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História NÃO RECOMENDADA PARA MENORES ou PESSOAS SENSÍVEIS.

Esta história pode conter descrições (explícitas) de sexo, violência; palavras de baixo calão, linguagem imprópria. PODE CONTER GATILHOS

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A Namorada Improvável

Escrita porRay Dias
Editada por Natashia Kitamura

Capítulo 1 • O Erro Fatal

Tempo estimado de leitura: 15 minutos

  %Hana% %Park% em seus vinte e três anos carregava nos ombros um peso que a maioria das pessoas de sua idade ainda não precisava enfrentar: o de construir uma carreira sólida em um universo competitivo e cruel como o do jornalismo de entretenimento sul-coreano. Ela trabalhava para a “Seoul Wave”, uma revista digital voltada à cobertura de música, cultura pop e celebridades. Era uma das repórteres mais jovens da redação, recém-contratada após concluir um estágio exaustivo, mas já mostrava sinais da determinação que a havia levado até ali.
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  Naquela manhã, %Hana% acordara cedo em seu pequeno apartamento em Mapo-gu, o bairro que respirava juventude, cafés independentes e uma energia criativa que ela adorava. A primeira coisa que fez foi preparar café preto forte — seu combustível indispensável para enfrentar o ritmo da redação. Enquanto bebia de pé, ainda de pijama, %Hana% revisava rapidamente as anotações no celular: detalhes do evento do dia, possíveis perguntas, pautas que precisaria entregar. Era meticulosa, mas também tinha uma ousadia natural. Muitas vezes dizia o que pensava sem medir muito as consequências, e isso já lhe rendera discussões com colegas mais conservadores.
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  Ela gostava de roupas práticas e discretas, por isso, escolheu um conjunto em tons sóbrios: calça preta de alfaiataria e uma blusa clara de seda, coberta por um blazer que lhe conferia seriedade. O cabelo %castanho% estava preso em um coque elegante, e a maquiagem leve ressaltava seus olhos expressivos. Ela não queria chamar atenção, ou ao menos era o que dizia a si mesma, mas havia algo em sua postura firme e no modo direto como falava que sempre atraía olhares.
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  Ao chegar à redação da Seoul Wave, encontrou a agitação de sempre. O ambiente era aberto, iluminado por grandes janelas de vidro, com mesas cobertas por laptops, câmeras fotográficas e pilhas de papéis. Logo foi cumprimentada por Jisoo Kang, uma repórter mais experiente, conhecida por ser ácida e crítica.
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  — Pronta para o grande dia? — Jisoo perguntou, com um sorriso enviesado, apoiada contra a mesa de %Hana%. — BTS não é qualquer pauta, você sabe.
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  — Eu sei, unnie — respondeu %Hana%, tentando soar confiante. — Mas é só mais um evento. Perguntas, respostas, escrever a matéria e pronto.
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  — É, mas lembre-se: um deslize e milhões de fãs caem em cima — acrescentou Minho %Park%, fotógrafo da equipe, enquanto testava sua câmera. Ele era amigável, brincalhão, e sempre funcionava como o alívio cômico nas coberturas. — Acha mesmo que está preparada?
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  %Hana% ergueu uma sobrancelha:
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  — Eu nasci preparada.
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  Apesar da resposta confiante, ela sentia um frio no estômago. A presença do BTS no evento prometia um redemoinho de jornalistas, flashes, fãs enlouquecidas do lado de fora. E, mais do que isso, era uma oportunidade de ouro para mostrar que merecia o espaço que conquistara na revista.
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B•T•S•

  Do outro lado da cidade, o dia também começava cedo para os sete rapazes do BTS. O sol mal havia surgido quando já estavam reunidos no prédio da BigHit Entertainment, revisando a agenda e ajustando detalhes do evento.
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  Taehyung chegara sonolento, com os cabelos desgrenhados sob um boné, mas com aquele sorriso preguiçoso que ora irritava e ora encantava os seus colegas. Jungkook o provocava sem parar, dizendo que ele dormiu por apenas duas horas. Namjoon, sempre o líder atento, lembrava todos sobre a importância da postura pública, principalmente em frente à imprensa.
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  — Vocês sabem como é — dizia Namjoon, com os óculos escorregando pelo nariz. — Uma frase mal interpretada e amanhã somos trending topic no mundo inteiro.
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  Yoongi resmungava sobre o café ruim do camarim, enquanto Jimin e Hoseok aqueciam o ambiente com brincadeiras e risadas. Jin, como sempre, fazia piadas sobre ser o “visual” do grupo, arrancando olhares revirados de todos. A energia deles era caótica, mas harmoniosa. Havia uma sintonia natural entre os sete, construída por anos de convivência. Mesmo cansados, sabiam que precisavam vestir o carisma e o profissionalismo assim que os flashes se acendessem.
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  Quando chegaram ao local do evento, o burburinho já era ensurdecedor. Fãs se aglomeravam nas ruas, com banners, gritos e câmeras erguidas. Dentro do salão, jornalistas e fotógrafos aguardavam em cadeiras organizadas, prontos para o início da coletiva. O BTS entrou acompanhado por seguranças e assessores, cada um exibindo uma presença marcante, os sorrisos cuidadosamente ensaiados para parecerem naturais.
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  Taehyung, porém, parecia distante. Seus olhos percorriam a sala como se procurassem algo ou alguém. Havia nele um ar de desafio constante, como se estivesse sempre pronto para brincar com os limites do permitido. %Hana% estava entre os jornalistas, sentada na terceira fila, bloco de anotações no colo, caneta firme entre os dedos. Ela observava cada detalhe: os gestos calculados, as expressões treinadas, a forma como sorriam em uníssono. Havia estudado o suficiente para entender como funcionava o espetáculo, mas, naquele instante, não conseguia deixar de sentir que Taehyung, estranhamente, olhava na direção dela mais do que o necessário.
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  Quando chegou sua vez de fazer uma pergunta, %Hana% respirou fundo. Sabia que precisava se destacar, que não bastava repetir as mesmas questões genéricas que todos fariam. Queria algo diferente, queria provocar uma resposta mais humana, e foi esse impulso que a fez falar o que não deveria.
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  — Kim Taehyung — começou, com a voz firme, enquanto todos os olhares se voltavam para ela. — Muitos dizem que a sua imagem pública é construída em cima de charme e excentricidade. Uma personalidade talvez ensaiada? O que eu gostaria de saber é: quem é o verdadeiro Taehyung, quando as câmeras se apagam?
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  Um silêncio desconfortável se instalou na sala. A pergunta soava íntima demais, quase como uma provocação. Taehyung arqueou uma sobrancelha, surpreso pela ousadia. Um sorriso lento, quase debochado, surgiu em seus lábios. Ele inclinou o corpo para a frente, apoiando os braços sobre a mesa, e respondeu com um tom que parecia brincar com a tensão.
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  — Talvez você nunca descubra.
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  O olhar dele permaneceu cravado no de %Hana%, desafiador, enquanto um burburinho se espalhava entre os jornalistas. Era como se, em um único instante, tivesse se criado um fio invisível de rivalidade ou de algo muito mais perigoso. Impetuosa, como nas vezes que %Hana% falava sem pensar, ela respondeu sorrindo para ele de forma debochada:
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  — Ou talvez, eu já saiba exatamente como você é.
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  Todos os olhares na sala se concentraram ainda mais sobre ambos, e dentre os jornalistas, a desconfiança daqueles sorrisinhos e olhares trocados mostrou-se presente nos cochichos de uma equipe com outra.
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  E foi justamente a partir daquele momento que tudo começou a sair do controle.
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B•T•S•

  O silêncio provocado pela resposta de Taehyung foi abruptamente cortado quando outra repórter, mais experiente, levantou a voz em tom apressado:
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  — Jungkook, você pode nos falar sobre o processo criativo por trás do último álbum?
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  A mudança de foco foi imediata. Os demais jornalistas se voltaram para o maknae, que sorriu educadamente antes de responder, e o burburinho em torno da ousadia de %Hana% pareceu se dissipar momentaneamente. Mas a tensão permanecia, como uma corrente elétrica invisível. A coletiva seguiu seu curso, com perguntas seguras, risadas ensaiadas e respostas diplomáticas.
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  Ao final, o grupo se levantou, fez uma reverência educada e, acompanhados pela equipe de assessoria e seguranças deixaram o salão. O espaço foi tomado por barulho: o arrastar de cadeiras, jornalistas correndo para enviar matérias, flashes ainda disparando. Mas havia outro som crescendo, vindo do fundo do salão: murmúrios de fãs que tinham conseguido acesso especial.
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  — Quem ela pensa que é? — murmurou uma delas, apontando discretamente para %Hana%. — Que tipo de pergunta é essa?
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  — Foi completamente desrespeitosa! — outra concordou. — Tentando chamar atenção em cima do Tae oppa.
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  — Que ridícula.
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  Em poucos minutos, as vozes se transformaram em ataques mais diretos, carregados de desprezo, alguns ditos alto o suficiente para que %Hana% e sua equipe escutassem claramente. %Hana% piscou algumas vezes, surpresa. Não esperava aquele tipo de reação tão imediata. Ao seu lado, Minho %Park%, o fotógrafo, arregalou os olhos e balançou a cabeça em desaprovação.
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  — O que você estava pensando, %Hana%? — ele sussurrou, ríspido. — Isso não é programa de entrevista pessoal, é uma coletiva de imprensa! Você praticamente cutucou o cara.
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  Jisoo Kang, por sua vez, apertou o braço de %Hana% com firmeza. Seu tom era menos de crítica e mais de urgência:
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  — A gente precisa sair daqui agora. Isso pode piorar.
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  %Hana% notou que havia sido descuidada principalmente pela atitude trocada dos amigos, era Jisoo que geralmente era ríspida e Minho, o lado gentil e menos crítico, porém, se até mesmo Minho que sempre a ajudava ficou preocupado com o que seria de %Hana%… É, aquilo não era um bom sinal.
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  Ao redor, outros jornalistas observavam a cena com olhares curiosos, alguns com sorrisos discretos, como se já estivessem prevendo o desastre iminente. Um deles comentou em voz baixa:
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  — Ela acabou de cavar a própria cova.
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  Outro acrescentou:
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  — Esses novatos sempre acham que vão brilhar com uma pergunta ousada. Mal sabem que é assim que se queimam.
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  A sensação de que todos os olhares estavam sobre ela fez o coração de %Hana% disparar. Seguindo o conselho de Jisoo, ela juntou suas coisas às pressas. A equipe começou a se mover pelos corredores em direção à saída, mas no caminho cruzaram com uma sala parcialmente aberta, onde BTS estava reunido com seus managers.
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  Por um instante, os mundos se encontraram novamente. Taehyung, encostado contra a parede, estava rindo baixo de algo que Jimin dissera. Mas quando notou %Hana% passando, endireitou a postura e seus olhos a encontraram como se já a esperasse. O olhar dele era direto, firme, carregado de desafio. %Hana%, mesmo nervosa, não desviou. Era como se ambos quisessem provar que não iriam recuar primeiro. Foi então que os gritos das fãs ecoaram do fundo do prédio, cada vez mais fortes, clamando pelo nome de Taehyung e criticando “a repórter atrevida”. Ele ouviu com clareza, e um sorriso vitorioso curvou seus lábios. Não disse nada, mas aquele gesto falava por si: para ele, a plateia já tinha escolhido um lado — e não era o dela.
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  Escoltada por seus colegas, %Hana% deixou o local sentindo a pele arder sob o peso invisível do julgamento coletivo. Enquanto isso, dentro da sala, o clima era outro. Namjoon fechou a porta e suspirou, passando a mão pelos cabelos.
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  — Bom, isso foi inesperado.
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  — Ela foi ousada — comentou Jin, erguendo as sobrancelhas. — Não sei se admiro ou se acho insano.
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  Yoongi, encostado na cadeira, resmungou:
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  — Foi só desrespeito. Ela quis aparecer.
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  — Mas você viu a cara dela? — Jimin interveio, pensativo. — Não parecia que ela queria causar. Parecia... séria.
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  Hoseok riu, tentando aliviar o clima.
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  — Séria ou não, ela já arrumou um exército de inimigas. Aquelas fãs quase voaram nela.
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  Jungkook, que até então observava em silêncio, finalmente falou direcionando-se ao Tae:
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  — Hyung, por que você ficou encarando ela o tempo todo? Até antes da pergunta. Eu percebi.
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  Todos os olhares se voltaram para Taehyung. Ele ajeitou o colar no pescoço, como se não desse importância.
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  — Porque ela não tirava os olhos de mim — respondeu, enigmático. — Eu só retribuí.
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  Namjoon franziu o cenho.
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  — Isso não vai ajudar em nada se a situação escalar. Precisamos ter cuidado.
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  Taehyung apenas sorriu, aquele mesmo sorriso que confundia a todos.
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B•T•S•

  Horas depois, na redação da Seoul Wave, %Hana% estava diante de sua superior imediata, Sunbae Yoon Ji-yeon, uma editora veterana com fama de implacável.
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  — Eu avisei quando deleguei essa função para você e sua equipe, %Hana%! — Ji-yeon disse, batendo com a caneta na mesa. — Eu disse para tomar cuidado, para não se deixar levar pelo seu impulso inexperiente de querer se escalar na carreira. Mas você insistiu em querer “se destacar”. Agora olhe o que conseguimos!
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  %Hana% manteve a postura firme, mas por dentro se sentia pequena.
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  — Sunbae, eu só quis…
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  — Quis o quê? — a voz da editora a cortou, dura. — Arriscar a credibilidade da revista? Você não tem noção da repercussão que isso pode trazer para nós, %Hana%. O BTS não é qualquer artista. Você mexeu com um gigante.
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  O silêncio na sala era sufocante. %Hana% suspirou sem saber o que mais dizer para se justificar, e Ji-Yeon deixou a caneta solta sobre a mesa e suspirou também, falando para a joranlista de modo sério pondo um fim no assunto, por hora:
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  — Volte ao seu trabalho agora e torça para que as fãs não sintam que o Taehyung ficou prejudicado com isso, do contrário, essa história pode levar tempo demais para passar.
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  %Hana% saiu do escritório com o peso da bronca ecoando nos ouvidos.
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  Nos dias que se seguiram, entretanto, a situação apenas piorou. A pergunta e a resposta viralizaram em vídeos recortados e espalhados por todas as redes sociais. Fãs criaram hashtags atacando %Hana%, acusando-a de ser invasiva, antiprofissional, arrogante. O nome dela estava nos trending topics, mas não do jeito que ela sonhara.
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  A Seoul Wave começou a receber e-mails e comentários exigindo desculpas públicas. Havia até ameaças de boicote. A BigHit, por sua vez, pressionava os veículos de imprensa, insinuando que a conduta da repórter havia ultrapassado limites. Em apenas uma semana, %Hana% %Park% havia se tornado persona non grata entre os fãs mais fervorosos e uma pedra no sapato de sua própria empresa.
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  E, no fundo, embora tentasse ignorar, a lembrança mais vívida que carregava daquele dia era o olhar de Taehyung e o sorriso satisfeito que ele lhe lançara enquanto ela era escoltada para fora.
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Capítulo 1
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