×

ATENÇÃO!

História NÃO RECOMENDADA PARA MENORES ou PESSOAS SENSÍVEIS.

Esta história pode conter descrições (explícitas) de sexo, violência; palavras de baixo calão, linguagem imprópria. PODE CONTER GATILHOS

O Espaço Criativo não se responsabiliza pelo conteúdo das histórias hospedadas na sessão restrita ou apontadas pelo(a) autor(a) como não próprias para pessoas sensíveis.

Segredo de Escritório

Escrita porNyx
Editada por Natashia Kitamura

Capítulo 7 • Tensão e Intimidade

Tempo estimado de leitura: 33 minutos

  O som de notificação do meu celular ecoou pelo quarto, mas não foi suficiente para romper o silêncio denso que pairava no ar. A luz da manhã entrava timidamente pelas frestas da cortina, revelando o caos sutil deixado na noite anterior — roupas espalhadas, lençóis amassados e o perfume misturado ao calor residual do que tínhamos compartilhado. Era o tipo de bagunça que não se limitava ao quarto; estava dentro de mim também, um emaranhado de emoções conflitantes que eu não sabia como desenrolar.
0
Comente!x

  Acordei primeiro, o coração ainda acelerado, dividido entre o impacto do que havia acontecido e o peso das consequências que, inevitavelmente, viriam. %Alice% dormia ao meu lado, o rosto relaxado, os traços suavizados pela vulnerabilidade que o sono trazia. Era um contraste gritante com a mulher implacável que eu conhecia, aquela que controlava tudo e todos com um olhar afiado. Ali, porém, ela parecia… humana. E isso me desarmou mais do que qualquer coisa.
0
Comente!x

  Me movi devagar, tentando não fazer barulho enquanto recolhia minhas roupas espalhadas pelo chão. Cada peça que eu pegava parecia mais pesada do que deveria, carregada de perguntas sem resposta: O que significava aquilo? Tínhamos cruzado uma linha da qual não havia retorno? E, principalmente, o que aconteceria agora?
0
Comente!x

  Estava terminando de me vestir quando ouvi sua voz, baixa, rouca pelo sono, mas ainda carregada daquela autoridade inata que parecia nunca abandoná-la.
0
Comente!x

  — %Arthur%, precisamos conversar.
0
Comente!x

  Congelei por um segundo antes de me virar. Ela estava sentada na cama, os lençóis puxados até o peito, mas sua postura permanecia ereta, impecável, como se nem a vulnerabilidade da madrugada fosse capaz de quebrar sua armadura. No entanto, havia algo diferente em seus olhos. Uma hesitação sutil, escondida atrás da fachada controlada.
0
Comente!x

  — Claro. — Minha voz saiu mais tensa do que eu gostaria, e caminhei até a poltrona próxima, me sentando enquanto ela ajeitava o lençol, como se o tecido fosse uma barreira entre nós.
0
Comente!x

  Houve um breve silêncio, carregado de tudo o que não sabíamos como dizer. Então, ela finalmente falou:
0
Comente!x

  — Isso não pode continuar. — Sua voz era firme, mas seus olhos traíam a incerteza que ela tentava mascarar. — O que aconteceu ontem… foi um erro. Trabalhar juntos depois disso é complicado. Impossível, talvez.
0
Comente!x

  Cada palavra dela parecia um soco bem calculado, mas foi o golpe seguinte que me tirou o ar.
0
Comente!x

  — Vou providenciar sua demissão, com um pacote generoso. Você merece mais do que ficar preso a uma situação como essa.
0
Comente!x

  Senti o chão sumir sob os meus pés. Esperava uma conversa difícil, mas não aquilo. Não a frieza disfarçada de pragmatismo.
0
Comente!x

  — Demissão? — Minha voz saiu incrédula, quase uma risada amarga escapando junto. — %Alice%, você não precisa fazer isso.
0
Comente!x

  Ela desviou o olhar por um segundo, respirando fundo, como se aquilo fosse mais difícil do que ela queria admitir.
0
Comente!x

  — Preciso. Não quero que… — Ela hesitou, o olhar voltando para mim, mais suave por um breve instante. — Que isso prejudique a empresa. Ou… você.
0
Comente!x

  Havia algo em sua voz que soava quase como um pedido de desculpas, mas as palavras não vieram. E, honestamente, eu não queria desculpas.
0
Comente!x

  — Foi um erro. — Minha resposta saiu mais dura do que eu pretendia, mas não recuei. — Mas você não precisa transformar isso em uma catástrofe. Podemos lidar com isso. Superar. Como adultos.
0
Comente!x

Ela arqueou uma sobrancelha, surpresa com a minha firmeza. Estava acostumada com obediência cega, não com resistência.
  — Você acha que é tão simples assim? — rebateu, cruzando os braços, o lençol deslizando um pouco, revelando a pele marcada pela noite anterior. Quase me perdi ali, mas me forcei a manter o foco.
0
Comente!x

  — Nada com você é simples, %Alice%. — Suspirei, passando a mão pelos cabelos. — Mas eu não vou aceitar sua demissão generosa. Vou continuar aqui, e vamos lidar com isso. Como profissionais.
0
Comente!x

  Ela me estudou em silêncio, os olhos avaliando cada palavra, cada expressão. Por um momento, pensei que ela fosse insistir, mas, em vez disso, soltou um suspiro longo, como se estivesse cansada de lutar contra algo inevitável.
0
Comente!x

  — Está bem. — Sua voz saiu mais baixa, quase um sussurro. — Mas saiba de uma coisa, %Arthur%. Isso não vai se repetir. Ontem foi… um momento de fraqueza. Algo que não cabe no contexto em que trabalhamos.
0
Comente!x

  Ela desviou o olhar, fixando-o em algum ponto invisível da parede, como se encarar fosse admitir mais do que estava disposta.
0
Comente!x

  — E eu não vou facilitar. — Sorri de canto, um sorriso cansado, mas genuíno.
0
Comente!x

  — Você nunca facilita.
0
Comente!x

  Pela primeira vez naquela manhã, vi algo quebrar na armadura dela. Um sorriso quase imperceptível, mas que estava lá, escondido no canto dos lábios. Era um detalhe pequeno, mas significativo. E, por mais confuso que tudo estivesse, aquele pequeno sorriso me deu uma resposta que ela nunca diria em voz alta: talvez, para ela, também não fosse tão simples assim.
0
Comente!x

💻👠

  O sol já estava alto quando cheguei em frente ao prédio onde moro. A luz forte do final da manhã parecia zombar da confusão que girava dentro da minha cabeça. Cada passo até o apartamento parecia mais pesado do que o anterior, como se o que aconteceu na noite passada tivesse se grudado aos meus ombros.
0
Comente!x

  Assim que abri a porta, fui recebido pelo som familiar da voz de Clara, vinda da sala.
0
Comente!x

  — Até que enfim! — Ela surgiu do corredor, de braços cruzados, a expressão um misto de preocupação e irritação. — Onde você estava? Eu fiquei preocupada! Sumiu a noite toda e nem mandou uma mensagem!
0
Comente!x

  Suspirei, jogando minha jaqueta no encosto do sofá e me sentando com um cansaço que não era apenas físico. Clara sempre teve esse instinto protetor comigo, mesmo sendo dois anos mais nova. Nossa relação era tão próxima que, às vezes, parecia que ela podia ler meus pensamentos. E naquele momento, eu sabia que não conseguiria esconder nada por muito tempo.
0
Comente!x

  — Desculpa, Clara. — Passei a mão pelo rosto, tentando organizar os pensamentos. — Eu não planejei… sumir. As coisas só… aconteceram.
0
Comente!x

  Minha resposta foi um convite para o olhar afiado dela se estreitar ainda mais. Ela se sentou ao meu lado, cruzando as pernas com um ar desafiador.
0
Comente!x

  — “As coisas aconteceram”? — Ela arqueou uma sobrancelha. — Isso não me parece uma explicação. Vai falar ou vou ter que arrancar a verdade à força?
0
Comente!x

  Soltei um riso nervoso, sabendo que era uma batalha perdida. Clara era implacável quando queria saber de algo, e, para ser honesto, talvez eu até precisasse desabafar.
0
Comente!x

  — Tá bom. — Suspirei, derrotado. — Eu estava com a %Alice%. Minha chefe. A gente… acabou transando.
0
Comente!x

  As palavras saíram hesitantes, carregadas de um peso que eu mal conseguia suportar. Desviei o olhar, focando em um ponto aleatório do tapete, enquanto o silêncio dela se tornava ensurdecedor.
0
Comente!x

  — Espera… o quê? — A voz dela finalmente quebrou o silêncio, carregada de choque e confusão. — Você dormiu com a sua chefe?!
0
Comente!x

  Assenti, ainda sem coragem de encará-la. Passei a mão pelos cabelos, tentando aliviar a tensão que parecia crescer a cada segundo.
0
Comente!x

  — Não foi algo planejado, Clara. Aconteceu. E agora tudo está uma bagunça. Hoje de manhã, ela tentou me demitir porque acha que trabalhar juntos depois disso é impossível.
0
Comente!x

  Ela ficou me olhando por um momento, o olhar crítico suavizando um pouco enquanto processava a informação. Então, respirou fundo, como quem se preparava para pisar em um terreno minado.
0
Comente!x

  — Isso é muito mais do que complicado, %Arthur%. — A voz dela estava mais calma agora, mas ainda carregava aquele tom de alerta. — Você está lidando com uma mulher que é sua chefe, que tem poder sobre sua carreira. E, além disso, ela é… bom, ela é %Alice% %Dias%. Rica, influente, o tipo de pessoa que não deixa espaço para erros. E você… — Ela parou, como se escolhesse as palavras com cuidado. — Você é você. Não é só trabalho. Isso pode te machucar de um jeito que você não está vendo agora.
0
Comente!x

  Eu soltei um riso curto, sem humor.
0
Comente!x

  — Eu sei. Mas eu não consegui aceitar a demissão. Eu quero continuar trabalhando. Achei que, com o tempo, isso fosse… passar.
0
Comente!x

  Clara balançou a cabeça, claramente cética.
0
Comente!x

  — Passar com o tempo? E depois? Vai fingir que nada aconteceu? Você não é bom nisso, %Arthur%.
0
Comente!x

  Inclinei-me para trás no sofá, exausto, encarando o teto como se ele tivesse respostas. Clara ficou em silêncio por um instante, depois soltou um suspiro longo e me deu um leve tapa no ombro.
0
Comente!x

  — Tá — Ela suspirou de novo, como se estivesse rendida. — Eu não vou dizer que é uma boa ideia, porque claramente não é. Mas… você está ferrado. — Ela sorriu de lado. — E, pelo jeito, isso não foi só uma coisa passageira. Você nunca fica assim por algo sem importância.
0
Comente!x

  Eu ri, um riso cansado, mas verdadeiro.
0
Comente!x

  — É complicado, Clara. Ela é impossível de decifrar. E agora, mesmo depois de tudo, ela deixou claro que não vai acontecer de novo. Mas… — Soltei o ar com força, admitindo o que até então eu não queria dizer em voz alta. — Eu não sei se consigo simplesmente fingir que nada aconteceu.
0
Comente!x

Clara me olhou, o sorriso suave desaparecendo, substituído por um olhar genuinamente compreensivo.
  — Então não finge. — Ela deu de ombros. — Talvez seja uma bagunça. Talvez você vá se machucar, mas você é adulto o suficiente para saber onde está pisando. Só… não se perde no meio disso, tá?
0
Comente!x

  Assenti, sentindo uma gratidão silenciosa pela honestidade dela. Mesmo quando as coisas estavam uma bagunça, Clara sempre sabia o que dizer. E, por mais confuso que tudo estivesse, saber que eu tinha aquele porto seguro me dava um pouco mais de fôlego para enfrentar o que viria a seguir.
0
Comente!x

💻👠

  Os dias que se seguiram foram um exercício diário de autocontrole. O escritório, antes um espaço regido por rotina e profissionalismo, agora parecia um campo minado, onde cada passo, olhar ou toque acidental poderia detonar uma explosão silenciosa. O que aconteceu entre mim e %Alice% não foi mencionado — nenhuma palavra, nenhum comentário fora do lugar — mas a tensão estava lá, pairando no ar, densa e impossível de ignorar.
0
Comente!x

  Cada interação carregava um subtexto que nenhum de nós ousava reconhecer. Um toque breve ao entregar documentos, um olhar que durava um segundo a mais do que o necessário, o jeito como ela passava por mim no corredor e meu corpo reagia antes mesmo da minha mente processar. Era sufocante e viciante ao mesmo tempo.
0
Comente!x

  Na terça-feira, enquanto revisávamos um contrato na sala de reuniões, o inevitável aconteceu. Nossos dedos se tocaram ao alcançar a mesma caneta. Foi um toque breve, insignificante para qualquer observador desatento, mas para mim foi como um choque elétrico que percorreu meu braço e se alojou no peito. Meu coração disparou, e engoli em seco, lutando para manter a compostura. Pelo canto do olho, notei %Alice% congelar por um instante, a rigidez em seus ombros, traindo o impacto do contato. Ela recuou discretamente, recompondo sua postura impecável e ajustando os óculos de grau com um gesto meticuloso — uma tentativa inútil de desviar a atenção do que ambos sentimos.
0
Comente!x

  — Precisa prestar mais atenção, %Arthur%. — A voz dela saiu firme, mas havia uma hesitação quase imperceptível, uma pequena rachadura na armadura impenetrável que ela vestia tão bem.
0
Comente!x

  — Sempre atento, Srta. %Dias%. — Respondi com um sorriso sutil, tentando parecer mais confiante do que me sentia. O olhar dela estreitou-se, avaliando-me, como se estivesse tentando decidir se deveria quebrar o gelo ou manter a fachada inabalável.
0
Comente!x

  Ela inclinou levemente a cabeça, os olhos ainda fixos nos meus, e, por um momento, pensei que fosse dizer algo mais. Mas %Alice% apenas empurrou a caneta em minha direção, voltando ao contrato como se nada tivesse acontecido. O momento se dissipou, mas o resquício da tensão permaneceu, grudado em mim como um perfume que não se deixa apagar.
0
Comente!x

  Na quarta-feira, enquanto eu digitava um relatório, %Alice% passou pela minha mesa com uma pilha de documentos. Sua presença sempre parecia dominar o espaço, mas, dessa vez, havia algo diferente. Quando ela se inclinou para colocar os papéis sobre a minha mesa, seu perfume — uma mistura sutil de notas florais e um fundo amadeirado — preencheu o ar entre nós. Era impossível ignorar a proximidade. O calor da presença dela parecia irradiar, atravessando o espaço microscópico que nos separava.
0
Comente!x

  — Quero isso na minha mesa até o fim do dia — disse ela, sem me olhar diretamente, mas sua voz carregava um tom mais baixo, quase rouco, que parecia deslizar pela minha pele.
0
Comente!x

  — Pode deixar. — Minha resposta saiu em um sussurro involuntário, a garganta mais seca do que eu gostaria de admitir.
0
Comente!x

  Ela finalmente ergueu o olhar, e nossos olhos se encontraram. Foi um segundo. Talvez menos. Mas o impacto foi avassalador. O ar ficou mais denso, a sala mais quente, e, de repente, parecia que o mundo havia desaparecido, restando apenas aquele espaço entre nós. Um espaço pequeno demais para a quantidade de coisas não ditas que ele carregava.
0
Comente!x

  %Alice% arqueou levemente uma sobrancelha, um desafio silencioso. Seus olhos eram um enigma, uma mistura de frieza calculada e algo mais... algo que eu conhecia bem demais agora. Antes que eu pudesse dizer qualquer coisa, ela ajeitou os papéis, endireitou a postura e deu um pequeno passo para trás.
0
Comente!x

  — Algo mais? — perguntei, a voz mais rouca do que gostaria, tentando disfarçar o turbilhão dentro de mim.
0
Comente!x

  Ela me encarou por mais um segundo, o olhar intenso o suficiente para fazer meu estômago revirar, depois deu de ombros com uma indiferença ensaiada.
0
Comente!x

  — Só isso, por enquanto. — O “por enquanto” ecoou na minha cabeça com um peso que ela, com certeza, colocou de propósito. — Certifique-se de que está tudo em ordem. Eu detesto perder tempo corrigindo erros.
0
Comente!x

  Ela se afastou, e eu fiquei ali, tentando recuperar o fôlego. Meus olhos a seguiram até ela desaparecer pelo corredor. Só então me dei conta de que estava segurando a respiração. Soltei o ar devagar, tentando reorganizar meus pensamentos, mas era inútil. %Alice% %Dias% estava em cada canto da minha mente.
0
Comente!x

  Era uma guerra silenciosa, um jogo de resistência onde nenhum de nós estava disposto a dar o primeiro passo, mas também incapaz de recuar. Eu sabia que estávamos flertando com o desastre. Sabia que, mais cedo ou mais tarde, um de nós cederia. E, honestamente, não fazia ideia de qual seria o desfecho — mas uma coisa era certa: o fogo entre nós já estava aceso, e só precisava de uma faísca para consumir tudo.
0
Comente!x

  Naquela sexta-feira, enquanto o escritório esvaziava para o horário de almoço, %Alice% me chamou no Teams para que eu fosse até sua sala. Só havia eu, os outros assistentes haviam ido almoçar. Assim que entrei, ela não disse nada, apenas me olhou, como se as palavras fossem desnecessárias. O brilho intenso nos olhos dela fez meu estômago revirar de um jeito familiar.
0
Comente!x

  — Alguma coisa que eu possa ajudar, Srta. %Dias%? — perguntei, tentando manter o tom neutro, apesar do coração acelerado.
0
Comente!x

  Ela fechou a porta atrás de si com um clique suave, mas o som soou mais alto do que deveria naquele espaço agora preenchido por um silêncio carregado.
0
Comente!x

  — Precisamos conversar sobre o relatório da filial de Recife. — A voz dela estava firme, profissional, mas havia algo escondido ali, uma hesitação quase imperceptível.
0
Comente!x

  Me levantei devagar, sentindo o ar ao nosso redor mudar. Era quase palpável, uma eletricidade que fazia minha pele formigar. Dei alguns passos em direção a ela, e %Alice% deu um passo para trás, encostando-se na porta, os braços cruzados como se fosse uma barreira. Mas o olhar dela desmentia qualquer tentativa de controle.
0
Comente!x

  — Isso não tem nada a ver com Recife, tem? — perguntei, minha voz mais baixa, rouca, carregada de uma tensão que eu não conseguia mais disfarçar.
0
Comente!x

  Ela manteve o olhar firme no meu, um desafio silencioso e, ao mesmo tempo, um convite. Os segundos se estenderam até que ela finalmente respondeu, com um tom que parecia prender a respiração:
0
Comente!x

  — Talvez não.
0
Comente!x

  Antes que eu pudesse processar o que aquilo significava, ela me puxou pela gravata, com força suficiente para eliminar qualquer espaço entre nós, e me beijou. O beijo não foi suave. Foi urgente, desesperado, como se estivéssemos tentando recuperar algo que nunca tivemos, mas sempre quisemos. Todas as palavras não ditas, os olhares furtivos, os toques acidentais — tudo explodiu naquele momento.
0
Comente!x

  Minhas mãos encontraram a cintura dela instintivamente, puxando-a para mais perto. O calor do corpo dela contra o meu era quase insuportável. Os dedos de %Alice% agarravam o tecido da minha camisa com tanta força que parecia que ela precisava daquilo para se manter de pé. O beijo era uma confissão crua de tudo o que negamos até aquele instante.
0
Comente!x

  Quando finalmente nos afastamos, ofegantes, o ar entre nós parecia denso demais para respirar. Nossos rostos ainda estavam próximos, as testas quase se tocando. Os olhos dela estavam turvos, cheios de emoções que ela claramente tentava esconder.
0
Comente!x

  — Isso é uma péssima ideia — ela sussurrou, a voz baixa, mas sem qualquer intenção real de se afastar.
0
Comente!x

  — Eu sei — respondi, minha respiração entrecortada. — Mas você quer parar?
0
Comente!x

  Ela mordeu o lábio inferior, um gesto que sempre achei provocante, mas que agora parecia carregado de vulnerabilidade. Pensei que fosse recuar, mas, em vez disso, ela me puxou de volta com ainda mais força.
0
Comente!x

  — Não quero parar — murmurou contra meus lábios, a confissão saindo como um suspiro.
0
Comente!x

  Era o suficiente.
0
Comente!x

  Não havia mais espaço para racionalizar. O ar entre nós era elétrico, carregado de algo bruto, faminto. Aquilo era um acordo silencioso, um pacto selado não com palavras, mas com beijos e toques.
0
Comente!x

  E então, ela me beijou de novo, ou talvez tenha sido eu. Não importava mais.
0
Comente!x

  Nossas bocas se encontraram em um impacto voraz. Os lábios dela eram macios, mas exigentes, explorando, testando, reivindicando. Minhas mãos deslizaram pelo seu corpo em um caminho instintivo, saboreando cada curva até pararem em sua bunda, firme, perfeita em minhas mãos. Apertei-a com força, trazendo-a para mais perto, sentindo seu corpo se encaixar ao meu com uma precisão perigosa.
0
Comente!x

  %Alice% soltou um suspiro entrecortado contra minha boca antes de aprofundar o beijo, os dedos cravando levemente em minha nuca, segurando-me ali, como se, se soltássemos, tudo ao nosso redor desabasse.
0
Comente!x

  Quando finalmente nos afastamos, o silêncio que se seguiu foi pesado. Ela ajeitou o cabelo, respirando fundo, tentando recuperar o controle — não só da situação, mas de si mesma, mas o brilho nos olhos dela me dizia que já era tarde demais.
0
Comente!x

  — Se vamos fazer isso… — começou, endireitando a postura e cruzando os braços. O tom dela estava mais firme, mas eu podia ver a tensão nos pequenos detalhes como o jeito que ela apertava o próprio braço, ou o olhar que desviava por um segundo antes de voltar a me encarar. — Precisamos ser cuidadosos.
0
Comente!x

  Assenti, o coração ainda batendo forte.
0
Comente!x

  — Concordo. Mas, %Alice%… — me aproximei um pouco mais, deixando minha voz cair para um tom baixo e rouco — não vou fingir que não quero você. Isso seria impossível.
0
Comente!x

  Ela fechou os olhos por um segundo, como se estivesse absorvendo minhas palavras. Quando os abriu, havia um brilho diferente neles. Um sorriso sutil surgiu em seus lábios, não de diversão, mas de rendição.
0
Comente!x

  — Então que seja. Mas nada pode interferir no trabalho. — O tom dela era firme, mas havia uma falha sutil em sua voz. Algo quebrado, vulnerável, escondido sob a fachada de controle.
0
Comente!x

  — Entendi. — Respondi, sabendo que estávamos nos enganando. Isso já estava interferindo em tudo.
0
Comente!x

  Ela respirou fundo, como se estivesse prestes a tomar uma decisão importante.
0
Comente!x

  — Você pode ir até a minha casa esta noite? — A pergunta veio baixa, hesitante, o oposto da mulher confiante que eu via todos os dias. — Precisamos… planejar como lidar com isso. Sem ninguém perceber.
0
Comente!x

  Levantei uma sobrancelha, surpreso pela iniciativa, mas incapaz de esconder o sorriso que se formou no canto dos meus lábios.
0
Comente!x

  — Sua casa? Isso parece arriscado.
0
Comente!x

Ela cruzou os braços novamente, mas o gesto parecia mais um escudo do que uma afirmação de poder.
  — Exatamente por isso. Precisamos de um plano. — %Alice% deu um passo para trás, mas o olhar ainda preso ao meu, como se fosse difícil se desconectar. — Então… vai ou não?
0
Comente!x

  — Como eu poderia dizer não? — respondi, a voz baixa e carregada de algo que parecia mais confissão do que provocação. — Mas se alguém nos vir?
0
Comente!x

  Ela sorriu de canto, aquele sorriso que misturava arrogância e charme, o mesmo que sempre me desarmava.
0
Comente!x

  — Ninguém vai ver. Saía alguns minutos depois de mim, nos encontramos no estacionamento lateral. Simples.
0
Comente!x

  Simples... como se algo entre nós pudesse ser.
0
Comente!x

  — Ok. Mas só para constar, você está me colocando em um nível totalmente novo de encrenca.
0
Comente!x

  Ela inclinou a cabeça, o sorriso se alargando de forma provocante.
0
Comente!x

  — E você está reclamando?
0
Comente!x

  — Nem um pouco. — Admiti, porque seria impossível mentir.
0
Comente!x

  Ela assentiu levemente, me virei e sai da sala. Meu coração estava disparado no peito. O que começou como um deslize estava prestes a se tornar algo muito mais complicado. E eu não estava pronto para o que viria depois, mas queria cada segundo disso.
0
Comente!x


  O relógio marcou o fim do expediente, e com ele veio uma onda de ansiedade que eu tentei disfarçar com profissionalismo forçado. Saí com cautela, os passos medidos, o olhar atento para garantir que ninguém estivesse prestando atenção em mim. O escritório já estava mais vazio, o som abafado dos poucos colegas que ainda restavam ecoando pelo corredor. Tentei agir normalmente, mas meu coração batia forte demais para que isso fosse verdade.
0
Comente!x

  Segui até o estacionamento do lado leste, onde %Alice% havia dito que estaria. O espaço estava quase deserto, iluminado apenas pelas luzes amarelas dos postes que lançavam sombras longas sobre o asfalto. O ar da noite estava mais frio do que eu esperava, ou talvez fosse apenas a antecipação que me fazia sentir cada detalhe com intensidade dobrada.
0
Comente!x

  Encontrei o carro dela, um sedã preto discreto, estacionado em um canto estratégico, parcialmente oculto pela sombra de uma pilastra. Assim que me aproximei, a janela do passageiro deslizou para baixo com um zumbido suave.
0
Comente!x

  — Entra logo antes que alguém veja — ela disse, a voz firme, mas com uma tensão palpável, escondida sob sua habitual fachada de controle.
0
Comente!x

  Obedeci sem questionar, fechando a porta suavemente atrás de mim. O silêncio dentro do carro parecia ainda mais denso do que o do estacionamento vazio. Nossos olhares se encontraram, e havia algo ali — uma mistura de hesitação e desejo contido — que fez o ar entre nós parecer mais pesado.
0
Comente!x

  Antes que qualquer palavra fosse dita, eu me inclinei. O beijo aconteceu com uma naturalidade desconcertante, como se estivéssemos retomando algo inacabado, algo que ficou suspenso entre as paredes do escritório. Não era apenas um beijo; era uma explosão silenciosa de tudo o que havíamos reprimido durante o dia. O gosto dela era uma combinação familiar de café e algo mais doce, viciante.
0
Comente!x

  A mão de %Alice% foi para a minha nuca, os dedos se enroscando no meu cabelo com uma urgência que fazia minha pele arrepiar. A outra mão segurava o volante com força, os nós dos dedos brancos, como se ela precisasse se ancorar em alguma coisa enquanto todo o resto girava fora de controle.
0
Comente!x

  — Você me faz perder a cabeça — ela murmurou contra os meus lábios, sua respiração quente contra minha pele, antes de me puxar para outro beijo, ainda mais intenso. Havia um desespero naquele gesto, como se ela estivesse tentando se agarrar a algo que fugia do seu controle — e, pela primeira vez, isso não parecia assustá-la.
0
Comente!x

  Minhas mãos encontraram sua cintura, deslizando pelo tecido macio do vestido até sentir o calor da pele por baixo. O espaço apertado do carro parecia insignificante diante da urgência que dominava nossos corpos. Quando finalmente nos afastamos para recuperar o fôlego, %Alice% respirou fundo e ligou o motor com um movimento brusco, tentando, sem sucesso, recuperar o controle da situação.
0
Comente!x

  — Temos que ir. Não podemos ficar aqui por muito tempo — disse, a voz mais rouca do que o normal, carregada da mesma eletricidade que corria sob minha pele.
0
Comente!x

  O som suave do motor preenchia o silêncio do carro enquanto a cidade passava como um borrão do lado de fora. As luzes dos postes refletiam nos vidros, criando padrões que desapareciam tão rápido quanto surgiam. O ar estava carregado de uma tensão elétrica, densa, quase palpável.
0
Comente!x

  Deslizei a mão pela coxa dela, sentindo o calor da pele sob o tecido fino do vestido. Um sorriso de canto surgiu em meus lábios.
0
Comente!x

  — Você devia manter os olhos na estrada, Srta. %Dias%. Vai que a gente bate.
0
Comente!x

  %Alice% arqueou uma sobrancelha, o olhar ainda fixo na rua à frente, mas com um brilho desafiador nos olhos.
0
Comente!x

  — Engraçado você falar isso enquanto sua mão está onde não deveria estar, %Arthur%.
0
Comente!x

  Meus dedos traçaram linhas invisíveis, subindo levemente, desafiando o limite do que ainda poderia ser considerado seguro. Minha voz saiu rouca, carregada da tensão que eu tentava disfarçar.
0
Comente!x

  — Eu diria que está exatamente onde deveria estar.
0
Comente!x

  Ela soltou uma risada baixa, o tom de voz suave, mas carregado de provocação.
0
Comente!x

  — Confiante, hein?
0
Comente!x

  Inclinei-me em direção a ela, aproximando nossos rostos, a distância entre nós diminuindo perigosamente. Sussurrei, o calor da minha respiração tocando sua pele.
0
Comente!x

  — Você não está reclamando.
0
Comente!x

  O carro parou em um sinal vermelho, e ela finalmente virou o rosto para mim. O olhar dela misturava desafio e desejo, uma combinação que me fez prender a respiração. Em um movimento rápido, ela deslizou a mão pela minha nuca, puxando-me levemente, aproximando nossos rostos até que nossos lábios quase se tocassem.
0
Comente!x

  — Eu não reclamo… eu revido — sussurrou contra minha boca, o tom carregado de promessa.
0
Comente!x

  Antes que eu pudesse reagir, ela puxou meu lábio inferior entre os dentes, mordendo com suavidade antes de soltá-lo e me lançar um olhar vitorioso. O sinal abriu, mas eu mal registrei o som dos carros atrás de nós.
0
Comente!x

  Respirei fundo, lutando para manter o controle, enquanto um sorriso torto surgia em meus lábios.
0
Comente!x

  — Isso é jogo sujo.
0
Comente!x

  Ela deu de ombros, o sorriso provocador ainda no rosto enquanto acelerava o carro, o motor respondendo com um ronco baixo.
0
Comente!x

  — Eu sou ótima em jogos, %Arthur%. Especialmente quando sei que vou ganhar.
0
Comente!x

  Minha mão deslizou um pouco mais para cima da coxa dela, o toque carregado de intenção. Sorri, a voz baixa e cheia de promessa.
0
Comente!x

  — Veremos quem ganha quando chegarmos na sua casa.
0
Comente!x

  %Alice% lançou um olhar de canto, o brilho nos olhos dela era puro desafio. Acelerou o carro com mais força, o motor rugindo como se refletisse a tensão entre nós. O clima dentro do carro era um campo de batalha silencioso, onde cada toque e cada palavra eram armas carregadas. O resto do caminho? Apenas mais combustível para o incêndio que sabíamos que estava prestes a explodir.
0
Comente!x

  Chegando à casa dela, mal tivemos tempo de fechar a porta antes que ela me puxasse novamente. O som da chave girando na fechadura mal tinha ecoado quando ela me empurrou contra a parede do hall de entrada, seus lábios capturando os meus com um desespero que fazia minha cabeça girar. Não havia espaço para dúvidas, para hesitações. Apenas a certeza crua do que queríamos.
0
Comente!x

  — Esquece o plano por hoje — ela sussurrou entre beijos, as palavras entrecortadas pelo ritmo da nossa respiração pesada. Seus olhos brilhavam com algo entre desejo e rendição, uma vulnerabilidade que ela parecia aceitar só naquele momento. — Só quero você.
0
Comente!x

  Eu não precisei de mais incentivos. Levantei-a no colo, sentindo o peso leve dela se encaixar perfeitamente contra mim. Ela entrelaçou as pernas ao redor da minha cintura, as unhas cravadas nos meus ombros enquanto eu a carregava pela casa como se não houvesse amanhã — e, de certa forma, não havia. Não para nós. Não para o que estávamos vivendo ali.
0
Comente!x

  Quando chegamos ao quarto, o controle foi abandonado junto com as roupas espalhadas pelo chão. A tensão acumulada durante dias explodiu em toques urgentes, beijos famintos e sussurros que nunca ousaríamos pronunciar em outro contexto. O quarto parecia pequeno demais para conter tudo o que sentíamos, e, ainda assim, era o único lugar no mundo que importava.
0
Comente!x

  Cada movimento era uma confissão silenciosa do que havíamos tentado negar. Não era só desejo. Era raiva, frustração, curiosidade, uma fome que cresceu em silêncio e agora consumia cada parte de nós. %Alice% não era apenas minha chefe naquele momento. Ela era a tempestade e o alívio, o caos e o refúgio.
0
Comente!x

  Quando finalmente nos rendemos ao cansaço, deitados lado a lado, o silêncio que antes era desconfortável agora parecia um espaço seguro. O quarto estava mergulhado em uma penumbra suave, iluminado apenas pela luz fraca que entrava pela fresta da cortina. O som da nossa respiração ofegante preenchia o ambiente, misturado ao eco dos batimentos descompassados dos nossos corações.
0
Comente!x

  Eu a observei por um momento, o rosto dela suavizado pelo cansaço, mas ainda assim carregando aquela expressão de controle que ela nunca parecia abandonar completamente. O contraste entre a mulher poderosa que comandava o escritório e a que estava deitada ao meu lado era fascinante. Ela virou o rosto para mim, os olhos encontrando os meus com uma intensidade que me fez prender a respiração por um segundo.
0
Comente!x

  — Você me deixa fora de controle — ela admitiu em um sussurro rouco, os dedos traçando linhas preguiçosas pelo meu peito.
0
Comente!x

  Sorri, puxando-a suavemente para mais perto.
0
Comente!x

  — Acho que estamos empatados nessa.
0
Comente!x

  Ela riu baixo, um som raro e genuíno, antes de descansar a cabeça no meu ombro. Naquele momento, entrelaçados, o caos parecia distante. Mas sabíamos que ele estava apenas à espreita, esperando para nos engolir novamente. E, de alguma forma, eu não me importava. Porque ela estava ali e, por mais complicado que fosse, eu queria cada pedaço daquele desastre chamado %Alice% %Dias%.
0
Comente!x


  Nota da autora: Eita que era óbvio que esse encontro ia atiçar algo nesses dois hhaha, agora já era.

Capítulo 7
0 0 votos
Classificação do artigo
Inscrever-se
Notificar de
guest

0 Comentários
mais antigos
mais recentes Mais votado
Feedbacks embutidos
Ver todos os comentários
Todos os comentários (8)
×

Comentários

Você não pode copiar o conteúdo desta página

0
Adoraria saber sua opinião, comente.x