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História NÃO RECOMENDADA PARA MENORES ou PESSOAS SENSÍVEIS.

Esta história pode conter descrições (explícitas) de sexo, violência; palavras de baixo calão, linguagem imprópria. PODE CONTER GATILHOS

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Segredo de Escritório

Escrita porNyx
Editada por Natashia Kitamura

Capítulo 5 • Entre Linhas e Silêncios

Tempo estimado de leitura: 26 minutos

  O escritório parecia mais silencioso do que o habitual quando cheguei naquela manhã. O ar estava impregnado com o cheiro familiar de café recém-passado e o som dos teclados preenchia o ambiente, mas faltava algo — ou melhor, alguém. %Alice% ainda não havia chegado.
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  Olhei para o relógio no canto da tela do meu computador. 8h15.
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  Revisei a agenda do dia pela terceira vez, só para garantir que não havia cometido nenhum erro. O encontro com Rafa Kalimann estava confirmado para às 10h00, e o restante da manhã estava cuidadosamente planejado, como %Alice% gostava. Tudo no lugar. Exceto ela.
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  O tempo parecia se arrastar. Eu conferia a entrada do escritório disfarçadamente, esperando ver aquela figura imponente atravessando o corredor com seus passos firmes e olhar afiado. Mas nada. O relógio marcava 9h00. Depois, 9h15. Meu pé começou a bater nervosamente no chão.
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  Quando o relógio finalmente marcou 9h30, a porta de vidro se abriu. Lá estava ela.
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  %Alice% entrou com a mesma postura impecável de sempre, mas havia algo diferente naquela manhã. Vestia um vestido justo preto de tecido estruturado, que delineava suas curvas com elegância sutil. O blazer acentuava ainda mais sua silhueta, e os saltos altos completavam o visual, adicionando um ar de autoridade que dispensava explicações. O cabelo estava preso em um coque impecável, e os óculos de sol escuros ocultavam seus olhos, mas não conseguiam esconder o magnetismo da sua presença. Ela estava deslumbrante, ainda mais do que o habitual.
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  O som dos saltos ecoou pelo piso de mármore polido, e o escritório pareceu automaticamente ajustar-se à sua presença. O mundo dela sempre girava em um ritmo próprio, e hoje não era diferente.
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  Mas algo em mim estava inquieto demais para ignorar.
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  Levantei-me da cadeira antes mesmo de pensar se aquilo era uma boa ideia. A sala estava cheia de colegas de trabalho, mas as palavras escaparam antes que eu pudesse contê-las.
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  — Srta. %Dias%? — chamei, minha voz saiu um pouco mais firme do que eu planejava.
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  %Alice% parou, virando-se levemente para me encarar por cima dos óculos escuros. O burburinho ao redor diminuiu sutilmente, enquanto alguns olhares curiosos se voltavam para nós.
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  — Algum problema, %Arthur%? — O tom dela era calmo, mas carregado de uma autoridade que não precisava ser forçada.
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  Cruzei os braços, tentando manter a compostura.
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  — Não exatamente um problema, mas… — fiz uma pausa, escolhendo as palavras com cuidado — fiquei me perguntando o motivo da mudança de horário da reunião com a Rafa Kalimann. E agora, com a senhorita chegando… mais tarde do que o habitual…
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  Minha voz diminuiu um pouco no final, mas o estrago já estava feito. O silêncio no escritório se intensificou, todos fingindo trabalhar, mas atentos.
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  O olhar de %Alice% permaneceu fixo em mim por um instante que pareceu se estender além do necessário. Um silêncio carregado, denso, preenchendo o espaço entre nós como se o ar tivesse ficado mais pesado. Então, com um gesto calculado e deliberado, ela retirou os óculos de sol, revelando olhos marcados por um cansaço sutil, mas ainda assim incrivelmente intensos. O brilho neles permanecia — aquele olhar cortante e implacável, que parecia atravessar qualquer um sem esforço. Mas, por trás da superfície, havia uma fissura quase imperceptível. Uma vulnerabilidade que ela provavelmente odiaria saber que alguém notou.
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  — Eu precisava dormir, %Arthur%. — A resposta veio seca, direta, desprovida de floreios ou desculpas elaboradas.
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  Fiquei paralisado por um segundo, o cérebro processando aquelas palavras simples. Nada de justificativas profissionais, nada de rodeios. Apenas a verdade crua, exposta de forma desarmante.
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  — Dormir? — repeti, mais para mim mesmo do que para ela, tentando dar sentido ao óbvio.
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  Ela soltou um suspiro breve, o tipo de suspiro que parecia carregar o peso de mil reuniões, mil decisões difíceis.
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  — Sim, dormir. — O tom dela era firme, mas havia um eco sutil de exaustão. — Às vezes, até mesmo eu preciso disso. E quando o meu corpo diz que chegou ao limite, eu escuto.
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  Aquela sinceridade simples, sem escudos, mexeu comigo de um jeito que não consegui explicar. Não era arrogância. Não era indiferença. Era um fato. Um lembrete de que, por trás da armadura impenetrável, existia uma pessoa que, como qualquer outra, precisava parar. Respirar. Descansar.
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  Engoli em seco, sentindo um calor estranho subir pelo meu rosto, talvez um misto de constrangimento e surpresa.
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  — Entendido, Srta. %Dias%. — Minhas palavras saíram automáticas, o piloto automático profissional assumindo o controle.
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  Ela apenas inclinou levemente a cabeça em um gesto de confirmação, colocou os óculos de volta e continuou seu caminho, os passos firmes ecoando pelo corredor como se a conversa tivesse sido apenas mais uma tarefa riscada da lista.
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  Fiquei ali, parado, tentando processar o que acabara de acontecer. Foi quando Analise surgiu ao meu lado, um sorriso travesso nos lábios e aquele olhar de quem viu mais do que deveria.
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  — Você percebeu, não é? — Ela cutucou meu braço com o cotovelo, mal conseguindo disfarçar a curiosidade.
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  Soltei um suspiro, passando a mão pela nuca, ainda atordoado.
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  — Percebi o quê?
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  Analise revirou os olhos dramaticamente, cruzando os braços.
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  — Ah, %Arthur%, não se faça de bobo! A %Alice% nunca dá satisfações para ninguém. Nunca. Se ela chega atrasada, as pessoas aceitam. Se ela muda reuniões de última hora, ninguém ousa questionar. Mas você? Você a questionou na frente de todo mundo. E ela respondeu. Com sinceridade. — Ela enfatizou a última palavra, como se fosse um feito digno de aplausos.
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  Tentei disfarçar, balançando a cabeça.
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  — Não exagera, Analise. Ela estava cansada, só isso.
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  — Sei… — Ela me olhou de cima a baixo, um sorriso maroto se formando. — Mas olha, não vou ser eu quem vai te convencer disso.
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  Com um último olhar carregado de significado, ela se afastou, deixando-me sozinho com meus pensamentos.
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  Voltei para minha mesa, tentei me concentrar nos e-mails, na agenda, nos compromissos do dia. Mas minha mente insistia em voltar para aquele breve momento no corredor. Para o olhar dela sem os óculos de sol. Para o peso simples daquelas palavras: "Eu precisava dormir."
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  Era tão óbvio. Tão humano. Mas vindo dela, carregava um significado diferente. %Alice% %Dias% era o tipo de pessoa que nunca demonstrava fraqueza. Que nunca admitia precisar de algo tão banal quanto descanso. E, por algum motivo, essa pequena brecha na armadura dela mexeu comigo mais do que eu gostaria de admitir.
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  Pouco tempo depois, ouvi novamente o som dos saltos ecoando pelo corredor. O ritmo firme e confiante de sempre. %Alice% estava de volta, agora sem os óculos, e com a postura impecável, a expressão serena e o olhar focado. Era como se a conversa de minutos atrás nunca tivesse acontecido.
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  Mas eu sabia que tinha acontecido.
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  E algo me dizia que isso mudava tudo.
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  Respirei fundo, ajeitei minha gravata e a segui em direção à sala de reuniões. O dia mal tinha começado, mas eu já sabia que não conseguiria tirá-la da cabeça tão cedo.
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  O corredor até a sala de reuniões parecia mais longo do que o habitual. Cada passo ecoava no piso de mármore polido, o som abafado pelas paredes de vidro que separavam o ambiente da rotina agitada do escritório. Respirei fundo antes de empurrar a porta, tentando manter a compostura.
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  %Alice% já estava lá, sentada à cabeceira da mesa de reunião. Seus olhos, agora sem os óculos de sol, estavam fixos no tablet à sua frente, percorrendo informações com uma concentração quase hipnotizante. Ela parecia alheia a qualquer coisa que não fosse o que estava lendo, o que só aumentava o peso da minha presença.
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  — Srta. %Dias% — cumprimentei, entrando com passos contidos e um leve aceno de cabeça.
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  Ela levantou os olhos por um breve segundo, apenas o suficiente para me reconhecer, e depois voltou a atenção para a tela.
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  — %Arthur% — respondeu de forma neutra, mas o som do meu nome em sua voz sempre parecia mais firme do que o necessário.
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  Me aproximei da mesa, segurando o tablet com a agenda do dia. Meus dedos estavam um pouco mais trêmulos do que eu gostaria de admitir.
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  — Aqui está o resumo da agenda. — Estendi o tablet para ela, tentando soar confiante. — Após a reunião com a Rafa Kalimann, você tem uma call com o time de marketing e, depois do almoço, um encontro com o conselho para discutir o novo projeto da campanha internacional.
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  %Alice% pegou o tablet, seus dedos deslizando pela tela com eficiência. Ela assentiu levemente, sem dizer nada por alguns segundos, analisando os detalhes. Antes que o silêncio se prolongasse demais e eu me sentisse ainda mais deslocado, a porta se entreabriu e uma das recepcionistas apareceu.
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  — Com licença, Srta. %Dias%. %Arthur%, a Rafa Kalimann acabou de chegar.
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  Senti um aperto no estômago, uma mistura de ansiedade e expectativa. Assenti, me virando para %Alice% em busca de alguma instrução, mas ela apenas disse, de forma direta:
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  — Traga-a aqui.
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  Saí da sala, respirando fundo no caminho até a recepção. Rafa Kalimann estava lá, radiante, com aquele carisma natural que parecia iluminar o ambiente. Usava um conjunto elegante. Ao lado dela, Fran, sua assessora de relações, exibia uma postura profissional, com um blazer bem cortado e um olhar atento que parecia avaliar tudo ao redor.
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  — Rafa Kalimann? — perguntei, estendendo a mão com um sorriso profissional. — Sou %Arthur%, assistente da Srta. %Dias%. É um prazer recebê-la.
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  Ela apertou minha mão com firmeza, o sorriso caloroso desarmando qualquer resquício de tensão.
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  — Oi, %Arthur%! O prazer é meu. — A voz dela era leve, mas carregada de uma confiança que parecia natural.
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  — E essa é Fran, minha assessora de relações. — Rafa fez um gesto sutil em direção à mulher ao seu lado. — Vocês já se falaram por telefone, certo?
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  — Exatamente. Prazer em conhecê-lo pessoalmente, %Arthur% — disse Fran, apertando minha mão com um olhar profissional e direto.
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  — O prazer é meu. Vamos? — indiquei o caminho, conduzindo-as até a sala de reuniões.
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  Quando entramos, %Alice% estava de pé, com a mesma postura impecável, mas havia um leve sorriso no canto dos lábios — o suficiente para parecer cordial sem perder a autoridade.
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  — Rafa, seja bem-vinda. — Ela estendeu a mão para cumprimentá-la com firmeza. — É um prazer finalmente nos encontrarmos pessoalmente.
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  — O prazer é meu, %Alice%. — Rafa retribuiu o aperto de mão com um sorriso confiante, depois virou-se para Fran com um olhar cúmplice.
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  Sentamo-nos à mesa: %Alice% à cabeceira, Rafa ao seu lado, com Fran e eu do outro lado. %Alice% iniciou a reunião com a clareza e a objetividade que lhe eram características.
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  — Rafa, agradeço por ter ajustado sua agenda. — O tom dela era firme, mas levemente mais suave do que o habitual. — Estamos interessados em uma parceria que una sua influência com a estratégia da nossa nova campanha. Acreditamos que sua autenticidade possa agregar valor à imagem da marca.
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  Rafa sorriu, inclinando-se levemente para frente, demonstrando interesse genuíno.
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  — Fico feliz em ouvir isso. Sempre busco trabalhar com marcas que tenham um propósito claro. O que vocês têm em mente?
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  %Alice% explicou a proposta com uma precisão impressionante, detalhando as estratégias de marketing digital, engajamento orgânico e o impacto social que queriam alcançar. Fran ouvia atentamente, fazendo anotações rápidas enquanto seus olhos avaliavam cada nuance da proposta.
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  Em determinado momento, Rafa fez uma pergunta mais desafiadora:
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  — E como vocês pretendem garantir que essa campanha não seja apenas mais uma jogada de marketing? Quero dizer, as pessoas estão cada vez mais críticas em relação a colaborações com influenciadores.
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  %Alice% não hesitou. Sua postura permaneceu firme, mas sua voz ganhou um tom de convicção ainda mais forte.
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  — Não estamos interessados apenas em números. Queremos criar impacto real. — Ela olhou diretamente para Rafa, sua intensidade dominando o espaço. — Acreditamos que sua voz pode amplificar uma mensagem que vai além da estética: queremos autenticidade. E isso não se constrói com roteiros prontos. Se for para funcionar, tem que ser real.
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  Fran, que até então estava em silêncio, interveio:
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  — Concordo com você, %Alice%. E, para garantir essa autenticidade, acredito que seria interessante incluir momentos mais orgânicos na campanha. Talvez permitir que a Rafa compartilhe experiências pessoais ligadas aos valores da marca. Isso cria conexão de verdade com o público.
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  %Alice% assentiu, considerando a sugestão com um olhar que demonstrava aprovação.
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  — Boa observação, Fran. Podemos explorar essa abordagem, desde que mantenhamos a linha estratégica bem definida.
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  Rafa sorriu, claramente satisfeita com a direção da conversa.
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  — Gosto disso. Acho que podemos construir algo interessante juntas.
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  O restante da reunião fluiu de forma mais descontraída, com ideias sendo trocadas, ajustes sendo feitos e uma sinergia inesperada surgindo entre %Alice% e Rafa.
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  Quando a reunião chegou ao fim, Rafa se levantou, apertando nossas mãos novamente.
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  — Foi ótimo conversar com vocês. Estou animada para o que vem por aí.
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  Depois que ela saiu, o silêncio voltou à sala. %Alice% cruzou as pernas, apoiando o cotovelo na mesa e levando a mão ao queixo, pensativa.
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  — Bom trabalho — disse ela, sem olhar diretamente para mim, mas o comentário foi o suficiente para um calor estranho subir pelo meu peito.
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  Eu apenas assenti, tentando esconder o sorriso discreto que ameaçava surgir. Porque, vindo dela, aquele pequeno elogio parecia carregar um peso desproporcional. E, estranhamente, era o suficiente para fazer o dia parecer um pouco menos comum.
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💻👠

  O relógio marcava quase seis da tarde quando o som familiar dos saltos de %Alice% ecoou pelo corredor vazio. A maioria dos colegas já tinha ido embora, mas eu ainda estava finalizando alguns e-mails quando ouvi sua voz, firme e inconfundível, do outro lado da minha mesa.
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  — %Arthur%, venha comigo. — Não era uma pergunta, claro. O tom dela nunca deixava margem para dúvidas.
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  Olhei para cima, confuso. Ela estava de pé, segurando a bolsa em um ombro, com o blazer pendurado no braço. O coque, que normalmente mantinha impecável, estava um pouco mais solto, algumas mechas caídas emoldurando o rosto de forma quase casual, o que a fazia parecer… menos inacessível.
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  — Agora? — fechei o notebook automaticamente, já me levantando, como se meu corpo soubesse que resistir era inútil.
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  %Alice% estreitou os olhos, impaciente.
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  — Sim. E pegue sua mochila.
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  O pedido inesperado me fez franzir o cenho, mas obedeci sem questionar. Guardei o notebook, joguei a alça da mochila sobre o ombro e a segui pelo corredor. Descemos juntos até a garagem. O carro dela, um sedã preto elegante, já estava esperando com o motor ligado. %Alice% assumiu o volante sem cerimônias, e eu entrei no banco do passageiro, tentando não parecer desconfortável.
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  O silêncio entre nós foi interrompido apenas pelo som do cinto de segurança se encaixando. Após alguns minutos dirigindo, ela finalmente falou, o olhar fixo na estrada, as luzes da cidade refletindo em seus traços.
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  — Preciso de um presente. Algo sofisticado, mas que não pareça forçado. — A forma direta com que disse isso quase me fez rir. — Achei que uma segunda opinião poderia ser útil.
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  Essa foi a última coisa que eu esperava. %Alice% %Dias% pedindo opinião? Quase ri, mas me contive.
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  — Para quem é o presente? — arrisquei, tentando soar casual.
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  — Para um jantar de negócios. — A resposta veio rápida, vaga o suficiente para me fazer suspeitar de que havia mais por trás. — Uma garrafa de vinho seria suficiente, mas quero algo que cause uma boa impressão.
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  Assenti, absorvendo a informação enquanto o carro seguia em silêncio por mais alguns minutos. A cidade passava pelas janelas, iluminada pelo brilho alaranjado do pôr do sol, pintando sombras suaves no interior do carro.
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  Chegamos a uma boutique de vinhos sofisticada, daquelas em que o preço de qualquer garrafa paga metade do aluguel. O ambiente interno era elegante e acolhedor, com luzes suaves refletindo em prateleiras de madeira escura repletas de rótulos importados.
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  %Alice% caminhava entre as fileiras com a mesma segurança de quem faz isso todos os dias, enquanto eu tentava decifrar se estava ali para ajudar ou apenas para carregar a sacola no final. Ela pegou uma garrafa, analisou o rótulo por alguns segundos e depois colocou de volta com um suspiro frustrado.
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  — Isso não está funcionando. — Ela virou-se para mim de repente, me pegando de surpresa. — O que você acha?
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  Me aproximei, fingindo um ar de especialista, embora meu conhecimento sobre vinhos se limitasse ao que estava em promoção no supermercado.
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  — Bom… depende. — Peguei uma garrafa aleatória, só para ganhar tempo. — Você quer impressionar ou parecer despretensiosa?
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  Ela arqueou uma sobrancelha, avaliando a pergunta.
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  — Um pouco dos dois. — A resposta veio acompanhada de um sorriso discreto, o primeiro do dia. Analisei o rótulo em minhas mãos e depois olhei para ela.
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  — Talvez o problema seja o vinho. Que tal algo menos óbvio? Um presente que diga mais sobre você do que sobre a pessoa que vai recebê-lo.
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  %Alice% me observou em silêncio por um momento, como se estivesse pesando minhas palavras. Depois, assentiu lentamente.
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  — Ok. Me mostre o que você tem em mente.
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  Aquilo parecia um desafio. Passei a andar pelas prateleiras até encontrar um conjunto elegante de taças de cristal artesanais. Minimalistas, sofisticadas e, de alguma forma, com a mesma aura de perfeição que %Alice% exalava.
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  — Isso. — Apontei. — Refinado, útil e ainda assim um presente que parece ter sido escolhido com cuidado.
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  %Alice% se aproximou, pegou uma das taças e girou-a nos dedos. O reflexo da luz destacava o brilho sutil do cristal.
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  — Não é uma escolha óbvia. — Ela finalmente disse, com um tom que parecia… aprovação? — Gostei.
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  Pagamos (ou melhor, ela pagou) e saímos da loja. No carro, o silêncio não era mais desconfortável. Pelo contrário, parecia natural, preenchido por uma sensação estranha de… entendimento.
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  Antes de sairmos da garagem, %Alice% olhou para mim brevemente, sem a postura controlada de sempre.
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  — Obrigada, %Arthur%. Foi… útil.
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  Sorri de canto, sem saber exatamente por que aquilo me fez sentir tão bem.
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  — Sempre que precisar de um consultor de presentes de última hora, já sabe onde me encontrar.
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  Ela riu, um som breve, mas real, antes de ligar o motor e seguir pelas ruas já escuras da cidade. Achei que iríamos direto para o escritório, mas, em vez disso, %Alice% diminuiu a velocidade e lançou um olhar rápido para mim.
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  — Qual o seu endereço?
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  A pergunta dela me pegou desprevenido. O cinto de segurança ainda apertado contra o peito, demorei um segundo para processar, franzindo o cenho, confuso.
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  — Não precisa me levar em casa. Eu posso pegar um táxi ou…
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  — Não foi um pedido, %Arthur%. Foi uma ordem. — O tom dela era o de sempre, firme e autoritário, mas havia um brilho sutil, quase divertido, escondido no canto dos olhos.
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  Suspirei, resignado. Sabia que insistir seria em vão. Passei o endereço e, sem dizer mais nada, ela assentiu com um movimento breve e voltou a focar na estrada. O carro deslizou pelas ruas iluminadas da cidade, as luzes refletindo no painel enquanto o silêncio preenchia o espaço entre nós. Mas, dessa vez, não era o silêncio desconfortável de sempre. Havia algo diferente, uma tensão leve, mas não exatamente ruim.
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  De vez em quando, eu percebia o olhar dela desviando sutilmente para mim — rápidos, quase imperceptíveis, mas o suficiente para me deixar ainda mais ciente da presença dela. Fingi não notar, encarando as luzes da cidade que passavam borradas pela janela, enquanto minha mente corria mais rápido do que o carro.
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  Quando finalmente chegamos ao meu prédio — um edifício simples, sem nenhum tipo de sofisticação — senti um aperto estranho no peito. O contraste entre o meu bairro, com suas ruas largas e silenciosas, e o ambiente corporativo de %Alice% parecia expor mais do que eu gostaria. Era uma vulnerabilidade sutil, mas que me incomodava.
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  %Alice% estacionou o carro com a mesma precisão meticulosa de sempre, desligando o motor em um gesto automático. O silêncio que se seguiu parecia mais denso do que o trajeto inteiro.
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  — Boa noite, %Arthur%. — A voz dela soou mais suave do que eu esperava, sem o peso habitual da autoridade. Havia algo quase… caloroso ali.
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  Demorei um segundo antes de responder, surpreso com o tom.
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  — Boa noite, Srta. %Dias%. — Saí do carro, o ar fresco da noite batendo no meu rosto, contrastando com o calor inexplicável que parecia ter se instalado dentro de mim.
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  Enquanto fechava a porta, não resisti e olhei por cima do ombro. %Alice% ainda estava lá, o rosto parcialmente iluminado pelas luzes da rua. Ela me observou por um segundo a mais do que o necessário antes de desviar o olhar e acelerar, desaparecendo na curva da avenida.
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  Fiquei parado por alguns instantes, encarando o vazio onde o carro havia sumido. Depois, sacudi a cabeça e entrei no prédio, tentando ignorar o nó inexplicável que havia se formado no meu estômago.
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  A chave girou na fechadura com um clique suave. Entrei, esperando encontrar o apartamento mergulhado no silêncio habitual, mas fui surpreendido pela voz de Clara vindo da sala.
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  — %Arthur%? — Ela surgiu no corredor com uma caneca de chá na mão, o cabelo preso em um coque bagunçado e uma expressão de surpresa no rosto. — Você tá em casa… cedo?
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  Soltei um suspiro, jogando a mochila no sofá.
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  — É… meio que tive uma carona inesperada.
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  Clara franziu o cenho, se aproximando com aquele olhar curioso que eu já conhecia bem — o mesmo olhar que ela usava quando estava prestes a me fazer perguntas que eu preferia não responder.
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  — Carona? Com quem?
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  Eu podia ver as engrenagens girando na mente dela, pronta para formular teorias mirabolantes. Antes que sua imaginação começasse a trabalhar demais, apressei-me em cortar qualquer especulação.
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  — Nada demais, Clara. Foi só a %Alice%. Precisávamos resolver um negócio, e ela me deixou em casa depois. — Falei de forma casual, jogando o celular na mesa, tentando parecer o mais indiferente possível.
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  O olhar dela se estreitou, um sorriso malicioso começando a se formar nos lábios.
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  — A %Alice%? Tipo… a sua chefe %Alice%?
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  Revirei os olhos, indo direto para a cozinha pegar um copo de água, fugindo daquele olhar inquisidor.
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  — Sim, essa mesma. E antes que você comece a criar uma fanfic mental, foi só trabalho.
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  Ela soltou uma risada curta, claramente se divertindo com a minha tentativa de parecer desinteressado.
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  — Tá bom, se você diz… — murmurou, voltando para o sofá, mas com aquele olhar de quem não acreditava em uma palavra do que eu havia dito. — Mas eu sei ler sinais, %Arthur%.
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  Ignorei o comentário dela, bebendo a água em silêncio, mas uma parte de mim sabia que ela não estava completamente errada. Talvez houvesse sinais. Eu só ainda não sabia exatamente o que eles significavam.
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  E, naquele momento, preferi não pensar nisso.
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  Nota da autora: Genteee, a Alice está mostrando uma face cada vez mais humana, finalmente nosso menino Arthur está conseguindo destruir as barreiras dela! Hummm hahhahaha <3

Capítulo 5
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