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História NÃO RECOMENDADA PARA MENORES ou PESSOAS SENSÍVEIS.

Esta história pode conter descrições (explícitas) de sexo, violência; palavras de baixo calão, linguagem imprópria. PODE CONTER GATILHOS

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Segredo de Escritório

Escrita porNyx
Editada por Natashia Kitamura

Capítulo 8 • Encontros Secretos e Novas Confusões

Tempo estimado de leitura: 51 minutos

  Os dias que se seguiram foram um borrão de encontros furtivos e momentos roubados. %Alice% e eu não precisávamos de palavras para entender o que compartilhávamos agora. Era uma faísca prestes a incendiar tudo ao nosso redor. No escritório, um olhar prolongado, um toque acidental ao passar um documento ou um sussurro perto demais do ouvido durante uma reunião eram o suficiente para fazer o ar entre nós pesar.
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  Naquela manhã, aproveitamos um corredor vazio para roubar alguns segundos longe dos olhares atentos. Encostei %Alice% contra a parede, minha mão deslizando para sua cintura enquanto capturava seus lábios com urgência. O beijo foi intenso, uma mistura de desejo reprimido e adrenalina.
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  Ela sorriu contra minha boca, os dedos apertando minha gravata.
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  — Você é louco — sussurrou.
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  — Você gosta — murmurei de volta, roçando o nariz no dela.
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  O som de um telefone tocando em uma das salas próximas nos fez congelar. Nos entreolhamos, corações acelerados, enquanto segurávamos a respiração. O silêncio se arrastou por alguns segundos antes de %Alice% morder o lábio e soltar um riso abafado.
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  — Você quase teve um infarto — ela provocou.
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  — E você quase me derrubou no chão puxando minha gravata — rebati, arqueando a sobrancelha.
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  %Alice% se afastou ligeiramente, recompondo-se com um ajeitar sutil da blusa. Mas antes que eu pudesse me afastar completamente, ela me puxou de volta e roubou um selinho rápido.
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  — Minha casa. Hoje à noite. — O tom dela era decidido, mas o brilho divertido nos olhos entregava que ela estava gostando do jogo. Levantei a sobrancelha, fingindo ponderar.
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  — Isso é um convite ou uma ordem? — Ela deu um passo para trás, com aquele olhar calculado.
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  — Escolha a resposta que te faz chegar na minha porta às nove.
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  Um sorriso surgiu em meus lábios. Se havia algo que eu adorava, era ver %Alice% %Dias% me provocando.
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  — Vou escolher a que me faz chegar cinco minutos antes.
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  Ela riu baixinho, sacudindo a cabeça antes de se virar e desaparecer pelo corredor, deixando para trás apenas o cheiro do perfume e a promessa de uma noite que eu já sabia que não esqueceria. Voltei para a minha mesa ainda sentindo o gosto do selinho que ela roubou e a adrenalina correndo nas veias. O resto da manhã passou num piscar de olhos, e, antes que eu percebesse, já era hora do almoço com os executivos — um daqueles eventos que exigiam sorrisos treinados, respostas rápidas e zero margem para distração.
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  Sentado de frente para %Alice% na longa mesa do restaurante, cercado por executivos engravatados discutindo estratégias de expansão e números que me davam sono só de ouvir, eu tentava parecer invisível. Afinal, eu era só o secretário — e, naquele ambiente, minha única função era anotar, observar e, com sorte, não derrubar nada.
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  Mas é claro que %Alice% %Dias% não ia facilitar.
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  O primeiro toque me pegou desprevenido. Eu estava terminando de anotar um comentário sobre as projeções de logística quando senti a ponta do sapato dela roçar minha perna, bem de leve. Um arrepio subiu pela espinha. Meus olhos encontraram os dela por reflexo, e tudo o que vi foi uma expressão perfeitamente neutra, como se ela estivesse analisando friamente o que o diretor de operações acabava de dizer sobre margens de lucro.
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  Filha da mãe.
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  Tentei ignorar. Recuei a cadeira disfarçadamente. Ela avançou com o pé. A ponta do salto deslizou pela minha panturrilha, subiu até o joelho, e depois desceu devagar — provocação pura, ritmada, ensaiada. Era um jogo, e ela sabia que estava ganhando.
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  — %Arthur%, anote esse último ponto sobre o relatório trimestral, por favor — disse ela, com a voz firme e polida de sempre. Mas havia algo diferente naquele tom. Um leve sorriso curvava os lábios dela, imperceptível para os outros, mas não para mim.
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  Assenti rapidamente, fingindo foco total na tela do tablet, embora a única coisa que passasse pela minha mente fosse o movimento torturante do pé dela, agora descansando entre minhas pernas com uma ousadia que beirava o escândalo.
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  Peguei o celular discretamente do bolso e digitei uma mensagem.
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  %Arthur%: Você quer que eu infarte aqui mesmo?
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  Vi o celular dela vibrar sobre o colo. Ela leu, sem mudar a expressão. Em seguida, digitou algo com calma cirúrgica, como se estivesse respondendo a um e-mail corporativo.
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  %Alice%:  Quero ver até onde vai seu autocontrole.
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  %Arthur%:  Zero. É isso que tá acontecendo. ZERO autocontrole.
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  %Alice%:  Você tá indo bem. Quase convincente. 😏
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  Levantei o guardanapo até o rosto, fingindo limpar a boca para esconder o riso que escapava. Quando abaixei o tecido, ela já estava bebendo vinho, como se nada tivesse acontecido. Os executivos continuavam discutindo a importância de um novo parceiro estratégico, enquanto eu me perguntava se conseguiria sair daquele almoço com a dignidade intacta.
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  %Alice% olhou para mim mais uma vez, os olhos brilhando com uma cumplicidade silenciosa, e mandou outra mensagem.
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  %Alice%: Estou só te treinando pra mais tarde.
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  Engoli em seco, tentando manter a compostura. Digitei rapidamente, com os dedos suando:
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  %Arthur%: Isso aqui é treinamento? Tenho medo do estágio avançado.
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  Ela ergueu a taça de vinho com elegância, e antes de levar aos lábios, digitou mais uma vez:
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  %Alice%: Você ainda não viu nada.
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  Aí sim eu quase derrubei a taça d’água. %Alice% voltou a comer salmão com a serenidade de quem não tinha acabado de virar meu sistema nervoso do avesso. Já eu… bom, eu só torcia pra ninguém reparar no vermelho subindo pelo meu pescoço.
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  À noite, estávamos na cozinha dela. O ambiente era iluminado apenas por uma luz suave que pendia sobre a bancada, criando sombras preguiçosas nas paredes. Eu me encostava no balcão, observando %Alice% servir duas taças de vinho com a mesma precisão meticulosa que ela aplicava em tudo na vida. O som do vinho enchendo o cristal era quase relaxante, e o clima — ao contrário do caos das últimas horas — era surpreendentemente leve.
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  — Você sabe que isso é loucura, né? — comentei, deixando escapar um sorriso enquanto aceitava a taça. — A gente está brincando com fogo.
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  %Alice% me lançou um olhar de lado, divertida, antes de apoiar uma das mãos na cintura.
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  — %Arthur%, se alguém soubesse, já teria explodido alguma coisa. A gente tá sendo cuidadoso. — Ela deu um gole no vinho, como se estivesse falando do tempo.
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  — Cuidadoso? — arqueei a sobrancelha, levando a taça à boca. — Você roçou o pé na minha perna inteira no almoço com dois diretores da empresa.
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  Ela riu, aquela risada baixa e provocadora que ela soltava quando sabia exatamente o que estava fazendo.
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  — Ai, exagerado. Ninguém reparou. E, convenhamos, você foi ótimo fingindo que nada estava acontecendo. Quase me convenceu.
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  — Quase? — ri também, sacudindo a cabeça. — Eu quase tive um infarto.
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  — Drama. — Ela encostou-se na bancada ao meu lado, a taça na mão e o olhar relaxado. — Olha, se der errado, a gente lida com isso. Mas por enquanto… — Ela fez um gesto vago com a taça, apontando para mim, para ela, para a cozinha inteira — ...tá funcionando, não tá?
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  — Tá. — concordei, rindo. — De um jeito completamente errado... mas tá.
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  %Alice% ergueu a taça em um brinde improvisado, os olhos brilhando com diversão.
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  — Ao caos.
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  — Ao caos. — respondi, batendo levemente minha taça na dela.
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  O som do cristal se chocando foi suave, quase íntimo. Quando nossos olhares se cruzaram de novo, algo mudou no ar. O riso dela se dissolveu devagar, dando lugar a um silêncio denso, carregado de expectativa.
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  %Alice% deu dois passos até mim, com a mesma segurança de sempre, mas agora com algo a mais — uma leveza divertida, como se estivesse prestes a aprontar algo.
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  — Sabe… você fica bonitinho tentando ser sério. — Ela murmurou, aproximando-se até encostar de leve o corpo no meu. — Essa cara de bom moço meio perdido... quase me convence de que você não tem nenhuma intenção imprópria comigo.
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  — E quem disse que eu tenho? — retruquei, tentando manter o tom firme, mas a proximidade dela embaralhava meus pensamentos.
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  — Ah, por favor, %Arthur%… — Ela deslizou a mão livre até meu peito, os dedos desenhando círculos preguiçosos sobre o tecido da minha camisa. — Você me olha como se quisesse que eu trancasse essa porta e jogasse fora a chave.
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  — Talvez eu queira mesmo. — confessei num sussurro, antes que ela se inclinasse e me beijasse.
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  Foi um beijo lento, provocador, como se ela soubesse exatamente o que fazia comigo. Minhas mãos foram parar em sua cintura quase sem pensar, e por um instante, tudo parou — exceto o som do nosso coração acelerado e a respiração descompassada.
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  Quando ela se afastou, ainda próxima, os olhos fixos nos meus, tive que me lembrar de como se respira.
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  — Isso foi um lembrete ou uma ameaça? — perguntei, sorrindo, ainda sem conseguir desviar o olhar.
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  — Os dois. — Ela deu um sorrisinho e piscou. — E você devia se preparar, porque a parte da ameaça ainda nem começou.
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  Eu ri, balançando a cabeça.
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  — Um dia você ainda vai me matar.
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  — Só se for de prazer. — respondeu, jogando o cabelo para trás com o típico ar de quem sempre vence no final.
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  Eu me perdi ali, nos olhos dela, no sorriso torto, na forma como fazia meu coração perder o ritmo mesmo quando ela só andava pela sala. E naquele instante, com o vinho nas mãos e o corpo dela tão perto, eu soube: o caos tinha nome e endereço. E eu não queria estar em outro lugar.
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💻👠

  Acordei antes dela, o sol filtrando-se pelas cortinas do quarto e desenhando linhas suaves sobre o lençol amassado. %Alice% dormia de lado, o rosto relaxado de um jeito que eu raramente via, os traços duros suavizados pelo descanso. Era um contraste com a mulher controlada e implacável que eu conhecia no escritório, e ver esse lado dela fazia meu peito apertar de um jeito estranho.
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  Levantei-me devagar, vestindo minhas roupas espalhadas pelo chão, tentando não fazer barulho. Aquilo estava se tornando uma rotina — acordar na casa dela, sair bem cedinho de lá, carregando mais do que apenas o cheiro do perfume dela grudado na pele. Mas, dessa vez, enquanto eu colocava a camisa e calçava os sapatos, ouvi a voz dela, rouca e ainda sonolenta, cortando o silêncio do quarto.
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  — Já vai fugir de novo, %Arthur%?
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  Virei-me, encontrando seus olhos semicerrados me observando. Ela continuava deitada, o rosto meio escondido no travesseiro, mas com aquele sorrisinho preguiçoso nos lábios.
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  — Não é fuga. — sorri de canto. — Só estou indo embora antes que você me mande arrumar sua agenda às sete da manhã.
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  %Alice% bufou levemente e se espreguiçou devagar, a coberta escorregando até revelar parte de seu ombro nu.
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  — E você não está esquecendo de nada?
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  Fiz uma pausa, franzindo a testa. Meu olhar percorreu o quarto, tentando entender o que ela queria dizer. Quando finalmente entendi, voltei até a cama, inclinei-me e beijei seus lábios com carinho. Foi um beijo mais lento, mais íntimo. Quase doce. Quando me afastei, ela riu, os olhos ainda semicerrados.
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  — Não era isso que eu estava falando. — murmurou, divertida, os olhos ainda sonolentos, mas brilhando de malícia.
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  — Não? — arqueei uma sobrancelha, fingindo surpresa enquanto me inclinava de novo. — Então era o quê?
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  — Meus croissants. Você prometeu que ia me dar hoje no café da manhã. — disse, mordendo o lábio para conter o riso.
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  — Golpe baixo, %Alice%. — ri, encostando minha testa na dela. — Usar comida contra mim é sacanagem.
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— E você cai toda vez. — sussurrou, antes de puxar um selinho demorado, preguiçoso e gostoso.
  — Eu passo na cafeteria e levo pro escritório. Serve?
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  — Serve... né? — suspirou teatralmente, rolando de lado como se tivesse aceitado a derrota. — Mas só porque você beija bem.
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  Soltei uma risada baixa, me afastando de novo e pegando minha mochila. Troquei um último olhar com ela antes de sair do quarto, e, mesmo do lado de fora, era como se o sorriso dela ainda estivesse colado em mim — leve, provocante e impossível de ignorar.
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  O caminho até em casa foi embalado por pensamentos desconexos, lembranças da noite anterior e o gosto do beijo dela ainda preso na minha boca. Eu deveria estar exausto, mas a verdade é que me sentia absurdamente desperto. Era como se andar por aquelas ruas tão cedo tivesse virado parte da minha rotina secreta.
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  Assim que entrei no meu apartamento, o cheiro de café fresco me recebeu. Clara estava sentada na mesa da cozinha, o cabelo preso em um coque bagunçado, uma caneca fumegante entre as mãos e um caderno de anotações aberto à sua frente. O olhar dela se ergueu lentamente, e foi o suficiente para saber que eu não escaparia sem um interrogatório. Ela arqueou uma sobrancelha, o olhar afiado como uma lâmina.
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  — Até que enfim — disse, a voz carregada de uma ironia que só irmãos conseguem dominar. — Passou a noite fora de novo?
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  Joguei minha mochila no sofá, soltando um suspiro cansado enquanto caminhava até a geladeira, tentando ganhar alguns segundos antes de responder.
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  — Estava... ocupado — murmurei, pegando uma garrafa d’água e evitando o olhar dela. Clara soltou uma risada curta, nada divertida, fechando o caderno com um estalo seco.
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  — "Ocupado"? — repetiu, inclinando-se para frente, os cotovelos apoiados na mesa. — %Arthur%, você é o pior mentiroso do planeta. Dá pra ver na sua cara.
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  Revirei os olhos, me apoiando na bancada da cozinha, cruzando os braços.
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  — Não é da sua conta.
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  Ela arqueou ainda mais a sobrancelha, claramente não se impressionando com minha tentativa de desviar.
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  — Ah, mas é sim. Você chega em casa desse jeito, com essa cara de quem fez merda, e quer que eu finja que não estou vendo? — Ela apontou para mim com a caneca. — E antes que você tente me enganar, já aviso que você está cheirando a perfume caro. Que, aliás, não é o seu.
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  Soltei um suspiro, passando a mão pelo rosto. Eu sabia que ela não ia desistir. Clara era como um detector de mentiras ambulante.
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  — Tá bom. — Respondi, finalmente cedendo. — Eu estava com a %Alice%.
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  O silêncio que se seguiu foi mais intenso do que eu esperava. Clara me encarou, os olhos arregalados por um segundo antes de estreitá-los, claramente processando a informação. Ela piscou algumas vezes, depois riu, balançando a cabeça em descrença.
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  — Uau. Isso é… estúpido até para você.
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  — Obrigado pelo apoio — retruquei, sarcástico, me jogando na cadeira em frente a ela.
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  — Não, %Arthur%. — Ela se inclinou para frente, o rosto mais sério agora. — Você tem noção do que está fazendo? Isso é um desastre esperando para acontecer. Vocês trabalham juntos, ela é sua chefe, e — Clara parou por um segundo, franzindo o nariz — ela é… bom, ela é a %Alice%. — Eu ri, sem humor, esfregando as têmporas.
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  — Você acha que eu não sei? Acha que não penso nisso o tempo todo? Mas é como se… — Suspirei, procurando as palavras certas. — Como se eu estivesse preso em algo que não consigo controlar.
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  Clara me observou por um momento, o olhar suavizando um pouco.
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  — Você gosta dela.
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  O silêncio entre nós foi a resposta. Eu não sabia o que dizer. Não era só atração física — disso eu já tinha certeza. Mas também não sabia se podia chamar de "gostar". Era algo mais complicado, uma mistura de desejo, admiração e essa conexão intensa que parecia consumir tudo ao redor.
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  — Eu não sei — murmurei finalmente. — Só sei que não consigo ficar longe. E o pior é que ela também não consegue.
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  Clara suspirou, apoiando a cabeça na mão, olhando para mim com aquela expressão de quem queria me proteger do mundo, mas sabia que não podia.
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  — Só… toma cuidado, %Arthur%. Porque quando isso explodir, e vai explodir, você pode sair mais machucado do que imagina.
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  Assenti, o peso das palavras dela ecoando na minha mente. Sabia que ela tinha razão. Sabia que estávamos brincando com fogo, mas, mesmo assim, parte de mim queria mergulhar ainda mais fundo.
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  Porque, no fundo, o que eu sentia por %Alice% %Dias% era exatamente isso: um incêndio incontrolável. E, por mais que o fogo queimasse, eu não queria apagar.
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  Naquela manhã, resolvi passar na cafeteria perto do escritório. O ar estava fresco, o céu tingido de um azul pálido típico de início de outono, e meu foco era um só: croissants para %Alice%. Entrei no café e fui imediatamente envolvido pelo aroma de pão fresco e café recém-passado. A fila ainda era curta, e o ambiente seguia com a mesma tranquilidade de sempre. Quase me permiti relaxar.
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  Foi quando a vi. Sentada à mesa de sempre, perto da janela, com uma xícara de chá entre as mãos e os olhos perdidos do lado de fora. Amanda.
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  O estômago revirou.
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  Fazia dias que eu a evitava. Não por maldade, mas por covardia — e por um peso silencioso que se acumulava dentro de mim. Eu sabia que devia uma explicação. Sabia que ela não merecia meu silêncio. Mas até aquele momento, não tinha conseguido ser honesto nem comigo mesmo.
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  E agora estava ali, me olhando e diferente de outras vezes, ela não sorriu. Apenas me olhou por um segundo — e ali eu soube que não ia escapar. A mulher se levantou devagar.
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  — %Arthur%. — Sua voz estava calma, mas havia algo diferente nela. Um peso. — Até que enfim. — Engoli em seco.
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  — Amanda… oi.
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  — Você andou me evitando. — disse, direto. Sem rodeios. — Liguei, mandei mensagem. Sumiu. Pensei que estivesse morto.
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  — Eu… — Comecei, mas ela ergueu a mão com um gesto rápido.
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  — Senta aqui. — pediu, apontando a cadeira à frente dela. Não era um convite. Era uma última chance.
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  Me sentei em silêncio, sentindo o peso da ausência que eu mesmo havia construído. Amanda manteve os olhos fixos nos meus.
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  — Eu só queria entender. — disse ela, apoiando os cotovelos na mesa. — O que aconteceu? Por que sumiu? A gente não estava namorando, eu sei disso, mas você podia ter tido a decência de dizer que não queria mais.
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  — Amanda, me desculpa. — murmurei, sincero. — Eu fiquei confuso… não sabia como dizer. Eu só…
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  — Você só pensou que o silêncio resolveria. — cortou ela, sem elevar a voz, mas com firmeza. — O problema é que o silêncio machuca mais do que a verdade. — Suspirei, passando a mão pela nuca.
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  — Eu ia te ligar hoje. Juro. Queria conversar direito.
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  — Pois que sorte a sua me encontrar aqui, né? — ironizou, e, por um segundo, vi os olhos dela brilharem. Não de raiva. De mágoa.
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  Ela respirou fundo, como quem estava tentando controlar o tom, e prosseguiu.
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  — Eu ia te chamar pra jantar no sábado. Mas pelo visto, você já tem outras prioridades. — Ela me analisou por um momento. — E não precisa fingir que não. Tá estampado na sua cara.
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  — Amanda… — tentei, mas ela me interrompeu de novo.
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  — Não. Deixa eu terminar. — Ela sorriu, mas foi um sorriso triste. — Eu não sou idiota. Você está com outra pessoa. Não precisa me contar quem. Só queria que tivesse me dito antes.
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  Houve um momento de silêncio. Longo. Denso.
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  — Eu não queria te magoar. — falei, de verdade.
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  — Mas magoou. — Ela pegou a xícara com cuidado. — E agora... eu só preciso de um tempo. Pra não guardar mágoa, pra não sentir que perdi meu tempo. E, sinceramente, pra não me colocar de novo onde não sou prioridade.
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  Assenti, sentindo um nó apertado no peito.
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  — Tá certo. Eu entendo. E… se um dia quiser falar de novo, sabe onde me encontrar. — Ela me olhou por um segundo, e então suavizou um pouco o semblante.
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  — Eu não sou sua inimiga, %Arthur%. Mas hoje… eu não quero mais ser sua amiga também. Não agora.
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  — Tudo bem. — murmurei. — Eu respeito isso.
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  Amanda se levantou com calma, ajeitando a bolsa no ombro. Parou ao meu lado por um breve instante.
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  — Espero que ela valha a pena. — disse, antes de sair pela porta da cafeteria sem olhar para trás.
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  Fiquei ali, parado, com a garganta seca. Só me levantei minutos depois, quando o atendente chamou meu nome. Peguei o croissant preferido da %Alice% sem lembrar de ter feito o pedido. E saí da cafeteria com o cheiro de café nos pulmões… e um gosto amargo no coração.
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  O ar fresco da manhã parecia mais pesado do que o normal quando saí da cafeteria. A conversa com Amanda ainda ecoava na minha mente, mesmo que eu tentasse afastá-la. Romper de vez com ela deveria me trazer alívio, mas tudo o que eu sentia era um vazio estranho, preenchido apenas por um nome: %Alice% %Dias%. Era ela quem ocupava cada pensamento meu, cada decisão inconsciente.
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  Enquanto subia pelo elevador da empresa, segurava o saco de papel da padaria com mais força do que o necessário. O cheiro do croissant de chocolate escapava pelas frestas, quente e adocicado, como uma promessa de conforto que, naquele momento, eu sinceramente precisava. Tinha sido uma manhã estranha — intensa demais para o pouco que eu dormi.
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  A conversa com Amanda ainda martelava na minha cabeça. A forma como ela se despediu, firme, madura, mas visivelmente magoada. Ela tinha todo o direito. Eu vinha a evitando, e agora… ela não queria mais nenhum tipo de contato. Nem como amiga.
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  Era justo. Mas não deixava de doer.
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  Assim que entrei no andar, avistei a porta entreaberta da sala de %Alice%. Respirei fundo, tentando afastar aquele peso do peito, e bati duas vezes, entrando logo em seguida. Encostei a porta atrás de mim e me aproximei com o saco na mão.
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  — Se não for o de chocolate, pode voltar e tentar de novo. — disse %Alice% sem tirar os olhos da tela, a voz baixa e divertida.
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  Sorri de leve, mas sem aquele brilho no olhar de sempre.
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  — Você me subestima, Srta. %Dias%. — estendi o saco, pousando-o em sua mesa. — Aprendi com os erros. E com suas ameaças.
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  Ela ergueu os olhos do notebook, e só de ver seu rosto, por um segundo, tudo pareceu um pouco menos caótico. Pegou o pacote e o abriu com um ar quase cerimonial. O cheiro do croissant invadiu a sala, e %Alice% soltou um suspiro exagerado antes de morder a ponta.
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  — Hmm… isso é o céu. — murmurou, fechando os olhos por um breve instante. — Se você um dia quiser pedir aumento, é assim que começa uma negociação.
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  Dei uma risada baixa, mas logo desviei o olhar. %Alice% percebeu o movimento sutil — e, claro, não deixou passar.
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  — Você tá estranho. — disse, lambendo um resquício de chocolate do lábio. — Aconteceu alguma coisa?
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  — Nada. Só... insônia. — respondi, rápido demais. Caminhei até a janela, tentando parecer casual, mas sentia os olhos dela queimando nas minhas costas.
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  — %Arthur%. — a voz dela agora era mais suave, firme, mas com uma delicadeza que me atingiu mais do que qualquer pergunta direta. — Fala comigo. O que houve?
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  Eu me virei devagar, e por um momento, deixei o olhar se prender ao dela. %Alice% não era do tipo que insistia à toa — se ela estava perguntando, era porque realmente queria saber. Porque se importava.
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  Meu peito apertou. Não era o momento, nem o lugar. Mas eu precisava de algo. Qualquer coisa que me fizesse esquecer.
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  Aproximei-me em silêncio, e sem pensar muito, segurei seu rosto entre as mãos e a beijei. Um beijo profundo, faminto, do tipo que dizia tudo o que eu não conseguiria colocar em palavras. %Alice% respondeu na hora, puxando minha camisa pela gola, deixando o croissant de lado como se nada mais importasse.
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  Quando nos separamos, ainda sem fôlego, ela me olhou com as pupilas dilatadas e a respiração acelerada.
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  — Isso não respondeu à minha pergunta. — sussurrou, o rosto ainda perto do meu.
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  — Eu sei. — murmurei, com um meio sorriso cansado.
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  %Alice% observou meu rosto por um instante, como se quisesse decifrar o que havia por trás daquela resposta. Mas então suspirou, recostando-se na cadeira.
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  — Temos uma reunião em treze minutos. — falou, como quem aceita adiar um assunto que ainda vai voltar à tona. — Mas não pense que escapou. Depois, eu quero saber.
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  Assenti em silêncio. Ela voltou para o notebook, pegando novamente o croissant como se nada tivesse acontecido. Mas o clima no ar dizia o contrário. O gosto do beijo ainda estava em nós dois — e o que quer que estivesse por trás daquele gesto, ainda estava pendente.
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  O dia passou voando, entre beijos e carícias escondidas com %Alice%. Eu não gostava de admitir, mas havia algo viciante nesse jogo secreto. O risco, o cuidado ao disfarçar cada troca de olhares no escritório, a adrenalina de sair da casa dela bem cedinho — tudo isso fazia o coração bater mais rápido. O proibido tinha um sabor que eu nunca imaginei ser tão viciante. Ainda assim, naquele dia, decidi ir direto para casa, a situação com a Amanda ficou martelando minha cabeça o dia inteiro.
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  Clara tinha um encontro com o tal Marcos — um nome que vinha aparecendo cada vez mais nas conversas dela, sempre acompanhado de um sorriso que ela tentava disfarçar. Eu confiava nela, claro, mas não podia evitar a pontinha de desconfiança. Era meu instinto de irmão mais velho falando mais alto, então queria estar em casa quando ela chegasse. No entanto, admito que, comparado aos meus próprios deslizes, Clara estava mostrando ter mais juízo do que eu ultimamente.
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  Quando cheguei em casa, a sensação de vazio foi imediata. O silêncio parecia ecoar em cada canto do apartamento. Sem vontade de cozinhar, optei pelo clássico miojo — prático, rápido e, convenhamos, um clássico dos momentos de pura preguiça. Enquanto a água fervia, o cheiro familiar me trouxe uma sensação estranha de nostalgia, como se fosse um lembrete silencioso da minha vida antes de tudo isso… antes dela.
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  Peguei alguns documentos do trabalho para revisar enquanto o macarrão cozinhava. %Alice% podia ser minha amante secreta, mas não aliviava em nada quando o assunto era trabalho. Seus padrões continuavam impecáveis e, honestamente, quase impossíveis. O engraçado é que eu admirava isso nela, mesmo quando me fazia revirar os olhos.
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  O celular vibrou em cima da mesa, interrompendo meus pensamentos. O nome na tela me fez congelar por um segundo: Rodrigo, meu antigo chefe. A curiosidade e uma leve apreensão se misturaram enquanto eu atendia.
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  — %Arthur%! Como está indo? — A voz animada dele do outro lado da linha parecia deslocada para o horário e para o clima da minha mente.
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  — Estou bem, Rodrigo. E você? — respondi, tentando soar casual.
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  — Tudo certo por aqui. Mas não estou ligando só para bater papo. Tenho boas notícias. Amanhã o RH vai finalizar as entrevistas para a vaga de secretária da %Alice%. Elas parecem promissoras, então, em breve, você volta para o seu cargo… com aquele aumento que eu prometi. — O tom dele era despreocupado, como se estivesse falando sobre o clima.
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  Minhas mãos apertaram o celular com força, o impacto das palavras dele ecoando na minha mente. Voltar ao meu cargo. Esse sempre foi o plano, certo? Mas, de repente, a ideia parecia... errada. O desconforto se instalou no peito, uma sensação estranha, difícil de definir.
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  — Isso é… ótimo. — Minha voz saiu neutra, quase apática, mas Rodrigo não percebeu.
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  — Eu sabia que você daria conta. Até amanhã, %Arthur%. E parabéns por aguentar o tranco. — Ele riu, como se toda essa situação fosse uma piada interna entre nós.
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  — Obrigado, Rodrigo. Vou encarar o último dia com força total. — Tentei soar mais entusiasmado, mas o peso das palavras dele já tinha afundado em mim.
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Desliguei e fiquei olhando para o celular por alguns segundos, como se ele pudesse me dar respostas. Depois, o deixei cair no sofá.
  O que estava acontecendo comigo? Esse sempre foi o plano: subir na carreira, ganhar experiência e, eventualmente, voltar para o cargo com um bom aumento. Mas agora… pensar em sair da posição ao lado de %Alice% parecia sufocante. O problema não era o trabalho. Era ela.
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  Fechei os olhos por um momento, tentando reorganizar meus pensamentos. O apartamento estava silencioso, exceto pelo som da água fervendo que eu já tinha esquecido. Levantei-me mecanicamente, desligando o fogo e despejando o miojo na tigela. Mas o apetite tinha sumido.
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  Sentei no sofá, olhando para a tigela de macarrão esfriando na mesa de centro, enquanto minha mente girava em torno de um único nome: %Alice% %Dias%.
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  Era o jeito que ela franzia levemente a testa quando estava concentrada, o modo como seu perfume parecia se prender em mim mesmo depois de horas longe, o brilho nos olhos quando ela me provocava, fingindo que tudo era apenas um jogo. Mas não era. Não para mim. E, talvez, nem para ela.
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  Eu sabia que estava me metendo em um território perigoso. Isso não era só sobre trabalho. Era sobre ela. E, por mais que o lado racional gritasse para eu recuar, meu coração — idiota e teimoso — já tinha escolhido.
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  E agora? O que fazer quando o plano que parecia perfeito já não fazia mais sentido?
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  Na manhã seguinte, o ambiente do escritório estava mais movimentado do que o normal. As candidatas para a vaga de secretária começaram a chegar, uma a uma, todas vestidas de maneira impecável e carregando currículos que, provavelmente, eram mais impressionantes que o meu. O murmúrio de conversas e o som de saltos altos ecoando pelo corredor criavam uma atmosfera de expectativa quase palpável.
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  %Alice% conduzia as entrevistas em sua sala com a porta entreaberta, o suficiente para que eu ouvisse alguns trechos das conversas. Eu tentava me concentrar nos e-mails e relatórios em minha mesa, mas era difícil não notar as expressões das candidatas ao saírem. Algumas pareciam confusas, outras frustradas. Nenhuma parecia satisfeita, e eu comecei a me perguntar o que exatamente %Alice% estava procurando.
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  Foi então que Marcel, o assistente de contabilidade, surgiu ao lado da minha mesa com aquele sorriso presunçoso que ele sempre carregava, como se estivesse sempre um passo à frente de todo mundo. Anelise, que trabalhava ao meu lado no setor administrativo, estava com ele, segurando uma prancheta enquanto mordiscava a ponta da caneta de forma distraída.
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  — %Arthur%! — Marcel chamou, batendo levemente na borda da minha mesa. — Acho que é hoje, hein? — Ergui os olhos do monitor, tentando disfarçar o desconforto que aquela frase provocou.
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  — Hoje o quê? — perguntei, embora já soubesse a resposta. Anelise sorriu, inclinando-se levemente sobre minha mesa com um brilho animado nos olhos.
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  — O dia em que você finalmente se livra dessa função. As entrevistas estão indo bem, e logo teremos uma nova secretária para a Srta. %Dias%. — Ela disse isso com um entusiasmo quase cômico, como se estivesse falando sobre um grande evento.
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  Marcel riu, cruzando os braços enquanto balançava a cabeça.
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  — Você aguentou firme, cara. Sabia que conseguiria. Não deve ter sido fácil lidar com a Srta. %Dias%, mas você se saiu melhor do que eu esperava. Agora pode voltar para o seu cargo de origem, com o bônus que o RH comentou. — Tentei forçar um sorriso, mas ele mal alcançou meus olhos.
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  — É… ótimo. — Minha voz saiu mais baixa do que eu pretendia. — Estou ansioso para voltar. — Anelise, alheia à minha hesitação, deu um tapinha animado no meu braço.
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  — Vai ser bom pra você. Aposto que vai sentir falta só dos eventos, sem o estresse extra da chefona.
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  Eles riram juntos enquanto se afastavam, trocando comentários sobre alguma planilha de contabilidade, mas eu continuei ali, parado, encarando a tela do computador, embora não estivesse enxergando nada.
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  "Finalmente livre."
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  Era o que todos esperavam que eu sentisse. Mas o alívio que deveria me invadir não veio. Em vez disso, um vazio desconfortável se instalou no meu peito.
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  Voltar ao meu antigo cargo significava distância. Significava rotina. Significava… perder a proximidade com %Alice%. E, por mais irracional que fosse, a ideia de me afastar dela parecia mais difícil do que qualquer relatório complicado que eu já tivesse preenchido.
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  À tarde, quando a última das entrevistas terminou, %Alice% surgiu diante da minha mesa. Os saltos dela ecoaram com firmeza sobre o porcelanato do corredor, marcando o ritmo de alguém que sabia exatamente para onde estava indo — ou fingia muito bem que sabia. Levantei o olhar, captando em seu rosto o mesmo semblante neutro de sempre, mas algo em sua postura — a rigidez dos ombros, a leve tensão no maxilar — denunciava que ela não estava tão tranquila quanto aparentava.
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  Seus olhos pousaram nos meus por um breve instante, antes que ela falasse, sem rodeios:
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  — %Arthur%, entre em contato com a Fran. Preciso que ela agende a reunião com a Rafa Kalimann para a próxima semana. E avise que quero uma atualização completa antes do encontro. — Sua voz era firme, objetiva, mas havia uma aceleração sutil na entonação que só quem a conhecia de perto notaria.
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  Assenti, já pegando o celular para anotar.
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  — Alguma preferência de horário? — perguntei, mantendo o tom o mais profissional possível.
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  — Final da manhã. — Ela ajeitou o blazer com aquele gesto automático e elegante, o mesmo que usava sempre que queria parecer mais no controle do que realmente estava. Antes de se virar, lançou um último olhar por cima do ombro, sem suavidade, mas também sem frieza.
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  — Quero que tudo esteja perfeito — disse, antes de desaparecer pelo corredor em direção à própria sala.
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  Fiquei ali por um instante, encarando a porta de vidro que se fechou atrás dela. Será que ela havia mesmo rejeitado todas aquelas candidatas apenas por critérios profissionais? Ou havia, por trás da perfeição que ela exigia, um motivo que nem ela estava pronta para admitir?
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  Eu não tinha a resposta. Mas, naquele momento, comecei a suspeitar que o problema não era encontrar alguém qualificado. Era aceitar que, ao me substituir, ela perderia mais do que só um secretário.
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  Decidi pegar um café para tentar clarear a mente. A sala do café ficava ao lado da copa, onde algumas assistentes estavam reunidas, conversando com um entusiasmo descuidado, claramente alheias à minha presença.
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  — Você viu? Ela rejeitou todas as candidatas — disse Bruna, a assistente do jurídico, em um tom incrédulo, quase indignado. — Algumas tinham currículos impecáveis! Como ela pode dizer que nenhuma era qualificada?
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  — Pois é — respondeu Isabela, que trabalhava com o financeiro. — E olha que algumas tinham muito mais experiência do que... — ela hesitou, mas completou com um tom malicioso: — ...do que o %Arthur%.
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  Meu nome fez meus ouvidos se aguçarem. Continuei parado diante da cafeteira, tentando parecer distraído enquanto enchia minha xícara.
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  — Totalmente — entrou Anelise na conversa, sua voz levemente divertida. — Ele nem é tudo isso no trabalho, convenhamos. Já vi secretárias passarem por aqui que eram muito mais eficientes.
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  Bruna soltou um suspiro, como se estivesse tentando entender o mundo.
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  — Acho que tem algo estranho nisso tudo. Por que ela simplesmente não contratou ninguém? Será que tem alguma outra razão?
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  — Vai saber… — Isabela disse, abaixando um pouco o tom. — Talvez tenha a ver com ele, né?
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  Uma risadinha abafada percorreu o grupo, e por um instante, o silêncio foi preenchido apenas pelo som de mexerem o açúcar nas xícaras.
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  — Sério, vocês acham que tem alguma coisa rolando? Entre ele e a %Alice%? — Bruna perguntou.
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  — Ah, claro que não! — Anelise respondeu rápido demais, como se quisesse espantar a ideia antes que ganhasse forma. — %Alice% %Dias%? Envolvida com um funcionário? Nunca.
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  — Ainda assim… — Isabela continuou, pensativa. — Ela podia ter escolhido alguém hoje mesmo. Algumas candidatas eram absurdamente boas. E ela dispensou todas. Isso não faz sentido.
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  — Nada do que ela faz, faz sentido, essa é a verdade. — completou Bruna, soltando uma risada amarga. — Mas se for o caso… pobre %Arthur%. Acho que ele não tem ideia no que está se metendo.
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  As risadas que vieram depois ecoaram pelo espaço apertado, mas para mim soaram como um alerta. Segurei a alça da minha xícara com mais força do que deveria, sentindo o estômago revirar. Eu sabia que estavam apenas especulando — fofocas de corredor, como sempre. Mas, naquela manhã, tudo pareceu mais real. Mais próximo. E infinitamente mais arriscado.
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  Eu sabia que não era o funcionário mais exemplar do mundo, mas ouvir aquilo, mesmo que indiretamente, me atingiu de forma inesperada. Elas continuaram a conversa, mas eu saí dali antes de ouvir mais, com minha xícara de café na mão e um peso novo em meus pensamentos.
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  O escritório estava mergulhado em um silêncio quase solene quando bati a porta da sala de %Alice% com mais força do que pretendia. O som reverberou pelo espaço minimalista, atravessando o tique-taque insistente do relógio na parede como um sinal claro de que eu havia ultrapassado algum limite.
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  %Alice% ergueu os olhos do notebook. A expressão impassível de sempre ainda estava lá, mas seus olhos — ah, os olhos — deixaram escapar um lampejo de surpresa. Sem pressa, ela pousou a caneta sobre a mesa e arqueou uma sobrancelha, a voz baixa, porém afiada como uma lâmina.
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  — %Arthur%... assim não. — Mas dessa vez, eu não estava disposto a medir palavras.
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  — Por que você recusou todas as candidatas? — Minha voz saiu mais ríspida do que eu pretendia, carregada de uma frustração que não conseguia mais esconder. — Eu preciso que você seja sincera comigo. Só uma vez, %Alice%.
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  Ela fechou o notebook com calma, mas o gesto era defensivo, como se quisesse erguer uma barreira entre nós. Seus olhos encontraram os meus. E por um breve segundo — minúsculo, mas suficiente —, eu vi algo escapar da muralha que ela sempre mantinha erguida. Uma rachadura. Um cansaço. Um medo.
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  — Isso não é da sua conta, %Arthur%. — disse, a frieza calculada cobrindo cada sílaba. — Recusei porque nenhuma delas era adequada. Simples assim.
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  Soltei uma risada curta, seca. Sem humor. Sem disfarces.
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  — Adequada? Sério? — Dei um passo à frente, encurtando o espaço entre nós. — Algumas daquelas mulheres tinham currículos que fariam qualquer um se sentir pequeno. E você vem dizer que nenhuma era boa o suficiente? Você não contratou ninguém porque não quer me substituir. É isso, não é?
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  Ela se levantou. Postura reta, queixo erguido. A %Alice% que comandava reuniões e silenciava salas com um olhar. Mas, mesmo ali, sob a máscara de controle, eu vi. A tensão nos ombros. O leve estremecer da mandíbula.
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  — %Arthur%, não viaje. — rebateu, mas a segurança em sua voz não era a mesma. — Você é meu secretário temporário. Estou tomando o tempo necessário para escolher a pessoa certa. Isso é tudo.
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  — Então olha pra mim e diz isso de novo. Sem hesitar. Sem desviar o olhar. — desafiei, cruzando os braços, os olhos fixos nos dela. — Porque pra mim… isso aqui não é só trabalho há muito tempo.
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  %Alice% respirou fundo. Desviou os olhos — e isso, vindo dela, dizia muito. Quando voltou a me encarar, havia algo novo ali. Algo cru.
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  — Você não entende como isso funciona. — sussurrou, os braços cruzados como quem tenta se manter de pé no meio de um furacão. — Isso não é sobre você.
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  — Não? — minha voz saiu baixa, descrente. Dei mais um passo. Agora estávamos perigosamente próximos. Ela hesitou, e então murmurou:
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  — É sobre o que é melhor para a empresa. E… pra mim.
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  A forma como aquelas duas palavras saíram — “pra mim” — deixou claro que o que ela queria dizer era outra coisa completamente diferente. Que aquilo não era apenas uma escolha profissional. Era uma fuga. Uma tentativa desesperada de manter distância. De não ceder.
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  — Então diz logo. — falei, sentindo a respiração dela tocar a minha. — Diz que você não quer me tirar daqui porque não está pronta pra ficar sem mim.
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  Silêncio.
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  %Alice% mordeu o lábio — um gesto involuntário que nela parecia uma confissão. O olhar dela percorreu meu rosto com uma mistura de raiva e rendição.
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  — E se eu admitir? — murmurou, num sopro. — O que você vai fazer com isso, %Arthur%?
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  Fiquei em silêncio por um instante. Porque, pela primeira vez, ela havia abaixado a guarda. E talvez, pela primeira vez, eu estivesse pronto para sustentar o peso de uma resposta honesta.
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  — Talvez eu faça o que já deveria ter feito. — murmurei, rouco. — Admitir que isso aqui nunca foi só profissional. Não pra mim. E, pelo jeito… não pra você também.
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  O peito dela subiu e desceu num suspiro longo, como se estivesse exalando tudo o que passou semanas tentando conter.
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  — E você acha mesmo que isso vai dar certo? — sussurrou, mais para si mesma do que pra mim. — Que dá pra ignorar todas as regras, todo o risco?
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  — Não. — respondi com sinceridade. — Mas fingir que dá pra continuar ignorando o que a gente sente… isso é que não dá mais.
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  Os olhos dela, normalmente tão firmes, brilharam por um instante — emoção contida, mas inegável. Ela fechou os olhos por um segundo. Quando os abriu, a resposta veio como um sussurro carregado de tudo o que ficou preso no tempo.
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  — Não. Não posso negar.
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  E naquele momento, tudo mudou. Porque ela finalmente tinha parado de lutar contra o que estava ali o tempo todo: nós. A única coisa que existia era o espaço minúsculo entre nós, prestes a evaporar. Dei o último passo, fechando a distância, e a beijei.
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  Foi um beijo diferente de todos os outros. Não era movido apenas pelo desejo reprimido. Era raiva, frustração, alívio. Era uma confissão em forma de toque. As mãos dela foram para o meu pescoço, os dedos cravando levemente na minha pele, enquanto as minhas seguravam sua cintura com força, como se eu pudesse ancorá-la ali.
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  Quando nos afastamos, ofegantes, o rosto dela estava a poucos centímetros do meu, os lábios levemente entreabertos, o olhar ainda em chamas. Não consegui resistir. Segurei sua cintura com mais firmeza e, em um movimento rápido, a levantei, colocando-a sentada sobre a mesa. Papéis deslizaram para o chão, mas nenhum de nós se importou.
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  %Alice% arfou levemente, mas seus olhos brilharam com aquele desafio que eu conhecia tão bem. Ela enlaçou meu quadril com as pernas, puxando-me de volta para um beijo intenso, faminto. Minhas mãos exploravam suas curvas com uma urgência desmedida, enquanto seus dedos bagunçavam meu cabelo, me puxando para mais perto.
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  O som de batidas na porta quebrou o momento, fazendo-nos congelar instantaneamente. Ofegantes, ainda grudados um no outro, trocamos olhares arregalados, tentando recuperar o fôlego e o juízo ao mesmo tempo.
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  %Alice% fechou os olhos por um segundo, respirou fundo e respondeu com a voz um pouco rouca:
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  — Quem é? — Do outro lado, uma voz familiar respondeu:
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  — É a Jane, da limpeza, senhorita %Dias%. Posso entrar para começar?
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  %Alice% olhou para mim, os olhos arregalados e as bochechas levemente coradas — uma raridade. Eu mordi o lábio para não rir, mas o riso escapou em um suspiro descontrolado. Ela rolou os olhos, tentando manter a compostura.
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  — Jane, volte daqui a pouco. Estou... ocupada. — Houve uma breve pausa do outro lado da porta, antes da resposta hesitante:
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  — Ah, claro, senhorita %Dias%. Sem problemas.
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  O som dos passos se afastando foi o suficiente para que explodíssemos em uma gargalhada simultânea, o tipo de riso que você não consegue conter, nervoso e libertador. %Alice% jogou a cabeça para trás, ainda rindo, enquanto eu me apoiava na mesa, tentando recuperar o fôlego, mas falhando miseravelmente.
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  — "Estou ocupada"? — zombei, rindo ainda mais. — Isso é o melhor que você conseguiu pensar? — Ela me deu um leve tapa no ombro, mas o sorriso largo continuava em seu rosto.
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  — E você queria que eu dissesse o quê? "Desculpe, Jane, estamos aqui quebrando todas as regras da empresa em cima da minha mesa"?
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  — Seria honesto. — Respondi, arqueando uma sobrancelha, o riso diminuindo para um sorriso travesso.
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  Eu encostei minha testa na dela, ainda rindo baixinho, tentando recuperar o fôlego.
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  — Cale a boca, %Arthur%. — Repetiu, a voz entre um suspiro risonho e uma falsa tentativa de ser autoritária. — Você também estava aqui, lembra? Não me venha com esse ar de superioridade.
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  Eu dei uma risada curta, incapaz de resistir à provocação.
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  — Ah, eu? Eu estava só… ajudando a chefe com tarefas administrativas. Muito profissional, diga-se de passagem.
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  Ela balançou a cabeça, o sorriso crescendo novamente, e então puxou minha gravata de novo, com um movimento rápido e decidido, me trazendo para mais perto até que nossos narizes quase se tocassem.
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  — Então cala a boca e continue sendo profissional, Sr. Secretário. — murmurou, os lábios roçando nos meus enquanto falava.
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  O riso morreu em um suspiro compartilhado, e, dessa vez, foi ela quem tomou a iniciativa. O beijo ainda era carregado de desejo, mas com uma suavidade nova, como se o riso tivesse diluído um pouco da tensão. Nossos sorrisos ainda estavam ali, escondidos entre os lábios que se encontravam repetidamente, em beijos interrompidos por pequenas risadas e olhares cúmplices.
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  Eu deslizei as mãos por sua cintura, sentindo o calor da pele sob o tecido fino da blusa dela, enquanto ela entrelaçava os dedos no meu cabelo, puxando levemente, um gesto que parecia tanto um convite quanto uma provocação.
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  Quando finalmente nos afastamos, ambos ofegantes e ainda com sorrisos nos rostos, fiquei parado por um momento, olhando para ela, tentando gravar aquele instante na memória — o riso, o brilho nos olhos dela, a maneira como seus lábios estavam levemente inchados pelos beijos.
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  — Acho que agora você realmente está ocupada. — sussurrei, com um sorriso torto. Ela revirou os olhos, mas não conseguiu conter o riso que escapou de novo.
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  — Idiota. — disse ela, mas a palavra soou mais como um apelido carinhoso do que uma ofensa.
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  Eu sorri de volta, sabendo que, naquele momento, estávamos exatamente onde queríamos estar — perdidos um no outro, entre beijos, risos e o caos que só nós dois sabíamos criar.
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  Nota da autora: Ai, ai, só esses dois não notaram o quão caidinhos estão um pelo outro… pelo menos estão começando a admitir aos pouquinhos. E essas pegações no escritório? O perigo gritando na cara dos dois hhahaha

Capítulo 8
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