
escrito por Natashia Kitamura
Vinda de uma família que possuía o dom de trazer o amor desejado, ela se viu presa em uma maldição quando desobedeceu uma das regras de San Valentin: Não quebrar uma corrente de amor. Ela havia feito porque o garoto havia traído sua melhor amiga. Mas uma corrente é uma corrente, e agora, quase 15 anos depois, ela ainda sofre com o castigo de San Valentin. Nunca namorou.
Mas será que o santo do namoro e do relacionamento é assim tão maldoso?
|| quarta-feira 17 de junho de 2020 às 18:30 - Comentários
|| Arquivado em: Colunas
Você está lendo uma história de romance. O protagonista diz que ama a mocinha. Completamente esperado, não é? Porém, alguma coisa não parece certa. O protagonista diz amar, mas… Não parece real. As atitudes dele não são de quem ama. Ele diz sentir, porém isso não atinge os leitores em cheio. A história torna-se superficial e o narrador é tão autônomo que não consegue ligar-se com quem ler.
OK, não é algo incomum. Como evitamos isso ao escrever nossas histórias? Como construir um sentimento específico em um personagem?
Vamos pensar na construção de uma casa. Primeiro vem a base e ela é de suma importância. Quais são as bases do sentimento que você quer passar? Amor?
Quem ama se preocupa, é gentil e demonstra isso em pequenas atitudes e diálogos que não necessariamente fala do sentimento específico. É esperado um X comportamento de quem ama, independente da personalidade de quem tem o sentimento. Um exemplo abaixo:
“Nina sempre viu Pedro calado em seu canto como se fosse incapaz de falar. Então, assustou-se no intervalo do almoço quando ele ofereceu um pirulito.”
Agora pensemos nas colunas e vigas da casa. Nessa parte passamos não só para ações, mas a forma como o narrador ver o personagem a quem nutre o sentimento. Se a protagonista sente uma grande atração pelo mocinho, ao narrar seus trejeitos e falas, as palavras usadas serão a de característica mais sensual e voltado nas atribuições de seu corpo. Exemplo:
“Fernando tinha ombros largos e andava como se o mundo lhe fosse submisso. Os olhos escuros davam-no um ar misterioso, embora queimasse ao serem dirigidos a mim.”
Então, quando começa a construir as paredes, o sentimento passa a ser concreto e definido. Antes, por exemplo, a raiva pode ser causada por um momento específico, estresse do dia a dia. Porém, se seu objetivo é construir um rancor enraizado é necessário que as pequenas atitudes de violência simbólica sejam contínuas na história.
Então, aqui retornamos ao Show Don’t Tell, uma antiga conhecida nossa. Clicando no link você irá para uma coluna da Gabi, onde ela explica com mais profundidade o que seria o “Não conte, mostre!”. Você não precisa contar o que o personagem sente, mas sim mostrar e deixar que o leitor venha entender sozinho. Não subestime seu leitor. Ele sabe o que está acontecendo.
Voltando a construção da casa, temos o “bater a laje” que é justamente o teto. É aqui que o nosso protagonista diz que ama. A essa altura o leitor DEVE saber através das atitudes e pensamentos do personagem, embora o personagem não tenha dito com todas as letras até aquele momento. Como expectadores, nos dá uma grande emoção vê-lo admitindo porque nós já sabíamos e é bastante prazeroso saber que estávamos certos, que nossa torcida funcionou.
Você se pegou em dúvida em relação a construção de seus personagens, mas não sabe se está no caminho certo. Como resolver isso?
Responda às seguintes perguntas:
- Meu personagem precisa reafirmar os sentimentos o tempo todo?
- Meu personagem já inicia com o sentimento que quero construir?
- Os sentimentos do meu personagem são premeditados e ditos antes do desenrolar deles?
- A partir dos comentários dos leitores, senti a necessidade de didatizar o que o personagem sente?
Se a resposta para essas perguntas são todas positivas, talvez seja a hora de reescrever sua história com mais cuidado. Vai por mim, isso é importante para melhorar a qualidade da sua obra.
Até mais, pessoal!
Coluna por Maraíza Santos
— Para de pensar tanto, Buttercup. — Ele a puxou para mais perto num abraço a encarando olhos nos olhos, ou mais ou menos isso, considerando a diferença de altura entre os dois. — A gente só demorou para estar aqui porque você pensa demais.
With Somebody Like Me {Outros, Finalizada}
2015 – PRESENTE
Todos os direitos reservados