Interlocking Hearts


Escrita porLuana
Revisada por Andressa


Capítulo 21 • Até o Fim – Sophia

  Está doendo tanto... Tanto.
  Minha cabeça começa a rodar e fecho os olhos para tentar minimizar a dor.
  Ontem Weslley arrastou a mim e a Kelly para esse lugar escuro que fede a decomposição.
  Deus, ele levou Kelly para um quarto, e eu sei exatamente o que fez a ela, ele fodeu sua bunda a força e eu tive que ouvir os gritos a tarde toda, e chorei junto cada uma maldita vez.
  Hoje de manhã cedo ele trouxe-a de volta e a amarrou em uma cadeira da mesma forma que eu estou.
  Tentei falar com Kelly, implorei para ela me ouvir, mas foi em vão, os olhos que um dia foram brilhantes, agora estão opacos e sem vida.
  – Preparada, vadia? Daqui a pouco vai ser a sua vez, estou até com saudades da sua bundinha. – Diz Weslley enquanto sobe uma escada.
  Mais cedo ele me feriu com uma faca, depois bateu a minha cabeça repetidas vezes na parede, minhas mãos estão esfoladas de tanto lutar para me desamarrar da cadeira, e eu não sei quanto tempo mais consigo sobreviver sem água ou comida.
  De repente a porta que eu suponho que seja a da frente se abre e medo se instala na sala, porém dou de cara com Christian, Jack e Franciela, e tenho certeza que é uma alucinação induzida pela dor, pois como eles saberiam desse lugar?
  Christian corre em minha direção e se ajoelha na minha frente com uma expressão torturada.
  – Amor, o que fizeram com você? Você está... Meu deus. – Ele me desamarra e me puxa para perto.
  Gemo de dor. – Você não se parece com uma alucinação. – Comento com a garganta arranhando.
  – É porque eu não sou, agora fique quietinha para podermos sair daqui mais rápido, você precisa poupar energia.
  – Não, se você está aqui mesmo, você precisa saber da verdade.
  Christian franze o cenho.
  – Que verdade?
  Engulo em seco. – Eu... Namorei Weslley quando tinha dezessete anos, ele parecia um sonho, até que me recusei a transar com ele enquanto ele estava chapado, e o que ele fez? Pegou-me a força e fodeu a minha bunda. – Meus olhos se enchem de lagrimas. – Doeu muito... Quando voltei para casa em estado de choque, a minha mãe me levou ao hospital e depois prestou uma queixa, mas depois de uma semana, a queixa desapareceu e o caso foi encerrado. – Soluço de medo. – Ele ficou me procurando por meses até que mudei para São Paulo, então eu nunca mais ouvi falar dele, antes de sair de salvador, descobri que ele era um traficante muito famoso e ninguém me alertou sobre isso... – Fecho meus olhos com força. – O meu estresse pós-traumático foi devido a isso, passei um ano tentando me recuperar, vivendo a base de remédios fortes.
  Christian me encara em choque.
  – E por que diabos você não me contou tudo isso antes?
  Lagrimas escorrem pelo meu rosto.
  – Eu tive... Medo de você me mandar embora depois que soubesse a verdade, pensei que você pararia de sentir desejo por mim.
  – Meu anjo... Eu nunca iria te abandonar por isso. Você se transformou em tudo para mim.
  Encaro seus lindos olhos escuros cheios de emoções.
  – Desculpem a minha falta de amor no momento, mas se a sessão descarrego já acabou aí, podem me dizer o diabos ouve com Kelly? – Pergunta Jack preocupado.
  – Eu temo que Weslley... Pegou ela a força. – Sussurro desesperada.
  Observo lagrimas enxerem os olhos de Jack e minha garganta se fecha com emoção.
  Um som alto de palmas me tira da minha própria miséria.
  – Palmas, palmas para o casalzinho duplo. Só que agora é a minha vez de curtir um pouco.
  Weslley desce acompanhado de Gisele, Martha, Martin, os Parkisons e os dois brutamontes das fotos.
  – Christian... Meu filho. É tão triste te ver chegar nessa situação por uma garota tão insignificante. – Exclama Martha.
  Christian vê os brutamontes se aproximarem e grita:
  – Todo mundo para baixo da mesa agora!
  Ele me arrasta junto com os outros.
  Alguns segundos depois e um dos homens agarra Christian e o tira de perto de mim.
  – Passe as garotas, se quiser viver.
  – Nunca. – Afirma Christian que tira uma arma das calças e atira para cima.
  Assustado o homem retrocede um pouco, mas não se deixa abalar e torce a mão de Christian, fazendo a arma cair no chão.
  E o grito de dor de Christian se junta com meu grito de puro terror.
  Então do nada, a porta da frente é arrombada e um homem forte de olhos verdes grita:
  – FBI, PARADOS!! MÃOS PARA CIMA!!
  Solto um suspiro chocado ao ver vários agentes fardados entrando, em seguida os brutamontes do mal correm e começam a dar socos em alguns dos agentes, abaixo a minha cabeça ao ouvir tiros tão malditamente perto, ouço pessoas gritando, golpes e mais golpes, enrolo-me em uma bola, implorando para Christian e meus amigos estarem bem, então subitamente o som do caos cessa. Tomo coragem, olho para cima e vejo um dos brutamontes deitado no chão, imóvel e sangrando no peito, também vejo o restante do pessoal discutindo na parede oposta com os agentes, e graças a deus, todos foram contidos.
  Tento me levantar, mas tudo começa a rodar e Franciela me ajuda.
  – Você me deu um susto terrível, garota.
  Viro-me para ela e encontro com seus incríveis olhos que agora estão lutando para conter as lagrimas.
  – Cuidado, Franciela. Se você continuar assim as pessoas podem começar a pensar que você tem sentimentos de verdade.
  – Onde está doendo, meu anjo? Vamos todos daqui direto para um hospital. – Me pergunta Christian.
  – Eu levei algumas pancadas na cabeça, meu braço está sangrando um pouco, as minhas pernas estão meio esfoladas e estou desesperada por água e por um banheiro, mas tirando tudo isso e o fato de que Kelly não está respondendo, eu estou viva e sobrevivendo, agora com você está? – Franzo o cenho ao ver seu ombro sangrando.
  Christian faz uma careta.
  – Eu vou sobreviver como você, levei umas facadas e minha mão está doendo como uma filha da puta, mas vamos cuidar de vocês duas agora, vai ficar tudo bem.
  – Meu deus, facadas...
  Então Jack aparece mancando e observo Christian apertar os olhos fechados e dizer:
  - Você... Está bem?
  – Eu vou sobreviver. – Diz Jack andando com Kelly nos braços. Arregalo os olhos ao ver um pano sangrando no seu joelho. – E antes de você perguntar, sim, eu levei um tiro no joelho, mas felizmente foi de raspão. E dei uns bons socos antes... – Escuto Jack engolir em seco. – Como... Você está?
  - Não tão ruim quanto você. – Responde Christian.
  Olho novamente para a parede e vejo o pai de Christian segurando um pano no nariz e Weslley... NOSSA!! Weslley está... Acabado, por assim dizer. Facadas em ambas as pernas, tiro no braço, rosto inchada, nariz quebrado, cortes no pescoço e no peito. O outro brutamonte também não está tão bom assim não.
  Começo a rir, mas engasgo, Franciela sorri e bate nas minhas costas.
  – Há. Olha a graça de estar perto da morte, poder desfrutar depois de uma boa risada. – Ela diz bem-humorada.
  A próxima coisa que escuto é o som de alguém correndo, meu coração bate mais rápido e quando me viro para olhar, paraliso, Gisele agora está segurando a arma que Christian deixou cair em sua direção.
  Ela encara a gente com um olhar doentio.
  – Parem! Se eu não posso ter Christian, nenhuma vagabunda como você jamais o terá.
  Então eu escuto o som de duas armas sendo disparadas, e em câmera lenta, vejo Gisele caindo no chão sem vida.
  Não tem aqueles momentos na sua vida que você apenas sabe que está fazendo a coisa certa? Por mais que essa decisão vá doer? Lagrimas turvam a minha visão quando me jogo com força na frente de Christian.
  O tempo parece parar, tudo tão malditamente lento.
  Minhas pernas protestam contra o movimento brusco, ouço pessoas gritando e de repente recebo o impacto, grito e meus joelhos se dobram.
  Alguém me ampara, olho para baixo e vejo sangue começar a colorir o meu casaco.
  – Sophia, meu amor, respire, fique comigo, eles estão indo buscar o helicóptero.
  Escuto a voz frenética de Christian e então grito de dor ao ser levantada pelos seus braços.
  Olho por cima do seu ombro e observo Franciela e Jack me olhando enquanto lagrimas silenciosas escorrem pelos seus olhos. Dirijo meu olhar para Franciela.
  “Pagode.” lhe digo em silencio, mas ao invés de ficar feliz, soluços se soltam e ela sussurra de volta “Fique, eu te amo.”
  Olho para Jack e lhe digo “Cuide dele.”
  Jack balança a cabeça “Com a minha vida.”
  Balanço minha cabeça, volto meu olhar para Christian e me forço a falar.
  – V-v-ocê, me cha-cha-mou de meu amor?
  – Droga, anjo. Claro que sim, você é tudo o que eu sempre quis, eu te amo, eu pretendo te pedir em namoro quando sairmos dessa, até te peço em casamento se você me aceitar. Você irá morar comigo, teremos nossos filhos, um cachorro, o pacote completo.
  Sinto suas lagrimas caírem no meu rosto se misturando com as minhas próprias.
  Então começo a tossir e sinto um gosto metálico na minha boca, quando passo a mão, vejo sangue escorrer pelo canto. Dói tanto...
  Lutando para não engasgar, lhe digo: - Eu aceito. Eu aceito tudo com você.
  Minha voz começa a se quebrar e sinto o meu coração se desacelerando aos poucos.
  Christian me encara com dor nos olhos.
  – Você vai sobreviver para viver tudo isso comigo. Eu te amo... Tanto, tanto... Só... Não me deixe, okay? Aguente mais um pouco. Eu não sei... Se vou conseguir... Viver sem você.
  Sinto seus ombros se quebrarem em soluços.
  Eu começo a tremer de frio, muito frio.
  – Porque você fez isso, hein? Por quê?
  Está tão difícil de respirar, não deveria terminar assim. Esse não é os felizes para sempre que eu esperava.
  – Eu fiz... – Tusso sangue – E faria de novo e de novo... – Tão difícil, tão frio, alguém faça parar de doer!
  – Tudo... – Tusso e dessa vez queima.
  – Por que...
  – Pare de falar, por favor, você pode me contar depois, só... Pa-pare de falar, fique por mim, lute por mim, você consegue, eu sei disso.
  – Não... Posso... Dói... Eu... Fiz... T-tudo... Por que amo você.
  Após dizer essas palavras que tanto queria dizer, lhe dou um sorriso fraco que vem entre lagrimas e sangue.
  Quase não sinto mais meu coração bater, minhas pálpebras ficam pesadas e escuto o grito de tristeza de Christian falando que me ama, antes de dar a minha última tremula respiração.
  Então fecho os olhos e finalmente me entrego a uma escuridão sem dor.

Capítulo 21
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