CAPÍTULO 3
Londres, 1943
%Mason%’s POV
I knew I loved you before I met you
I think I dreamed you into life
I knew I loved you before I met you
I have been waiting all my life
(I knew I loved you - Savage Garden)
Uma das coisas mais difíceis das quais tive que suportar, nenhuma delas superaram ver %Aurora% desfalecida no chão do quarto de um paciente, a culpa pairava sobre a minha mente. Eu não deveria ter a deixado sozinha, devia ter pedido para que ela ficasse em casa no final da gestação. A única reação que tive, foi afastar aquele cara de cima dela, o empurrando com toda a força, era literalmente como se a minha vida dependesse disso, porque dependia. O homem foi arremessado para longe e eu me ajoelhei ao lado da minha %Aurora%.
— %Aurora%, amor, pelo amor de Deus, acorde. — Minha voz ecoava no cômodo em puro desespero com a ausência de resposta dela, o que me fez a pegar em meus braços rapidamente e correr em direção a uma sala vazia, gritando algum médico disponível para socorrê-la. — ALGUÉM ME AJUDA AQUI!
Era desesperador, o coração dela havia parado e eu simplesmente estava em extrema agonia. Naquele mesmo instante, comecei a massagem cardíaca nela e outros médicos foram chegando.
— Agora deixe que cuidaremos disso. — um dos colegas que era médico havia chegado, junto com várias pessoas da equipe que trabalhava junto.
Eu estava com meu corpo curvado para o de %Aurora%, massageando seu peito a fim de ressuscitá-la. Eu sentia meus olhos arderem, tinha certeza que estava chorando, percebia a forma que as pessoas me olhavam.
Eu não poderia perdê-la.
— Não! Eu não vou deixá-la aqui. — o desespero batia mais alto e eu continuava a massagem cardíaca. Porém, logo em seguida, um dos colegas acabou pegando meu braço e me afastou dali, pude ver de soslaio outros assumindo os cuidados.
— %Mason%, você precisa deixar eles cuidarem disso. Mantenha a calma, vai ficar tudo bem. — Richard era um médico mais antigo ali, ele estava no lado de fora da sala comigo, na tentativa de me acalmar, mas era totalmente em vão.
— Ficar tudo bem? Você por um acaso viu como minha esposa está? Chegou a ver o rosto dela? A quantidade de sangue? — falei sem pausa, em puro desespero. — Meu Deus… A bebê… Você precisa ver como a bebê está, por favor.
Ele assentiu e saiu dali, e eu, apenas deixei meu corpo escorregar pela parede e caí sentado, colocando a cabeça entre as pernas e chorando com medo de perder a minha vida. %Aurora% era a minha vida.
New York, 2024
Acordei ofegante como se realmente estivesse chorando, nervoso e preocupado. O sol já batia no quarto e com a claridade era possível ver que Lis dormia ao meu lado. Me sentei na ponta da cama e passei as duas mãos no rosto, eu queria muito saber o que estava acontecendo comigo… Por que essa menina não saía da minha cabeça? Dos meus sonhos? E são sonhos tão reais que eu realmente não acreditei quando a vi pela primeira vez, pensei que minha mente estava me pregando uma peça. Ela era ainda mais bonita pessoalmente, porém, parecia menos feliz.
Olhei ao redor e me situei novamente, estava em 2024, numa casa diferente e com uma mulher diferente da que ocupa meus sonhos. Ao pegar o celular, pude ver que não estava atrasado, daria para tomar um banho tranquilamente antes de ir até a faculdade. Tinha passado duas semanas desde o primeiro dia de aula e eu havia ficado estranhamente próximo de %Aurora%. A sensação de familiaridade, conforto, lar e… Até mesmo… Eu a via e sentia que a amava, era uma sensação diferente. Não sabia como isso era possível e me sinto mal por Lis.
— Ótimo dia. — falei sozinho e levantei da cama, indo em direção ao banheiro.
Tomei um banho rápido, escovei os dentes e me troquei. Tinha decidido me vestir com uma camiseta cinza e calça preta porque eram simplesmente as primeiras peças que vi no guarda roupas. Em seguida, pude ver Lis se espreguiçando e dei um sorriso para ela.
— Bom dia, Lis. — falei, enquanto calçava o tênis.
— Bom dia, meu amor. — ela sorriu.
Lis era uma mulher doce, amorosa, mas também era decidida e guerreira. Estávamos juntos por três anos e recentemente decidimos noivar e morarmos juntos. Ela realmente não merecia que eu a tratasse daquela forma.
— Daqui a pouco estou saindo, vou levar o pessoal para conhecer o hospital hoje. — estava um pouco mais animado que o normal, afinal, eu sabia o quanto aquilo era importante quando se estava na graduação.
— É mesmo? Percebo que está ainda mais animado com a turma desse ano. — a mulher fez um comentário e eu acabei me sentindo um pouco mal, minha animação tinha nome, sobrenome e um lindo sorriso tímido.
— É, talvez um pouco. — concordei, um pouco aéreo.
O silêncio reinou depois disso, eu havia terminado de me arrumar e tinha ido até a cozinha. Tomei um café rápido e segui meu rumo em direção a universidade, após me despedir de Lis.
Já era em torno das dez da manhã quando tinha acabado o assunto que estava lecionando, para finalizar, havia passado também uma lista de exercícios para o pessoal e depois iríamos ao hospital.
Meus olhos percorreram aquelas mesas, mas pararam em uma pessoa específica. %Aurora% estava extremamente entretida naquela lista de exercícios e ao seu lado, um rapaz que aparentemente tentava puxar assunto com ela. Confesso que a aproximação daquele cara me deixou um pouco incomodado, mas quem sou eu para dizer alguma coisa?
Me mexi na cadeira, como se tivesse literalmente algo me cutucando ali. Automaticamente, me levantei de onde estava e caminhei em direção a eles.
— E aí, pessoal. Estão conseguindo fazer os exercícios? — questionei, atraindo a atenção dos dois, que agora olhavam para mim.
— Na verdade, sim, professor. Valeu! — o cara proferiu.
Eu havia esquecido o nome dele e nem foi de propósito, eu só não sou tão bom com nomes, pelo menos não de algumas pessoas em questão.
%Aurora% ficou em silêncio por alguns instantes e me deu um sorriso.
— Estudei bastante disso ontem, então sem problemas até agora. — A forma que ela falava, se expressava, toda calma e fofa, me fazia sorrir junto, mas também me fazia dar cambalhotas por dentro.
Nunca havia sentido isso antes.
Aquele cara que estava ao lado dela, me deixava com uma sensação ruim de verdade.
— Que bom, sabia que mandaria bem. — assenti com a cabeça, a vendo sorrir timidamente e sai dali, engolindo o ciúme e talvez um pouco de orgulho também.
Voltei para perto da minha mesa e virei para a turma novamente.
— Assim que terminarem, deixem os papéis aqui na mesa e vistam o jaleco, daqui iremos até o hospital. — peguei o jaleco na mochila e vesti, para aguardar os alunos.
Logo, pude ver que começou uma certa movimentação e algumas pessoas traziam suas folhas, as deixando na minha mesa, %Aurora% fez o mesmo e voltou onde estava.
Estávamos caminhando pelo corredor de uma das alas menos cheias do hospital, antes de chegar ali, tinha conversado com todos os alunos e os pedi respeito, silêncio e atenção, principalmente.
%Aurora% POV
Estávamos no corredor do hospital e com certeza todo mundo estava extremamente animado por estar aqui, conhecendo o campo onde trabalharemos daqui uns anos. A sensação de estar num hospital ao lado de %Mason% é totalmente estranha, mas eu tentava me distrair com a nova amizade que havia feito. O nome dele é Richard. Ele deve ter a minha idade, cabelos claros penteados para trás, olhos claros marcantes e um bigode que eu acho particularmente estranho. Também sentia certa familiaridade perto dele, mas não o mesmo tipo de familiaridade que senti com %Mason%, não chegava nem perto disso.
— Animada? — sai do transe ao ouvir a voz de Richard ao meu lado.
— Com certeza… Estar do outro lado, agora como profissional é totalmente diferente. — comentei, dando um sorriso fraco e desviei meu olhar do dele, podendo ver que %Mason% me encarava.
Depois que Richard se aproximou, eu pude notar um comportamento diferente vindo de %Mason%. Talvez fosse coisa da minha cabeça, certa vontade de vê-lo com ciúme de mim, já que os sonhos com ele ainda continuavam, mas talvez fosse verdade. Só que eu carregaria essa dúvida comigo.
Vale ressaltar que desde o dia que o conheci de verdade, %Mason% sempre vai à lanchonete que trabalho, principalmente próximo do meu horário de saída e me leva para casa, todos os dias.
Que tipo de professor faria isso? Eu não conheço nenhum, além dele, é claro.
— %Aurora%, por que não se inscreve em uma fraternidade? — Richard fez com que eu saísse de meus pensamentos novamente.
— Ah… Eu não sei se teria condições de pagar os gastos mensais. É complicado, você sabe que eu trabalho bastante pra conseguir manter a faculdade e tal. — respondi, ajeitando o jaleco branco em meu corpo.
— Eu sei, estuda a possibilidade e qualquer coisa pode entrar na minha. — eu assenti, voltando a prestar atenção no que %Mason% dizia.
— Esse costuma ser o lugar mais frequentado pelos enfermeiros, o posto de enfermagem. É aqui que as medicações são preparadas, os prontuários são atualizados e muito mais. Aqui é o ponto chave para nós. — seu olhar caiu sobre mim e eu não pude deixar de dar um sorriso tímido.
Naquele instante, foi possível me lembrar do sonho que tive com ele em um corredor do hospital próximo ao posto de enfermagem, antes de acontecer aquela tragédia.
Continuamos todos acompanhando %Mason%, ele nos mostrava cada canto daquele hospital, menos o centro cirúrgico. Esse ficaria para outro dia e eu estava animada para conhecer essa parte também.
Já era em torno de 16h e havíamos sido liberados, eu me encontrava na frente do hospital e segurava o jaleco em meus braços, pensando se deveria guardá-lo na mochila ou segurar como estava até chegar em casa.
— O que achou do hospital? — acabei tomando um susto ao ser surpreendida pela voz de %Mason% logo atrás de mim.
— Meu Deus, %Mason%. Que susto! — coloco a mão no peito, visivelmente assustada.
— Desculpe, %Aurora%. Não foi a minha intenção. — ele riu baixo, ajeitando a mochila em seus ombros.
— Eu sei. Então, eu adorei o hospital. Sendo bem sincera. — sorri, bastante empolgada com o leque de possibilidades que eu teria para trabalhar. — Me trouxe sensações… diferentes.
Ele balançou a cabeça e respirou fundo, naquele momento, por um breve instante, parecia que ele realmente entendia o que se passava pela minha cabeça e sabia do que eu estava falando.
— Espero que tenham sido boas. — ele sorriu.
O céu estava particularmente azulado naquele dia, não havia nuvens para atrapalhar a claridade, era lindo.
— A maior parte dela, sim. — balancei a cabeça em concordância, sentindo meu celular vibrar no bolso. Era uma mensagem do meu irmão que perguntava onde eu estava e se estava bem. — Bom, tenho que ir. Antes de ir para a lanchonete, tenho que passar em casa, tomar banho e comer alguma coisa.
— Eu te levo embora. — mal terminei de enumerar as coisas que eu ia fazer e ele já se prontificou.
Assim fica tão difícil, %Mason%.
— Não precisa, %Mason%… Não quero incomodar. Já não basta todas as caronas que você me dá desde que nos conhecemos de verdade. — fui sincera, não queria ser aquela pessoa que abusa da bondade alheia. Porque essa ação dele é apenas isso, um ato de bondade.
— %Aurora%, eu já te falei que não é incomodo algum. Não me importo em fazer isso, até prefiro. — ele encolheu os ombros, pegando a chave do carro em seu bolso da calça.
— Tudo bem… Por que até prefere? Não entendi. — questionei, aceitando novamente a carona dele.
Fico me perguntando se sou uma pessoa horrível por aceitar esse tipo de coisa, tendo em vista o relacionamento dele. Tudo bem que nunca fizemos nada de errado, tenho certeza que isso nunca passou pela cabeça dele.
— Porque quando te dou carona sei que estará segura.
Não consegui poupar um sorriso e abaixei a cabeça, com certeza havia ficado corada. Ele começou a caminhar e eu fui atrás dele, sem saber o que dizer.
— Por que você tem tanta preocupação com isso? — resolvi perguntar, afinal era uma dúvida genuína.
Caminhamos até o carro por alguns instantes, eu fui em direção a porta do passageiro e ele do motorista. O homem me olhou por cima do automóvel, como se procurasse as palavras certas para usar. Pelo menos era o que parecia.
— Sinceramente, %Aurora%… Eu não sei explicar. Sinto uma necessidade um tanto estranha e enorme de te proteger e te ver bem. Isso deve parecer ridículo, mas eu não suportaria ver algo acontecendo contigo.
Assim que disse aquelas palavras, %Mason% abriu a porta do carro e entrou, eu logo fiz o mesmo. Ainda em silêncio, dessa vez era eu quem procurava as palavras certas para usar, só que não conseguia.
— Eu não sei o que dizer. — respondi sincera e ele sorriu, saindo com o carro em direção a minha casa.
— Espero não parecer um estranho, não é esse tipo de sensação que pretendo passar. — eu o encarava enquanto ele dirigia, era uma cena particularmente bonita.
— Não parece… Talvez fosse estranho se eu dissesse a você que sinto uma sensação estranha a seu respeito também. Familiaridade, cumplicidade, lar. É esquisito porque eu nunca me senti assim antes. — encolhi os ombros ao criar coragem de dizer aquelas palavras e ele me olhou algumas vezes.
Eu não consegui decifrar o olhar dele, mas ele tinha um brilho diferente e ficava me perguntando o que se passava na mente dele naquele momento.
Acabamos ficando em silêncio depois daquelas palavras, o caminho até em casa não demorou. O som da música no fundo era o que não tornava tudo extremamente quieto. Ele estacionou em frente a minha casa, o lugar que ele já estava acostumado a aparecer.
— Chegamos, mais um dia. — ele disse com um sorriso nos lábios, o sorriso que era capaz de derreter qualquer um.
— Acho que você já veio em casa mais do que alguns familiares.
Ele acabou dando uma gargalhada com o comentário que eu havia feito e respirou fundo, quase no mesmo momento que eu.
— Não sei se isso é uma coisa boa… Digo, por ser seus familiares. Por mim, é ótimo. — %Mason% tirou o cinto, virando brevemente para o meu lado.
Eu tinha um pouco de medo do que poderia acontecer.
— Na verdade, eu prefiro mil vezes você aqui do que eles.
O sorriso ainda se manteve nos lábios de %Mason%, eu soltei o cinto de segurança também e fiquei o encarando.
Estávamos numa espécie de transe, era possível reparar que ele olhava meus olhos, em seguida a boca. Eu tinha a impressão que ele queria me beijar, mas não era justo. Ele tinha a Elisa e eu jamais seria a outra, embora sentisse algo por ele.
— Acho que vou querer entrar, assim espero seu horário de ir trabalhar e te levo também. — ele quebrou o transe e eu novamente respirei fundo, mas dessa vez, era um misto de tristeza com alívio.
— Já está se convidando para entrar na minha casa? Que abusado. — brinquei, abrindo a porta do carro para sair e dei a volta no mesmo, o esperando.
— Acho que mereço no mínimo sentar em um sofá confortável e tomar uma água, enquanto espero você. Agora sou enfermeiro/chofer. — ele disse após trancar o carro e me acompanhou.
Aquelas palavras de %Mason% me arrancaram uma gargalhada.
— Você vai ter um adolescente te enchendo de perguntas e talvez uma mãe fazendo o dobro de perguntas também.
Minha casa era simples, a cozinha era junto com a sala, apenas um balcão dividia os cômodos. Os sofás eram mais velhos, já surrados e a televisão não era tão grande, tínhamos também um vídeo game que meu irmão havia ganhado de uma das minhas tias, mas ele já estava bastante usado. As paredes eram a parte mais nova da casa, porque meu pai havia pintado antes de morrer, porém, já mostrava sinais de que a pintura deveria ser refeita. A cozinha era simples, havia uma mesa pequena que cabia perfeitamente quatro cadeiras e o armário tinha quatro portas. Era onde guardávamos nossos mantimentos. O cômodo de cima era composto por três quartos pequenos, o da minha mãe que raramente entrávamos e também, o cômodo mais simples da casa.
Atualmente, era composta por uma cama de solteiro e um guarda roupa pequeno, as paredes totalmente precisando de pintura e os móveis a serem trocados. Os quartos meu e do meu irmão, eram os mais arrumadinhos. Meus pais faziam questão de que fossem confortáveis e arrumados o suficiente para que vivêssemos bem. O quarto do meu irmão tinha uma tonalidade azul turquesa, a cama era praticamente nova, um guarda roupa pequeno e umas medalhas penduradas na parede. O meu era salmão, eu havia escolhido essa cor porque na minha cabeça, era uma cor feliz. Eu tinha uma cama de casal, a qual já quis trocar com a minha mãe que nunca aceitou, um guarda roupa pequeno, pôsteres de algumas bandas na parede, muitas fotos da minha família, amigos e até minhas perto dos pôsteres, uma estante de livros e um notebook que usava para estudar.
Ao abrir a porta de casa, pude ver %Ethan% sentado no sofá enquanto jogava uma partida de futebol. Ele adorava qualquer coisa que envolvia futebol e provavelmente conseguiria uma bolsa numa boa faculdade por conta desse esporte.
Assim que o garoto me viu entrando com %Mason%, os olhos dele se arregalaram e o mesmo pausou o jogo. Não sabia como ele iria reagir, porque jamais havia entrado com um rapaz em casa.
— Oi %Ethan%. Esse é o %Mason%, meu professor da faculdade. %Mason%, esse é o meu irmão %Ethan%. — apresentei os dois e deixei a mochila no canto ao lado do sofá. — Fique à vontade, %Mason%, a casa é simples, mas somos receptivos. — olhei de canto para %Ethan% que concordou.
— E aí, %Mason%. Você joga? — meu irmão começou a puxar assunto com %Mason% e eu sorri, observando a cena.
Eu aproveitei que eles haviam se entendido bem, %Mason% já estava numa partida com %Ethan% e fui tomar um banho. Só havia um banheiro em casa, super pequeno, mas dava para o gasto. Meu banho não durou mais que cinco minutos, já que a ideia de que %Mason% estava em casa jogando vídeo game com o meu irmão me deixava um pouco agitada.
Separei a roupa que iria trabalhar e naquele dia, a roupa era composta de uma camiseta social preta de manga curta, já que era exigência do Senhor Albert que sempre fôssemos de camiseta social pelo menos. Uma saia na metade da coxa também preta, uma meia calça arrastão também preta e um all star preto e branco. Parecia uma emo dos anos 2000, mas adorava aquele estilo. Saí já trocada do banheiro e fui até o meu quarto, me surpreendi ao ver que %Mason% estava ali, em pé, observando as fotos na parede.
— Esse quarto é a sua cara. — ele comentou, sem tirar os olhos das fotos.
— Você acha? — perguntei e ele concordou com a cabeça.
— Você era mais sorridente. Seu sorriso é lindo, %Aurora%… Deveria sorrir mais. — tenho certeza que meu rosto havia ficado vermelho, agradeci por ele ter mantido os olhos nas fotos.
— Muita coisa aconteceu, acho que perdi o brilho. — fui sincera, procurando uma escova para pentear os cabelos.
— Eu queria muito poder te ajudar a devolver esse brilho. — ele falou, voltando a me olhar.
— Você já faz isso, %Mason%. E olha que nos conhecemos há pouquíssimo tempo. — dei um sorriso, aquela preocupação que ele tinha era surreal de tão boa para mim.
— Quero fazer mais. Só preciso descobrir como. — ele se aproximou e eu estremeci. A distância era um tanto pequena entre nós dois.
Eu tinha medo do que ele poderia fazer. Eu queria um beijo dele? Óbvio! Mas jamais gostaria que ele traísse a Elisa. Talvez devesse me afastar, dizer que não gosto dessa proximidade, mas eu não sabia o que deveria fazer porque já não sei se conseguiria ficar longe dele.
— %Mason%… — nossos olhos estavam fixos um no outro e a distância ainda era pequena.
Ele não falou nada, apenas levou a mão direita até a maçã do meu rosto e acariciou com o polegar. Aquele ato me fez fechar os olhos e simplesmente vagar até uma época desconhecida por mim, onde usávamos roupas medievais, novamente.
Quando abri os olhos, %Mason% tirou a mão de meu rosto e suspirou.
— Me desculpe, %Aurora%. Eu não sei o porquê de ter feito isso. — ele respirou fundo, levemente afobado e andou de um lado para o outro do quarto.
— Está tudo bem e eu estou pronta, já podemos ir. Perdi totalmente a fome. — ele não respondeu nada, apenas balançou a cabeça em concordância.
O caminho até a lanchonete foi silencioso como sempre, mas dessa vez estava um pouco mais tenso que o normal. Eu não sabia se era por causa do que quase aconteceu no quarto ou se ele também conseguiu sentir o mesmo que eu. Mas algo ficou estranho depois daquilo.
— Obrigada por me trazer de novo, não precisa vir me buscar. Eu vou andando. — falei, soltando o cinto de segurança.
— Hoje não vou conseguir ficar aqui, mas meia noite estarei na porta para te buscar. — ele ponderou e eu suspirei, sabia que nada o faria mudar de ideia.
— Tudo bem, então. Obrigada. — antes que eu pudesse sair, %Mason% me puxou e me deu um abraço desengonçado, juntamente com um beijo na testa.
Aquele ato novamente havia me pegado de surpresa, mas era uma surpresa boa a ponto de me deixar sorrindo como boba.
Me despedi dele e entrei na lanchonete com o sorriso mais bobo do mundo.
— Que cara de boba é essa, menina? — senhor Albert me tirou do transe que eu estava.
— Nada, só… Muita coisa acontecendo. — respondi.
A noite passou praticamente voando, eu estava morta de cansaço. Meus olhos estavam pesando e eu sabia que era só chegar em casa e deitar que eu dormiria em menos de cinco minutos. Ao sair da lanchonete, pude ver %Mason% encostado em seu carro me esperando e assim que me viu, abriu um sorriso tão lindo, que acabou me fazendo sorrir junto.
— Sempre pontual. — comentei enquanto me aproximava dele. — Nem sei o quanto te agradecer por conta dessas caronas.
— Não precisa agradecer. — ele novamente me deu um beijo na testa e abriu a porta do carro.
Eu dei a volta no mesmo e entrei rápido, encostando a cabeça no banco.
— Dia cansativo? — ele questionou, ligando o carro e saindo em seguida.
— Vida cansativa. — comentei, rindo baixo.
Ele acabou rindo junto e eu encostei a cabeça na porta do carro, sentindo a brisa batendo em meus cabelos e rosto. O caminho como sempre foi silencioso, dessa vez um silêncio confortável. Fiquei com os olhos fechados, porque eu estava bastante cansada naquele dia, mas pude perceber que o carro parou. Porém, me mantive com os olhos fechados para ver o que %Mason% faria.
— Chegamos, %Aurora%. — ele comentou, olhando rapidamente para mim. — Ela dormiu…
Ele falou baixo, dando uma risadinha.
— Vou te levar para dentro, você merece ser tratada como uma princesa… Merece ser feliz, eu queria muito poder te ajudar com isso, %Aurora%. — a voz foi ficando mais fraca, já que ele estava dando a volta no carro.
O rapaz abriu a porta do carro e me pegou nos braços. Desengonçadamente, eu me deitei nos braços do cara que tomava conta dos meus sonhos e ali, parecia meu porto seguro. Era como se todos os meus problemas tivessem sumido num passe de mágica.
Ele só parou de andar depois que entrou em casa, subiu as escadas e foi até o quarto. Quando ele me deixou na cama, o rapaz tirou meus sapatos, a bolsa que estava em volta do meu pescoço e pendurou, voltando ao meu lado em seguida.
— Boa noite, menina que não sai dos meus sonhos. — ali, eu tive a certeza que ele também sonhava comigo.
Era muito difícil me manter quieta, como se realmente estivesse dormindo. Porém, minutos depois eu acabei dormindo, sem me lembrar se ele acabou falando mais coisas ou se havia ido para casa logo depois.