você bem sabe que estou afim de Sophia.
Jack me olha indecifravelmente.
- Isso já aconteceu, não é? Você sentir tesão por homens?
- Na faculdade, mas deve ter sido porque eu estava sobre o efeito do medicamento e não podia ter uma ereção... – Sussurro com medo.
- Chris, eu sou a pior pessoa para te falar sobre isso, pois você sabe que sou bi e não me importo se fodo com mulher ou com homem, tanto que me dê prazer, eu to dentro.
Suspiro pesadamente, sabe o que? Vou deixar essa merda de lado e me concentrar em Sophia.
Conto para Jack sobre o cheiro delicioso que senti naquelas vezes.
Jack me da um sorriso fraco. - Então se isso é tudo, acho que você apenas deveria deixar de lado sua frescuragem e ligar logo para o Doutor Robert, ele que colocou os medicamentos em você, não é?
Penso uns segundos e digo:
– Você está certo, valeu, cara. Me passe o meu celular agora, que eu esqueci ele aqui.
– Claro que eu estou certo, eu sou Jack-o-Gênio. - Ele rola os olhos e pisca para mim.
Relevo a palhaçada e pego meu celular dele, disco Dr. Robert e escuto:
– Christian é você, meu filho?
– Primeiro, eu não sou seu filho, e segundo, você tem algumas explicações a dar.
Capítulo 4 – Revelações
Baixo uma respiração profunda e conto a situação para o Dr. Robert, claro que deixei de fora as partes que poderiam dar um enfarto nele.
– E então? – Pergunto impaciente.
– Parabéns, Christian. Você a partir de agora voltará a ter ereções matinais e relações sexuais.
– E é isso? Voltei ao normal? Como? Pelos poderes de Merlin? – Ironizo.
– Entenda, eu não posso lhe dizer.
– Você quer me contar por bem ou por mal? Porque eu não estou mais aguentando estar no escuro sobre isso tudo.
Dr. Robert suspira do outro lado da linha.
– Certo, mas não diga que não lhe avisei, tudo isso é confidencial e muito perigoso. O que injetamos no seu sangue, foram partículas para neutralização dos feromônios sexuais temporariamente. Eu pensei que você ficaria apenas alguns dias incapacitado, não anos. As suas células congelaram a substancia química do medicamento no seu sangue ao invés de expulsá-los. Mas como todo medicamento tem contra indicações e efeitos colaterais, a brecha que colocamos nele foi atrás do olfato. Ele causou uma alta melhoria no seu sistema olfativo, fazendo você ser capaz de sentir o odor do desejo alheio. O cheiro maravilhoso que você diz ter sentido, vinha da sua amiga, era o cheiro do desejo dela por você sendo expelido no ar.
Hum... Eu não sei se fico chocado ou confuso com tudo isso, mas dar a louca não vai resolver a minha situação.
– Continue.
– A brecha do seu medicamento era conseguir um odor sexual compatível com o seu, quando isso aconteceu, as células do seu sangue descongelaram o medicamento, que se dissolveram. Porém sua capacidade olfativa apenas foi controlada temporariamente, em casos de forte adrenalina ou concentração, ele será liberado por um tempo determinado.
– Meu deus... E você está me dizendo isso tudo assim, sem mais nem menos?
– Eu resolvi me aposentar, ia ficar mais alguns dias para coletar algumas evidencias médicas, mas desisti, isso tudo está ficando perigoso de mais para um velho como eu.
– E eis a questão, por que diabos meus pais pagaram para você injetar esse medicamento maluco em mim?
– Bom. Eu tenho um contrato com seus pais.
– Qual contrato?
– O de confidencialidade.
– E eles sabiam o tempo todo que isso iria acontecer comigo? – Eu estou... Sentindo-me mais sozinho do que o normal agora.
– Sinto muito, filho. Eles queriam que você casasse com uma tal Gisele, então compraram esse medicamento para ela, e como o seu desejo liberou o dela, seus pais naturalmente acharam que o desejo dela, libertaria você também.
Suspiro e tento raciocinar por um minuto.
– Eu não me lembro dessa Gisele, quem é ela?
– Ela é uma das socialites mais famosas atualmente, filha única da família de um pai advogado prestigiado e uma mãe médica de alto escalão. Se não me engano, é Advocacia Parkson&Cia.
– Médica e advogado?
– Bom. Ela diz ser médica, mas eu já... Hum... Ouvi falar que ela é meio cientista e tem clinicas secretas.
– Opa, então espera ai. Foi ela que fez esse medicamento “do mal”?
– Não especificamente, eu acho que ela pode ter vendido algumas substancias especiais para a pessoa que produziu esse medicamento.
– Ah. Então é assim que meus pais ficaram sabendo dele. E o que você tem a ver com isso tudo?
– Na época, eu estava no auge da minha carreira e os meus superiores me contataram por telefone, dizendo que teria um melhoramento no meu nome se eu fizesse alguns experimentos com um casal de jovens.
– E?
– E eu neguei, claro. Eu não sabia sobre o que era ou por que, mas eles não se deram por vencidos e resolveram me destituir do cargo e depois disso a minha vida virou de cabeça para baixo, eu perdi tanto dinheiro, tanta credibilidade, até que resolvi fazer o que eles tinham me pedido. E Gisele apareceu, eu acho que ela meio que sabia o que estava acontecendo ali. Você não, você chegou tão assustado, meu pobre menino, eu ainda não sabia o que ia injetar em você, eu achava que era um medicamento para o seu próprio bem, então... Quando você começou a gritar e se debater, eu apenas fiquei parado e fiz o que tinha que fazer, eu sinto muito.
Sério, eu não queria reviver tudo isso agora, mas Dr. Robert está me contando e eu só... Relembro-me de tudo, e doeu tanto às injeções constantes, acho que fiquei internado uns 3 meses, e foram os piores meses da minha vida, pensei que estava no inferno.
– Eu sinto muito também. E a sua família? Você tem uma?
– Não. Eu sou viúvo, minha esposa morreu de câncer. E também quando eu perdi dinheiro, não tinha como sustentar nem a mim mesmo e fui embora, deixei a minha noiva, Caroline, depois de tanto tempo, quando resolvi casar de novo, tive que ir embora, por que... Se acontecesse alguma coisa com ela, eu nunca teria me perdoado.
– E quando você descobriu para que os medicamentos serviam?
– No começo desse ano, eu comecei a suspeitar, porque eles me mandaram injetar mais desse medicamento em alguns soldados dos EUA e do Iraque, então eu fui perguntando aos soldados o que era aquilo e eles me contaram tudo, fiquei tão chocado e desesperado que depois de ter feito esse trabalho, voltei para o Brasil e fingi estar muito doente para não ter que fazer mais essas viagens de novo.
– Madre de dios... E esses soldados sabiam das consequências? Por que em nome de deus eles iriam querer uma vida incompleta assim?
– Eles queriam servir o pais deles, e eles queriam ter um olfato melhor para descobrir inimigos nas guerras ou na vida real, suplementar as condições físicas, esse tipo de coisas do exército. Eles aceitaram esse termo de condições para usar.
– Hum... Então eles não estavam nem ai para os efeitos colaterais... Mas quanto custa umas doses desse remédio?
– Não sei. Deve ser muito caro.
– Mas voltando a falar de mim, como eu não me lembro de Gisele?
– Christian, lembra quando eu disse que o medicamento podia ter efeitos colaterais?
– Sim, e daí?
– Ele teve em você, apagou a parte da sua memória que se lembrava de Gisele e algumas outras coisas, por exemplo, como os medicamentos foram injetados na época entre o final do ensino médio e o começo da faculdade, você perdeu boa parte dos acontecimentos, dos sentimentos, das confusões internas.
- E... Essas lembranças podem retornar?
- Elas podem, com o tempo começar a voltar lentamente. Primeiro viram as confusões mentais e sentimentos desconhecidos, depois virão às memórias.
Pigarro. – Esses... Sentimentos desconhecidos são meus mesmo?
- Claro, são os sentimentos que induziram a você esquecer. Aí quando chegar a hora, eles começarão a vir à tona.
– E Gisele, eu ao menos gostava dela?
– Duvido muito. Você era jovem, gostava do desafio, mas amor não.
– Agora me conte. Por que você ainda não foi embora do país e se escondeu em algum lugar seguro?
– Porque eu estou procurando provas concretas para desmascarar quem está fazendo isso, lucrando a base de medicamentos desconhecidos e potencialmente problemáticos, eu tenho algumas fontes que esses medicamentos estão também sendo vendidos no mercado negro por...
TU TU TU.
– Alô? – Estou intrigado.
TU TU TU.
Meus pais são uma fraude dupla, os exércitos são fodões, pessoas muito poderosas estão fabricando e vendendo esses medicamentos no mercado negro e... TU TU TU. Minha pergunta é... Quem? Quem são eles? E por quê? Pelo dinheiro? Meu Deus, e o Dr. Robert lá dentro no ninho de cobras, se submetendo a levar ordens e todo o tipo de coisas estranhas só para conseguir algum tipo de prova... Claro que no lugar dele eu talvez tentasse ajudar em alguma coisa também, mas para a idade dele é perigoso. Só para saberem, ele tem 63 anos.
Disco o número do Dr. de novo e a gravação diz que o celular está fora de área ou desligado, porra de voz irritante. Não tem como o celular estar desligado se ele acabou de falar comigo.
Ligo para clínica e Magali atende:
– Boa tarde, Christian, A que a devo a honra Sr. Grey?
Grunho.
– Magali, e o seu cascão já encontrou? Porque você não vai perturbar a Mônica?
– Christian, e você? Já encontrou sua Anastásia? Não vá me dizer que ela não gosta do seu sorvete de baunilha?
– Você está bêbado? Identificador de chamadas existe para isso. – Falo divertido.
– Ta, claro. Passe-me para a linha do Dr. Robert, por favor.
– Ele não está, acabou de sair correndo junto com um cara mal encarado. Estranho, né?
– É... Estranho. Bom, eu vou indo. E lembre-se, pare de comer tanta melancia.
Desligo sorrindo e paro para ajustar as minha ideias. Como assim o Dr. Robert saiu? Será que devo me preocupar? Franzo o cenho, respiro fundo e resolvo me focar no meu problema atual, S-O-P-H-I-A.
Olho em volta e vejo que Jack já voltou a jogar o meu Wii de novo, me levanto e desligo essa droga.
– Christian, desgraça, por que desligou? Eu estava na fase quinze dos zumbis!!
– Como se isso fosse importante. Você ao menos ouviu a conversa que eu tive ou estava muito ocupado matando zumbis?
– Eu ouvi, camarada, eu ouvi. E tipo... Bagulho mó louco. Eu acho que você deve é se sair logo, antes que sobre para você.
– Mas agora que eu sei que o doutor Robert é uma vítima nisso tudo, não vou deixar ele se jogar na frente do perigo assim não.
– E você vai fazer o que? Se jogar com ele?
– Se for preciso. E você vem comigo.
– Ra ra ra. Vai sonhando. Chama Sophia, ela com certeza é melhor companhia que eu.
– Em falar em Sophia, me conte como você educadamente a mandou ir embora do meu apartamento.
– Hu? Educadamente? Eu disse a ela a verdade “Sophia, sinto muito, mas o Chris aqui saiu para foder, o que ele não faz há uns cinco anos, então dê um desconto a ele.”
Rosno e começo a puxar meu cabelo.
– Você é um belo amigo do caralho, foda-se Jack. E o que ela disse?
– Bem... Ela ficou me olhando por uns segundo e mandou-me dar isso a você.
Jack puxa um bilhete amassado do bolso e me entrega.
“Da próxima vez que você resolver foder alguma qualquer, não me chame para ficar com a cara de tacho olhando para o seu apartamento vazio.”
Eu não sabia da enormidade do meu ato até agora, eu sei, eu praticamente fodi a coisa toda. E o pior é que meu pau está ficando duro imaginando Sophia me implorando para foder ela. Que bela hora para ele resolver voltar a funcionar.
Frustrado olho para Jack.
– Eu vou dormir. – Serio, eu quase sempre estou com sono. Deve ser outro efeito colateral do medicamento, só pode.
Jack ri.
– Christian, meu camarada, não use essa desculpa para mim, vá aproveitar o seu pau de volta e bata uma punheta pelos velhos e novos tempos.
Encaro Jack fixamente, balanço a cabeça e digo:
- Se você continuar assim, vou acabar pensando que você quer vir me ajudar com esse “probleminha.”
Jack ruboriza e eu sorrio.
- Cara... N-Não... Nada haver.
– Tanto faz. Só caia fora logo. – Viro-me e sigo para meu quarto.
Deito na cama e minutos depois caiu em um confortável sono erótico, envolvendo uma pessoa misteriosa, algemas e chocolate.
Capítulo 5 – Questões Pendentes
Acordo subitamente encharcado de suor e com um pau duro, arrg, parece que ele está funcionando bem demais para o meu gosto.
Olho o relógio 18:00 PM, ainda?
Suspiro, pego meu celular e resolvo mandar um sms para Sophia, ela não iria me atender se eu ligasse, nem eu me atenderia uma hora dessas.
“Sophia me dê uma chance, eu posso tentar explicar.”
Na verdade, não sei nem se sei explicar a situação, mas eu vou tentar por ela.
5 agonizantes minutos depois e o meu celular finalmente faz BIP
“Christian, eu não sou otária, não me venha com desculpas do tipo, fui pescar ou fui abduzido, porque comigo não vai colar, mas vou te dar uma chance, explique-se.”
Ela não me parece muito amigável no momento, mas pelo menos ela respondeu.
“Desculpe-me, seriamente. Não pensei nas consequências do meu ato naquela hora. Você para mim é... Eu não sei explicar, apenas é mais...”.
Eu não sei se eu fui bem, pois me sinto um adolescente patético agora.
“Christian, relaxa, eu não estou a fim de brigar com você, e não me importo com quem você fode, só não queria ser deixada no seu ap com o Jack o flertador.”
Meu primeiro pensamento depois de ler isso foi “Jack será morto lentamente”.
A segunda coisa que pensei foi menos educativa “Como seria ela me montando com força?” Eu obviamente ignorei o estremecer que esse pensamento causou no meu pênis. A terceira coisa que pensei foi em ela não pareceu se importar tanto quando eu me importo em relação ao que aconteceu.
“Então... Somos amigos de novo?”
Não é só isso que eu quero dela, mas serve por enquanto.
“Claro, mas agora eu tenho que ir. Foi bom conversar com você Christian.”
“Ir pra onde?”
É possessividade o que eu estou sentindo?
“Não que você precise saber, mas eu vou tomar um banho para me preparar para fazer a noite das meninas aqui em casa.”
Porque fui perguntar mesmo? Meu pau agora está doendo como um filho da puta.
“Vá lá, e me desculpa por ter deixado Jack com você, ele irá ser torturado mais tarde por isso.”
“Não o machuque... Muito. Preciso ir, Xoxo.”
Sorrio para mim mesmo, isso foi um pouco melhor do que eu esperava.
Levanto-me renovado e olho para a tenda na minha calça e decido que não quero ter bolas azuis.
Vou para a banheira e me jogo na água quente. Bom...
Suspiro apreciativamente, me acomodo e penso em Sophia, seus cabelos, seus seios, quero lamber ela todinha, passo a mão no meu pau e o sinto pulsando na minha mão, nem lembrava mais o quanto isso é gostoso. Aperto mais duro e começo a bombear rapidamente, gemo e meu pensamento se deriva para o pau do rapaz do bar e alguns segundos depois aperto a boca fechada para não gritar quando sinto o orgasmo chegar e gozo longos jatos de sêmen quente.
Droga, droga, a porra dessa lembrança não quer sair da minha mente. Suspiro irritado, termino meu banho, me visto, encontro meu celular e ligo para Jack, uma dose de xingamentos sempre alivia a frustração.
Toca, toca e ninguém atende, ele deve estar fodendo alguém por ai, o incompreendido. Rosno ao imaginar Jack transando com um cara qualquer, em seguida paro e grunho de frustração, era só o que me faltava, eu me ressentir em saber que Jack está fodendo as pessoas por aí.
Resolvo ver alguns filmes e matar o tempo.
Quando olho para o relógio percebo que já é 23h e ainda estou sem sono, porra, isso que dá dormir fora da hora, amanhã tenho que trabalhar de manhã cedo.
Levanto-me, saio do apartamento, pego minha Harley e vou dirigindo por ai.
Acabo parando no estacionamento da balada que conheci Sophia, caralho, estou viciado nela, mas já que eu estou aqui...
Entro, pego um banquinho no Mix Bar e grito para o barman:
– Uma cerveja gelada!
Normalmente não tomo cerveja, mas é bom mudar a bebida hoje se eu não quiser uma ressaca amanhã.
Antes de ter a chance de pegar minha cerveja, uma mão em meu ombro me interrompe.
– Christian, é você?
Viro-me e vejo uma gostosa ruiva me encarando. Eu tenho o direito de achar ela gostosa, porque eu sou sincero e não um cego, mas de qualquer jeito isso não quer dizer que eu estou fodendo alguém num futuro próximo que não seja Sophia.
– Sim, eu sou Christian, e quem é você?
– Sou Gisele, lembra-se de mim?
Porra! Xingo baixinho todas as maldições possíveis e respondo:
– Ha, olá, eu preciso ir, ta meio tarde, né? Foi muito bom te conhecer.
Levanto-me, mas ela me para e diz com uma voz sensual:
– Christian... Vamos lá, você sente o cheiro do meu desejo por você? Ele é gostoso? Está te excitando?
Não sinto cheiro nenhum, mas agora, logo agora, porra, resolvo lembrar o cheiro de Sophia, e imagina o que acontece? Pau duro. E parece que isso não passa despercebido pela tal Gisele, ela arregala os olhos para mim e diz:
– Você está liberado dos medicamentos? Fui eu, não foi? Pode dizer.
Meu deus, ela é totalmente paranoica, onde diabos fui me meter?
Ela vem em minha direção, mas pulo distante e digo friamente:
– Não foi você que me libertou, foi outra pessoa, uma bem melhor, obviamente. Agora se afaste que eu tenho coisas melhores para fazer.
Ela me olha chocada e depois encobre com desdém.
– Baby, quem foi a vadia que te libertou?
Por que eu fui mencionar Sophia? Deus, que frustrante essa situação.
– Ninguém que interesse a uma cobra como você.
Ela ri e eu estremeço ao ouvir esse som seco.
– Pode apostar que ela, quem quer que seja, já será carta fora do baralho antes mesmo de você pensar.
Agora estou seriamente preocupado.
– Isso é entre você e eu, não envolva pessoas de fora.
– Então você vai me dar uma chance para provar meu valor?
Ela quase ronrona dizendo isso. Eu estou apavorado? Com certeza.
– Nunca, vá logo desistindo desse seu sonho louco.
– Baby, você ainda vai se casar comigo. Nem eu, nem a sua mãe desistimos facilmente de um objetivo lucrativo.
Eu estou amaldiçoado, só pode, duas mulheres contra mim, estranhamente acabei de lembrar o filme “Todas Contra John”, meu subconsciente parece que ainda não detectou o perigo extremo dessa situação.
– Foda-se com o seu papinho barato, Gisele. Me deixe sair ou eu vou passar por cima. Ela dá um passo para trás e diz:
– Corra, Christian, mais cedo ou mais tarde você será todo meu.
E adivinha o que eu faço? Corro, é claro.
Você acha mesmo que eu estou com medo de uma piranha daquelas?
Pode apostar que até agora estou tremendo na base. Um homem com um machado eu posso enfrentar, mas uma mulher sem caráter, fria e desesperada como ela e a minha mãe me faz perder o foco.
Ligo para Jack e ele finalmente resolve dar o ar da graça.
– Jack, porra. Onde você estava? Na verdade, eu não quero saber, quero te contar uma coisas...
Narro o encontro com a aprendiz de piranha e Jack fala:
– Homem, qualquer ajuda que precisar eu estou aqui. Vamos acabar com as piranhas, porque somos Jack-Destruidor-de-Corações e Christian-Rottweiler.
Ri, apesar Jack sempre ajuda da situação, conversar com a aliviar o ambiente.
De repente lembro-me do que ele aprontou com Sophia e começo a xingá-lo.
– Calma, brother. Eu tinha pensado que você desistiu dela quando foi embora.
Grunho e digo:
– Não, eu não desisti e não vou, agora nunca mais tente fazer isso ou eu não responderei por minhas próprias ações. E onde você estava, hein?
- Você não disse que não queria saber? Hum... Eu estava vendo uns filmes pornôs e sendo chupado por um cara.
Caralho, por que ele teve que dizer isso? Agora a droga dessa imagem não vai sair da minha mente tão cedo e parece que o meu pau não tem consciência em saber que é errado ficar duro por isso.
- Chrrrrrissss... Perdeu a fala, foi?
Rosno para ele e digo:
- Você, seu merdinha...
Escuto a risada rouca de Jack e ele diz:
- Vou indo paro o chuveiro, cambio desligo.
Rolo os olhos, ele vai me deixar doente se continuar com essas insinuações.
Subo de volta na minha Harley e vou para casa ver se consigo aproveitar algumas horas de sono tranquilo, sem pesadelos comigo sendo devorado por piranhas assassinas.
Capítulo 6 – Jack – Parte 1
Suspiro. Hoje vai ser meu primeiro dia de trabalho com Christian sendo o vice-presidente da empresa. Vim na casa dele me arrumar, porque a minha casa é tão vazia, sabe? Agora estou atrasando Chris por causa dos meus devaneios , não duvido nada ele vir aqui me arrastar para fora.
Esse ano está sendo complicado, cara. Agora que o pau de Christian está funcionando novamente, vai ser muito difícil de esconder minha excitação.
Sabe como a gente se conheceu? Eu era um nerd, fiquei sabendo da historia dos pais dele e resolvi me aproximar. Naquela época, eu já sentia tesão tanto por garotas quanto por garotos, então ao ver Christian, fiquei afim dele, não nego, mas ele era hetero e vivia rodeado de várias garotas.
O resultado foi que me conformei, porém tem uma coisa que aconteceu e nunca contei para Christian, quando ele estava na clínica, tomando os medicamentos, fui visitá-lo escondido e...
Flashback...
Interior de São Paulo, 10 anos atrás...
- Christian? – O observo sentado na maca.
- Vem aqui. – Chris diz com a voz rouca.
Aproximo-me e sento ao seu lado.
- Você está bem? – Pergunto nervosamente.
- Eu... Não. – Christian se deita e coloca a cabeça no meu colo.
Congelo e torço para ele não notar a súbita ereção se formando na minha calça.
- Eu estou duro agora, sabe? Igual a você e isso é errado, porque gosto de mulher, sei que gosto. – Ele diz.
Arregalo os olhos.
- O-o-que?
- Você é meu melhor amigo, não posso... Sentir isso por você. Tentei tão fodidamente ficar longe...
- Por quê? – Sussurro.
Christian me encara com um misto de confusão e desejo.
- Você é lindo...
Ele toca meu rosto e passa a ponta do dedo nos meus lábios.
Afasto-me arfando.
- Christian... É a morfina, não você, só...
- Eu quero você. – Christian sussurra.
Grunho frustrado ao senti-lo passar a mão pelo meu cabelo.
- Christian... Não...
Ele pega minha mão e coloca na sua virilha, onde posso senti-lo ereto.
Gemo baixinho.
- É errado, mas eu quero tanto... – Ele diz confuso.
Passo a língua pelos meus lábios repentinamente ressecados e fico fascinado ao vê-lo seguir o movimento.
Dedos puxam minha cabeça para baixo e então estamos tão malditamente perto que sinto sua respiração ofegante no meu rosto.
Inclino-me mais perto e nossas bocas ficam a milímetros de distancia, não é certo, estou me aproveitando dele, mas... É tão bom...
Christian fecha os olhos, entreabre os lábios e minha força de vontade se esvai.
Nossas bocas se unem, escuto seu gemido e começo a beijá-lo suavemente.
Tão macio, tão forte, tão perfeito, penso.
Acelero minhas ministrações e empurro a língua na sua boca aberta, e de repente estamos em um duelo frenético de línguas.
Hortelã, café e homem, esse é o gosto dele, nunca me esquecerei disso.
Gememos e aperto minha mão envolta de seu pau. Em seguida a porta se abre com força e uma voz conhecida diz:
- Largue a porra do meu filho agora, seu boiola de merda.
Afasto-me de Christian bem a tempo de ver Martin Donato chamar os seguranças.
Fico em pé e rapidamente sou rodeado por dois brutamontes.
- Eu sei onde fica a saída.
Olho de relance para Christian e observo seu olhar de pânico e desejo contido.
- Pai... Não o leve, eu... Eu que pedi. – Ele diz tremulamente.
- Você pediu? Ele que te influenciou! Esse boiola! Mas não se preocupe, você irá esquecer essa cena lamentável.
Pisco surpreso quando Martin tira uma agulha do bolso e aproxima de Christian.
Grito e tento alcança-lo ao ver seu terror, mas sou segurado pelos seguranças.
- Christian! Corra!
- Jack! Jack! – Ele grita, tenta se esconder, mas Martin o alcança, aplica a injeção e a última coisa que vejo antes de ser arrastado para fora, são os olhos de Christian rolarem para trás enquanto ele desmaiava.
Atualmente...
Balanço a cabeça para tentar afastar essa memória da minha mente.
O que mais dói saber é que aconteceu exatamente o que Martin queria, Christian esqueceu. Ele nos esqueceu.
Olha, como minha amizade com o Chris é importante, jurei desde a época da faculdade que iria começar a pegar geral, sem amarras, só sexo quente. Eu soube que enquanto estava fora transando, Christian ficava em casa vendo os filmes pornôs que lhe levava até os homos! Acho que ele começou a desconfiar da sua sexualidade na metade do final do ensino médio para o começo da faculdade.
No ensino médio, a situação foi toda muito conturbada pelos medicamentos, mas ele sentiu algo por mim ali também, só que ele escondeu, porque ele é hetero e eu não quero e não vou converter meu melhor amigo em bissexual só porque o quero.
Deu-me uma maldita dor saber que ele queria se estabilizar, mas sei encobrir meus desejos muito bem, sempre soube, até hoje tento me negar a sentir tesão perto dele, porém fico feliz por ele querer isso com Sophia, ela parece ser uma garota legal e o quero feliz mesmo que não seja comigo.
Quando estávamos na faculdade passamos por tanta merda juntos, ele me viu chorar ao perder meus pais para a futilidade dos negócios, eu o vi chorar pela perda da sua ereção. Não parece certo sentir algo por ele além de amizade enquanto que ele confia sua vida em mim e eu fico lhe desejando secretamente.
Hoje percebi o quanto a minha vida estava sendo atrasada por Christian. Eu o seguia, vivia colado com ele, me dizendo que é isso que os amigos fazem, mas no final acabei descobrindo que não me apegava a ninguém por esperança, que um dia ele vá se lembrar, que um dia ele vá me notar novamente e desistir da sua sexualidade por mim.
Quem estou tentando enganar com esse papo todo? A mim mesmo, porra!
Então resolvi fazer o máximo para deixar o passado para trás e me focar no futuro, eu também quero alguém para dividir o futuro comigo, alguém que não seja Christian, não mais.
Só tem um problema no meu plano, como disse Doutor Robert, um dia as lembranças de Christian irão retornar, no momento os sentimentos dele estão começando a ficar confusos e eu sei que não estou ajudando em nada com esse problema, mas ele também não está me ajudando, porque vejo o desejo proibido e o medo escondido nos seus olhos enquanto ele está comigo e porra não estou a fim de destruir o futuro brilhante que meu amigo tem com Sophia pelo meu desejo infantil.
Respiro fundo e formo um plano, nada vai atrapalhar meu final feliz com alguém novo. E Christian vai continuar sendo meu brother, meu melhor amigo , pois jamais irei querer perdê-lo.
Capítulo 7 – Sophia – Parte 1
Acordo tremendo novamente e isso só pode significar que meus pesadelos noturnos voltaram.
Suspiro e me levanto, olho o despertador 7:00 AM, tenho meia hora até ter que começar a me arrumar para meu primeiro dia no trabalho.
Vago pelo meu apartamento vazio e começo a pensar em Christian...
A vida não é um conto de fadas como nos livros, que tudo que começa mal, termina bem.
E Christian é um cara legal ou pelo menos eu acho que é, embora depois de ontem eu tenha algumas duvidas, é sempre bom fazer novos amigos e com Christian tudo flui tão facilmente, não que seja só amizade que eu queira dele, porque obviamente não é, aqueles olhos negros e aquela boca carnuda que dá vontade de devorar e oh, aqueles cabelos ruivos que me faz querer puxar com força e nunca mais soltar e o corpo, meu... Aquele corpo até dá água na boca, principalmente a deliciosa barriga tanquinho.
Até agora não consigo acreditar em como reagi perto dele, desejo puro e carnal, pareceu que ele também foi afetado devido a incrível ereção que se encontrava entre as suas pernas grossas, mas ao invés de me usar como alivio, que eu iria de bom grado, me processe, mas uma chance dessas eu não deixaria passar.
Voltando ao ponto, Christian pareceu tão chocado pela situação toda e depois simplesmente saiu, me deixando com Jack, que no começo flertou descaradamente comigo, mas depois que eu dei um chega pra lá nele, formamos meio que uma parceria, ele começou a me contar sobre a situação, dizendo que faz 10 anos que Christian não transa, dizer que fiquei chocada foi pouco, é quase impossível, espera, é impossível um cara como o Chris passar esse tempo todo a base de punheta, mas então Jack me disse que o Chris tinha passado por umas experiências e não tinha uma ereção desde os 18 anos, obviamente fiquei muito mais chocada e pedi para ele me contar tudo, só que Jack disse que essa não era a história dele para ele contar e que quando Chris quiser se abrir comigo, ele faria isso no tempo certo.
Fico meio curiosa com a relação entre Christian e Jack, parece haver muita camaradagem entre eles, mas como estou estudando psicologia, às vezes consigo decifrar o que o corpo humano diz indiretamente, e parece que Jack luta contra alguma coisa e Chris parece um cara muito confuso sobre o que quer.
Jack, ele é um cara... Meio incomum, é um idiota que adora sacanear os outros, mas tem algo nele, não sei o que.
Eu vou perguntar se Kelly quer tentar alguma coisa com ele. Para quem não sabe, Kelly é a minha companheira de casa, ela tem muitos parafusos a menos, só que é muito inteligente, eu costumo chamá-la de bolo fofo, por que... Ela parece um bolo, daqueles bem fofos, cheios de camadas de chocolate, claro que os olhos verdes e os cabelos super pretos e naturalmente lisos a faz parecer uma versão redonda e brasileira da branca de neve. Não vou negar que tenho uma inveja azul do cabelo dela, o meu é um rebelde sem causa.
Bom... Bom... Kelly com seu jeito doido seria completamente capaz de transformar Jack-o-Destruidor-de-Corações em um chorão apaixonado, se for o que Jack precisa. E ela adora desafios românticos, legal pra ela, eu sou mais tranquila no quesito relacionamento, até hoje eu só tive um namorado, que durou três anos até que ele resolveu virar gay.
Depois desse, eu só tive apenas outro que nem deve ser considerado como um caso, ele me perseguiu por meses, foi simplesmente assustador, estremeço só de lembrar o que aconteceu depois... Estou torcendo para que as minhas “amigas” não contem a ele para onde me mudei, porque deixei muitas desavenças em Salvador e ninguém além de mim e da minha família sabe o que aconteceu naquela noite com Weslley.
Voltando a assuntos menos complexos, Kelly ontem me disse que Christian tinha transado com Carla, a fofoqueira do bar, que espalhou para todas o quanto Christian fode duro.
Suspiro mais uma vez e me deito no sofá, quando entrei sábado naquela balada com Kelly e Ellen, jamais imaginei que passaria por cima do meu medo e das minhas regras e me tornaria a garota ousada que sempre quis ser com um estranho, imaginei menos ainda que no dia seguinte fosse deixar a minha pacata vida para trás e começar a ter fortes e desconhecidas emoções.
Agora me deu uma saudade de Danilo, meu ex, ele virou gay, mas continuamos amigos, só que ele viajou para Paris como Designer e parou de ligar, é uma pena, eu realmente o amei, da saudade dos velhos tempos de amizade.
Pelo amor de Deus, xô deprê, me esqueci até de apresentar Ellen a você, ela é a minha colega de trabalho, tem curvas, é branquinha, cabelo cor de mel, curto e de chapinha, ela terminou semana passada com Bernardo, uma carinha bacana, só que calmo de mais, simplesmente não era pra ser. Somos meio que um grupo, Ellen, sendo a mascote com 1.58, eu no meio com 1.67 e Kelly no começo com 1.72, no meu trabalho também tem Elisa que é bem amigável, mas ainda não temos tanta intimidade assim.
Falando de mim, me mudei para São Paulo quando fiz 18 anos e comecei minha faculdade de psicologia, lá eu conheci Kelly, que tinha um “peguete” na minha sala, então conversamos alguns meses, ficamos amigas e decidimos parar de gastar tanto dinheiro com 2 apartamentos, se poderíamos dividir um entre nós duas.
Alguns meses depois, encontrei um estágio nas indústrias L&S e agora estou oficialmente contratada como assistente pessoal do Sr. Donato, parece que gostaram do meu trabalho, pena que ainda não tive a chance de conhecer o Donato filho, me disseram que ele estava cuidando de outra empresa da família, mas agora resolveu se estabilizar nessa, e semana passada foi transferido como vice-presidente para essa instalação que é uma das 5 empresas da família Donato, povo rico esse, né? E o mais engraçado é que o Sr. Donato chefe, Martin, é advogado e não um publicitário ou psicólogo.
Eu fiquei sabendo que essa empresa quer dar aulas de psicologia trabalhista a algumas pessoas, só que estão em falta os professores qualificados, então me candidatei para ser professora, agora só é esperar minha aprovação.
De repente olho meu celular e vejo que são 7:40 AM. Oh deus, me atrasei, preciso correr.
Levanto-me e bato na porta do quarto de Kelly.
– O quê? – Ela sai com a cara de sono e um pijama de oncinha, te contei que ela é Designer de interiores? Pois ela é.
– Eu vou me arrumar para o trabalho, a casa é toda sua, só não faça nada que eu não faria. – Pisco para ela e caminho para o meu quarto.
– E tem alguma coisa que você não faria?
Franzo o cenho, faço bico e digo:
– Provavelmente não. – Ela sorri para mim e revira os olhos.
Bato a porta e começo os preparativos.
Uma hora depois, e estou com um rabo de cavalo, saia cinza justa, blusa branca de babados, jaqueta de seda bege, sapatos altos prata e o essencial, lingerie cara. Eu sei que pode parecer clichê, mas eu me sinto bem desejável assim.
Termino de passar o lápis de olho e completo com um brilho rosado nos lábios e um simples colar.
Tudo pronto. Pego minha maleta lateral e saio do apartamento.
Depois de pegar meu carro, Kia, como a chamo, é um Chevrolet basicão e minha amiga de todas as horas.
Droga, engarrafamento uma hora dessas!!!
Sem nada para fazer, começo a pensar no meu apartamento, que é bem simples, sofá marrom, TV 32, tapete branco, uma mesa de centro, uma estante de livros e decoração bege bebê.
Começo a tentar imaginar a minha família agora, faz 2 meses que não ligo para eles, por falta de tempo mesmo, minha mãe é igualzinha a mim na personalidade forte, mas meio diferente na aparência, eu sou morena, ela parda, tenho olhos castanhos claros, ela olhos pretos, tenho cabelo encaracolado preto, ela liso castanho claro, dizem que me pareço muito com o meu pai, só que eu não me lembro dele e nem quero lembrar, para mim que ele se ferre, me abandonou aos 3 anos porque tinha outra família, o otário.
Minha mãe se assumiu lésbica há 7 anos trás, hoje ela tem 42 anos e desde então está casada com Jimmik de 56 anos que eu chamo de Jimmy ou Coisa azul, de qualquer jeito isso foi um choque para todos, mas eu já desconfiava e não liguei muito. A propósito, Jimmy é uma pessoa super legal, ela, que é o ele da relação, me ajudou muito quando eu tinha 15 anos e assim por diante, só que nenhum relacionamento é perfeito, Jimmy por exemplo, é uma ex-viciada em jogos.
Eu era uma pestinha, mais do que o normal, admito, eu era uma depressiva psicopata, porém agora isso é passado e as brigas de família enfim cessaram, porque eu fui formando um novo caráter e tal.
Minha mãe passou 8 anos com Marcos, um alcoólatra drogado e ela só fez isso para me dar um futuro melhor e escola particular, a agradeço por isso, mas desavenças familiares na adolescência todo mundo teve e sabe como às vezes é difícil, só que a superação surge daí, as pessoas crescem, florescem, mudam e eventualmente superam tudo.
Meus avós maternos infelizmente morreram, os paternos nem adianta perguntar, não é?! Eu tenho 3 tios, mas perdi o contato deles, depois de se casarem, pois cada um foi para seu canto e é só isso que eu sei.
Dou-me conta que estou perdida nos meus pensamentos e nem vi o transito andando, começo a dirigir e olho para o relógio do painel, 8:50 AM. Merda, agora só tenho 20 minutos para chegar ao trabalho!
Meu último pensamento antes de pisar no acelerador é sobre como vai ficar a minha situação com Christian.
Capítulo 8 – A Assistente Pessoal
Hoje é meu primeiro dia como vice-presidente em uma das novas empresas do meu famoso “pai” e eu já estou atrasado, culpa de quem? De Jack, claro.
Ele veio se arrumar aqui em casa e não quis desgrudar do meu Wii, e o mais interessante nisso tudo é que ele tem um Playstation na casa dele, mas ele vem usar o meu Wii, dá pra entender uma coisa dessas?! Espera, me esqueci de dizer que Jack trabalha nessa empresa também, já faz uns 3 meses, ele é contador, pode rir, é impossível imaginar Jack de terno e gravata sendo responsável por mais de 30 segundos, pois ele só não perde a cabeça, porque é grudada no corpo.
Aqui estou eu no portão do prédio, esperando Jack se embelezar.
– Cheguei, Sr-eu-vivo-com-pressa. – Ele enfim resolve dar o ar da graça, até arrumou o cabelo com gel.
Observo Jack da cabeça aos pés e sinto meu pau se estremecer com essa visão, mas me nego a pensar muito nisso.
Jack me pega o verificando e levanta uma sobrancelha divertida.
- Vê algo que gosta?
Levanto do dedo do meio para ele.
- Vá se foder.
- Eu gostaria disso.
Gemo frustrado, ele não está me ajudando em nada.
- O que deu em você, cara? Somos amigos a tipo... Um tempão e você nunca me passou indiretas.
- Devo lembrar que você não tinha um pau?
Grunho. – Eu tenho um pau.
Jack ri silenciosamente. – Deu para perceber, agora onde estávamos... Há sim, por que você não está usando uma das suas mil gravatas?
Reviro os olhos.
– Porque armaram um complô contra mim e todas as malditas gravatas que tenho são cinza.
– E você tem alguma coisa contra cinza? – Jack está sorrindo dissimuladamente agora.
– Você sabe que sim, não pergunte. E se apresse que eu estou pegando o seu carro hoje, me passe a chave.
– Agora a coisa ficou séria, o carro é meu, eu dirijo.
– Nem pensar, não quero ser preso junto com você como cúmplice da sua falta de responsabilidade no transito, como você conseguiu carteira de motorista mesmo? Subornou alguém?
– Ra ra ra, eu só corro um pouco acima da média, e derrubar alguns cones e algumas placas de transito são besteira. E eu consegui a minha carteira de motorista com honestidade, não tem nada a ver com o fato deu ter comido a instrutora no banco de trás.
Dou uma gargalhada.
– Claro, não tem nada a ver com o fato de você ter comido a instrutora, cara, como eu pude duvidar de você? Você é a honestidade em pessoa.
– Pare de rir de mim ou eu não deixarei você tocar no meu bebê.
– Eu vou te dar uma colher de chá, você pode escolher a música.
Jack suspira e eu já sei que ganhei essa rodada.
No caminho para empresa, Jack me conta como vai a vida dele, eu contei sobre os pais dele? Acho que não, então lá vai, ele são repórteres, daqueles bem grandes e bem chiques e adivinha? Eles fizeram Jack estudar tanto, tanto, sempre cobrando do pobrezinho e o resultado foi esse, Jack ficou rebelde, virou contador e se afastou da família, que morre de arrependimento de ter feito um filho como ele e simplesmente o despreza, não é fácil, eu sei...
De repente Jack diz:
– Eu estou pensando em me estabilizar.
– Desculpe? Eu acho que não ouvi bem, pode repetir?
Ele me olha e dá de ombros.
– Não sei, cara, eu estou cansado de ficar pegando todo tipo de pessoa que encontro por ai, tem até alguns normais e tal, mas não sinto que são o suficiente e eu quero algo mais... Significativo. Já está na hora.
Tento processar o que ele disse e luto contra uma careta.
- Então você quer encontrar alguém para casar e ter filhos, é isso?
- Não sei nada sobre ter filhos, mas ter algo sério e um dia chegar a casar, é algo que quero um dia. Estou com quase trinta anos, homem.
Subitamente aperto meu maxilar.
- E... Você tem alguém em mente?
Jack me olha curiosamente.
- Você não me parece muito feliz com isso, cara. Juro que você não vai perder seu parceiro de crime só porque estou à procura de alguém.
Respiro fundo, tentando controlar minha confusão mental.
- Vai ser mulher ou homem?
Jack da de ombros.
- Quem sabe? O que aparecer e for o suficiente para se estabilizar, eu pego a oportunidade.
Decido compartilhar minha versão de vida, antes que eu pire com suas confissões e digo:
– Eu... Eu... – Engulo em seco – Acho que poderia chegar a me estabilizar logo também. Jack fica em silêncio por um momento, viro para olhá-lo, mas o encontro encarando fixamente a janela com uma expressão indecifrável.
– Isso é apavorante, não é? Estamos virando maricas? – Pergunto.
Jack se vira para me olhar.
– Não, não estamos virando maricas, estamos... Necessitados de segurança familiar.
– Concordo, uma mulher me daria isso e sexo quente todo dia.
- Mas e se enjoarmos da pessoa que escolhermos?
– Se você escolher a pessoa certa, é para toda a vida, você nunca vai querer ninguém mais.
– E como vamos descobrir qual é a pessoa certa?
– Eu não sei, quem sabe? Talvez a pessoa certa seja aquela que te faz sentir completo, aquela que só de olhar te faz sentir feliz, realizado e... Em casa. Esse sentimento não deve ir embora se você não deixar, porque quando eu encontrar o meu mundo, não vou deixá-lo escapar pelos meus dedos, vou regá-lo, amá-lo, protegê-lo, não deixar ele se desgastar pela rotina e às vezes surpreendê-lo. Mas o amor se tornou muito banal atualmente, só que esse sentimento de impotência perante a pessoa certa, deixará você perceber que amor é um nome pequeno demais para esse sentimento todo que te domina e te faz querer marcar para sempre aquela pessoa como sua principal prioridade.
Fico em silêncio, imaginando como seria sentir tudo isso por alguém, e a imagem de Sophia me aparece... Será ela a certa? Então a imagem de Jack sorrindo ao meu lado enquanto matávamos zumbis me confunde, balanço a cabeça, droga, porque isso agora? Eu mereço um pouco de paz mental depois de tudo que me aconteceu, não?! Olho para o lado e percebo que estava contando tudo isso para Jack e em como ele está perplexo, balanço a cabeça. – Olha, tanto faz, isso só é um pensamento romântico da minha parte.
– Christian, eu não sei se isso, esse sentimento que você criou na sua mente, exista mesmo, pois aqui não é um conto de fadas onde duas pessoas se esbarram e BAM, amor eterno e instantâneo, aqui é o mundo real, onde há traições, drogas, abortos. Se você quer amor, você tem que construir ele no dia-dia, no companheirismo, na base da amizade, do sexo quente, claro, mas tem que haver sempre a lógica no meio do amor.
– Eu só... Acredito em um futuro melhor, ou talvez seja meus livros me influenciando mesmo, mas eu tenho esse poder de imaginar algo melhor, você é mais realista, é pé no chão, se acreditar no que eu acredito me faz parecer gay, que se dane o mundo, agora só não espalhe essa nossa conversa por ai, porque foi você que começou com esse papo de ser mal amado.
– Certo, desculpa, apenas estou tentando impedir você de voar alto demais, porque ninguém sabe o que te espera lá embaixo quando você escorregar e cair, e lembre-se de que quanto mais alto voa, mais dura é a queda.
Rolo os olhos - E quem disse que eu vou escorregar e cair? Agora pare de filosofar, fica super estranho, de qualquer jeito, foi mal, eu me empolguei de mais, obrigado por me segurar num momento de tal fraqueza emocional. – Ironizo – Agora será que dá para deixarmos essa conversa complexa de lado por um minuto, ou pelo resto da minha vida? Senão ai sim, iremos nos transformar em maricas e agora precisamos bancar os empresários sérios.
– Hum? – Jack pergunta confuso.
– Já chegamos, idiota.
Jack fica sério e descemos do carro.
– Eu preciso ficar aqui no primeiro andar para agendar algumas coisas, te vejo mais tarde.
Dou-lhe um aceno e pego o elevador.
Chegando a minha sala, vejo meu pai me esperando.
– Christian, que bom te ver novamente depois de tantos meses. Sente-se ali.
Rolo os olhos, ele está bancando o civilizado.
Suspiro e sento na cadeira, oh homem que adora dá ordens.
– O que foi que aconteceu agora?
– Nada muito relevante no momento, só vim aqui para te deixar saber quem é a sua assistente.
De repente batem na porta.
Meu pai se vira e diz:
– Entre.
A porta se abre e eu levo um choque, OH MEU DEUS, SOPHIA, só pode ser pegadinha, Sophia é a minha assistente, caralho.
Respiro rapidamente e sinto uma leve pressão se formando na minha calça, céus, ela é linda.
Ela está me encarando com os olhos arregalados, meu pai é o único que não percebeu a súbita tensão que se formou na sala.
– Bem, Christian, essa é Sophia, ela trabalhou como minha estagiaria ano passado, tem ensino técnico de administração e cursa psicologia, se quiser mais detalhes, estão na pasta azul em cima da sua mesa. Apresentações feitas, então vamos ao trabalho. Já deixei algumas coisas para Sophia fazer na mesa dela. Ha, e Christian, quero você na minha sala no final do dia.
E ele simplesmente se vira e vai embora, me deixando desesperado e sozinho com Sophia.
Ela pigarra nervosamente e fala:
– É... Como?... Por quê?
Interrompo o seu gaguejar e digo:
– É... Meio que parece que eu sou seu chefe agora, e que você trabalhou para meu pai por um ano, mais tempo do que uma pessoa normal aguentaria. Bem... Vamos ter que dar um jeito de trabalharmos juntos, eu acho.
Sophia se recupera rapidamente e diz:
– Certo, e isso funcionaria como? Até um cego poderia ver a ereção na sua calça, como seu pai não percebeu, eu não sei.
Sinto minhas bochechas esquentarem, meu deus, eu estou corando! Sinto-me um adolescente pego no flagra, mas eu sou um homem adulto, porra.
Resolvo tomar um rumo totalmente diferente, levanto da cadeira, aproximo-me perigosamente dela e me inclino até meus lábios roçarem sua orelha.
– Nós dois poderíamos jogar um jogo novo, se você quiser.
Mordo suavemente o lóbulo de sua orelha e a sinto estremecer.
Sophia me encara com os olhos enlaçados de luxuria, dá um passo para trás e se contorce até ficar prensada com a minha ereção, gemo baixinho no ouvido dela.
Meu pau está duro feito uma rocha, olho para baixo e me choco ao ver a ponta do meu pau visível pela beirada da calça, parece que Sophia também percebeu isso, porque ela coloca o dedo na boca e chupa.
Grunho, ela está me matando aqui.
Liquido pré-semem aparece na minha fenda e antes que eu possa fazer qualquer coisa, Sophia passa o dedo molhado na cabeça do meu pau, limpando a gota, em seguida ela lambe o dedo e sussurra:
– Melhor do que chocolate.
Depois dessa frase, meu pau começa a doer de tão duro, em seguida arqueio minhas costas buscando algum conforto para minha ereção, mas Sophia se afasta e fica séria.
– Eu... Não devia ter feito isso... Desculpe-me, só... Tenho alguns trabalhos para fazer agora...
Então ela se vira e vai embora da minha sala, me deixando perplexo e com as bolas doendo.
Capítulo 9 – Perda Inesperada
Sophia, estou o dia todo tentando compreender como de repente de tigresa, ela vira uma gatinha assustada.
Curiosamente, quando estou perto dela, Jack e todos esses sentimentos confusos se tornam secundários, e estou mais do que feliz por isso.
Já são 11h e meu pau se recusa a ficar baixo por mais de 40 minutos, meu deus, resolvo acabar logo com a minha aflição e envio um sms para ela.
“Caso você tenha esquecido, eu sou o chefe aqui e exijo uma resposta do porquê de você ter fugido da minha sala daquele jeito tempestuoso.”
Segundos depois recebo a resposta.
“Isso não diz respeito à empresa, então não irei dizer nenhuma palavra.”
“Sophia, eu não estou pedindo!”
“Dane-se, me demita se quiser.”
Resolvo mudar de tática, já que esta não está funcionando muito bem.
“Sophia, por favor. Eu estou desesperado aqui, me diz se foi algo que fiz de errado?”
3 malditos minutos depois.
“Nós... Ainda nem nos beijamos... Não que eu esteja cobrando nada, mas... O que fiz foi um erro, você é meu chefe ainda por cima, não vai dar certo.”
Suspiro, era só por isso? Mulheres são complicas, seriamente.
“Venha a minha sala agora.”
“Por quê?”
“Vamos trabalharmos em um assunto de extrema urgência.”
Levanto-me e fico atrás da porta.
Segundos depois Sophia entra e ao me ver, levanta uma sobrancelha e aguarda, eu fecho a porta, encurralando-a contra parede.
– Temos assuntos importantes para terminar.
Ela me olha fixamente.
– Não, não temos e se só foi por isso que você me chamou aqui, eu tenho que voltar ao trabalho.
Roço minha boca no ouvido dela e sussurro:
– Você não vai a lugar nenhum até nos acertarmos, Soph.
Achei esse apelido fofo e excitante ao mesmo tempo, perfeito para minha Soph, espera, da onde veio essa ideia de minha Soph?! Eu hein.
Aproximo nossas bocas e mordisco o lábio inferior dela, ela abre a boca, respirando ofegante e me beija.
Começo a dar lentos beijos naqueles lábios macios, até deixar-me se levar pelo desejo e enfio minha língua na sua boca, saboreando uma mistura de nescau com pasta de dente, meu deus, é delicioso, em seguida faço movimentos sexuais com a língua dela e gemendo me aperto mais ao seu corpo, deixando-a sentir o meu estado de excitação, mas de repente ela me empurra e ofegantes nos olhamos fixamente.
Sou o primeiro a quebrar o silêncio.
– Por que parou?
– Porque é só isso que eu posso lhe dar no momento, além do mais... Isso não pode ter futuro, você é meu chefe e devo relembrar que você transou com uma garota ontem mesmo.
Murmuro maldições e me separo dela.
– Não temos a política que proíbe o envolvimento de funcionários. Além do mais você não iria entender o que aconteceu naquele dia, é complicado e eu já disse que sinto muito mesmo, não me faça me sentir mais lixo do que já estou me sentindo.
O silêncio me faz virar para olhá-la.
– Eu sinto muito também, só... Ainda está muito fresco na memória e...
Sorrio tristemente.
– Eu sei que é frustrante e que parece complicado, a confusão mental é recíproca.
Ela me olha surpreso.
– Irá passar quando eu souber das suas verdadeiras intenções.
– Minhas intenções são as melhores possíveis, mas talvez você esteja certa e seja cedo demais para darmos o passo dois ou três.
Ela me observa novamente com luxuria, me tentando até que resolvo falar:
– Se você continuar me olhando assim, não poderei me responsabilizar pelos meus atos. Aproximo-me dela de novo e mordisco seu pescoço, sorrindo ao senti-la estremecer, então sussurro:
– Eu vejo que você gosta disso, Soph, hum? Soph, Soph...
De repente ela endurece, levanto meu olhar e o que eu vejo me deixa completamente chocado, Sophia está pálida, com um olhar frio e distante.
– Sophia? Você está bem?
Ela começa a andar e em seguida cai no chão, vira o rosto para o lado e choraminga:
– Não, por favor. Eu não quero! Deixe-me ir! Eu já disse que não!
Estou assombrado, meu deus, corro até ela e sem saber o que fazer, falo:
– Sophia, por favor, acorde, meu anjo, acorde, por favor.
Ela começa a soluçar e se mexe apavorada.
– Não, não, shh, sou eu, Christian, volte para mim, meu anjo.
Então tão repentinamente quanto começou, ela para de se debater.
– Chri-Chris-Christian, é você?
– Sou eu, sou eu, nada foi real, não foi real, calma.
Sento no chão e a seguro no meu colo, enquanto os tremores passam.
Minutos depois e silêncio é tudo o que se escuta na sala.
– Christian, pode me soltar agora, juro que já estou bem.
Afasto-me dela alguns centímetros.
– Pelo que eu sei, isso que você acabou de ter foi um episódio de algo traumático, não foi?
Ela trêmula os olhos banhados de lágrimas.
– Foi.
Espero mais respostas, e quando ela não as dá, pergunto:
– E o que desencadeou ele? Fui eu?
Sophia fecha os olhos e respira fundo.
– Foi, mais ou menos... Você... Me chamou de Soph repetidas vezes e isso desencadeou a lembrança, porém isso geralmente só acontece como terrores noturnos, não sei o que mudou...
– O que desencadeia isso? Afinal o que é isso?
– É... Transtorno pós-traumático, mas eu já estou cuidando disso.
– Como?
– Tomando uns remédios, amanhã tenho que buscar a segunda dose deles com meu médico, a medicação são duas vezes por ano.
– O que aconteceu para você ficar assim?
– Eu sinto muito dizer isso, mas não é da sua conta, sabe?!
Suspiro frustrado, céus, ela... Me preocupa.
– Amanhã vou junto com você no médico. – Quando percebo que ela vai contestar, interrompo – Não, nem ouse discutir, eu vou junto e encerrou o assunto.
Ela me encara com fúria nos olhos.
– Você poderia pelo menos me ajudar a levantar do chão? Ou seria crueldade da minha parte te pedir isso depois de você estar se intrometendo tanto assim na minha vida pessoal? O que eu sei sobre você? N.A.D.A, nada, exatamente isso.
Encaro o teto da sala, eu deveria contar tudo a ela, não deveria? Mas é muito perigoso e eu não quero ela envolvida em coisas perigosas de jeito nenhum.
– Eu faço parte da sua vida pessoal agora, acostume-se a isso e não discuta, você sabe o que precisa saber e ponto final.
Levanto-me, ajudo-a a levantar e quando vou pedir desculpas, o telefone toca.
Sophia corre para atender. Fugindo como sempre...
– Indústrias L&S, Escritório de Christian Donato, quem fala?
Hum... Céus, a vendo agir tão profissional está me deixando com tesão de novo.
– Desculpe... Mas senhor... Eu não posso... Como? ... Senhor? OH MEU DEUS, SENHOR ME RESPONDA! Por favor...
Sophia fica desesperada, desliga o telefone e começa a arfar...
– Oh meu Deus, Oh meu Deus!!!!
Seria muito estranho dizer que também estou ficando desesperado agora? Pois eu estou.
– Sophia, acalme-se e me diga o que aconteceu.
Sophia respira fundo e diz:
– Um tal Doutor Robert ligou dizendo... – Ela engole em seco – Dizendo assim mesmo: “Eles estão atrás de mim! Não há tempo! Ajude ao Christian, ele vai precisar de toda a ajuda possível! No meu testamento ele vai encontrar o necessário para prosseguir.” Então eu ouvi um som...
Sophia está derramando lágrimas agora, e eu estou com um terrível nó na garganta.
– O som era de alguém gritando: “Peguei o desgraçado! Agora ele vai morrer por querer nos revelar”. E depois eu ouvi alguém gritando de dor e então CRACK, um som de algo quebrando e tudo ficou silencioso. E eu desliguei, meu deus, isso é tão horrível.
O tempo parou, estou revendo Dr. Robert mais jovem, chorando na minha cama de hospital, ele me dando comida, ele cuidando dos meus machucados e eu nunca dei valor a isso, eu achava que ele era do mal.
Caiu de joelhos no chão, eu sinto tanto, ele estava tentando corrigir os erros dele, e não percebi isso a tempo e está doendo pra caralho. Lagrimas de raiva brilham nos meus olhos, essas pessoas que mataram ele, vão ser presas, eu caçarei elas pelo resto da vida se for preciso, pois Dr. Robert merece que eu faça isso por ele.
Ergo-me com um único objetivo em mente, vingança.
Só que então me lembro de que há mais alguém na sala, olho para Sophia, ela parece tão desolada, minha força de vontade vacila e cai por terra ao ver aquelas lagrimas brilhando pelo seu lindo rosto.
Aproximo-me dela e a abraço.
– Shh, meu anjo, não se preocupe, vai passar, ele era um bom homem, ele vai para um lugar bom.
Ela me encara pálida.
– Eu ouvi a morte de alguém.
– Eu sei, baby, eu sei e tudo bem, não é? Você é forte, você vai superar, calma. Agora respire fundo, porque eu preciso ir resolver essa situação.
De repente Sophia se remexe no meu colo e me empurra.
– Não, você não vai me deixar fora dessa! Eu ouvi a voz do assassino! Eu ouvi um homem ser morto! E ele pediu minha ajuda e há, não importa o que você diga, eu irei ajuda-lo, não importa porra nenhuma que você tente fazer para me impedir, estamos juntos nessa.
Estou perplexo, cadê aquela coisinha miúda que estava chorando aqui agora a pouco?
– Sophia... É perigoso e...
Ela me interrompe:
– Eu sei que é perigoso, mas que se dane, eu não vou ficar com esse peso na minha consciência, ele pediu minha ajuda, ele a terá e você não fale nada e vá logo se preparando para me contar a história toda, porque daqui a pouco vamos ver o testamento do Doutor Robert e eu tenho um pressentimento que isso não vai ser nada bom.
Ela sai da sala e bate à porta, como se a furiosa fosse só ela, me deixando com uma maldita dor de cabeça e com os sentimentos a flor da pele.
Capítulo 10 – Sophia – Parte 2
Eu estou tremendo, incontrolavelmente, as lembranças que tanto tentei esconder estão nadando de volta a minha consciência e estou me afogando nelas, me sufocando, tentando encontrar ar.
Respiro fundo várias vezes e sinto o cheiro de morte, de putrefação, o mesmo cheiro que senti ao estar naquele quarto com Weslley.
Sento na cadeira e fecho os olhos com força, agora não, agora não é hora, agora é hora de ser forte. As poucas imagens que tenho daquele dia forçam a barreira da minha mente, tentando sair, me destruir, e estou quase me perdendo naquelas memórias, quando meu celular toca.
Smile de Avril Lavigne substitui o silencio da sala.
Finalmente as imagens retrocedem.
Suspiro e atendo o telefone.
– Alo, Kelly?
– Quem mais poderia ser? Eu tenho uma novidade! Acabei de atropelar um cara tãoooooo sexy!
Tusso, Kelly, sempre divertida, ela é uma distração muito bem vinda agora.
– Espera, como assim?
– Eu peguei nossa moto e resolvi te visitar na empresa, já que não tenho clientes agora, então um cara, loiro, dos olhos AZUIS, atravessou sem olhar e acabei batendo nele, foram papeis pra tudo que é lado, imagina minha reação desesperada? Agora estou aqui no hospital com ele! Ai, será que eu vou receber um processo ou uma transa quente?
– Deixo ver se entendi direito, você atropela o cara e está mais preocupada se vai transar com ele, do que com o estado dele? Menina, você é ninfomaníaca, sabia?
– Ainda bem que nós, ninfomaníacas, nos entendemos muito bem.
Rolo os olhos.
– Tanto faz. – Em seguida uma ideia me vem na cabeça – O cara que você atropelou, deu um nome?
– Claro, é Jack. Imagina que sexy esse nome ficaria sendo gritado por mim, em um orgasmo?
– OH MEU DEUS, eu estou totalmente ignorando o fato de você, orgasmo e sexy estarem na mesma frase. Agora me diga, você sabe quem Jack é?
– Jack é Jack, dã.
– Ele é o melhor amigo de Christian.
– Espera. Aquele Christian? E Jack trabalha na mesma empresa que você?
– Na verdade... Eu descobri hoje que Christian é meu chefe.
– Como é que é? Então... Esse Jack, é aquele Jack pegador, que você queria me apresentar?
– Exatamente.
- Mais alguma recomendação?
- Pela leitura corporal dele, suponho que ele deva ser bissexual.
- Uau! Christian sabe disso?
- Parece que sim, isso que me deixa curiosa, parece que Christian tenta loucamente esconder alguma coisa de Jack e acontece o mesmo com Jack.
– Bom... To nem aí, ele continua sendo um gato de qualquer jeito. E como estão as coisas com Christian sendo seu chefe? Cristo, o pai dele foi seu chefe por um ano.
– É, e eu pareço conhecer mais o pai dele, do que ele próprio. Lembra que o Martin ficou me paquerando secretamente por uns dois meses e meio?
– É, aquele canalha. É melhor esse Christian não ser um canalha também ou vou dar uma voadora nele.
Rio – E desde quando você sabe dar voadora em alguém?! Mas obrigada pela sua proteção. Lembra-se do caso que Christian teve no bar ontem?
– É... Mas pelo que você me disse, que Jack te disse, Christian ficou uns cinco anos sem sexo ou punhetas devido a uns medicamentos super loucos, eu sei que ainda é frustrante isso tudo...
– Ta, ta, chega, pessoa sentimental. Há, não se esqueça de tomar cuidado com Jack, ele é totalmente pegador.
– Eu me dou bem com pegadores, lembra? Mas se ele é tão pegador assim, não vou atrás, pois por incrível que pareça, estou tentando encontrar um relacionamento duradouro pela primeira vez na minha vida.
Pisco surpresa – Duradouro quanto?
– Mais de oito meses.
Assovio – Seu relacionamento mais longo foi de três semanas.
– Bom... Eu gosto de curtir a vida, mas agora está na hora de ficar na minha um pouco, sabe? Afinal de contas, não vou ficar jovem para sempre, e ainda quero ter pelo menos um filho.
– Uau, que mudança, e eu pensando que era a única romântica aqui.
– Eu não estou sendo romântica, estou sendo prática.
– Hum... Sua sem sentimentos.
- Espera, eu tenho que ir ver o médico do hospital, ele está me chamando com uma cara de que o gato comeu o canário. Vou te deixar informada mais tarde, cambio desligo.
Começo a rir, ela é uma criança grande ou uma piriguete redimida? Quem sabe.
Continuo sorrindo para mim mesma, até me lembrar da situação que me encontro, então levanto da cadeira e vou para sala de Christian.
O encontro sentado no chão com a cabeça entre as mãos.
Deus, ele deve estar sofrendo também, e eu só me preocupando com meus próprios sentimentos, faria qualquer coisa para fazê-lo sorrir de novo.
Caminho até ele e me ajoelho.
– Christian, sei que não está tudo bem, por tanto não vou perguntar, mas eu tenho que saber quando você vai estar pronto para irmos ver o testamento do Doutor Robert.
Ele levanta o olhar e me vejo perdida na negra imensidão dos seus olhos.
– Eu tenho algumas coisas para te contar, sente aqui um momento.
Sento-me e o encaro com expectativa.
Vinte minutos depois e estou com uma maldita dor de cabeça e várias perguntas com respostas.
– Eu... Nunca contei isso para ninguém... Mas... Você... É diferente.
Reflito uns segundos e sinto meus olhos marejarem, Christian, esse homem lindo e forte teve que suportar tudo isso, sozinho.
.
Mas passado é passado, eu superarei o meu e ele o dele.
Sento no seu colo e o abraço.
– Você não merecia nada disso, você é especial e eu gosto de você do jeito que você é. – Sussurro.
Ele beija meu rosto – Também gosto de você, e isso é loucura, mas aqui no fundo sei que sabemos que não é.
De repente uma onda de excitação passa por mim, e não sei quem começa primeiro, mas estou beijando ele como nunca beijei ninguém antes, nossas línguas duelam entre si.
Sinto meus mamilos duros e prontos, em seguida meu sexo se aperta e sei que é isso o que eu quero, Christian, aqui, agora, nu e dentro de mim.
– Sophia... Temos que parar.
Não consigo parar, muito menos falar alguma coisa, então rasgo a camisa dele, onde botões voam para todos os lados.
Ele lambe os lábios – Enrole suas pernas no meu quadril.
Faço e ele se levanta, me jogando no sofá e me despindo apressadamente.
Em um minuto estamos os dois nus, peito contra peito, calor contra calor, ofegantes. Então percebo que Christian não está usando cueca e encaro a pesada ereção dele, com os olhos semicerrados.
Ele não percebe isso, pois está muito ocupado observando meus seios.
Christian se abaixa e lambe uma das aureolas, depois chupa profundamente, me contorço com a onda de prazer que sinto no meu sexo.
Cedo de mais ele larga meu peito, solto um gemido de frustração, ele ri roucamente e começa a dar o mesmo tratamento ao meu outro seio.
Cansada de ser torturada, alcanço a sua ereção e acaricio a ponta, hummmm, ela pulsa dura e quente contra a palma da minha mão.
Christian geme, puxa minhas mãos e as prende acima da minha cabeça, céus, me sinto tão vulnerável assim.
Remexo-me para tentar aliviar a dor entre as minhas pernas.
De repente sinto um dedo na minha entrada, gemo e empurro mais, porém logo a sensação some e vejo Christian lambendo o dedo.
– Tão molhada e doce para mim.
Só consigo balançar a cabeça.
– Por favor, por favor...
Ele parece entender o que estou pedindo, se inclina para o chão, puxa um preservativo da calça, rasga o pacote com os dentes, e desliza lentamente pelo seu pau, me observando com puro deleite.
Christian se abaixa e me beija, nublando meus sentidos.
Sinto seu pau cutucando minha entrada, me dando um pouco de lucidez, mas não o suficiente para lhe contar que...
Christian empurra com força e sinto uma dor tão aguda e desconfortável, que não consigo segurar e grito de dor.
Ele congela em cima de mim e me encara com um misto de raiva, preocupação e tesão. – Você... É virgem?
Dou-lhe um sorriso fraco.
– Não sou mais.
Ele começa a se separar de mim, mas o puxo para baixo e o olho nos olhos.
– Eu queria com você, isso não é uma sentença de casamento ou de compromisso, apenas faça com que eu me lembre disso muito bem depois.
Ele me olha por uns segundos e eu identifico orgulho masculino nas suas feições, em seguida ele me dá aquele sorriso espetacular.
– Quem disse que eu não quero compromissos com você?
Antes de dar tempo para eu responder ou analisar os fatos, ele empurra os quadris para frente e sinto meu desejo se renovando, a cada estocada dele, a cada som de sucção.
Ele me beija mais rápido e me inclino para receber mais profundamente suas penetrações.
Deixando me afogar no desejo, começo a ficar frenética, aperto a bunda dele e cravo minhas unhas na sua pele ao mesmo tempo em que ele me morde no ombro e meu sexo se contrai contra seu pau.
Sinto um misto de diferentes sensações e uma barreira parece se romper dentro de mim, gemo e gemo, sentindo Christian grunhir e empurrar mais forte, prolongando nosso orgasmo.
Ele desaba em cima de mim e me abraça, suados e emaranhados, me aconchego a ele e fecho os olhos com a repentina sensação de paz.
Capítulo 11 - Jack – Parte 2
Respiro fundo. Quando fui atropelado já estava pensando em processar quem quer que fosse a pessoa, mas aí vi Kelly, a garota mais sexy e louca que conheci.
Vou admitir que foi meio complicadinho fazê-la minha, porém eu sou o charme em pessoa e tal, agora como tenho a chave da casa de Christian, a trouxe para cá.
Estando aqui, infelizmente me faz pensar sobre o que Christian irá sentir ao chegar em casa e nos ver, sei que é idiotice minha, mas tenho um desejo secreto dele ficar morrendo de ciúmes e se declarar, porém é mais fácil aliens parecerem e dominarem a terra do que isso acontecer.
- Baby, vou tomar um banho e depois volto para continuarmos.
- Precisamos dizer logo a Chris e a Soph que estamos ficando...
Rolo os olhos.
- Claro, vamos contar.
Indo para o banheiro, começo a pensar, cara, foi uma sorte encontrar Kelly. Dês do primeiro momento que nos vimos, o ar ficou preenchido com tesão sexual, o que foi uma surpresa para mim, pois achei que escolheria um homem para tentar algo mais sério.
Sim, eu vou tentar algo mais sério com Kelly, o que vai ser um pouco difícil, porque embora ela seja decidida, é independente e não quer se apegar, mas tentarei mudar a sua opinião, é claro. Porque surpreendentemente, quando estou com Kelly, Christian fica em terceiro plano na minha mente.
Mesmo eu sabendo que quanto mais provocar mais posso acabar me machucando, porém não consigo deixar de importunar Christian...
Grunho, se eu continuar com todos esses sentimentos isolados, irei começar a escrever um diário, só de sacanagem mesmo.
Rio silenciosamente, okay, aí sim me tornarei um maricas total.
Enxaguo-me rápido e caminho até a sala com apenas uma toalha no quadril.
- Se você continuar andando assim pela casa, nem precisava ter tomado banho.
Arqueio uma sobrancelha divertida.
- Depois te levo para conhecer o chuveiro, ele faz maravilhas.
- Bom... Você sabe que não quero nada mais serio do que um caso rápido, não é? - Franzo o cenho.
- Essa regra de apenas um caso, é só comigo, não é?
- Sem sombra de dúvidas.
Suspiro frustrado.
- Quer ir conhecer o quarto de hospedes?
- Não... Prefiro ficar na sala mesmo. Vem sentar comigo.
- Deixe-me colocar uma roupa e...
Kelly se levanta e me puxa.
- Para que roupa? – Ela diz maliciosamente.
Sorrio de canto.
- É mesmo, para quê? Odeio roupas de qualquer jeito.
Então ela me beija e lentamente me perco no seu calor.
Capítulo 12 – O Anagrama
Bocejo e esfrego os olhos, onde estou mesmo? Pisco e me lembro do aconteceu entre mim e Sophia.
Devo ter pegado no sono, tateio a mão buscando o calor de Sophia e não encontro.
Franzo o cenho.
– Sophia?
Levanto-me e percebo que ainda estou pelado, mas... Cadê Sophia? Ela não poderia ter fugido, poderia?
– Sophia?
De repente Sophia sai do banheiro, corada, desgrenhada e... Vestida.
– Sim?
– Por que você se vestiu?
– Porque estamos no seu escritório?
Suspiro, é, ainda tem esse detalhe.
Olho novamente para Sophia e sinto meu pau começar a ficar duro novamente pela visão dela.
Pigarro e visto minha roupa.
– Agora precisamos conversar, sente-se.
– Conversar sobre o que exatamente?
– Sente-se, por favor, Sophia.
Ela senta ao meu lado e balança os pés nervosamente.
– Por que você não me contou que era virgem?
– Eu... É... Não é uma informação que se divulga por ai para todo mundo.
– Desde quando eu me tornei todo mundo?
– Eu não quis dizer desse jeito... Eu... Tenho vinte um anos e era uma virgem, não é algo para se orgulhar.
Pisco surpreso.
– Você se envergonha disso? Sophia... Eu já vi mulheres de cinquenta anos, virgens e cheias de gatos.
Sophia sorri lentamente.
– Gatos? Quantos gatos? Dezoito? Eu iria querer viver rodeada de dezoito gatos.
Franzo o cenho.
– Você só precisa de um gato na sua vida.
– E esse gato seria quem, posso saber?
- Eu, é claro.
– Hum rum. Mas falando serio, você não... Ficou muito irritado por ter tirado a minha virgindade sem saber não, né?
Encaro-a chocado.
– Como? Para mim foi uma honra ter tirado a sua virgindade.
– Eu não sou mais um troféu seu não, não é?
– Claro que não, porque você sempre pensa tão pouco de mim?
– Sinto muito, é que relacionamentos são muito complicados, e a amizade não, eu não quero perder a sua amizade.
– Poderíamos ser os dois e unir o útil e o agradável.
– Posso tentar, mas não vou prometer que será fácil, nos conhecemos a o que? Quarenta e oito horas? Setenta e duas horas? E já estamos falando sobre algo tão... Complexo.
– Você me conhece mais até do que a minha própria mãe.
– Você é o meu chefe.
– Você não sente extremamente confortável ao meu lado?
– Sim, mas...
– Sem mais Sophia, sem mais, eu quero isso, você quer isso, somos adultos o suficiente para enfrentarmos essa situação.
– Então... O que queremos? Praticidade ou compromisso?
– Eu... Não sei... Talvez... Companheirismo.
Penso em Jack, nós temos companheirismo de sobra, mas... Balanço a cabeça e tento me focar no presente.
Sophia morde o lábio, hummmm.
– Se você não parar de morder esse lábio agora, iremos acabar os dois nus em cima da mesa, e eu bem fundo dentro de você.
Sophia pisca os olhos surpresa.
– Seremos exclusivos?
Uma súbita imagem de Jack falando que queria se estabilizar invade a minha mente e trinco os dentes apertados.
– Bom... Se você cogitou pensar que não, eu ficarei extremamente magoado.
– Desculpa novamente, é que tudo isso é novo pra mim.
– Não se preocupe mais, vai dar tudo certo.
– E quem prevê isso? Você?
– Eu não sei... Mas sempre...
Sophia me interrompe – Não existe a palavra sempre no meu dicionário, existe por enquanto e enquanto dure.
– E você esta dizendo que estamos fadados a durar por enquanto? Quem prevê isso? Você? De qualquer jeito eu vou aceitar o seu enquanto dure, por enquanto.
Sophia se levanta.
– Vamos?
Encaro-a confuso. – Para onde?
– Ver o testamento do Doutor Robert.
Minha garganta se fecha e momentaneamente me vejo incapaz de respirar, Doutor Robert.
Inspiro, pego o celular e ligo para Felipe, o advogado dele.
Atende no segundo toque
– Alô? Quem fala?
– Felipe? Aqui é Christian.
– Christian, meu filho, a que devo a honra?
– Você ainda é o advogado do Doutor Robert?
– Não, infelizmente ele trocou de advogado.
– Quem é o novo advogado dele, saberia me informar?
– Claro, é o Marco.
– Marco? O advogado da minha família?
– Exatamente, por que a pergunta?
Engulo ruidosamente.
– É que o Doutor Robert... Ele... Morreu hoje.
Por uns segundos a respiração de Felipe é a única coisa que escuto na outra linha.
– Felipe?
– Ele deixou algum recado para você?
– Sim. Mandou-me falar com o advogado dele, para começar a leitura do testamento.
– Meu Deus, eu... Eu não comentaria o ocorrido na imprensa pelo trabalho raro dele, nunca deveria ter acontecido algo ruim com ele, vou olhar alguns rascunhos para ver se encontro o numero de Marco pra você, ele mudou, adeus.
Ele desliga e eu fico encarando o telefone totalmente confuso, o que foi todas aquelas palavras sem sentido?
Sophia me observa curiosa.
– O que foi que aconteceu?
De repente eu tenho uma ideia.
Olho para cima e vejo que as câmeras do meu escritório estão acessas, pego papel, caneta e escondo no meu bolso da calça.
– Sophia, vamos embora rapidinho, tenho que ir pra casa contar para Jack o que aconteceu, seria sacanagem minha se eu apenas ligasse para dizer uma notícia dessas. Sophia fica confusa, mas sai da sala, pega a bolsa e me segue até o estacionamento.
Chegado lá, digo:
– Vamos no seu carro.
Ela me encara uns segundo, destranca o carro e entra.
– Para onde?
– Em frente.
Saindo do prédio, dou um longo suspiro.
– O que esta havendo de errado Christian?
– Tem câmeras na minha sala.
– Continue.
– Não poderíamos discutir sobre isso lá com as câmeras gravando, mas agora encoste o carro um minuto.
Ela encosta e vira o olhar confuso e curioso pra mim.
– A ligação para Felipe deu em alguma coisa?
– Acho que sim. No final da ligação, ele começou a falar um monte de coisas estranhas e meio desconexas.
Pego o papel e a caneta do bolso e escrevo:
M eu deus
E u
E u
N ão
C omentaria
O ocorrido
N a imprensa pelo
T rabalho
R aro dele
E sinto muito
N unca deveria ter
A contecido
A lgo
R uim com ele
V ou
O lhar alguns
R ascunhos para ver se
E ncontro
O
Número de
Marco para te dar
Ele mudou
– Esta vendo? È um anagrama padrão, tirando as letras desnecessárias e as frases desconexas, ficaria... Me encontre na Àrvore.
Sophia fica admirada.
– Nossa, incrível, mas e a frase “o numero de marco para te dar, ele mudou, adeus”?
– Não faz sentido, se Marco é o advogado da minha família, é obvio que eu saberia os números dele, e essa frase também ficaria desconexa no anagrama, então ele deve ter mencionado isso para despistar.
– Mas... Despistar o que?
– O numero deve estar grampeado.
– O seu ou o dele?
– Os dos dois, provavelmente.
Sophia me encara horrorizada.
– E quem faria isso?
– O Sr.Donato, é claro, para seguir os meus passos.
– Hum... E como você aprendeu a ler anagramas?
– O próprio Doutor Robert me ensinou.
– Nossa, que complicado.
– Você ainda está nessa comigo?
– É obvio! Eu nunca deixaria você sozinho nessa.
Passo meu dedo pelo lábio inferior dela.
– E eu nunca deixaria você se machucar por mim, nunca.
Inclino-me e lhe dou um selinho.
Só de sentir esse gosto delicioso, fico duro, deus, será que ela é a minha salvação ou estou tentando enganar meus sentimentos confusos?
- Christian? O que me encontre na árvore significa? – Sophia sussurra.
Fecho os olhos. – Era um código que eu e o Doutor Robert usávamos para eu escapar do hospital sem ser percebido.
– E o que árvore tem haver com isso?
– Para sair, eu tinha que atravessar uma árvore pequena demais, aí o Doutor Robert, construiu uma casa camuflada na arvore. Ele sempre me ajudando e eu nem percebendo ou me importando o suficiente para isso.
– Shh, já passou, você esta ajudando ele agora, mas onde fica esse hospital?
– É mais uma clínica de reabilitação, fica no interior do sul de São Paulo, ao lado de uma escola chamada Daybrack, se não me engano.
– E?
– Essa clínica fechou há nove anos.
– Depois que os seus experimentos acabaram fracassando.
– Exatamente. Mas... Como Felipe sabe disso tudo?
– Vamos lá descobrir ora essa. Quanto tempo para chegar até lá?
– São três horas de viagem de carro, algum problema para você de irmos na madrugada de hoje, umas duas hora da manhã?
– Sem problemas.
– Durma comigo na minha casa hoje, assim ficará mais fácil para sairmos sem sermos percebidos...
Sophia finge franzir o cenho.
– É obvio que você irá se aproveitar de mim lá.
– Eu só me aproveitaria de você com seu consentimento, mas na verdade, hoje eu quero que nos conheçamos melhor, ver um filme, quem sabe?
– Hum... Se for assim, tudo bem.
Arqueio uma sobrancelha.
– Você esta muito disposta hoje, né?
Ela da de ombros.
– Tanto que você não se acostume com isso, irá sobreviver. Vamos voltar para a empresa?
– Vamos, antes que deem nossa falta.
– Espera aí... Aquelas... Câmeras na sua sala gravaram tudo? A morte do Doutor Robert, a nossa conversa? O... Sexo?
Sophia ruboriza.
Sorrio. – Não, por isso que eu sai de lá, aquela câmera vive desligada por ordens minhas, mas quando terminei a ligação para Felipe, percebi que a luz vermelha indicando que a câmera foi ligada, estava piscando.
– Então isso quer dizer que o seu pai já esta sabendo da morte do Doutor Robert?
– Provavelmente.
– Canalha. – Sophia resmunga.
– É, concordo plenamente.
Sophia sorri para mim e liga o carro.
Pelo visto teremos que enfrentar coisas piores pela frente, só espero que sejamos fortes o suficiente para suportamos o que nos aguarda.
Capítulo 13 – Divergências
Olho para janela e vejo que já está tudo escuro lá fora, uau, como o tempo passou rápido desde que Sophia e eu voltamos. Por falar nisso tenho que ligar para o meu papai querido, ele disse que queria falar comigo.
Quer saber? Eu não vou ligar coisa nenhuma, vou à sala dele, isso sim.
Saindo do meu escritório, olho para o local de trabalho de Sophia, mas que ela não está lá.
Franzo o cenho e sigo o corredor, ao me aproximar da sala do meu pai, escuto vozes lá dentro.
– Hum... Gostoso. Dê-me mais...
– Sim, senhor.
Em seguida escuto um barulho alto e um gritinho feminino, balando a cabeça e sorrio amargamente, Martin, sempre traindo minha mãe com as empregadas, só não fico mais chocado com esse tipo de coisa, porque sei que eles são capazes de fazer coisas muito piores.
Eu deveria bater na porta? Não, quero ver que ele vai dizer quando me vê de surpresa.
Abro a porta e... O QUE DIABOS??
Perplexo encaro Sophia de joelhos segurando um pano e passando nas calças molhadas de um Martin de pau duro que está sentado.
– Que porra é essa?
Sophia se levanta assustada e me olha rapidamente.
– Martin... Vou me retirar, desculpa mesmo. – Ela sussurra e ao passar por mim, seguro seu braço.
– É desse jeito que você pretende ter um relacionamento comigo? Traindo-me?
Ela está agindo como se estivesse à beira de um ataque de lágrimas, de repente me sinto mal por fazer isso, mas balanço a cabeça, eu não posso me deixar se influenciar agora.
Ela solta o braço do meu aperto e sai.
Volto meu olhar para um Martin muito satisfeito.
– Então? O que você queria comigo? - Falo rispidamente.
– Christian, meu filho, que hora terrível para você chegar.
– Eu vejo.
– É... Sophia estava me dando um tratamento especial, acabei empolgado demais e sujei minhas calças.
Travo meu maxilar. – Eu vejo.
– Sim. – Ele bate palmas – Eu queria te dizer que iremos ficar de manutenção por um tempo, já até expliquei para Sophia que no próximo mês ela poderá ficar em casa, recebendo seu salário normal, claro, enquanto expandimos a empresa e ela quis me dar um bônus pela notícia, pois a faculdade dela está começando daqui a pouco e ela tinha se esquecido de me avisar, a pobrezinha.
Estou completamente furioso agora, Sophia tem faculdade à noite? Eu não sei quase nada dela, isso é verdade e Martin sabe, pelo visto até intimamente, e logo depois da nossa sessão de amor, amor não, sexo, penso amargamente comigo mesmo.
– Era só isso?
– Quase, quero lhe avisar que já organizei sua festa de noivado, vai ser daqui a duas semanas, o evento mais importante da sociedade no momento, não dê vexame.
Sorrio, certo, isso é engraçado, eu noivo de uma piranha daquelas? Nem morto.
– Papaizinho querido, não me venha com essa, adorei a piada, mas não estou afim de brincadeiras agora.
Ele franze o cenho.
– Não é uma brincadeira, Christian, será o seu noivado, não me decepcione.
– Não me decepcione. – Zombo – Quantas vezes você fez isso e eu não pude fazer nada? Agora é a minha vez de dar o troco. Vamos mudar de assunto antes que eu te dê um soco na cara, o mês de recesso também se aplica a mim?
– Certamente, mas Christian, jamais pense que a nossa conversa anterior está terminada, porque eu sou seu pai e mando aqui.
– Eu tenho vinte e sete anos, e você deixou de ser o meu pai quando me internou naquela clinica, então vá pro caralho!
Viro-me e saio da sala batendo a porta com força.
– Idiota manipulador. – Resmungo
Entro furioso na minha sala, fecho os olhos e conto até 10.
– Já se acalmou?
Abro os olhos e dou de cara com Sophia sentada na minha mesa.
– Saia.
– Não.
– Saia. – Aumento minha voz.
– Não. – Ela canta.
– Saia!! – Grito.
– Não, porra, eu não vou sair antes de você me ouvir.
– E que merda você tem para me dizer? “Christian, eu não estava dando uma masturbada no seu pai” porque se for isso, você está perdendo seu tempo.
Sophia me encara friamente.
– Olha, vou relevar seus insultos, porque eu estou estudando psicologia, afinal de contas e sei que você deve estar achando que te trai. Porém eu simplesmente lhe pergunto, você lá no fundo, acha que eu, EU, a garota com problemas de relacionamento, que acha seu pai um babaca, que hoje fez amor com você, porque sim, foi isso que fizemos, você acha que essa garota que está te ajudando no mistério do testamento do doutor Robert, iria sair correndo daqui para dar um boquete no seu pai? Por quê? Qual seria meu plano maligno nisso? Espera, já sei, eu sou mais uma cúmplice do seu pai! Essa é a solução, mas seu pai não é a favor do seu casamento com Gisele? Então porque ele iria querer que você transasse comigo? Para quebrar seu coração? Por dinheiro? Sério? Eu tenho dinheiro, droga! O que significa que isso não faz caralho de sentido nenhum, então vê se baixa a bola, senta e ouve a minha versão.
Espantado com o que ela disse fazer sentido, cruzo os braços.
– Diga.
Ela suaviza o rosto.
– Magdalena, a cozinheira, que parece mais uma atriz pornô loira, me pediu para levar um suco gosmento branco para Martin, eu fui e ele me pediu para lhe servir um pouco, pareceu achar bom e me pediu mais, ao mesmo tempo em que me disse que iria ter um mês de recesso geral por causa de umas manutenções que tem para fazer na empresa, fiquei feliz e acabei deixando escapar se eu poderia sair mais cedo, pois tinha recebido uma ligação da minha faculdade dizendo que minhas aulas hoje começariam logo, ele disse que eu poderia sair, mas ele nunca foi de dar favores, e me deixei distrair e sem querer o suco ou gel, sei lá o que era aquilo, cair no colo dele, em seguida gritei e peguei um pano para limpá-lo, mas o pano caiu no chão e me ajoelhei para pegar, só que já que eu estava no chão, resolvi limpá-lo ali mesmo, claro que percebi que ele estava ficando de pau duro, mas ele ainda poderia me demitir por ter deixado aquilo cair nele, porém aí você chegou todo machão e eu não pude explicar o ocorrido.
Hum... Faz sentido... Então porque caralho fiquei tão ciumento? Acho que é porque de pessoas importantes na minha vida, só existe Jack, e quando vi aquela cena, pensei que iria perdê-la como perco todo mundo. Mas ainda tem uma coisa martelando na minha mente... Será que Magdalena é cúmplice de Martin e planejaram juntos toda essa confusão para me separar de Sophia?! Bingo.
Olho para Sophia com remorso.
– Eu... Eu... Sinto muito. Estou me sinto péssimo agora, eu sei que você nunca me trairia, eu que tenho muitas inseguranças, sou um babaca mesmo, pode dizer, só me desculpa, por favor.
Sophia me olha com um misto de tristeza e decepção.
– Olha, Christian, dessa vez também irei relevar, sabe? Somos novos nisso tudo e... Não nos conhecermos cem por cento, mas eu topei isso, você topou isso, tudo está acontecendo rápido de mais, eu sei, mas falta de confiança não tolero. Eu não dei motivo nenhum nessas quase noventa e oito horas que nos conhecemos para você desconfiar de mim, quem deu motivos de desconfiança aqui foi você, e eu nem estou te cobrando nada, droga! Então na sua primeira desconfiança, você se revolta e se finge de coitadinho, nã, nã, ni, nã, não, meu rapaz. Porque se você for fugir de novo como um garotinho assustado, eu não irei correr atrás novamente, então é melhor sentarmos para conversar se houver alguma dúvida SEM PROVAS CONCRETAS, no futuro, okay?
Eu estou disposto a melhorar por ela, para o que quer que seja que tenhamos, dê certo no final.
– Okay – Sorrio maliciosamente para ela.
– Oh, pare de flertar comigo, aqui não é o livro "A Culpa é das Estrelas", e nem estrelas o céu tem hoje.
Arregalo os olhos fingindo confusão.
– A culpa é das estrelas? Não seria culpa minha? Não culpe as tadinhas que nem estão por perto para se defenderem.
Reviro os olhos.
– Ra, ra, ra, você, leitor anônimo, sabe muito bem do que eu estou falando.
– Não estou admitindo nada. A que horas você tem que estar na faculdade hoje?
– Sete horas.
– Já são seis.
– Oh Céus, vou logo para casa, de lá vou direto para faculdade.
– Posso ir junto? –Olho-a esperançoso – Jack provavelmente está abusando da minha casa agora.
E eu não quero me encontrar com Jack tão cedo, não com essa confusão que estou sentindo.
Sophia da uma risadinha.
Arqueio uma sobrancelha.
– O que tem de engraçado nisso?
– Nada. Pode vir, mas não se acostume com isso. Há, quando eu voltar vamos para o seu apartamento.
– Dito e feito.
– Então vamos.
Ela pega sua bolsa e descemos para o estacionamento.
– Olha... Podemos ir no seu carro?
Sophia vira o olhar confuso para mim.
– Por quê? O seu carro está quebrado?
– Não, mas talvez ele tenha escutas que meu pai colocou.
– Sinistro. – Ela sussurra, abre a porta do carro e vamos rumo ao seu apartamento.
Depois de alguns minutos de transito meio lendo e conversa agradável, chegamos lá, ela destranca a porta e diz:
– Bem-vindo ao meu lar, vou trocar de roupa e sair, fique a vontade, só não toque fogo na casa ou algo do tipo. Pena que Kelly não esta aqui, você adoraria conhecê-la.
Ela vai para o quarto, que suponho que seja dela e se tranca lá.
Até que é aconchegante, olho em volta e me jogo no sofá, estou exausto.
25 minutos depois e Sophia sai do quarto, não que eu esteja contando nem nada, ela sai cheirando a uvas frescas, com uma calça jeans apertada, tênis branco, bolsa a tira colo lilás e uma blusa gola alta preta, ei, não fique todo chocado, eu também conheço alguma coisa sobre moda, mas isso não quer dizer que eu seja gay, OK? Para falar a verdade, pouco me importa a roupa que ela usa, pois com aquele cabelo em duas tranças desleixadas penduradas nos ombros, aquele brilho labial que eu pretendo totalmente tirar, ela parece sexy como o inferno, como uma aluna do ensino médio toda inocente.
Rosno. – É melhor você sair daqui logo, antes que eu te jogue na cama para te comer gostoso, porque você está fodidamente quente assim.
Ela ruboriza e se mexe nervosa, anda em minha direção, se inclina, me da um selinho e antes que eu tenha a chance de agarra-la e lhe dar o beijo que quero, ela murmura um tchau apressado, sai correndo e bate a porta.
Franzo o cenho. Como ela tem essa capacidade de me deixar duro e frustrado em segundos? Será que estou ficando obcecado por ela? Ou estou tentando me esconder de alguma coisa que não consigo me lembrar? Porra, eu to é fodido, isso sim.
Balanço a cabeça e de repente sorrio lentamente.
Recosto-me no sofá e fecho os olhos, porque eu sei que ela terá que voltar da faculdade alguma hora e quando ela voltar, ela será toda minha e é isso que importa. Por agora.
Capítulo 14 – Consequências
Bocejo e esfrego os olhos, não sei quanto tempo cochilei.
Pego meu celular e vejo que é 21h, Sophia já deve estar voltando, me espreguiço e resolvo ligar para ela.
Toca, toca, toca e ninguém atende, franzo o cenho, será que aconteceu alguma coisa? Ligo de novo.
– Alô? Christian?
Nossa, que barulho alto de música é aquele?
– Onde. Você. Está? – Falo, começando a me irritar.
– Levando um amigo para a casa.
Escuto uma risada masculina e depois: - Baby, assim você esta ferindo meu ego.
Baby? Baby? Rosno furioso.
– Sophia. Quem é esse cara que está ai com você?!
– Hã... É Vitor, um colega de classe.
Então ela para de falar e escuto: - Colega de classe? Sério? Dê-me um adjetivo mais apropriado, mulher.
– Que tal... Puxa saco?
– Ai não vale.
Escuto risadinhas. O que diabos está acontecendo?
– Sophia, porra. Você esta sozinha com um cara no carro?
– Não, Christian, umas amigas minhas também estão aqui.
Respiro mais aliviado.
– Você será castigada pela sua petulância.
– E que castigo pretende me dar, senhor? – Sophia sussurra.
Hum... Já estou com tesão.
– Veremos. Agora venha logo pra casa.
Desligo o telefone e fico imóvel, espera, eu disse para ela vir para casa? Como... Nossa casa? Deus... Passo a mão pelos meus cabelos desgrenhados, eu preciso me tratar, seriamente.
Levanto-me e procuro o banheiro.
Depois das minhas necessidades fisiológicas saciadas, resolvo vasculhar o tal quarto que ela entrou hoje mais cedo.
Ao entrar, começo a rir, ela tem bichinhos pelúcia, tão criança.
Vou para as gavetas de uma cômoda e abro à primeira... Roupas... Abro à segunda... Roupas... Abro a terceira... Wow, lingeries... Pego uma e fico duro só de imaginar Sophia numa dessas. A quarta gaveta são apenas calcinhas comuns, mas não é deixam de ser quentes por isso.
Olho de relance para debaixo da cama e vejo uma caixa media, curioso, me inclino e pego. O que será que ela guarda aqui? Abro a tampa e...
OH, MEU... Acho que deu um curto circuito no meu cérebro agora. Aqui tem... Filmes pornôs... Gays? Pego um, viro, leio e sinto meu pau balançar com a imagem, mas guardo rapidamente, pornô gay não é para mim. Vasculho mais e puxo... Cristinho... Isso é um... Chicote? Espera, aquilo é um vibrador de clitóris e aquele é um vibrador peniano? Papaizinho, aquilo é um plug anal?
– Christian!! Largue isso agora!
Meio atordoado, fecho a caixa e sento lentamente na cama.
– Quem lhe deu o direito de mexer nas minhas coisas, Christian?
Viro o olhar e a encontro encostada à porta, tão vermelha quanto um tomate, é fofo.
– É... Bem... Já que eu já vi tudo mesmo, me explique o significado dessa caixa, por favor.
Sinto Sophia suspirar derrotada.
– Senta. – Digo.
Ela senta e começa:
– Bem... Meu último namorado me deu os filmes pornôs, eu meio que... Fiquei chocada naquela época e tal, mas achei que ele queria fazer algo diferente, aceitei, assisti aos filmes com ele e gostei, é bastante excitante, claro que achei estranho, mas namorávamos a dois anos, então nada de mais, isso aconteceu quando eu tinha dezesseis. No ano seguinte, me passei por maior de idade e achei que ele iria gostar de apimentar a nossa relação por que... Só fazíamos... – Ela pigarra.
Rosno a interrompo – Não entre em detalhes.
– Certo, bem... Eu comprei as algemas e todas essas coisas, pensando em me entregar para ele pela primeira vez. – Sophia ri amargamente – Quando cheguei em casa, disse que tinha uma surpresa, porém quando ele viu as coisas, meio que pirou e perguntou por que tudo aquilo, eu expliquei para ele que vi aquelas coisas no BDSM, e adorava o BDSM naquela época.
Noto como os olhos dela ficaram sombrios ao mencionar isso.
– Sim... Em seguida ele me surpreendeu e as coisas começaram a ficar quentes, então ele me pediu, implorou na verdade, para eu colocar o plug anal nele, fiquei chocada e mandei-o embora, dois dias depois fui a sua casa para ver se ele tinha uma desculpa para me dar, e o encontrei conversando com uma amiga, ele estava dizendo que me amava, mas só como amiga, que ele tinha um pouco de vergonha de mim, porque eu supostamente era feia para população masculina, mas os pais dele precisavam ver que ele estava namorando uma garota ou eles descobririam que ele estava se desinteressando por mulheres e só querendo homens, ela pedia para ele me contar antes que o desejo dele por mim acabasse.
Encaro-a perplexo. Como é que é a historia?
– Eu deveria ter notado isso antes, mas não, então no dia seguinte terminei tudo e ele ainda me xingou e disse que não gostava de mim, sete dias depois me ligou, me chamando de meu anjo e me pedindo desculpas. Eu troquei meu chip, joguei tudo dele fora e só no ano passado voltamos a nos falar, ele está em Paris, trabalhando de designer e namorando um galã, eu o perdoei, ele se assumiu bissexual, e guardei a caixa para me lembrar de ter medo da próxima vez que tentar mostrar isso a um suposto namorado e ele pirar, claro que eu uso algumas dessas coisas sozinhas, mas isso não é assunto para agora.
Meu deus... Estou meio que com bastante tesão agora, da para acreditar qual homem, de verdade, não iria gostar que a sua mulher dissesse que gosta de sexo selvagem? Quente pra caralho.
Subitamente quero saber onde esse cara esta agora, para enchê-lo de porrada por ter feito Sophia sofrer.
– Onde ele mora agora?
– Bem... Eu perdi o contato dele no inicio desse ano, por quê?
– Porque eu gostaria de dar umas porradas nele, meu anjo, ele te fez sofrer, e ninguém deve te fazer sofrer.
Sophia sorri fracamente.
– Você nem sabia que eu existia naquela época, deixe quieto, eu já tive muitas desavenças no amor.
– Me conte todas elas que irei dar um fim a esses bastardos sem coração.
– Bom... Teve um cara que disse que só queria ficar comigo por pena, mas eu não lembro o nome dele, talvez Franciela ainda lembre, mas não importa mais, eu achava que amava ele, mas descobri que o amor é mais do que sofrimentos infantis.
Encaro-a seriamente.
– Você amou algum deles?
– Amei, do meu jeito meio torto, mas amei, só não era para ser. Talvez por que o destino estava me reservando um certo ruivo safado.
Sorrio com a sua tentativa de aliviar a tensão.
– É? E que ruivo super gostoso seria esse?
– Quem disse que ele é super gostoso?
– Eu, porque o conheço e posso afirmar que ele te acha linda, divertida e que ele adoraria utilizar esses brinquedinhos em você.
Ela pisca para mim.
– Certo, bonitão, vou tomar um banho e vamos sair, que eu tenho uma surpresa para você.
Quando vou perguntar o que é, ela me interrompe. – Não seria surpresa se eu contasse, mas você só irá recebê-lo se não tentar se junto a mim no banheiro.
Droga, ela cortou o meu barato.
– Certo. – Respondo amargamente.
Ela ri e vai, minutos depois estamos no estacionamento indo pegar seu carro. Chegando lá, ela me para.
– Chris, me da um desconto e dirige para mim? Estou exausta.
Arqueio uma sobrancelha.
– Sem problemas.
Entramos no carro e ela diz:
– Há quantos minutos você mora daqui?
– Meia hora, eu acho. Por quê?
– Nada.
– Hum...
Ligo o carro e vamos para a estrada, que está quase deserta, o que é um milagre.
De repente percebo uma movimentação do meu lado e vejo que Sophia tirou o vestido que ela tinha botado, puta que pariu, a calcinha e o sutiã também, fico duro na hora e me mexo desconfortavelmente no banco.
– O que... – Pigarro nervosamente tentando me concentrar no trafego. – O que você está fazendo?
– Nada. – Ela me olha inocentemente.
Sophia coloca os pés no painel e eu observo o quanto a boceta dela já está rosadinha e molhada. Céus, ela abre os seus lábios com os dedos e acaricia o clitóris, nós dois gememos, Christian, o controle do carro, carro? Foda-se o carro! Com uma mão minha livre, alcanço a boceta dela.
– Tão molhadinha para mim.
Enfio um dedo e ela se contorce.
– Christian, mais rápido... Por favor...
Deixo-a rebolando mais um pouco e enfio um segundo dedo, ela geme mais, retiro os dedos e ela me olha frustrada, sorrio perversamente e aperto seu clitóris, lhe arrancando um grito, vejo como ela já esta perto, enfio três dedos e acaricio seus clitóris ao mesmo tempo, ela geme, geme, empurra mais e grita meu nome quando goza, encharcando a minha mão com o seu suco.
Olho para frente e percebo que estava parado no meio da pista, cacete! Tiro o pé do freio e acelero o carro ao mesmo tempo em que lambo os dedos, hummmm, adocicada.
– Por que isso? – Pergunto roucamente.
Ela pisca para mim e se ajeita no banco, ainda pelada.
– Você não matou a gente, incrível.
– Agora por sua culpa vou chegar em casa com bolas azuis e uma ereção monstro.
– Não, não vai.
Olho confuso para ela, mas quando ela se aproximar de mim, arregalo os olhos percebendo o que ela pretende fazer.
– Sophia...
Tento formular uma justificativa para ela não fazer aquilo, mas não consigo raciocinar.
Ela passa os dedos na tenda da minha calça, a desabotoa e tira meu pau de dentro da cueca box.
Prendo a respiração.
Sophia me aperta, grunho e liquido pré-semem sai, ela coloca a cabeça no meu colo, lambe e eu solto um grito estridente, olho para estrada, aperto o volante com uma mão e coloco a outra no emaranhado cabelo dela.
– Eu quero engolir toda a sua porra. – Sophia sussurra rouca antes de começar a me lamber feito um picolé.
– Meta até a garganta, Sophia.
Faço pressão no cabelo dela e sacudo meu pau na sua bochecha.
Ela me encara, separa os lábios e me mete lentamente na boca, gemo e empurro o quadril para cima, meu deus, a estrada, a estrada, ela me chupa com força e minha visão começa a nadar, seguro o volante com as duas mãos para tentar ter o controle de algum caralho, 80 km por hora, 90 km, Sophia me mete muito mais fundo e sinto a sua garganta em torno da cabeça do meu pau, gemo alto e gozo longos jatos de porra quente, tudo deslizando pela garganta dela.
Sophia me lambe até ficar limpo, estremeço ainda meio duro, ela me ajeita na cueca, fecha minha calça e veste a sua roupa, só então as buzinas dos outros carros me acordam do estupor e diminuo a velocidade.
Manobro o carro ao perceber que cheguei ao estacionamento do meu apartamento, fecho os olhos e respiro fundo.
Sophia me encara expectativamente.
– Você... Gostou?
Sorrio. – Baby, eu quase perdi a minha mente, agora vamos subir, você merece muitas palmadas depois dessa cena e da cena com o tal do “Colega de classe- Puxa saco.”
Sophia arregala os olhos.
– Ele é namorado de Ricardo, claro que ele é bissexual, mas...
A interrompo: - Não importa, depois que eu te preparar todinha, vou querer comer esse teu cuzinho gostoso.
Sophia fica tensa.
– Eu... Eu não faço anal, Christian.
Franzo o cenho.
– Por quê?
Ela me da um olhar sombrio que me faz ter medo de perguntar.
Pego sua mão e dou um aperto.
Subo as escadas, paro na minha porta e fico surpreso ao ouvir risadinhas.
Como é que é?
Abro a porta e sigo junto com Sophia para o corredor, mas de repente paro atônico e com raiva.
– Que porra é essa?
Jack está pelado no meu sofá transando com alguma das suas conquistas, e meu coração subitamente se aperta, claro que não sou só eu que tenho o direito de ser feliz, mas saber que ele quer se estabilizar é uma coisa bem diferente de vê-lo transando, principalmente pelo fato que não consigo afastar minha vista da sua bunda branquinha.
Sophia esta de olhos arregalados.
– Kelly? Mas já? – Ela sussurra.
Kelly? A amiga dela? Com Jack?
Jack levanta o olhar para mim, ruboriza e se ajeitar no sofá e eu bloqueio a visão de Sophia, nem a pau ela vai ver Jack pelado.
Bato palmas e cruzo os braços depois dos dois estarem cobertos, preciso me concentrar em como isso aconteceu, não no quanto meu pau está ficando duro ao ver Jack.
– Certo. Agora quem vai começar a falar primeiro, porque eu tenho a noite toda e quero saber o que diabos está acontecendo aqui.
Capítulo 15 – A União Faz a Força
Um silêncio constrangedor se espalha pela sala.
– Sim? Alguém? – Falo impaciente.
Jack suspira e olha para o lado.
– Você quer a versão resumida?
- Qualquer coisa.
– Bom... Essa boneca aqui, me atropelou com a moto dela, então tive que ir para o hospital, mas o medico me disse que eu estava bem, só que ela era tão linda e parecia tão preocupada comigo que dei uma conta para o medico fingir que eu tinha torcido o pé.
Tento respirar fundo, mas a única coisa que consigo fazer,é ficar parado observando ele falar de uma garota na minha frente, ele nunca fez isso.
– O que é uma puta duma sacanagem, então Soph, olha, ele me enganou e me fez vir aqui com ele, aí quando eu estava em casa já de pijama, comendo um sorvete, ele me liga e diz está sentido uma dor terrível, em seguida pego algumas roupas e saio correndo de pijama feito uma louca para chegar aqui, porque já que o atropelei, me senti responsável, mas quando eu chego, ele me diz que me chamou porque não conseguia alcançar o suco, a porra de um suco! Eu fiquei tão furiosa que joguei o copo nele, só que ele desviou, DESVIOU!! Sem nenhuma careta de dor por causa do pé, então joguei mais coisas nele e ele desviou todas! Aí comecei gritar... Acabamos no sofá e ... – Ela funga constrangida – Sinto muito.
– Kelly, você sabe que faz o que você quiser, só não quero te ver magoada... – Diz Sophia.
– Oh, não, sem problemas, Jack e eu somos apenas amigos com benefícios.
Não percebi que estava segurando a respiração até agora, mas mesmo que doa dizer, estou aliviado por isso parecer temporário.
– Ta, a parte dos benefícios entendi, mas a parte dos amigos, meio que fugiu da minha mente, como assim amigos? Você nem o conhece. – Sophia olha para Kelly levemente espantada.
– Eu conheço o tamanho do pau dele, e vou logo dizendo que é bem...
Ruborizo e me mecho desconfortavelmente... Porra, o que está dando em mim? Eu não sou gay!
Sophia interrompe Kelly.
– Certo, eu entendi e não quero saber o tamanho da rola de Jack, já vi o suficiente da bunda dele, para ter pesadelos por semanas.
– Assim você corta o meu coração – Fala Jack tentando aliviar o clima.
– Então... Esse é o tal Christian-Super-Secreto? – Pergunta Kelly.
Franzo o cenho. – Christian-Super-Secreto?
– É, É, Remédios, traidor, pau caído, ex-namorada piranha, mãe cadela, pai canalha? É você, não é? – Pergunta Kelly.
Abro e fecho a boca como um peixe, olho para Sophia e arqueio uma sobrancelha inquisidora.
Sophia cora.
– Bem... Ela é minha amiga, e eu precisava dividir isso com as minhas amigas.
– Amigas? No plural? – Pergunta Kelly confusa.
– É... Lembra-se de Franciela? – Pergunta Sophia.
– Aquela frigida do ensino fundamental dois e ensino médio que você conheceu? – Pergunta Kelly rispidamente.
– Droga, Kelly. Ela também é minha amiga.
– E o que tem ela? – Pergunto confuso entre as duas.
Sophia suspira.
– É que eu conheço Franciela a mais ou menos dez anos e Kelly morre de inveja da nossa amizade, tipo... A mãe de Franciela morava em Salvador, ai lá, ela conheceu o pai de Franciela, Anton Kuznetsov, que veio passar uns tempos por aqui, ele nasceu na Bulgária, eles tiveram Franciela em Salvador, mas ensinaram as duas línguas para ela e quando ela fez dezoito anos, eles voltaram para Bulgária, por causa do enterro dos pais de Anton e ficaram por lá mesmo. Só que ela continua mantendo o contato comigo, claro.
– E porque Kelly tem inveja dela? – Pergunto.
– Porque ela é uma morena linda, tem vinte anos, estudiosa, tem a pele pálida, é magrinha, um e oitenta de altura, cabelos pretos curtos comuns e lisos de chapinha, o que devo dizer que está estragando seu cabelo natural ,mas tem lindos olhos azuis, mais bonitos que os de Jack, do tipo... Azul brilhante mesmo, como céu sem nuvens ou talvez como um lago cristalino, é uma pena ela ter que usar óculos e esconde-los atrás da lente. Ela está fazendo Jornalismo na Bulgária, porém pelo que ela me disse da última vez que conversamos, ela já juntou dinheiro suficiente para largar essa faculdade, porque ela não gostou e vai vim para São Paulo, em um intercambio de Publicidade. Provavelmente vai chegar ao final do mês... – Responde Sophia eufórica.
– Droga, droga, droga. Sério que ela vai vir pra cá? Logo pra cá? O que eu fiz para merecer aquela magrela-sabe-tudo aqui? E Chris, ignore a Soph, tenho quase certeza que a tal Franciela usa lente de contato. – Fala Kelly mal humorada.
– Certo meninas. Acalmem-se, se Sophia contou a situação para Franciela, é porque ela confia nela tanto quanto confia em você, Kelly. – Diz Jack
– Deixa disso. – Resmunga Kelly. – Agora me conte Soph, você e o Chris aqui já se acertaram?
Sophia pigarra.
– É... Parece que sim, mas mudando de assunto, lembra-se do doutor Robert das experiências?
– Sim, sim, o doutor do mal, que se redimiu por ter sido influenciado a fazer coisas sem saber que eram do mal, o que tem ele?
– Recebi uma ligação dele hoje. – Sophia respira fundo e desvia o olhar – Ele... Ele...
– Morreu, ele morreu. – Completo a frase dela.
Jack arregala os olhos.
– O que?... Como?... Quando?...
– Hoje mais cedo, ele foi assassinado. – Digo o mais friamente possível.
Jack coloca a cabeça entre as mãos e fico tentado a ir até lá conforta-lo.
– Porra... Só... Quem foi o sacana desgraçado que fez isso?
– Olha... Eu não quero envolver você nisso, ou a amiga de Sophia, já tem gente de mais sabendo, vocês podem se machucar.
Jack levanta os olhos e eu posso ver dor e fúria tão claros ali dentro, está sendo mais difícil controlar esses meus estranhos impulsos, que estou lutando contra mim mesmo para não sair do lugar e prometer a Jack que vai ficar tudo bem.
– Há, amigo, você não ouse me deixar fora dessa, eu também conheci ele, odiei ele e o perdoei, se tentar me deixar de fora, irei te dar muita porrada e que se dane o resto.
Engulo minha preocupação e levanto as mãos.
– Certo, Certo, mas não diga que eu não lhe avisei, quando as coisas começarem a ficar perigosas, porém eu tenho uma condição.
– Qual? – Jack me olha confuso.
– Que você, em nome de Deus, coloque uma roupa e logo, porque eu não estou a fim de ver você pelado.
O que é exatamente o contrario, eu quero vê-lo pelado, e me odeio por isso.
Jack me da uma olhada conhecedora e chama Kelly para se vestir também.
Minutos depois e estamos todos sentados no sofá.
– Você está bem com tudo isso, Kelly? Não é muito perigoso para você, não?
Kelly rola os olhos.
– Soph, se você está aqui, eu também estou aqui.
– E... Ellen? Contamos para ela? – Pergunta Sophia.
– Não, Ellen não precisa saber.
– Certo, então vamos começar. Olha, depois que a ligação do doutor Robert acabou, ligamos para Felipe, o advogado dele ou ex-advogado dele, tanto faz, aí as câmeras do escritório subitamente ligaram, porém deu tempo dele nos mandar um anagrama, que o caro Chris aqui, traduziu depois que saímos de lá.
– E o que o anagrama dizia? – Perguntou Jack.
– Me encontre na árvore. – Respondo.
– Hãm? – Pergunta Kelly.
Os olhos de Jack brilham com a compreensão.
– Me encontre na árvore... Não é aquele código que o doutor Robert usava para dizer que você podia dar uma espadinha do internato?
– Exatamente. – Respondo sorrindo, Jack me conhece com a palma da mão. – E nós, eu e Sophia, planejamos ir lá hoje de madrugada.
– Vamos juntos. – Afirma Jack.
Dou de ombros.
– Fazer o que, se você quiser.
Jack pega o celular.
– Bom... Já é dez e quarenta, que tal meia noite sairmos daqui?
– Não, é melhor uma hora da manhã, para dar tempo de dormir um pouco. – Diz Sophia.
– Pode ser. – Responde Jack com o cenho franzido.
– O que foi, mano? – Pergunto.
– Parece que me deixaram uma mensagem de voz.
Arqueio uma sobrancelha.
– E?
– E eu só conheço gente pobre, cara. Eles nunca iriam me deixar uma mensagem de voz.
– Eu não sou pobre e você me conhece.
– O número é desconhecido, dã.
– Hum... Então coloque no viva voz para ouvirmos qual é a onda.
Jack suspira, liga e de repente todos congelamos.
– Jack, aqui é o doutor Robert, eu tenho pouco tempo, então vou ser direto, ajude ao Christian, ele vai precisar de toda a ajuda possível para o que está por vir, Adeus. Três-oito-cinco-quatro-um-dois. Essa mensagem será destruída após sua leitura, me desculpe por ter colocado vocês nisso.
Segundos depois, eu quebro o silencio.
– Que porra três-oito-cinco-quatro-um-dois significa?
– Um lugar? – Oferece Sophia.
– Uma senha? – Oferece Kelly.
– Pode ser, baby, mas uma senha do que? – Pergunta Jack.
– Iremos descobrir mais tarde, já até anotei o número no meu celular para o caso de esquecermos. Mas então... Vamos descansar um pouco agora e meia noite e vinte começamos a arrumar as coisas. – Digo.
– Certo. Baby, vamos para o quarto. – Diz Jack a Kelly.
Sigo Jack com o olhar até a porta do quarto de hospedes. Ele vira o olhar para mim, mas desvia rapidamente.
Franzindo o cenho, olho para Sophia.
– Você está bem? Espera, essa é uma pergunta idiota, não responda.
Sophia sorri levemente.
– Eu estou bem, fisicamente.
– E psicologicamente?- Pergunto arqueando uma sobrancelha.
– Não pergunte.
Aproximo-me e a envolvo em abraço.
– Eu sinto muito por tudo isso, mas não podemos ficar nos lamentando o tempo todo, bola para frente, pedir desculpas não vai mudar nada, mas... Não custa pedir. – Sussurro, acariciando seu cabelo.
– As coisas estão indo tão...Rápidas, eu nunca pensei nisso acontecendo comigo, dizem que quanto mais rápido começa mais rápido termina.
– Quem diabos disse isso? Essa pessoa merece um monte de porrada.
Sophia resmunga alguma coisa e me empurra.
– Quero dormir com Kelly hoje.
Respiro fundo e ignoro o aperto repentino no meu estomago.
– Ta.
Sophia me da um selinho e vai bater na porta de Jack.
– Sim? – Grita Jack
– Kelly, vem dormir comigo, por favozinho? – Pede Sophia.
– Oh, wow, mas gata, você não é meu tipo. – Kelly responde.
– É serio, dorme comigo hoje.
– Um minuto.
A porta abre e uma Kelly corada e vestida de pijama rosa aparece.
– Vamos. – Diz Kelly arrastando Sophia para o meu quarto.
– Você vai dormir no sofá. – Falo tentando ficar calmo ao ver Jack deitado na cama com apenas uma cueca que não esconde quase nada.
Jack esconde o rosto no travesseiro.
– Porra, cara. Eu to cansadão, eu juro que não faço um movimento.
– Não.
– Eu te empresto meu bebê por uma semana.
Pondero a proposta, porque eu quero dormir perto dele, mas nunca vou admitir isso, nunca.
– Um mês, quero almofadas entre nós e que você coloque um maldito pijama.
Jack ri.
– Agora que você tem um pau, ta se achando. – Jack desdenha.
– Eu sempre tive um pau. – Reviro os olhos.
– Não um que funcionasse.
Pisco para ele e me jogo na cama.
– Posso te abraçar, mama? – Jack brinca.
– Vai sonhando. - Digo e respiro fundo ao imaginar o quão bom seria sentir Jack me abraçando.
Jack se levanta, mexe no armário, pega uma calça folgada, veste e pula de volta na cama.
– Por que você quer dormir comigo, mulher? – Pergunto estranhando.
– Porque eu apostei com Kelly que você e Sophia ainda não tinham transado, e perdi pelo visto.
Ruborizo, droga, porque estou vermelho? Eu tenho o direito de transar com Sophia do mesmo jeito que ele tem o direito de transar com Kelly.
– Sophia já... Deu-te um... Boquete? – Jack pergunta hesitante.
– Hum... B-bem... T-talvez. – Gaguejo com a súbita tensão no ar.
– Hummmmm.
– Eu não acredito que estou deixando você dormir comigo.
– Ei, você vai ficar com meu carro por um mês, estou morrendo internamente por fazer isso. Cuide bem do meu bebê, e aliás, você tem um carro!
– Você tem um Playstation e vive na minha casa usando meu Wii, e eu não digo nada. E o meu carro está grampeado, então só preciso de um mês e toda essa merda será resolvida.
Jack da de ombros.
– Se você está dizendo. Agora vamos dormir, pelo amor de deus, temos uma madrugada cheia pela frente.
– Certo, certo, mas antes me diga qual é o lance entre você e Kelly, porque eu não quero ver Sophia magoada pela sua safadeza. – Secretamente perguntei isso só para meu próprio bem mental.
– Bom... Ela é legal, linda, inteligente, gostosa, muito gostosa e... Estamos iniciando uma amizade colorida, por enquanto.
Respiro meio aliviado.
– Ceeerto, ela é cheia de qualidades incríveis, entendi essa parte, mas Kelly concordou com tudo isso mesmo sabendo que você vai foder tudo que anda enquanto está com ela?
– Bem... Eu não vou, estou bem só com ela, no momento.
– Uau, isso é que é um grande Jack avanço.
Jack sorri.
– Quem sabe? Agora vamos dormir, ruivinha.
– Boa noite, cachinhos dourados.
Acomodo-me na cama, fecho os olhos e começo a pensar em Sophia, no sorriso dela, no gosto dela, segundos depois e estou caindo em um sono profundo.
Capítulo 16 – A Viagem
Acordo sentindo uma coisa dura nas minhas costas, viro para o lado e observo Jack dormindo calmamente ao meu lado, com uma das pernas por cima da minha e com seu pau duro matinal. Respiro fundo tentando acalmar minha agitação mental junto com minha ereção que está tão dura quanto diamante.
Confuso com minha reação, começo a sentir falta de ar, pulo da cama e começo a gritar com Jack.
- Jack, porra! Acorde! Que diabos foi isso?
– O que... Porra, Christian, o que foi? – Um Jack sonolento e confuso me encara.
– Eu que pergunto, quando acordei, você estava de “conchinha” com o pau duro nas minhas malditas costas! – Grito enquanto sinto minha mente nublar com incerteza e pânico, muito pânico.
Jack fica imóvel e me encara com o olhar de cachorro que caiu da estrada.
– Desculpa. Cara...
Rosno. – Nunca mais, Jack. Nunca mais.
– Nem se a nossa vida dependesse disso?
Reviro os olhos. Acho que ele percebeu minha agitação, pois para fazer uma piadinha dessas, só pode.
– Eu vou ir acordar as meninas antes que tenha que ouvir mais alguma das suas piadinhas sem graça.
Saio pelo corredor e bato na porta delas.
– Meninas, comecem a se arrumar!
Volto para o quarto e dou de cara com um Jack já arrumado.
– Me espere lá na sala, há, aproveite e pegue alguma comida para levarmos.
Minutos depois e todos estamos na sala.
– Prontos? – Pergunto.
– Prontos. Um por todos e todos... – Diz Jack colocando a mão entre a gente.
– Nem pense nisso. – Respondo balançando a cabeça. – Você e Kelly vão à frente e arrumem as coisas no carro de Jack, que agora é meu carro por um mês.
Jack rola os olhos e puxa Kelly com ele, me deixando sozinho com Sophia.
– Vem cá.
Sophia vem, fica na ponta dos pés e me beija.
Isso sim, é disso que eu preciso para melhorar, porque sou um cara obviamente normal e hetero.
Sugo seu lábio inferior, ela suspira e nossas línguas se encontram em um beijo apaixonado.
Seguro a sua bunda entre as minhas mãos e ela engancha as suas pernas na minha cintura, me montando. Arrasto-a para a parede e nós dois gememos quando meu pau se encontra com a sua calcinha molhada, esfrego mais forte e ficamos ofegantes, ela quebra o beijo e lambe meu pescoço.
– Christian...
Mordo seu ombro e empurro mais forte no seu clitóris, ela grita, puxa meu cabelo e começa a mexer o quadril mais rápido, gemo baixinho e a beijo novamente.
Já ouvi falar em transar a seco, mas nunca testei a teoria, é quente pra caralho.
Lambo o pescoço de Sophia e empurro no ponto certo que sei que ela gosta.
– Não pare... Eu vou... Eu vou...
Então a solto no chão e me afasto com um sorriso.
– Christian Donato! O que diabos foi isso??!! – Ela rosna furiosa e confusa.
Começo a rir roucamente.
– Baby, isso é por você sair dando carona a homens por ai, e pelo boquete no meio da estrada, poderíamos ter morrido.
Ela me olha com luxuria.
– Mas... Eu estava tão perto... Por favor, Chris... E você vai ficar de bolas azuis, eu sei que você estava gostando...
– Sim, sim, eu estava gostando, mas aqui não é sobre mim, é sobre você, então vamos para o carro logo, antes que eles notem a nossa falta.
Sophia passa por mim pisando forte, sorrio, a puxo e lhe dou um beijo rápido, deixando nós dois sem fôlego.
– Se ajudar, eu tive que usar todo o autocontrole que não tenho, para nos parar naquela hora.
Ela sorri de conto de boca.
– Bem feito!
Pego ela e a jogo nas minhas costas.
– Mim, vai levar minha mulé pra cabana.
– Christian, me põe no chão! – Ela grita.
Desço as escadas sorrindo feito um idiota apaixonado.
– Idiota, sorte sua que sua bunda é gostosa e eu não pude bater nela.
Olho-a com uma expressão engraçada e ela sorri, mas depois fecha a cara e vai para o carro, sento e dou a partida.
– O que deu em vocês? – Pergunta Kelly.
– Ele, esse... Maluco, está me deixando...
Jack a interrompe. – Ok, Ok, eu simplesmente não quero sobre a vida sexual de vocês dois.
Arqueio uma sobrancelha inquiridora para ele.
– O que? Eu te conheço, e sei que vocês fizeram alguma coisa para Sophia estar com essa cara de pessoa mal comida. – Ele vira o olhar para janela e da de ombros. – Normal.
– Normal? Normal... É porque não é você que está molhado e insatisfeito aqui. – Sophia resmunga baixinho.
– Oh, calma linda, mesmo que você quisesse, eu não poderia ficar molhado e insatisfeito, sou um cara, caso não tenha notado.
Kelly da uma cotovelada nele.
– Não liga pra ele não, Soph. Ele precisa aprender como tratar uma mulher.
– Ei, eu não vi você reclamando dos meus modos quando eu te chupei e ...
Interrompo-os, porque saber que Jack anda chupando alguém, me da algum tipo de aperto estranho e levanto as mãos em sinal de paz – Ok, Ok, agora sou eu que não quero saber quem Jack chupou ou deixou de chupar, será que dá para se acalmarem ou vamos cair em barranco antes mesmo de chegar lá.
– Certo, papai. – Jack murmura divertido.
Reviro os olhos e ligo o som.
1 hora depois e estamos todos completamente entediados.
– Jack, me passa as batatinhas, estou de fome aqui. – Sophia pede.
– Claro, muna mur.
– E ai? Vai ficar todo mundo silencioso? Ninguém morreu, que eu saiba. – Ironizo.
– Doutor Robert morreu. – Pondera Jack.
– Foi uma piada, droga. – Respondo emburrado.
– Não faça piadas. Faça bebês. – Fala Jack rindo.
– Eu só não te dou um soco agora, porque estou dirigindo.
– Kelly? – Pergunta Sophia.
– Ela dormiu. – Responde Jack.
– Como é que uma pessoa normal dorme com esse carro balançando na estrada? Espera, Kelly não é normal. – Fala Sophia.
– Eu ouvi isso. – Resmunga Kelly no sonho.
– Era sol que me faltava. – Fala Sophia.
– Como assim era sol que te faltava? O certo não seria dizer "Era só o que me faltava?" – Pergunta Jack confuso.
– Não, eu falei isso porque preciso de um solzinho mesmo, aqui em São Paulo chove de mais.
– Certo, certo, parem de me confundir, pelo amor de deus. – Falo confuso também.
Sophia me olha uns segundos, pega o celular, disca um número e espera.
– Oi, mãe! Saudade de você, quanto tempo à gente não se fala... É que eu estou muito ocupada com a faculdade e tal... Como está Coisa Azul?... – Sophia ri. – Eu sei, ela adora te enlouquecer, mas ela é legal, e faz o que... Oito, sete anos que vocês estão juntas?... Ra ra ra, não, é que eu quero te contar uma coisa... Sim... Hum... Eu estou tendo um caso com o meu chefe.
– COMO É QUE É? – Eu e Jack nos entreolhamos chocados quando ouvimos a mãe dela gritar no telefone.
– Calma... Calma, porra. Não... Não é o Martin, pelo amor de deus... É o filho dele... Eu não sabia... Será... Espera... Fala mais devagar, droga. Eu te amo e tudo mais, mas a vida é minha agora, vinte e um anos, maior idade, lembra?... Bom... Ele é legal... Eu não vou falar sobre isso com você... Ele é lindo, sim, algum problema? Quer... Espera.
Ela tira o telefone da orelha e me lança um olhar arrependido.
– Ela quer falar contigo, posso por no viva voz?
Confuso e chocado de mais pra falar, apenas aceno com a cabeça.
– Certo, mãe, pode falar.
– Você é Christian?
– S-s-sim, senhora.
Droga, eu estou parecendo uma criança pega comendo doce escondido.
– Quantos anos você tem, meu rapaz?
– Vinte e sete, senhora.
– Mora sozinho?
– Tenho um apartamento próprio e trabalho como vice-presidente na empresa do meu pai.
– Não se gabe para mim, moçinho. Tem filhos?
– Não, senhora.
– Quais são suas intenções com a nossa filha? – Pergunta uma voz diferente, mas feminina.
Olho confuso para Sophia.
– Minha mãe é casada com uma mulher. – Sophia sussurra. – Desculpa não ter contando antes.
Franzo o cenho e pigarro.
– Eu gosto muito da filha de vocês.
– Muito quanto? – Pergunta a mãe dela.
– Ela é diferente, ela me ajuda, é linda, companheira e não se importa por eu ser rico e ter uma família horrível. – Respondo sinceramente.
– Hum... Boa resposta, Christian. – Fala a companheira da mãe de Sophia.
– Qual é o nome da sua mãe? – Sussurro desesperadamente para Sophia.
– Elaine, e o nome da mulher dela é Jimmik. – Ela sussurra de volta.
Pego o telefone, tiro do viva voz e sussurro impulsivamente, talvez ser impulsivo com Sophia é o que eu precise para me curar dessa confusão mental.
– Vocês me dariam a honra de namorar a sua filha?
Sophia franze o cenho para mim, mas eu a ignoro e espero a resposta da família dela.
– Bom... Você parece ser um bom rapaz, mas você quer ficar sério com ela ou ela é apenas mais um divertimento para você?
– Com ela é diferente. – Afirmo.
– Se você magoar ela ou qualquer outra coisa do tipo, nós iremos acabar com a sua raça, e eu realmente não gostaria de ter que fazer isso, não na minha idade. – Fala Jimmik.
– Vocês me permitem namorá-la? –Sussurro ansioso.
– Sim, meu rapaz, eu permito, mas saiba que agora nossa filha está aos seus cuidados, tome conta dela. – Responde Jimmik.
– Com a minha vida, senhora. – Falo orgulhoso.
Coloco o celular no viva voz novamente.
– Certo. Meu amor, você ainda está ai? – Pergunta a mãe dela.
– Sim, mãe, o que foi?
– Você esta tomando seus remédios?
Sophia fecha os olhos bem apertados.
– Eu me esqueci de tomar essa semana, mãe, mas prometo que vou ao medico semana que vem.
Escuto o suspiro da sua mãe.
– Ok, filha, faça como você quiser. E quando vir me visitar, vê se trás esse pedaço de homem junto, para passearmos e nos conhecermos, certo?
Sophia rola os olhos.
– Tudo bem, mãe. Olha, eu tenho que ir, mas prometo ligar mais vezes, se der.
– Tudo bem, tudo bem, mas ligue mesmo. Beijos, até depois.
O telefone fica mudo e Sophia o guarda.
– Que onda é essa de você ligar para sua mãe e nem me falar o nome dela?
– Desculpa. – Sophia sussurra. – E que onda foi essa de você tirar o telefone do viva voz e falar escondido com a minha mãe, o que você falou com elas, aliás?
– Nada de muito importante, anjo. Agora me fale qual é o seu sobrenome, porque nem isso eu sei.
Ela suspira.
– Eu sei, eu sei, nós não sabemos as coisas simples um do outro, mas sabemos as complicas, lá vai. Meu nome é Sophia Angelim Mackenzie.
Franzo o cenho ao ouvir o tom seco da voz dela.
– E…?
– E... Meu pai, o verdadeiro, veio dos Estados Unidos em umas férias para Salvador, mas minha mãe não sabia, então ela apenas ficou com ele e acabou se apaixonando, quando ela descobriu que estava grávida, contou pra ele, ele mandou me tirar, só que ela não quis. Quando eu nasci, ela tentou fazer ele me cadastrar como filha dele, mas ele não queria, meu nome era apenas Sophia, pois minha mãe jurou só colocar o sobrenome dela no meu nome, se ele fizesse, três anos depois, ele resolveu me registrar e meu sobrenome ficou assim, mas eu não quero falar mais sobre isso.
– Uau... Sinto muito, Soph. – Falo sinceramente.
– Sinto muito também, Soph. – Diz um Jack comovido.
– Certo. Chega de drama, pelo amor de deus. Eu amo ler e ouvir músicas, gosto da cor lilás, pudins, salgados, não gosto de doce e salgado juntos, eca. Adoro bichinhos de pelúcia e o escurinho do cinema e você?
Sorrio para ela.
– Bom... Meu nome é Christian Steel Donato, sim, a família da minha mãe se originou dos Estados Unidos, o Donato que é de Martin. Gosto de azul, chocolates, pipocas, odeio verduras e adoraria o escurinho do cinema se for com você.
Sophia sorri completamente agora.
– Ah, pare de ser tão fofo. – Responde Jack revirando os olhos.
Mantendo o olho na estrada, digo:
– Imbessil. Há, estamos chegando! Faça algo útil e acorde Kelly, Jack. Vamos estacionar.
Estacionamos segundos depois e saímos do carro.
–Jack, você fica responsável pela lanterna. – Jack mexe no carro e sai com ela. – Certo, agora precisamos passar por aquelas grades, depois andaremos um pouco e chegaremos à árvore. O bom, é que essa área não tem sinal de celular, Jack que horas são?
Jack olha para seu pulso. – Uma e cinquenta e cinco.
– Certo. Eu levanto Sophia e você levanta Kelly.
– Pode crer.
Chegando à grade, seguro Sophia e ela me olha estranhamente.
– Pode soltar, Christian.
– Mas...
Antes de terminar de falar, Sophia já estava escalando e pulando do outro lado com uma agilidade incrível.
– Puta merda! Iremos conversar sobre isso depois!! – Grito espantado e admirado.
– Não há nada para conversar, eu fiz Karatê, parei na faixa roxa. – Ela responde.
Uau... Imagina as coisas que ela pode fazer com essas pernas deliciosas...
Quando todos já estamos do outro lado, pego a mão de Sophia e vamos caminhando, espero que Felipe esteja ali.
Chegando lá, não vejo muita coisa além da casa na árvore.
Viro-me para pedir a lanterna a Jack, quando o vejo brincando de "espadinha" com a lanterna. Ele sempre contagiando com alegria os momentos mais sombrios.Tento não rir e digo:
– Jack, hummmm, será que da para parar de brincar com a lanterna um minuto, pois ela não é um sabre de luz e faça algo útil, a coloque no caminho para subirmos ou não iremos enxergar merda nenhuma.
As meninas o encaram e caem na risada.
– Ra, não tente destruir minha reputação na frente das meninas, desmancha prazeres. – resmunga Jack mudando a direção da lanterna.
Olho para cima e subo primeiro, os outros seguem devagar, tento abrir a porta, mas está emperrada, então dou um chute, a porta abre e entro.
– Que bom que entendeu o recado, Christian.
Viro-me assustado e de repente estou encarando um sombrio Felipe.
Capítulo 17 – O Testamento
Depois que todos nos juntamos na casa da árvore, Felipe fala:
– Eu vejo que você conseguiu muitos aliados, Christian.
– Essa morena linda do meu lado é Sophia e aquela do lado de Jack é Kelly.
– Perfeito, agora que estamos todos aqui, vou ler o testamento do doutor Robert.
– Prossiga. – Diz Jack ansiosamente.
Felipe segura um papel entre as mãos.
– Eu, Robert Araujo da Silva, deixo as minhas descobertas para Christian Donato, as que estão na pasta preta. – Felipe suspira. – Aqui está uma carta que ele deixou, quer que eu leia?
– Claro.
– “Christian, meu filho, nessa pasta consta todas as informações necessárias para você saber como agir daqui para frente, e tome todo o cuidado do mundo, seu pai não é confiável, muito menos a sua mãe, eles estão juntos com o mercado negro para a negociação do medicamento, eles estão ganhando uma nota preta, usando pessoas necessitadas como cobaia e algumas foram encontradas mortas meses depois em algum barranco qualquer, degolados ou sem sangue. Eu sinto muito por tudo isso, se você está lendo essa carta, significa que eu morri, mas não se preocupe comigo. Há, eles vão saber que você vai dar por minha falta, provavelmente já me cremaram e irão inventar alguma coisa para contar para você. Gisele sabe da situação toda, não se deixe enganar por ela, ela se apaixonou por você desde criança, vocês brincavam juntos, mas aí quando vocês cresceram, ela percebeu que você não sentia desejo por ela, então pediu ajuda aos seus pais, e como ela é rica, seus pais ficaram com olho gordo no dinheiro e nas conexões com a sociedade que você teria, seus cartões de credito devem estar grampeados, sua casa por enquanto não, mas não é bom ficar muito tempo por lá ou em qualquer lugar perto deles. Eles farão qualquer coisa para te casar com Gisele, já que eu recentemente descobri que eles pegaram um empréstimo da família de Gisele para financiar o empreendimento e a venda desses medicamentos e o casamento de vocês é o pagamento, tome muito cuidado, meu filho, com grandes poderes vem grandes responsabilidades.”
Estou chocado, eles deveriam ser minha família, sabe? Cuidar de mim, me manter longe de problemas, me amarem a cima de tudo e todos, mas não... Preferiram o dinheiro a mim, deus... Como eles chegaram a esse ponto... Estou sentido nojo de um dia ter ao menos gostado deles.
Sophia me abraça e me encara com seus olhos avelãs marejados.
– Christian, vai ficar tudo bem, okay? Eles não merecem um filho perfeito como você, porque é isso que você é para mim, perfeito, meu menino perfeito.
Lhe aperto forte e olho para um Jack desolado.
– Eu sabia que eles não prestavam Chris, não deixe isso te abalar, eles são filhos da puta mesmo, você sempre vai me ter ao seu lado.
Tento falar, mas parece que tem uma bola enorme na minha garganta.
Sophia me olha preocupada.
– Felipe, poderia passar a tal pasta preta, por favor?
Felipe pega a pasta e entrega a Sophia.
Recobro a minha voz.
– E você, Felipe? Vai fazer o que?
– Robert deixou dinheiro de viagem e um passaporte novo para eu sair do país, vou hoje mesmo.
– Obrigado por tudo. – Aperto a mão dele e começo a descer a árvore.
Chegando lá em baixo, dou a mão para Sophia e tiro a maleta dela.
A tensão aumenta quando chegamos ao carro.
Abro a porta e todos entram ao mesmo tempo.
– Você está bem? Espera, ignore o que eu disse, foi uma pergunta idiota. – Fala Sophia.
Sorrio de lado para ela.
– Eu me lembro dessa frase de algum lugar...
– Ela é sua.
– Eu estou bem, eu sabia que eles não valiam um centavo, mas isso meio que ultrapassa não valer um centavo para o fundo do poço. Agora vamos deixar de frescuragem e abrir essa pasta logo, porque temos pessoas que precisamos botar na cadeia.
Pego a maleta e coloco no meu colo.
– O que foi? – Pergunta Jack.
– Bom... Tem uma senha na pasta... – Digo franzindo o cenho.
– Tenta aquela senha da mensagem de voz, idiota. – Responde Jack
– Ta, ta.
Pego a senha, coloco 3-8-5-4-1-2 e a maleta destranca.
Puxo uma respiração tremula e abro a maleta.
Olho dentro e congelo.
Fotos... Dos meus pais, recebendo dinheiro em um beco qualquer.
Fotos de Gisele em um prédio escuro conversando com os meus pais.
Fotos dos pais de Gisele saindo de um carro preto com dois brutos montes do lado.
Fotos de uma área restrita...
Fotos de um carro preto.
Fotos de crianças e adolescentes de rua sendo levados por um carro preto.
Fotos de crianças e adolescentes chegando a tal área restrita... Chorando. Implorando. Algumas pulando de alegria e outras com um olhar vago e estoico.
Documentos e mais documentos falando sobre a tal área...
“Há relatos de que usam crianças e adolescentes de rua como cobaia cientifica, aplicando medicamentos ilegais e observando o andamento do processo, mantendo eles em cativeiro. Também a relatos de que muitos deles foram encontrados meses depois, mortos por desidratação, insolação, queimaduras de terceiro grau, manchas roxas, sem sangue e por doenças não identificação. Todas essas informações são comprovadas e legalizadas por: Doutor Robert, o medico de uma das clinicas que utilizavam clandestinamente alguns de seus medicamentos e corpos de pessoas mortas.”
Vasculho mais a pasta e encontro fotos de algumas crianças mortas.
Não sinto que estou chorando até algumas lagrimas caem nos papeis...
Eu só... Respiro fundo... Era minha família... Eles fazem parte disso... Eles matam crianças. CRIANÇAS.
Pego uma folha que estava dobrada.
“De acordo com o que eu pesquisei, eles se encontram a cada mês para atualização, e o encontro deles será dia 31 de Janeiro, desse mês ainda, no final desses encontros, Ethan entra sozinho em um carro preto e vai a uma direção desconhecida.”
Hoje é dia 25 de janeiro... Conheço Sophia há apenas 4 dias e parece como se fosse a minha vida toda. Volto para o papel em minhas mãos, dia 31 de janeiro, faltam apenas 6 dias para a reunião deles... É uma informação crucial.
Olho atrás da folha e vejo um número e "Ligar caso a situação fique muito ruim”.
Mexo mais fundo, encontro um classificador fino, abro e leio silenciosamente:
– Martin, precisamos de mais crianças para os experimentos.
– E as crianças da semana passada?
– Carolina e Ethan pegaram e levaram eles.
– Hum... Quais os ajustes que faltam no medicamento?
– Precisamos deixar o medicamento mais humano do que animal, então eu vou precisar de uma medula óssea que preste, e talvez um pouco mais de alfa-metildopa... Deixo-me ver... Afrin, prednisolona e mais três vacinas anti-rábicas.
– E aquelas plantas medicinais?
– Não, eu não preciso de mais, está perfeito.
– Quer que eu te traga algum animal?
– Traga... Uns dois gatos e um cachorro com raiva, muita raiva, impossível de ser tratado.
– E quais serão os efeitos colaterais?
– Se funcionar como planejado, a impotência sexual é inevitável, mas a pessoa terá o poder do olfato de um cachorro, poderá enxergar no escuro como um gato e terão garras, tudo ativado pela raiva, será a nossa melhor criação, porque a pessoa não irá precisar se internar, apenas tomar uma dose e ficar em casa de repouso por uma semana.
– E venderemos para quem dessa vez?
– Eu já liguei para Gisele para ela avisar a Carolina que os medicamentos experimentais estão quase prontos e então Ethan irá a seus contatos no mercado negro, venderemos para exércitos, pessoas com muito dinheiro que se acham donos do mundo, ficaremos mais ricos ainda.
– Perfeito. E quanto cobrará dessa vez?
– Eu cobrarei um milhão por dose.
– Uau, mulher. Adoro a sua ambição.
– Certo, agora vá, que quanto antes terminar, poderemos nos aposentar e ir para o caribe, que tal? Claro que não antes do casamento do nosso filho Christian.
– Amor, eu não acho que ele vá se casar por vontade própria com Gisele.
– Então ele se casará contra vontade, o doparemos, injetaremos soro da mentira e tudo feito, de um jeito ou de outro ou ele se casa ou ele se casa, se não, as nossas dividas com os pais de Gisele nunca serão quitadas, e você sabe o que eles fazem com os mentirosos que quebram contratos, eu não serei um deles.
– Bom... Nós precisamos deles por causa dos contatos com o mercado negro, sem isso o nosso negocio nunca iria decolar, então tivemos que pegar esse empréstimo de um jeito ou de outro mesmo.
– E se o nosso Christian é o preço, que se dane, é um preço pequeno a se pagar pela fama que teremos com ele casado com a Socialite Gisele Parkson, e seremos trilionários. Acalme-se Martin, tudo vai acabar bem.
Essa foi a gravação de uma conversa entre Martin e Martha Donato. Feita três semanas atrás, por: Doutor Robert.
Mais lagrimas piscam em meus olhos, ignoro tudo ao meu redor e me esforço a lembrar de uma vez, apenas uma vez que eles se importaram comigo, mas tudo o que me vem à mente é um branco, não teve essa vez, eu nunca os conheci de verdade, eles, os meus pais, que eu amei um dia sem motivo algum, que me mandaram para um internato, que me fizeram a primeira cobaia de seus experimentos, que deixavam babás cuidando de mim o tempo todo, eles, que agora estão destruindo vidas de pessoas inocentes.
Respiro tremulamente e consigo formular um pensamento:
Quem diabos são esses contatos que Ethan tem?
Procuro desesperadamente na pasta e encontro um trecho:
“De acordo com o pesquisado, os contatos de Ethan Parkson no mercado negro, são desconhecidos até certo ponto, sei que são 3 caras, um de 24 anos, um de 33, e um de 44, todos sem rostos até o momento, mas suspeitamos que os de 33 e 44 são os capangas da família Parkson, e um deles tem origem em Salvador, Bahia. Foi um importante traficante na área de itapuã, desaparecendo do mapa depois do ensino médio, ele é o líder da ação, com apenas 24 anos. Não tenho nomes concretos, mas esse cara foi acusado de tentativa de estupro em uma jovem na época do colegial, porém as acusações desapareceram uma semana depois. Informações reais coletadas por: Doutor Robert.”
De repente escuto um ofego agudo, viro para o lado e vejo Sophia com a mão na boca e lagrimas transbordando pelos seus lindos olhos.
Mas não consigo formular palavras ou perguntas mesmo se eu quisesse, pois eu mesmo estou completamente quebrado. Desolado. Estilhaçado.
Sophia quebra em pequenos soluços.
– Mi amoré, o que foi? – Jack pergunta preocupado.
Eu que deveria estar consolando ela, mas não consigo, eu... Eu... Não posso, não agora, só não agora.
Sophia fecha os olhos com força.
– N-N-Não, e-esta-ta tudo b-bem. – Ela gagueja tentando respirar profundamente.
A encaro até ver que ela está olhando dentro dos meus olhos.
Meu anjo.
É tudo o que eu consigo dizer em silencio.
Tento ver se ela me ouviu, me leu, e então a boca dela se movimenta.
Meu menino.
Só então posso sorrir de novo, eu sei que tudo vai ficar bem, porque Sophia está do meu lado e juntos somos mais, mais do que qualquer plano do mal contra a nossa felicidade.
Enxugo as minha lagrimas e dou uma olhada em Jack, que me encara com um misto de preocupação e desespero.
“Você está bem?” – Ele movimenta a boca.
“Eu vou ficar... Um dia.” – Digo de volta.
– Jack, pegue essa pasta e guarde-a aí com você, por favor. – Falo roucamente em voz alta.
– Claro.
Jack puxa a pasta do meu colo, guarda tudo e coloca perto dele.
Aproximo-me de Sophia e enxugo suas lagrimas.
– O que foi, meu anjo?
– Eu que deveria estar te consolando.
– Você me consola através do seu olhar, esse olhar é tudo o que eu preciso para me animar.
Sophia sorri fracamente.
– Como você se sente?
– Uma merda, mas vou sobreviver.
– Eu vou ajudar você a sobreviver.
– Eu agradeceria muito se você fizesse isso.
– Que tipo de agradecimento, Senhor Grey? – Sophia funga e brinca comigo.
– Um espancamento com um chicote de três tiras, talvez? – Brinco com ela.
– Wow, Wow, calma galera. Estamos em um momento de luto aqui, sem chicotes envolvidos, por favor. – Fala Kelly.
– Luto? Quem está de luto? – Franzo o cenho.
– Deixa pra lá, gênio. – Responde Kelly.
– Hoje vamos dormir na casa de Sophia. Depois de amanhã é que iremos nos reunir para falar sobre os acontecimentos de hoje.
– Por que não amanhã? – Pergunta Kelly.
– Porque amanhã eu quero que nós passemos um dia normal.
Olho para a estrada escura e paraliso quando vejo um carro preto a alguns quilômetros do carro.
– Jack, me passa uma foto da pasta, onde tem tipo uma construção enorme caindo aos pedaços.
Jack franze o cenho e me passa uma foto.
Encaro a foto alguns segundos, engulo em seco e piso fundo no acelerador.
– Christian, que porra? – Grita Jack.
Olho para o retrovisor e vejo que o carro preto ligou e está vindo em nossa direção.
Droga, droga, droga. Como eu não pensei nisso antes?
O Colégio Daybrack, aquele que foi fechado há anos atrás, é o local onde eles fazem as experiências, e esse colégio está localizado a uns 20 quilômetros atrás da gente, quase do lado da clinica onde eu fiquei.
– Estamos sendo seguidos, caralho. – Respondo a Jack.
Piso mais fundo no acelerado e o carro atrás da gente acelerar também.
O mesmo carro que leva as crianças, droga, porra, merda, xingo baixinho todos os nomes possíveis, agora eles sabem que eu passei por aqui, a placa desse carro é de Jack, então vão me conectar ao local e contar para Martin e Martha.
– Oh meu deus, Christian, eles tem uma arma!!! – Fala Sophia assustada.
Olho pelo retrovisor e segundos depois escuto tiros.
– TODO MUNDO ABAIXADO AGORA!! – GRITO.
Manobro o carro fora dos tiros deles e me preocupo com as rodas, céus, eles não podem atingir as rodas.
Escuto mais um tiro e ele bate no vidro de trás do carro. As meninas gritam assustadas, mas o carro de Jack é a prova de balas, ele é meio nerd sobre ataques misteriosos e colocou isso, veio a calhar, devo parabeniza-lo se sobrevivermos depois dessa.
Escuto o som de um trem. Há, aqui é um dos lugares onde trens descarregam matérias primas.
Vejo o trilho alguns metros à frente e o trem em alta velocidade, eu posso, eu consigo fazer isso, não deve ser tão ruim assim, nos filmes se fazem isso toda hora.
Minhas mãos começam a suar, me aproximo dos trilhos, meus ouvidos estão quase surdos com o barulho do trem buzinando para me afastar, junto com as batidas frenéticas do meu coração, mas ao invés de frear, dou um impulso para frente, o carro salta no ar e escuto os gritos de Kelly e Sophia.
De repente tudo começa a passar em câmera lenta.
Suor desliza na minha testa e a minha vida passa diante dos meus olhos, então eu fecho os olhos e continuo acelerando.
O barulho do trem se torna ensurdecedor e eu só consigo pensar em morte, morte e nada mais.
Em seguida o carro bate com força no chão, abro os olhos e vejo que ultrapassamos, yep, conseguimos passar, eu consegui fazer isso!
Começo a gritar animado e olho para Jack que também está sorrindo loucamente.
– Você estava tentando me matar é, porra? E aqueles caras atirando na gente. Eu juro que ainda sou muito nova para morrer! – Esbraveja Kelly.
Eu não ligo, eu consegui sobreviver, dessa vez, pelo menos.
– Sophia, você está bem?
Franzo o cenho quando a vejo repirar fundo.
– Eu estou bem. Agora dirija, pelo amor de deus, e se eles estiverem ainda atrás de nós?
– Jack, eu vou deixar o seu carro no nosso estacionamento, depois pego o carro de Sophia e vamos para a casa dela, certo?
– Claro, cara. Mas... Tinha que ser logo o meu carrinho? O meu bebê?– Jack meio choraminga meio brinca.
– Eles viram a placa, Jack, não poderemos mais usar o seu carro por agora.
– Porra, isso é o que mais me preocupa, eles viram a placa, e agora?
– Agora deixa rolar, sabe? Mas eu vou andar com uma faca no bolso só por precaução. Vamos sair daqui.
Então religo o carro e tento acalmar as loucas batidas do meu coração.
Pelo visto a paz que tinha sobrado acabou de se transformar em guerra.
Agora só espero termos coragem o suficiente para seguirmos em frente sem desmoronar.
Capítulo 18 - Calmaria
Acordo com a luz do sol batendo no meu rosto, gemo e tento rolar de lado, mas aí me lembro do que aconteceu ontem à noite, da perseguição, do trem, de depois vir dormir na cama de Sophia.
Olho para o lado e vejo Sophia ainda dormindo, tão linda...
Acaricio seus cabelos, não consigo me segurar e beijo o pescoço dela, Sophia geme e obre os olhos:
– Christian, o que...? – Ela pergunta roucamente.
– Shh... Deixe-me amar você.
– Christian... Espere, eu quero tentar uma coisa com você. – Ela parece desconfortável.
– O que seria isso? – Encaro-a com curiosidade.
Sophia levanta e vai para seu armário.
Segundos depois ela sai de lá com uma gravata preta, um chapéu preto de Cowboy e uma cueca Box também preta. Será que tem alguém de luto? Penso ironicamente.
– Da onde você tirou isso? – Pergunto franzindo o cenho.
– Eu comprei, mas ninguém usou... – Sophia cora ligeiramente.
Levanto uma sobrancelha inquisidora.
– É para mim?
Ela balança a cabeça e morde os lábios.
– Certo, me dê aqui.
Ela vem, me entrega e aponta para o banheiro.
Troco-me e quando saio, olho ao redor e encontro Sophia deitada na cama, cristinho do céu, vestida com um lingerie branco de matar.
Sophia me encara como se quisesse me comer, e eu estou mais do que disposto, meu pau já está latejando.
Caminho lentamente em sua direção, mas ela me para com a mão e passa os dedos pelos meus mamilos que instantaneamente ficam duros, sugo uma respiração enquanto ela se abaixa e passa a língua no meu mamilo direito e depois suga o esquerdo com força, gemo e empurro meus quadris para cima, mas ela ignora e arranha os dentes no meu mamilo direito enquanto aperta o esquerdo.
– Baby... Por favor. – Imploro para ela se apressar.
Ela me olha por baixo do chapéu de cowboy, os tira, depois morde suavemente meu lábio inferior, em seguida lambe e enfia a língua na minha boca.
Gemo mais forte quando ela suga minha língua e quando tento puxa-la contra minha ereção, ela se separa ofegante, levanta e me empurra na cama. Montando-me, ela puxa a gravata do meu pescoço, me da um beijo áspero e amarra minhas mãos na cabeceira da cama.
– Sophia... O que?... – Pergunto confuso e excitado.
– Shh... Você vai gostar.
Ela passa as unhas nos meus mamilos e empurro o quadril para cima.
Em seguida me desmonta e sopra ar quente na minha cueca que não deixa nenhum pedaço da minha ereção para imaginação.
Sophia tira minha box lentamente, e minha ereção salta orgulhosa, com varias gotas de pré-semem deslizando pela cabeça arroxeada.
Sophia respira em cima da minha cabeça, gemo e forço a gravata para baixo.
Ela me encara com luxuria e coloca a língua na fenda, limpando todo o pré-semem, vaio entre dentes.
– Por favor... – Serio, eu estou considerando implorar aqui.
Sophia sorri perversamente e eu sei que estou ferrado, porque logo após, ela segura meu pau com uma mão e enfia todo na boca de uma vez, subindo rapidamente e sugando na ponta para repetir o processo depois.
Gemendo, empurro o quadril para cima a fim de fazê-la ir até a garganta, mas ela mais uma vez me ignora e tira meu pau de sua boca com um sonoro pop.
Respirando pesadamente, observo-a tirando a lingerie e depois me monta, melando meu pau com seu suco.
Ela geme e se mexe, me arrancando outro gemido desesperado.
Ela se inclina e sussurra no meu ouvido:
– Eu quero que você me foda até que eu não lembre o meu nome.
Segundos depois sinto a pressão que segurava meus braços na cabeceira da cama ceder.
Sem pensar duas vezes, sorrio maliciosamente e a viro de costas na cama.
– Agora é a minha vez.
Coloco os pés dela no meu ombro e os afasto para ver sua boceta pingando.
Aproximo meu nariz do seu clitóris e repiro fundo sentindo o cheiro do seu desejo por mim, ela geme acima e tenta se mexer, mas eu seguro firme, e passo minha língua pelos seus lábios.
– Christian... – Ela geme.
– Sim, bebê? Diga o que você quer. – Sorrio e passo a língua pelos seus lábios de novo.
– Quero... Lamba-me... – Ela responde ofegante.
– Eu estou fazendo isso. – Repito o processo anterior e sorrio ao vê-la se mexer inquieta.
– Lambe o meu... Clitóris. – Ela cora.
Passo uma longa lambida no clitóris dela e a sinto tremer a cima de mim, então o coloco na boca e sugo com força ao mesmo tempo em que enfio dois dedos na sua boceta, ela solta um grito agudo e puxa o meu cabelo, ignorando sua petição, me afasto.
– Onde está o preservativo? – Pergunto enquanto lambo os seus sucos que ainda estão na minha boca.
Ela me encara frustrada e confusa e balança a cabeça.
– Eu... Eu estou limpa, se estiver tudo bem com você... – Ela gagueja.
Rosno. – Também estou limpo, bebê. Nem precisa perguntar.
Sem aguardar mais, na mesma posição, a puxo para baixo do meu corpo, pego meu pau, seguro na sua entrada melada e enfio com força.
Gritamos juntos quando minha carne quente e dura desliza direto para dentro da sua boceta.
– Tão apertadinha.
Respiro tentando achar algum controle até que sinto os músculos internos de Sophia contraírem no meu pau.
Prendo a respiração e sinto suas unhas deslizarem no meu couro cabeludo.
Perdendo o controle, começo a entrar e sair dela rapidamente, uma e outra vez, quando percebo que estamos chegando perto, saio completamente dela e a viro.
– Fique de quatro para mim, Sophia. Prometo que você vai adorar.
Ela estremece e fica de quatro.
Respiro fundo, belisco seu peito duro, lhe arrancando um suspiro pesado.
Separo um pouco suas pernas e coloco novamente meu pau no seu buraco quente.
Inclinando-me sobre ela, suor brilhando pelos nossos corpos, seguro seu cabelo com uma mão, aperto sua bunda com a outra para obter controle e bato meu pau até as bolas, uma e outra vez, a sala se enche de gemidos desesperados, puxo seu cabelo um pouco mais forte.
– É isso que você queria, hein? Uma foda dura e quente? – Pergunto ofegante enquanto empurro até as bolas novamente.
Apertando o maxilar, começo a ficar frenético e sem ritmo, então eu escuto Sophia soltar um grito e um gemido e em seguida meu pau começa a ser ordenhado pela sua boceta, grunho seu nome, me deixo levar e gozo forte dentro dela.
Sophia cede e cai na cama me levando junto.
Respiro tremulamente e solto uma risada crua.
– Que ótima forma de acordar, posso me acostumar com isso.
– Eu odeio estragar o momento, mas você é um pouco pesado.
Saiu de cima dela imediatamente e sinto meu pau deslizando por suas dobras.
– Você se machucou? – Pergunto franzindo o cenho.
– Não, está tudo bem, acalme-se. Foi o melhor sexo da minha vida. - Ela para e rola os olhos - Como se eu tivesse tido outros para comparar.
– E você não terá, bebê. Mas agora precisamos de um banho.
– Sem sexo no banho, promete? Estou acabada. – Sophia me olha desconfiada.
– Prometo. – Respondo piscando o olho.
Sophia rola os olhos e quando se levanta, escuto alguém batendo na porta.
– Cara, você já terminou a sua sessão deus-sabe-lá-o-que aí? Porque depois de acordar maravilhosamente ouvindo seus gemidos, eu preciso ir para o psicólogo, pois fiquei traumatizado agora. – Fala Jack.
Ruborizo novamente... Droga,esqueci que Jack estava aqui, e agora ele ouviu tudo... E será que ele ficou duro, me imaginando foder Sophia? Balanço minha cabeça bruscamente, que pensamento imbecil é esse? Porra!
– Estamos indo tomar um banho, desculpa aí cara. – Respondo nervosamente.
– Certo, eu e Kelly vamos praticar... Videogame... No quarto dela, tem panquecas e café lá na cozinha.
– Videogame? Sei... Vá lá, praticar... – Respondo sarcasticamente tentando encobrir meu desejo de estar no lugar de Kelly. Caralho,acho que preciso começar a ir a igreja para me purificar desses pensamentos... Porque só... Não consigo...
Minutos depois de um bom banho e ter transado com Sophia no chuveiro de novo, ei, eu não prometi não fazer nada... Ou prometi? Foda-se.
Mas sim... Onde eu estava mesmo? Sim... Eu e Sophia, estamos na sala terminando de guardar os pratos do café... Ou seria almoço? Porque pelo que sei são 11h da manhã agora... Tanto faz.
– Como eu não estou a fim de sair desse apartamento agora e ser assassinado, que tal assistirmos um filme no quarto?
– Perfeito, vou fazer a pipoca. – Sophia sorri para mim e meu coração da um solavanco. Estranho.
Vou para o quarto e me jogo na cama.
Poucos minutos depois Sophia trás uma bacia de pipoca.
– Iai, qual filme vai ser?
– Eu pensei em colocar Diário de uma paixão só para te torturar, mas eu não gosto do filme, Rapunzel é fofo, mas não quero fofura agora, então que tal... Velozes e furiosos? Tem carros e homens bonitos, uma mistura perfeita.
– Que homens bonitos? Se for assim, eu prefiro Rapunzel.
Sophia sorri.
– Que tal American Pie?
– Não, pois na metade do filme eu já estaria comendo essa sua bocetinha doce.
Ela ruboriza.
– Velozes e furiosos, então.
Rosno, mas deixo por isso mesmo.
– O que vamos fazer mais tarde? – Sophia pergunta.
– Ficar aqui.
– Certo.
Ela coloca o filme e se deita ao meu lado.
Assistimos ao filme todo, fazendo piadinhas, cócegas e rindo de coisas nada haver, momentos assim que eu percebo que tudo o que está acontecendo vale a pena, só por um tempo divertido como esse.
Terminando o filme, saímos do quarto e vimos Jack e Kelly no sofá, conversando animadamente.
– Iai, qual é a boa? – Pergunto olhando em qualquer lugar, menos onde Jack está.
– Nada, já comeram? – Jack responde.
– Comemos um balde de pipoca.
– E nem me convidaram. – Jack resmunga. – Mas eu vou relevar isso, porque eu comi uns sanduíches que Kelly preparou para mim.
– E Kelly sabe preparar sanduíches? – Sophia pergunta divertida. – Espera, Kelly, você pegou o sanduíche que estava na geladeira? Aquele que eu preparei para a gente?
Kelly cora e desvia o olhar.
Começo a rir e der repente estamos todos rindo.
– Que tal fazermos um Karaokê, depois tentarmos fazer um bolo? – Pergunta Kelly animada.
– Perfeito. – Sophia diz e vai logo pegando o Karaokê.
Rolo os olhos e vou sentar no sofá do lado de Jack.
Jack me olha de canto de olho.
- Cara... Você está bem com tudo isso acontecendo, mesmo?
– Hoje não, Jack. Hoje é só para diversão.
Jack rola os olhos e deixa quieto.
Sophia e Kelly começam a cantar e dançar Katy Perry, enquanto Jack e eu assobiamos.
Depois que terminam, elas nos empurram para frente e eu e Jack cantamos um Rap, super desafinado.
Horas se passaram e nem notamos, cantamos os quatro juntos e a solo, dançando e fazendo caretas, sorrindo, gargalhando.
Então deixamos o som ligado e vamos preparar o tão sonhado bolo de Kelly.
Acabo “acidentalmente” quebrando um ovo no cabelo de Jack, que não leva muito na brincadeira e joga farinha de trigo nas minhas calças, de revanche pego um copo de leite e jogo dentro de sua blusa, ele pega um ovo e joga em mim, mas agarra em Kelly, começo a rir. Kelly chocada, pega leite condensado e joga nas calças de Jack, Sophia me olha espantada e joga abacaxi cortado em mim, franzo o cenho para ela que sorri, pego o sal e jogo nela, mas agarra em Kelly, opa, Kelly me lança um olhar assassino e joga molho de tomate em mim, me abaixo e o molho pega em Sophia, que rosna e joga açúcar em Kelly, mas agarra em Jack.
De repente nós quatro estamos rindo e gritando histericamente, eu agarro Sophia pela cintura e a beijo.
Depois da sessão amasso, nós quatro aumentamos o volume da música e limpamos a cozinha toda, cantando e dançando Still Into You de Paramore.
Quando terminamos tudo, nos jogamos no chão, sujos e exaustos.
– É... Parece que não vai ter bolo. – Comento divertido.
– Não, não vai ter... Droga. – Fala uma Kelly nada arrependida.
– Vamos tomar um banho, pessoal, depois pedimos comida italiana, que tal? – Pergunta Jack.
– Ótima ideia, Jack. – Responde Sophia se levantando e indo para o quarto.
Minutos depois e estamos todos na sala comendo comida italiana fresquinha, do Disk Taliano. Que é um nome muito esquisito para comida italiana, mas é boa, então tanto faz.
Olho para o relógio na parede. 20h. Nossa, quando a gente se diverte o tempo passa voando.
Observando ao redor, percebo que está é a minha família agora, eles me entendem, e nos damos bem, eles jamais fariam algo para me machucar, eles são tudo o que eu tenho.
Espero é que o amanhã não nos separe e estrague a nossa convivência e as nossas vidas.
Capítulo 19 – Sophia – Parte 3
O dia seguinte chegou mais rápido do que esperei, penso com pesar.
E aqui estamos eu, Jack, Kelly e Christian sentados no sofá, sem saber por onde começar a conversa.
Christian pigarra.
– Primeiro de tudo, devemos pensar com clareza, hoje é dia vinte e seis e a reunião deles é dia trinta e um, então devemos bolar um plano para segui-los, só que não podemos sair de casa até esse dia chegar.
– Mas como vamos passar cinco dias em casa sem fazer nada? – Pergunta Kelly.
– Eu não sei, mas como você tem trabalho, diga que pegou uma virose dos macacos loucos ou alguma coisa assim. – Responde Christian brincando.
Kelly revira os olhos.
– Certo, vocês viram aquele um número que tem na pasta e que lá está dizendo que temos que ligar quando a situação ficar preta? – Pergunta Jack.
– Mas a situação ainda não está preta, ela está azul. – Respondo.
Christian franze o cenho.
– E o que vamos fazer com a pasta? Escondemos aqui, mas onde? – Ele pergunta.
– Hum... Tem um piso do closet do meu quarto que está solto, você pode colocar ali. – Respondo.
– Certo, mas e agora... Podemos tentar jogar bingo ou algo assim? Uno? Truco? Strip Poker? – Pergunta Jack.
– Strip Poker é uma ideia. – Fala Kelly animada.
Rolo os olhos.
– Vocês estão mesmo pensando em sexo quando as nossas vidas estão em risco? – Falo.
– Sempre. – Responde Jack com uma piscadela.
Franzo o cenho. Algo está me incomodando desde ontem, lembra-se da menção de um traficante em Itapuã?
Eu só conheço um traficante em itapuã tão importante assim, e isso está me matando de medo, porém sei que devo contar para Christian sobre ele, mas provavelmente vai fazer a minha terapia ir por água abaixo, pois eu sei que Christian vai fazer perguntas, elas me assombram... “Como você sabe disso? Quem é ele? O que ele fez para você? Isso é grave?” E se Christian me abandonar depois de saber a verdade? E se ele parar de me desejar?
– Algum problema, meu anjo? – Christian me questiona com um ar preocupado.
Forço um sorriso que espero não ter saído como uma careta. – Eu estou bem, só meio sobrecarregada.
Ele me olha desconfiado, mas deixa passar.
Sabe o que vou fazer? Aproveitar. Essa é minha família daqui para frente e nada disso vai mudar.
– Pessoal, vou fazer uma ligação e já volto.
Chegando ao quarto, deito na cama e disco o número de Franciela.
– Ало? – Uma voz sonolenta atende.
Droga. Me esqueci do fuso horário da Bulgária.
– Desculpa, Fran, eu realmente esqueci o fuso horário daí.
Escuto seu suspiro de frustração.
– Eu ligo depois, realmente, foi...
Ela me interrompe. – Já que você me acordou de qualquer jeito e faz um tempo que nós não nos говоря, porque não começa a falar logo antes que eu comece a te обиждам e acorde o съседи.
– Certo... Eu entendi totalmente o escrinburinxinburixinxaxi que você acabou de dizer.
– Desculpe, é que meu português está meio enferrujado. Estou bem agora, eu falei sobre o bairro, xingar você e que não nos falamos há algum tempo.
– Sem problemas. Queria te deixar a par do que está acontecendo aqui. Lembra-se de... – Engulo em seco e sussurro – Weslley?
Meu coração se aperta e um soluço fica preso na minha garganta.
Respiro fundo e conto até dez.
Franciela fica em silencio como se estivesse perplexa também.
– Sim... Lembro-me dele, o que é que tem? Ele te procurou de novo? Porque se for isso vou caçar aquele desgraçado e arrancar as bolas dele com uma colher de sorvete.
– Não, nada disso, graças a deus. Eu sei que ele teve uma paixonite aguda por você e que como você é uma fodona aí na Bulgária, poderia... Sabe... Me conseguir algum endereço dele?
– Garota, nem me lembre de que esse otário ficou afim de mim. Só de pensar no que ele fez com você... проклет!!
Escuto ela respirar fundo do outro lado.
– Eu sei, eu sei. Então... Daqui a três dias eu posso ligar para você para saber alguma localização dele?
– Não, claro que não. Eu não quero que você pire nem nada, mas ele é perigoso, Sophia, por favor, me escute dessa vez, não vá fazer nada maluco, não quando eu estou indo para aí dia trinta e um. Quero encontrar você viva, certo?
– Pelo amor de deus, você acha que eu vou fazer o que? Me entregar a ele? Logo a ele? Claro que não, eu quero o endereço dele para dar a Christian, para Chris denunciar o cara. – A mentira escapa dos meus lábios tão facilmente que dói ter que fazer isso com Fran.
– Certo. Daqui a três dias eu te ligo com a resposta, não me decepcione, estou confiando em você.
– Claro que não, você é uma diva, lembra? Agora vá divar por aí.
– Às quatro horas da manhã? Divar para quem? Para lua?
– Em falar nisso... Como vai a Bulgária e tal? Seus pais estão tudo bem com você vindo para São Paulo?
– Eles estão meio chateados com isso, mas a decisão é minha de qualquer jeito. E a Bulgária está bem, eu acho, pois hoje eu ainda não tive tempo de conversar com o país.
– Ra ra ra, engraçadinha. E os namoradinhos?
– Baby, eu não sou como você que se joga em um cara que conheceu há nem três dias direito. E pare de agir como uma tia velha e gorda, pois você não é.
– Ei, eu trocaria meu corpo pelos seus olhos.
– Meu olhos são únicos, pare de cobiçá-los.
– Idiota. Mas ainda não me respondeu a minha pergunta, e os namoradinhos?
– Bom... Eu fiquei com um cara, e antes que você me encha de perguntas, nem lembro mais o nome dele, eu tinha bebido de mais com minhas amigas aqui, aquelas vadias e acabei pegando um carinha que parecia um chinês, foram só uns beijos, nada de mais.
– Sua vida sexual é tão deprimente.
– Pelo menos eu não sou uma depravada como você.
– Obrigado, obrigado.
– Isso não foi propriamente um elogio, sabe?
– Certo. Eu preciso ir, antes que minha gangue comece a dar falta do quão maravilhosa eu sou.
– E eu vou tentar dormir um pouco antes do sol nascer.
– Já pedi desculpas.
– Isso vai trazer meu sono de volta? Se não, desculpas aceitas e arquivadas para um futuro revanche.
– Isso não é legal.
– Bom dia, Sophia.
– Boa noite, Fran. Saudades.
– É, eu sei.
– Tchau.
– Тчау.
Desligando o celular, respiro fundo e volto para enfrentar meus amigos e meu parceiros.
......................................................................................
Três malditos dias depois, e eu já estou roendo as minhas unhas de preocupação, sério...
Aqui está um tédio que só, claro que tem sexo quente com Christian e vídeo game com Kelly e Jack, mas eu preciso de ar fresco para sobreviver.
Meu telefone toca e vou correndo para o banheiro atende-lo.
– Me conta, me conta, alguma coisa?
– Sim... Eu tenho esse endereço. Passei para o GPS do celular. Só não sei se é o atual dele, parece mais uma cabana velha, ele esconde seus podres muito bem.
– Eu não quero me encontrar com ele, quero ver uma dessas cabanas velhas mesmo, para vê se acho alguma coisa, quer dizer... Se a policia acha alguma coisa. E obrigado, Fran. Você é demais.
– Eu sei que eu sou demais. Só me prometa uma coisa. Como você é maluca e não me da ouvidos, se for fazer alguma coisa, pelo menos leve a cretina da Kelly com você.
Mordo o lábio inferior.
– Eu prometo. Não que eu vá fazer alguma coisa maluca.
– E eu acredito em você tanto quanto acredito na fada dos dentes. Sabe, esse endereço é em São Paulo.
– Em São Paulo? Eu achei que ia ter que pegar algum avião!! Como assim esse endereço é em São Paulo?? - Começo a ter um mine ataque.
– Eu não sei como, acalme-se. Provavelmente é uma cabana velha, ele não saberia que você está em São Paulo. Se bobear ele já esqueceu que você existe.
– Deus queira que sim, Franciela. Eu preciso ir, tudo bem?
- Antes me diga como está seu relacionamento com o Christian.
- Bom... Está perfeito, só tem uma coisa. – Digo franzindo o cenho.
- O que?
- Ele... Parece estar sentindo algo pelo melhor amigo dele. – Sussurro.
- Como é que é?
- Sei lá, Fran... Ele está sempre um pé atrás quando Jack está por perto, fica olhando ao redor, fica nervoso.
- Você acha que ele tem tesão pelo amigo, é isso? E o que você ainda está fazendo com ele, droga?
- Eu não sei se é propriamente tesão, ele só parece... Estar tendo uma discussão interna consigo mesmo. Só que quando estamos juntos, ele é perfeito, sabe? Acho que ele gosta mesmo de mim, mas está com medo.
- Medo do que?
- Essa é a questão. Medo do que? Mas sim... Preciso ir agora.
– Claro. Eu também preciso arrumar as coisas aqui. Depois de amanhã estou indo para aí, lembra?
– Como me lembro, estou louca para te vê. Beijos, até daqui a dois dias.
Eu espero, falo silenciosamente.
Desligando o celular, penso em tudo que já fiz nessa vida e me pergunto “Porque não?” Já está na hora de superar esse medo, e vai ser hoje de noite.
Saindo do banheiro, encontro Kelly na sala conversando com Jack.
– Cadê o Chris?
– No quarto. – Responde Jack.
– Kelly, vem cá um minuto.
– Ta bom.
Puxo Kelly para o banheiro, explico para ela que estamos saindo hoje de noite às três da manhã, de moto, para um lugar secreto. Ela desconfia, mas mesmo assim fica animada e diz que vai comigo, claro.
Indo para o quarto de Chris, pisco para ele e ele sorri para mim, deus, esse sorriso derrete o meu coração.
Vou para o closet, respiro fundo novamente, abro aquela caixa, tiro o plug anal e o lubrificante.
Caminhando até Christian, digo suavemente.
– Eu quero que você... Foda a minha bunda.
Christian arregala os olhos ao encarar os itens que tem na minha mão.
– Mas... Anjo... Você... Por que... – Ele gagueja.
– Nada, baby. Só quero que você seja o primeiro a fazer isso comigo.
Christian me encara e mesmo que ele tente disfarçar, já consigo ver a ereção no lençol.
Tiro minha roupa lentamente e me aproximo dele.
Nos encaramos por alguns segundos até que Christian geme e me beija com ferocidade.
Gemendo, puxo o lençol e ele está pelado embaixo dele, passo a mão pela cabeça do seu pau enquanto ele aperta meu seios.
Quebrando o beijo, encaro seus lindos olhos cheios de luxuria, me deito de costas na cama e abro bem minhas pernas, o deixando ver o quanto estou molhadinha e pronta.
– Tem certeza? – Ele me pergunta roucamente.
– Sim. Foda meu cú, por favor.
Christian respira fundo e lambe meus mamilos, deixando-os duas pontas duras de necessidade. Ele passa os dedos pela minha boceta pingando e esfrega o polegar no meu clitóris enquanto enfia dois dedos dentro de mim.
– Christian, por favor... – Imploro.
Ele se inclina e me lambe, solto um gemido alto quando ele começa a me chupar.
– Por favor...
– Shh, vou cuidar de você. – Diz ele com a voz rouca.
Pega o pau e alinha com a minha boceta pingando, nós dois gememos quando ele mete de uma vez e começa a empurrar.
Perdendo o ritmo, finco meus dedos na bunda de Chris, o puxando para mais perto, mas ele se afasta quando vê que meu orgasmo está chegando.
Grunho frustrada e sinto um liquido gelado tocar o buraco da minha bunda.
Endureço e fecho os olhos com força, vai dar certo, eu vou superar isso, por favor não me faça ter um ataque de pânico.
– Sophia, relaxe, me deixe dar prazer a você.
A voz de Christian me faz abrir os olhos, dou um aceno com a cabeça e deixo-o fazer o que tem que fazer.
Quando ele introduz um dedo, congelo, mas essa sensação é diferente... Ela não é tão ruim quanto foi antes, ela só é desconhecida.
Respiro fundo relaxando meus músculos e vejo Christian rolando a língua no meu clitóris, gemo e empurro para baixo, então sinto o plug deslizando sem nenhuma resistência para dentro da minha bunda.
Um suspiro chocado de queimação e prazer desconhecido se instala em mim.
– Mais... Por favor, mais...
Christian mexe o plug algumas vezes e puxa de vez.
– Você está pronta, anjo?
Balanço a cabeça sem ser capaz de responder e espalho as pernas abertas em torno dele.
Colocando o pau no meu buraco apertado, ele entra devagar, engasgo ao sentir uma queimação intensa, mas Christian percebe e passa os dedos no meu clitóris retornando a excitação.
Suspiro e empurro por mais, por mais desse estranho prazer que sempre detestei, mas aqui e agora, eu estou gostando porque é Christian que está fazendo.
Christian geme alto quando está totalmente dentro, me contorço, então ele começa a se mexer, a dor e o prazer se misturam, começo a gemer mais vezes, porém não é suficiente para um orgasmo, então Christian enfia três dedos na minha boceta pingando e fricciona.
– Goze para mim, Sophia.
Ele começa a empurrar mais rápido, desenfreado e nós dois soltamos um grito alto quando o orgasmo chega.
Caindo metade encima de mim, metade na cama, Christian suspira e me encara com um olhar desconhecido.
– O que foi? – Pergunto corando.
– Você é linda. Eu machuquei você? – Um olhar preocupado surge nos seus olhos.
– Obrigado e eu estou bem, foi bom. – Coro mais forte e Christian sorri. – Pare de me olhar!!! Merda, agora Kelly e Jack provavelmente ouviram a gente transando e eu vou morrer de vergonha.
Me escondo no lençol.
Christian fica parado um instante e depois da risada.
– Pare de dar risada agora, seu tarado!!!
– Ei, foi você que veio aqui pedindo para mim foder teu cú... E como ele é gostoso...
Levanto-me, mas deito na cama de novo ao sentir semem escorrendo nas minhas pernas.
Christian geme.
– Assim você mata o papai.
Sorrio lentamente.
– Vá pegar um pano.
– Eu gosto de saber que você está marcada com o meu semem.
– Mas é pegajoso, vai logo.
Depois de me limpar, caímos no sono agarradinhos.
Acordo subitamente e olho para o despertador. 2:30 AM. Ufa, acordei a tempo.
Desço da cama devagar, pego a caneta e um papel, escrevo algumas coisas para Christian e para Jack e com lagrimas nos olhos coloco a carta dentro da caixa de brinquedinhos sexuais e a outra escondo entre as roupas.
Olho para Christian, dormindo pacifico e tão lindo, ele parece jovem e relaxado assim, ninguém que o visse desse jeito diria que meu menino sofreu tanto para estar assim.
Dou um suspiro tremulo, visto uma calça preta, uma blusa branca por baixo do capote verde escuro com manga e capuz e coloco um tênis preto.
Chegando à sala, vejo Kelly deitada no sofá, olhando para o teto com uma roupa toda azul escura.
– Pronta? – Pergunto.
– Sim, mas antes me diga... Vamos voltar, não vamos? – Kelly me suplica com o olhar.
– Talvez. – Respondo sinceramente.
– Eu estou gostando de Jack, e você tem Christian, não gostaria de perder ninguém. – Kelly me encara com pesar.
– Eu sei, nem eu, vai dar tudo certo. – Minto.
Kelly rola os olhos.
– E papai novel existe. Vamos logo.
Pegando a moto, ligo o GPS e Kelly senta na garupa.
– Coloque o capacete. – Digo.
– Certo, mãe. – Kelly resmunga, mas coloca o capacete.
Dirijo para o interior, o qual, não faço ideia.
Algumas horas se passam e vejo o laranja começando a desbotar no céu, sol, por favor, atrase um pouco mais, estou quase lá.
Estacionando em algum lugar meio distante e desmontamos da moto.
– Para onde estamos indo, Sophia? Eu só vejo aquela casa mal acabada aqui, é para lá?– Me pergunta Kelly apreensiva.
– Sim, vamos para lá. É... Uma das casas de Weslley.
– Weslley?? Você está louca?? E desde quando ele mora em São Paulo?
– Eu não sei, Kelly. Também fiquei surpresa por ele ter uma casa aqui, mas se lembra do traficante poderoso de Itapuã que os papeis da pasta falam? É Weslley, só pode ser ele.
– E você não vai ter nenhum ataque de pânico quando vê-lo de novo depois de todos esses anos? Tem certeza?
– Franciela disse que ele provavelmente não mora aqui, esse lugar não se parece com Weslley em nada.
– Claro que Franciela - Frigida está metida nisso. – Resmunga Kelly – Mas essa casa é mal acabada mesmo, e como Weslley se acha, claro que ele não deve morar aqui.
Caminhando por entre a vegetação morta, me foco na casa e quando estou perto, escuto um barulho.
– Kelly, ouviu alguma coisa?
Suspiro frustrada quando Kelly não me responde.
– Kelly?
Viro-me para dar uma bronca nela por ficar calada e dou de cara com Weslley.
Paralisada, me concentro em respirar, suor escorre da minha testa quando vejo Kelly desmaiada no chão atrás dele.
Weslley sorri, aqueles dentes perfeitos que uma vez me apaixonei e diz:
– Ah, puta. Veio atrás de mais, foi? – Ele faz bico. – Sentiu minha falta?
Minha mente começa a nadar em preto, mas me nego a deixar Kelly aqui, respiro fundo e dou um passo para trás, ele da um passo para frente, então acordo do choque, arregalo os olhos e me viro para correr, nem meu celular eu trouxe, droga! Droga!! Eu pensei que era uma das cabanas abandonadas dele.
Tento correr mais rápido quando enxergo uma cerca, me preparo para pular, mas Weslley me puxa.
– Calma, Cadelinha. Você veio até aqui, porque não ficar para brincarmos junto com a sua amiga ali atrás?
Grito, cravo meus joelhos nas suas bolas e dou uma cabeça no seu nariz.
Ouvindo as maldições que ele profana, corro em direção a Kelly, lagrimas de esforço turvam a minha visão ao tentar puxar ela, mas ela é muito pesada e estou ficando tão sem tempo...
Alcançando a moto, felizmente ainda ouvindo os gritos de dor de Weslley lá do mato, coloco Kelly na garupa e pulo na moto, ligo-a e quando dou a partida, sinto uma dor aguda no meu couro cabeludo e grito tentando soltar, a moto vai avançando, só que eu já não estou mais nela e Kelly está caída na calçada.
Antes que eu possa processar o que aconteceu, escuto: - Agora você irá ver o que acontece com quem brinca comigo, vadia louca.
Sinto um pano sendo pressionado no meu nariz e tento gritar por ar.
Mas de repente tudo se torna preto.
Capítulo 20 - Resgate
Espreguiço-me e bocejo... Que horas serão? Olho para o relógio, 11:00 AM.
Nossa, dormi de mais. Procuro o motivo de ter acordado essa hora e escuto uma batida frenética na minha porta.
– Christian, caralho. Levanta o rabo daí! – Jack grita.
Pulo da cama, coloco uma box e abro a porta ofegando.
– O que? Que desespero é esse?
Observo Jack parar meio confuso e depois ele diz:
– Eu não encontro Kelly em lugar nenhum. Ela está aqui com Sophia?
– Hum... Não. Nem Sophia está aqui, eu pensei que ela poderia está na sala ou no banheiro, por quê? – Franzo o cenho.
– Elas não estão aqui, porra!! Onde elas foram? - Pergunta Jack desesperado.
Paro em choque e pergunto lentamente:
– Como assim elas não estão aqui?
– Não estão! E os celulares de Kelly e de Sophia estão na mesa de jantar, estou ficando preocupado, mano, muito preocupado.
Passo por Jack e procuro Sophia por todo o apartamento, não a encontrando, fico frenético e ando de um lado para o outro.
– Vamos olhar o celular delas? – Jack pergunta com a mesma expressão de pânico na voz.
– Boa ideia.
Pego o celular de Sophia e vejo que ele recebeu uma ligação ontem daquela Franciela.
Resolvo ligar de volta, vai que Franciela sabe de alguma coisa?!
Atende no quarto toque.
– Ало?
Franzo o cenho.
– Hum... Você é Franciela? Sabe... Falar português?
– Sei. Quem está falando do telefone de Sophia?
– Sou Christian.
– Ah, o famoso Christian. O que você quer?
– Sophia não está em casa e você telefonou para ela ontem, você sabe para onde ela pode ter ido?
Escuto ela praguejar na língua estranha.
– Sim, aquela imbessil, eu disse para ela não ir naquela casa.
Fico tenso de preocupação.
– Que casa?
– É... Não vou passar por cima da confiança dela e contar para você o motivo, mas ela foi atrás de alguma pista mais concreta sobre o traficante de Itapuã.
– ELA FOI PARA SALVADOR?? – Grito assombrado.
Jack me encara de boca aberta.
– Não, não foi, ela me pediu para conseguir um endereço e eu consegui um em São Paulo, aquela cachorra deve ter ido lá.
– E porque diabos você faria isso, sabendo que é perigoso? – Acuso-a.
– Acalme-se camarada, o endereço é de uma cabana no meio do mato, dificilmente alguém moraria ali.
– Me passe à droga desse endereço agora!
– Certo... Pronto! Ele já está no seu GPS.
– É bom que ela não esteja machucada. – Rosno para Franciela.
Escuto seu suspiro e então a ligação fica muda.
Encaro o celular friamente e vou em direção à porta para ir atrás de Sophia, mas Jack me para.
– O que? – Argumento frustrado.
– Lembra-se do número na pasta que dizia para ligar quando a situação ficasse preta? Vamos fazer isso. Sozinhos não somos pareis para nenhum brutamonte.
Suspiro querendo gritar, mas levo em consideração o que Jack me diz, vou para o closet de Sophia, pego o número da pasta e volto para sala.
Atende no segundo toque.
– FBI Central, who speaks?
– Hum... Vocês falam português? – Pergunto chocado que estou realmente falando com o FBI, dos EUA.
– Claro, senhor. Em que podemos ajudar?
– Bom... A estória é muito longa e complicada, será que tem algum agente perto de São Paulo no momento?
– Temos sim, senhor. Se for uma espécie de pegadinha, irá ser multado por nosso agente ter perdido tempo.
– Sem problemas.
– Só um instante.
Escuto som de teclas e alguns impacientes minutos depois, o atendente fala:
– Preciso do seu endereço, senhor.
Dou o endereço de onde estou e aguardo mais alguns segundos.
– Pronto, daqui a uns vinte minutos um agente deve estar por aí.
– Obrigado.
– Tenha uma boa tarde. Ou não.
Rosno com a petulância dele e desligo o telefone.
Jogo-me no sofá com Jack e olhamos para o rosto um do outro, cheios de preocupação por tantos minutos que só vim recobrar a sobriedade quando escuto uma batida na porta.
Levanto-me correndo e abro a porta.
– FBI. – Diz um cara alto, moreno, de cabelo curto preto e olhos verdes, que por incrível que pareça, reconheci imediatamente.
– Jones?
– Christian? – Ele me encara chocado. – E... Jack? O que... Mas...
– Você está no FBI e nunca disse nada para a gente? Que maldade. – Repreende Jack.
Para quem está boiando, Jones era nosso colega no ensino médio, ele era o maioral, ganhava todas as partidas de xadrez e dominó.
– Como vai... Como era o nome dela mesmo? Beatriz? Sim, esse é o nome, como ela está? – Pergunto.
Jones se enche de orgulho.
– Ela está em casa, grávida. Somos casados agora.
Meu coração se aperta ao me lembrar de Sophia.
– Entre, temos muito que conversar.
Contamos tudo a Jones e explicamos rapidamente a situação atual.
– Mas... Nossa! Vocês se meteram em uma enrascada, sabia? – Fala Jones perplexo. – Vocês tem provas do que estão falando?
– Temos essa pasta. – Responde Jack.
Jones vasculha a pasta e seus olhos se arregalam.
– Isso é o suficiente para eles pegarem vários anos de cadeia.
– Eu sei, mas queríamos pegar uma foto de todos eles juntos amanhã, mas como Sophia e Kelly foram atrás de alguma merda, estamos sem saber o que fazer agora.
– Bom. Eu vou mandar buscarem essa pasta aqui ainda hoje. Enquanto isso, que tal verificarmos esse lugar onde Sophia pode supostamente estar?
– Estou contando com isso. – Respondo ansioso e preocupado.
Saindo o apartamento, pegamos o carro dele, que é um Fiat Doblo preto.
O caminho é cheio de tensão e estranhamente silencioso.
Algumas exaustas horas mais tarde, chegamos a uma cabana toda aos pedaços.
Observando o local, minha garganta prende um soluço ao ver a moto de Sophia deitada na calçada.
Chegando mais perto, vejo sangue do lado da calçada e sinto meus joelhos moles.
Jack respira mais fundo ao meu lado.
Pego o caminho pelo mato e vejo um pano branco no chão.
Levo-o até o nariz e começo a tossir.
– O que diabos é isso? – Falo com uma voz rouca.
– Cristo. São alguns entorpecentes misturados com álcool. – Diz Jones ao tomar o pano de mim.
Começo a puxar meus cabelos e me esforço para respirar fundo.
– Vamos para dentro da casa. – Jack implora.
Nós nos aproximando da casa, Jones faz sinal para ficarmos em silencio e arromba a porta com o pé.
Lá dentro tem papeis espalhados por todo lugar, recortes de Jornais e alguns sacos suspeitos.
Jones faz uma careta ao examinar os sacos e sussurra: “Drogas”.
Acenamos com a cabeça depois vasculhamos o local, mas nada de encontrar as meninas.
Meu peito se oprime e fico pensando em todas as chances que tive vontade de dizer que já estou apaixonado por ela, mas não tive coragem.
– Não tem nada aqui, gente. Vamos voltar. – Diz Jack.
Jones acena com a cabeça, liga para alguém e leva todas as drogas ensacadas para o carro.
Jack passa a mão pelo cabelo e fica olhando fixamente para frente todo o caminho de volta.
Algumas horas depois, estacionamos no apartamento de Sophia e descemos amuados.
– Calma, pessoal. Irei ver se consigo rastrear alguma coisa, todos eles serão presos e vocês terão as suas namoradas de volta. – Diz Jones.
Apenas balanço a cabeça e entro no apartamento junto com Jack.
Olho para ele e vejo o mesmo sofrimento no seu olhar.
Encolho os ombros, não posso me preocupar em conforta-lo agora, pois estou vivendo meu próprio pesadelo.
Suspiro e me jogo na cama de Sophia, sentindo o cheiro dela, me apago no meu próprio pesar.
..........................................................................................
No dia seguinte estou me sentindo pior ainda, e meus olhos lacrimejam por ter chorado noite passada.
De repente o telefone de Sophia toca e vou imediatamente para lá.
– Alo? Quem é? O que foi? – Pergunto frenético.
– Sou eu... Franciela. Sophia ainda não foi encontrada?
– Nada. Nem Kelly.
Escuto Franciela fungar baixinho.
– Me encontre em um restaurante na esquina, tudo bem? Acabei de chegar ao aeroporto e vou ir à casa de Sophia, mas antes queria te dar uma coisa.
– Certo.
Desligamos e eu vou passar uma água no rosto e desço para o restaurante que está quase vazio por alguma razão desconhecida, mas não me importo, meu mundo não tem mais cor.
Sento-me a mesa mais afastada e abaixo a cabeça, mas a levanto novamente quando escuto passos vindo em minha direção.
E dou de cara com Gisele. Puta merda, era só o que me faltava.
– Christian... Fiquei sabendo que nossa festa de noivado já está marcada. Fico feliz que tomou juízo e resolveu largar aquela desqualificada para ficar comigo.
Estreito os olhos para ela e a raiva me suga.
– Vai embora, porra.
Gisele balança a cabeça e se senta no meu colo.
– Hum... Você vai adorar o meu desempenho como sua futura esposa.
Eu deveria dar um tapa nela ou algo assim?
Rosno. – SAIA DO MEU COLO, CADELA.
Gisele faz beicinho como se eu só estivesse sendo mimado e senta do meu lado.
– Você quer se guardar para depois do casamento, amor?
Encaro-a chocado.
– Gisele, quer que eu diga que não vai ter casamento nenhum? Pois não vai ter. Você é uma cadela igualzinha a minha mãe e não vou deixar nenhuma de vocês duas ganharem.
Parece que agora consegui atingi-la, pelo jeito como ela está franzindo o cenho para mim.
– O que foi? Não aguenta a verdade? Eu prefiro morrer me escondendo de você no Polo Norte do que me casar com uma viborazinha que está desesperada para ser fodida por um homem de verdade.
Gisele me encara friamente, mas eu vejo que consegui derrubar algumas barreiras dela.
– Você irá se arrepender de dizer isso, Christian. Sua “humana” vai sofrer muito pela sua insolência.
Estreito os olhos.
– Como assim minha “humana”? Somos todos humanos e o que você sabe sobre quem estou ficando?
Gisele da uma gargalhada que me faz estremecer de nojo.
– Oh, Christian, tadinho, tão ingênuo. Estou saindo, nos vemos no dia do nosso noivado.
A víbora sai desfilando como se não tivesse preocupação no mundo.
Quando ela sai, minha depressão volta com força total ao me lembrar de que seria nesse restaurante que eu planejava pedir Sophia em namoro e para ela ir morar comigo.
Lagrimas rolam silenciosamente pelos meus olhos e então me lembro: Lembra-se da cena do começo da minha historia? A que eu estava chorando como um maricas total em um restaurante? Bem, ela acabou se realizando como te contei que iria, e isso não é fantástico? Minha vida está tão despedaçada e confusa sem Sophia do meu lado agora.
Respiro fundo.
– Você é Christian? – Uma voz conhecida me questiona.
Levanto o olhar e encaro os mais lindos par de olhos azuis brilhantes da minha vida.
– Você é Franciela?- Minha voz treme.
– Sim... Eu só passei para te perguntar se você se lembra do endereço que te dei?
Enxugo minhas lagrimas e aceno com a cabeça.
– Bem... Eu pedi para meu pessoal examinar as estruturas novamente, uma vistoria completa. E eles me disseram que aquele lugar tem uma passagem subterrânea, ou pelo menos tinha em mil oitocentos e alguma coisa.
Pulo da mesa com uma rapidez impossível e seguro o braço de Franciela.
– Tem certeza? – A alegria não pode ser disfarçada da minha voz.
– Claro. – Franciela me olha preocupada e com dor ao mesmo tempo. – Olha, eu trouxe isso para você, é do meu pai, eu guardei. Vamos encontrar a minha amiga.
Franciela tira uma arma da bolsa, espantado, escondo-a rapidamente no cós da minha calça.
– Como assim nós?
– Eu fui ao apartamento de Sophia primeiro e encontrei um tal de Jack que estava frenético por causa da songamonga da Kelly e resolvi chama-lo, temos um carro nos esperando no estacionamento.
– Você não vai com a gente. É perigoso.
– Foda-se. Eu tenho faixa preta no Karatê e ela é minha amiga, não vou abandoná-la.
Rolo os olhos e corro em direção ao carro de Sophia com Jack impaciente dentro dele.
– Ainda bem que você chegou, porra. Eu já estava indo malditamente sozinho.
Entro no carro, ligo e piso fundo no pedal.
Correndo como se o diabo estivesse me perseguindo, eu, Jack e Franciela voamos pela estrada asfaltada.
Uma hora e meia mais tarde, saiu do carro com eles e vou para dentro da casa.
Tudo está tão vazio e silencioso, mas não vou me deixar abater, tem que está aqui em algum lugar.
Encaro o enorme tapete cinza no meio da cabana. Porque uma cabana mal acabada teria um tapete cinza intacto?
–Franciela, me ajude a tirar esse tapete do lugar. Jack, ligue para Jones.
Franciela e eu afastamos o tapete e encontramos o que eu esperava, um alçapão.
Empurrando aberto, vejo escadas e escuridão.
– Pronto, liguei para Jones. Ele disse para não me mexermos, porque ele vai estar aqui em mais ou menos uma hora, com um grupo de policiais e um helicóptero.
– Porque um helicóptero? – Pergunto.
– Porque pelo que parece. Sua mãe, nem seu pai, nem Gisele, nem os Parkson estão atendendo as ligação e seus apartamentos estão vazios.
Franzo o cenho, então me lembro.
– Hoje é o dia do encontro secreto deles.
– Um lugar mais secreto do que um alçapão no meio do nada? – Pergunta Franciela.
– Será que eles estão aqui? – Pergunta Jack ansioso.
– Se estiverem, irão ser presos junto com o resto e eu estou pouco me lixando para isso agora.
– Então... Vamos esperar ou entrar? – Pergunta Jack.
– Entrar, claro. Cada minuto que passamos longe das nossas meninas, pode ser perigoso. – Respondo tentando esconder o tremor da minha voz.
– Franciela, você entra depois de Chris, certo? – Pergunta Jack
– Certo.
Quando todos estamos no corredor escuro, caminhamos cautelosamente para frente.
E de repente escuto um grito, agudo de puro terror e o som rasga meu coração em dois.
A próxima coisa que estou fazendo é correndo em direção ao grito.
Capítulo 21 – Até o Fim – Sophia
Está doendo tanto... Tanto.
Minha cabeça começa a rodar e fecho os olhos para tentar minimizar a dor.
Ontem Weslley arrastou a mim e a Kelly para esse lugar escuro que fede a decomposição.
Deus, ele levou Kelly para um quarto, e eu sei exatamente o que fez a ela, ele fodeu sua bunda a força e eu tive que ouvir os gritos a tarde toda, e chorei junto cada uma maldita vez.
Hoje de manhã cedo ele trouxe-a de volta e a amarrou em uma cadeira da mesma forma que eu estou.
Tentei falar com Kelly, implorei para ela me ouvir, mas foi em vão, os olhos que um dia foram brilhantes, agora estão opacos e sem vida.
– Preparada, vadia? Daqui a pouco vai ser a sua vez, estou até com saudades da sua bundinha. – Diz Weslley enquanto sobe uma escada.
Mais cedo ele me feriu com uma faca, depois bateu a minha cabeça repetidas vezes na parede, minhas mãos estão esfoladas de tanto lutar para me desamarrar da cadeira, e eu não sei quanto tempo mais consigo sobreviver sem água ou comida.
De repente a porta que eu suponho que seja a da frente se abre e medo se instala na sala, porém dou de cara com Christian, Jack e Franciela, e tenho certeza que é uma alucinação induzida pela dor, pois como eles saberiam desse lugar?
Christian corre em minha direção e se ajoelha na minha frente com uma expressão torturada.
– Amor, o que fizeram com você? Você está... Meu deus. – Ele me desamarra e me puxa para perto.
Gemo de dor. – Você não se parece com uma alucinação. – Comento com a garganta arranhando.
– É porque eu não sou, agora fique quietinha para podermos sair daqui mais rápido, você precisa poupar energia.
– Não, se você está aqui mesmo, você precisa saber da verdade.
Christian franze o cenho.
– Que verdade?
Engulo em seco. – Eu... Namorei Weslley quando tinha dezessete anos, ele parecia um sonho, até que me recusei a transar com ele enquanto ele estava chapado, e o que ele fez? Pegou-me a força e fodeu a minha bunda. – Meus olhos se enchem de lagrimas. – Doeu muito... Quando voltei para casa em estado de choque, a minha mãe me levou ao hospital e depois prestou uma queixa, mas depois de uma semana, a queixa desapareceu e o caso foi encerrado. – Soluço de medo. – Ele ficou me procurando por meses até que mudei para São Paulo, então eu nunca mais ouvi falar dele, antes de sair de salvador, descobri que ele era um traficante muito famoso e ninguém me alertou sobre isso... – Fecho meus olhos com força. – O meu estresse pós-traumático foi devido a isso, passei um ano tentando me recuperar, vivendo a base de remédios fortes.
Christian me encara em choque.
– E por que diabos você não me contou tudo isso antes?
Lagrimas escorrem pelo meu rosto.
– Eu tive... Medo de você me mandar embora depois que soubesse a verdade, pensei que você pararia de sentir desejo por mim.
– Meu anjo... Eu nunca iria te abandonar por isso. Você se transformou em tudo para mim.
Encaro seus lindos olhos escuros cheios de emoções.
– Desculpem a minha falta de amor no momento, mas se a sessão descarrego já acabou aí, podem me dizer o diabos ouve com Kelly? – Pergunta Jack preocupado.
– Eu temo que Weslley... Pegou ela a força. – Sussurro desesperada.
Observo lagrimas enxerem os olhos de Jack e minha garganta se fecha com emoção.
Um som alto de palmas me tira da minha própria miséria.
– Palmas, palmas para o casalzinho duplo. Só que agora é a minha vez de curtir um pouco.
Weslley desce acompanhado de Gisele, Martha, Martin, os Parkisons e os dois brutamontes das fotos.
– Christian... Meu filho. É tão triste te ver chegar nessa situação por uma garota tão insignificante. – Exclama Martha.
Christian vê os brutamontes se aproximarem e grita:
– Todo mundo para baixo da mesa agora!
Ele me arrasta junto com os outros.
Alguns segundos depois e um dos homens agarra Christian e o tira de perto de mim.
– Passe as garotas, se quiser viver.
– Nunca. – Afirma Christian que tira uma arma das calças e atira para cima.
Assustado o homem retrocede um pouco, mas não se deixa abalar e torce a mão de Christian, fazendo a arma cair no chão.
E o grito de dor de Christian se junta com meu grito de puro terror.
Então do nada, a porta da frente é arrombada e um homem forte de olhos verdes grita:
– FBI, PARADOS!! MÃOS PARA CIMA!!
Solto um suspiro chocado ao ver vários agentes fardados entrando, em seguida os brutamontes do mal correm e começam a dar socos em alguns dos agentes, abaixo a minha cabeça ao ouvir tiros tão malditamente perto, ouço pessoas gritando, golpes e mais golpes, enrolo-me em uma bola, implorando para Christian e meus amigos estarem bem, então subitamente o som do caos cessa. Tomo coragem, olho para cima e vejo um dos brutamontes deitado no chão, imóvel e sangrando no peito, também vejo o restante do pessoal discutindo na parede oposta com os agentes, e graças a deus, todos foram contidos.
Tento me levantar, mas tudo começa a rodar e Franciela me ajuda.
– Você me deu um susto terrível, garota.
Viro-me para ela e encontro com seus incríveis olhos que agora estão lutando para conter as lagrimas.
– Cuidado, Franciela. Se você continuar assim as pessoas podem começar a pensar que você tem sentimentos de verdade.
– Onde está doendo, meu anjo? Vamos todos daqui direto para um hospital. – Me pergunta Christian.
– Eu levei algumas pancadas na cabeça, meu braço está sangrando um pouco, as minhas pernas estão meio esfoladas e estou desesperada por água e por um banheiro, mas tirando tudo isso e o fato de que Kelly não está respondendo, eu estou viva e sobrevivendo, agora com você está? – Franzo o cenho ao ver seu ombro sangrando.
Christian faz uma careta.
– Eu vou sobreviver como você, levei umas facadas e minha mão está doendo como uma filha da puta, mas vamos cuidar de vocês duas agora, vai ficar tudo bem.
– Meu deus, facadas...
Então Jack aparece mancando e observo Christian apertar os olhos fechados e dizer:
- Você... Está bem?
– Eu vou sobreviver. – Diz Jack andando com Kelly nos braços. Arregalo os olhos ao ver um pano sangrando no seu joelho. – E antes de você perguntar, sim, eu levei um tiro no joelho, mas felizmente foi de raspão. E dei uns bons socos antes... – Escuto Jack engolir em seco. – Como... Você está?
- Não tão ruim quanto você. – Responde Christian.
Olho novamente para a parede e vejo o pai de Christian segurando um pano no nariz e Weslley... NOSSA!! Weslley está... Acabado, por assim dizer. Facadas em ambas as pernas, tiro no braço, rosto inchada, nariz quebrado, cortes no pescoço e no peito. O outro brutamonte também não está tão bom assim não.
Começo a rir, mas engasgo, Franciela sorri e bate nas minhas costas.
– Há. Olha a graça de estar perto da morte, poder desfrutar depois de uma boa risada. – Ela diz bem-humorada.
A próxima coisa que escuto é o som de alguém correndo, meu coração bate mais rápido e quando me viro para olhar, paraliso, Gisele agora está segurando a arma que Christian deixou cair em sua direção.
Ela encara a gente com um olhar doentio.
– Parem! Se eu não posso ter Christian, nenhuma vagabunda como você jamais o terá.
Então eu escuto o som de duas armas sendo disparadas, e em câmera lenta, vejo Gisele caindo no chão sem vida.
Não tem aqueles momentos na sua vida que você apenas sabe que está fazendo a coisa certa? Por mais que essa decisão vá doer? Lagrimas turvam a minha visão quando me jogo com força na frente de Christian.
O tempo parece parar, tudo tão malditamente lento.
Minhas pernas protestam contra o movimento brusco, ouço pessoas gritando e de repente recebo o impacto, grito e meus joelhos se dobram.
Alguém me ampara, olho para baixo e vejo sangue começar a colorir o meu casaco.
– Sophia, meu amor, respire, fique comigo, eles estão indo buscar o helicóptero.
Escuto a voz frenética de Christian e então grito de dor ao ser levantada pelos seus braços.
Olho por cima do seu ombro e observo Franciela e Jack me olhando enquanto lagrimas silenciosas escorrem pelos seus olhos. Dirijo meu olhar para Franciela.
“Pagode.” lhe digo em silencio, mas ao invés de ficar feliz, soluços se soltam e ela sussurra de volta “Fique, eu te amo.”
Olho para Jack e lhe digo “Cuide dele.”
Jack balança a cabeça “Com a minha vida.”
Balanço minha cabeça, volto meu olhar para Christian e me forço a falar.
– V-v-ocê, me cha-cha-mou de meu amor?
– Droga, anjo. Claro que sim, você é tudo o que eu sempre quis, eu te amo, eu pretendo te pedir em namoro quando sairmos dessa, até te peço em casamento se você me aceitar. Você irá morar comigo, teremos nossos filhos, um cachorro, o pacote completo.
Sinto suas lagrimas caírem no meu rosto se misturando com as minhas próprias.
Então começo a tossir e sinto um gosto metálico na minha boca, quando passo a mão, vejo sangue escorrer pelo canto. Dói tanto...
Lutando para não engasgar, lhe digo: - Eu aceito. Eu aceito tudo com você.
Minha voz começa a se quebrar e sinto o meu coração se desacelerando aos poucos.
Christian me encara com dor nos olhos.
– Você vai sobreviver para viver tudo isso comigo. Eu te amo... Tanto, tanto... Só... Não me deixe, okay? Aguente mais um pouco. Eu não sei... Se vou conseguir... Viver sem você.
Sinto seus ombros se quebrarem em soluços.
Eu começo a tremer de frio, muito frio.
– Porque você fez isso, hein? Por quê?
Está tão difícil de respirar, não deveria terminar assim. Esse não é os felizes para sempre que eu esperava.
– Eu fiz... – Tusso sangue – E faria de novo e de novo... – Tão difícil, tão frio, alguém faça parar de doer!
– Tudo... – Tusso e dessa vez queima.
– Por que...
– Pare de falar, por favor, você pode me contar depois, só... Pa-pare de falar, fique por mim, lute por mim, você consegue, eu sei disso.
– Não... Posso... Dói... Eu... Fiz... T-tudo... Por que amo você.
Após dizer essas palavras que tanto queria dizer, lhe dou um sorriso fraco que vem entre lagrimas e sangue.
Quase não sinto mais meu coração bater, minhas pálpebras ficam pesadas e escuto o grito de tristeza de Christian falando que me ama, antes de dar a minha última tremula respiração.
Então fecho os olhos e finalmente me entrego a uma escuridão sem dor.
Capítulo 22 – A Carta de Despedida
Duas semanas depois...
Aqui estou eu no cemitério pela centésima vez.
Dia 31 de janeiro de 2014.
O dia em que a minha menina morreu.
Para me salvar.
Eu não sei se mereço isso ou é uma pegadinha do meu maldito destino.
Só... Sinto-me tão malditamente vazio agora.
Na sua lapide está escrito: Filha querida, mulher amada e eterna amiga.
Martin, Martha, Weslley, Carlos-o-brutamonte e os Parkisons foram todos oficialmente presos pelo FBI, se você me perguntar por que a policia brasileira não poderia tomar conta deles, apenas lhe digo que eles têm dinheiro o suficiente para comprar pessoas corruptas.
Kelly se recuperou o suficiente para fugir antes de participar do enterro de Sophia, ela simplesmente deixou um recado dizendo: Não procurem por mim. Jack está arrasado.
Jack... Ele é o único do meu lado dia após dia, me ajudando, me animando...
Bom... Franciela se mudou para o campus da sua faculdade e não quer conversar com ninguém sobre o que aconteceu.
O pior de tudo foi que levamos Sophia para o hospital e tentaram salvá-la, mas não deu jeito, ela se foi da minha vida para sempre.
Gisele morreu. Eu não tenho mais nada para falar sobre ela, além de que espero que ela esteja ardendo no inferno.
O apartamento de Sophia, está para ser vendido semana que vem, quase todas as suas coisas já foram doadas.
A vida está seguindo em frente, menos a minha.
O seu enterro foi tão... Difícil de suportar. A mãe de Sophia e a mulher dela,choraram tanto. Franciela chorando. Jack chorando. Seus amigos de salvador e de São Paulo chorando. Só... Não é justo.
Deixo uma flor no seu tumulo, pego minha moto e dirijo para casa de Sophia.
Minutos depois e estou entrando... A casa que tem tantas lembranças nossas. De nós quatro juntos. Minhas e de Sophia assistindo filmes, rindo, fazendo sexo.
Caminho até o quarto dela, que agora está tão vazio quanto o meu coração.
Abro o close e vejo algumas roupas dela ainda ali.
Escuto a porta da frente abrindo e Jack entra.
– Cara... Sabia que você estaria aqui. O novo proprietário vai trocar a fechadura hoje e quer saiamos agora daqui. – Diz Jack com pesar.
Viro-me para vê-lo me encarando indecifravelmente.
Dou-lhe um sorriso fraco.
Antes de ir embora, encontro algo apontando entre as roupas de Sophia, mexo e tiro uma caixa de lá. A caixa de brinquedos dela.
Fecho os olhos com força, respiro fundo e saio do apartamento com a caixa na mão.
No estacionamento, coloco a caixa no carro de Jack, pego minha moto e nos dirigimos para o meu apartamento.
O transito está leve e chego lá rapidamente.
Entrando em casa, me jogo no sofá e Jack vem junto trazendo a caixa e duas garrafas de Vodca pura.
Destampo, bebo um pouco, tomo coragem e abro a caixa.
Está tudo lá, do mesmo jeito que ela deixou. Porque isso tem que doer tanto?
Escuto Jack ligando a radio e a música Remember When de Avril Lavigne começa a soar.
Suspiro e quando vou fecha-la vejo uma folha de papel dobrada dentro.
Colocando a caixa de lado, desdobro o papel e começo imediatamente a arfar.
Meu querido Christian,
Eu estou indo embora hoje, antes de você acordar, para tentar resolver o nosso mistério, porque eu quero um futuro completo para a gente, sem dramas e conflitos futuros.
Tenho muitas coisas para te explicar, mas por uma carta não é o momento certo.
Encontrar-nos-emos de novo e te contarei tudo o que você precisa saber.
Eu vivi a melhor semana com você e Kelly e Jack. Divertimos-nos tanto.
Só te peço uma coisa, não fique bravo comigo.
Porque eu te amo. E sempre te amarei.
Mas vamos ao pedido, okay?
Eu quero que se alguma coisa errada acontecer comigo, você não se feche para o mundo.
Você é um cara incrível e o mundo merece conhecer isso.
Não é porque eu fui embora que você tem que se esconder.
Eu sei que você nunca vai se esquecer de mim, sempre terei um lugar no seu coração, mas se lembre de abrir o seu coração para outras coisas também.
Você tirou a minha virgindade, me fez esquecer a vergonha e me jogar de cabeça no nosso relacionamento.
Outra coisa que quero resaltar é sobre Jack. Eu sei que você esconde algo, bem aí no fundo do seu coraçãozinho, sei que ele é algo mais do que um simples amigo seu.
Não lute contra isso, contra esse sentimento, ele é um dos motivos para você ser quem é.
Se abra para novas oportunidades, porque se essa minha viagem der errado, eu quero sua felicidade acima de tudo.
Nós dois nos encontramos por acaso e o destino nos uniu, não sei se foi para pegar uma peça, porque se foi isso, foi a melhor peça da minha vida, nunca me arrependerei de nada.
Adeus, da sua Sophia.
Lagrimas escorrem livremente pelo meu rosto e molha o papel das minhas mãos.
Porque, hein? E como... Ela sabe de tudo isso? Como ela...?
Olho para o lado e pego a garrafa de Vodca, eu não sei se consigo cumprir o que ela quer.
Jack percebendo meu humor sombrio, me vira para olha-lo, pega meu rosto entre as suas mãos e diz:
– Iremos passar por tudo isso juntos, Christian. Juntos.
Encaramos-nos pelo que parece ter sido uma eternidade ao som suave da música It´s Time de Imagine Dragons enquanto seus olhos cheios de ternura observam o meu olhar atormentado.
O olhar de Jack se desvia para meus lábios e os meus para os dele. Aproximamos-nos inconscientemente e a sala é envolvida com tensão sexual reprimida.
Afasto-me dele, assustado, não, isso não é certo, o que estou sentindo agora é... Uma pegadinha do meu coração, e o meu coração é um idiota.
Estranhas emoções ultrapassam a barreira da minha mente.
Isso é mais do que posso suportar, isso machuca.
Viro-me para Jack e o vejo me encarando de um jeito tão fodidamente doce.
E então eu grito, grito pela emoções reprimidas, grito pela morte de Sophia, grito por não querer estar sentindo nada do que estou sentindo. E grito principalmente com Jack, por Jack, por uma mistura de tudo.
- Saia! Saia da minha maldita casa! E não volte... Só não volte... Eu não posso... Suportar isso... Não posso suportar essa dor... Não posso.
Jack se levanta e vem em minha direção.
- Christian... Deixe-me explicar...
- Não! Não se aproxime! – Esbravejo e passo as mãos pelo meu cabelo. – SÓ VÁ EMBORA! VÁ EMBORA, ENTENDEU? DA MINHA CASA, DA MINHA MENTE, DA PORRA DA MINHA VIDA!
Vejo Jack paralisar no meio do caminho e sinto minhas lagrimas se derramarem mais e mais rápido pelo meu rosto, meu deus, o que foi que eu fiz? O que foi que eu disse?
- Jack... Eu...
Jack me interrompe:
- Não, não fale. Você já me machucou demais por uma vida inteira.
Ele tira uma chave do bolso, a chave do meu apartamento, a chave que dei a ele em confiança.
- Está aqui sua chave. – Jack diz, colocando-a na meda. – Eu tentei ajudar, sabe? Só não estou aqui para ouvir esse tipo de merda vindo de você, logo de você, quem nunca pensei que me magoaria.
Jack me encara e posso ver claramente, lagrimas brilhando nos seus lindos olhos azuis.
Dou um passo á frente.
- Jack... Não...
Ele me interrompe novamente.
- Apesar de tudo o que você me disse aqui hoje, eu ainda espero do fundo do meu coração que você tenha o final feliz que procura. E isso é o que mais dói. Até um dia.
Jack corre e saí batendo a porta.
E eu o observo em câmera lenta sair da minha casa, da minha vida, exatamente como mandei, mas ao invés de sentir alivio, sinto um buraco ainda maior no lugar do meu coração. Primeiro Sophia se foi, agora eu fiz Jack me deixar.
Dirijo-me ao sofá, me deito e enrolo-me em posição fetal, chorando, sempre chorando, porque eu acabei de mandar embora a coisa mais preciosa da minha vida inútil, meu parceiro de crime, meu companheiro de todas as horas, meu melhor amigo, meu... Jack.
Sorrio entre lagrimas ao relembrar dos nossos melhores momentos, pego a carta de Sophia do chão e a abraço, é a única coisa que me sobrou agora.
Não existe mais Christian- Rottweiler sem Jack-Destruidor-de-Corações.
E eu fodi com tudo, duas semanas depois da morte de Sophia.
Estou me sentindo um lixo agora.
E não me importo mais com que caralho eu pense sobre Jack, sobre o desejo, sobre a confusão mental, nada importa, só o quero de volta...
Uma coisa eu sei, Jack não foi embora da minha mente e eu me arrependo de cada fodida palavra que disse a ele. Porque não era verdade, era o que eu queria que fosse verdade, e vê-lo saindo chorando pela porta, quebrou mais do que o meu orgulho, esmagou o meu coração já quebrado.
Soluço. Eu irei recuperá-lo, não sei como, mas mesmo que seja necessário rastejar, implorarei eternamente pelo seu perdão.

Encontrou algum erro?