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História NÃO RECOMENDADA PARA MENORES ou PESSOAS SENSÍVEIS.

Esta história pode conter descrições (explícitas) de sexo, violência; palavras de baixo calão, linguagem imprópria. PODE CONTER GATILHOS

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A Namorada Improvável

Escrita porRay Dias
Editada por Natashia Kitamura

Capítulo 4 • A Realidade nos Bastidores

Tempo estimado de leitura: 27 minutos

  A sala de reuniões da BigHit parecia carregada de eletricidade estática naquela manhã. As persianas estavam parcialmente fechadas, deixando a luz de Seul entrar em filetes sobre a mesa comprida de vidro. Telas ligadas mostravam manchetes que pipocavam em tempo real: “%Hana% %Park% é mesmo a mulher misteriosa ao lado do BTS?”, “Teorias sobre a possível namorada de Taehyung”, “Fãs divididos após flagra noturno”.
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  %Hana% sentou-se numa das extremidades da mesa, ao lado de Ji-Soo, que mantinha o tablet apoiado como se fosse um escudo, deslizando os dedos pelas páginas de fóruns e redes sociais. Ao outro lado dela, Minho ajeitava a câmera que havia trazido, mesmo sem necessidade — um gesto automático, mas que revelava sua inquietação. O olhar dele desviava o tempo todo para %Hana%, ora preocupado, ora carregado de algo mais denso que ela não percebia.
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  Do outro lado da mesa, os sete rapazes do BTS ocupavam suas cadeiras, cada um com uma postura distinta diante do turbilhão. Namjoon mantinha os braços cruzados e a expressão analítica, como se processasse cada detalhe. Jimin mordia o lábio inferior, atento às telas, enquanto Jungkook girava uma garrafa de água nas mãos, evitando falar. Yoongi parecia entediado, mas os olhos não desgrudavam do celular, onde lia comentários. Jin suspirava fundo, como se todo aquele espetáculo fosse uma repetição indesejada. Hoseok, inquieto, tamborilava os dedos na mesa num ritmo nervoso. Taehyung, por sua vez, estava reclinado na cadeira, uma perna cruzada sobre a outra, o queixo apoiado no punho fechado. Os olhos semicerrados dele percorriam cada pessoa na sala, mas sempre voltavam para %Hana%, demorando-se um pouco mais do que deveriam.
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  — Está fora de controle. — disse a diretora de imagem da BigHit, deslizando slides no telão. O tom dela era firme, quase cortante. — O que era para ser um primeiro passo controlado, uma faísca, se transformou em um incêndio em menos de quarenta e oito horas.
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  — E não dá pra apagar — completou Jisoo, erguendo o tablet. — As teorias já se multiplicaram. Temos fãs que estão montando dossiês inteiros com fotos comparando as roupas da %Hana%, as unhas dela, até a sombra no reflexo de uma janela da última live que o Tae fez. Isso não vai parar.
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  %Hana% pigarreou, desconfortável, mexendo no próprio blazer. — Mas… não era esse o plano? — arriscou, a voz mais baixa do que pretendia. — Plantar curiosidade, fazer parecer natural…
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  — Sim, %Hana%, mas não tão natural. — Namjoon falou pela primeira vez, a voz grave ecoando na sala. — A reação foi mais rápida do que esperávamos. E, sinceramente, a culpa não é só da estratégia.
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  Ele lançou um olhar lateral a Taehyung, que arqueou a sobrancelha, com um leve sorriso de canto, quase desafiador.
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  — O que quer dizer com isso? — Tae questionou, num tom calmo demais para não ser provocativo.
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  — Que você ajudou a incendiar, Taehyung. — Jin interveio, soltando uma risada curta e incrédula. — Essas suas indiretas na live… Você sabe como funciona. Sem falar na sua ideia desorientada de chamar a %Hana% para a sua casa e abrir uma live de repente. As fãs pegam cada gesto seu e transformam em evidência.
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  — Eu só estava me divertindo. — respondeu Tae, com um encolher de ombros despreocupado, embora os olhos não abandonassem %Hana%. — Não achei que fosse virar um tribunal. E sobre ela ir lá para casa, foi a Hwa-ji que mandou a gente tirar umas fotos sugestivas de casal em um encontro doméstico.
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  — Pois virou. — retrucou Hoseok, ríspido. — E não é só sobre você. É sobre todos nós. Sobre ela também. — Todos os olhares se voltaram para %Hana%. Ela respirou fundo, ajeitando os cabelos atrás da orelha, tentando manter a compostura. — Aposto como está sendo difícil para você, não é %Hana%-ssi?
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  — Eu não pedi por isso… — murmurou, mas foi interrompida pela diretora de imagem.
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  — E ninguém aqui pediu. — disse a mulher, firme. — Mas todos aceitamos quando o acordo foi feito. Agora precisamos reagir rápido antes que a narrativa saia das nossas mãos.
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  — Eu só ia dizer que não pedi por isso, mas compreendia os riscos desde o começo. — %Hana% falou com uma rispidez educada encarando a diretora de imagem que a interrompera. Taehyung sorriu ladino, admirado pela postura da jornalista.
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  — Eu acho… — Jungkook finalmente se manifestou, para alfinetar a diretora que estava sendo dura demais com %Hana% e Taehyung e aquilo, o incomodava um pouco: — Que se não fossem as fotos que a sunbae Hwa-ji pediu para eles tirarem em casa, tudo o que o Tae vinha falando ou fazendo nas lives não seriam um problema.
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  — Eu só orientei eles a comerem pizza juntos e deixarem suspeitas, Jungkook! — A diretora saiu em defesa própria — O problema foi o Taehyung tirar uma selfie com a imagem da %Hana% no espelho do quarto dele mexendo no closet!
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  — Aliás… Por que mesmo ela estava mexendo nas suas roupas? — Jimin perguntou com malícia ao amigo.
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  — Derramei vinho na camiseta dela, sem querer. — Tae explicou dando de ombros.
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  %Hana% estava cansada daquela discussão e revirou os olhos e encarou Ji-Yeon como se implorasse para a sunbae dela voltar ao foco da reunião. Então, Ji-Yeon, a editora-chefe da Seoul Wave, inclinou-se para frente, entrelaçando os dedos sobre a mesa:
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  — Nossa prioridade é preservar a imagem de ambos. %Hana% está no olho do furacão, e a cada hora que passa, seu nome é mais citado. Precisamos direcionar isso, não reprimir.
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  — Direcionar como? — Yoongi falou, finalmente, olhando de %Hana% para Ji-Yeon. — Querem assumir logo?
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  Um silêncio pesado caiu sobre a mesa. Minho apertou o corpo da câmera contra o peito, como se quisesse se esconder atrás dela.
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  — Não assumir. — corrigiu Ji-Yeon, pacientemente. — Mas intensificar a dúvida. Se confirmarmos cedo demais, perdemos o controle do mistério. Se negarmos, será interpretado como mentira. Então, vamos alimentar o fogo, mas com cuidado.
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  — Vocês falam como se fosse uma campanha publicitária. — murmurou %Hana%, sem conseguir conter a acidez na voz.
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  — Porque é. — respondeu a diretora da BigHit, sem hesitar.
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  As palavras ficaram suspensas no ar. %Hana% sentiu o estômago revirar, mas se obrigou a manter o queixo erguido. Ao seu lado, Minho inclinou-se discretamente, murmurando baixo apenas para ela:
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  — Não deixa que eles apaguem quem você é.
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  Ela o olhou de relance, surpresa pela intensidade nos olhos dele. Por um segundo, o conforto naquela frase quase a fez ceder. Mas Taehyung percebeu o gesto, e o riso suave que escapou de sua garganta soou como um deboche.
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  — Que bonito. — disse ele, apoiando-se melhor na cadeira. — Mas alguém devia lembrar que, sem o “show”, nenhum de nós estaria aqui agora.
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  — Tae… — Namjoon advertiu, mas Tae levantou a mão, como se não precisasse ouvir sermão.
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  — Estou só dizendo a verdade. — ele completou, e então voltou a fitar %Hana%, com um brilho travesso nos olhos. — Afinal, não foi você mesma que falou, lá atrás, que a nossa personalidade era “ensaiada”? Talvez esteja descobrindo agora como é estar no palco de verdade.
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  %Hana% sentiu as faces queimarem. Antes que respondesse, Jisoo interveio com firmeza:
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  — Se você acha que é fácil estar do lado dela, está enganado. %Hana% está sendo atacada online, chamada de oportunista, manipuladora, e tudo por uma estratégia que vocês também aceitaram. Não jogue tudo nos ombros dela.
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  Seokjin, até então calado, ergueu os olhos do celular.
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  — Ela tem razão. Isso não é só sobre nós, é sobre ela também. E, goste ou não, estamos todos no mesmo barco.
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  A sala voltou ao burburinho, vozes se sobrepondo, cada um tentando defender um ponto. No meio da confusão, %Hana% apoiou as mãos sobre a mesa, respirando fundo, e falou num tom firme:
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  — Eu só quero entender onde isso vai parar.
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  O silêncio caiu outra vez, e a diretora da BigHit projetou no telão uma nova proposta: fotos do que seria o próximo passo. Um café discreto, local escolhido a dedo. Uma mesa no canto, luz natural, ambiente acolhedor. E, no centro, a ideia que pairava como uma sentença: Taehyung e %Hana%, sozinhos, publicamente e assumidamente vistos juntos pela primeira vez.
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B•T•S•

  A manhã seguinte parecia carregar uma tensão diferente no ar. %Hana% se arrumava diante do espelho da sala, os cabelos soltos em ondas suaves que moldavam seu rosto. A camisa branca de tecido leve caía delicadamente sobre os ombros, combinada com um blazer azul-marinho que a tornava elegante sem perder a naturalidade. A calça jeans de corte reto equilibrava o look, simples e sofisticado.
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  Cada vez que alisava os punhos da manga, sentia o coração acelerar. Era apenas uma encenação, lembrava a si mesma. Um roteiro minuciosamente montado para alimentar o mistério. Mas havia algo que escapava às estratégias: a consciência de que estaria a sós com Taehyung. Não mais protegida pela multidão dos meninos, nem pelo aparato frio da empresa. Seriam só eles dois. A prova de fogo, nenhuma equipe por perto, nenhum fotógrafo implantado. Apenas eles, à mercê do que quer que acontecesse.
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  Um som grave de motor anunciou a chegada. %Hana% espiou pela janela: um carro preto, discreto mas imponente, parava em frente ao prédio. O vidro escurecido baixou suavemente, revelando Taehyung ao volante, óculos escuros e um meio sorriso que parecia mais um convite do que uma obrigação. Ela acenou para ele aguardar e desceu os degraus devagar, tentando disfarçar o nervosismo. Quando abriu a porta do carro, Tae inclinou-se para destravar por dentro e comentou num tom brincalhão:
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  — Pensei que fosse me deixar esperando mais. Quase achei que tinha desistido.
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  — E deixar você sozinho com a imprensa? — %Hana% respondeu, ajeitando a bolsa no colo assim que entrou. — Não seria justo.
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  Ele riu, arrancando o carro suavemente. O perfume amadeirado dele preenchia o ar, misturado ao couro novo do veículo. %Hana% se recostou no banco, tentando manter a respiração regular.
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  — Você está nervosa. — Tae comentou, sem desviar os olhos da estrada.
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  — Estou? — ela arqueou uma sobrancelha.
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  — Seus dedos. — Ele apontou discretamente para as mãos dela, que tamborilavam no tecido da calça. — Quando você fica ansiosa, não para de movimentar as mãos.
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  %Hana% congelou por um instante, surpresa pelo detalhe.
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  — Você reparou nisso?
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  — Eu reparo em muita coisa. — respondeu, deixando escapar um sorriso enviesado, quase cúmplice. — É um problema meu.
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  O silêncio que seguiu não era desconfortável, mas carregado de uma energia nova, como se cada palavra não dita tivesse peso.
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  A cafeteria escolhida ficava em uma rua tranquila de Itaewon, fachada discreta, janelas de vidro emolduradas por madeira clara. No interior, plantas suspensas e mesas baixas de mármore davam um ar intimista, perfeito para que um “flagra” soasse natural.
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  Tae estacionou, desligou o carro e virou-se para ela antes de sair.
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  — Pronta?
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  — Isso é um encontro ou uma missão secreta? — %Hana% sorriu, meio irônica.
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  — Quem disse que não pode ser os dois? — ele respondeu, abrindo a porta para sair.
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  Quando entraram juntos na cafeteria, o som suave de jazz e o aroma de café recém-passado os envolveram. Havia poucas pessoas, clientes distraídos em seus notebooks, mas %Hana% sentia como se cada olhar fosse direcionado a eles. Tae, no entanto, parecia imperturbável. Apesar de seu boné e óculos escuros, dava para notar quem era ele se a pessoa tivesse mais atenção.
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  Ele a conduziu até uma mesa no canto, perto da janela, e puxou a cadeira para ela com um gesto elegante.
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  — Sempre tão cavalheiro? — ela provocou, sentando-se.
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  — Só quando vale a pena. — respondeu, acomodando-se em frente a ela e tirando os óculos escuros, revelando o olhar profundo que a fitava sem pressa.
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  O garçom se aproximou, e Tae fez questão de pedir primeiro:
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  — Dois cappuccinos, por favor. E… um pedaço de bolo de limão.
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  — Você gosta de bolo de limão? — %Hana% perguntou, surpresa.
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  — Não. — ele sorriu. — Mas acho que você gosta. Acertei?
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  %Hana% piscou algumas vezes, quase rindo.
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  — Você anda me observando demais, Taehyung.
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  — É o que namorados fazem, não é? — disse em tom leve, mas o olhar segurava uma seriedade que a fez desviar os olhos.
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  O silêncio entre eles foi preenchido pelo som ambiente, mas não havia rigidez. Tae apoiou o braço sobre a mesa, inclinado para frente, reduzindo a distância. %Hana% sentiu o calor da presença dele, a maneira como o perfume parecia mais intenso ali.
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  — Sabe… — ele começou, brincando com a colher que o garçom havia deixado. — Você não me olha nos olhos por muito tempo.
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  — Não é verdade. — ela rebateu, quase automática.
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  — É sim. — Tae sorriu, inclinando a cabeça. — Sempre olha e depois desvia. Como agora.
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  %Hana% mordeu o lábio inferior, irritada por ser pega.
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  — Talvez eu só não queira alimentar essa sua vaidade.
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  — Talvez. — ele riu, baixo. — Ou talvez esteja com medo do que pode sentir se olhar demais.
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  O coração dela disparou. Antes que pudesse responder, o garçom trouxe os cappuccinos e o bolo. O vapor subia das xícaras, e %Hana% agradeceu internamente pela interrupção. Taehyung pegou o garfo, cortou um pedaço do bolo e, sem cerimônia, estendeu para ela.
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  — Prova primeiro.
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  — Eu posso me servir sozinha. — ela protestou, mas a firmeza nos olhos dele a fez ceder.
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  Aproximou-se, provando o pedaço oferecido. O cítrico do limão explodiu na boca, mas foi o gesto íntimo, simples que a fez sentir o rosto corar.
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  — Acertei, né? — Tae perguntou, triunfante.
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  — Você dá sorte. — respondeu, tentando manter o tom casual.
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  A conversa fluiu, inesperadamente leve. Eles falaram sobre música, sobre lugares de Seul que gostavam, sobre comidas favoritas. Tae a surpreendia a cada resposta: ora com comentários poéticos, ora com brincadeiras que arrancavam risos dela sem esforço. %Hana% se via esquecendo, por instantes, que poderiam ter câmeras registrando tudo e que aquilo era uma farsa.
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  Em determinado momento, Taehyung esticou a mão por sobre a mesa tocando de leve os dedos dela. Não foi uma encenação. O toque permaneceu, firme, mas sem exigir. %Hana% o olhou, tentando decifrar o que havia naquele gesto.
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  — Relaxa. — ele murmurou, tão baixo que parecia apenas para ela. — Esquece por um minuto quem está assistindo.
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  Ela respirou fundo, deixando o olhar repousar nos dele mais do que se permitira antes. E, pela primeira vez, pensou que talvez não fosse apenas um jogo.
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  %Hana% repousou os dedos sob a mesa, tentando escapar do toque dele, mas Taehyung apenas acompanhou o movimento, como se a perseguisse de propósito. Era um gesto simples, nada ostensivo, mas a proximidade física parecia ecoar mais alto que todas as palavras que trocavam.
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  — Você é persistente. — ela disse, tentando soar firme, mas o tom saiu mais baixo do que pretendia.
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  — Eu sou artista. — Tae retrucou, os olhos semicerrados em desafio. — E artistas perseguem o que lhes intriga.
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  %Hana% riu nervosa, apoiando o cotovelo na mesa e encostando o queixo na mão.
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  — Então quer dizer que eu sou “intrigante” pra você?
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  — Você é… um enigma. — ele levou a xícara aos lábios, demorando-se no gole, sem desviar o olhar. — E eu adoro enigmas.
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  O ar entre eles parecia mais denso. A música de fundo, o jazz suave, envolvia a cena como se o mundo lá fora tivesse se dissolvido. Ela tentou recuperar o controle, cortando um pedaço do bolo com o garfo.
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  — Você fala como se estivesse me analisando o tempo todo.
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  — Estou. — respondeu sem hesitar. — Desde o primeiro dia.
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  %Hana% travou no movimento, o garfo a meio caminho da boca.
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  — Isso é meio… assustador, sabia?
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  Tae apoiou o queixo na mão, imitando a postura dela e inclinou-se para frente. O sorriso no canto dos lábios não era zombeteiro, mas provocador.
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  — Assustador ao ponto de você ter vontade de desistir? Sei que isso passou pela sua mente algumas vezes, mas por que você não foi embora?
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  O coração dela disparou. O garfo pousou no prato sem que ela percebesse.
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  — Porque… — engoliu seco, tentando encontrar a resposta. — Porque é meu trabalho.
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  — Mentira. — Tae sussurrou, tão baixo que parecia segredar. — Se fosse só trabalho, você já teria me colocado no meu lugar umas dez vezes.
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  Ela respirou fundo, desviando o olhar para a janela, onde o reflexo dos dois se misturava ao vidro.
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  — Você gosta de jogar, não é?
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  — Gosto. — ele admitiu, encostando-se na cadeira. — Mas só quando sei que o outro também está jogando comigo.
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  %Hana% apertou os lábios, sem responder. O silêncio se alongou, mas não era vazio: havia uma corrente elétrica no ar, como se cada gesto mínimo fosse um movimento no tabuleiro. O garçom se aproximou para retirar os pratos, quebrando a tensão. Tae agradeceu educadamente, mas assim que ficaram a sós novamente, inclinou-se um pouco mais.
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  — Me conta uma coisa. — ele pediu, a voz mais baixa, quase confidencial. — O que você pensou quando me viu no carro hoje?
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  %Hana% piscou, surpresa com a pergunta direta.
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  — Pensei… que você parecia saído de um comercial de luxo.
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  — Só isso? — ele arqueou a sobrancelha. — Nenhum detalhe… pessoal?
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  Ela hesitou, mordendo o lábio.
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  — Pensei… que você parecia… perigoso.
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  Tae riu baixo, como se tivesse recebido o melhor elogio.
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  — Gostei disso. Perigoso como?
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  — Como alguém que… sabe exatamente o que faz com quem está ao redor. — %Hana% desviou o olhar, mexendo no guardanapo sobre a mesa. — E isso pode ser bom… ou ruim.
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  Ele ficou em silêncio por um instante, observando-a com intensidade. Depois, estendeu a mão devagar, pegando o guardanapo que ela amassava. Seus dedos roçaram os dela, intencionais.
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  — Então me diz… — murmurou, mantendo o contato. — O que eu sou pra você? Bom… ou ruim?
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  %Hana% engoliu seco, a garganta seca como se tivesse engolido areia. Quis responder rápido, mas percebeu que qualquer palavra a denunciaria. Optou por se erguer um pouco, pegando a xícara para disfarçar o tremor nos dedos.
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  — Ainda não decidi. — disse, finalmente, olhando-o nos olhos por mais tempo do que vinha se permitindo.
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  Os segundos que se seguiram pareceram uma eternidade. Tae sustentou o olhar dela, os lábios curvados num sorriso quase imperceptível, mas os olhos… os olhos denunciavam algo diferente, uma vulnerabilidade escondida sob camadas de provocação. %Hana% sentiu o corpo inteiro reagir, um arrepio sutil que percorreu sua nuca e atrás das orelhas. E foi nesse instante, entre a hesitação e a entrega, que percebeu que a farsa começava a escapar do controle. Tae afastou a mão lentamente, como se desse espaço a ela, e voltou a se recostar na cadeira, quebrando o feitiço com um tom mais leve:
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  — Sabe… esse café está bom, mas acho que a companhia melhorou o sabor.
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  %Hana% riu, nervosa, mas o riso saiu verdadeiro.
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  — Você é impossível.
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  — Eu sei. — ele piscou, satisfeito. — Mas confesse: você está se divertindo.
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  Ela suspirou, rendida.
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  — Talvez um pouco.
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  %Hana% ainda tentava escapar do olhar dele quando ouviu um arrastar de cadeiras ao lado. Duas garotas se aproximaram timidamente, segurando celulares nas mãos e sorrisos nervosos no rosto.
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  — D-Desculpa incomodar… — disse a mais baixa, com o cabelo preso em um coque bagunçado. — Mas… você é o Taehyung, não é?
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  Ele abriu um sorriso tranquilo, inclinando a cabeça em cumprimento.
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  — Sou, sim.
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  A amiga dela, de óculos grandes, apertou o braço da outra com entusiasmo.
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  — Eu sabia! Eu falei que era ele, mas achei que não seria possível ele estar aqui.
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  %Hana% se encolheu instintivamente na cadeira, olhando ao redor, tensa. Não havia admitido para ninguém, mas criara certo medo e trauma das “armys”. A cafeteria não estava cheia, mas bastava um clique errado para a encenação ruir. Tae, por outro lado, parecia absolutamente calmo.
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  — Vocês querem tirar uma foto? — ele perguntou com naturalidade.
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  As duas assentiram rápido demais. Antes de se levantarem, porém, a de óculos lançou um olhar para %Hana%, semicerrando os olhos como se juntasse as peças de um quebra-cabeça.
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  — E… desculpa perguntar, mas… você é a… %Hana%?
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  O coração dela quase parou. Tae esboçou um sorriso enviesado, segurando o riso da surpresa.
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  — Por que vocês acham isso? — ele provocou.
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  A mais baixa cobriu a boca com as mãos, tentando conter o entusiasmo.
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  — Ai meu Deus! Eu sabia! Eu falei que era ela! Desde aquele rumor… desde a foto! Vocês ficam tão bem juntos!
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  — É, nós somos “shippers” de vocês — completou a amiga, animada. — A gente sempre comentou que queria te ver feliz com alguém de verdade. E agora parece que é, né?
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  %Hana% piscou, atônita, sentindo as bochechas queimarem. A voz simplesmente não saía. Tae se inclinou para o lado dela, sorrindo preguiçoso, e respondeu pelas duas:
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  — Talvez vocês estejam certas.
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  As fãs arregalaram os olhos, quase gritando.
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  — Sério?! Então… podemos tirar uma foto com vocês dois?
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  — Com nós dois? — %Hana% sussurrou, tensa, mas antes que pudesse recusar, Tae já estava de pé.
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  Ele estendeu a mão, oferecendo apoio para que ela também se levantasse. %Hana% aceitou, relutante, e em seguida sentiu o braço dele se enrolar em sua cintura, puxando-a para um meio abraço natural, firme e seguro.
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  O clique do celular capturou o momento. As duas garotas vibraram, agradecendo efusivamente antes de se afastarem, rindo e trocando mensagens rápidas no telefone.
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  Assim que ficaram a sós de novo, %Hana% percebeu que o braço dele ainda estava em volta da sua cintura. E, pior: não havia pressa em soltá-la. Ela ergueu o olhar devagar, encontrando os olhos dele a poucos centímetros dos seus. O mundo pareceu parar. O perfume amadeirado dele, a pressão leve da mão sobre sua cintura, a proximidade… tudo queimava. Taehyung a observava em silêncio, o sorriso sumindo, substituído por algo mais profundo e intenso. O coração dela batia tão forte que doía. Por um instante, %Hana% teve medo de que ele pudesse ouvir. A tensão se acumulava, quase palpável, até que ela finalmente quebrou o feitiço, engolindo em seco:
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  — A gente devia… sair daqui.
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  Tae demorou um segundo antes de responder, mas então afrouxou o braço, sem, no entanto, soltar completamente. O sorriso voltou, carregado de malícia.
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  — Como você quiser.
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  Eles saíram lado a lado, os olhares das fãs ainda os seguindo até a porta. Do lado de fora, a noite já caía, e o ar fresco bateu no rosto de %Hana% como um balde de realidade. Mas não houve tempo para respiro. Assim que atravessaram a calçada, flashes começaram a pipocar no escuro. Dois paparazzis falsos, contratados pela equipe para surpreendê-los, surgiram como caçadores, apontando as câmeras para eles.
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  — Taehyung! %Hana%! É verdade que estão juntos?! — uma voz gritou.
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  Instintivamente, %Hana% recuou, levando a mão ao rosto. Tae, no entanto, deu um passo à frente, puxando-a para junto de si, o braço firme envolvendo seus ombros numa postura protetora.
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  — Não façam isso! — ele disse em voz alta, encenando indignação. — Deem espaço pra ela!
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  Os flashes se intensificaram. %Hana% tentou falar algo, mas antes que pudesse, Tae inclinou-se para ela, segurando-a com mais força. E, de repente, aconteceu. Os lábios dele tocaram os dela.
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  Um beijo rápido, mas cheio de intensidade, planejado e inesperado ao mesmo tempo. %Hana% arregalou os olhos, surpresa, mas não conseguiu se afastar: o braço dele a mantinha próxima, o corpo dele firme contra o dela.
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  Os flashes capturaram cada segundo, cada ângulo.
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  Quando Tae se afastou, o sorriso malicioso voltou, embora seus olhos estivessem carregados de algo diferente, algo que ele não conseguiria esconder nem para si mesmo.
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  — Agora… — ele sussurrou, ainda próximo demais. — Eles têm exatamente o que queriam.
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  %Hana% respirava rápido, o coração descompassado, incapaz de responder. Tudo parecia rodar. Mas a única coisa que sentia, realmente, era o gosto dele ainda em seus lábios.
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Capítulo 4
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