CAPÍTULO 1
This is the first I've seen your face, but there's a chance we are soulmates. I know this might sound crazy, cause you don't know my name.
(Jason Derulo - What if)
Eu nunca fui uma pessoa que costumava acreditar em destino ou coisas do tipo, na realidade, acho que podem me chamar de cética. Não é como se a vida tivesse me dado muitos exemplos de coisas boas sendo destinadas para mim, muito pelo contrário.
Minha vida sempre foi extremamente difícil, nunca tive muito a presença da minha mãe já que ela trabalhava para garantir a comida do mês. Então, aprendi a lidar com tudo sozinha, cuidava da casa, do meu irmão, estudava sozinha e cresci assim, até terminar o ensino médio e me ver na opção de decidir qual faculdade eu faria. Obviamente, eu teria que trabalhar para poder bancar a faculdade, mas eu ia lutar para conseguir. Não é como se fosse muito difícil, já que eu sempre tive uma queda pela área da saúde e assim, escolhi ser enfermeira. Assumo que o medo de falhar era enorme, porém, estava ansiosa para o primeiro dia de aula, que seria exatamente amanhã.
Eu comprei um caderno e algumas canetas, imaginando ser necessário para poder acompanhar as aulas, anotar o necessário e também uma mochila, mas também comprei algumas coisas para meu irmão. Sim, aos vinte e cinco anos eu presenteava meu irmão que tinha dezessete.
Eu queria muito descansar, já que eram em torno de 17h e eu trabalharia das 19h até meia-noite, ser garçonete é um grande saco. Mas aproveitei que estava tudo estranhamente calmo em casa e me deitei no sofá, deixando a televisão ligada em um canal aleatório, não demorando muito para pegar no sono.
Estava andando por um jardim florido, totalmente lotado de flores tal como um dia ensolarado na primavera. Era possível perceber vários tipos de flores, algumas até que eu nunca havia visto antes e o céu, não tinha nenhuma nuvem. Quando percebi, um homem alto, talvez uns vinte centímetros a mais que eu, mais velho, usava óculos e tinha um cabelo preto um pouco jogado, sua roupa era escura e sapatos também escuros. Então, ele me abraçou e naquele momento, eu me senti a pessoa mais feliz do mundo. Era possível me ver como se fosse um filme, de cima. O sol batia em nossa pele, banhando-as com seu calor e eu gostava disso, porém gostava ainda mais da sensação que eu sabia que sentia quando estava ao lado daquele homem.
— Olha, amor… É para você. — ele pegou uma rosa grande e com alguns espinhos em sua parte inferior e me entregou com cuidado, para que eu não machucasse meus dedos.
— Uau… É tão bonita! — exclamei, pegando a rosa da mão dele e cheirando por puro extinto.
— Ela não tem metade da beleza que você tem, isso é certeza. — ele respondeu e eu automaticamente sorri.
Em seguida, era possível perceber o "cenário" ao meu redor ir mudando aos poucos. Naquele momento, estávamos em um hospital. Me peguei parada em um longo corredor e em minha frente havia uma certa movimentação, não era em um quarto e sim no posto de enfermagem. Caminhei até aquele local e pude ver aquele mesmo rapaz, ele estava vestido com um pijama hospitalar e por cima um jaleco branco. Eu me perguntava, como era possível alguém ser tão bonito assim? Deveria ser um crime, com certeza.
Assim que ele me viu, abriu um enorme sorriso em minha direção e caminhou lentamente até mim. Acabei fazendo o mesmo caminho até ele e ao ficarmos próximos, ele me deu um selinho rápido e sorriu novamente.
— É ainda mais bonita de perto, como consegue? — a voz dele saiu em um tom mais grave e eu, apenas o observei. — Eu sinceramente não consigo viver sem você, %Aurora%.
— Eu também te amo, %Mason%… E eu queria muito saber responder essa pergunta, mas também não sei como. — acariciei o rosto dele rapidamente, porém acabei sentindo um golpe forte no rosto algumas vezes, me fazendo despertar.
Ao abrir meus olhos, pude sentir meu irmão batendo diversas vezes em meu rosto, por instinto eu o levantei e o empurrei levemente para longe.
— Para que fazer isso, garoto? Qual é o seu problema? — me sentei no sofá e percebi que já havia escurecido, olhei no celular e vi que estava atrasada.
— Você está atrasada, sua idiota. — me levantei quase que num pulo daquele sofá e corri para o meu quarto, por sorte o uniforme já estava arrumado, mas eu teria que correr para não chegar atrasada.
— Obrigada por me chamar, eu perdi a noção da hora. — falei mais alto para que meu irmão pudesse ouvir e fui até o banheiro. Escovei os dentes e passei uma maquiagem básica, delineado, batom e iluminador. Estava ótimo, quem ia reparar, né?
Foi difícil, mas ao observar pela janela aquela rua escura, eu sabia que viria uma longa noite a seguir. Trabalhar naquela lanchonete não era fácil, principalmente no período da noite. Mas por fim, decidi pegar minha mochila e coloquei alguns itens necessários como carregador do celular, blusa e um livro que eu estava lendo. Caminhei até a sala onde meu irmão estava e baguncei seu cabelo, dando um beijo de despedida. Eu odiava trabalhar naquela lanchonete, mas era dali que o dinheiro da faculdade vinha, então não poderia ter o privilégio de escolher onde e quando trabalhar.
Depois de caminhar por no mínimo uns quinze minutos, acabei chegando na lanchonete e de cara, já recebi uma expressão zangada do meu chefe. O senhor Albert sempre odiou atrasos, principalmente em dias como esse que sempre lotam a lanchonete. Corri até o balcão e comecei a atender as pessoas, depois de fazer um coque desajeitado em meu cabelo.
— Oi, posso ajudar? — perguntei para uma mulher sentada no balcão, ela tinha cabelos pretos ondulados, olhos claros e um sorriso marcante.
— Estou esperando meu noivo, mas acho que vou querer uma cerveja. — ela falou e eu rapidamente assenti, virei as costas e procurei uma boa cerveja que tinha ali. Quando voltei a atenção para ela, foi possível a ver abraçando um homem, que deveria ser seu noivo.
Acabei deixando a cerveja no balcão e antes que pudesse tirar minha atenção deles, o rapaz se virou e abriu a boca para falar, mas era como se não conseguisse encontrar as palavras. Eu, não sabia muito bem o que pensar, afinal, aquele cara era o mesmo cara que havia aparecido em meus sonhos e eu tinha certeza disso. Ficamos em uma espécie de transe bastante constrangedor, até que ele começou a falar, gaguejando um pouco.
— E-eu gostaria de uma cerveja também, por favor. — balancei a cabeça em afirmação e me virei, tentando disfarçar o nervosismo e tremedeira que havia me dado. Depois de segundos tentando me recompor, peguei a cerveja e o servi também.
— Fiquem à vontade, qualquer coisa é só me chamar. — tentei abrir um sorriso, mas na realidade eu queria mesmo é sumir dali.
E foi o que eu realmente fiz, caminhei até a parte de trás do estabelecimento, onde tinha uma pequena copa para os funcionários e apoiei as mãos na pia. Eu estava delirando, era isso? Porque não era possível eu sonhar com alguém que simplesmente nunca vi em minha vida.
Decido tomar um pouco de água e quando saio da copa, dou de cara com aquele mesmo homem e paro na porta, visivelmente surpresa por ele estar ali.
— Você pode me dizer onde fica o banheiro? — antes que eu pudesse dizer alguma coisa, ele foi o primeiro a se pronunciar.
— É a esquerda, senhor. — ele fez uma breve careta, talvez por ter sido chamado de senhor.
Ele era mais velho que eu, chuto que ele tenha no máximo uns trinta e cinco anos. O que o torna bem mais velho do que eu.
— Obrigado. — ele assentiu com a cabeça e seguiu até o caminho indicado e eu voltei para o balcão.
Eu me sentia um tanto desconfortável vendo aquele casal sentado no balcão a minha frente, não era inveja, jamais. Mas eu tinha tido um sonho e tanto com aquele homem, por mais estranho que pareça. Era uma sensação esquisita, eu sentia falta daquilo que aconteceu no sonho, de me sentir amada, realizada e feliz, eu me sentia extremamente feliz nesse sonho.
Acabei despertando dos meus devaneios quando ouvi um "moça" no fundo, alguém me chamava. Era um outro rapaz que estava no balcão e eu sorri, tentando disfarçar.
— E aí, gatinha. Será que você poderia me ver uma cerveja? — respirei fundo ao ouvir a forma que ele havia me chamado, eu odiava ser tratada dessa forma.
— Claro. — Assenti, dando as costas e indo até a geladeira, em seguida o servi e me afastei.
Caminhei até uma das mesas que havia sido liberada, peguei os pratos, copos e levei até a cozinha. Depois, comecei a limpar com um pano com álcool.
— Moça! — ouvi uma voz feminina, era a noiva daquele cara.
Ela era extremamente simpática.
Caminhei para o meu posto inicial e me coloquei de prontidão.
— Pois não? — tentava o máximo possível fazer contato visual com aquele cara, a sensação era bastante confusa.
— Meu noivo aqui está com vergonha de fazer o pedido. Até parece que é tão tímido assim. — ela apontou para o moreno ao seu lado enquanto ria, o mesmo abaixou a cabeça e a balançou em negação. — Gostaríamos de alguns petiscos, alguns frios. Pode ser?
— Lis… — a voz dele em repreensão, porém pude perceber que estavam brincando entre eles.
— Ah, acontece. — acabei sorrindo, levemente sem graça. — Mais alguma coisa?
Ela negou e eu fui até a cozinha, pedindo para a Cher, a mulher que trabalhava na cozinha no período noturno preparasse a tábua de frios para que eu entregasse para eles. Enquanto não ficava pronto, voltei ao balcão e comecei a passar um pano com álcool nos lugares vazios, percebi que a tal mulher havia saído e estava só o homem e por algum motivo, meu coração começou a bater mais forte. O que era ridículo já que ele era comprometido.
Comecei a me xingar mentalmente, tentando me distrair ao limpar o balcão com certa força.
— Acho que se você esfregar com mais força, daqui a pouco tira a cor da madeira. — Ao ouvir a voz alheia, meu corpo estremeceu.
Por que ele estava falando comigo?
— Você sabe como é, tem que ficar bem limpinho. — falei num tom brincalhão, dando um breve sorriso.
— Isso é uma coisa boa. — ele falou, assentindo e eu parei de passar o pano, deixando-o de lado. — Eu te conheço de algum lugar?
Um calafrio atravessou todo meu corpo e por um instante eu pensei que seria possível ouvir meu coração batendo na distância em que ele estava.
— Bem, talvez… Você já veio aqui alguma vez além de hoje? — ele balançou a cabeça em negação. — Então acho que não.
Encolhi os ombros. O que mais eu poderia dizer?
Logo, a tábua ficou pronta e pude servi-los. Já que a mulher dele voltou rápido. O tempo também passou mais rápido do que eu esperava, mas aquilo com certeza era bom, já que estava mais perto do grande dia.
Mas vez ou outra eu me pegava pensando… E se fosse eu ali? Será que estou ficando louca?